Um segredo obscuro - Dramione
6 Capítulo 6
Não era como se desejasse estar ali. Mas, estava. De fato, estava muito longe da sua zona de conforto. Se esgueirando, para não ver ninguém conhecido, como seus pais por exemplo. Eles deveriam, claro, saber que ela estava lá. Contudo, não tentaram qualquer contato com ela. Não que ela desejasse falar com eles. Não. De fato, ela não desejava conversar com eles. Nem revisitar o passado e se lembrar o quanto era negligente. Sorriu amargamente, olhando para o diário em suas mãos.
Estava na pensão. Havia voltado de uma caminhada, quando recebeu uma ligação de Molly, sobre ela ter encontrado alguns pertences de Fred. Enquanto conversavam, Hermione descobriu seus cadernos, no quarto dele. Explorou cada cômodo, com curiosidade e com os olhos marejados. Os posters de banda pendurados na parede. Na estante várias troféus de campeonatos de futebol que ele participou na escola e pelo Estados Unidos. Foi então que percebeu, na estante dos poucos livros que ele guardava um caderno de couro. Ela o levou consigo, sem que Molly percebesse.
Abriu o caderno, com as mãos tremulas, sobre a cama de casal. Não sabia se deveria ou não ler algo tão íntimo. Mas, Fred falava um pouco sobre si. Quando ele não precisava de dinheiro, ele simplesmente não entrava em contato com ela. O que a impossibilitava se saber o que se passava em sua cabeça. Sempre teve grande curiosidade para saber o que ele de fato pensava. Abriu na primeira página do caderno, vendo sua escrita tremula. Parecia estar com raiva de alguma coisa.
"Eu não consigo entender porque...as coisas simplesmente não dão certo"
Frustração, era o que aquela linha tremula demonstrava. Com certeza, fora escrito depois que tivera uma lesão no joelho. Ele não era o mesmo depois disso. Continuou a folhar o caderno, observando alguns desenhos feitos a caneta. Coisas bobas e sem um sentido. Rabiscos de palavras, sem nexo. Mas, ela parou em uma página, onde havia coerência em sua escrita, prendendo sua atenção.
"Quando Harry disse que se casaria com Gina, não levei a sério. Na verdade, eu disse a ela que ele não estava apto a ser seu esposo, afinal, ele não parecia bom o suficiente. Eu espero que Gina não se sinta mal por minha sinceridade. Eu não acho que ela mereça alguém tão ruim. Harry nunca demonstrou gostar dela. Eu o vi com Cho Chang no colégio e a forma como ele a seguia demonstrava o quanto ele estava de quatro por ela. Quando ela terminou com ele, ano passado, Gina de repente, estava com Harry. O que me faz pensar se ele não está a usando como algum tipo de estepe.
Isso me deixa louco!!! Ninguém pode brincar com minha irmã, muito menos com a minha família"
E era somente isso. Hermione folheou as outras páginas, procurando mais dos seus pensamentos, fragmentos da sua personalidade. Não havia nada. Aquela história ela já conhecia. Quando Fred ligou para ela, para saber o que ela achava de tudo aqui, há cinco anos, Hermione disse que parecia algo ótimo. Conseguia se lembrar da conversa entre eles. Algo entre amistosa e repleta de hiatos. Fred parecia descontente. Algo o incomodava. Mas, Hermione nunca deu grande atenção a isso.
Guardou o caderno na sua bolsa de viagem, pensativa. Não havia menção dos amigos que Fred tinha, em seu caderno. Molly não estava bem para ser interrogada. Lhe restava apenas Roy. Com isso em mente, seguiu até o bar Lower's. Não sabia se ele estava trabalhando naquele horário. O bar abria por volta de meio dia, para servir almoços e ficava até as duas horas da tarde em funcionamento. Quando saiu, o dia estava cinzento. O calor não estava mais presente na cidade. Parecia que toda sua vida havia sido sugada. Mal viu moradores andando pelas ruas. Quando chegou ao bar, notou que Parkinson estava lá, servindo porções de hamburguer e batata fritas. Havia outra pessoa no balcão. Um rapaz franzino e magrelo, de cabelos loiros. Ele parecia ansioso, servindo as bebidas a dois clientes que estavam no balcão, sentados nas banquetas altas.
