Um problema sem fim
1 Um doido ou um bandido?
Em uma casa meio amarelada com vermelho, no meio de uma estrada deserta e quase não usada. Um homem com roupas sujas de terra e sangue, sentado numa cadeira velha que por sinal está quase caindo com ele junto, ele esta segurando sua perna, com dor, parece baleado, será um bandido? Um assassino? Um fugitivo? Mas ele não parecia com medo, ou com vontade de fugir. Logo ele se levanta e se direciona a porta. Ele a fecha com uma das mãos, em quanto a outra segura sua perna ferida, ele cai no chão. Deitado ele vira sua cabeça para o lado com muita dor e, então vê algo embaixo de uma poltrona velha. Uma faca de ponta. Parece bem afiada. Ele a pegou, e olhou para ela fixamente até o momento em que ele rapidamente finca ela com força no sofá ao lado e, segurando ela, ele se levanta. Ele então tira a faca do sofá e, senta. Ele fica olhando fixamente para a faca como se não tivesse nenhum compromisso. Como se ele estivesse esperando morrer ali. Mas o que faria um homem com uma bala simples em sua perna, nada tão grave, achar que ali seria seu fim? Será por que ali é uma estrada deserta? Será que pessoas ruins o alcançariam ali? O que se passava na cabeça desse homem?
Ele parecia tenso, mas ao mesmo tempo calmo. Do nada ele pega a faca e a enfia em sua ferida de bala de um modo que a bala sai da ferida de uma vez só, junto a faca. Ele sente dor, muita dor, ele então, usa a faca mais uma vez e, dessa vez corta um pedaço de sua blusa e, o amarra na ferida para parar de sangrar. Ele parecia saber o que estava fazendo. Mas ao mesmo tempo parecia não fazer a minima ideia.
Ele com dor olhava sua ferida coberta com o pedaço de sua blusa, que também, já estava encharcado de sangue. Ele levanta sua cabeça rapidamente olhando para a janela, como se alguém tivesse passado ali. Mas não havia ninguém. Era uma estrada deserta. Não usada. Quem estaria ali? Será alguém atrás dele ? Ou um animal? Já houve casos de onças e tigres ali. Mas ele olhava para a janela com uma cara de que conhecia exatamente quem estava ali, mas não havia ninguém. Não havia nada. Nada além de uma longa floresta, uma velha estrada e um silêncio absoluto. Então o que estaria fazendo ali? Ele não sairia dali? Por quê?
Finalmente se levanta novamente e, dessa vez, aguenta a dor ate chegar a porta e descansar um pouco. Ele abre a porta e sai, a deixando aberta. Ele senta no chão com dor e tenta relaxar um pouco. Logo ele se deixa, de barriga para baixo e, se arrasta até perto de uma árvore, quase chegando lá ele passa por cima de uns galhos que tocam sua ferida, então ele com muita dor para e descansa novamente. Já melhor ele continua a se arrastar, mas dessa vez empurrando os galhos de sua frente para os lados. Quase lá ele para olhando para um grande galho no chão. Ele pega o galho e o apoia no chão, usando-o para se levantar. Ele caminha até a estrada usando o galho para andar. Quando chega, ele olha para os dois lados, espera um tempo e atravessa, como se fosse uma estrada movimentada que, ele necessita-se de esperar para atravessar, como se houvesse carros ali. Ele realmente é doido? Estou começando a ter certeza disso. Ele deve ter problema mental. Será o que ele acha que vê?
Ele depois de atravessar, foi andando ao longo da estrada, novamente parecia sem rumo e, ao mesmo tempo com exatidão em seu destino. Ele está doido? Ou sou eu... que estou? Ele parece tão certo do que está a fazer que eu... estou... sem palavras... estou... ficando... sem destino... o que... está... acontecendo comigo? Eu... não sei o que... dizer... e... ah. Eu realmente estou ficando doida. O que há de errado comigo? Será que a maluca sou eu? E não ele. Estou tendo quase certeza disso... mas... cada hora tenho certeza de algo, então não dá mais para saber qual será a certeza mais certa ou... menos certa. Então por enquanto acredito, que infelizmente, sou eu... a doida na história, mas... você deve está perguntando se eu participo desse história e, é isso que me preocupa, como alguém que nem participa da história, é a doida da história? Porque afinal, eu sou a narradora, quem conta a história, então normalmente, você vai pensar sempre que o que digo é o que aconteceu. Mas e se isso não aconteceu. E se isso for uma invenção. Você não há como saber se o que eu lhe conto nessa história é a verdadeira história dentro da história ou se há uma outra versão nos contos. Você já parou para pensar se quem provocou o lobo pode ter sido a chapeuzinho e, por isso ele resolveu atacá-la? Você já perguntou ao lobo a versão dele na história? Não? Por quê? Por ele ser mau? Mas como você tem certeza de que ele é mau se você só ouviu uma versão da história? E se a chapeuzinho for mau e tiver incriminado o lobo? Não há como saber. Então me diga como você pode ter certeza de que a louca não sou eu? Ou que eu não inventei esta história? O homem pode ter sido baleado por mim. Vocês nunca saberiam, pois eu diria que ele é louco. Vocês acreditariam em mim. Então se ele dissesse que eu o baleei, vocês pensariam, ele é doido. Ou melhor, ele não diria isso. Pois vocês não iriam perguntar a versão dele não é? Pois vocês acreditariam na minha versão. Ou achariam ser apenas uma história escrita por uma escritora de merda que coloca dúvidas em sua cabeça. Como você sabe que ele é doido? Pela história? Mas e se a história for falsa? E se a história for mentira? Não há como saber. Eu lhe afirmo que digo a verdade. Mas se você não quiser acreditar em mim, não há problema. Mas eu contarei a história exatamente como um narrador deve fazer. Sincero e completamente aos detalhes sem ocultar nada.
Voltando aos meus pensamento sobre o homem ferido da velha casa de estrada. Primeiro pensei ser um bandido, pois está ferido e com uma expressão horrível de horror e escuridão, como se, acabasse de viver um filme de terror, mas logo depois, ele ficou olhando para uma faca, tirou a bala sem mais nem menos e, olhou para a janela como se estivesse vendo, com toda certeza, alguém ali. Mas não havia ninguém. E ele atravessou a rua como se houvesse carros ali. Então... Quem ele é? Ou o que... ele é?
Será ele... Um doido? Ou um bandido?
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