Uma Dose de Clichê

8 ♡ 8 "Sobre encontros no corredor"


Notas iniciais
Tutu bom, galera? Espero que sim! Então, eis que alguns séculos depois eu apareço por aqui... Perdão e não desistam de mim! XD Bora agradecer! Obrigada a todos que acompanham, que favoritam e que comentaram no capítulo passado: Fujoshi n alma, Babissf, Nilla, Yaoi, Deby Costa e Mr Reisen ♥ Obrigada, sabrinavilanova pelo apoio ♥ Bom, espero que gostem do capítulo! Boa leitura!

8 — Sobre encontros no corredor

— Eddie?

A voz baixinha e levemente receosa ondulou pelo quarto escuro, em busca de quem ressonava logo abaixo, em um colchão no chão. Samuel não achava nada justo que o dono do quarto tivesse que lhe ceder a cama, mas Edward insistia que não se importava em dormir ali, bem confortável no chão.

— Eddie? 'Tá acordado? — Insistiu. Apoiou-se nos cotovelos e espiou, ou tentou espiar o amigo na penumbra. Não era um gato, oras! Acabou acendendo a luz do abajur e encontrou o moreno de olhos fechados. Aqueles olhos tão lindos.

— Desliga isso, Mackenzie! — Edward resmungou e virou-se para o lado oposto ao do ruivo e da luz irritante. Estava quase babando em um sono maravilhoso, mas dormir no mesmo quarto que Sam, era pedir para dormir tarde ou nem mesmo dormir.

— Eddie, eu tive um pesadelo…

Edward abriu os olhos e suspirou. Não era raro que o ruivinho tivesse sonhos ruins e acordasse assustado no meio da noite, mas ele ainda não sabia lidar muito bem com isso. Não era o melhor em demonstrar afeto e essas coisas melosas.

— Eddie, vem aqui. — Deu espaço para que o outro subisse na cama. — Seja um bom amigo, anda. — Ergueu o cobertor, esperançoso de que ele realmente entrasse ali debaixo.

— Vai parar de falar se eu for aí? — E mais uma vez ele estava cedendo.

— Prometo. — Sam sibilou, como se contasse um segredo. Apagou a luz antes que o amigo trocasse de cama e ficou na velha expectativa que sempre ficava quando ele chegava perto. Sentiu o colchão afundar e a coberta ser puxada. Sentiu o cheiro gostoso do shampoo e o calorzinho constrangedor subir, desde as pontas dos dedos, até a raiz dos fios vermelhos. Não entraria no assunto “coração acelerado”, mas batia tão forte, que temeu que o moreno o ouvisse. Bem, caso acontecesse, justificaria como sendo unicamente pelo pesadelo. Edward não perguntaria mais, sabia o quanto ele se achava péssimo naquilo de confortar, mas o fato é que ele não precisava disso. Era só continuar ao seu lado, sendo a melhor companhia de todas. Não precisava de muito.

— Obrigado. — Sussurrou depois de uns momentos de silêncio. Momentos os quais talvez Edward tivesse usado para dormir. Não que o culpasse, afinal, já era bem tarde para conversas na madrugada.

E para sua surpresa, o amigo se moveu, puxando mais as cobertas.

— É tipo uma troca por ter aceitado o convite pro jantar. — A voz sonolenta se pronunciou e um bocejo foi ouvido em seguida.

— É claro que eu ia aceitar. Sempre faço tudo o que você quer. — Era óbvio que nem sequer pestanejava para aceitar as ideias ou qualquer convite que partisse do Logan.

Edward se moveu novamente. Estendeu a mão e bagunçou os fios vermelhos do ruivo, como se acariciasse um cãozinho. Sua demonstração de afeto era uma lástima, mas ao menos tinha iniciativa.

— Eu sei. Eu sei… — Resmungou em consideração e voltou a se cobrir. — Agora dorme.

Um sorriso bobo se estendeu pelos lábios de Sam e ele novamente sentiu o coração descompassar e o rosto esquentar. No fim, era mais bobo que o próprio Edward. Acabou tomando uma dose de coragem e enfiou as mãos por baixo do cobertor, abraçando a cintura do moreno.

— Deixa de ser grudento, Mackezie! — Edward o empurrou com o cotovelo.

— Eu 'tô com medo. Seja um bom amigo.

Era sempre essa a sua maior desculpa. No fim, também sempre conseguia com que Edward cedesse aos seus caprichos.