— Ei — ela tentou chamar a atenção do rapaz.
Ele se virou para ela. Seu olhar demonstrava ansiedade. Segurava uma caneca de cerveja vazia.
— Si...im? — gaguejou.
— Você viu o Roy? Ele trabalha a noite — Hermione perguntou, olhando para a camisa do garoto. Havia um crachá com seu nome. Creevey.
— Não...ele...só vem a noite — Creevey respondeu, se afastando.
— Espera — pediu ela, ansiosa por conseguir o que viera buscar — Você sabe onde ele mora?
Creevey a fitou, por um momento, um tanto surpreso pela pergunta. Sua testa estava franzida, como se relutasse em responder àquela pergunta.
— Na rua Downey, moça. Última casa. Uma rua sem saída — respondeu, finalmente.
Hermione anuiu com a cabeça, satisfeita, deixando uma nota sobre a bancada e saiu. Creevey tentou chamá-la, mas ela o ignorou. Passou rente com Parkinson, que a fulminou, mas não tinha tempo para velhas rixas.
Voltou para a pensão, pegando seu carro estacionado na rua. O carro continuava igual, com a lataria amassada e o vidro rachado. Suspirou. Quando o devolvesse, teria que pagar um bom dinheiro pelo conserto. Entrou no carro, pesquisando no celular a rua Downey. O caminho que precisava percorrer eram cinco quilômetros.
Apenas seguiu para lá, esperando encontrar algumas respostas.
**
Eu nunca pensei muito sobre o que deveria ser. Eu apenas era. Eu simplesmente vivia as situações, sem pensar muito sobre elas. E como sempre, eu tinha alguém para me dizer que eu deveria pensar antes de fazer as coisas. Familiares, amigos, vizinhos, todos eles com olhares julgadores, como se entendessem muito bem sobre a vida. Como um bom filho, sempre fiz o que era necessário. Mas, às vezes, não é tão fácil assim. Às vezes, eu preferia sumir e não olhar para trás. Porém, não fiz isso. Eu continuei a andar, ou como já ouvi ela dizer, que eu seguia por um caminho nada promissor. Não que eu me importasse com a opinião dela. Nunca me importei.
O que ela não consegue entender é que eu não consigo apagar certas coisas. Meus atos não foram os melhores em vida. Então, prefiro esquecer. Apenas esquecer quem eu sou, ou quem eu amo. Porque quem eu amo, eu sempre destruo. Sempre acabo fazendo o que é errado. E a culpa me corrói por dentro, como ácido de bateria. Não importa mais. Eu apenas me tranquei nessa casa e não vou sair, mesmo que meus amigos tentem entrar, eu não vou deixar.
Apenas respiro, pois é somente isso que consigo fazer agora.
**
Hermione estacionou o carro ao lado de uma casa de três andares, muito bonita, com telhado em V. Gostou da cor da casa, em tom terroso e da varanda, com um balanço de madeira, para três pessoas ocuparem. O jardim estava muito bem cuidado. Ao longe poderia se ter a visão das montanhas escuras, cobertas pelas nuvens. O vento soprava, bagunçando os cabelos de Hermione. Era estranho ter chegado na cidade, com dias tão quentes, para ter baixas temperaturas agora. Contudo, já era outono. Estava na hora das folhas forrarem o chão.
Hesitou, em frente ao portão baixo, de madeira. Não sabia se deveria entrar. Roy poderia não entender bem suas intenções. Poderia simplesmente a expulsar. Contudo, não teve tempo para pensar. A porta da varanda se abriu, revelando uma senhora de idade. Ela estacou na porta, olhando-a. Hermione engoliu a seco. Poderia ser a mãe de Roy. Não conhecia aquela senhora, tão pouco. Quando saiu de Mountain Black, a família de Roy não estava ali.
A senhora desceu as escadas com dificuldade, olhando-a com um ar de desprezo. Parou em frente ao portão de madeira, com um olhar analítico. Os olhos azuis eram muito claros, de uma forma que parecia que ela era cega, contudo, a senhora a enxergava muito bem, afinal, lançou um olhar desdenhoso a Hermione.
— O que você quer? – perguntou, com azedume.
— Eu vim...- clareou a garganta, tentando encontrar forças para enfrentar o olhar carregado dela – Roy...Roy está?
