Um sabre cor de sangue
8 Capítulo 8 - Aprendizes
Notas iniciais
Sim, ele conseguiria tudo o que quisesse dela, porque Rey entregaria de bom grado.
Na ponta dos pés, ela correspondia ao beijo voraz de Kylo Ren, agarrada como podia ao pescoço dele. O contato telepático entre os dois lançara-a num vendaval de sensações, consumindo-a pouco a pouco. Era assustador ver e sentir como o cavaleiro via e sentia, observar a si mesma exposta e subjugada; ao mesmo tempo, ela também sentia o esforço extenuante que ele empregava para controlar tais impulsos – Kylo Ren experimentava tudo dividido em dois, uma parte dele iluminada e benigna, a outra obliterando-se em maléfica escuridão. De qualquer modo, ela seria incapaz de interrompê-lo agora. Precisava ir até o fim.
Pelo menos haviam deixado a sala de interrogatórios. Ela não poderia se entregar em um ambiente como aquele. O quarto de Kylo Ren também era estranho e nada aconchegante, mas pelo menos ninguém havia sido brutalizado ali. Em algum lugar dentro dela, Rey sabia que estava fazendo algo errado. Kylo Ren era um assassino, que a prendera e violara sua mente em busca de informações, forçando a garota a trair seus amigos. Mas sua consciência fora soterrada pela paixão. Era impossível resistir a ele.
– Então pare de tentar resistir. – Kylo Ren murmurou, entre beijos.
Rey o abraçou, ofegante, fugindo dos lábios dele. O cavaleiro segurou o rosto dela com suas mãos grandes, e a fez encará-lo.
– Eu prometo que não vou machucar você.
“Mais?” ela pensou, e imediatamente soube que Ren a ouvira.
– Não mais. – ele aquiesceu, sério.
Rey suspirou, não sabia ao certo o que esperar de tudo aquilo. Quer dizer, ela sabia que algo acontecia quando as pessoas ficavam sozinhas... ou não tão sozinhas assim, no caso de algumas bestas irracionais do deserto. Mas nunca se imaginara tomando parte nesse tipo de ato. Na verdade, instintivamente protegia-se destas situações, temendo que a machucassem ou a obrigassem a fazer o que não desejava. Envergonhada, admitiu para si mesma que nunca havia beijado alguém até aquele momento. O jovem guerreiro sorriu, conhecendo os pensamentos dela.
– Eu vou mostrar a você tudo o que eu sei. E, se você quiser, também poderá ser minha aprendiz nos caminhos da Força.
– Não vamos falar sobre o que pode acontecer depois. Vamos focar no que está acontecendo agora.
Kylo Ren não respondeu, mas sentou-se na cama e puxou Rey para junto dele; assim, a diferença de altura atrapalhava menos. Beijou-a suave e demoradamente. Ela podia sentir o cuidado com que ele represava suas emoções mais violentas. Não sabia se aquilo deveria fazê-la se sentir lisonjeada, ou se deveria sair correndo – no fim, sentira–se tola por ficar, e por acariciar os cabelos dele, abraçá-lo, permitir que as mãos dele passeassem devagar por seu corpo. O desejo era uma chama que queimava a partir do ventre dela e, como se fosse feita de areia revolvida por um laser, Rey derretia, as pernas tremendo. Partes de seu corpo nas quais ela pouco pensava tomavam vida, fazendo-a corar. Os bicos de seus seios, o vértice entre suas pernas... tudo nela respondia a ele.
Quando ela achou que não conseguiria mais ficar de pé, Kylo Ren interrompeu o beijo e, segurando-a pela cintura com as duas mãos, endireitou o corpo dela.
– Olhe para mim.
A voz dele, grave e imperiosa, vibrou dentro dela.
Rey abriu os olhos, ofegando. Com a mesma lentidão com que a beijara, ele soltou a fivela prendendo o cinto que Rey usava. Delicadamente puxou o xale sobre sua túnica puída, deixando que caísse no chão. Tomou um de seus pulsos, desatou o bracelete de couro e pôs-se a desfazer pacientemente as tiras de tecido que o envolviam. Repetiu o trabalho no outro braço, mantendo-se quieto, parando de vez em quando para se certificar de que ela continuava olhando para ele. Fez com que Rey tirasse as botas. A respiração dela acelerou, o coração pulsava dentro de sua própria cabeça. Era quase um ritual.
– Você quer tirar sua túnica?