— Desgruda, Sam!

— Deixa de ser chato.

— Sam!

E como se adiantasse alguma coisa, terminaram discutindo sobre espaço pessoal e os draminhas de sempre, mas terminaram também, adormecendo de uma maneira que deixaria Edward com os nervos à flor da pele no dia seguinte.

Mesmo que ele nem sequer soubesse o motivo.

— 'Tá tudo bem, mãe?

Rachel levou a caneca de café preto aos lábios, manchando a louça com o batom rosado e parando com ela a centímetros da mesa, pensativa. Mais pensativa do que em qualquer outro dia.

— Mãe? — Emília voltou a chamar, preocupada com o silêncio e os olhos vagos da mãe. — Hey! — Balançou a mão frente ao rosto disperso e conseguiu a atenção dos olhos castanhos. — Tudo bem aí?

Rachel piscou algumas vezes e quase derrubou o café, atarantada com a presença da filha. Claro que sabia que ela estava ali, afinal, passariam uns dias em sua casa, mas estava tão absorta nos pensamentos que sequer notou a presença da primogênita.

— Emi… — Tocou a mão da filha por cima da mesa, buscando os olhos escuros dela. — Você percebeu algum comportamento diferente no seu irmão? — A pergunta veio cheia de uma expectativa e ansiedade que não quis passar no momento, mas era péssima em disfarçar.

Emília franziu o cenho e pensou em uma resposta para a pergunta da mãe. Tentou buscar algo na memória. Comportamento estranho? Edward era um ótimo aluno, apesar de que se envolvia em algumas brigas para salvar a pele do amigo ruivo, fora isso, não havia comportamento estranho algum.

— Não. Eu não me lembro de nada do tipo. — Ela balançou a cabeça e fez bico. — O que aconteceu? Brigou com ele? — O que seria estranho, já que à noite todos estavam muito bem.

— Não, não briguei. — Rachel afastou a mão e arrastou uma mecha do cabelo escuro para atrás da orelha, exibindo o brinco fino que fora herança da avó. — Esquece. — Voltou a atenção ao café e mordeu um pedaço da torrada.

Emília teria perguntado mais, mas a presença de uma nova figura na cozinha chamou sua atenção.

— Bom dia, senhora Rachel. — Sam cumprimentou a dona da casa e virou-se para a mais nova entre elas. — Bom dia, Emi.

— Bom dia, Sam! — Emília indicou uma cadeira para que o ruivinho se sentasse. Achava-o uma gracinha com aqueles fios vermelhos e úmidos e o rosto sardento. — Dormiu bem? O maninho costuma roncar... — Falou divertida. Sempre implicava com o caçula quando dormiam juntos na casa da avó. Ninguém merecia aturar os roncos do irmão.

— Ah, eu peguei no sono tão rápido. — Sam sorriu de volta. Não se importava nem mesmo com os barulhos sonoros e noturnos do amigo. Não que soassem como música, mas era algo próximo disso. Já tinha desistido de pensar no quão ridículo era estar apaixonado. — E dormi muito bem. — Serviu-se de uma torrada e de um pouco de geleia.

Havia dormido bem ao dar um jeito de deitar a cabeça no peito de um moreno adormecido. Céus! Sentia-se um pervertido por fazer algo assim.

— Não começa com essa história ridícula de que eu ronco.

O mau humor em pessoa adentrou a cozinha. Os cabelos pretos e revoltos e o rosto amassado e marcado pelo sono. Mesmo depois de uma ducha, não era como se estivesse completamente desperto. Fora o fato vergonhoso de ter acordado nos braços do ruivo.

— Mas você ronca. Aceite. — Emília retorquiu em provocação. Parecia como nos velhos tempos.

Para Rachel, foi mesmo como voltar no tempo e ter os dois filhos, ainda menores, implicando um com o outro. Chegou até a se esquecer de um detalhe e quase perdeu a hora do trabalho.

— Nossa! Eu tenho que ir! — Levantou-se com pressa e foi correndo atrás da bolsa, verificando se tudo estava lá dentro. — Beijos pra quem fica! — Jogou beijinhos no ar e irrompeu porta afora. Teria tempo para chegar a conclusão de que tudo não passava da mais pura brincadeira entre amigos. Bem, esperava que fosse mesmo algo inocente.

