Uma Dose de Clichê
17 ♡ 17 "Sobre noites frias e agradecimentos"
Notas iniciais
Capítulo 17 — Sobre noites frias e agradecimentos
— Frio…
A fala veio como uma reclamação baixinha e trouxe um sorriso aos lábios de certo loiro.
Estava frio lá fora, nada preocupante, mas Kyle não era a pessoa mais afeita ao clima gelado, o que ficava sempre claro nas camadas de roupas que ele usava quando o tempo esfriava.
Estava frio lá fora, mas Bruce tinha uma ideia boba em fazer alusão a uma música da qual gostavam. As mãos dele envolveram as suas e o contato contribuiu para arrepiar ainda mais sua pele, mas os dedos logo ganharam o conforto dos bolsos do suéter branco que ele usava.
Não era uma cor que ele costumava usar muito, mas Kyle admitia – somente em pensamento – que gostava quando ele vestia cores mais sóbrias. Ficava bonito.
— Nem tudo se resolve com frases mudas de uma música qualquer. — Reclamou, mas não retirou as mãos dos bolsos. Estavam confortáveis ali, ainda que estivesse meio deitado e meio sentado para receber o invasor noturno. Devia enxotá-lo como já havia feito tantas vezes e trancar a janela com um cadeado melhor, mas não naquela noite.
— Tudo fica melhor com música.
O sorriso, diferente daquele de antes, era algo que o preocupava. E ele estava ali agora, bem presente nos lábios que também estavam frios e ainda distantes dos seus. Não era uma distância muito agradável, mas não se moveu. Estava confortável com o travesseiro às costas e as cobertas sobre as pernas. A cama tinha espaço para o vizinho idiota, mas Bruce não parecia muito disposto a ocupar o outro lado e dormir.
Ele nunca estava muito interessado em dormir.
Tinha sempre que brigar com ele na manhã seguinte. Nem mesmo se lembrava de quando aquilo se tornou um hábito, mas o loiro era bom em pular janelas. E não tinha muita noção, já que se recusava a ir embora pouco antes de seus pais se levantarem. Mas embora reclamasse daquela intromissão, havia permitido e era tão culpado quanto Bruce por aquele costume nada saudável. Se os pais descobrissem... Não queria nem pensar naquela possibilidade.
Os dedos dele, ainda que menos gelados, trouxeram novos arrepios quando o tocaram no pescoço. Que bobo ele era! O toque deslizou para a nuca e se misturou aos fios negros em uma carícia que o trouxe para perto já que não se mostrava disposto a se aproximar por vontade própria. Não que não quisesse, só não era de demonstrar. Seu rosto custava a mostrar o que era bem evidente no semblante do loiro.
E ele continuava o encarando daquele jeito intenso e que o deixava sem nenhuma palavra ácida na ponta da língua. Tão desconfortável, claro, isso para não admitir o contrário.
Os olhos castanhos de Bruce brilhavam sob a luz amarela do abajur de encontro aos negros e adoravelmente puxados. Talvez, Kyle não soubesse o quanto aqueles olhos eram expressivos e falavam muito na falta de palavras. Tão profundos e de cintilar úmido, um tanto tímido, mas conseguia ler nos traços escuros que ele sentia o mesmo. Só não fazia parte de sua personalidade admitir qualquer coisa sobre sentimentos. O que era uma pena, afinal, adoraria ouvi-lo dizer uma ou duas palavras melosas em seu ouvido.
Não reclamaria.
Mas, no momento, o que queria mesmo era findar a distância imprópria entre eles. A respiração ainda calma e aquecida acariciou seus lábios antes que a boca o tocasse no rosto e percorresse o caminho macio da bochecha até o queixo, somente para ouvi-lo suspirar na falta de um contato mais interessante.
E tudo bem se ele não tinha muito o que dizer ou não sabia como demonstrar, o silêncio os guiava naqueles momentos e se encaminhava de levá-los a outros lugares, onde palavras eram dispensáveis.
A mão desceu pela lateral do corpo abrigado no pijama e encontrou a cintura em busca de novos arrepios em um encontro mais profundo de olhares e finalmente de lábios.
