Uma Brincadeira de Verão...
1 Capítulo 1
Notas iniciais
- Hey! Você está roubando, Andé! – a garotinha morena disse com uma cara de irritada
- Eu? Tô roubano nada, estou vencendo de forma justa! – o garotinho rebateu
- Mentiloso!
- Chata!
- Gente! Para... mas que coisa... vamo bincar de outra coisa e plonto. – o loirinho disse já com as bochechas coradas de irritação.
- Vamo bincar de siconde-esconde! – a menina se levantou do chão, onde os três brincavam com bolinhas de gude – Eu me escondo, vocês contam até xem e vão me plucular!
- Tá! – os dois garotinhos começaram a contar em unissolo enquanto a menina procurava um bom esconderijo.
- Noventa e nove...
- Xem!
- Plonta ou não, lá vai nós!
Os dois amigos começaram a procurar, procuraram pela menina por longos minutos até que se cansaram de procurar, o loirinho suspirou e gritou alto:
- Pode sair Aninha, nós desistimos!
Esperaram um pouco, não obtiveram resposta. Começaram a chamá-la desesperadamente, já preocupados. Nenhum sinal da mocinha aparecer.
- Ana, aparece... isso não tem glaça! – o moreninho gritou aborrecido
- André, eu acho que tem alguma coisa elada aqui...
- Ela... será que ela se perdeu?
- Deve ter sido... Vamo chamar o tio Cláudio e a tia Marilia.
- Unhum... – o outro acenou positivamente com a cabeça e os dois foram à procura dos pais da moreninha.
Os adultos ajudaram na busca, mas nem um sinal da pequena, esperaram por mais umas horas, caso ela aparecesse, mas nada. A policia buscou em todo o lugar e a garotinha de olhos verdes e cabelos negros nunca havia sido encontrada, nem viva, nem morta...
Dez anos depois...
- Eu não acredito! – o loiro abriu a porta do quarto que ainda estava mergulhado na penumbra
- Hum... – o moreninho se moveu na cama
- Levanta daí André! – o mesmo loiro foi até a janela e a abriu fazendo com que os raios solares invadissem o recinto.
- Porra Carlos! Fecha isso daí... eu tô de férias, posso dormir até a hora que eu quiser. – o mais novo colocou o edredom sobre a face
- Sim, você está de férias, mas não vai dar atenção pro seu velho amigo?
- Quando eu acordar te darei atenção.
- De boa, o Heitor pode ficar comigo até lá. – o mais velho voltou-se para a porta, mas notou que o moreno bloqueava seu caminho
- Já levantei...
- Bem melhor.
- Qual é, Carlinhos.. não vai me dar nem um “bom dia” descente?
- Ah... desculpe-me. Bom dia Senhor André de Souza Lira.
- Não estava falando disso seu besta.
- E do que falava?
- Disso aqui ó... – o mais novo puxou o rosto do melhor amigo e lhe deu um beijo rápido
- Logo de manhã? Vou falar pra sua mãe que você está me tarando.
- Você me provocou, não tem direito algum.
- Sabe uma coisa que eu não entendo?
- Hum... não, o que?
- O motivo de você detestar o Heitor.
- Não é obvio?
- Não, não é.
- Ele fica te secando... simples assim.
- Ele não me “seca”, é só impressão sua...
- Não, não é... ele te olha com desejo, não gosto disso...
- Ora, ora... não vai me dizer que você: André, O Grande, está com ciúmes de mim.
- Eu? Com ciúmes? Tsc... que isso? É de comer?
- Bobinho... vai lá tomar um banho e vamos tomar café.
- Vem comigo?
- C-como?
- Brincadeira bobo... eu sei que tem vergonha.
- Já você não tem um pingo.
- Vai desengatar na ofensa?
- Não. – o loiro se sentou na cama
- Vai lá que eu te espero.
Alguns rápidos minutos se passaram, os dois garotos tomaram café e foram para a cidade, queriam jogar o novo jogo que tinha sido lançado na semana anterior.
