Eu acordei me sentindo um lixo.Meus olhos estavam inchados,eu estava inchada,estava com sono,estava morrendo de fome,estava com frio.Foi quando eu me toquei que não estava em casa e sim no chão de uma casa que eu conhecia muito bem.Do Rodrigo.Eu estava deitando no chão,no meio do tapete que segundo ele era da mãe dele.Estava eu lá e quando eu fui perceber já estava de pé indo embora até que uma pessoa me chamou:

– Abigail. – Era ele.Eu me virei devagar e vi que ele estava com sangue na mão e uma faca.No mesmo instante fiquei com medo e comecei a andar bem devagar para a porta.

– Sim. – Nesse momento eu fiz uma cara de assustada e no mesmo instante ele percebeu que eu estava assustado com a faca e com o sangue.

– Calma.Isso é só a carne que estou cortando.

– É.Sabe o que é?Tenho que ir.

– Não fica mais um pouco. – Assim que ele disse isso,fez uma carinha que ele sempre fazia quando eu precisava ir embora.

– Não posso.

– Por favorrrrr. – Quando ele puxava aquele or eu ficava hipnotizada,mas dessa vez eu não poderia cometer o mesmo erro e ficar.Eu teria que ir.

– Não!Eu tenho que ir.

– Abigail.

– Desculpe.Depois conversamos.

Eu disse isso e corri para a porta,a ela e comecei a sair.Para a minha sorte mais uma vez o apartamento dele era no ultimo andar.Aquilo me dava calafrios mas continuei.Logo que eu estava no final do corredor para pegar o elevador,o Rodrigo vem correndo e me segura.

– Abigail,se eu estou dizendo que precisamos conversar você só concorda entendeu? – Ele disse isso com um olhar de muita raiva.

– Exatamente,precisamos conversar,mas não agora! – Eu disse isso com intenção de falar um pouco mai alto que ele,mas saiu muito mais alto.

– Não fale alto.Os vizinhos reclamam.

– Ta bom,agora me deixa ir.

– Não!

– Sim.Adeus Rodrigo.

– Eu não vou deixar você ir em lugar nenhum Abigail.

– Vai sim.Eu sou livre.

– Realmente você é livre,mas estou te pedindo por favor fique e deixe eu te explicar oque a Daniely lhe contou.

– Não! Eu já descobri o suficiente por um dia.Já descobri oque eu já sabia,você não passa de um garoto imatura que faz meninas se apaixonarem por você e depois fazem elas sofrerem.

– Não é nada disso.Eu não tenho culpa de vocês mulheres se apaixonarem por mim.Eu sou somente eu mesmo,do mesmo modo que você é com as suas amigas,do mesmo modo que você foi comigo.Eu te conheço muito bem,e dizer tudo isso para mim sem nem pensar não é você.

– Você não me conhece nada.Ninguém conhece,você sabe oque eu permito que você saiba.

– Vai por mim,eu sei mais do que você imagina que eu saiba.

– Olha eu tenho mais oque fazer.Me de licença! – Dizendo isso eu sai,nem esperei o elevador desci pelas escadas de emergência,não queria ninguém me seguindo.

No momento em que eu abri a porta para as escadas minha mãe apareceu na minha frente:

– Minha filha,onde você estava?Esse era o ultimo lugar que eu queria te encontrar!

– Eu acordei aqui e nem sei como.Esse era o ultimo lugar que eu queria amanhecer.Vamos embora.

– Claro que vamos.

Dizendo isso ela saiu me puxando para baixo correndo,quase cai descendo as escadas naquela velocidade,mas depois de um 20 minutos descendo aquilo tudo,chegamos ao saguão.Eu logo vi dois policiais na minha frente me perguntando se eu estava bem.

Eu já não estava entendo mais nada.Como assim policia?Eu tinha dormido lá e não me lembrava?Aquilo era muito estranho até que eu vi uma menino que eu conhecia a 50Km de distancia,o Leo.Logo que eu o vi sai correndo em sua direção,nem mesmo tinha pretendido em cumprimentá-lo só ia perguntar oque estava acontecendo mas ele me abraçou muito forte e ficamos assim por um tempo.

– Abi nunca mais faz isso ta? – Ele disse isso ainda abraçado comigo,e parecia que me apertava cada vez mais.

