Uma Doce História
96 Irmãos Dorigan
Notas iniciais

Cabelos negros médios e bagunçados, olhos da cor do ouro, físico forte e um belo sorriso... Ah, aquele sorriso. Tora ficou se perguntando como era possível, o que ele estava fazendo ali e o porquê.
Como ela deveria agir? Fazer de conta que não o havia reconhecido ou falar com ele? Se sua ideia era sair correndo, já não havia mais tempo pra isso.
–- Olá Viktor... – Cumprimentou Tora, sem muito ânimo.
–- Há quanto tempo, não é? – Viktor continuava com seu sorriso encantador.
–- É... – Tora não sabia se queria levar uma conversa com ele – O-o que faz por aqui?
–- Vim ver meu irmão – Respondeu Viktor.
–- Ahm? – Tora fez cara de confusa.
–- Ah é. Você não sabe que eu tenho um irmão – Viktor coçou a nuca sem jeito.
–- Não, realmente – Disse Tora.
–- Bem, isso não importa agora – Viktor aproximou-se e segurou uma mecha do cabelo de Tora – Você me parece ainda mais bela do que a última vez que te vi.
–- Uhm... – Tora virou o rosto delicadamente, não podia se deixar hipnotizar.
–- Diga-me Tora – Viktor sussurrou – Está sozinha?
–- Eu... – Tora ia responder.
–- Não. Está muito bem acompanhada – Vociferou Castiel, se metendo entre Tora e Viktor.
–- Olá Castiel – Cumprimentou Viktor.
–- Vo-vocês dois se conhecem? – Perguntou Tora com medo da resposta.
–- Infelizmente sim – Respondeu Castiel.
–- Não me diga que... – Foi então que Tora se lembrou do pequeno porta retrato no quarto de Castiel, agora ela se lembrara e reconhecera o menino mais velho naquela foto, era Viktor.
–- Parece que você já conhece meu pequeno irmão – Disse Viktor.
–- Ai meu deus... – Tora puxou os próprios cabelos.
–- Parece que vocês dois também se conhecem – Castiel lançou um olhar crítico.
–- Nós... – Tora tentou falar novamente.
–- Nós já namorados – Contou Viktor – Mas já faz um bom tempo.
–- Como é que é?! – Castiel ficou indignado.
–- Eu não fazia ideia de que... – Tora mal sabia o que dizer.
–- Oh! – Viktor então associou as coisas – Não me diga que vocês estão namorando?
Castiel e Tora se olharam com vergonha e tristeza.
–- Ah entendi, é quase isso – Viktor riu – Você não tem jeito mesmo meu irmão.
–- Parece que o problema vem de família – Disse Tora friamente.
–- Cala a boca Viktor – Castiel tentou se aproximar de Tora, mas ela recuou – Eu ia falar com você Tora.
–- Agora ia né? – A raiva de Tora viria a tona – Se sentiu ameaçado? Pobre coitado!
–- Ei! Não é isso! – Castiel tinha que se controlar, caso contrário, só pioraria ainda mais a situação – Eu estava te procurando justamente pra falarmos sobre isso.
–- Olha Castiel, eu não quero saber – Disse Tora espalmando as mãos.
–- Mas... – Castiel foi segurar o braço de Tora, mas Viktor o impediu.
–- Eu não sei exatamente o que você fez, apesar de imaginar – Disse Viktor em frente a Castiel – Mas acho melhor deixa-la ir por enquanto.
–- Você não sabe de nada! – Castiel berrou – Veio aqui fazer o que?! Atazanar minha vida novamente?!
–- Deixa de ser infantil Castiel – Viktor o repreendeu.
–- Cala boca Viktor, você é a pessoa menos indicada pra me dar alguma lição de moral – Castiel devolveu.
–- Vocês dois são patéticos – Tora suspirou e saiu andando.
Viktor lançou um olhar de desapontamento ao irmão e foi atrás de Tora.
–- Droga! – Castiel bufou e foi para o bar.
