Uma Dose de Clichê

12 ♡ 12 "Sobre palavras não ditas"


Notas iniciais
Boa noite, galera! Tudo bem com vocês? Espero muito que sim! Olha só quem não demorou com a atualização?! Poisé, vamos ver se consigo manter um ritmo bacana de postagens XD Bem, vamos aos agradecimentos! Agradeço a todos que acompanham a história, que favoritam e quem comentaram no cap passado: Babissf, Yaoi, Deby Costa, a Babs e a Sabrina por surtar comigo! Obrigada! Vocês são demais! Espero que gostem do capítulo! Boa leitura.

12 — Sobre palavras não ditas

— Você me acha uma pessoa interessante?

A calmaria do ar, da paisagem, do tecido celeste recoberto por um tapete de estrelas e das luzes que flutuavam ao redor, pairando sobre os dois amigos, tudo isso, soava como um aquecido conforto aos corações de ambos.

Sam tinha um sorriso bobo enfeitando o rosto, os olhos cheios de um brilho próprio e tão bonito. Edward o encarou por alguns momentos, pensando que o pontilhado vermelho que decorava as bochechas e nariz do ruivo, se pareciam com estrelas: pequenas constelações. E os olhos tão negros e cintilantes, eram como o céu noturno.

Não era como se pensasse assim de Samuel Mackenzie o tempo todo, mas era… Já fazia algum tempo. No entanto, dispensava pouca atenção a essa parte em especial. Importava-se com ele como se fossem irmãos e isso vinha desde sempre.

E sobre a pergunta tão boba, ele tinha apenas uma resposta: como não achá-lo interessante?

— Em qual sentido?

Sam esticou o braço e moveu os dedos no ar, como se pudesse tocar o trêmulo dourado que navegava pelo azul escuro.

— Em todos os sentidos, Eddie. — Os lábios ainda sorriam. — Você é uma pessoa bem interessante. É inteligente, legal, atlético, bonito… — Poderia enumerar o dia todo o quanto o amigo era interessante, mas as bochechas coraram quando se deu conta da última parte e do olhar que recebia. — É o que todas as garotas dizem. — Justificou. — Mas também é o que eu acho.

Edward observou a mão de Sam fazer movimentos suaves no ar. Ele não se achava aquilo tudo, era somente dedicado. Dedicado aos estudos, dedicado ao futebol. E não era assim tão legal, só com os mais próximos. E não se achava feio, mas o jeito que as garotas falavam era tão superficial e exagerado, preferia o jeito de Sam se expressar.

Talvez preferisse muitas coisas no melhor amigo, mas também não era de pensar muito sobre isso. O momento era agradável para que o desperdiçasse em confusões e conflitos internos.

— Você quer saber se é interessante pras garotas? — O cenho se franziu levemente.

Pra você, seu bobo.

O rosto de Sam se virou quando os olhos buscaram pelos azuis. Tão bonito. Tão desatento. No fundo, o que ele mais temia, era perder a amizade de Edward caso confessasse os sentimentos. Eddie havia dito que gostava de como estavam e não queria mudar. Mudaria tudo se dissesse de que maneira gostava dele. Ele tinha mesmo que ser tão complicado e se apaixonar pelo melhor amigo?

— Acha que alguma garota se interessaria por mim? — Já que Edward não enxergava, ele acabava entrando naquela onda. Não estava interessado em nenhuma garota. Seu coração estava ocupado há mais tempo do que podia contar.

A Geovanna.

Agora foi Sam quem franziu o cenho. O que é que tinha a líder de torcida?

— Não entendi.

— Não é óbvio o jeito que ela te olha? — A fala saiu um pouco mais forte que antes, como um assunto que ele não gostaria de tocar.

— Você acha óbvio? — Sam se ergueu e continuou a encarar o amigo; desacreditado. — Desde quando você acha olhares assim tão óbvios? — Ele não era assim, mas o tom veio acompanhado de um leve sarcasmo, mas logo se arrependeu e moveu as pernas, encostando os joelhos no queixo. — Esquece…

Edward se ergueu também, ainda mais confuso com a acusação do ruivo. Buscou pelos olhos negros, mas preferiu observar a nuvem de vaga-lumes.

