Uma Doce História
92 Martini
Notas iniciais

Claire jogou a bicicleta no quintal e entrou em casa batendo a porta, subiu as escadas como se fosse matar alguém. Assim que passou pelo corredor, a porta do quarto de Tora se abriu.
–- Mas o que há com você? – Perguntou Tora irritada – Por acaso é um grupo de demolição?!
–- Não, mas isso não me impede de desfigurar a cara de alguém – Respondeu Claire com uma cara medonha.
–- Ok... – Tora olhou assustada – Vamos tentar novamente.
–- Tsc... – Claire bufou.
–- Entre aqui – Tora puxou a irmã para dentro do quarto, fazendo-a sentar na cama.
–- O que aconteceu? – Perguntou Tora puxando a cadeira do computador, sentando de pernas cruzadas.
–- Nada – Claire respondeu simplesmente.
–- Quem nada é peixe – Disse Tora – E o meu dinheiro...
Claire olhou feio.
–- Desculpe – Tora respirou fundo – Olha, eu sei que tem alguma coisa, você dificilmente fica assim.
–- É, talvez... – Claire soltou algumas palavras.
–- E pelo jeito tem algo haver com Armin.
–- Como sabe?
–- Titia disse que você foi até a casa dele – Tora analisou a carranca da loira – E para ter voltado tão rápido e com essa cara feia, coisa boa foi o que não aconteceu.
Claire continuou calada, olhando para o chão.
–- Escuta Claire, eu sou sua irmã, se não conversar comigo vai contar para quem? – Tora tentava fazer com que a irmã confiasse mais nela – Eu só quero o seu bem.
–- Armin estava no banho... – Claire começou a contar.
–- E?
–- Então uma garota me atendeu... – Claire cerrou os punhos.
–- Uhm? – Tora não gostava de como estava cheirando aquilo.
–- E ELA ESTAVA SÓ DE TOALHA, TORA! – Claire gritou.
–- Eita...
–- E sabe o que ela me disse? – As veias da testa de Claire saltavam.
–- Uhm... O quê? – Tora ficou com medo da resposta.
–- “Hoje foi uma loucura” – Disse Claire se abanando, imitando Arbel – AAAH!
–- Wow – Tora arregalou os olhos, chocada.
–- EU MATO ELE! – Claire pegou um dos bibelôs de Tora e jogou pela janela.
–- Mas... o... meu... anjo...– Tora olhava da rua pra Claire, de Claire para a rua.
–- Ah! Eu não quero mais falar sobre isso – Claire saiu batendo os pés pelo corredor.
–- Mas o que está acontecendo aqui?! – Gritou Alicia na porta de seu quarto – Quando finalmente encontro algo bom para assistir vocês resolver fazer uma arruaça?
–- Desculpe tia, a Claire está nervosa – Explicou Tora.
–- Nervosa com o que? – Perguntou Alicia.
–- Com o... Ah tia, quer saber... Deixa pra lá – Tora fechou a porta do quarto.
–- Esses adolescentes – Alicia voltou a assistir seu filme.
–- O BAIXINHA! – Gritou Castiel da sacada.
–- Ai... É só o que me falta agora – Tora foi até a sacada – O que foi?!
–- O que foi que eu te fiz dessa vez? – Perguntou Castiel.
–- Como assim? Do que você está falando?
–- Disso aqui – Castiel jogou algo na direção de Tora.
Tora abaixou-se a tempo de não ser atingida – Você quer me matar?!
–- Eu é que te pergunto!
–- Não fui eu – Disse Tora ao constatar que se tratava do bibelô que a irmã havia jogado fora – Foi a Claire.
–- Agora põem a culpa nos outros? Tsc, tsc... Não te reconheço mais – Provocou Castiel.
–- Cala a boca.
–- Vem aqui calar – Castiel lançou um olhar provocante.
–- Sério?! – Tora ficou olhando pra Castiel durante um longo período.
–- Não custa tentar, não é? – O ruivo deu de ombros.
–- Pois é... – Tora ia dando as costas.
–- Ei! Você vai à festa?
–- Vou.
–- Quer carona?
–- Não obrigada – Respondeu Tora deixando Castiel sozinho.
21h30m – Casa de Ryu.
–- Ryu? – Chamou Helena na frente da casa, batendo palmas.
–- Já vai! – Gritou Ryu de dentro de casa, logo vindo abrir o portão – Boa noite priminha.
–- Boa noite – Helena deu um abraço na prima – Já está pronta?
–- Quase – Ryu olhou a platinada de cima a baixo – Mas você está gastíssima, Lysandre não sabe o que está perdendo, até eu pegaria você.
–- Não fale assim – Helena deu uma risadinha.
–- Ok. Entre – As duas entraram na casa e Helena cumprimentou a avó de Ryu.
–- Boa noite Dona Anice.
–- Olá querida – A senhora deu-lhe um forte abraço -- Como está linda, vai arrasar corações está noite.
–- Não imagina – Disse Helena ruborizada.
–- Helena, me dê dois minutinhos que eu já fico pronta – Pediu Ryu.
–- Tudo bem – Confirmou Helena.
–- Vovó! Poderia chamar um táxi pra gente? – Pediu Ryu indo terminar de se arrumar no banheiro.
–- Eu já chamei querida, daqui a pouco está aqui – Disse Anice sentando no sofá.
–- Nossa, quanta eficiência – Comentou Ryu.
–- Diferente de você, não é minha neta? – Anice pegou o crochê – Tem muito que aprender ainda.
–- Ai desculpa se eu não sou uma sessentona bem vivida – Disse Ryu debochada.
–- Olha o respeito menina! Vivida? Tem muito homem de olho em mim ainda.
–- Não vovó, isso se chama estrabismo.
Helena só ria da discussão das duas.
–- Posso te pedir um favor Helena? – Perguntou Anice.
–- Claro, o que a senhora quiser – Disse Helena.
–- Cuide bem de minha neta, você sabe... Ela tem um fogo no-
–- Eu estou ouvindo isso Dona Anice – Avisou Ryu, da porta do banheiro.
–- E qual o problema? – Anice era implacável.
–- Ai vovó, só a senhora mesmo hahahaha.
As três começaram a rir, até uma buzina soar.
–- Acho que o táxi chegou – Disse Helena olhando pela janela.
–- Ok. Então vamos – Disse Ryu pegando uma bolsa de mão – Tchau vovó, não espere acordada.
–- Como se eu fosse perder meu tempo com isso – Disse Anice ligando a TV.
Ryu e Helena embarcaram no carro e seguiram silenciosas durante o caminho, assim que foram se aproximando do local onde ficava a boate, a rua começou a ficar mais movimentada. Várias pessoas andavam pela calçada, carros lotavam o estacionamento e o transito fluía lentamente. O táxi parou em frente a entrada principal da boate, Ryu pagou a corrida e desceu juntamente de Helena; podia-se ouvir levemente a música que tocava.
Sweet dreams are made of this
How am I to disagree
I travel the world
And the seven seas
Everybory’s looking for something
Assim que entraram Ryu parou e suspirou.
–- Uau! – A morena observava deslumbrada a grandeza e beleza daquele lugar – Acho que vamos nos divertir a beça.
–- Você acha? – Perguntou Helena, pegando uma taça de Martini da bandeja de um garçom que passava servindo a bebida.
Some of them want to use you
Some of them want to get used by you
Some of them want to abuse you
Some of them want to be abused
[...]
–- Por quê? – Perguntou Ryu, olhando de Helena para a taça, da taça para Helena.
Helena virou o drink em um único gole – Porque eu tenho certeza.
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