Um romance cristão
1 Capítulo 1 - Como pode ser assim?
A casa estava cheia. As paredes eram muito claras e as janelas muito altas.
Quando Ana foi recebida na porta, a primeira coisa que notou foi o ar de requinte, o piso em porcelanato brilhante, as paredes em tons pastéis, a música instrumental que tocava ao fundo, as pinturas caras na parede, e agora, ela estava olhando os espelhos. Muitos espelhos. Bem à sua frente, na parede oposta, havia um grande espelho oval, a moldura dele era prateada com espécies de ramos retorcidos em volta. Mas não era isso que chamava sua atenção. Pelo contrário. Era a sua imagem refletida no espelho que chamava a sua atenção.
Naquela noite, enquanto acompanhava seu namorado Heitor naquela festa do trabalho dele, em meio a tantas pessoas do corpo empresarial de finanças, ela se sentia um tanto… inexpressiva. Sim, essa era a palavra que a descrevia regularmente nos últimos meses. Quem a avistasse ali, com aquele vestido preto e formal de gola alta, usando salto alto e com brincos de argola e o colar dourado, não imaginaria o quanto ela vinha se sentindo desconfortável consigo mesma.
Em sua mão estava uma taça de vinho branco que, vez ou outra, Ana agitava em movimentos circulares antes de tomar um gole a mais. Aquela já era a terceira taça… Ou era a quarta?
Ela olhou para o lado, e assentiu com a cabeça e sorriu quando sua amiga Lea falou algo, embora não tivesse prestado atenção suficiente na conversa para descobrir o que ela havia dito. Mas a julgar pela expressão em seu rosto, deveria ser algo engraçado. Lea era descendente de alemães e seus cabelos loiros estavam repartidos de lado e desciam em cascatas até pouco acima da cintura. A cor do seu batom vermelho combinava com a cor do vestido e dos sapatos de salto. E junto delas estava também Alessandra. Elas a tinham conhecido pessoalmente naquela noite, e ela deveria ser dois ou três anos mais velha que ela e Lea, embora não aparentasse. Quem as vissem juntas diria que todas eram jovens e elegantes mulheres na faixa dos 25 anos. Alessandra era esposa de um dos sócios da empresa em que Heitor trabalhava e estava há alguns minutos em uma conversa empolgada com ela e Lea. Ou melhor dizendo, apenas com Lea.
Ana tomou mais um gole do vinho e piscou os olhos enquanto tentava se concentrar na conversa das duas.
—-- Você não acha isso legal, Ana? --- Perguntou Lea.
—-- Com certeza. --- Ana respondeu e sorriu. Não sabia sobre o que estavam comentando, mas a julgar pela expressão e sorrisos nos rostos de Lea e Alessandra, ela tinha acertado a resposta.
Ana levantou os olhos e viu o relógio em cima de uma cristaleira de vidro. Já eram quase 21:30. E ela deveria estar ali há pelo menos 2 horas. Seus olhos percorreram a sala aonde estava e entre tantas pessoas elegantes, seu olhar pousou sobre um homem muito bem vestido. Ele usava camiseta social branca sob um colete preto social em conjunto com a calça preta e gravata de seda. A barba por fazer destacava os olhos claros e o sorriso fácil. E quando os olhos dele pararam sobre Ana, ele veio em sua direção.
—-- Com licença, me permitem sequestrar a minha namorada por alguns minutos ?--- Heitor perguntou, galanteador; enquanto uma das mãos pousava nas costas de Ana, a outra segurava uma taça de champanhe.
Heitor a conduziu pela sala até um canto enquanto os risinhos de Lea e Alessandra ficavam para trás.
—-- Você está bem? --- Heitor perguntou,
Ana suspirou.
—-- Acho que estou um pouco cansada, Heitor. --- Confessou ela.
A questão é que Ana estava cansada dela mesma, cansada de fingir aquela aparência de normalidade e equilíbrio, uma sobriedade que não tinha.
Mas ela sabia que aquilo era importante para ele. Afinal, era uma festa de promoção. Heitor havia se destacado tanto nos últimos meses na empresa, que havia ganhado a promoção há pouco mais de três semanas. E ele estava exultante com aquilo. Ana se alegrava por ele também, mas não podia negar que ultimamente se encontrava apática sobre tudo em sua vida.
