Uma Dose de Clichê
15 ♡ 15 "Sobre pais, filhos e irmãos"
Notas iniciais
Capítulo 15 — Sobre pais, filhos e irmãos
— Ele tá bem confuso.
As sobrancelhas claras de Sam quase se juntaram ao ouvir aquilo. Ele não era muito de trazer os amigos para casa, até porquê, o melhor amigo só entrava quando o pai estava trabalhando e, fora Edward, Mariah era a única amiga realmente próxima e ela se convidava sozinha. E foi o que ela fez depois das aulas.
Enquanto lavava a louça e Sam secava, ela ia comentando sobre a conversa com o Edward. E sim, o amigo havia contado sobre a orientação sexual do ruivo, mas claramente ela não deveria contar a Sam que ele havia dito. Tarde demais e Samuel não chegou realmente a se importar, era até mais fácil que alguém tivesse contado, já que ele não teria segurança para tal.
— Confuso? Mas por quê? — Sam estranhou. Quem estava confuso era ele com aquela situação. — Confuso pelo que eu disse?
— Com os próprios sentimentos. — Passou um copo para o ruivo. — Não parece ser algo especificamente com você e... Com você. — Restringiu a fala ao lembrar-se que não estavam a sós. A mãe de Sam estava na sala, mas poderia ouvi-los. Era melhor evitar qualquer gafe.
— Mas então eu não entendo! — Sam suspirou. A amiga teria bastante trabalho em fazê-lo entender. — Ele está chateado, mas tem algo mais? É isso?
Mariah arqueou uma das sobrancelhas e pareceu divertir-se com alguma coisa que Sam não entendeu o que era, mas ela logo tratou de explicar.
— Ciúmes, meu caro.
Foi então que o próximo copo caiu. Escorregou das mãos de Samuel e partiu-se de encontro ao chão da cozinha. Ela estava dizendo o quê sobre ciúmes?
— O que houve? — Lolla apareceu na porta, atraída pelo barulho e preocupada.
— Ah... Foi só o seu filho desastrado. — As bochechas coraram por ser tão desatento e ele logo se abaixou para dar um jeito naquela bagunça.
— Deixa que eu pego, não quero que se corte com os cacos. — Lolla se aproximou com a pá e a vassoura. — Tudo bem, querido. — Sorriu ao ver o desconforto do filho. — Acidentes acontecem.
— A culpa foi minha, dona Lolla. Eu quis ajudar e acabei atrapalhando. — Mariah sorriu de maneira culpada. Era o que dava soltar tudo assim, de uma vez.
— Vocês já me ajudaram bastante. Eu cuido do resto. — Ela fez um gesto com as mãos, os enxotando da cozinha. Crianças na cozinha não era algo que a deixava muito confortável.
A mãe Mackenzie era uma graça. Simpática, terna e um doce de pessoa, muito diferente do marido que era o completo oposto. Graças aos céus que Sam havia puxado para ela.
— A sua mãe devia ganhar um prêmio Nobel por aturar o seu pai. — Mariah tinha a língua afiada e não conseguia guardar certos pensamentos. — Mas foi mal, né, afinal, ele é o seu pai.
Sam se importava sim com o que diziam do pai, mas sabia que era verdade. O conhecia melhor que ninguém, porém, não deu tanta importância no momento. Ele segurou o braço da garota e a puxou para a sala, sentando-se no sofá de maneira desleixada e muito interessado em certo assunto.
— Me conta essa coisa de ciúmes. — Era praticamente uma exigência, afinal, ela sabia coisas das quais ele nem fazia ideia.
— Foi isso o que eu disse: ciúmes. — Não era óbvio?
— Mas ciúmes de mim? — Parecia bem irreal e ninguém poderia culpá-lo por estar completamente perdido naquela história.
— Pois de mim é que não é. — Mariah bateu na testa dele com os dedos e rolou os olhos quando ele chiou. — Presta atenção, ruivo. Quando eu disse que o que ele sente é ciúmes, o Edward ficou vermelho e sem graça. Quantas vezes você já o viu assim?