— E a Geovanna, caso goste de algum garoto da escola, provavelmente é de você. — O resmungo surgiu depois de um incômodo silêncio.

— Por que você não se acha interessante? — Aquele papo… Preferia quando sabia sobre o que estavam falando. — Se for por isso, sabe que eu não gosto quando você começa a se colocar pra baixo. Chega desse assunto.

Mas Sam parecia empenhado em manter a conversa.

— Eu queria ser interessante somente pra uma pessoa.

A atenção de Edward foi atraída com mais impacto após aquelas palavras. Palavras curiosas.

— Não sabia que gostava de alguém. — Edward conseguiu a atenção do olhar do amigo. Aquilo sim era novidade!

— Eu gosto. — Sam não queria culpá-lo ou soar magoado, mas quis muito que Eddie sentisse. Que ele sentisse qualquer coisa que denunciasse algum ciúmes ou mais do que o carinho de irmão que ele vivia dizendo sentir. Sustentou o olhar que não conseguiu decifrar e então desviou os olhos. Estavam úmidos. Seria vergonhoso se expôr daquela maneira. Que tolo você é, Sam. — Não importa. — Tentou se levantar, mas teve o pulso seguro em um firme enlace.

— Eu conheço essa pessoa? É alguém do colégio? — A insistência era até mesmo nova. Ele geralmente não daria maiores importâncias para aquelas palavras, caso não viesse se sentindo estranho nas últimas semanas.

Os lábios de Sam se entreabriram, se umedeceram em nervosismo e os olhos azuis foram atraídos para eles. Estavam próximos, mas não era nada com o quê já não tivessem lidado antes. Mas o contexto era diferente.

— Sim e sim. — A voz não tardou, mas era provável que ela o abandonasse devido a todas as sensações tão fortes que sentia no momento.

O perfume de Edward era sempre o mesmo e misturava-se com o aroma do shampoo, tornando aquela combinação tão perfeita. Tinha a visão, o olfato, o tato. Os dedos dele ainda se pressionavam em seu pulso, mas diminuíram a pressão.

Tão próximos.

Qual seria a sensação de tocá-lo nos lábios? Como seria a textura? O sabor? Como seria poder finalmente beijá-lo e sanar um pouquinho daquele imenso amor que o acompanhava desde a infância?

E se Edward pensasse o mesmo? E se ele também desejasse as mesmas coisas?

E se…?

— Eu—

— Meninos!

A aproximação se partiu quando a voz conhecida os alcançou. Sam, com o rosto quente e o coração acelerado, tratou de descer da traseira do veículo. Só queria acalmar aquele furacão de sentimentos que o invadia quando tentava ser corajoso. Não adiantava. Era covarde. Tinha tanto medo de uma reação negativa. Não saberia conviver com a rejeição de Edward.

— Aconteceu alguma coisa? — Emília tocou o ombro do ruivo, mostrando-se preocupada. A expressão do irmão também não era das melhores.

— Não aconteceu nada. — Edward também desceu, mas foi logo entrando no veículo. Voltaria dirigindo.

— Vocês não trouxeram os celulares, ficamos preocupados, já é noite. — Emília contou o motivo por estar ali. Aquele local era afastado e podia ser perigoso quando escurecia.

— Desculpe por isso. Por favor. — Sam não sabia exatamente pelo quê pedia desculpas ou porquê implorava, mas sentiu-se tão frágil. Não teria mais aquele fio de coragem. Esteve a um passo de finalmente dizer como se sentia, mas o viu se afastar como as luzes que dançavam ao redor.

— Não, tudo bem. Não precisa ficar assim. — Ela o tocou no rosto, não estava brigando. — Sam?

Os olhos úmidos seguraram bravamente as lágrimas que desejavam rolar. Sam agradeceu a preocupação de Emília e caminhou para a caminhonete. Tinham ido juntos até ali, voltariam juntos.

Mesmo no silêncio que se seguiu durante o percurso de volta.

— Pensei que me contasse tudo.