Seu emprego estava indo bem, seu relacionamento com Heitor havia evoluído tanto nos últimos meses que ela tinha a certeza de que poderiam ficar noivos a qualquer momento, ela tinha bons amigos e boas companhias, mas nos últimos meses Ana se questionava sobre a razão de tudo aquilo. Ela não sabia se o "problema" que tinha era uma crise existencial ou algo do tipo, mas sentia como se estivesse perdendo tempo, algo tinha se destruído dentro dela, ou como se já estivesse destruído, e só agora ela percebesse. Uma coisa sabia: a redoma de vidro na qual vivia antes havia se quebrado. Era como se precisasse fazer algo mais, mas não soubesse o que, sair da zona de conforto e fazer algo que fosse extraordinário, mas… ela não conseguia. Não conseguia progredir. E isso a deixava ansiosa, angustiada, e na melhor das hipóteses, apática, entregue à própria frustração.
Se o fim da vida era ter bons relacionamentos, estabilidade, felicidade, o que restava para ela agora? E se ela tinha tudo isso, por que sentia que algo mais profundo lhe faltava?
Ela já não conseguia entender o que mais seu coração buscava e ansiava descompassadamente, e isso a deixava incrivelmente ansiosa ou incrivelmente frustrada. E furiosa! E nas últimas semanas esse sentimento, essa angústia vinha aumentando, aumentando, comprimindo-a, sufocando, fazendo-a se isolar de tudo, inclusive das pessoas que ela amava. E por mais que Heitor fosse incrível, era difícil para ele entendê-la. De alguma forma, ele parecia imune a esse tipo de reflexão, inconscientemente apático. E isso os distanciava. Ele não conseguia entender o que se passava no coração de Ana. Ela estava sozinha nisso.
Antes que pudesse pensar em mais alguma coisa, Heitor a beijou desarmando todos os seus pensamentos. Ela piscou, e encarou os olhos dele.
—-- Vamos lá, Ana. Vamos aproveitar a noite. --- Ele pediu e sorriu. E aquele sorriso poderia convencê-la a pular de um carro em movimento, se quisesse.-- Aliás, pode tirar algumas fotos minhas enquanto eu estiver lá?
Ele indicou um canto da grande sala de estar em que estavam alguns microfones posicionados.
—-- É claro. --- Ana concordou e Heitor retirou do bolso o próprio celular, entregando-o à ela. Então uma voz ao microfone o anunciou.
—-- Caros amigos, uma salva de palmas para o nosso mais recente diretor executivo, Heitor Bitencourt.
A salva de palmas foi imediata e atingiu seu ápice quando Heitor segurou o microfone. Enquanto ele começou a discursar, Ana destravou o celular e tirou algumas fotos de ângulos diferentes. Ele estava tão radiante que o coração de Ana palpitou mais rápido, e o lugar em que a mão de Heitor estivera pousado em suas costas, sentiu falta da presença dele. Ana o amava, mas por mais que tentasse conversar com Heitor o que ela sentia, eles não se entendiam quanto a esse assunto. Ele até mesmo a tinha convencido a fazer terapia, e ela tinha concordado. Isso já fazia três meses e a única coisa que tinha tirado de lição em todas as sessões era que deveria compreender a si mesma e desenvolver sua espiritualidade. Mas acabava aí. Frustração. Ela não entendia a si mesma e sequer sabia como desenvolver sua espiritualidade. No fim das contas, ela não estava em busca de uma religião, disso tinha certeza. Ela não queria olhar para o mundo e buscar algo ali que a contentasse o suficiente enquanto vivesse,o que sentia no peito era um vazio grande demais para ser preenchido, profundo demais para ser tampado.
Ana cerrou seus olhos se concentrando em tirar mais uma foto de Heitor. E embora agora ela estivesse totalmente focada, seus olhos concentrados em encontrar uma boa iluminação, seus dedos ágeis para tirar o “click” no momento ideal, e seus ouvidos atentos às palavras de agradecimento de Heitor, ela ainda parecia desconectada daquele ambiente. Estar ali por si só já era um milagre, mas Heitor tinha insistido tanto para que ela estivesse ali naquela noite.
