Uma Dose de Clichê

1 ♡ 1 "Sobre uma sexta-feira normal"


Notas iniciais
Então, mais uma fic. Dessa vez algo bem clichezinho, amo histórias assim, mas tenho dificuldades pra encontrar uma que realmente me agrade. Além do casal principal, terão outros que fazerm parte do clichê, mas aparecerão mais pra frente. Espero que gostem! Boa leitura!

1 — Sobre uma sexta-feira normal

— Eu posso fazer isso sozinho!

O dia estava quente e abafado. A pouca sombra que conseguiram vinha das árvores altas e de copas frondosas que se espalhavam pela pracinha da pacata cidade.

Num dos bancos de cor branca, dois garotos se encontravam sentados. Um deles se abraçava as pernas e mantinha o queixo nos joelhos, os óculos quadrados estavam mais uma vez quebrados e o rosto pálido sujo de terra e sangue. O outro, o garoto que não tinha a melhor das expressões, era mais alto e estava bem mais machucado. O rosto enfezado possuía hematomas nas bochechas e no olho direito.

Era mais uma sexta-feira normal.

— Des-Desculpe. — O garotinho abraçado as pernas murmurou. Não demoraria para que começasse a chorar.

— Não fique se desculpando! — O maior o repreendeu, recebendo uma fungada em resposta. — Não é culpa sua. — Amenizou o tom ao suspirar. Estava cansado e dolorido depois da surra que havia levado para defender o amigo. Se ergueu, ainda com o lenço manchado de vermelho pressionado sobre o corte na bochecha. As aulas haviam terminado há duas horas e, com certeza, os pais estavam preocupados. — Vem, pirralho! Vou te levar pra casa.

— Prefiro que me chame de Sam. — O menino amuado murmurou ao descer do banco. Os cadarços estavam desamarrados e ele se atrapalhou com os pés. — Ed…

Edward olhou para os tênis encardidos de Sam e rodou os olhos azuis. Sinceramente, o que aquele garoto faria sem sua companhia?

— E você não me chame assim. — Advertiu ao guardar o lenço sujo no bolso das calças e se abaixar para amarrar os cadarços enlameados. — É Logan! L-O-G-A-N.

— Mas todo mundo te chama de Logan. — O menor resmungou.

— Exato.

— Mas eu sou diferente. — Sam fez beicinho, atraindo a atenção de Edward. — Sou seu melhor amigo.

— Não me chame assim em público, então. — O maior falou, resignado. Se ergueu ao terminar de enlaçar os cadarços. — E não faça beicinho, seu mimado. — Apesar do tom áspero, Edward bagunçou os cabelos acobreados do amigo, conseguindo arrancar um sorriso banguelo de Sam. — Agora anda. Ou quer que eu te carregue no colo?

O ruivinho ainda ficou parado, vendo o amigo se afastar, pensando sobre ser carregado por ele. Bem, não seria má ideia.

— Vem logo, Mackenzie! — Edward gritou já a vários metros do ruivo. As vezes se perguntava o porquê de serem tão amigos, mas aí se lembrava de que Sam era o único capaz de lhe dar alguma paz.

Principalmente quando sorria como estava fazendo naquele momento, correndo em sua direção.

— Não fale assim com o menino, David!

Sam tinha os olhos negros cheios de lágrimas enquanto a mãe lhe esfregava as costas. O filho havia voltado imundo e com os óculos quebrados, mais uma vez. E mais uma vez o pai lhe dava uma bronca pior do que qualquer surra.

— E como espera que eu fale com esse moleque, Lolla? — David bateu as mãos no mármore da pia. — Seu filho é um molenga! Só me falta ele começar a brincar de bonecas… — Riu sem humor. Samuel era seu único filho e esperava que lhe desse algum orgulho. O menino era mais delicado que porcelana e vivia apanhando e chorando por qualquer coisa. Definitivamente não era uma criança que lhe daria algum orgulho. — Não duvido que ele vá gostar de garotos quando crescer...

— Ele só é um pouco mais sensível que a maioria dos meninos. Credo, você exagera. — Lolla retrucou. Odiava que o marido dissesse aquelas coisas ao filho.

— E ele é sensível por culpa sua. Olha só o jeito que trata esse menino! — David acusou. — Ele não é a Samantha, Lolla, mas você parece se esquecer disso. — Falou ao sair do banheiro e bater a porta com força.

Lolla deixou o sabonete cair dentro da banheira ao ouvir aquele nome. O marido conseguia ser bem cruel quando se empenhava.

— Mamãe…? — Sam chamou baixinho, tocando com os dedinhos o rosto magro e cansado da mãe. — 'Tá tudo bem…?

Lolla encostou a testa na do filho, fechando os olhos por um momento. Não era Samantha ali, mas eram tão parecidos.

— Sim, pequeno. Está tudo bem. — Garantiu ao pegar o sabonete e voltar a ensaboar o filho.

Não, não estava tudo bem, mas Sam era só uma criança e não deveria se preocupar com os assuntos dos adultos.

— Você gosta mesmo desse garoto.

Edward sentia os ferimentos arderem devido a pasta esquisita que a irmã lhe passava no rosto, cotovelos e joelhos. Estava pior do que da última vez.

— Ele é meu amigo. — Edward defendeu. Não era como se fosse se meter em brigas por qualquer um. Era só por Sam. — Isso dói!

— Qualquer dia você vai ir parar no hospital por causa dessa “amizade”. — Emília terminou de passar a mistura de pomada e ervas nos ferimentos do irmão. — Esse menino deve ser especial. — Piscou para o caçula e recebeu um olhar reprovador dos olhos azuis.

— Você nem parece mais velha falando essas coisas… — Edward resmungou e pulou da bancada da cozinha. — Ele é meu amigo e não consegue se defender sozinho. — Justificou o motivo pelo qual defendia o ruivinho.

— Esse seu senso de proteção é admirável. — Emília sorriu para o irmão. — Traga o seu amigo aqui pra me conhecer. — Piscou para o pequeno.

— Nunca! — Edward caminhou para o quarto. Não queria que a irmã se encontrasse com o Sam. Emília era uma ótima pessoa, mas falava umas coisas estranhas e não queria ficar constrangido perto do ruivinho.

Foi se jogar na cama e se embolou nos lençóis, sentindo o corpo reclamar pela dor dos vários socos e chutes que havia levado. Incrivelmente aquilo não acabava com seu pouco humor.

Se fosse por Sam, ele não ligaria de ganhar uns hematomas e escoriações.

Notas finais
Gostaram? Foi curtinho, mas eu gosto disso de colocar uma introdução antes de realmente começar, é meio que um teste pra ver se vão gostar XD Curtiram os babys? Vai ser assim no começo, com eles pirralhos ♥ Bem, espero que tenham curtido XD Vejo vocês ♥