— Nós vamos nos atrasar também. — Sam comentou ao olhar no relógio de parede. Iam sempre caminhando, era mais saudável e podiam aproveitar o ar gostoso da manhã. Claro que ele também aproveitava a companhia do amigo.

— Podem comer. — Emilia tranquilizou ao ver Sam se erguer. — Eu levo vocês. Não é longe e eu quero colocar em prática as aulas de direção. — Um sorriso brilhante se abriu nos lábios. Finalmente havia começado a colocar em prática o que havia aprendido uns anos antes.

— Como anda a sua fé, Mackenzie? — Edward sibilou ao pé do ouvido de Sam, claramente não notando o desconforto causado por um arrepio.

E Sam, mesmo cheio de borboletas no estômago e tentando disfarçar as sensações que Edward causava nele, preocupou-se com aquela frase e com a carona.

Que Deus os ajudasse.

— Caramba! É ele!

Mesmo com a exclamação surgindo do nada, Bruce não esperava ser puxado pela jaqueta de encontro a um dos armários do corredor. O corredor lotado onde agora todos olhavam para eles. Ótimo!

— Porra, Cara! — O loiro o afastou pelos ombros. — Se a sua intenção não é parecer o casal mais esquisito do colégio, é melhor parar com esses ataques. — Ele ajeitou a jaqueta de couro e olhou torto para os curiosos que haviam parado o percurso. Eles voltaram a caminhar no instante seguinte. — Quem foi que você viu? Espero que tenha sido o Michael Jackson...

Dante conseguiu desviar os olhos do alvo e franziu o cenho. Por que raios ele veria o Rei do Pop em um corredor de escola? Bruce era tão aleatório...

— É o garoto que eu te falei. — Conseguiu se ajeitar também, controlando a euforia. — Aquela coisinha linda logo ali. — Apontou com a cabeça, sendo milagrosamente discreto.

Os olhos castanhos de Bruce seguiram a direção para a qual o amigo apontava, mas não encontraram nada demais. Nada mesmo. Coisinha linda, ele conhecia uma coisinha linda. Alguém que odiaria ser chamado de coisinha, mas ele não precisava saber desse detalhe.

— O engomadinho com cara de paisagem? — Perguntou sem interesse. Todo aquele escândalo por nada. O amigo só falava sobre um tal que era o mais bonito que ele já tinha visto, mas talvez, Dante precisasse de óculos. — A Cinderella que perdeu o cachecol. Uma história de amor melhor que Crepúsculo.

— Eu vou lá falar com ele. Isso só pode ser um sinal! — E voltou a ajeitar os cabelos e as roupas.

— Um sinal? Tipo os Et's nas plantações? Sinal do além? — Ele era fanático por filmes de terror.

— Seu humor tá insuportável hoje. — Dante rodou os olhos. — Agora sai de cena pra não me envergonhar.

Envergonhar? Dante não precisava de ninguém pra passar vergonha. Ele cumpria esse papel muito bem e sozinho.

— Vai lá, Bad Boy. Eu vou fingir que nem te conheço. — Bruce sorriu e deu um tapinha de encorajamento nas costas do outro antes de ir atormentar algum desavisado pelo corredor. — Boa sorte!

Sorte... Ele nem ia precisar.

Com toda a determinação do universo, Dante caminhou até o garoto que não se encaixava com a falta de beleza dos alunos e alunas desinteressantes que tinham por ali.

Ele era um...

— Menino bonito! — Oh, certo! Era assim que se chegava nas pessoas. — Oi.

Menino bonito?

Olhos grandes e de um azul-esverdeado encararam a figura excêntrica que acreditava ter alguma espécie de intimidade para soltar algo tão estúpido quanto aquela frase.

— Você deixou cair isso aqui um dia desses. — Retirou a echarpe da mochila e mostrou a ele. — Eu achei que devia devolver.

Os olhos desinteressados observaram a peça e voltaram ao rosto do rapaz de cabelos raspados nas laterais. Tatuagens, piercings e zero noção de moda. Será mesmo que estava em uma escola no fim do mundo ou em um filme do Tim Burton?

— Pode ficar, vai melhorar o seu visual. — Fez um gesto de dispensa com a mão.

A voz também era bonita, mas Dante estava perdido entre os olhos de uma cor espetacular e o desenho dos lábios atraentes e rosados.