— Não, não está. E não me interessa onde ele vai estar. Ele é um imprestável. E se você se mistura com ele, é igual.
Hermione se assustou pela forma brutal que ela se referia a Roy. Seria sua avó, ou mãe? Ao que parecia, ela estava muito decepcionada com Roy. O que ele teria feito a ela?
— Eu sinto muito incomodá-la – disse Hermione, se afastando do portão, com as expectativas frustradas.
Ele era o único a saber como Fred estava antes de morrer. Com certeza, deveria saber o que Fred fazia, quais eram seus hábitos e teria notado algo estranho em relação a ele. Até mesmo, ter cruzado com o suposto assassino.
— Se eu fosse você, moça – escutou a senhora falar. Parou de andar, girando pelos calcanhares. O olhar dela continuava carregado de raiva – Não me misturaria com ele. O menino não presta. Nunca prestou. Se mudou para cá, apenas para sugar do meu dinheiro. Para usar suas malditas drogas!
Hermione engoliu a seco. Não sabia o que dizer em relação a isso. Não havia o que ser dito, na verdade.
— Tenha um bom dia – Hermione disse, desejando encerrar aquele assunto sórdido.
— Eu ainda não terminei! – a senhora protestou.
Hermione não permaneceu em frente a casa dela, para escutar o quanto Roy era decepcionante como neto. Ou o quanto ele influenciava as pessoas a irem para a sarjeta com ele. Simplesmente entrou no carro e deu partida. Pela forma apressada que apertou o acelerador, os pneus cantaram. Ela não se importou, continuando seu caminho. Olhou para os lados, observando quase desertas. Havia alguns moradores andando com seus cachorros. E havia os que faziam suas corridas, muito compenetrados. Mas, nenhum sinal de Roy. Suspirou, batendo a mão no volante, de forma frustrada. Não havia mais motivos para ficar ali. Ela não era uma pessoa apta para desvendar qualquer crime. Mas, por algum motivo, não conseguia se afastar da cidade. Parecia que não tinha forças para isso. O sorriso de Fred veio em sua mente. Ele parecia tão bem. Como pode ter se afundado tanto? Seria a dor no joelho? No começo, ele usava morfina. Ela pagou por seus medicamentos, pois ele não tinha um emprego. E depois, bom, o depois era algo que ela não gostaria de pensar. Isso exigiria rever o passado.
Logo encontrou no centro da cidade, onde havia uma comoção geral. Havia uma pequena multidão, se formando em uma praça. Hermione estacionou o carro, curiosa. Saiu do carro, atravessando a rua para ver o que estava acontecendo. Havia um corpo sobre o gramado. A mera visão a deixou um tanto atordoada. A garganta cortada do jovem a deixou estarrecida. Era...Roy?
A confusão era geral. Alguns exclamavam, se agitavam. Outros falavam da incompetência da polícia, que tentava afastar as pessoas do local do crime. Thomas estava entre eles, tentando conter as pessoas de chegar perto do corpo de Roy. E ali, no centro de tudo, estava Malfoy, usando seus óculos Ray Ban, terno e gravata. Hermione engoliu a seco, tendo a visão dele, imponente. Ele lhe deu um aceno de reconhecimento. Ela se afastou, tropeçando e seguiu para o carro. Algo estava errado com aquela cidade. Algo estava acontecendo e ela não sabia explicar. Deveria fazer como Malfoy havia dito, sair da cidade. Se afastar. Mas, ali estava se formando um padrão. Um padrão de mortes. Homens sendo mortos, com o mesmo tipo de corte nas gargantas. Talvez, fosse um padrão do assassino. Um assassino em série, com certeza, afinal, já tinha três mortos iguais. Não poderia estar errada em sua suposição. Colidiu com alguém, enquanto seguia para o carro. Um veículo quase dera em cheio com ela, desviando e buzinando. Assustada, se afastou da pessoa, que talvez, a tivesse salvado de um acidente.
— George? – indagou, surpresa ao vê-lo – Eu pensei que...estivesse fora da cidade.
— Eu estava – ele disse, parecendo preocupado – Você está bem? Parece...pálida.
— Eu...bom...não – respondeu sincera – Se eu fosse você, não iria ver o que tem na praça.