Quando Heitor devolveu o microfone ao homem que o tinha anunciado antes, as palmas começaram outra vez e se estenderam por mais alguns segundos. Quando ele voltou a se aproximar de Ana, ele ainda estava sorrindo, mesmo que antes disso ele tivesse cumprimentado nove pessoas antes de chegar até ela.
Ela o abraçou, seus braços enlaçaram o pescoço dele e ele, por sua vez, fechou os fortes braços ao redor dela.
—-- Parabéns! --- Ana sussurrou em seu ouvido. --- Estou tão orgulhosa de você, Heitor.
Ele sorriu.
—-- Vem comigo, Ana.
A mão de Heitor segurava a sua enquanto eles atravessaram a sala de recepção e mais uns dois cômodos até chegarem ao jardim dos fundos. Assim como o restante da casa, o jardim estava bem iluminado. Para não atrapalhar a passagem, a iluminação foi embutida no chão e rente às paredes. Haviam cordões de luz que se estendiam dos coqueiros até as colunas de sustentação da área e ao centro do jardim, um pequeno aglomerado de coqueiros e orquídeas, e sob as suas folhas, alguns bancos. Algumas pessoas também estavam no jardim, dois homens conversando em um canto, três crianças correndo de um lado para o outro, mas eles eram os únicos ali nos bancos de pedra.
Ana se sentou e devolveu o celular para Heitor. Ele passou os olhos rapidamente pelas fotos e se sentou ao seu lado, seus olhos ainda brilhavam.
—-- Eu te disse que valia a pena estar aqui hoje. O que você achou?--- Ele perguntou.
Ela sorriu, um pouco sem graça.
—-- Eu gostei.-- Ela respondeu pisando um toco de grama.
—--- Você esqueceu a palavra não no meio da frase. --- Ele riu.
Mas quando ela não o corrigiu, o sorriso dele vacilou.
—-- Ah, qual é, Ana. Você não pode estar falando sério.--- Ele se levantou. --- Está?
—-- Heitor…
—-- Eu não te entendo… --- Ele passou as mãos pelos cabelos castanhos.
—-- Eu não quero estragar sua noite, que tal conversar depois?
—-- E dizer que não queria estar aqui comigo não é justamente estragar minha noite? --- Ele disparou.
Ana suspirou. De novo.
—-- Eu falei para você que não estava bem.
—-- O que você quer?
Ela riu.
—-- Se eu soubesse, você acha que teríamos esse tipo de conversa? --- Ana se levantou. --- Eu quero ir para casa.
—-- Não posso te levar agora.
—-- Eu não pedi para você me levar.--- Ela estendeu as mãos. --- Só preciso das chaves, Heitor.
Ele tirou as chaves do bolso da calça social e as entregou.
—-- Vamos resolver as coisas, Ana. Não vai embora.
O coração de Ana deu um solavanco e sua garganta se apertou.
—-- Não vamos conseguir resolver isso agora, Heitor, porque eu não sei como resolver a mim mesma.
Ela não olhou para trás quando foi em direção à casa iluminada, mas escutou um suspiro pesado antes de entrar. Ela fingiu um sorriso quando atravessou a sala de recepção e se despediu de Lea e Alessandra com um abraço rápido. E quando lhe perguntaram o porquê de estar indo embora, comentou que estava indisposta, o que não era totalmente mentira, embora aquele não fosse o único motivo.
Quando atravessou o estacionamento, Ana sentiu sua cabeça pulsar. O nó em sua garganta só aumentou à medida em que o ar gelado e úmido da noite fazia seus pulmões arderem. Sua respiração acelerada também não a ajudava muito.
Quando ela fechou a porta do SUV azul e girou a chave, o nó em sua garganta se desfez em soluços altos. Até o momento, ela não tinha percebido o quanto havia chorado até olhar seu reflexo no retrovisor. Ana enxugou o rosto com as costas das mãos e tirou o carro do estacionamento, quando finalmente alcançou a rua, o céu estava vermelho e nublado como se pudesse desabar a qualquer instante. E ela acelerou para chegar em casa o quanto antes.
