Uma Brincadeira de Verão...
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Os raios de sol adentravam o quarto acertando em cheio a face do moreno que se moveu na cama notando que o outro não estava mais deitado.
– Carlos... – chamou com um tom de voz sonolento e dengoso
– Olha... nem precisei te acordar hoje. – o loiro adentrou o quarto com uma bandeja e um sorriso nos lábios – Bom dia.
– Runf! Bom dia...
– O que foi?
– Por que abriu a janela a essa hora da madrugada? – o mais novo olhou para o despertador sobre o criado mudo – Nove da matina... você só pode estar de sacanagem.
– Mas eu não abri a janela.
– Eu muito menos. Então foi minha mãe.
– Ela estava lá embaixo conversando comigo.
– Agora pronto... tem fantasmas na minha casa... – o jovem se levantou bufante e foi em direção ao banheiro
– Hum... – o loiro colocou a bandeja sobre a cama e foi até a janela que estava aberta – Ele abriu e não se lembra...
– Eu não estou ficando louco. – André voltou ao quarto
– Eu não disse que estava.
– Pareceu.
– Ok... você é louco, mas não por isso.
– Quê?
– Nada, vá comer.
– Estou sem fome.
– Come.
– Mas eu...
– André, come logo isso antes que eu enfie no teu... Nariz.
– Oh my God! Carlos Almeida Cunha quase xingou! – o moço se sentou e começou a comer
– Lógico que não. Eu não xingo. – o outro sentou de frente para si
– Mas foi quase.
– Quase.
– Runf! O quase é que me mata.
– Besta...
– Na nossa primeira vez eu aposto que você xinga.
– Q-q-que? – o loiro ficou rubro como um tomate e se desequilibrou, caindo da cama.
– A-ah... Eu... Er... Esquece que eu disse isso. – o outro tentou conter a risada e começou a comer.
– Tá bom... – o mais velho se ergueu – Muito obrigada pela ajuda...
–Por nada. – retrucou irônico
– Quando você terminar de comer, nós iremos dar uma volta.
– Está bem.
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Alguns minutos se passaram, os dois garotos já andavam pela calçada indo até o bosque que ficava – praticamente – ao lado da moradia do mesmo.
– Cara... eu detesto os hormônios.
– Eu também cara, muito.
– Eles fazem meu corpo reagir mal a certas coisas, daí eu sou garoto... não dá pra disfarçar...
– É... bem chato isso... – o loirinho olhou para o nada e depois encarou o amigo – Sério que a gente tá tendo essa conversa?
– Uai... é.
– É muita falta de assunto.
– Nisso eu tenho que concordar.
– Bom... aqui estamos nós. – o mais velho olhou para aquelas enormes árvores
– Há quanto tempo eu não venho aqui...
– Vão fazer dez anos em dois dias.
O moreno correu, o loiro o seguiu. Este parou à frente de uma árvore e começou a passar o dedo pelas letrinhas malfeitas de criança.
– Eu não creio...
– Você se lembra disso?
– Sim, nós escrevemos “Amigos Para Sempre: Ana, André e Carlos.“ na maior árvore que tinha aqui.
– É um milagre que nunca tenham derrubado ela.
– Esse bosque é protegido.
– Não sabia...
– O que você queria vir fazer aqui?
– Vamos até o lugar onde a gente brincou aquele dia.
– Mas por quê? Não vai ter nada de mais lá.
– Não é o que há lá, mas sim o que havia.
– Está bem... se você diz. – o loiro concordou com o colega, mesmo sem fazer a mínima ideia do que ele havia dito há pouco.
Os dois se dirigiram ao local a passos lentos, a memoria daquela tarde havia voltado com toda a força que poderia ter.
– Hey! Cuidado! – a voz da garotinha foi ouvida num grito furioso – Você quase pisou na Serafina!
– Eu? Nem cheguei perto desse sabugo de milho! – o moreninho respondeu convencido.
– Não chama a Serafina de Sabugo de milho, seu espantalho!
– Não me chama de espantalho! Sua chatonilda!
– Runf! Vocês dois já começaram de novo? – o loirinho apareceu atrás de ambos, assustando-os.
– Você quer me matar de infarto do coração? – o garoto mais novo levou a mão ao peito fazendo drama
– Carlos! Não faz isso! A Serafina quase borrou as calças!
– Diculpa’, mas eu não quelia’ mais vocês bigando’.
– Foi ela que começou!
– Foi ele que começou! – os dois disseram quase em uni solo
– Tanto faz... vamos brincar com as bolinhas do meu pai.