Vermelho e sem graça? Sam poderia contar nos dedos de uma mão. Será que estavam mesmo falando de Edward Logan?
— Não acho que isso seja uma prova.
— É um bom começo. Mas é como eu disse, ele tá confuso, aí viu você e o menino bonitão e ficou enciumado. Faz sentido na cabeça dele. — Mariah suspirou. Jamais deixaria de pensar que ser rodeada de meninos era complicado, mas era uma boa alma guiando aqueles garotos para a luz.
— Ciúmes de amizade... Claro. — Sam encolheu os ombros. Não era sua intenção provocar aquele sentimento, mas Miles era tão agradável que não poderia simplesmente dispensá-lo.
— Não. — Ela fez questão de balançar o dedo. — Não, coração.
— Nem vem, Mariah! — Sam se ergueu e recusou fortemente aquela ideia. Aquilo sim era irreal. — Não tem nada a ver! O Eddie—
— Eu disse: confuso e com ciúmes. — Mariah interrompeu. — Só vejo um caminho pra isso.
— Fora de questão. — A cabeleira ruiva ganhou um novo penteado quando a cabeça balançou em negativa. — O Eddie... Eu sou como um irmão pra ele. Todo mundo sabe disso.
Mariah tinha um jeitinho especial de se fazer entender e isso se mostrava na mudança de feições que ocorriam a cada minuto. Sam sentiu um calafrio percorrer o corpo e as bochechas coraram ao entender.
— Na festa, Sam. — Ela soou mais sugestiva do que de costume para que tudo ficasse ainda mais claro. — É um bom momento pra vocês se aproximarem. De um jeito bem melhor que antes. Você pode pedir aquilo. O seu primeiro—
— Melhor parar! — Sam olhou assustado para a porta da sala. Céus! Que constrangimento. — Eu nem sei se quero mesmo ir nessa festa aí. O Edward esqueceu o meu aniversário, mas parecia bem animado pra ir festejar. — Soou cabisbaixo e ressentido. Passaria o aniversário sozinho e se culpando por ter soltado a língua e feito com que o amigo se afastasse. Talvez ele até levasse aquela líder de torcida como par.
— Não existe a opção de faltar. Você vai e as coisas vão se resolver. O que falta entre vocês é diálogo. O Edward é uma porta completa, mas você não é. — Mariah soou menos como uma irmã dando broncas e voltou a ser a amiga conselheira.
Sam ponderou sobre aquilo. Ele precisava sim conversar e se entender com o melhor amigo, mas não queria se iludir a ponto de acreditar que Edward também sentia mais que amizade por ele.
Mas talvez já fosse tarde demais.
♡
— Uma festa?
Os olhos castanhos de Jasmine deixaram o celular e foram parar no rosto do filho. Ela estava ocupada como sempre, organizando um evento de larga escala e falando com várias pessoas ao mesmo tempo. Estar em casa não significava que deixaria de trabalhar ou que a cada cinco minutos não entraria em contato com a equipe para saber como estava o andamento das coisas.
— Tão cedo... — Ela resistiu em olhar para o visor do aparelho telefônico e permaneceu com o olhar preso ao rosto bonito do filho. Orgulhava-se muito de ser bem sucedida e de ter um casamento estável, mas orgulhava-se ainda mais de ter um filho. Embora fosse, infelizmente, ausente a maior parte do tempo.
— Não vejo problema algum.
A voz profunda de Maximus Turner chegou antes que o homem alcançasse a sala de estar. Ele ainda estava na porta, sendo recebido pelo senhor Gregory, o mordomo da casa. Passava das nove e ele havia largado o serviço mais cedo para pegar o filho ainda acordado.
