Um romance nada convencional.
2 Primeiro dia de aula.
Notas iniciais
Jack Frost.
Liguei o rádio, estava tocando a música "In The End" da banda de Rock Link Park.
Merida jazia muito quieta e encolhida no banco passageiro. Observava a janela do carro mal-humorada.
— A troco de que? — ela me perguntou ainda contemplando a vidraça.
— Como? — indaguei confuso.
— Você tá zoando com a minha cara? — pegunta Merida com uma mescla de ironia e curiosidade. — Não consigo imaginar um Jack Frost bom samaritano...
— Então quer dizer que não posso praticar boas ações? — tenho xcesso de risos.
— Vindo de você é estranho! — alega a ruiva.
— Eu juro — digo levando as mãos a cima da cabeça. — que não existem segundas intensões em levar minha vizinha chata pra escola.
Merida me crava. — Sei. Vou fingir que acredito — a ruiva volta a observar a vista pela janela do carro. A música estava em seu refrão final.
I tried so hard and got so far
But in the end, it doesn't even matter
I had to fall to lose it all
But in the end it doesn't even matter.
— Eu não vejo a hora de ir embora dessa cidade. — murmurou ela.
Suas palavras fazem com que o meu rosto se endureça. — Vai para qual Universidade quando terminar esse ano? — eu pergunto.
— Vou para Ohio morar com a minha tia. — ela respondeu.
Ficamos em silêncio até chegarmos ao estacionamento da escola.
— Obrigada pela carona, Picolé — agradeceu ela, ao saltar do carro.
— Sem problemas, DunBroch — sorri.
Eu segui para um lado enquanto ela foi para o outro. Será que estávamos destinados a trilhar caminhos diferentes?
Estava a caminho da diretoria quando topei com o meu amigo, Soluço.
— Ei, cara!
— Jack, como vai? — disse ao me reparar.
— Vou bem — respondi traveso. — como foram as suas férias de verão?
— Tediosas, mas pelo menos eu consegui colocar minhas series em dia- ele deu de ombros. — Minha próxima aula é de bioquímica e a sua?
— Acho que filosofia. — articulei. — Você não vai acreditar com quem eu estive ainda agora!
— Com a Jennifer Lawrence? — brincou o garoto.
— Não, melhor ainda... com a Merida DunBroch.

— Você ainda gosta dela? — quis saber Soluço.
— Quando eu estou do lado dela... não sei explicar!
— Que coisa mais fofa de se dizer, Jack — a voz de Elsa me fez congelar. A garota me abraçou pelos ombros. — O que eu sinto por você também é inexplicável.
— E-Elsa? — balbuciei.
— Qual sua primeira aula, amor? — perguntou a loira, sorrindo.
— Filosofia. — respondi, me recuperando do susto.
— Que bom, porque a minha também. — exclamou.
Merida.
Eu e a Rapunzel estávamos conversando sobre nossas férias. Durante o verão, Punzel foi conhecer a França.
— E você foi visitar sua tia em Ohio?
— Sim, quero saber tudo sobre cidade e como ela funciona. — respondi.
— Minha prima, Edith, comentou que os universitários de Ohio são gatinhos! — a loira comentou.
— Hoje de manhã eu peguei carona com o Frost. — disse pensativa.
— Jack Frost? — Rapunzel arregalou os olhos. — O filho do Norte Noel? Namorado da Elsa?
— E tem outro? — retruquei.
— Uau! — Exclamou, sobressaltada.
— Não vejo nada de mais naquele garoto. — resmunguei.
— Você é cega? Jack Frost é o rei dessa escola. Todas querem!
— Minha mãe vive dizendo que eu não sou todo mundo — dei de ombros.
Rimos juntas.
— Por falar nele — Rapunzel apontou para o garoto branquela andando de mãos dadas com a namorada.
Elsa Aredelle faz aquele tipo de garota bonita, rica, com milhões de amigos no facebook e que mesmo assim consegue manter uma vida social saudável. Ela estuda nas horas vagas no Instituto paranormal do professor Xavier. Estou brincando!
Eles são os populares. Os maiorais. Os adorados e idolatrados.
Aqui no colégio as coisas funcionam de maneira bem simples, cada um tem o seu grupo.
