Um segredo obscuro - Dramione
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Vai ter Dramione? Claro. Vai ser romântico? Não prometo. Vai ser dark romance? Ainda não decidi. XD
Enfim, embarquem comigo nessa história. Me inspirei no filme Quarto 1408, claro, que no personagem que passa por um processo de luto, não a história em si. Apenas, um pouco do ar sardônico dele vai estar aqui e a mesma profissão, que nossa personagem principal tem. Bom, esperem muitas descrições psicológicas e reviravoltas.
A imagem de capa é referente ao hotel da cidade. Está em preto e branco. Não era para passar um ar tão sombrio, mas imaginei o hotel nessa estrutura.
Boa leitura!

Era estranho vê-lo deitado daquele jeito. Os olhos abertos, como se a última coisa que visse fosse contemplação de algo sublime. Revoltava seu estomago. Passou a mão pelo próprio rosto, sentindo que não poderia ficar ali. Não naquele momento.
— Granger — escutou a voz do xerife, vindo do corredor — Achou alguma pista?
Thomas se postou ao lado dela, com as mãos na cintura.
— Esse cara está...péssimo — ele comentou, sem o menor cuidado, como se aquela pessoa deitada no carpete, com a garganta dilacerada, não fosse ninguém especial. Como se estivesse lidando com apenas corpos.
Ela suspirou, cansada.
— Ele era meu amigo — ela disse, fitando-o com intensidade — Mais respeito, xerife.
— Ah, sim, desculpe — ele pediu, sem transparecer que sentia algo. Passou a mão pelo queixo quadrado e barbeado, parecendo pensativo — Eu realmente não imaginava que teríamos um crime desse, nessa cidadezinha.
— Nem eu — ela respondeu, secamente, voltando a fitar o rosto de Fred. Os cabelos ruivos estavam curtos, arrepiados. Sua aparência não era a mesma de quando o conhecera na escola. Ele era o um rapaz muito bonito e o tipo o qual as garotas gostavam, por ser um atleta — George não vai gostar disso.
— Falei com a família dele — Thomas comentou — Eles parecem não se importar muito com o que aconteceu com esse garoto. Não imaginava que ele se perderia para as drogas.
Os olhos dela pinicaram. Ela não queria chorar, não ali. Resolveu sair da sala de estar destruída e com as paredes pichadas, para o hall de entrada da casa. O chão precisava de um polimento e a escadas necessitavam de uma troca do carpete que cobria. Não conseguia imaginar como Fred havia se mudado para uma casa caindo aos pedaços, para usar heroína. Passou a mão pelo rosto, contendo o choro. Não, ela não poderia chorar, afinal, voltara para casa, apenas por causa dele. Então, precisava agir com racionalidade. Nunca deixaria Londres, para voltar aos Estados Unidos. Não depois de como viveu naquela cidade. O julgamento constante das famílias, o ar religioso e sufocante. Nada disso era o que ela desejava. Queria se afastar para sempre e não olhar para trás.
Passos ecoaram pelo assoalho. Ela se virou instintivamente, vendo Thomas vir em sua direção. Ele se tornara xerife muito jovem. Era um dos atletas da escola, que havia estabelecido a vida muito cedo. Uma esposa, dois filhos. Uma casa com varanda. Ele parecia bem-sucedido.
— Soube que você é escritora, Granger — ele disse, com as mãos sobre o cinto da calça — Você realmente conseguiu se destacar. Sempre sendo a garota brilhante.
