Um sabre cor de sangue
9 Capítulo 9 - Mais
Notas iniciais
A garota deitada em sua cama era linda, e esperava por ele ansiosamente, definitivamente pronta, mas Kylo Ren ainda queria ouvi-la dizer as palavras. Ele saboreava o gosto dela na boca. Não apenas dos beijos de Rey, mas também do fluido delicado que ele sentira entre as coxas dela, que lhe garantia que ela estava preparada para recebê-lo. Ele sabia que as mulheres tinham um ponto sensível escondido sob os pelos do púbis, e não fora difícil encontrar o de Rey e fazê–la tremer. Ali a pele dela era extraordinariamente suave, como uma pequena flor ainda em botão. Mais tarde, refletiu, ele poderia apreciar aquela parte da anatomia dela com a língua.
Ele admirou a forma como ela o observava tocar a si mesmo: atenta, espantada, mas sem hesitação. Kylo Ren quis aproveitar mais alguns instantes como simples testemunha da necessidade que ela sentia por ele, do desejo que emanava dela como o vapor escapa do corte fumegante de um sabre de luz. O jovem cavaleiro estava mais do que pronto, dolorosamente rígido. Ele já não percebia com exatidão os pensamentos de Rey, captava apenas suas emoções cruas. Foi surpreendente vê-la erguer-se na cama para tocá-lo também. Primeiro com delicadeza, apreciando a textura da pele dele, seu rosto denotando surpresa e curiosidade. Depois, vê-la tentando substituir a mão de Kylo Ren, acariciando-o com pouca perícia, mas muita paixão. Ela pareceu absorta por alguns segundos, concentrada naquilo. E então levantou seus olhos cor de âmbar para ele.
– Eu estou pronta para você. – Rey consentiu, sussurrando.
Kylo Ren, que mal conseguira controlar-se até ali, soube que naquele momento a racionalidade o abandonara e algo mais primitivo se apossara drasticamente dele. Algo violento e inexorável, uma onda sombria arrastando-o, implacável, rumo ao abismo. Atirou-se outra vez sobre a garota, sem se importar com o peso de seu corpo forte esmagando–a contra o fino acolchoado que cobria sua cama. Beijou Rey com urgência, mordeu seus lábios doces até ouvi-la gemer alto. Já não fazia mais diferença que ela pudesse saber o que se passava na mente dele: seu único pensamento coerente lhe dizia que precisava possuí-la, que o verdadeiro lugar dele no mundo era dentro dela.
Rey o enlaçou com as pernas, instintivamente envolvendo-o pelos quadris; e ele deslizou para onde o calor e a umidade lhe chamavam, a natureza dos corpos guiando-o. Ela era quente e macia, muito estreita, irresistível. Ele logo encontrou uma barreira, mas isto tornava tudo ainda mais arrebatador: o último desafio antes do deleite absoluto que o corpo dela prometia. Kylo Ren sabia que a machucava, mas era impossível parar. Rey também não pediu por isso. Ela estava completamente entregue, e a dor era algo menor comparada ao prazer que construíam juntos. Por um instante ele pensou que talvez fosse grande demais para ela, mas com delicioso esforço foi capaz de preenchê-la. Rey gritou quando Kylo Ren ultrapassou o derradeiro limite da inocência dela.
Todo o vigor do cavaleiro parecia concentrado naquela extremidade de seu corpo, entrando e saindo de Rey, cada vez mais rápido, mais fundo, mais selvagem. Ela gemia abraçada a ele, apertando-o junto ao seu peito, recebendo-o com avidez. Ele podia sentir a dor que causava nela, um tênue e constante latejar no fundo de sua mente, escondido por camadas do mais dissoluto prazer. Tomar Rey daquele modo feroz era escancarar um portal para o Lado Sombrio. Ele sentia o poder carnalmente, uma energia arcaica e brutal impelindo-o de encontro a ela, exigindo que ele a dominasse, que a posse dela fosse total. Nada seria capaz de fazê-lo parar, nem mesmo uma pistola blaster contra seu crânio. De qualquer forma, submerso como ele estava no lado mais obscura da Força, Kylo Ren não teria dificuldade em controlar o laser sem sequer precisar interromper o que fazia.