Miles sorriu ao receber um beijo na testa e ao ter a concordância do pai. Era bem mais fácil que o pai aceitasse suas ideias do que a mãe que colocava empecilhos em tudo. Eram como uma dupla imbatível e eram muito parecidos, mesmo o pai tendo olhos de um azul claro e os cabelos escuros. Na verdade, ele era uma mistura entre a mãe com os cabelos castanhos e o pai.
— Max... — Jasmine forçou um sorriso ao receber também um beijo. Lá vinha o marido que deixava o filho fazer tudo o que quisesse. — Uma festa com os garotos desse colégio... Não acho que seja muito indicado. Não conhecemos os pais dessas crianças.
— É só uma festa, querida. — A gravata foi afrouxada e os punhos da camisa abertos. — E eu fico feliz em ver que Miles está fazendo amizades.
— Não vamos exagerar. — Miles resmungou. Ainda não tinha nenhum amigo, apenas colegas. — E é só uma festa de adolescentes. Festa de aniversário. — Algo muito banal.
— Adolescentes significam; drogas, sexo e bebidas. — A mãe enumerou nos dedos cheios de anéis e de unhas cor laranja. — É isso o que me preocupa.
Como a mãe era exagerada! Miles tentou imaginar Sam fazendo aquelas coisas e franziu o cenho em uma careta de desgosto. Não combinava com o garoto ruivo e muito menos com o japonês nanico, talvez combinasse com o idiota do Dante... Enfim, não deixaria de ir naquela festa. Estava decidido.
— Essa é uma das melhores fases, Jamie, deixe o nosso menino aproveitar. — Max se sentou ao lado do filho e o tocou nos cabelos. — E como foi o seu dia?
— Não foi muito interessante, se quer saber. — Deu de ombros e aproveitou a carícia nos fios. O que poderia contar? Que havia um garoto doido que o perseguia e que o havia convidado para a festa com segundas intenções? É, era melhor não. — Mas vocês podiam fazer uma coisa pra mim. Algo que me deixaria melhor.
— É só dizer, filhote. — Jasmine podia muito bem acusar o esposo de fazer tudo o que aquele menino pedia, mas ela não ficava muito atrás, somente implicava antes de dizer sim. — O que podemos fazer?
Miles olhou para cima e encontrou o rosto do pai um pouco menos sério que o da mãe e sorriu de um jeito que deixava óbvio o que ele ia pedir. Não era algo novo. Vinha pedindo aquilo desde muito cedo, mas era persistente e não desistiria fácil.
— Um irmão. — Falou como se fosse algo simples e imediato. — Vocês podiam aproveitar o pouco tempo livre e me dar um irmãozinho. — Não seria difícil para eles.
Jasmine quase engasgou e Max coçou o maxilar. Era um assunto já discutido, mesmo que se compadecesse do pedido tão sincero e até mesmo bonito. Miles sempre tivera tudo o que o dinheiro podia comprar, mas era solitário e nem um pouco egoísta.
— Não é nada absurdo. — Resolveu dizer qualquer coisa ante o silêncio dos pais. — Vocês resolveriam isso bem fácil e sem a ajuda de uma cegonha. — Emendou ao ver a mãe abrir a boca para contar aquela velha história que nem mesmo as criancinhas acreditavam.
— Querido — Jasmine começou e até mesmo abandonou o celular sobre a mesinha de centro. —, sabe que nós somos muito ocupados para ter outro filho. Certo, fazer é o de menos, mas e depois? Eu não tenho tempo e o seu pai também não. Ter um filho é algo muito sério. — E ela não passaria nove meses carregando uma criança se após dar à luz não pudesse ficar em tempo integral com o bebê. Havia sido assim com Miles, ela somente voltou a se dedicar ao trabalho quando o filho entrou para o colégio, mas agora era algo nada viável.
Era um saco que aqueles dois só pensassem em trabalho! Queria ter alguém próximo, alguém que compartilhasse do mesmo sangue e com quem pudesse contar. Não era pedir muito. Tinham uma casa enorme, tinham muito dinheiro e faziam viagens legais no fim do ano, mas há dezesseis anos eram só eles três. Sentia falta de ter mais alguém além dos empregados. Mas era como falar com duas portas!
