Havíamos parado em algum tipo de loja da qual vendia-se roupas segundo ele os humanos tem a necessidade constante de comprar e trocar suas vestimentas constantemente, eu nem me lembro a última vez que mudei o meu visual quase todas as minhas roupas eram repetidas tanto no orfanato quanto na Academia.

Não é que eu não tenha um senso de moda mas lá o padrão era bem diferente e também eu não me importava para mim, se servisse em mim estava bom, mas claro que não me vestia de qualquer jeito.

Ele disse que eu podia ficar a vontade para escolher algo adequado para mim ele é quem pagaria, eu disse a ele que não havia necessidade, antes de entrarmos aqui eu havia retirado de meu chapéu um saco de moedas, eu não tinha muita coisa mas aquilo era o suficiente por agora, mas parece que elas são inúteis por aqui.

Ele disse que as de ouro até poderiam ser trocadas por dinheiro desse mundo que no caso é o tal de "dólar" um pedaço de papel verde com números variados e rosto de um homem quem diria que papel poderia ser mais valioso aqui do que moedas de prata. Claro que há moedas nesse mundo só que são bem diferentes seu valor assim como as de meu mundo variam de acordo com a quantidade mas não do que são feitas.

Era a hora de escolher algumas roupas ,havia estudado brevemente o conceito de "moda" através daquelas revistas não pude tirar muitas informações úteis de lá mas acho que posso me virar com o que eu tenho.

Fiz uma breve seleção de várias peças de roupas e fui para o provador.

FLUSH ~~

— Que tal? — disse ela abrindo a cortina do provador —

— Muito...cheio, pra um inverno bem frio quem sabe.

Como ele tinha mais noção do que eu pedi para Senhor Phillip ver se eu estava escolhendo corretamente, o primeiro conjunto era composto de roupas longas e pretas um pouco semelhantes a minha vestimenta atual, mas parece que não foi aprovada, mas ele tem razão agora até eu vejo que em um calor usar esse tipo de roupa acabaria me matando, então de volta ao provador.

FLUSH ~~

— Muito colorido?

Achei que o problema seriam as cores então dei uma variada uma blusa de manga longa de cores distintas por baixo, por cima uma blusa xadrez e uma calça também do mesmo tipo com algumas estrelas, e mais uma vez reprovado, o problema não está apenas nisso então, mais uma vez de volta ao provador.

FLUSH~~

— Muito...diferente.

— Sério?

Nem mesmo juntando peças diferentes não adiantou um pouco colorida um pouco preta e até mesmo uma meia-calça parece que ficarei aqui o dia inteiro.

Vai com calma tá legal? Não precisa seguir a risca aquelas revistas tá legal?

— O Senhor tem alguma sugestão?

— Eu não posso escolher por você por outras razões mas o seu estilo é você quem tem que decidi tente achar algo que você ache que combine com você e que seja mais a sua cara.

— Minha cara...

[...]

Demorou um pouco mas fiz uma outra seleção...espero que dessa vez dê certo eu entendo que algumas coisas tem que combinar mas eu não sou muito criativa.

FLUSH~~

Esteja certo, esteja certo, esteja certo...

— Agora sim, se me permite dizer ficou bem melhor.

— Até que enfim.

Demorou um tempo, mas finalmente achei algo um tanto...descente? Uma blusa longa e totalmente branca, as mangas lembram muito as das minhas roupas originais e uma calça com um tecido mais grosso do qual não sei o nome, perguntando para o Senhor Phillip ele me diz que é algo chamado "jeans".

Ele falou que eu não poderia sair andando por ai com o meu chapéu, então como maneira provisória enquanto ninguém estava olhando, o transformei em um cordão, eu preferia muito mais ele na sua forma original, mas como ele sempre fala esse tipo de coisa pode "chamar a atenção".