— O que tem? – perguntou, curioso, se virando.
— George...- tentou segurá-lo, mas ele estava seguindo para a multidão.
O acompanhou, de perto. Estava preocupada, pois, talvez, isso ativasse algum gatilho, quanto a morte do próprio irmão. Ele se esgueirou entre as pessoas. A polícia havia colocado uma faixa amarela, cercando o local do crime, então, não havia como passar.
— Santo Deus – ele disse, baixinho – Roy...
— Sinto muito, George – Hermione disse, tocando seu cotovelo – Eu não queria que você visse isso...
Ele virou a cabeça, por cima do ombro. Parecia abatido.
— Ele era um cara legal. Eu não imaginava...Quem poderia ter feito isso?
— Sinceramente, eu não sei – respondeu – Apenas, vamos embora. Eu te levo para onde estiver indo.
— Obrigado.
Os dois se afastaram da multidão. Malfoy continuava no local, como estivesse pairando sobre o lugar. Uma presença fria, mas que parecia acalmar a multidão enfurecida. O prefeito precisava estar lá, naqueles casos. Hermione, enquanto se afastava com George, sentiu como se ele a estivesse observando. Sentia seu olhar queimando suas costas. Virou a cabeça, por cima do ombro, movida pela curiosidade, mas não conseguiu vê-lo.
Levou George para a casa do Weasley, em silêncio. Não havia nada a ser dito, em um momento de dor como aquela. Não conseguia parar de pensar em Fred. Que ele fora vítima de alguém desequilibrado, que deveria ser preso. Deveria ser punido. Apertou o volante com força ao pensar nisso.
— Ei, vai com calma – George pediu.
— Desculpe – ela pediu, apertando o freou, percebendo que estava acelerando o carro, sem se dar conta – É que...isso tudo...
— Eu sei – George disse, colocando a mão sobre a dela, que estava sobre a marcha.
O seu toque era quente. Mas, não era bem-vindo. Ela retesou o ombro, respirando de forma curta. Parou o carro, assim que avistou a casa dos Weasley, em uma rua arborizada. George afastou a mão, não parecendo entender o constrangimento dela.
— Quer entrar? – perguntou ele, soltando o cinto de segurança. Ela não fez o mesmo movimento, olhando para o para-brisa quebrado, vendo os padrões geométricos do vidro rachado – Não quer tomar um café? A mamãe iria adorar.
— Obrigada, mas não – ela respondeu, de forma ríspida.
— O que há com você? – perguntou ele, na defensiva – Você parecia preocupada comigo e agora...
— Isso não quer dizer que muda o fato do que houve...anos atrás – ela o acusou, mas não se atreveu a olhá-lo nos olhos. Segurou o volante com força, apenas.
— Hermione, será que podemos esquecer isso? Eu estava bêbedo, era imaturo...Eu pedi desculpas, não pedi?
Ela engoliu a seco. Talvez, fosse uma mera bobagem ficar irritada com ele. E por ele tocar sua mão. Poderia ser um toque amigável.
— Você sabe que não foi somente isso – ela se virou para encará-lo.
O olhar dele era entre irritado e culpado.
— Você sabe que eu sempre a amei...eu...
— Não, por favor. Você sabe como me sinto – ela cortou – Apenas, vamos esquecer isso. Espero que você fique bem. Preciso ir agora.
Ela destravou a porta, olhando para o para-brisa, novamente. Não queria ter de encará-lo. Escutou seu suspiro audível. O ar parecia agitado. Ela podia sentir sua raiva, crescente.
— Está bem. Faça o que quiser.
George abriu a porta, em seguida, saindo do carro e batendo-a com força. Hermione fechou os olhos, em reflexo. Travou a porta e abriu os olhos, sentindo-se tremula. Havia se esquecido de certas coisas. Algo que não queria lembrar. Ligou o motor do carro, seguindo para a pensão. Precisava rever seus passos. Quem sabe, sair da cidade. Não havia nada para ela ali.
Parou em frente a pensão, vendo o Mustang bordo estacionado, do outro lado da rua. Parou o carro, esperando ver Malfoy no carro, mas não havia ninguém dentro. O crepúsculo deixava a cidade com tons dourados ao fundo, perto das montanhas. Hermione parou para rever aquela paisagem, que um dia era tudo que ela conhecia. Não sabia que havia um mundo além daquelas montanhas.