— Pensando pelo lado positivo, não vai ter com quem brigar pela herança. — O pai implicou, apertando-o nos ombros.
— Isso é um saco! — Miles bufou. — Serei um adulto lindo e cheio da grana, mas traumatizado pela falta de um irmão.
Santo drama!
Max acabou rindo e deu tapinhas nas costas do filho. Outro filho seria sim muito bem-vindo, mas não naquele momento. Mas...
— Talvez no fim do ano.
Uma fagulha de esperança se acendeu nos olhos azuis esverdeados de Miles, mas logo se apagou. Aquele papo de novo. Só acreditaria quando a mãe estivesse com uma barriga enorme. E com toda aquela enrolação, era melhor que fossem gêmeos.
— Vocês dois são mais falsos que notas de três dólares. — Acusou ao se erguer. — Mas não fiquem preocupados quando eu aparecer na tevê por ter roubado um irmãozinho.
E depois diziam que os ricos tinham tudo. Uma grande mentira, isso sim!
— Agora darei espaço para que providenciem o novo membro da família.
Oh, céus! Ele não desistia. O pai teria comentado qualquer coisa sarcástica, mas o filho escapuliu pelas escadas e o deixou a sós com a dona mãe.
— Ele puxou o seu lado da família. — Jasmine comentou ao retornar ao celular. — Sua família que tem tantos filhos e irmãos, trouxe esse pensamento a cabecinha linda do meu filhote.
— Sua avó teve nove filhos, querida. — Max replicou. — E eu poderia passar a noite falando sobre os seus tios, mas Miles nos deu uma tarefa melhor.
Os olhos castanhos deixaram as unhas compridas e a dor por ter o indicador com o esmalte descascado, logo sumiu quando o tom do marido tornou-se diferente. Algo mais profundo e muito convidativo.
Miles girou os olhos do alto da escada quando os pais começaram a dançar na sala. Ao menos estavam juntos e sendo o casal apaixonado de sempre. Só faltava mesmo trazerem o seu irmão.
♡
— Ainda pensando sobre aquilo?
A voz da mãe fez com que Edward erguesse os olhos e logo os desviasse de volta a tevê. De novo aquele assunto. Ele estava deitado no sofá, sem muita vontade de fazer qualquer coisa e isso vinha desde que chegou do colégio. Sabia o quanto estava sendo babaca, mas não parecia tão disposto a sair dali
— Você lembra muito o seu pai quando fica assim. — Rachel comentou e assim conseguiu a atenção do filho.
Desde que ela havia perguntado sobre o filho ser gay, Edward andava um pouco mais distante, mesmo após a resposta. Talvez ela não devesse ter sido tão direta, mas estava tão curiosa sobre a cena que presenciou que não conseguiu formular uma pergunta melhor. Não que estivesse arrependida, era melhor saber de uma vez, caso algo estivesse mesmo acontecendo. Mas segundo o caçula, era somente coisa da sua cabeça.
— Você nunca fala dele. — Edward se sentou. O filme não era mesmo interessante.
— É porque não surgem oportunidades. — A mãe foi quem pareceu levemente desconfortável agora. Aquele assunto não era dos melhores e ela evitava dizer qualquer coisa a respeito daquele homem. — Mas vamos falar de você. — Ela buscou espaço no sofá.
— Não quero falar de mim. Preferia falar sobre o meu pai. — E tentar conhecê-lo. Nem mesmo tinha um rosto para se basear.
Rachel suspirou e não viu outra alternativa além de contar uma ou duas coisas a respeito do ex. Sabia como um pai fazia falta, mesmo que tentasse suprir aquele espaço, jamais seria a mesma coisa.