Sam esperou por aquela frase. Ela soara exatamente como imaginou: chateada. Nada mais que isso. O fato, o doloroso fato, é que sempre esperava algo a mais de Edward.

Não tinham sequer trocado uma palavra antes disso, mas pensar que ficaria sem falar com o melhor amigo, trazia uma dorzinha no peito que o fizeram buscar por algum assunto em vários momentos naqueles minutos.

— Não é importante, por isso não contei. — Mentiu. Agora estava mentindo, mas preferia afastar o moreno de qualquer caminho que o levasse a indagar mais sobre aquele assunto.

— Tem a ver com você, é importante. — Edward estacionou duas casas antes da casa do ruivo. Era estúpido, mas o pai de Sam criaria caso se os visse chegando juntos.

Novamente houve a falta de diálogo, mas foi passageira e logo a voz mais grave voltou a falar.

— Não é a Geovanna, mas pode ser outra garota do time… — Os ares pensativos tomaram as faces de Edward. Ele realmente queria saber quem era a dona da atenção do amigo.

Os dedos de Sam se apertaram sobre o tecido leve da bermuda. Aquela certeza de que era uma menina, o incomodou como nunca antes, mas sequer havia comentado sobre aquilo com ninguém. Os lábios se comprimiram, mas a pergunta veio sem ressalvas.

— Por que tem que ser uma garota?

Edward desviou os olhos para a janela. O bairro era sossegado, não havia quase ninguém nas ruas àquela hora e ainda era cedo, mas podia ver o carro de Bruce e a tal banda dele, conversando animados frente a casa do loiro.

— Por que não seria? Vai dizer que gosta de garotos agora? — Não quis soar daquela maneira desdenhosa, mas talvez estivesse nervoso com a situação.

O pesado silêncio que pairou sobre eles, no entanto, foi uma confirmação.

— Você gosta de…?

— Eu tenho que ir. — O destravar da porta soou e ele escapuliu para a rua, caminhando sem olhar para trás.

Que bobo ele era!

Devia ter uma coroa para indicar que era rei no quesito tolice. Vivia de meias palavras, como Edward mesmo havia dito, mas somente a expressão desacreditada do amigo ao confirmar silenciosamente que gostava de garotos – de um garoto em específico –, foi suficiente para fazê-lo entender que aquilo não seria possível.

O rosto ardia em vergonha e os olhos queimavam, mas parou brevemente ao passar pelos colegas. Sabia que aquela seria uma noite importante para eles, não ficaria indiferente.

— Boa sorte. — Desejou com uma animação que não sentia e se apressou em entrar em casa antes que Bruce perguntasse alguma coisa.

— Filho?!

A voz da mãe o chamou assim que a porta bateu. Ele parou ainda na entrada, mordeu o lábio inferior e a encarou nos olhos. O brilho úmido cintilando no olhar escuro. Queria compartilhar com ela o que sentia, mas se contentou em abraçá-la e buscar o conforto desejado para sua falta de coragem.

— Eddie?!

Rachel chamou pelo filho ao vê-lo passar pela porta. Havia um tom de repreensão na voz, mas ao ver a expressão distante no rosto jovem, decidiu deixar as broncas para depois.

— Você estava com o Sam? — Ela se aproximou, sentou-se ao lado dele no sofá e buscou seriamente por alguma reação ante aquele nome.

— É.

A falta de diálogo deixava ainda mais claro que algo havia acontecido.

— Vocês brigaram?

Os olhos azuis encontraram os castanhos da mãe, expondo no olhar o quanto aquela pergunta era idiota.

— A gente não faz essas coisas. — Nunca tinham brigado com ele. Brigar era perda de tempo. — Foi só... — Parou ao suspirar. Não podia contar algo que não o pertencia.

Rachel buscou o que dizer no silêncio. Já vinha pensando sobre aquilo há uns dias. Aquela amizade... Tão próximos eles eram, mas depois de encontrá-los dormindo na mesma cama, seus pensamentos só a levavam para um caminho e uma única resposta. Precisavam conversar sobre aquilo. Era importante.