Deveria se sentir lisonjeada pelo comentário dele, mas não sentia. Na verdade, ela sentia como se ele estivesse zombando dela, como sempre fizera. Desdenhando dos seus esforços e fazendo bullying constante, juntamente com sua turma. Era composta pelos filhos das famílias tradicionais do local. Greengrass, Parkinson, Crabble, Goyle e finalmente, Malfoy. Ele era um garoto estranhamente pálido e sombrio, o qual a perseguia silenciosamente. Era seu olhar que assustava. Ele nunca dizia nada, mas a forma como a encarava, demonstrava seu desprezo e talvez, como se desejasse lhe ferir de maneiras inimagináveis. Ela engoliu a seco. A cena viera em sua mente, de forma instantânea. Harry caído no chão, seu rosto uma massa disforme, afinal, era uma confusão de hematomas e sangue. Muito sangue. Malfoy, com os punhos em riste, machucados e sangrando. Ela tirou as próprias conclusões e chamou a polícia, afinal, o diretor nunca faria nada para expulsar o garoto Malfoy. Infelizmente, a polícia também não fizera nada. O que poderia ser feito contra o filho de um magnata? Ele tinha carta branca em todos os estabelecimentos da cidade. Então, não precisava se preocupar. Nunca se preocuparia em ser fichado. Nunca se preocuparia em ser preso. Nunca se preocuparia em não ter dinheiro. Nunca se preocuparia com a fome. Nunca se preocuparia com um cargo ou profissão. Nunca se preocuparia em estudar. O dinheiro que ele tinha, compraria tudo e nada precisaria ser feito. Ele apenas teria de saber administrar os negócios da família. Ser um bom político na cidade, afinal seu pai era governador. O que mais ele poderia querer ou sonhar? Ele tinha o mundo a sua disposição, se pensasse com ambição.
— Sim, eu escrevo. Obrigada por vir xerife. Eu realmente não esperava chegar tarde aqui — ela mudou de assunto, desejando não ser o centro das atenções — Fred me ligou na semana passada. Disse que precisava de ajuda. Não sei exatamente o que, xerife. Mas, algo sobre se sentir perseguido. O senhor poderia verificar quem poderia ter algo contra ele? — indagou, o fitando longamente. Sabia a resposta dele. Sabia exatamente o que diria. Que não havia nada a ser feito, afinal, Fred era usuário de heroína.
— Bom...- Thomas passou a mão pela nuca, com um olhar tenso — Pode ser uma retaliação dos traficantes, Granger. Nós sabemos que não há muito a ser feito a respeito. Está fora da minha jurisdição. Preciso relatar a polícia federal.
— E não vai ser aberta uma investigação? Afinal, se trata de um homicídio — ela indagou, forçando a mão. Claro que iria fazer isso. Se tratava de Fred. Ele merecia isso. Merecia que alguém descobrisse seu assassino.
— O que mais pode ser, se não uma retaliação, Granger? — retrucou Thomas, soltando um suspiro. Começava a demonstrar sinais de não gostar da forma estava sendo enxerida. Com certeza — Bom, você precisa sair agora. Vou isolar a área. Vamos cuidar disso. Não se preocupe.
Hermione o fitou mais uma vez, seriamente. Ele evitou seu olhar, parecendo impaciente para que ela deixasse a casa. Ela lhe deu as costas, muito irritada, passando pela porta da frente, com vidro fumê e grade, para proteção. Não fechou a porta ao sair, apenas desceu as escadas da varanda, que rangiam a cada passo seu. Olhou para o céu, tão claro, sem nuvens. O calor era infernal. Tirou a jaqueta de couro, colocando-a no braço e foi em direção ao seu carro alugado, passando pela cerca que protegia a propriedade. Uma bandeira, na casa vizinha ondulava, pelo vento morno soprava.
— É, isso é o velho oeste — zombou, entrando dentro do carro.
Deu a partida, olhando mais uma vez para a casa em que Fred morrera. Estava com o telhado quebrado. A faixada pichada. O quintal sujo e coberto de mato. Um ford de tom turquesa estava estacionado, ou melhor, descartado no quintal. Ela balançou a cabeça, continuando a viagem. Para onde iria agora? Não tinha um local para ir. Fazia anos que não visitava a sua cidade natal. Não era como se tivesse amigos ali. Ninguém iria se lembrar dela. Nem seus pais.