Estava frio lá fora e as mãos e a boca de Bruce ainda causavam arrepios intensos em sua pele quente. Seus dedos abandonaram os bolsos do suéter branco e subiram também para o pescoço dele. Estavam mornos e buscaram pelos fios claros e despenteados. Sempre despenteados, mas não reclamava, tinham uma textura agradável ao toque e um cheiro bom de condicionador. Eram como o dono; rebeldes, mas de aroma aceitável.
Tão aceitável, que costumava ficar com alguma camiseta que ele esquecia ou que simplesmente roubava da casa dele. Era aquela mistura de chicletes de menta, cigarros e um perfume forte que ele havia comprado em um site chinês. Uma combinação que podia sim atacar sua rinite, mas era sempre bem-vinda. Talvez fosse acolhedora, reconfortante de alguma maneira, não sabia dizer. Sequer pensava sobre esse tipo de assunto. Só sabia que era um dos detalhes. Não tinham muitos, é claro, mas havia alguns.
Um exemplo era o beijo. Kyle não fazia o tipo de pessoa que beijava muitas bocas por aí. Não, seria mais como uma tortura que qualquer outra coisa. Era somente aquela boca e aquele beijo que sempre o deixavam sem fôlego e de pulsação acelerada, além de bochechas quentes e aquela revolta na boca do estômago.
Talvez, Bruce houvesse treinado até ficar bom ao ponto de fazê-lo esquecer do mundo ao redor. De todas as proibições, todas as crenças e conflitos invisíveis. Queria afastar muitos pensamentos e sensações naquela noite em particular, e o beijou com a mesma intensidade que ele tomava seus suspiros e bebia de seus ofegos.
Conseguiu trazê-lo para deitar sobre seu corpo, ainda que de maneira desajeitada e um pouco ansiosa. Estava frio lá fora, mas ali dentro começava a esquentar.
As mãos de Bruce não fizeram a linha ansiosas, foram devagar provando da temperatura e textura da pele. Os dedos iam subindo ao passo que os lábios foram descendo, buscando provar não somente da boca dele, mas também do pescoço e do ombro que ficou à mostra na gola larga do pijama. Era um pijama de botões e... Quem é que usava pijama de botões? Quem é que usava pijamas? Claro, Kyle Ogawa.
Ele tinha cheiro de sabonete de aveia misturado com shampoo de bebê – o único que ficava bom naqueles cabelos. Era tão conhecido e presente em suas roupas, em seu travesseiro e até mesmo em sua pele, que parecia impossível imaginar que não o sentiria algum dia, por qualquer que fosse o motivo. Assim como era dispensável pensar que o toque dos dedos mornos e gordinhos não entrariam mais em contato com sua pele.
Gostava especificamente daquele detalhe, entre muitos outros, é claro.
Mas o que dizer se gostava até mesmo das discussões ridículas e do mau humor matutino? Não havia como defendê-lo naquela relação.
Relação...
A boca traçou um caminho sinuoso do ombro até a clavícula e os dentes fizeram pouca pressão, mas suficiente para que recebesse um xingamento baixinho. Marcas eram proibidas, mas era muito complicado conseguir algum controle que não o desejo de deixar aquela pele branquinha com a impressão de seus lábios e dentes.
— Idiota...! — Novamente o xingamento, mas dessa vez expressava mais que a voz baixinha de antes.
— Shhh. — Bruce sorriu implicante. — Papai e mamãe vão ouvir. — E ainda que estivesse debochando, parou uns momentos para apreciar o rosto vermelho e zangado do mais novo.
Os cabelos negros estavam espalhados pela fronha de cor clara e seus dedos foram comprovar a maciez dos fios e desceram para o rosto de bochechas adoravelmente coradas. Tão bonito o rosto… Sorriu ao ser o idiota de sempre antes de voltar a beijá-lo e calar qualquer outra ofensa que, ele sabia, viria logo em seguida.