Alguém poderia dar carona para Heitor ou ele mesmo poderia dar um jeito de ir embora ao final da festa, ele poderia pegar o próprio carro no dia seguinte quando passasse na casa dela e provavelmente eles continuariam a conversa daquela noite. Heitor… As lágrimas cairam com mais força. Porque ele não conseguia entender que o ela tinha era mais profundo do que simplesmente fazer um checklist da própria vida? Ana bateu as mãos no volante. Ela se sentia mal. Acima de tudo sentia tanta raiva. Sentia raiva de si mesma. Por que não podia fazer como todo mundo e superar o momento como todas as outras pessoas? Por que seu coração doía por algo do qual ela nem sabia o que era? Como poderia resolver isso? Como poderia resolver a si mesma? Sem machucar os outros, sem ferir aquelas pessoas que amava por causa das suas crises? Por que se sentia cada vez pior? Ela não estava aguentando mais.
Assim como suas lágrimas caíram com força, o céu começou a desabar e a cortina de água se fechou à sua frente sem qualquer aviso prévio. E nem estava na metade do caminho ainda. Tão forte quanto a chuva que caia no parabrisa, as lágrimas a cair no rosto de Ana ainda que ela lutasse para limpá-las. Ela estava lutando com o volante do carro, lutando contra a chuva forte que mal lhe permitia enxergar metros à frente na pista, lutando consigo mesma. E essa batalha durou por vários quilômetros até que barulho constante a fez prestar atenção no carro pela primeira vez naquela noite. Aquele era o carro novo de Heitor, e ela ainda não tinha se acostumado a dirigir aquele veículo, mas quando viu a luz acesa no painel piscar repetidamente, Ana xingou.
A luz vermelha piscando no formato de uma bomba de combustível significava que o tanque estava muito próximo de esvaziar, e ela não tinha percebido há quanto tempo a luz já estava piscando… e não demorou muito para o carro começar a falhar e perder a força. Àquela altura, a chuva já havia diminuído e se tornado um chuvisco, ela estava atravessando um bairro residencial, as ruas frias e vazias e os postes com iluminação falhada. Ana acelerou, talvez conseguisse chegar a alguma rua comercial antes que a gasolina acabasse. Ela tateou o interior de sua bolsa e agarrou seu celular, mas a tela preta não ligou mesmo quando apertou todas as teclas na lateral. Ela o jogou de volta na bolsa, mas nem teve tempo para devolver a bolsa ao banco do passageiro. O carro falhou mais uma vez e a única coisa que ela conseguiu fazer foi virar o volante, jogando o carro para meio fio antes do automóvel apagar de vez.
Ana bufou e ainda tentou ligar por duas ou três vezes, mas nada.
Ela olhou através do parabrisa, encarando a rua deserta. Quais eram suas chances de encontrar ali alguém que lhe pudesse ajudar? Ela tentou ligar o celular mais uma vez, mas não obteve resposta. Era ficar ali até aparecer alguém ou buscar ajuda.
Quando Ana saiu do veículo, cambaleou um pouco e não conseguiu identificar se a falta de equilíbrio foi por causa da dor de cabeça ou por conta das quatros taças de vinho... ou ambos. Ela bateu a porta com força, certificando-se de que estava trancada, e passou uma das alças da bolsa ao redor do pulso, por precaução.
A cada passo que dava, Ana tinha a impressão de que não chegaria a lugar nenhum, mas repetia para si mesma a cada minuto que ficaria bem. Seus pés estavam latejando tanto quanto sua cabeça, ela já estava andando há uns quinze minutos, mas as ruas desertas não pareciam chegar ao fim, e em algum momento, ela escorregou no piso de uma calçada do que parecia ser uma espécie de prédio comercial, e da mesma forma que caiu, Ana ficou.