Os populares, os sociáveis e os nerds. Eu não faço parte de nenhum deles. Não sou popular e nem tampouco sociável, uma vez corri atrás de um garoto com um arco-flecha, e é exatamente isso que não me faz uma pessoa gentil. Não sou nerd, nada de inteligente. Então digamos que eu sou a durona daqui, aliás sou a única garota que pertence ao time de futebol americano da escola.
— A Elsa está bonita. — comentou Elsa.
A garota trajava um vestido branco cheios de detalhes, possuindo delicadas flores azuis e rosas, com um laço na cintura e um casaco azul-bebe. O cabelo preso em um rabo de cavalo de lado, e uma sapatilha lilás para completar.
— Rica como ela é, pode comprar de tudo. — murmurei.
Frost e Elsa seguiram para a sala de Filosofia.
— Acho está na minha hora. — avisou Punzel.
— Eu tenho aula de história nesse exato momento. — bufei. Odiava as aulas chatas da professora Leila.
— Uma pena — murmurou Punzel. — tenho Letras agora.
— Com licença — disse uma vozinha tímida.
— Oi. — me virei para encara-la.
— Olá! — cumprimentou a garota, até que ela era bem bonitinha.
— Você é caloura? — quis saber Rapunzel.
— Sou. — respondeu ela. — Me chame de Anna!
— Seja muito bem-vinda, Ana! — disse educadamente Rapunzel. — Essa é minha amiga Merida e eu sou a Rapunzel Corona.
— Onde fica a sala de letras? — perguntou.
— Segundo corredor, terceira sala. — respondeu minha amiga. — estou indo para lá agora.
— posso te acompanhar? — perguntou Ana, ela tinha lindos olhos azuis.
— Claro. — Punzel riu. — Tenha uma boa aula Meri.
— Ok. — resmunguei.
Jack.
A aula de Filosofia é um saco, e quase sempre eu não prestava atenção no que o professor falava.
— Estou preocupada com a minha irmã. — murmurou Elsa, do meu lado. — Acabei me esquecendo de Ana.
— Aquela sua irmã mais nova? — perguntei.
— Sim. Ela mesma. Foi transferida pro mesmo ano que a gente... Nenhuma pra mim surpresa, é claro, Ana é nerd. — confirmou Elsa.
— Com licença, senhores Frost e Aredelle, mas os dois estão atrapalhando minha aula. — ralhou o professor Collins. — Podem me repetir o que eu estava falando?
Momento de silêncio constrangedor on.
— Não sabemos. — Elsa engoliu em seco. — Sinto... muito!
A sala inteira começou a rir.
— Silêncio! — bradou Henry Collins. — É melhor prestar mais atenção!
— Nós iremos — disse Elsa, muito vermelha.
— A palavra Filosofia é composta de duas outras palavras de origem grega: Filos, que significa amor, amizade, e Sofia, que traduzimos como sabedoria ou conhecimento. — continuou ele. — É a Pitágoras de Samos que se atribui a invenção da palavra. Este, quando solicitado por um rei a demonstrar seu saber, disse-lhe que não era sábio, mas Filósofo, ou seja, amigo da sabedoria.
Merida.
Estava caçando por Rapunzel na hora do recreio. Eu a achei próxima ao bebedor conversando com Anna e Soluço.
— Como foi a aula de vocês? — perguntei, mal-humorada.
— foi realmente boa. — respondeu Punzel.
— Oi Soluço! — cumprimentei o garoto magrela.
— Como vai, DunBroch? — ele sorriu tímido.
— Olha, aí está você — disse uma voz exagerada. Era Elsa acompanhada por Jack. — Fiquei com tanto medo! Me desculpe.
— Calma, irmã. — pediu Anna.
Meu queixo caiu.
— Desculpe-me por ter te deixado sozinha. — disse-lhe Elsa.
— Tudo bem. — Anna sorriu.
— Vejo que fez amizades, maninha — Elsa olhou para nós. — Soluço, Rapunzel Corona e você, hã.... Melinda Dumberting.
— É Merida DunBroch. — corrigi, fechando a cara.
— Ah, desculpe ruiva. — Elsa riu.
— É Merida — resmunguei.
— Bom, vou deixa-los em paz. — a loira piscou para Anna.
Jack se virou para me encarar, um sorriso insuportável estampava seu rosto.
— Tchau, merida.
— Calado, seu trombadinha.
Fale com o autor