Uma Dose de Clichê

11 ♡ 11 "Sobre os momentos que passamos juntos"


Notas iniciais
Boa noite, galera! Tudo bem com vocês? Espero muito que sim! Vamos aos agradecimentos! Agradeço a todos que acompanham, que favoritam e que comentam: Rainy day Sunny fall, Monna, Yaoi, Babissf, Deby Costa, Nilla, a Sabrina que eu sei que ama essa história e a Babs que surta muito comigo e me dá várias ideias de cenas lindas. 'Cêis são demais ♥ Espero que gostem! Boa leitura!

Capítulo 11 — Sobre os momentos que passamos juntos

— O nome da banda de vocês é perfeito. Cai como uma luva.

O quarto de Bruce era uma confusão de discos, tênis e camisetas estampadas espalhados pelo chão ou sobre o sofá. De início, a ideia era organizar um pouco da bagunça, mas ele logo afastou essa vontade ao ter a vista ilustre de certo japonês em seus humildes aposentos.

— Deixa de ser implicante, você sabe o porquê desse nome. — Ele se jogou na cama e pegou o celular das mãos de Kyle.

Logo tiveram a companhia de Nancy, a gata gorda e laranja que cuidavam em conjunto. A felina tinha sido encontrada ainda filhote, magrinha e faminta enquanto discutiam por alguma futilidade que sequer se lembravam. Agora ela tinha um ano e estava sempre por ali, na casa dos Riley, já que Kyle tinha alergia aos bichanos, mas amava gatos.

— “Sem futuro” é muito a sua cara. — Os dedos gordinhos tocaram a pelagem alaranjada e macia de Nancy. Ele sempre tomava o antialérgico quando visitava o loiro. Certo, ele sempre tinha que se medicar para prevenir as crises, já que Bruce tinha pelos de gato nas roupas.

— Eu vou adorar esfregar a minha fama na sua cara e te fazer engolir essas piadas. — Bruce sorriu de maneira forçada. — Mas olha só! No Future 'tá bem grande no flyer. — Mostrou novamente a imagem onde anunciavam a apresentação no clube da cidade.

No Future vinha de uma música dos Sex Pistols, a banda favorita de Bruce. Eram um trio e, segundo eles mesmos, estavam indo em direção ao estrelato. Aquele era o primeiro passo.

— Eu fico até emocionado. — Kyle desdenhou, estalando a língua no céu da boca. Os dedos deixaram a barriga quentinha e gorda de Nancy e foram limpar a pelagem nas calças pretas do mais velho.

— Você ficaria, se existisse algum sentimento dentro desse coração que… — Os olhos castanhos se mostraram curiosos em uma análise pelo corpo do Ogawa. — Aliás, você tem coração? — Aquela era bem a questão de tudo.

Kyle confirmou com um aceno de cabeça. Os olhos negros por trás das lentes redondas, fizeram o mesmo com o loiro, desceram pelo estado deplorável o qual ele se encontrava. Dava para sentir a ansiedade e o nervosismo de longe. Pobrezinho...

— E ele está batendo bem calmo agora. — Tocou o peito, sentindo as batidas leves. Muitas coisas o tiravam do sério, mas implicar com Bruce o deixava muito bem, obrigado.

Os dedos que ainda repousavam sobre a coxa do loiro, foram pegos pela mão maior em um curioso toque.

— E você vai?

Outra questão. Bruce sempre chamava Kyle para tudo o que fosse fazer, por mais que sempre recebesse uma resposta negativa. Tentar era grátis, talvez só não fosse muito bom em convencer o amigo. Os dedos deslizaram pelos gordinhos de Kyle em uma brincadeira descontraída.

— Ver e ouvir você desafinar? — O tom era sério, mas não era como se não gostasse da voz de Bruce. — Prefiro as minhas séries. — Não era uma mentira. Não de todo.

— Eu quero muito te ver por lá. — Não havia problemas em ser sincero, certo? Se desejava algo, por que não dizer o desejo em voz alta?

— É um clube e vai ser tarde. — Dois motivos que já o impediam de ir. — Não sou como você, não posso sair a hora que eu bem entender e voltar no dia seguinte. — E também, não era como se quisesse fazer tais coisas.

— Tem razão. São muitas diferenças. — Bruce se ergueu e buscou pelo violão velho ao lado da cômoda, passando a arranhar algumas notas.

A frase implicava em muitas coisas além de ele não poder sair para casas de shows e voltar somente no dia seguinte, mas ignorar qualquer conversa mais séria, era uma especialidade de Kyle Ogawa. E a despeito das falas anteriores...

— Vai ter uma festa a fantasia na sexta. — Só que não era qualquer festa.

Os olhos castanhos deixaram as cordas do instrumento e expressaram a confusão que a fala casual trouxe.

— Não tô sabendo de festa nenhuma. — E ele sabia de todas as festas da cidade. — E desde quando você se interessa por festas?