– Eu primeiro! – o “casalzinho” disse novamente junto
– Sabe, André... nunca entendi direito o motivo de vocês brigarem tanto. – o loiro observou o moreno que estava estático olhando para o lugar exato onde brincavam antes
– Bom... era nosso jeito de dizer que gostávamos um do outro.
– Não podiam só se abraçar?
– Eu sempre pensei nisso... se soubesse do que ia acontecer, teria brigado menos com ela, teria sido mais gentil... mas agora é tarde. – o rapaz apertou os punhos com força – ela já se foi, nada que eu fizer agora vai mudar o que fiz no passado.
– Hey... calma. Não fica assim. – o loiro o abraçou protetoramente por trás
– Você é sempre tão gentil e carinhoso com todos, como consegue?
– Eu não sei... é meu jeito de ser.
– Carlos! André! Cadê vocês? – uma voz feminina e infantil chamou a atenção dos dois
– Você... – o moreno começou a falar
– Sim, eu também ouvi.
– Meninos, vocês são péssimos em siconde-esconde.
– Essa é a voz da Ana.
– Mas como...?
– Ana! Ana! Cadê você?! — mais novo começou a caminhar
– Eu estou aqui! – a mocinha apareceu, vestida com o mesmo traje vermelho daquele dia
– Isso é impossível. – foi a única coisa que o mais velho conseguiu pronunciar
– Venham me pegar! – a garotinha de cabelos compridos começou a correr e os dois jovens a seguiram
– Hey! Volte aqui!
– Me peguem! – a garotinha ria divertida
– Oi? Volta aqui, Ana! – o loiro tropeçou em uma pedra, mas continuou correndo
– Hihi!
A garota parou quando chegou ao fim do bosque, lá havia uma represa e uma enorme queda até chegar na mesma. A mocinha olhou para baixo e virou-se para os amigos em seguida.
– Nossa... vocês cresceram muito.
– Ana... o que aconteceu com você? – André colocou as mãos sobre os joelhos e tentava recuperar o fôlego
– Ah... – quando a garota abriu a boca, os outros dois ouviram um barulho atrás de si e ao olharem viram um homem, este estava com uma calça jeans meio rasgada, uma blusa xadrez e uma maleta embaixo do braço esquerdo.
– Quem é... – a fala de Carlos foi interrompida por um grito, ao olharem novamente para a amiguinha, essa havia desaparecido. Assim como o homem que também sumiu como se fosse pó – Mas o que foi que aconteceu aqui?
– Eu não sei...
– Vamos, tenho que ir para casa...
– Tá bem... vamos.
Os dois garotos caminharam em silencio até a casa do mais novo, lá Carlos arrumou suas coisas e viu o amado arrumar uma mochila, mas nem o questionou.
– Tchau tia Cácia. – o loiro se despediu
– Mas você já vai?
– Ele já vai sim, mãe. E eu vou passar a noite na casa dele, ok?
– Tá bom meu filho, vá com Deus. Tenham uma boa noite.
– Usem camisinha! – gritou o senhor Humberto, pai do moreno, da cozinha.
– Beto! – a mulher disse num tom de repreensão.
– Ok... já vamos. – o mais novo puxou o amigo pelo braço e os dois foram caminhando – Sabe, eu sinto falta de você morando do lado da minha casa...
– Eu também. Era legal ser seu vizinho.
– Mas veja pelo lado bom... – os dois pararam à frente do portão da casa branca que ficava na esquina – Você não se mudou pra muito longe.
– É, pelo menos isso. – o loiro abriu o portao com uma chave que estava em seu bolso – Mãe, cheguei!
– Oi meu filho... – a mulher de cabelos loiros, olhos verdes e aparencia de uma jovem de 25 anos surgiu e beijou o loirinho – Durmiu bem? Comeu direito? Se comportou?
– Sim mamãe...
– Hum... Ah! Oi andré. Tudo bem?
– Tudo sim e com a senhora?
– Estou muito bem.
– Mãe... o André vai dormir aqui hoje, tá?
– Tudo bem. Vou preparar o jantar para vocês.
– Agradeço.
Os dois caminharam novamente até chegarem ao quarto do mais velho, os mesmos banharam-se e ficaram em silencio olhando para o teto, onde haviam estrelas grudadas ao lado de uma foto dos três no chão brincando com as bolinhas de gude.
– Eu ainda não acredito no que aconteceu... – o moreno quebrou o gelo
– Eu muito menos. Eu vi, mas não acredito que ela estava lá.
– Eu acho que estou ficando louco.
– Se você estiver, eu também estou.
– Você ainda quer saber o que aconteceu?
– Sim. E você?
– Agora eu quero... mais que tudo.
Continua...
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