Viktor percorreu a multidão com os olhos até avistar Tora sentada em um puff vermelho no canto da boate com um copo na mão.
–- Ei... – Viktor sentou em puff preto ao lado de Tora.
–- O que foi? – Tora perguntou secamente.
–- Eu sei que você e Castiel acham que eu só estou com segundas intenções – Disse Viktor – Bem... Castiel tem certeza, mas eu nunca faria mal a vocês.
–- Não foi o que pareceu, até poucos minutos atrás você estava me cantando.
–- Ah... Aquilo foi... Eu não sabia sobre vocês dois.
Tora olhou em duvida.
–- Olha só, eu sei que você pensa que eu te usei, mas eu nunca fiz isso.
–- Ah não?!
–- Não Tora. Talvez eu tenha cometido alguns erros, mas minha intenção nunca foi magoá-la ou fazer você sentir-se usada.
–- Uhm...
–- Talvez não acredite em mim agora, mas eu só quero ajudar.
–- Você tem que ajudar ao seu irmão, não a mim – Tora tomou o restante do conteúdo em seu copo.
–- Também, mas você precisa colaborar, deixe de ser um pouco orgulhosa e de uma chance a Castiel – Viktor segurou o queixo de Tora, fazendo-a olhar para ele – Você sabe que ele está tentando.
–- Eu sei, mas... – Tora choramingou – Ele é um maldito cabeça dura!
–- Que dupla em? – Viktor tirou sarro.
–- Cala a boca – Tora deu um soquinho no ombro do moreno.
–- Então?
–- Ok – Tora entregou o copo vazio a Viktor e se levantou – Eu vou falar com ele.
–- Só não o estrangule antes que ele possa te dizer alguma coisa, ok? – Viktor brincou.
–- Vou tentar – Tora riu.
Castiel bebia algo forte, sentado em um dos bancos almofadados do bar. Pra piorar ainda mais sua situação, Viktor havia aparecido; ele já não sabia mais se insistir no plano era uma boa, certamente suas chances tinham diminuído drasticamente.
Mas claro que ainda podia piorar e ninguém melhor para fazer esse trabalho do que Ambre. A loira chegou tropicando sobre os próprios pés e se jogou sobre Castiel.
–- Está louca Ambre?! – Castiel só teve tempo de abraça-la, impedindo que os dois fossem para o chão.
–- Louca por você – Ambre segurou o rosto de Castiel e o beijou.
–- Castiel... – Tora deparou-se com a cena.
Castiel emburrou Ambre e a fez debruçar-se sobre o balcão do bar – Tora, não... – Agora sim suas chances tinham chegado a zero.
–- Parece que você tem facilidade em “pular pra outra” – Disse Tora em tom sarcástico – Só podia ter escolhido uma melhorzinha né?
–- Foi ela Tora! – Castiel tentou defender-se.
–- Claro. E eu vi seu esforço em resistir – Uma lágrima rolou sobre a bochecha de Tora, ela a enxugou e deu as costas.
–- Espera Tora! – Castiel foi atrás.
Tora correu em direção aos puffs onde Viktor estava.
–- Você veio de moto Viktor? – Tora perguntou.
–- Sim, por quê? – Viktor respondeu, sem entender.
–- Então vamos, você vai me levar pra casa – Tora o puxou pela mão.
–- Ok, mas... – Viktor levantou em reflexo – O que aconteceu?
–- Adivinha?
–- Tora! Espera pelo amor de deus! – Castiel pediu, ofegante – Por que está de mãos dadas com ele?
–- Porque vamos embora.
–- Você não vai com ele! Não vai fazer isso!
–- Vou sim! Assim como você também fez! – Tora puxou Viktor pela nuca e o beijou – Vamos logo.
Viktor apenas obedeceu sem questionar. Castiel ficou plantado, tentando assimilar o acontecido.
–- Que inferno! – Castiel chutou um dos puffs e voltou para o bar, cuspindo fogo.