— Não me interesso, mas há ressalvas. Vai ser na casa dos tios da Mariah, é mais tranquilo pra essas coisas.

“Essas coisas”. Bruce ainda achava uma graça a maneira a qual o japonês se referia a festas, bebidas, sexo ou palavrões. Kyle se referia assim aos jovens em geral.

— E você vai ir? Com o Logan, né? — Ali estava a pontada de um sentimento chato e inconveniente. — Vocês não se desgrudam. Deviam ir com as fantasias combinando. — Ironizou ao começar a afinar o violão.

— O Edward vai com o Sam, pensei que a gente—

— Você pensou na gente? — Ele interrompeu a fala do amigo para encará-lo com certa descrença nos olhos. — Em nós dois?

— Sua inteligência é preocupante. — Kyle rolou os olhos. — Eu não sei o porquê dessa sua birra com o Edward, mas se eu for sair com alguém, não é óbvio que vai ser com você?

Não, não era nem um pouco óbvio. Bruce sempre, em todas as ocasiões, chamava aquele projeto de anime mirim para acompanhá-lo, mas sempre recebia respostas negativas. Estava acostumado. Festas não combinavam com o mau humor do vizinho e muito menos com o jeito certinho de quem as vezes virava as noites estudando.

— Isso aí foi uma declaração? — As sobrancelhas loiras ondularam de maneira sugestiva, mas a almofada que recebeu no rosto, o fez entender que devia ficar calado.

— E como eu sei que você não vai recusar um convite meu. Está tudo certo. — E não se falaria mais no assunto.

— Você é péssimo nisso!

A paisagem era bonita, agradável e com um ar mais puro e fresco. Não havia sido de todo ruim deixar aquele ruivo guiar a caminhonete que Emília os havia emprestado para um passeio pelo bairro. Talvez a irmã fosse desajuizada, mas Edward era pior.

— Podia ter matado a gente! — Continuou com o discurso, já que Sam não parecia muito preocupado com o fato de quase terem caído no rio.

— Exagerado. — Ele abriu a porta do veículo e inspirou o ar. Fazia tempos que não iam para lá. — Essa não era a ideia, mas a gente podia aproveitar e passar um tempo aqui.

— E o que tem pra fazer aqui que não podemos fazer em casa?

A pergunta não tinha nenhum traço de malícia, mas as orelhas de Sam coraram com intensidade ao pensar em uma ou duas coisas para fazerem na casa do amigo. Você não é assim, Sam, não é um pervertido. Mas mesmo ali eles podiam fazer alguma coisa.

— Vaga-lumes. — Foi a resposta. — Lembra quando a gente caçava os bichinhos e colocava em um pote?

— Você se arrependia no momento seguinte e abria a tampa. — Edward sorriu com a lembrança. Era bonitinha determinação do ruivo, mas era mais bonitinha a forma como ele se preocupava com a respiração dos amigos de luz.

— A gente pode ficar um pouco pra ver, não pode? — O rosto ganhou um sorriso enorme onde os olhos se apertavam. Compartilhar momentos saudosos com um garoto pelo qual era apaixonado desde a infância, era o que mais gostava de fazer.

Como dizer não para aquele sorriso? Era frustrante, mas não conseguia ser negativo com aquele ruivo espirituoso. Edward não respondeu, mas subiu na traseira da caminhonete vermelha e se sentou com as pernas esticadas, esperando Sam para fazer o mesmo.

Sam, ao contrário do amigo, deitou-se para apreciar o céu que escurecia em pinceladas cinzentas que tornavam-se azuis mais intensos. As estrelas mostravam-se tímidas no tecido celeste, mas seria uma noite bonita e valeria cada segundo de contemplação.

Havia entendido bem cedo, que cada minuto ao lado de Eddie, valia muito a pena.

— Bruce?!

Os instrumentos já estavam no carro e só faltava o vocalista e guitarrista da banda adentrar o veículo para rumarem para o local do show. Bruce teria entrado sem enrolação, mas ao ver uma coisinha nanica correndo pelo jardim, ele teve que esperar. Ou melhor, ele foi ao encontro da figura agitada e…

— 'Tá usando a camiseta da banda? — Era uma pergunta idiota, afinal, ele via claramente o nome estampado na roupa branca e estupidamente grande naquele corpo pequeno, mas a surpresa também estampava seu rosto.

— Ah… Isso… — Kyle olhou para a peça com certo desdém. — Encontrei mofando dentro do guarda-roupa e resolvi usar como pijama.

— Ficou péssimo em você. — Mas a despeito da fala, as mãos foram para as mangas e ajeitaram a camiseta de uma maneira mais descolada. — Não devia estar dormindo?

Já passava das dez e o sono era algo muito precioso para o Ogawa, mas ele parecia levemente eufórico com algo que Bruce não entendeu de imediato.

— As vezes, Riley, mas só as vezes — A aproximação surgiu com a fala. — Eu tenho um coração. — Referiu-se a frase de mais cedo.

— Sobre isso, eu só disse—

— Eu vim te desejar sorte.