— A gente pode sair um dia desses. — Soltou logo que recuperou a compostura. Estava acostumado com pessoas normais, de beleza normal, não com supermodelos ou atores de Hollywood. O garoto era uma afronta a qualquer um que se achasse bonito.

— Sair? — O cenho se franziu e os cabelos claros e compridos caíram para o rosto.

— Nossa... É! Sair! Com a galera. — Deu de ombros e percebeu que havia invadido o espaço pessoal do garoto.

— Olha, Mãos de Tesoura. — Analisou novamente as roupas do rapaz e aquela era a única conclusão a qual havia chegado. — Eu infelizmente vou estudar nesse colégio, mas isso não significa que vamos manter qualquer tipo de contato. — Afinal, aquela palhaçada toda era um castigo idealizado pelo pai.

— Eu quero manter muitos contatos com você. — Dante sorriu e foi sua vez de analisar as roupas cheias de frescura do outro.

— Escuta aqui, ô seu pervertido! — As mãos buscaram pela gola da jaqueta do moreno, puxando-o um pouco para baixo. — Eu sei me defender e tenho um pai que reduz a sua existência ao nada se continuar me perturbando. Vai procurar a sua galera e me deixa em paz! — Falou a ameaça por entredentes. Mal havia pisado naquele antro de esquisitos e delinquentes e já era cantado por um garoto. Era só o que faltava!

— Eu 'tô com muita sorte. — O disparate surgiu ao concluir o quanto havia gostado daquele garoto.

— Você deve ser bem estúpido, — Soltou o esquisito e tentou pegar a echarpe, mas foi impedido quando o rapaz se afastou. — É minha!

— Você disse que tudo bem se eu ficar. — Dante a colocou no pescoço de uma maneira toda errada. — Aliás, eu adorei o seu perfume... Miles. A gente se vê, menino bonito. — Piscou um dos olhos e saiu todo sorridente, como se houvesse realmente encontrado o Rei do Pop no corredor.

Miles deixou o queixo despencar e o rosto se avermelhou em raiva e vergonha. Que garoto mais esquisito e abusado! E como raios ele sabia seu nome?

Ah... Lembrou do pingente de ouro que sobressaía na camiseta cinza.

Havia sido um péssimo início naquele colégio.

Menino bonito uma ova!

— Miles!

A voz do pai o fez suspirar. Se ele não tivesse demorado tanto com a diretora, aquele encontro não teria acontecido.

Mas o fato é que teria mesmo que estudar naquele colégio cheio de gente estranha e delinquente.

Graças aos céus ele sabia se defender.

— Sério, como é que você faz isso?

A folha recém-distribuída da prova não era o maior orgulho do dia, mas no fim, não era tão ruim quanto as notas passadas. E não era como se tivesse qualquer resquício de inveja do A+ que o japonês sempre conseguia, só ficava mesmo era admirado por ele ser tão inteligente. Inteligência era um negócio atraente pra caramba! E difícil de conquistar.

— Faço o quê? — Kyle o olhou com o canto dos olhos, uma rápida análise da expressão admirada do loiro e uma ajeitada nos óculos que desciam para o nariz.

— Você sabe, Freud! — Bruce se endireitou na cadeira ao apoiar os cotovelos na mesa, parecia muito com o jeito que o sobrinho o encarava quando mostrava alguns riffs na guitarra. A diferença é que o sobrinho tinha cinco anos.

— Eu estudo, Riley. Sabe o que é isso? — Implicou com o mais velho, como era de costume.

— É aquela coisa chata que você me obriga a fazer de vez em quando. — O tom tedioso veio acompanhado de um suspiro que exibia um cansaço dramático. — Cheia de livros complicados e sem recompensas no final. Chato pra cara—

— A recompensa, meu caro, é não repetir pela terceira vez aos 18 anos. — Sempre bateria naquela tecla, muito determinado a enfiar algum juízo na cabeça loira do garoto rebelde. — Sabe, músicos também estudam.

— Músicos também estudam! — A péssima imitação e implicância, eram características fiéis que o acompanhavam desde a infância. Soava imaturo, mas ele pouco se importava. O fato é que Kyle era adulto e sério demais para um adolescente. — Recado dado, japonês. Já entendi. — Dobrou a prova com mais um C para enfeitar o boletim e a guardou no bolso da jaqueta. Provavelmente a esqueceria ali e ela se reduziria a papéis picados quando a peça fosse lavar, mas… Também não era como se ela tivesse alguma importância maior que tentar – ainda que de forma frustrante – impressionar o vizinho. Um dia… Um mês… Em algum ano, ainda esfregaria um A nas fuças asiáticas de Kyle.