Ryu procurava por Nathaniel, de vez em quando o confundia com algum outro loiro, o que gerava uma pequena confusão ou que fizesse com que os rapazes tentassem se aproveitar do engano.
–- Mas onde ele está? – Ryu pegou o celular novamente, constatando que ainda não havia sinal – Droga de celular!
–- Oi Ryu – Dake veio acenando de longe.
–- Olá Dake – Ryu cumprimentou.
–- Está sozinha?
–- Não, estou com Nathaniel.
–- Não o vejo aqui do seu lado – Dake estendeu a mão -- Quer dançar?
–- Não, obrigada. Cadê a Lety? – Ryu perguntou.
–- Que Lety?
–- Letícia, aquela garota que ficou com você no baile de Halloween.
–- Ah! Não estamos juntos, ficamos só durando uma semana.
–- Nossa.
–- Mas deixa isso pra lá, vamos dançar – Dake a puxou pela mão.
–- Já disse que não Dakota, tenho que ir – Ryu soltou a mão e recomeçou sua busca.
Dake se mantinha atrás dela, porém, não era o único. Melody estava observando Ryu durante toda a festa, esperando a oportunidade perfeita para armar seu plano. Assim que percebeu que Ryu estava se dirigindo ao local onde Nathaniel estava, apertou o passo e começou a por seu plano em prática.
–- Boa noite Nath – Disse Melody se sentando ao lado do loiro.
–- Melody? – Nathaniel olhou surpreso – Você por aqui?
–- Olha quem fala – Melody deu uma risadinha – Parece que ambos precisamos no distrair.
–- Não sei do que você está falando.
–- Não precisa ficar assim retraído, eu vi Ryu e Dake – Melody começara a destilar seu veneno – Realmente triste, mas previsível. E eu tentei te avisar.
–- Ryu está aqui com Dake? – Nathaniel arregalou os olhos.
–- Ah... Você não sabia? Desculpe.
–- Eu tenho que ir atrás dela – Nathaniel levantou-se.
–- Pare de ser o cachorrinho dela Nath, será que você não percebe que ela só está te usando? – Melody o impediu de prosseguir, colocando as mãos sobre o peito dele.
–- Você está definitivamente louca Melody – Nathaniel lançou um olhar severo.
–- Acho que todos estamos – Melody enroscou os dedos aos cabelos loiros e puxou Nathaniel, beijando-o ferozmente.
–- Nath? – Ryu parou de andar ao ver a cena.
–- Uau – Dake estava atrás dela e logo viu uma oportunidade também -- Parece que o certinho resolveu se solta hoje – Dake puxou Ryu pela cintura – O que Acha de se soltar também?
–- Me larga Dakota! – Ryu tantava se soltar, mas o surfista era bem forte.
No outro lado, Nathaniel empurrou Melody fazendo-a cair sentada.
–- Larga já ela Dakota! – Nathaniel urrou, puxando Ryu para si.
–- Até parece – Dake tentou puxar a morena novamente, mas Nathaniel o impediu – Tu tá se achando demais cara.
–- E você tá querendo encrenca – Nathaniel se pôs na frente de Ryu.
–- Ui, que medo – Dake espalmou as mãos – Vai fazer o que? Em?
–- Eu não quero brigar, é melhor você ir embora – Nathaniel mantinha-se firme.
–- Tá com medo de apanhar na frente da mulherzinha é? – Dake empurrou o tórax de Nathaniel – Anda logo mariquinha.
–- Vamos embora Nath, ele está bêbado – Ryu aconselhou.
–- Vai sair daqui não – Dake deu um tapa no rosto de Nathaniel, provocando-o.
Nathaniel não revidou – Vamos para fora, não quero que outras pessoas se machuquem.
–- Ok. Vamos lá então – Dake riu – Mas o único a se machucar será você, meu camarada.
–- Não faz isso Nath – Ryu pediu.
–- Não se preocupe – Nathaniel beijou a testa de Ryu – Isso vai ser rápido.
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