Entrou na pensão e escutou vozes vinda da sala de estar ao lado. Parou abruptamente, no corredor, antes da porta da sala, esperando espiar e ver quem era. Mas, já imaginava quem poderia ser.
— Hermione querida, é você? – escutou a voz da senhora que a deixava usar o quarto no andar de cima.
Ela suspirou. Não havia como disfarçar sua presença.
— Sim, senhora Thompson – respondeu, se aproximando.
Malfoy estava sentado no sofá, de cor creme, a vontade, com uma xícara na mão e pires. Tentou entender como ele conseguira chegar tão rápido ali, depois dela.
— Boa tarde, senhorita Granger – ele cumprimentou, cordialmente.
— Boa tarde, prefeito – ela disse, enfatizando seu título.
— Que visita maravilhosa, não acha, querida? – a senhora Thompson parecia muito satisfeita. Estava estampado em seu rosto enrugando e rechonchudo – Uma pena o que houve com o pobre Roy. Ele era tão desajustado.
Ela parecia pesarosa, ou fingia pesar. Hermione não a conhecia muito bem, para julgá-la.
— Infelizmente, senhora Thompson – Malfoy disse, em tom neutro, pousando o pires e a xícara sobre a mesinha de centro, em tom mogno – Por isso, vim alertá-la. A senhora hospeda algumas pessoas de fora da cidade – Então, olhou de soslaio Hermione. O que ele estaria insinuando?, ela pensou – O que é um tanto perigoso, nesses momentos de tragedia. O que nos faz ter de seguir com os interrogatórios. Espero que entenda, senhora Thompson.
— Claro que entendo – ela concordou – Mas, é um tanto invasivo esses interrogatórios. Meus clientes são tão poucos. Temo que não queiram voltar.
— Pedirei que o senhor Hardy seja breve e sucinto, senhora – garantiu Malfoy.
— O senhor é tão gentil – ela disse, em tom que demonstrava o quanto tinha apreço por ele.
Hermione, um tanto enjoada daquela conversa repleta de falsidade, foi se afastando. Contudo, Malfoy parecia ter percebido.
— Senhora Thompson, nos daria um instante? – pediu ele. Hermione estacou, irritada. O que poderia querer agora? – Gostaria de falar em particular com a senhorita Granger.
— Claro, claro – a senhora se levantou da poltrona, ao lado da lareira, um tanto contrariada – Vou pegar bolinhos para vocês.
Ela passou por Hermione, com um sorriso afável, saindo da sala. Hermione ficou parada, no mesmo lugar, observando Malfoy. Ele a observava de volta, com um olhar frio.
— Sente-se, Granger – convidou.
— Voltamos a Granger, não senhorita? – provocou ela, se aproximando, mas não se sentou no sofá, ao lado dele. Permaneceu perto da janela, observando o dia esmaecendo.
— Não acredito que precisamos de formalidades agora – ele disse. Escutou ele se levantar do sofá. Seus passos eram denunciados pelo chão de madeira, que rangia.
Sua presença era sufocante. Ela se virou para ele, percebendo o quanto ele estava perto. Mais cinco passos, e ele estaria colado a ela.
— O que você quer? – perguntou ela, respirando rapidamente.
— Entender algumas coisas – respondeu ele, de forma lenta. Seu olhar viajou pelo rosto dela, o que a deixou constrangida. Sentiu o rosto esquentar – Ainda não sei se consegui encaixar todas as peças.
— Se está pensando que sou eu a responsável pela morte dessas pessoas...
— Não, acho isso – ele a interrompeu.
Ele teria falado mais alguma coisa. Ela sabia disso, mas a senhora Thompson entrou na sala, tagarelando o quanto os bolinhos estavam ótimos. Malfoy retrocedeu, não parecendo demonstrar nada. Muito menos, estar afetado. Hermione, no entanto, estava muito agitada. Não ficou para comer os bolinhos. Apenas alegou ter muito trabalho e saiu da sala, subindo as escadas de madeira. Entrou em seu quarto, chaveando a porta. Recostou-se na porta. Respiração acelerada. Não sabia o motivo, mas Malfoy a deixava nervosa. Esperava não encontra-lo de novo, tão cedo.
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