Ele disse que com o tempo eu teria que vir aqui com ele para conseguir mais roupas, aparentemente eles tem o costume de variar suas vestimentas, no meu caso eu sempre usava as do mesmo modelo desde sempre, a Terra tem uns costumes bem diferentes mesmo.

Agora que não há mais o que fazer por aqui estávamos voltando para o carro, ele disse que precisaríamos comprar outras coisas de necessidades básicas para mim.

— Que bom que achamos o que você precisava, agora pode sair por ai sem chamar a atenção dos outros.

— Que coisa boa, eu acho.

Ambos entravam no carro, a garota dessa vez se sentou na parte da frente.

— Ah, antes que eu me esqueça...talvez você também irá precisar disso durante os próximos dias...

Ele abriu um dos compartimentos da frente de seu "carro" e me entregou uma caixa, ao abrir ali tinha um par de óculos.

— Eu vou precisar mesmo?

— Experimente e veja.

— Ok...

Wow! Tudo está mais nítido agora, eu não havia comentado, mas eu enxergava quase tudo embaçado por aqui e a luz forte do sol e dos objetos iluminados faziam meus olhos doerem um pouco se olhasse por muito tempo, até era difícil de assistir Tv.

— Como o Senhor sabia que eu...

— Aconteceu o mesmo com Balt quando ele veio parar aqui, não lembro bem da explicação dele, mas vocês de outro mundo ficam com a visão bem ruim nos primeiros dias em que ficam aqui, bom, ele não confia muito nos médicos daqui então falei para ele que seria necessário que ele usasse óculos, então baseado nos meus, bem ele conseguiu fazer um par, ele os usou por um tempo até que sua visão melhorasse.

As suas lentes eram um tanto ovais, mas não eram totalmente transparentes como a do Senhor Phillip, mas eu consigo sentir um pouco da mana do Mestre Baltazar emanando por eles, não sei se está funcionando, mas acho que terei que usar isso por algum tempo.

[...]

No caminho ele me mostrou alguns outros lugares que ele diz ser de suma importância caso eu tenha que andar por aqui. Ele diz que há muitas dessas tal "lojas de conveniência" que podem salvar sua vida quando você mais precisar em algum momento de emergência.

Paramos em um mercado para comprar as coisas que estavam faltando: Escova de dentes, uma para cabelo, xampu, condicionador, sabonete, pasta de dente...e algumas outras coisas essenciais.

Não demoramos muito pois daqui a alguns minutos Senhor Phillip teria que voltar para o seu trabalho. Retornamos para casa para o almoço. Novamente na presença do Mestre Baltazar havia perguntado para ele o motivo dos óculos, ele disse que nós podemos sentir uma certa sensação de vertigem, dores de cabeça e nos ouvidos e até mesmo no caso dificuldade de enxergar, os óculos atuam com uma magia curativa fraca que com o tempo vão adaptando sua visão para a desse mundo, ele disse que esse procedimento deve ser demorado pois quando tentou tratar da sua visão com magia de cura diretamente, ele ficou um dia inteiro sem poder enxergar.

Senhor Phillip comeu conosco, mas por causa do tempo ele teve que retornar até sua confeitaria para da início ao seu trabalho.

Phillip como sempre é atencioso, acredite, se você tiver que esconder alguma coisa dele você não irá conseguir.

— Vou tomar nota disso...Mas...e agora?

— E agora...?

— Meu...treinamento? Com o Senhor? O principal motivo de eu estar aqui...?

— Ah, é mesmo...

Ele conjura um feitiço de portais e atravessa sua mão nele, ele retira alguns livros e os entrega para a garota.

— Primeiro, vamos exercitar sua mente, termine de ler esses livros, quando acabar podemos dar início e...

São livros de...magia intermediária e avançada? Ele não pode estar falando sério.

É...eu meio que já li esses livros.

— Olha garota não minta apenas para ter o seu treinamento.

— Tá legal, abra uma página qualquer desse livro que eu mostro pro Senhor.

