Uma Doce História
82 Tensão

–- Ainda acordada? – Perguntou Castiel apoiando-se sobre o guarda corpo.
–- Não, não. Isso é apenas uma projeção holográfica minha – Respondeu Tora cinicamente.
–- Credo, sai desse corpo que não te pertence Claire – Disse Castiel fazendo um “X” com os dedos indicadores.
Os dois riram.
–- Fiquei empolgada com nosso ensaio hoje, então acabei perdendo um pouco do sono – Explicou Tora.
–- Vocês duas fizeram um ótimo trabalho.
–- Obrigada – Tora sorriu.
–- O que está tocando?
–- Nada especifico, apenas tentando criar uma nova melodia.
–- Uhm... Parece-me muito boa.
Tora tocou mais um pouco, deixou o vilão apoiado na parede e olhou para Castiel.
–- Está preocupado, nervoso com alguma coisa? – Perguntou Tora.
–- Não... O que te faz pensar isso? – Respondeu Castiel.
–- O franzido entre suas sobrancelhas – Disse Tora indicando com o dedo.
Castiel tocou o lugar indicado e suspirou.
–- Talvez um pouco – Disse ele.
–- Quer me contar algo?
–- Não é nada importante, mas talvez você possa me ajudar a relaxar.
–- Ah é? Como?
–- Vem aqui que eu te mostro – Um pequeno sorriso malicioso se formou no canto direito da boca de Castiel.
–- Fale baixo, as paredes aqui tem ouvido – Tora fez sinal de silencio.
–- Deixe causar inveja – Disse Castiel.
Ouviu-se um barulho vindo do quarto ao lado do de Tora.
–- Os ouvidos intrometidos e xaropes já estão se preparando – Tora disse num tom mais elevado.
–- Vou fazer de conta que não ouvi isso – Disse Claire do outro quarto.
Castiel e Tora riram novamente.
–- Então, vem ou não vem baixinha? – Perguntou Castiel.
–- Uhm não sei, não me parece ter nada de interessante pra fazer ai – Desdenhou Tora.
–- Acha mesmo? Que pena – Castiel tirou a camiseta, expondo o peitoral e abdômen sarados – Está fazendo calor hoje, não?
–- É... – Tora corou levemente e remexeu-se excitada.
–- O que foi baixinha? Parece nervosa. Quer que eu vá ai? – Castiel perguntou já se preparando para pular na árvore.
–- Não! Eu... Eu vou ai – Dizendo isso, Tora sumiu dentro do quarto.
Instantes depois a campainha do sobrado vermelho tocou, Castiel andou rapidamente até a entrada e abriu a porta.
–- Olá – Disse Castiel, logo dando passagem.
–- Que milagre sua casa estar arrumada – Disse Tora ao entrar.
–- Eu já não estava encontrando as coisas – Explicou Castiel – Por que não veio pela sacada?
–- Porque não sou louca... E também tenho medo de altura – Tora admitiu.
–- Da próxima vez digo que estou doente – Provocou Castiel.
–- Cala a boca.
–- Chega de papo furado – Castiel pegou Tora no colo, fazendo-a entrelaçar as pernas em torno de sua cintura – Vamos ao que interessa.
Subiram as escadas aos amassos, deliciando-se com o corpo um do outro, trocando caricias ardentes e beijos sufocantes. A noite dos dois havia apenas começado.
Alguns dias se passaram e Debrah reapareceu no colégio, mas sempre que tentava falar com Castiel, Lysandre intervia e inventava alguma desculpa, às vezes até mesmo mentia dizendo que ele havia faltado ou que estava na diretoria. Dois meses depois Debrah já havia ido para outro país fazer uma turnê de shows, mas deixou avisado para Castiel que voltaria assim que terminasse. Todos estavam se divertindo, amando e sonhando, mas talvez Armin não estivesse tão feliz e satisfeito assim.
–- Cara de quem chupou limão e não gostou – Disse Kentin sentando de frente para Armin.
–- Quem dera eu tivesse chupado alguma coisa – Disse Armin tristonho.
–- Eita! O que houve cara? – Perguntou Kentin.
–- É a Claire, nunca vi garota mais difícil que aquela.
–- Como assim?
–- Já faz uns três meses que estamos namorando e ainda não passamos dos amassos – Explicou Armin – Estou ficando louco com isso já.
–- Calma cara, você tem que respeitar o tempo dela – Disse Kentin.
–- Kentin, já temos quase 18 anos, nos conhecemos há um bom tempo e são TRÊS MESES cara – Disse Armin indignado, mostrando três dedos da mão.
–- É... Eu sei, mas...
–- Mas o que? Você e meu irmão já estavam se comendo na primeira semana!
–- Ei! Fala baixo! Os outros podem ouvir – Kentin repeendeu.
–- Desculpe... – Armin suspirou – Não sei se vou aguentar por muito tempo.
–- Não fale besteiras Armin, vocês se amam e é isso que importa.
–- Meu amiguinho não acha isso – Armin olhou para baixo e os dois riram.
–- Qual foi a piada? – Perguntou Castiel se aproximando e puxando uma cadeira pra se sentar.
–- Armin e seu... “Amiguinho” estão de baixa estima – Contou Kentin.
–- Seu idiota! – Armin bufou furioso para Kentin, que apenas ria da desgraça alheia.
–- Ahm então quer dizer que está na seca Armin? Mas e a Claire? – Perguntou Castiel – Vai dizer que os vídeos pornôs são melhores?
–- Cala a boca Castiel – Armin saiu irritado da sala e foi beber água.
Os dois ficaram rindo por algum tempo, até Kentin ver Alexy entrando quieto na sala.
–- Nós conversamos mais tarde Castiel – Disse Kentin indo até o namorado.
–- Ok – Castiel assentiu e foi perturbar uma certa morena.
Kentin andou até Alexy chamando-o várias vezes, mas o azulado parecia não ouvi-lo.
–- Lexy? – Kentin o pegou pelo braço fazendo-o em vim prestar atenção.
–- Oi Ken... – Disse Alexy baixinho sem virar o rosto.
–- O que foi? Parece tão triste – Perguntou Kentin vendo o semblante desanimado de seu pequeno – Por que não me olha?
Alexy não respondeu.
–- Pequeno? – Kentin por fim virou o rosto de Alexy com as mãos e logo fez uma carranca.
–- O que é isso? – Kentin perguntou ao ver o corte sobre a sobrancelha de Alexy.
–- Não é nada demais, eu apenas bati com a testa na quina da prateleira – Mentiu Alexy.
–- Eu não sou idiota Alexy, quem fez isso? – Perguntou Kentin novamente.
–- Esqueça isso Ken... – Alexy tentava fugir do assunto.
–- QUEM FOI? – Perguntou Kentin exasperado.
–- Foi o clube de basquete... – Respondeu Alexy finalmente.
–- Dajan?!
–- Não, não. Ele até brigou com os outros rapazes...
–- Como eles podem fazer uma coisa dessas?!
–- São pessoas preconceituosas Ken, de mente pequena, não de atenção.
–- Não dar atenção?! É óbvio que não vou dar atenção, vou dar é uma surra neles.
Kentin saiu a passos rápidos e pesados em direção à quadra. Estava enfurecido com aquilo, iram pagar caro. Ninguém mexia com seu pequeno e saía impune.
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