— O seu pai era um homem muito reservado. Quando algo o incomodava, ele costumava pensar muito antes de agir. Igual a você. — Rachel contou. Um sorriso melancólico surgiu nos lábios, mas logo sumiu. — Mas conseguia resolver todos os problemas. Era orgulhoso, dispensava ajuda, mas, no fim, sempre conseguia resolver.
Era um homem que ele sequer sabia o nome. A mãe parecia ter medo de que ele quisesse buscar por informações a respeito do pai e ela sim era reservada quanto àquele assunto. Mas então, era realmente parecido com ele a ponto de ter herdado aquele gênio difícil? O pai provavelmente saberia o que fazer e... Suspirou. Sentia falta de ter com quem conversar sobre certas coisas que não conversaria com a mãe. E nem mesmo o melhor amigo estava por perto.
Tudo porque estava com ciúmes...
Não era estúpido para não admitir – em pensamento – o que sentiu ao vê-lo com o riquinho metido. Ciúmes de amizade, é claro. É, era isso.
— Eu vou voltar lá pra dentro e terminar o jantar. — Rachel deu tapinhas na perna do filho e sorriu de maneira terna antes de se afastar.
Edward ainda queria perguntar mais sobre o pai, mas tinha um problema para resolver agora. Um problema que ele mesmo havia criado e que não podia esperar.
♡
— Tem alguém lá fora...
A fala da mãe fez com que os olhos do marido e do filho se erguessem dos pratos e fossem parar na janela onde ela se encontrava.
— Acho que é o Edward. — Lolla estreitou os olhos na tentativa de reconhecer quem estava na caminhonete.
— Aquele—
— Eddie! — Samuel levantou-se de maneira atrapalhada e ignorou o rosnado do pai ao correr para a janela também.
O silêncio do jantar o incomodava e os pensamentos sempre iam parar naqueles olhos azuis e na vontade de estar com ele. O coração chegou a saltar quando os olhos avistaram aquele moreno confuso.
— O que será que ele quer? — Lolla perguntou baixinho. Teria que lidar com o marido e todo aquele estresse que vinha com a simples menção daquele nome.
— Eu não sei. — Sam sorriu. — Mas eu vou descobrir. — Enfiou os sapatos de qualquer jeito quando o ouviu buzinar.
— Não se atreva a sair, Samuel. — David demandou ainda na mesa.
A voz do pai fez com que Sam parasse na porta. Aqueles sermões, o ódio gratuito por algo que somente ele acreditava e todas as proibições acerca daquela amizade, tudo contribuiu para que ele vestisse o casaco e abrisse a porta, sem dar ouvidos as ameaças implicantes do senhor Mackenzie.
Talvez estivesse sendo rebelde ao dar pouca importância as regras e ordens, mas nunca viu problemas em ser amigo de Edward. O problema seria realmente abrir mão daquela amizade. E isso ele jamais estaria disposto a fazer.
Correu pelo jardim em frente a casa e deu a volta no veículo, abrindo logo a porta e se jogando lá dentro.
O silêncio foi até mesmo pior que o do jantar, mas não precisaria ser tão reservado com ele.
— Desculpa—
— Foi mal—
As falas vieram juntas e dissiparam parte do desconforto. Obviamente cada um tinha um motivo para o pedido de desculpas e acabaram sorrindo e sendo os mesmos bobos de sempre.
Sam sequer disfarçou a alegria de ter aqueles olhos azuis novamente nos seus. Era um alívio ele estar ali depois do episódio daquela manhã e sem ao menos avisá-lo. Havia adorado a surpresa, mas continuava sorrindo e sorriria até que a mandíbula doesse pelo resto da noite.
— É melhor a gente ir. — Edward rompeu o silêncio ao colocar o veículo em andamento, mas o olhar se demorou um pouquinho mais no rosto cheio de sardas e iluminado com as luzes da rua. Somente sendo mesmo um babaca para ficar longe daquele sorriso e das constelações que se desenhavam naquelas bochechas.
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