— Ele só disse umas coisas, mas não brigamos. — Edward levou as mãos aos cabelos rebeldes, fazendo os dedos contrastarem contra os fios negros. — Ele é sensível.

Era essa a palavra; sensível. Combinava tanto com ele. Mas então, agora descobria que o melhor amigo gostava de alguém e esse alguém era... Era um garoto. Quem poderia ser? E como foi que nunca suspeitou de algo assim?

Os dedos desceram para o rosto e cobriram os olhos. Aqueles pensamentos causavam dor de cabeça. Não queria pensar, mas não conseguia deixar de pensar em quem poderia ser o pretendente do ruivo.

Sam não parecia ter interesse por nenhum dos garotos do time de futebol. Ao menos, nunca havia percebido nada. Ele não era de se mostrar a esse ponto, era completamente reservado. A não ser que ele gostasse de Bruce. A ideia quase o fez rir. Rir de nervoso.

— Eddie. — Rachel chamou novamente. O tom propunha um assunto sério. — Eu quero te perguntar uma coisa e gostaria muito que você fosse sincero.

— 'Tô ouvindo. — E estava, com a devida atenção, mas jamais pensou que fosse ouvir aquela pergunta e justo naquele momento.

— Você é gay?

Sem rodeios ou cerimônias, a pergunta ondulou no ar no momento em que duas figuras adentraram a sala. Emília e Jon acabavam de chegar e toda a atenção foi para um Edward estarrecido.

Mas ele sabia a resposta, certo?

— Porcaria de janela!

O quarto escuro ganhou luz quando o abajur foi aceso e a calmaria se rompeu quando certo loiro decidiu xingar ao quase cair de fuças no chão. Como se aquela fosse uma hora muito propícia para visitas...

Um resmungo e o corpo entre as cobertas se moveu.

Bruce queria muito perguntar uma coisa ao baixinho asiático e era por isso que estava ali. Era ansioso e era também impulsivo, mas já vinha pensando sobre aquilo há algum tempo. Não queria ter crises e pensar em não agir.

— Hey, Kyle? — Buscou espaço na cama do vizinho ao empurrá-lo com o corpo. Estava frio lá fora e aquele calor era muito bem-vindo.

— 'Tô dormindo. — Outro resmungo, mas os braços buscaram pelo corpo maior. A bochecha fofa pressionou o peito sobre a camiseta estampada e ele só queria voltar aos sonhos. Mas...

— Kyle, eu quero... Eu quero te perguntar uma coisa. — Havia um certo receio na voz do loiro, mas ele não ia desistir de fazer a derradeira pergunta.

— O quÊ?

Depois de todo aquele tempo, Bruce achava válido que partissem para algo mais sério e com a adrenalina pós-show e o bom recebimento do público, estava mais certo em querer levar aquilo adiante.

Então...

— Já faz tempo que a gente é assim, 'cê sabe. Eu andei pensando e... Eu queria saber se... Kyle, você quer—

Um som característico que ele chamaria de “ronco”, soou pelo quarto. O Ogawa só faltava babar em suas roupas. Por que pensou que seria diferente? Pulando a janela do garoto às duas da manhã, só poderia dar nisso.

Quem sabe no dia seguinte ele não obtivesse algum sucesso?

Notas finais
Gostaram? Quase que o menino Sam consegue se declarar, mas o bichinho tem medo da reação do Eddie, quando mal sabe ele, que o Eddie já o vê de uma forma diferente. O que falta mesmo entre eles, é a comunicação. Sam é alguém muito inseguro e Eddie é alguém com os sentimentos confusos, mas quem sabe a partir de agora não se acertem... A mamys do Eddie já mandou logo a real XD Com ela não tem isso de pensar e não falar, ela quer saber, ela pergunta! Qual é a resposta do menino Eddie? E quem aí acha que rolou ciúmes por parte dele ao imaginar o Sam com alguém? Bruce, meu filho, ir fazer esse tipo de pergunta às duas da manhã? Assim não dá, né! Espera o Kyle acordar e pergunta de vez! Espero mesmo que tenham gostado! Tô me divertindo muito escrevendo, espero que se divirtam lendo ♥ Bjuss