Novamente aqueles lábios macios, carnudos e vermelhos trouxeram mais que ofegos e arrepios. Os dedos subiram a blusa do pijama e o tocaram na cintura, apertando as gordurinhas que ele tinha na região do abdômen e que tanto fazia questão de exaltar como excessos de gostosura assim como a parte traseira a qual não demorou para descer as mãos e apertar. Ganhou uma mordida no lábio inferior como forma de punição. Uma punição muito bem-vinda e que o fez sorrir entre o beijo e pensar em uma ou duas coisas sacanas a respeito daquele gesto, mas mantendo sigilo para não despertar o senhor boa conduta que já o encarava de maneira reprovativa.
— São fofas. Iguais a você.
Ah, não! Kyle respirou fundo e fechou os olhos ao ouvir aquela pérola que o deixou de rosto e orelhas quentes. Tratou de expulsar as mãos que insistiam em apertar sua bunda e o puxou pela gola do suéter, trazendo-o novamente para sua boca. Era melhor mantê-lo calado ou não daria certo. Os dedos soltaram os cabelos que estavam amarrados por um elástico e desceram pelas costas largas de maneira desajeitada. Queria que ele tirasse logo aquele suéter. Não era isso o que a música dizia? Sem camisa, sem blusa. E não estava muito paciente para as piadinhas infames que Bruce fazia questão de soltar.
Lembrava-se de que no comecinho, sentia inveja do corpo dele, mas também não fazia nada para mudar o peso. Odiava exercícios e nem sequer pensava em esportes. Bruce sempre gostou de jogar futebol e arrasava nas aulas de educação física e além de tudo isso, embora tivesse algumas neuras de vez em quando, havia aprendido a se gostar assim, com alguns quilos acima do peso.
Os dedos percorreram o abdômen do loiro que tinha um sorriso mais que convencido nos lábios. Novamente Kyle pensava em como era ousado ao fazer aquelas coisas na própria casa. Respeitava muito a família, claro, quanto a isso não havia dúvidas, mas quando Bruce chegava e tinha exatamente aquelas intenções, ele não conseguia encontrar um meio de afastá-lo e tentar somente dormir. Que dilema aquele...
— Geralmente sou eu que fico te olhando assim. — Com aquela cara de quem faltava pouco para babar.
As mãos de Bruce contornaram a cintura do japonês quando ele se sentou e o trouxeram para se sentar sobre suas pernas. Gostava de observá-lo, mas Kyle era sempre mais ansioso e se constrangia com aquela observação toda.
— Eu só pensava em umas coisas. — Kyle deu de ombros e suspirou quando a boca do loiro voltou para seu pescoço e subiu até a orelha, mordiscando o lóbulo.
— Você 'tá sempre pensando em umas coisas. — Ele só não perguntaria porque era óbvio que não teria uma resposta.
— Mas esse é o seu papel... Me fazer esquecer. — Os dedos se atrapalharam nos botões da camisa do pijama e as bochechas esquentaram quando precisou da ajuda do mais velho para aquela simples tarefa.
— E como é que eu vou fazer isso?
O tom inocente e sussurrado ao pé do ouvido de Kyle, fez com que ele quisesse morder a língua por ter se permitido dizer aquela bobagem.
— Calando a boca e fechando a porta. — Respondeu ao rodar os olhos. — Pra começar.
— Você é quem manda, general. — Para completar, Bruce bateu continência e se ergueu com o menor nos braços, recebendo um olhar mortal dos olhos puxados, já que Kyle teve que abraçar sua cintura com as pernas.
A chave foi girada na fechadura e Bruce voltou para a cama e se encaixou novamente entre as pernas do Ogawa, beijando-o dessa vez na pele recém-descoberta e arrepiada.
Ali dentro estava quente, mas lá fora poderia chover a qualquer momento.
♡
— Diz alguma coisa… Qualquer coisa.
O silêncio que se instalou entre eles não foi nada confortável e a ansiedade de Sam o consumiu naqueles momentos onde a voz do amigo era tudo o que queria ouvir. Não era como se isso influenciasse no tempo, mas os céus agora estavam mais densos, com nuvens cinzentas. E tudo havia acontecido tão rápido quanto aquelas palavras inconvenientes saíram de sua boca.