- Bom dia, em que posso ajudá-los? – a simpática – e ruiva – atendente perguntou
- Sim, sim... pode nos dizer se ainda tem Ghost World pra Xbox? (N/A: Esse nome fui eu quem inventou, mas se existir um jogo com esse nome... foi uma P*** coincidência)
- Temos só mais um aqui. – a garota pôs o jogo sobre o balcão
- Muito obrigado. – os jovens pagaram pelo produto e voltaram, praticamente, correndo para casa.
- Cara, tô louco para jogar esse jogo... – Carlos se jogou numa das grandes almofadas que estavam à frente do aparelho.
- Eu também, tem tempo que não lançam algo do tipo.
- Me dá a capa ae...
- Toma. – André se sentou ao lado do “namorado” e lhe entregou o objeto de plástico
- Hum... embarque nessa nova aventura onde a realidade se confunde, o passado e o presente se unem e onde os espíritos são seus únicos guias e podem te ajudar a chegar até o portal da outra dimensão para que resgate a princesa Zafrina, que foi feita refém de Lord Dark.
- Será que iremos conseguir salvar a princesa Zafrina? – André imitou a voz de um duque
- Teremos que conseguir, todo o reino corre perigo.
Os dois ligaram o jogo, preparam os dedos e jogaram. Jogaram durante toda a tarde, a mae do mais novo, Cácia, até levou o lanche dos mesmos no quarto. Logo a lua se fazia presente no escuro céu, ao olhar para o relógio, o loiro se levantou num pulo e começou a calçar seus tênis.
- O que foi?
- Cara, já são quase oito horas... se eu me atrasar para o jantar minha mãe me mata.
- Deixa que eu ligo pra ela... – o moreno pegou seu telefone celular e discou o numero da casa do amigo
- Alô? – a voz da mulher soou baixa
- É o André... Tia, a senhora deixa o Carlos dormir aqui em casa hoje?
- Ah André...
- Por favor tia!
- Ele nem levou roupa, escova de dentes, ou...
- Tia, minhas roupas cabem nele, escova de dentes? Aqui tem uma que ele deixou da ultima vez e permaneceu intocável.
- Está bem... ele pode dormir aí se sua mãe deixar.
- Ela deixa sim.
- Bom... vocês não vão aprontar de noite, certo?
- Lógico que não, tia.
- Melhor mesmo, sou muito jovem para ser avó. Juízo e me devolva ele no final da tarde
- Está certo... Boa noite.
- E então?
- Ela deixou você dormir aqui, disse que é pra não aprontarmos pois ela é jovem para ser avó e é pra você voltar no fim da tarde.
Os dois garotos jogaram mais um pouco, jantaram, tomaram banho e deitaram-se na cama do moreno, de frente para o outro.
- André... você sabe que dia é domingo..?
- Como não saber... foi o dia em que tudo aconteceu.
- É, nós teremos que ir visitar a casa dela.
- Eu achei uma baita falta de respeito o que os pais dela fizeram com ela.
- Também achei muito nada a ver eles se mudarem da casa após a morte da filha.
- Faz dez anos, não é?
- Sim, dez anos...
- Imagine se ela estivesse viva, o que não faria para que a gente namorasse...
- Ela estaria muito linda também.
- Com toda a certeza... Carlos... você não se pergunta o que aconteceu com ela?
- Claro que sim.
- Eu me sinto inútil por ser tão pequeno... por não ter feito porra nenhuma.
- Não foi culpa de nenhum de nós...
- Carlos... eu quero voltar praquele bosque.
- Por que isso agora?
- Eu acho que... podemos pelo menos tentar honrar a alma da Ana...
- Amanhã, eu prometo que nós faremos o possível.
Os dois voltaram seus olhares para a fotografia em cima da cômoda, estavam os três sorridentes e de mãos dadas com um brilho completamente inocente no olhar.
Continua...
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