O mais velho pega um dos livros e começa a folear.

— ...A transmutação é um dos princípios da alquimia e a manipulação da matéria para algo novo é uma das...

— ...suas características porém é necessária a compreensão da composição e o entendimento dos processos químicos e mágicos envolvidos na alquimia sem que nenhuma regra ou lei universal seja quebrada.

— Foi um belo chute, eles estão ensinando isso na Academia agora para as crianças.

A garota simplesmente aponta para os livros novamente.

— ... O mito e os mistérios da magia ainda não foram revelados, mas há várias teorias a respeito, mas todas levam a concluir...

— ...Levam a concluir que toda forma de vida baseada em carbono, racional e até mesmo irracional podem ser capazes de fazer magia de maneira direta e indireta,,todos os seres vivos são compostos de mana desde seu nascimento até sua morte e a dispersam de volta para a natureza similar a um processo natural como respirar.

— *pega outro livro e abre uma página aleatória* ...As salamandras de lava são um fenômeno raro da natureza ao mesmo tempo que são um dos seres mais mortais da natureza...

— ...mortais da natureza elas mesmas causam a extinção da sua espécie pois constantemente devem expelir o seu veneno mortal e mesmo que repitam toda vez esse ciclo, devido as suas condições naturais o tempo de vida dessas criaturas são curtos e não passam de 5 a 7 anos de vida.

— *pega o outro livro*...Aspirantes a Cavaleiros são aqueles que são dotados de força física muitas vezes de maneira natural, diferente dos magos e bruxas, porém o teste adotado para que esses mesmos entrem na Academia são mais rigorosos...

— Rigorosos exigindo além da aptidão física um preparo mental para suportar, constantes treinos para que seus corpos possam suportar o peso de uma dura rotina de um treinamento rígido além de terem que seguir a doutrina determinada por sua Academia e serem totalmente disciplinados para que compreendam as regras tanto dentro da própria academia quanto fora referente as leis que tem de seguir dependendo da cidade em que forem realocados.

— Bom...isso foi...

— Eu disse para você.

— Como faz isso? Com uma memória dessas deveria ser uma prodígio da sua Academia e não está perdendo tempo com alguém como eu.

— Ah isso? Não é nada de mais, eu apenas...leio e uma vez que eu faça isso eu nunca esqueço e também um nobre idiota da nossa Academia disse que eu não conseguiria memorizar um único livro em pouco tempo então...li a seção avançada inteira, e entre nós, é bem chata e repetitiva.

O homem apenas coloca os livros na mesa após ouvir aquelas palavras.

— Tá legal boazona, vamos ver se você é mais de fazer do que falar.

— Para onde vamos?

— Bom, se realmente eu terei que te treinar e não por escolha, pelo menos eu tenho que ver do que você é capaz. Se sente melhor?

— Sim Senhor.

— Então troque suas roupas que nós iremos sair.

Não sei para onde iremos mas nós finalmente teremos o nosso primeiro treino juntos, eu estou um pouco nervosa, afinal será junto com o grande Baltazar, eu me pergunto o que iremos fazer hoje.

Ele está pegando as chaves mas...

— A porta já não está destrancada.

— A que nós vamos passar, não está.

Ao abrir aquela mesma porta com uma chave diferente, ele a abre e ambos se deparam com um ambiente diferente.

— Mas o que?

— Vamos venha logo.

A garota atravessou a porta junto com seu mestre.

— Onde nós...estamos?

— Algum lugar bem longe da humanidade.

Estamos em um lugar totalmente isolado, uma planície com várias montanhas em volta, árvores, lago e grama por todo lugar.

— Mas porque estamos aqui.

— Bom, a muito tempo eu precisava de um lugar isolado para meditar e acalmar minha mente no meio desse mundo agitado, enquanto eu não me adaptava, e depois de uma busca de alguns meses eu finalmente encontrei, mas aqui, é um ótimo lugar para um treino nesse caso.