Percorreu as ruas semidesertas. As casas de canteiro eram muito comuns naquela cidadezinha pacata. Sobrados de dois andares, ou mais. Às vezes, casas majestosas, das famílias ricas. A bairro era de classe baixa e média, o que tornava o local não tão atrativo. E era ali que Fred havia se escondido afinal. Não sabia nem ao menos se aquela casa que utilizara, era dele. O que havia de fato acontecido com ele? Desejava ir até a casa dos Weasley e conversar. Saber o que havia feito Fred mudar tanto. O que o havia feito se perder? Apertou o volante com força. Não era da sua conta. Nunca foi. Era o que Gina diria. Afinal, ela decidira abandonar tudo, ao se mudar para Europa, devido a sua bolsa de estudos em Cambridge. Quando fez isso, os laços que tinha com aquela família foram cortados. No início, ela tentou ligar. Gina e ela trocavam confidências. Até que de repente, a relação se tornou fria, distante. Algumas acusações vindas de Gina, outras de Hermione. A amizade havia morrido e com ela, sua vontade de voltar para aquela cidade, que não traria nada para seu futuro.
Riu consigo mesma. Sua vida era perfeita. As noites de autógrafo. Os coquetéis. Os debates acadêmicos que fazia parte, no setor de simbologia da universidade. Tudo parecia tão encaixado e correto, conforme ela havia programado. Mas, havia algo que faltava. Algo importante. Não pensava muito sobre isso. Não pensaria. Ligou o rádio do carro. A estação que pegara sintonizara em uma rádio evangélica. O sermão era claro, sobre a vida após a morte. A alma daqueles que não buscavam o perdão de Deus e não tinham uma vida correta, iriam para o inferno. Trocou de rádio, sem desejar ouvir bobagens. Seu pensamento sobre a morte era algo simplista e de visão biológica. Cessada a vida, não havia mais nada, apenas o vazio. Sintonizou outra rádio, dessa vez, com música popular, o que não era o que desejava escutar, tão pouco. Desligou, um tanto entediada. O calor parecia aumentar dentro do carro. Resolveu ligar o ar-condicionado, mas o ar não pegava.
— Maldito carro alugado – resmungou, sentindo o suor escorrer por suas têmporas.
Precisava achar um hotel. Um lugar para ficar. Depois, tentaria trocar as passagens para aquela noite. Por que pensara em ficar mais alguns dias? Não tinha nada para ela ali. Precisava voltar para casa. Para seu conforto. Algo aconteceu, em seguida, sem que percebesse. Talvez, estivesse distraída. Um tanto desatenta, devido aos pensamentos que vinham em turbilhão. Acertara algo sólido com o carro. Algo muito sólido. Apertou o freio com força excessiva, sendo jogada para frente, acertando a cabeça no volante. O carro rodopiou na pista, por ter perdido o controle do volante. O som do pneu no asfalto a deixou atordoada, além do cheiro de borracha. Então, conseguiu estabilizar o carro, puxando o freio de mão. Um líquido viscoso escorria de sua testa. Olhou para o retrovisor, vendo o sangue rubro. Engoliu a seco, catatônica.
Abriu a porta do carro, com o coração acelerado. Não havia ninguém na rua. Ninguém sairá de suas casas para ver o ocorrido. Estranhamente o sol brilhava no firmamento, como se o dia fosse perfeito para um passeio. Contudo, o clima interior de Hermione se tornara frio, confuso e mórbido. Percebeu o que fizera. Um animal pequeno estava esmagado sobre a calçada. Colocou a mão sobre a boca, sentindo o horror tomar conta de si. Não queria ver ou presenciar aquilo. Fechou os olhos. A vertigem tomava conta de seu corpo.
— Você está bem? – Escutou uma voz macia e masculina.
Abriu os olhos de imediato, assustada. Olhou para seu interlocutor, desconfiada. Um rapaz loiro, de camisa escura e sapatos finos estava parado ao seu lado. De onde ele viera?
— Não – ela respondeu, com a voz embargada – Eu...
— Você deveria entrar no carro. Parece prestes a desmaiar – o estranho a aconselhou.
Ela o fez, sentando-se no banco do motorista. Suas mãos tremiam em cima do colo. Então, percebeu quem estava diante dela. O rapaz continuava parado do lado de fora do carro, com a mão do capô. Segurava um celular na mão direita, sobre o ouvido. Estava falando com alguém. Não queria ficar ali e ser ajudada por ele. Não. Não queria mesmo.
— Quer saber, eu estou bem – ela disse, tentando ser ouvida por ele, que não percebera ou não queria perceber.
