Um presente para Oliver
1 Entrando numa fria.
Notas iniciais
Oliver Queen.
— O que? Vocês não podem estar falando sério. — encarei o homem do outro lado da tela. — Eu não vou voltar para Star, pai.
— Sim, você vai. — cruzou as mãos sob a mesa. — Vai voltar, e vai criar juízo.
— Você não pode me obrigar.
— Eu posso congelar suas contas.
— E eu posso conseguir um trabalho por aqui, ninguém vai se negar a empregar Oliver Queen. — persuadi, tentando passar o máximo de confiança nas minhas palavras.
— Pois bem. Vá em frente, consiga um trabalho e tenha seu próprio dinheiro. — sorri orgulhoso de mim. — Fico orgulhoso de você poder pagar sua própria luz, água, aluguel, caríssimo por sinal, comida. — foi enumerando enquanto eu sentia o ataque de pânico crescer. — Só não sei se dará para esbanjar na farra. — concluiu esboçando um sorriso sarcástico.
— Eu te odeio, Robert Queen. — esbravejei irritado.
— Eu também te amo, meu filho. — respondeu. Fiz careta antes de fechar o notebook com força. Bela maneira de demonstrar amor.
[...]
Dois dias depois...
Aeroporto internacional de Star City.
— Ollie. — ouvi o grito agudo me chamar, e foi impossível controlar o sorriso quando vi minha irmã correr até mim.
— Speedy, que saudade. — falei a abraçando apertado.
— Seu grande mentiroso. — estapeou meu braço rindo. — Foi preciso a intervenção do papai para te arrancar de L.A.
— Eu disse que senti sua falta, não desse inferno de cidade, tenho certeza que há um grande abismo entre as duas coisas. — sorri amarelo, passando meu braço por seu ombro. — E onde está o resto da família Addams?
— Gomez está na empresa, como sempre. E Morticia num almoço beneficente. — entrou na nossa antiga brincadeira.
— Então só você veio? — ela afirmou com a cabeça. — Oh Vandinha, o que seria de mim sem você? — apertei a magrela em meus braços.
— Vejo que continua o mesmo idiota. — gargalhou enquanto caminhávamos para o estacionamento.
— Não vamos mudar isso então!
[...]
— Família, cheguei. — gritei da porta da entrada, mesmo sabendo que ninguém escutaria.
— Oh meu menino, como eu senti saudades. — a pequena mulher apareceu no corredor.
— Maria. — corri para abraçá-lo a girando no ar.
— Como você cresceu, pequeno Ollie. — ela alisou meu rosto com ternura. — Está um homem feito, mas o olhar ainda é de um menino.
— Você é uma linda. — enchi seu rosto de beijinhos.
— Nossa Maria, agora é que você me esquece, né? — Thea ironizou. — Você sempre gostou mais dele mesmo.
— Pare com isso Thea, eu amo os dois. — abraçou minha irmã que riu beijando sua testa.
Maria praticamente nos criou. Enquanto nossos pais viajavam a negócios ou socialmente, ela é quem estava lá na saúde e na doença. Foi pra ela que eu corri quando meu primeiro dente caiu, quando tive minha primeira briga de rua, minha primeira vez, minha primeira paixão e meu primeiro coração partido. E eu tinha certeza que com a minha irmã não era diferente. Não que nós não amassemos nossos pais, ou que eles não nos amassem, só estivemos por muito tempo acostumados com a ausência de ambos.
— Eu preciso de um banho relaxante e comida. — dei a deixa.
— Suba e tome seu tempo, depois venha comer um lanche na cozinha.
— Sim senhora, sargento. — bati continência e subi.
Todo o clima descontraído não passava de fachada, no fundo todos sabíamos que aquela calmaria nada mais era que o prelúdio de uma grande tempestade chamada Robert Queen. Papai não me trouxera de volta por um acaso qualquer, afinal ele nunca se importou muito com o que eu fazia em Los Angeles, desde que eu não estivesse por aqui manchando sua impecável reputação, estava ótimo. Terminei meu banho e fui procurar o que vestir, não pude deixar de perceber como eles não tinham mexido em nada nesses últimos dois anos que estive fora. Ouvi batidas na porta.