Mais uma vez conjurando um portal ele retira de dentro um bastão com algumas joias nele.

— Bom, acho que não precisamos voltar ao básico por várias razões, mas eu gostaria de ver o seu círculo mágico.

— Ok Senhor.

— Não vai pegar a sua varinha?

— Eu não preciso dela para isso.

Agitando suas duas mãos ela conjura um círculo mágico em cada uma delas e ao juntá-las um grande círculo de forma em sua frente.

— Hm...nada mal para alguém da sua idade, perfeito e sem nenhuma instabilidade são poucas bruxas que conseguem fazer isso sem auxílio da varinha. Quanto tempo consegue mantê-lo.

— Depende, o que vamos fazer agora?

Continuamos com a nossa sessão de treinamento, ele gostaria de rever algumas coisas comigo e ver do que sou capaz...

— Magia elemental...

— Tá, mas qual delas.

— Sei lá, faça aquela que você está mais familiarizada.

— Hm...Já sei.

Dessa vez com sua varinha em mãos ela coordena um feitiço em formato de uma esfera flamejante.

Senhor Baltazar conjurou alguns alvos mágicos para eu treinar minha mira então apenas uma demonstração rápida deve bastar...

Dois alvos estavam a sua frente em duas direções, Ela conjura duas esferas e as manda na direções dele, ao atingir não parece fazer efeito.

— Bem...

— Espere... *Estala os dedos*

Aquelas mesmas chamas se intensificam emanando um calor, porém depois de alguns segundos elas se congelaram repentinamente, em seguida elas se derretem e aquela água escaldada emana uma corrente elétrica que por sua vez destroem o alvo.

— E então?

— Exibidos não tem uma boa fama por esse mundo, mas não foi nada mal.

[...]

— Ainda se lembra como usar a levitação em objetos?

Olhando para sua varinha ela a transforma em uma vassoura, ela fica por cima dela com seus dois pés, em seguida ao se concentrar começa a flutuar um pouco em seguida ela avança para frente e acima fazendo algumas manobras mas mantendo o equilíbrio, ela fez isso por alguns minutos.

— E agora?

[...]

— Duplicação de objetos?

Ele queria saber se eu conseguia replicar objetos, é uma magia simples que cria temporariamente a cópia de algo, claro que dá para diferenciar qual é o verdadeiro ou o falso se você for algum profissional.

Claro.

Apontando para uma pedra ele queria que eu a duplicasse, não é lá o bicho de sete cabeças.

— Qual tamanho você deseja.

— *Suspira*...

[...]

— Ilusão básica?

— Hm...

Mexendo sua varinha ela se transforma a imagem perfeita de seu mentor.

— Mas não consigo manter por mais de 5 minutos...

[...]

A noite no mesmo dia...

O mais velho estava na cozinha de sua casa enquanto acendia um cigarro.

— Você está aborrecido com algo?

— Não...quer dizer, um pouco, essa garota não tem muito que eu possa mostrar pra ela.

— O que quer dizer com isso.

— Ela tem um certo domínio bom até de mais para a magia.

— Isso é bom não é? Não entendo muito o que quis dizer mas se ela já sabe muito bem sobre isso, seria menos trabalho para você não é?

— Você tem razão, mas me pergunto o que devo fazer com ela, ela passou o dia ocupada, e nosso treino não dura muito tempo, eu já tenho uma certa noção de sua personalidade, com o tempo ela pode acabar perdendo o interesse se continuar tendo as mesmas lições todos os dias.

— Bom, então é seu papel como mentor procurar uma maneira de inovar no seu treino, mas quanto a essa questão, eu tenho uma certa sugestão quanto a isso...

— ...

— ...

— Você acha realmente que será bom para ela?

— Quando se é jovem e com a idade dela é lá que algumas experiências de vida são adquiridas.

— Hm...Talvez você esteja certo...

Continua...?