Puxou a porta do carro, para fechar, mas ele a segurou. Fitava-a com um olhar estranho.
— Espere um pouco – pediu, voltando a falar no telefone – Sim, ela está ferida. Um corte na cabeça – Ele a analisou, sem emoção, deixando-a nervosa. Ela apenas queria sumir. Não queria ter qualquer relação com aquele homem – Foi apenas um gato. Mas, acredito que a pista precisa ser limpa – Então, ficou em silêncio — É, uma fatalidade – disse – Claro, vou levá-la até o hospital. Obrigado.
Depois da ligação misteriosa, ele colocou o aparelho no bolso da calça social preta. Fitou-a com um olhar estudado, como se tentasse desvendar seus pensamentos. Ela se encolheu. Não gostava do olhar dele. Nunca gostou.
— Você precisa ir para o hospital – ele disse o óbvio – Posso te levar no meu carro – apontou para o outro lado da rua. Ela não deixou de fitá-lo, ainda, paralisada pela presença dele – Se desejar.
— Obrigada, mas eu vou ficar bem. Pode...soltar a porta? – pediu, com a voz fraca. O terror que sentia de estar na presença dele a deixara sem forças.
O estranho, que segurava sua porta, soltou-a, se afastando do carro. Ela respirou, profusamente, fechando-a. Estava pronta para dar partido e desaparecer daquele lugar.
— Ei – ele disse, colocando a cabeça sobre a janela aberta. Sua aproximação a deixou temerosa. Por que ele continuava insistindo em persegui-la? – Você precisa mesmo ver isso – Então, tocou a testa dela rapidamente, que ela não teve reação de se afastar. Em seu dedo indicador, havia a marca do seu sangue. Ele fitou o dedo, não esboçando qualquer reação, então, voltou a fitá-la – Você é Hermione Granger, não é?
— E você é Draco Malfoy – ela não respondeu à pergunta dele. Não havia necessidade para isso.
Ele anuiu com a cabeça, se escorando na porta. Pode ver tatuagens no antebraço, devido a camisa estar arregaça nas mangas. Voltou a fitá-lo nos olhos, pois não queria baixar a guarda perto dele. Seus olhos cinzentos continuavam a fitando de forma penetrante e um tanto assustadora.
— Não sabia que você havia voltado – ele disse, como se tivesse acabado de constatar que choveria, mesmo achando que o tempo seria ensolarado – Nunca pensei que voltaria para cá.
— Eu não voltaria. Nunca teria voltado.
Ele assentiu, parecendo refletir sobre suas palavras. Mordiscou os lábios finos. Um canino ficou a mostra, pontiagudo. Ela achou estranho ele não ter usado aparelho, para corrigir aquele defeito.
— Eu também não voltaria, se pudesse – Não havia humor em suas palavras, apenas uma constatação dos fatos.
Ela esperou que ele se afastasse do carro, para dar partida. Mas, ele não fez isso. Ficou ali, pensativo. O que ele pretendia fazer em seguida?
— Bom – Interrompeu o silêncio incomodo, batendo no capô do carro – O hospital você já sabe onde é.
Então, sem se despedir, se afastou do carro. Ela engoliu a seco, encontrando o ar que lhe faltava. Observou ele se dirigir a um carro estacionado, do outro lado da rua. Um Mustang de cor bordo. Contudo, ele não dera a partida. Hermione não pensou duas vezes e deu a partida no carro, mesmo que estivesse tremula e com dor de cabeça. Seguiu dirigindo, procurando olhar no retrovisor, com o medo intenso de que ele estivesse a seguindo. Mas, não estava. Não havia ninguém pelas ruas quentes e escaldantes daquele bairro. Apenas ela e seu carro alugado.
Logo passou pelo hospital, que ficava no centro da cidade. Pensou em parar realmente e ver o hematoma que ganhara, por bater a cabeça com força no volante, contudo, não desejava parar. Não desejava ficar mais um minuto naquele carro, ou naquela cidade. Encontrou um hotel próximo, estacionando o carro no acostamento. Pegou a mala de rodinha no porta-malas e rumou para a recepção do hotel. O hotel era no estilo casa vitoriana, com uma varanda imensa e um jardim pequeno, com um banco de praça. Passou pelos portões de ferro, subindo as escadas e abrindo a porta da frente. A recepção estava vazia. O balcão, de cor mogno tinha uma campainha de prata, a qual Hermione apertou com insistência. Ninguém atendera seu chamado. Um telefone antigo, que estava embutido na parede, preto com decoração em dourado, não parava de tocar.
