Notas iniciais
Desculpa a demora, eu destronquei o dedo e não pude escrever, além de estar super tenso pra uma prova mega importante, mas então tá ai o segundo capítulo, se divirtam.

Noah Allen

Meus cabelos ruivos presos frouxamente por uma tira de couro, voavam limitadamente com a leve brisa do mar, pelas narinas e entrava o doce cheiro da maresia, que já era como um aviso de que seja onde eu estivesse eu teria pelo menos um pedaço de casa comigo, sentia a areia da praia entrar no meio dos meus dedos fazendo cócegas, enquanto o vento trazia grandes gotas de água que deixavam minha pele levemente melada.

O sol de fim de tarde fazia com que minha pele, que possuía aquela leve mistura de suor e água do mar, brilhar timidamente quase em harmonia com a vivacidade dos meus olhos castanhos os quais eram levemente amendoados, que em conjunto com a boca em perfeito formato de gaivota me davam um ar juvenil.

Tal ar que deveria ter sido retirado após nove anos de trabalho na manutenção num velho farol, mas que ironicamente, isso só havia acentuado meu sorriso de moleque, dado a mim um bronzeado continuo(e impossível de ser tirado mesmo com anos de isolamento na Sibéria) deixado meus cabelos ondulados ainda mais revoltos e altos.

Eu ouvia as gaivotas grasnando, enquanto brigavam por peixes ou melhores ninhos, via os pescadores sem dentes a sorrir ao ver as redes com tantas anchovas que ninguém ousava pegar para contar, ou mesmo se gabando de enormes atuns. Alguns até contavam histórias divertidas sobre peixes que engoliam embarcações inteiras, sempre terminando as histórias com a frase "E foi assim que eu perdi essa(e) perna/braço/olho".

Eu ria baixinho quando ouvia as expressões de medo e espanto das crianças que vinham para ver o espetáculo a parte que eram aquelas adoráveis figuras, pequenos de uns cinco sete anos, se amontoavam perto das canoas, os olhos de todos brilhavam como um milhão de estrelas cadentes ao ouvir tais fantasias sobre a vida marinha.

A inocência infantil era algo tão perfeito,o jeito como fugiam dos pais e corriam para o porto, próximo daqueles que sempre haviam ouvido serem sequestradores e estupradores, pois não acreditavam que os bons velhinhos das histórias seriam capazes de fazer qualquer coisa de mal com eles (e realmente não eram, já que como qualquer outro que vive uma paixão não precisa de ferir ninguém para descontar de seu desprazer).

O céu começou a escurecer subitamente, as luzes dos relâmpagos faziam com que as crianças corressem o mais rápido o possível pra casa(de preferência aos gritos se fossem as mais novas), fazendo com que muitos dos pescadores xingassem todos os deuses possíveis a puxar as redes que iriam se despedaçar se continuassem ali.

O que vinha não parecia uma tempestade, no máximo uma chuva de verão mais pesada, daquelas cuja principal função é refrescar um pouco o tempo que é tão quente que poucas eram as pessoas que tinham a coragem de ficar dentro de uma maldita casa de pedra o dia inteiro.O vento foi aumentando gradualmente fazendo com que minha tira de couro voasse pra longe sequer havia percebido.

O som reconfortante dos trovões era cada vez mais alto, e o céu era completamente rasgado pelos raios brancos no céu, eu me despi da camisa e a enfiei em meio ás tábuas soltas do porto para que pudesse achar ela mais tarde, agora com o cabelo completamente entregue aos ventos e o peito nu esperei até que as pesadas nuvens começassem a chorar.

As gotas finas como agulhas batiam levem sobre o meu corpo, fazendo com que todas as energias ruins estagnadas se esvaíssem rapidamente. Tendo certeza que nesse momento a praia estava completamente deserta, levei as mãos até o short de linho branco e o retirei de uma só vez.

Finalmente nu, deixava com que as lágrimas da própria natureza lavassem minha alma, naquele ritual que realizava desde os quatro anos, sentia a água gélida lamber meu corpo de um modo quase pecaminoso, entrando quase em transe comecei os movimentos de acordo com o ritmo enquete as gotas de chuva caíam no meu corpo.

Um sorriso infantil brotou no meu rosto.

Edward Snitch

Com um sorriso infantil no meu rosto acordei dentro do boxe, a água gelada vinda do chuveiro que havia desarmado durante a noite lambia meu corpo, e de algum modo eu conhecia aquela sensação, eu gemia enquanto os pingos de água se deliciavam no meu corpo nu, e eu com movimentos a muito conhecidos acompanhava seu ritmo de modo quase sexual.

O corpo pedia mais, cada nervo se sentia atiçado, enquanto na mente dançavam figuras de uma praia vazia com um farol abandonado ao fundo, ouvia o gritos de crianças, o barulho de gaivotas, o cheiro forte de anchovas, e ouvia vozes velhas e reconfortantes enquanto um corpo que era e não era meu bailava pela areia e por tábuas podres.

Acordei do transe. Algo me puxou pra realidade: pros buracos de cupim, pro café frio, pro sweater encharcado de suor, pras malditas begônias da vizinha, pro irmão pseudodepressivo ouvindo punk-rock internacional ruim. Estava acontecendo novamente precisava das pílulas, de preferência agora.

Notas finais
Sim é completamente bizarro esse final me desculpem, espero vocês semana que vem se der, porque um milhão de coisas pra fazer não se fazem sozinhas.