Ela não soube se foi instinto ou não, mas assim que virou em uma esquina, se encostou em um alto muro do que parecia ser um imóvel comercial. Sua cabeça doía tanto… Pesadamente, se deixou cair no chão, suas costas rente ao muro rebocado. Ela dobrou as pernas e as abraçou junto ao peito. Seu coração estava tão pesado e solitário quanto ela mesma estava ali. Ana encostou a cabeça sobre os braços, e fechou os olhos. A escuridão parecia rondar, embora ela soubesse o quanto era perigoso estar ali, vulnerável, mas seu corpo estava tão pesado, seus olhos custavam a focar em algo, e cada vez que piscava, era mais difícil abrir os olhos em seguida. Aquele seria o momento ideal para alguém aparecer e ajudá-la. Mas quais eram as chances? Quem poderia escutar seu pedido de ajuda silencioso?
—-- Você precisa de ajuda, moça?
Ana levantou a cabeça num impulso e piscou até focar na figura masculina próxima.
O homem estava de bermuda e camiseta, em uma das mãos ele segurava um saco de lixo grande. A expressão em seu rosto era séria, e essa mesma seriedade ficou evidente em sua voz quando ele perguntou de novo:
—-- Moça, você está bem?
Mas de onde ele tinha saído?
Ana tentou se levantar rapidamente, mas cambaleou, caindo sentada no chão. O homem foi em sua direção, mas parou de repente, como se considerasse alguma coisa. Ele deixou o enorme saco no chão próximo ao meio fio, e levantou as mãos, como se dissesse silenciosamente que não representava um problema. Foi então que Ana notou o portão aberto há alguns metros dela, de onde provavelmente ele deveria ter saído.
Ele se agachou, seu rosto ficando na altura do rosto dela, e ela pode enxergá-lo melhor.
Ele não deveria ser muito mais velho do que ela, se é que ambos não tinham a mesma idade. Tinha feições firmes, algumas mechas do cabelo cacheado e castanho caiam sobre a testa, e os olhos que encaravam os seus eram tão verdes quanto a camiseta que ele usava.
—-- Eu posso te ajudar em algo? --- Ele perguntou. Dessa vez, a voz soou mais amigável.
Ana piscou novamente.
—-- Fiquei sem gasolina.
—-- E você não encontrou o posto de gasolina?
—-- Não. Também fiquei sem bateria para pedir ajuda.
Ele considerou calmamente, absorvendo as palavras dela.
—-- Seu carro está aqui perto?
—-- Eu acho que sim.
Ele assentiu, olhando pela rua, e depois se levantou. Quando estendeu a mão para que ela se levantasse também, ela hesitou.
—-- Não se preocupe, eu sei que parece estranho… --- Ele tentou sorrir. --- Mas pode esperar lá dentro enquanto eu busco a gasolina, então você pode me mostrar onde está seu carro. Aqui fora não é muito seguro a essa hora.
Ela se levantou, apoiando na parede, deixando a mão dele estendida no ar.
—-- Desculpa, mas por que você acha que eu entraria aí?
Ele recolheu a mão, e enfiou no bolso da bermuda jeans.
—-- Porque aqui é uma igreja.
Ela franziu o cenho e olhou novamente o prédio comercial ao seu lado. No alto do muro havia uma placa bem grande: IGREJA CRISTÃ EVANGÉLICA.
Quando ela o encarou novamente ficou constrangida. Aquilo a tinha desarmado.
—-- Desculpa… Eu…
Ele levantou as mãos em sinal de paz e sorriu.
—-- Não se preocupe, no seu lugar eu faria o mesmo. Lá dentro você pode se sentar e comer alguma coisa, se quiser.
Ele falou enquanto eles caminhavam em direção ao portão. Em todo instante, ele foi cuidadoso em dar a ela espaço, mas ao mesmo tempo em que mantinha apenas a distância suficiente, se certificando de que, se ela tropeçasse ou algo assim, ele tivesse condições de ajudá-la.
Quando Ana entrou pelo portão, se viu em um galpão bem iluminado, as paredes altas pintadas de branco e o teto de metal. Havia entradas de ventilação no teto e nas paredes.
—-- Aqui é só o anexo da igreja. --- Ele explicou, parando ao seu lado após fechar o portão. --- À propósito, meu nome é Marcos.
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