— Ollie, seus pais chegaram, estão te esperando para o almoço. — Maria entrou não se importando muito em me ver de cueca.
— Gostaria de poder fugir. — confessei vestindo uma calça jeans de lavagem escura.
— Mas não pode. — se aproximou, abotoando a camisa azul que eu vestia. — Sugiro que comece a enfrentar seus pais de frente, Oliver.
— Para que? Para que eles mandem e desmandem na minha vida? Não mesmo.
— Por que você não faz o seguinte: desce, almoça com eles, esculta o que eles tem a dizer e só depois decide o que vai fazer a respeito. — terminou com os botões. — Você acabou de chega meu menino, não crie caso.
— Tudo bem. — suspirei beijando sua testa. — Vamos enfrentar a fera.
Assim que terminei de me arrumar, desci as escadas para encontrar minha família já sentados a mesa. Maria foi em direção a cozinha, não sem antes me lançar um olhar de apoio.
— Oliver, querido. — mamãe veio em minha direção, me abraçando e despejando dois beijos em meu rosto. — Que saudade que eu senti de você.
— Olá mãe. — retribui o carinho. — Como vai?
— Melhor agora meu bem, melhor agora.
— E você, papai? — cumprimento o mais velho com um abraço e dois tapinhas nas costas. — Ainda rabugento?
— O mesmo de sempre, Ollie. — sorriu voltando-se sentar. — Vamos almoçar todos juntos novamente, e isso me deixa bem feliz.
— Isso é bom. — sorri, afinal ainda era minha família, e eu os amava.
Comemos juntos, num clima leve e nostálgico, graças mamãe que ficava lembrando histórias antigas minhas ou de Thea. Assim que a sobremesa entrou, resolvi me pronunciar.
— E então papai, por que me trouxe de volta? — Robert suspirou com a minha pergunta.
— Apostei comigo mesmo o quanto você demoraria para fazer essa pergunta. Vamos para a sala, lá conversaremos melhor.
— E então? — perguntei assim que alcançamos o comodo. Thea jogada num sofá, papai e mamãe nas poltronas a minha frente.
— Oliver, todo esse tempo que você esteve fora eu não deixei de te vigiar. — começou. — Enviei o chefe da segurança, John Diggle para te vigiar de longe.
— Você esteve me vigiando? Você contratou um babá pra mim esse tempo todo? Isso é sério? — perguntei incrédulo.
— Não pelos motivos que você imagina, eu queria ver como era sua posição longe de casa, eu precisava estudar meu sucessor.
— É só nisso que você pensa? Na sua precisa empresa?
— Entenda meu filho, eu preciso preparar tudo enquanto ainda tenho tempo.
— O que quer dizer com isso? — novamente ele suspirou.
— Eu estou ficando velho Oliver, eu preciso de você ao meu lado para que quando chegue o tempo, você esteja pronto para assumir não só a empresa, mas nossa família. Você precisa honrar com ela.
— Eu estou aqui agora, não estou? Não precisava de vigias, apenas uma conversa franca como agora. — ele me parecia cansado, o semblante caído. — Eu vou te ajudar na empresa, pai.
— Esse é o problema. Diggle não estava vigiando meu filho rebelde, mas sim o homem de quase trinta anos, o comportamento como adulto, as ações. Ele me mandava um relatório por semana informando os seus passos, e eu não fiz isso para te manter sob meu alcance, mas sim porque eu precisava entender você, filho. E você não está pronto Oliver.
— E por que me trouxe, então?
— Para te preparar.
— Eu não estou entendendo onde quer chegar, se eu não estou pronto, apenas me instrua com os negócios da empresa.
— Se fosse só a empresa, eu te ensinava como gerir os negócios e tudo certo, com o tempo você pegaria o jeito é se tornaria até melhor que eu. Mas eu preciso que você crie responsabilidades, que aprenda a ter compromisso com as pessoas e as coisas.
— E...?
— Esse é o ponto; você não tem nenhuma dessas duas. Você é irresponsável e imprudente Oliver, e para estar a frente eu preciso de alguém que se leve a sério.
— Vá direto ao ponto. — pedi impaciente.