O auge chegou mais rápido do que ele imaginara. O quarto se dissolvera, era como estar suspenso no espaço. Nada mais existia além do prazer que o aniquilava, e da carne tenra da garota debaixo dele. Talvez Rey tenha reclamado de dor – ele apenas sentiu a garota cravar as unhas em suas costas – e aquilo o levou ao limite. Ele se desmanchou no interior dela, mas continuou se movendo por mais alguns instantes. Podia sentir o líquido que irrompera dele misturar-se à umidade feminina no interior da pequena mulher em seus braços. Depois ficou imóvel, ofegante, sem querer sair de dentro de Rey. Desejou que aquele momento durasse para sempre.
Lentamente ergueu seu corpo, apoiado nos cotovelos; o suor pingava de seus cabelos negros. Beijou o pescoço de Rey, aspirou o cheiro dela. Beijou-a ternamente nos lábios e abriu seus olhos. Ela o encarava com ar cansado, o rosto afogueado; seus olhos úmidos talvez houvessem derramado algumas lágrimas. Mas ainda assim ela sorria, linda, iluminada. Ela deslizou as mãos pelos ombros e pelo dorso dele, carinhosamente. Kylo, que quase se esquecera do que era afeto, tocou a ponta do nariz da garota com o seu próprio nariz, um afago que lhe recordava sua infância.
– Machuquei você?
– Um pouco. Mas valeu a pena.
Ele franziu a testa. Suor escorreu por suas pálpebras, fazendo-o piscar e sacudir a cabeça; Rey riu. Ainda piscando, ele continuou:
– Acho que não tinha outro jeito... as mulheres passam por isso na primeira vez.
Ela limpou o suor na testa dele, até as gotinhas que se acumularam sobre suas sobrancelhas espessas.
– Vai ficar mais fácil, não vai? — Ela perguntou, timidamente.
Foi a vez de Kylo Ren sorrir.
– Eu admito que não sou um especialista no tema, mas acho que vai, sim. Espero que quando fizermos de novo seja muito mais... prazeroso para você.
– Então nós vamos fazer de novo?
– Daqui a pouco, se você quiser. Preciso de alguns minutos.
Ela mordeu o lábio inferior, permanecendo calada por não mais do que alguns segundos.
– Que tal agora?
Rindo como não fazia há anos, Kylo Ren saiu de cima e de dentro dela, espremendo-se contra a parede do quarto para que pudessem permanecer juntos na cama exígua. Ele a abraçou, a pele de ambos ainda escorregadia de suor, e repousou a cabeça no peito da garota.
– Eu realmente gostaria de um tempo para me recuperar, apressadinha.
A ligação telepática entre ambos esvaecera. Agora as sensações dela apenas ressoavam nele, enevoadas como lembranças. Ela estava cansada, faminta. Ou com sede. Distraidamente brincava com os cabelos dele, enrolando os fios molhados nas pontas de seus dedos. Ele a transformaria em sua aprendiz, treinariam juntos, e comemorariam cada progresso juntos, como agora. Ele a faria esquecer-se da Resistência. Talvez pudessem se casar, ele sabia que seu próprio avô fora casado. Foi interrompido em seus devaneios pela voz suave de Rey.
– Eu preciso beber água. – ela disse, erguendo-se na cama para se sentar, mas permitindo que ele mantivesse sua cabeça no colo dela.
Kylo Ren não gostava de demonstrações frívolas do uso da Força, mas o prazer o deixara preguiçoso. E truques banais poderiam impressionar a garota... concentrou-se um instante e gesticulou rapidamente. Em frente à cama havia um pequeno armário metálico, que abriu-se ao comando do cavaleiro. Entre alguns outros objetos, havia duas garrafas de vidro transparente armazenadas ali. Uma delas deixou a prateleira, movendo-se como que por mágica, e flutuou em frente à garota por vários segundos. Rey agarrou-a no ar sem nada dizer, desenroscou a tampa e bebeu até saciar-se. Por fim, ela murmurou:
– Você podia ganhar algumas boas porções de comida fazendo esses truques em Jakku.
– Isso não é nada. Vou ensiná-la a fazer muito mais.
Ela suspirou. Colocou a garrafa vazia sobre uma mesa ao lado da cama, e permaneceu calada por um longo tempo, acariciando a cabeça do jovem guerreiro, correndo os dedos pelos cabelos escuros. Ele não se lembrava da última vez em que sentira algo tão relaxante. Nu e saciado, Kylo Ren acabou dormindo. Há anos seu sono não era tão tranquilo e restaurador, sem sonhos ou pesadelos – apenas um agradável mergulho no breu do esquecimento.
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