- Eu quero que você vá olhar as casas pessoalmente. E quando escolher suas favoritas, quero que me avise para fazer a escolha final. – Damon estava em seu escritório e Vicki sentada em sua cadeira de costume.

A assistente anotou as solicitações e depois atendeu duas ligações.

- Damon, não quero parecer intrometida. – O moreno apenas deu de ombros, como se dissesse para prosseguir. – Pelo que você me falou sobre a Elena, não acho que ela aceitaria tão fácil esse tipo de coisa. Ela parece ser uma mulher forte e independente, se fizer isso pelas costas dela vai ser uma droga. Eu acho.

Ele sabia que Vicki tinha toda razão e que Elena faria maior alarde para algo que não significava tanto assim, mas ela era teimosa demais pra ceder tão fácil.

Seu celular vibrou no bolso o distraindo por alguns momentos das preocupações atuais e o deixando com problemas antigos.

- Oi mãe.

Edna conversou sobre algumas trivialidades, mas o cantor sabia que a mãe não estava apenas ligando para conversas afetivas e descontraídas.

- Como está o David e a Elena? – Era palpável através da ligação, perceber o sorriso na voz da mãe.

- Estão bem. O que aconteceu? – Ele não queria parecer mais insensível do que o necessário e usual de sua personalidade perturbada.

- Preciso de você em casa. É importante, meu filho.

- Não. Sinto muito! E eu também estou aproveitando minhas férias, já que vou entrar em turnê e não vai ser tão fácil passar um tempo com David.

- Traga-o também. Essa não é uma tentativa de reconciliação sua com seu pai. Eu não sei mais que fazer pra tirar alguma reação dele. Talvez o David desperte algo nele. – Ela suspirou aparentemente cansada. – Assim como está te transformando.

- Um homem que não amou o próprio filho, com certeza não amaria o neto. Imagina colocar uma criança perto dessa energia negativa? Não é uma boa ideia, mãe. Se quiser uma reação do Joseph, chame os médicos, psiquiatra, tratamento de choque ou algo assim e uma hora vai funcionar. Tenho que ir.

Damon ficou parado por um tempo analisando a vista que sua casa dava para o jardim dos fundos. Verde e com o colorido das flores. Vicki saiu com a descrição habitual para sua assistente e o deixou só com seus demônios.

O que será que aconteceu de tão grave para o velho simplesmente desistir? Entregar os pontos? Esse não parecia o homem severo e implacável que Damon conhecia.

Pare de se importar!

A voz no fundo da sua cabeça o lembrava que durante a faculdade seu pai nunca fizera uma ligação para saber em que situação estava. Ele e Joseph em quase 10 anos se viram quatro ou cinco vezes. Nenhuma desses encontros foi agradável, não trocaram muitas palavras e quando mantinham diálogos, era aos gritos.

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Elena aceitou ir para Los Angeles para um passeio de final semana e para resolver alguns assuntos com o advogado de Damon, encontrar com o relações públicas e fugir dos paparazzis – que era quase impossível.

Mas Damon conhecia a cidade e conseguia encontrar lugares que as pessoas realmente não olhavam para ver em qual restaurante ou esquina estava parado. Em dias normais os fotógrafos não se importavam tanto com saídas casuais, mas quando surgiam novas notícias como uma ex-namorada que era mãe de um filho de Damon e ainda estavam juntos na cidade, era uma calamidade.

- Está tudo bem? – Elena perguntou ao ver Damon tão distraído que ele deveria estar voando com os próprios pensamentos.

- Ahn? Está.

- Se estiver com algum problema, pode me contar.

Ele não respondeu por algum tempo, mas sua expressão em seguida fez Elena se arrepender de perguntar algo. Seus olhos ficaram vazios e meio fora de foco como todas as vezes que se aborrecia e acabava tratando alguém da forma mais rude que conhecia.

- E o que te faz expert na minha vida? Você não esteve nela por cinco anos e talvez não me conheça mais ou sabia algo sobre o que penso.

Elena deveria pegar a areia que dava base para seus pés e jogar nos olhos de Damon. Talvez com um pouco de álcool, mas era melhor não se arriscar. Ela não saiu de sua cidade só pra ser tratada com tamanha ignorância. Mas ela entendeu que algum acontecimento recente o deixara assim e provavelmente era grave.

Apenas se levantou e caminhou até a piscina artificial da praia onde David brincava alheio de toda turbulência.

Ambos não trocaram nenhuma palavra no trajeto de volta. Damon desapareceu na mansão enquanto Elena cuidava do filho pra que ele dormisse. A ideia de um cochilo pareceu tão atraente que logo em seguida, foi para seu quarto tomar um banho gelado e relaxar.

A banheira era tão grande que ocuparia dois banheiros do tamanho do que tinha em seu apartamento. Isso se tratando do quarto de hóspede. Um deslumbre para o corpo.

Deitou na cama com o roupão apertado em sua cintura e fechou os olhos.

O susto foi tão grande que Elena teria caído da cama na rapidez que levantou. Damon estava parado aos pés da cama com uma bandeja nas mãos.

- Não era minha intenção te assustar.

- Mas era sua intenção ser um idiota.