Ele perguntou com a mesma voz impassível, mas Rey pôde sentir como era custoso para ele manter-se tranquilo, fleumático. Ela mordeu o lábio e, em um único movimento, livrou-se da camisa, certa de que, naquele momento, atenderia a qualquer pedido que ele lhe fizesse. Apenas uma faixa branca ao redor dos seios permanecera em seu tórax.
Ele respirou fundo, como se tomasse coragem... como se temesse perder o controle.
– Quer tirar suas calças?
Rey arrepiou-se inteira. Não tentou dizer nada. Sem tirar os olhos dele, desatou o cordão que mantinha o traje em sua cintura, e o tecido deslizou por suas coxas esguias amontoando–se aos seus pés, revelando sua roupa íntima. Trêmula, ela esticou o braço e apoiou-se em um dos ombros dele, dando um passo para trás, para longe da peça de roupa. Ele piscou algumas vezes, tentando se recompor da visão do corpo quase nu de Rey. Empurrou a calça acinzentada com a bota e ficou de pé. Vestido com seu manto negro, ele parecia um gigante diante dela, um enorme vulto escuro. Um eclipse. Mas Rey era o próprio sol, cintilando de desejo.
Parecendo alheio ao fogo que ardia nela, Kylo Ren começou a desmanchar o penteado de Rey metodicamente.
– Você quer tirar o seu manto? – ela perguntou com entusiasmo, imitando-o, sentindo-se bela e forte de repente.
– Você ainda está vestida. – ele respondeu dissimulando um sorriso, terminando de soltar os cabelos dela.
Rey adiantou-se para ajudá-lo a se despir, mas ele a impediu, gesticulando para que esperasse. De forma meticulosa, Kylo Ren soltou o cinto largo, retirou seu manto externo. A garota então percebeu que ele agia de modo tão ponderado e vagaroso para não perder o domínio sobre si mesmo, lutando contra o ímpeto predatório que ameaçava devastá-lo. Mas Rey não suportava mais a lenta tortura. Após todo aquele furor, obrigá-la a ficar parada, observando-o, era como cozinhá-la em fogo brando. Aquilo era até estranhamente excitante, mas ela queria mais. Enquanto Kylo Ren ainda lutava com sua complexa vestimenta de guerreiro, a garota aproveitou o momento em que ele passava mais uma camada de tecido escuro por cima da cabeça e rapidamente se desfez das últimas faixas de pano que vestia.
E então Rey teve somente alguns instantes para admirar o torso nu de Kylo Ren, seus ombros largos, seus músculos de lutador delineados sob a pele pálida, a boca aberta num “o” ao vê-la despida por completo. O autocontrole que ele diligentemente mantivera até ali evaporou-se no ar quente do quarto, e em segundos o que restara dos trajes do cavaleiro formou uma pilha no chão.
Antes que Rey pudesse analisar o resto do corpo dele, Kylo Ren colou sua boca à dela, ergueu-a sem dificuldades do chão, e deitou-a sobre a cama estreita. Sem parar de beijá-la, acariciou–a rudemente, incapaz de deter os próprios instintos. Quando Rey deu por si, o corpo dele já estava sobre o dela, pressionando-a contra a cama. De modo atávico, primal, ela se sentia pronta, mas a conexão mental entre eles – mais intensa do que nunca – indicava que ele desejava estender mais um pouco a tortura. Seus beijos desceram pelo pescoço dela, a língua dele brincou com um mamilo, e ela não conseguiu conter um gritinho extasiado quando ele sugou o outro. Uma das mãos dele acariciou a parte interna das coxas de Rey, buscando o ponto mais sensível e molhado no meio delas.
– Olhe para mim.
Ele pediu de novo, mas dessa vez sua voz era ofegante, rouca. Rey olhou, gemendo. Ela podia ouvir os sons de umidade que o dedo dele fazia lá embaixo, tocando-a num ritmo constante, o prazer transbordando da pelve dela.
– Você sabe o que vai acontecer agora?
Sem esperar uma resposta, Kylo Ren ajoelhou-se entre as pernas abertas de Rey. Ela não pode esconder a surpresa em seu rosto ao finalmente vê-lo nu. Ele lambeu o dedo que estivera em Rey, e usou a mesma mão para se acariciar. Entre fascinada e assustada, observou-o manipular o sexo volumoso apontado para ela, com pelos escuros na base. E então compreendeu o que aconteceria. Kylo Ren passou a língua nos próprios lábios, os cabelos pretos cobrindo parte de seu rosto.
– Você está pronta?
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