Seguiu em frente, vendo o hall de entrada. O chão de madeira era bem cuidado, ao menos. As escadas largadas, de madeira, seguiam para o andar superior da casa, onde não pode divisar ninguém. Olhou para os dois lados da casa. Um corredor que dava acesso a uma sala de estar, que parecia de espera, devido a uma mesinha de centro, com revistas e outro lado corredor, seguindo para uma cozinha antiga, com fogão a lenha. Mas, não havia ninguém ali. Suspirou, cansada. Apenas desejava ser atendida. Se deitar e descansar.
— Já estou indo – escutou uma voz feminina, vinda do segundo andar.
Hermione aguardou impacientemente perto da escada, segurando sua malinha de roda. A pessoa que descia, no entanto, não era quem esperava.
— Desculpe-me, estava apenas ajeitando um quarto lá...- a jovem parou de falar, fitando Hermione de cima a abaixo. Os cabelos ruivos batiam em seus ombros – Hermione?
— Gina – ela murmurou, sentindo as pernas bambas. Nunca imaginara que veria sua melhor amiga de infância ali, cuidado de um hotel.
— Ahn...- Gina disse, chegando ao patamar da escada – Você está fazendo o que aqui?
O tom passivo agressivo não foi despercebido por Hermione.
— Eu vim visitar Fred – respondeu, secamente – E precisava de um local para ficar, por hoje.
— Sim, claro – Gina respondeu, prontamente – Você está...sangrando – ela constatou, fitando-a assustada – O que houve?
— Eu bati o carro. Mas, está tudo bem – completou, vendo que Gina se exasperava – Foi apenas um pequeno acidente. Um gato estava atravessando a rua e eu não percebi.
— Oh – esse era o único som que a jovem pronunciou, depois de um longo silêncio desconfortável – Bom – Gina quebrou o silêncio – Eu vou lhe arranjar um quarto. Vai ficar quanto tempo?
— Só hoje. Pretendo ir embora amanhã – respondeu, enfática. Não desejava ficar ali por tanto tempo.
Gina pediu que ela a acompanhasse então, até a recepção. Pegou uma chave, com o número três gravado no pingente de madeira.
— Os quartos ficam no segundo andar. O café é servido as 7, até as 10, na varanda e na cozinha. O horário de encerramento de atendimento é as 22 horas. Tente não chegar depois desse horário, pois eu fecho a porta da frente.
— Sim, claro – Como se ela fosse se aventurar do lado de fora.
Então, sem saberem o que dizer uma para a outra, Hermione se afastou, puxando a mala de rodinha até as escadas. Puxou a alça da malinha, subindo com um pouco de dificuldade as escadas, até chegar ao segundo andar. Procurou por seu quarto, no corredor largo e extenso. Havia ao todo, cinco quartos de cada lado do corredor. Encontrou o quarto com o número três na porta e entrou. Fechou a porta, chaveando. Sentiu o mormaço do local fechado envolvê-la. Correu para abrir a janela francesa, abrindo-a. O ar morno da tarde tocou seu rosto. Pode ver a rua, um pouco movimentada por pedestres. Uma loja de floricultura, outra de roupas. Então, viu um Mustang, parado do outro lado da rua. Seu coração deu um salto. Se afastou rapidamente da janela, se recostando na parede decorada por um papel de parede de flores, em tom bege. Fechou as janelas e cerrou a cortina, em seguida, apesar do calor que fazia.
Por que Draco Malfoy estava do lado de fora daquele hotel? Era a pergunta que rondava sua mente, enquanto ligava seu notebook sobre a cama de casal. Não ficaria ali para descobrir. Não depois do histórico que tinham. O passado era algo difícil de se esquecer, ainda mais, quando repleto de lembranças ruins.
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