Se pudesse voltar no tempo, teria se impedido de dizer qualquer coisa relacionada ao fato de gostar de Edward, mas agora já estava feito e não havia como consertar ou tentar desconversar. O que podia fazer no momento, era somente entrelaçar os dedos e morder o lábio inferior, além de esperar por alguma resposta. Qualquer resposta.
— Por favor.
O coração já não batia com o fervor de antes, ou talvez ele não prestasse atenção nessa parte, mas não era com a paixão de antes, era medo da rejeição. Aquilo realmente estava acontecendo e agora, ele não sabia como agir. E Edward, parecia ainda menos situado que ele.
— Eu... Eu não sei o que dizer.
Ao menos havia conseguido dizer alguma coisa, como o ruivo esperava. Ele até mesmo podia achar que aquilo era somente uma brincadeira do melhor amigo, mas Sam não era de brincar com aquelas coisas. Ele jamais brincaria com algo assim. Edward sentiu o próprio coração acelerar e entorpecer os ouvidos, ainda mais ao encarar os olhos negros e cheios de expectativa do ruivo.
O que poderia dizer?
Não era como ouvir uma das declarações das garotas do colégio, era completamente diferente quando o melhor amigo se abria e o deixava saber dos sentimentos.
Mas e agora? Depois de todas as vezes que o reprimiu por abraçá-lo e fazer qualquer demonstração de carinho... Como deveria se sentir? Estava cheio de questionamentos e com vergonha dos atos. Ele deveria ter percebido qualquer olhar ou palavras diferentes, mas ele era tão distante quanto àquelas coisas, que foi cego para o que Sam sentia.
— Eu não quero me afastar de você.
A fala do ruivo o fez apertar as mãos em punho e suspirar. Os cabelos dele esvoaçando com o vento e os olhos brilhando em umidade, mas ele sorria como sempre, com o rosto avermelhado e as sardas bem destacadas naquela intensa coloração. Ele também não queria se afastar. Tinham acabado de voltar as boas e o Mackenzie soltava aquela bomba em cima dele. Não queria nem mesmo mais olhar no rosto de Sam por aquela noite.
Por estar com vergonha.
— Eu também não quero, Sam. — Não havia nem o que pensar, afinal, eram amigos desde que se entendiam por gente, mas não negava estar abalado com as últimas descobertas; Sam gostava de garotos e... Gostava dele, não somente como amigo. E ele nem mesmo merecia aquele outro sentimento. — Eu só... Eu...
As palavras tinham simplesmente fugido para algum lugar distante e sem previsão de retorno. Não era a melhor pessoa para esse tipo de conversa, mas sempre sabia como agir quando era com uma garota.
— Tudo bem! — Sam respondeu ao balançar as mãos e aumentar o sorriso custoso. — Eu só não quero que isso nos afaste, sabe? — Encolheu os ombros de um jeitinho tímido. —Isso um dia vai passar. Agora que você sabe, vai ser mais fácil. — Não, não ia, pois se ainda pudesse escolher por quem se apaixonar, escolheria Edward Logan por uma infinidade de vezes. Ele não tinha jeito e seu coração era mesmo um teimoso.
— É. — Foi o que Edward respondeu. — Acho melhor a gente ir. Parece que vai chover. — Olhou discretamente para o rosto do ruivo e sentiu saudade das estrelas que viam há poucos momentos, antes do céu nublar.
— É.
Pronto: monossilábicos como antes. Nenhum dos dois queria aquilo. Sam também enfiou as mãos nos bolsos do moletom após saltar para o chão. Nem mesmo sabia como Edward não havia caído daquele galho, pois o amigo empalideceu e pareceu tão chocado quanto ele após se declarar.
O celular então vibrou no bolso da blusa e a música logo invadiu o ar. Uma música bem sugestiva sobre o que Sam queria fazer: Pare o mundo que eu quero sair com você era o que dizia o refrão. O mundo havia parado no instante em que não conseguiu controlar a língua. Era a mãe, querendo saber se ele já estava voltando, bem, depois daquilo, era óbvio que sim, voltaria para casa.