- Eu sou um idiota. – Damon analisou o espaço e optou sentar ao lado de Elena na cama. — Perdi o costume de ter alguém com quem conversar e isso não é uma desculpa, eu sei. – Ele colocou o copo de suco de laranja na mão da morena.

- Você não vai me comprar com um suco. – Ela disse depois de provar um pouco.

- O Joseph está doente ou estado de choque, não sei ao certo. Minha mãe está insistindo que eu vá vê-lo antes da turnê e na esperança de que eu cause alguma reação nele. Engraçado... O único sentimento que despertei nele a vida inteira foi ódio e desprezo.

- Você não acha que deveria ir?

- Não. Eu não acho que devo me importar com alguém que me expulsou da minha própria casa aos dezessete anos, menosprezou tudo que fiz na vida e nunca fez uma ligação sequer para saber como eu estava. Agora é a minha vez de mostrar compaixão? – Damon estava quase sufocando com as próprias palavras.

- Ele é seu pai.

- Só por termos o DNA? Isso não significa nada, Elena.

- Talvez seu pai não tenha te dado o devido valor, talvez algo tenha acontecido para ele ser desse jeito. Nós não sabemos, mas se ele tivesse se dado a oportunidade de te conhecer de verdade, ficaria orgulhoso do homem que você é. – Elena se aproximou um pouco mais e segurou a mão de Damon.

- Você sabe que não sou o homem que faria alguém se orgulhar. Beber, se drogar e transar com cada criatura que respire não me parece motivo de orgulho.

- Dar atenção ao seu filho antes mesmo de fazer o exame que comprovasse isso, ficar morando por um mês em outra cidade só por ele, se preocupar com a mãe dele que estava doente, pagar as despesas médicas mesmo depois de ela ter escondido um filho seu. Acho que são bons motivos. Você não é uma má pessoa, Damon. Só deixou as coisas erradas te influenciarem.

O moreno ficou paralisado com a declaração e seus olhos brilhavam uma tristeza muito profunda e antiga.

- El — Ele usou o apelido esquecido por muito tempo. –, ele nunca me amou. Me senti miserável só por ser filho dele e não ser digno de algum tipo de afeto. O que fiz de errado? O que?

Damon parecia estar se perdendo na própria tristeza e era como se o mesmo sentimento se refletisse em Elena, mesmo que ela não quisesse. Ela o abraçou tão forte na esperança que algo dito o pudesse salvar de tanto sofrimento em alguém tão jovem.

Ela apoiou o corpo nas costas da cama imensa e Damon continuava apenas com o braço envolvido em seus ombros, calado e perdido.

- Acho que você deveria visitá-lo.

Ele negou com um movimento de cabeça.

- Talvez ele não mereça, mas imagine você olhar pra trás e ver que não fez nada daquilo que poderia. Você tem sido ótimo com o David, ver seu pai pode lhe servir para ser melhor ainda. É difícil ser mãe ou pai. Todos têm alguma lição para nos ensinar.

- É assim que você convence o David comer os legumes?

Elena sorriu.

- Tem mais uma coisa. – Damon disse após um suspiro. – Minha mãe me pediu para levar o David, mas não achei uma boa ideia.

- É uma ótima ideia. Ela deve querer conhecê-lo.

- Você iria comigo?

Mais tarde talvez Elena culpasse o calor do momento, os sentimentos confusos ou a gratidão e vontade de ajudar Damon. Ela disse sim.

Quando Damon sorriu e encheu seu rosto de beijos, lembrou muito a época em que foram namorados, deitados na cama e abraçados. Era exatamente esse tipo de pensamentos que deveria evitar se quisesse que esse novo relacionamento de pai e mãe separados desse certo.

Elena gostaria de saber em que momento ele se aproximou tanto de seu rosto. Aquele sorriso quando verdadeiro chamava toda atenção para si, seus lábios vermelhos e entreabertos como um convite sexy para serem beijados ou até mesmo o fato dele respirar roubava todo seu oxigênio. Ou pelo menos o oxigênio que iria direto para seu cérebro e comandava a parte racional.

Eles poderiam ter ficado nessa dança por minutos, mas ela perdeu a total noção de tempo.

Seu corpo foi mais fraco do que sua boa e velha amiga razão.

Damon segurava seus cabelos longe do rosto, enquanto a boca alternava entre os lábios de Elena e o pescoço. Ambos ficaram ofegantes em pouco tempo, o desejo misturado com a sensação de estar pisando em território proibido deveria estar aumentando a sensação eufórica. Tão eufórica que o sangue martelava alto nos ouvidos da morena. Suas mãos deslizavam pelas costas bem definidas de Damon.

Ela queria tirar aquela camisa ridícula com símbolo de paz e amor do corpo dele ao mesmo tempo em que queria fugir do quarto, pegar seu filho e voltar a pé para San Diego.

Elena não sabia qual desejo era mais forte.

E seu cérebro não estava em nenhum lugar que pudesse alcançar naquela altura do campeonato.

Notas finais
Finalmente! Feliz dia das crianças pro David e pra Jasmin, as únicas crianças por aqui. Obrigada por me apoiarem.