– Mas oque eu fiz? – Eu disse sem entender direito oque ele estava dizendo.

– Você sumiu ontem da festa,veio aqui.Passou a noite.Deixou todos preocupados. – Quando ele terminou essa frase,o nosso abraço se perdeu em nossos olhares um para o outro.Ele me olhava com uma cara de preocupação e ao mesmo tempo me olhava com uma cara de alivio,e eu olhava com cara de ponto de interrogação.Eu não estava me lembrando de nada da noite passada.

– Mas Leo,oque aconteceu?Eu não sei.Não me lembro de nada,só me lembro de ter vindo aqui tirar satisfação com o Rodrigo,e só.

– Espera só um minuto que eu te respondo.Não eu não,ele.

Ele disse isso e apontou para um policial que estava vindo em nossa direção e começou a dizer:

– Menina,você teve muita sorte sabia?

– Sorte?Do que você esta falando?

– Estou falando que você namorou um dos homens mais procurados de todo o estado de São Paulo.

– Como assim?Você está falando do Rodrigo.

– Sim ele mesmo,só não entendo porque ele não a matou como fez com as outras.

– Você pode me explicar a historia toda?Porque eu não estou entendo nada.

– Rodrigo Fernandes não existe,nem Laura Fernandes ,que eu saiba ele diz que é a mãe dele.Na verdade ela existe mas não é mãe dele.

– Continue – Disse o Leo entrando no meio da conversa.

– Esse rapaz não tem dezessete aninhos como você acha que le tem.Muito pelo contraria ele tem vinte e três anos e por causa dessa aparência jovial se faz de adolescente por todo o pais.

– Você está me dizendo que o meu ex-namorado é um doido e falsificador?

– Isso mesmo,e não é só isso não.A cinco anos atrás ele matou um adolescente exatamente quando tinha dezessete anos,e desde então vem fazendo isso co todas elas.A menina que você viu na festa vamos dizer assim que ela entrou de penetra.Ela é cúmplice dele.Ajuda a matar jovens de dezesseis anos.

– A Daniely?

– Na verdade Daniela.Sim ela mesma.Eu só não consigo entender porque ele não te matou.

– Me matar?

– Sim.Toda essa historia que você viveu com ele,vamos dizer assim romance de cinema,ele já viveu vários na vida dele,só que no final em vez deles se separarem e depois se encontrarem,ele mata a menina e finge que não viveu nada disso.

– Mas se ele faz sempre isso,algum motivo muito bom ele teve para não fazer isso comigo.

– Exatamente ele fez isso por... – Nesse momento ele foi interrompido pelos gritos de uma voz que eu conhecia,a do “Rodrigo”.

– Me deixem falar com ele.Por favor.Eu tenho que esclarecer uma coisa.

– Cala a boca moleque. – Disse um dos policiais que estava levando ele para dentro do carro de policia.

– Por favor. – Ele disse meio que chorando.

Nesse momento ele abaixou a cabeça e começou a olhar para os lados,depois de poucos minutos ele me achou.Eu não estava muito longe.Nesse momento que ele me viu,ele golpeou um dos policiais e ele caiu no chão.No outro ele fez um golpe que eu havia ensinado,um de sacrifício do judô.Nesse momento ele veio correndo em minha direção,eu fiquei paralisada.Ele chegou bem perto de mim,havia varias pessoas gritando em minha volta mais eu não escutava,eu só estava ouvindo ele.Ele chegou com os lábios ao lado do meu ouvido e disse:

– Abi,provavelmente você já ouviu tudo oque eu fiz com todas as meninas que eu conheci e que gostaram de mim.Mas nenhuma eu gostei como eu gostei de você,na verdade eu te amo e vou continuar amando.

Dizendo isso ele me deu um leve beijo nos lábios,virou as costas e começou a andar.Todos estavam desesperados atrás dele.Eu continuava paralisada ali,apenas pensando no que ele havia acabado de contar e fiquei pensando se seria verdade.Nesse momento eu sai do transe e o foco dos meus olhos se voltaram para ele.Ele havia chegado a porta da viatura de policia e estava entrando.Nem ligava para as ameaças que os policiais estavam fazendo,como por exemplo “se você se mover nós atiramos”.Ele nem ligava,apenas entrou dentro do carro fechou a porta e ficou lá.Sem mais nem menos.