— Oliver, eu quero te propor um acordo: você tem um ano para conseguir um trabalho comum, onde você possa criar responsabilidades, compromisso, amadurecer e fazer algo útil por alguém. Se dentro desse período você não conseguir nenhuma dessas coisas, você se casa com Helena Bertinelli e passa a amadurecer na marra.
— Não. — minha resposta saiu mais rápido que o meu poder de processamento. — É óbvio que não.
— Tudo bem, você fez sua escolha, mas devo acrescentar que isso inseta você de usufruir do patrimônio da família.
— O que? Mamãe. — a olhei suplicando que fosse em minha defesa.
— Sinto muito querido, está na hora de criar juízo.
— Vocês só podem estar malucos. — ralhei irritado.
— A escolha é toda sua... E então, o que me diz?
— 5 meses. — apontei o dedo em riste. — Se nesse período eu não conseguir, sumo no mundo e ninguém jamais saberá do meu paradeiro. — saí furioso em direção ao meu quarto.
Eu não casaria com a Helena olho de peixe morto, ainda podia vê-la em minha mente, tão baranga e asquerosa com os aparelhos empapados de saliva e os óculos fundo de garrafa. Eu não quero nem imaginar no que ela se transformou, e não casaria com aquilo nem amarrado.
— Inferno. — praguejei atacando uma mini bola de basquete sob a porta, por pouco não acertando Maria.
— Alguém está num péssimo humor por aqui.
— Você ouviu? — ela acenou com a cabeça. — Maldita hora que eu fui voltar pra essa droga de cidade, eu sempre odiei aqui sabia Maria?
— Não adianta espernear como um garotinho raivoso, você conhece seu pai e quando ele bota uma ideia na cabeça, não tem quem tire.
— Isso é tão injusto, Maria. — deitei a cabeça em seu colo.
— É aqui que vive o filho pródigo da cidade? — ouvi a voz do meu melhor amigo.
— Tommy. — ele estava parado na porta com o sorriso traquina de sempre.
— Soube que o meu melhor amigo voltou e nem para me procurar.
— Seu bastardo. — me levantei indo abraçá-lo. — Senti sua falta, irmão.
— E eu a sua. — estapeou minhas costas.
— Vou deixar os dois matar a saudade, querem alguma coisa?
— Não, obrigado minha gostosa. — Tommy agarrou Maria a enchendo de beijos.
— Garoto assanhado. — ela sorriu, saindo do quarto.
— A noite de Star City nunca mais foi a mesma sem você.
— Falou o cara casado e quase pai de família. — provoquei.
— Nem me fale, Sara anda numa oscilação de humor que está acabando comigo.
— Como ela está? Digo, com tudo que vem acontecendo nesses últimos anos.
— Se reerguendo, apesar de Laurel já não morar mais aqui, elas sempre se falavam e se cuidavam mesmo a distância.
— Imagino.
— Mas não foi para isso que eu vim, vim saber de você.
— Cara, você nem imagina no que eu me meti.
— Mal posso esperar para ouvir. — gargalhou sentando em uma cadeira do quarto. — Desembucha.
Passei a narrar toda a proposta maluca de Robert Queen e de como ele me deixou sem escolha, enquanto Tommy ria de forma exagerada.
— E esse é o meu inferno pessoal. — concluí tacando uma almofada nele. — Quer parar de rir Merlyn?
— Desculpa irmão, mas é que é bom rir das desgraças dos outros para variar.
— É, mas agora eu preciso de uma solução.
— E se eu disser que tenho uma?
— Você tem? — ele afirmou cheio de si. — Tenho até medo de perguntar, mas qual?
— Você vai ser babá dos filhos de Laurel. — falou com simplicidade.
— O que? Não, claro que não, você ficou louco, Tommy?
— Por que não, Ollie? Você mesmo disse que o seu pai quer que você crie responsabilidades, o que melhor que crianças para isso?
— Você esquece da parte em que eu sou Oliver Queen, um zero a esquerda com crianças?
— Eles são uns amores, você nem vai precisar de muito para cuidar deles.
— Não Tommy, não mesmo, de jeito nenhum, mas nem a pau. Nem que a vaca tussa.. Não mesmo.
[...]
— Eu vou te matar Thomas. — rosnei enquanto tentávamos roubar um currículo de babá no RH da QC. Isso não ia dar certo.
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