— Edward disse que você se comportou no jantar. — O comentário despretensioso, atraiu a atenção dos olhos castanhos.

Despretensioso.

Que negócio era aquele de já começar a tagarelar sobre o metido do Logan ainda pela manhã? Não sabia, mas não havia gostado nem um pouco.

— Ouviu o que eu disse? — Kyle perguntou ao não receber sequer um resmungo. Oh, certo. Edward. O garoto bonito, inteligente e com quem gostava de conversar. Uma grande bobagem, pois claramente a amizade que mantinha com o outro, não era a mesma que tinha com o Riley.

— Ouvi. Só não quero responder. — Bruce deu de ombros. Assunto mais chato aquele. — E não teve essa coisa de me “comportar”.

— Foi o que ele disse. Ah, e ele me chamou pra assistir o jogo lá no campo do bairro. — Novamente o tom despretensioso, embora ele estivesse claramente provocando. Talvez, não tão claramente assim.

— Você é um péssimo amigo, Ogawa. — E era mesmo! Oras, quantas vezes o chamou para vê-lo jogar e ir torcer por ele. Queria alguém que valesse a pena dedicar um gol, mas o chato do japonês em quem confiava para diversas coisas, somente jogava em sua cara o quanto ir a uma de suas partidas seria tedioso.

— Eu não aceitei. — Kyle foi quem deu de ombros dessa vez. Que drama aquele loiro fazia, céus! — Tenho uma coisa importante pra fazer no dia da partida. — Fez mistério, sabendo que o mais velho o enxeria os ouvidos em busca de saber do que se tratava.

— Pode ficar aí com os seus segredinhos. Eu não dou a mínima.

— Claro. Não vai nem conseguir dormir tentando imaginar o que pode ser. — Um riso torto estampado nos lábios. Maldade pura, como diria Bruce.

— Eu te odeio, Kyle Ogawa. — Soou ressentido. — É sério. E embora o sentimento fosse “real”, animou-se no instante em que o sinal tocou.

— E é recíproco. Não precisa me esperar. Eu tenho uma reunião com os alunos do conselho e vai demorar um pouco. — Ajeitou a mochila sobre os ombros e esperou que os colegas corressem para fora, atropelando uns aos outros. Parecia até que não gostavam de estudar...

— Reunião é aquela coisa chata, né? — Só de pensar já causava sono e tédio. — Mas se a minha ilustre presença é dispensável, eu vou indo. — Acenou. — Se cuida.

Kyle balançou a cabeça com a despedida, porque se o conhecia bem, e de fato o conhecia, ele viria buscá-lo logo que a reunião terminasse. Seguiu para o corredor vazio – achava engraçado como todos evaporavam quando as aulas chegavam ao fim – e foi para o armário que o correspondia pegar a agenda e o caderno de anotações.

— E aí, viadinho?

Kyle teria ignorado a provocação se, no momento seguinte, não tivesse sido empurrado contra um dos armários com toda a delicadeza de Stive Seymour. As costas doeram, mas ele não reclamou. Só queria concluir as tarefas, voltar para casa e colocar as séries em dia. Seus planos acabavam de ser estragados.

E Stive não estava sozinho, ele nunca estava.

Notas finais
Bora terminar o capítulo com uma ceninha pra deixar ocês curiosos? Bora. XD Mintira, nem faço isso. Eis que surgiu a Cinderella do cachecol, o garoto que o Dante tem um tombo e nem conhece. Deu pra perceber que o menino Dante é BEM sem noção, né? Poisé. Menino Miles, me julguem, mas eu AMO fazer esses personagens mauricinhos aheuhue Tivemos Eddie e Sam ♥ Dormindo juntos! Affe, bichos fofos! Será se a mãe do Eddie viu algo "suspeito"? Será? E por último, esse casal da amizade colorida que a gente ama! Pobre menino Kyle. Esse Stive e companhia, são aqueles garotos que já implicavam com o japa desde a infância, tem ceninha no terceiro capítulo. Bora dar uma focada nos embustes também, né? Sim! Espero que vocês tenham gostado! Bjuss e perdoem a demora por responder os comentários, logo chego em todos vocês ♥