Bruce ia sim dizer que não tinha falado sério sobre aquela parte, quer dizer, Kyle tinha coração, para muitas coisas, mas não era como se ele deixasse isso evidente nas ações. E com a fala interrompida e aquela frase estranha… E aquela camiseta que o havia presenteado… E os olhos puxados e tão negros que o encaravam de volta, acabou sentindo-se um tanto quanto deslocado na situação. Parecia MUITO irreal.

— Eu tenho certeza de que você não ia conseguir cantar se a última pessoa que você visse, não fosse eu. — E ele jamais tinha falsa modéstia.

E nem mesmo Bruce contestaria. Claro que não ficaria na rua da amargura por aquele detalhe, mas era mais que óbvio que pensaria naquele nanico uma hora ou outra durante o show.

— Eu 'tô te vendo agora e nossa! — Ele ironizou. — A minha voz vai soar melhor que a do Freddie Mercury depois dessa visão. — Um sorriso desdenhoso se ergueu nos cantos dos lábios.

— Essa é a minha boa ação da noite.

Kyle era uma alma caridosa naquele mundo esquecido por Deus!

— Bruce! — Dante acenou de dentro do carro. Do jeito que aqueles dois gostavam de se olhar, iam chegar atrasados na apresentação. Seria péssimo começar com o pé esquerdo já que almejavam fama, sexo, drogas e rock and roll

Os olhos castanhos se desviaram e ele devolveu o aceno. Já estava indo oras! Só tinha que pegar o amuleto da sorte. Sua performance dependia disso, afinal.

— E então? — Uma das sobrancelhas se arqueou em expectativa e ansiedade. Kyle não tinha corrido até ali somente para ficar lhe encarando.

E tão logo a pergunta foi feita, a gola da jaqueta foi segurada por dedos gordinhos e lábios macios e mornos se juntaram aos seus.

E aquilo sim era improvável! Mas fazer-se de porta enquanto recebia os bons votos de sorte, não era uma opção. Os braços envolveram a cintura de quem estava na ponta dos pés e o ajudaram a manter-se na posição para beijá-lo com mais vigor. Não era sempre que tinha o Ogawa expressando tanta docilidade assim.

— Eu buzino ou você buzina? — Dante perguntou ao baixista que tinha a mesma expressão que ele no momento.

— É uma cena tão bonita e tocante. — Taylor respondeu. Ele não morava por aquelas bandas, mas conhecia aqueles dois há tempo suficiente para saber como as coisas se davam entre eles.

Kyle, ao se afastar e buscar por alguma boa vontade naquele gesto onde perdia o calor do corpo alheio, sentiu, ainda mais improvável, as orelhas esquentarem. Tinham plateia! Ótimo!

— Você—

— Se não for a melhor apresentação da sua vida, eu desisto de você. — O tom irônico surgiu novamente e dissipou o embaraço anterior. — Agora vai porque se não vocês vão ficar iguais ao nome da banda. Ou piores. — De repente, ele voltava a indiferença de sempre. Era com uma facilidade assustadora que ele passava de fofo para o filho da puta habitual.

— Bruce!

Era Dante novamente. Certo, precisariam se apressar, mas também, quem ia imaginar que o Ogawa ia surgir ali com aquela história bonitinha de desejar sorte? Pois é. Não podiam culpá-lo pela distração.

— Você 'tá todo derretido pelo Sem Futuro aqui. — Bruce sorriu daquele jeito que Kyle considerava perigoso e roubou descaradamente um beijo que fez questão de estalar contra os lábios que logo se abririam para contestá-lo. — Volta pra casa com cuidado, Ogawa.

Kyle observou o ser irritante se afastar e finalmente entrar no carro com a trupe. O que raios tinha dado nele? Bruce já era tão insuportável sem que ele fizesse absolutamente nada, mas agora, ele ficaria o triplo de vezes pior.

Era o ruim de se ter um coração.

Quando voltou para casa depois da conversa com o Riley naquela tarde, percebeu que não faria mal ir apoiá-lo naquilo que ele realmente gostava de fazer. Não faria mal se deixasse de ser indiferente por um ou dois minutos, mesmo que custasse mais do que estava sempre estava disposto a mostrar.

Com a boa ação feita, ele atravessou a calçada e foi buscar o conforto do quarto e das séries atrasadas, mas desejava, silenciosamente, que o loiro idiota se destacasse com a banda de nome ainda mais idiota.

Notas finais
Gostaram? Foi mais curtinho, mas eu achei uma graça esse sendo mais focado nos "casais". Kyle se faz de sem coração, mas tá aí só desejando coisas lindas pro amigo colorido dele XD Achei uma graça ele ter ido desejar boa sorte pro Bruce, isso faz toda a diferença pro loiro ♥ Vou nem falar que Sam e Eddie são umas fofuras, porque isso 'tá bem óbvio! E aí? Será que o Bruce vai se sair bem com "Os sem futuro"? Bjuss galera e até os próximos!