— Me desculpe por... Por não ser uma garota, Eddie.
Com a frase, Edward pulou do galho e impediu o amigo de continuar a caminhada ao segurá-lo no braço. Que espécie de desculpa era aquela? Sam realmente achava que ele estava ofendido ou algo assim?
— Sempre te achei melhor que qualquer uma delas. — Que raios estava dizendo? Assim, de repente e daquela maneira tão estranha depois de ouvir uma declaração. Acabou afastando a mão por parecer que era outra coisa. O rosto esquentou e ele amaldiçoou o fato de ficar perdido e atrapalhado. — Não tem que se desculpar por isso. Eu não fiquei ofendido ou algo assim, eu só fiquei surpreso. Eu não imaginava. — Ele era um idiota, em todo o significado da palavra.
Sam alargou o sorriso e o coração voltou a bater como antes. Edward achá-lo melhor do que as garotas que conhecia, não significava o que gostaria, mas o deixou de peito aquecido.
— Você sempre foi lerdo pra essas coisas, Eddie. — Conseguiu recuperar o humor de sempre e empurrou o amigo com o ombro, voltando a caminhar. — Vamos antes que comece a chover.
Embora Sam tentasse esconder, todos os humores estavam abalados depois de tudo.
♡
— Então, boa noite.
Sam retirou o cinto e saiu da caminhonete momentos depois de o veículo parar frente a sua casa. Tinha uma luz acesa vinda sala, visível pela fresta na cortina da janela. Sua mãe não dormiria antes que ele chegasse e já passava das dez e meia. Sentiu-se culpado por isso.
Com os pensamentos longe, não percebeu a aproximação de Edward, parando na soleira da porta quando o amigo o chamou. Virou-se para encará-lo e prendeu o fôlego ao ver o quanto estavam perto, ainda mais por ter se desequilibrado ao pisar em falso no último degrau.
Edward havia saído tão rápido da caminhonete que a atitude até mesmo o assustou e ele ficou por uns momentos sem saber o que dizer. Seria assim de agora em diante? Ficaria, como o amigo mesmo o chamava, bobo e somente encarando aqueles olhos negros que se destacavam no rosto rosado e cheio de sardas?
— O seu pai... — Falou a primeira coisa que veio na cabeça, embora estivesse preocupado com o que David poderia fazer ou dizer.
— Mas se você entrar, pode ser pior. — Sam deu um sorriso afetuoso demais enquanto desviava os olhos para a rua calma do bairro. Era melhor tirar o foco daquele rosto ou a proximidade o permitiria fazer outra loucura naquela mesma noite.
— Ah, é. — O moreno desceu o degrau para o caminho de pedras brancas e reforçou o sentimento de ser um idiota. Ele era mesmo um idiota. — Mas se precisar, você sabe. Me liga.
— Claro.
Claro... Com os passos ainda um tanto indecisos, Edward caminhou de volta ao veículo, mas antes de entrar, assim como havia feito com Sam, o garoto se aproximou. A aproximação também o deixou tenso, mas ele não se moveu, esperou que o ruivo fizesse o que tinha ido fazer.
O contato morno e macio dos lábios de Sam em sua bochecha esquerda, fez o coração acelerar e os sentidos entrarem em alerta, mas, ainda assim, não se afastou ou brigou como costumava fazer.
— Obrigado, Eddie.
Oras! Ele não precisava agradecer por nada, mas antes que dissesse alguma coisa, ele continuou:
— Desculpe. Não vou fazer de novo. — Sam falou ao se afastar, com o rosto corado, mas um sorriso que não era menos que sapeca nos lábios.
— É melhor não fazer mesmo, Mackenzie. — Edward rodou os olhos, mas acabou afetado por aquele sorriso e sorriu também.
Sam não faria de novo...
Mas o pensamento rápido e estranho de que desejava que o ruivo voltasse e o beijasse de novo, não necessariamente no rosto, passou pela mente antes que ele suspirasse e se jogasse dentro da caminhonete para seguir o caminho de casa.
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