Um presente para Oliver
6 Ela é o diabo.
Notas iniciais
Emily Lance Palmer.
O dia estava extremamente quente e ensolarado, o que era inusitado para uma cidade cinzenta como Star City. Quando a tia Lis quis mudar pra cá eu odiei a ideia, deixar meus amigos para trás, minha antiga escola e tudo que eu conhecia em Central foi a pior coisa, aqui eu me sentia deslocada.
Suspirei olhando para as garotas a minha volta, elas pareciam projetos de Barbie naqueles uniformes de teen leaders, mas do que eu podia falar? Eu também parecia uma.
— Olá. — uma morena de óculos se aproximou, ela parecia uma cdf. — Você é nova aqui, não é?
— Hey. — cumprimentei ainda olhando as garotas que faziam seus testes, esperando por minha vez.
— Eu sou a Lucy. — pela primeira vez a olhei com atenção, ela parecia legal.
— Emily. — sorri. — Respondendo sua pergunta, sim, eu sou nova aqui.
— Bem vinda ao hospício, Emily. — zombou.
— Obrigada, eu acho. — olhei novamente o campo, percebendo que já era a minha vez. — Bem, é a minha deixa.
— Boa sorte. — incentivou.
Me afastei do banco me preparando para mostrar meus melhores passos, eu queria provar que era boa. E foi o que eu fiz. No final eu tinha sido aceita para o novo time de líderes de torcida, mas a tal Lucy não, o que me incomodou. Ela não era a melhor dançarina, mas tinha jeito é técnica, mas parece que por aqui se valia mais a aparência.
— Ei, sinto muito por você. — me aproximei tentando ser educada.
— Tudo bem, líderes de torcida nem é a minha praia mesmo. — sorriu fofa.
— E aí novata, vai mesmo ficar de painho com perdedores? — uma loira, alta e magra de olhos extremamente azuis se aproximou. Ela era a líder do grupo, e estava cercada de mais três garotas.
— Ela não...
— Tudo bem, Emily, vá com elas. — Lucy me interrompeu.
— Você ouviu a nerd. — falou e saiu me puxando pelo braço. — Aliás, eu sou a Brett, e essas são Allison, Jenna e Kimberly.
— Prazer conhecê-las. — tentei sorrir, mas elas nem prestaram atenção.
— Que seja. — a tal Brett falou. — Olha, aqui nós temos uma tradição, quando recrutamos novas garotas cada dia nós lanchamos na casa de uma para conhecermos melhor nossa pupila.
— Mas todo o time? — me assustou imaginando aquele bando de louças na minha sala.
— Não, só nós três como líderes. — sorriu convicta. — E hoje nós vamos na sua casa.
— Mas já? É que eu nem...
— Qual é Emma, está com medo de mostrar sua casa? — a tal Kimberly ironizou. — Não me diga que mora no subúrbio?
— É Emily, e não é isso, é só que... Tudo bem. — suspirei vencida. — Vocês podem vir até a minha casa.
Logo elas se afastaram e eu voltei para minhas aulas. O resto da manhã eu não tinha mais visto aquelas garotas e achei que até tivessem esquecido de mim, mas bastou bater o sinal e lá estavam as quatro paradas próximo ao ônibus, me esperando.
O caminho foi agitado, elas falavam sobre o que gostavam, música, maquiagem e essas coisas, mas eu estava apavorada pensando em como a tia Lis ia me matar por eu não ter avisado que traria visitas.
— Chegamos. — falei assim que girei a maçaneta, agradecendo por estar tudo em ordem.
— Então a nossa Emma não mora mesmo no subúrbio. — revirei meus olhos quando a Brett pronunciou meu nome errado.
— Crianças, ainda bem que chegaram. — a voz do senhor Jonas invadiu o ambiente. — Oh, vocês não são as crianças.
— Oh meu Deus!. — ouvi a tal da Jenna sussurrar, mas resolvi ignorar.
— Emily, onde estão as outras pestes vulgo seus irmãos? — questionou. Ouvi um suspiro atrás de mim, mas resolvi ignorar.
— Na escola? — falei como se fosse óbvio.
— Emily, você deveria esperar por Ben e alguma funcionária levar Angeline até você, certo?
— Não...? — falei incerta enquanto acenava a cabeça positivamente. Eu tinha esquecido os meus irmãos.
— É... É o... Ai meu Deus. — Jenna parecia em transe.
— Você está bem? — perguntei para a ruiva enquanto as outras pareciam tão confusas quanto eu.
— É Oliver Queen. — apontou em direção ao homem que parecia mais branco que papel.
— O QUE? — encarei minha babá que parecia ter gritando junto comigo. — Eu não sou essa pessoa que você está falando. — explicou. — Eu sou o senhor Jonas, a nova babá.
— Claro que você é Oliver Queen, minha irmã é apaixonada por você desde muito tempo, ela até tem uns recortes velhos de revistas.
— Eu não sei do que você está falando, deve estar me confundindo.
— Olhando bem — ela botou a mão no queixo como se estivesse analisando algo. — É, devo ter confundido, o herdeiro dos Queen é mais magro e tem o rosto menos... Peludo.
Olhei de um para o outro não entendendo batatas do que diziam, o senhor Jonas parecia aflito com a situação o que só me deixou ainda mais curiosa.
— Eu vou buscar as pestes menores já que você os esqueceu, se sua tia perguntar culpa é toda sua. — sorriu fazendo as meninas suspirarem e me fazendo prender meu próprio suspiro. — Até mais meninas.
— Até mais senhor Jonas. — o coro se virou em direção ao homem que já catava as chaves.
Certo, tudo o que eu menos precisava era de um bando de garotas babando no meu babá que tinha idade pra ser meu pai... Tá, nem tanto, mas mesmo assim. O resto da tarde foi um inferno astral com o Ben tentando me envergonhar, Angie querendo invadir as nossas conversas e as garotas suspirando para cada palavra proferida por aquele monte de músculos.
— Gente, cheguei. — gelei ao ouvir a voz da tia Felicity. Eu estava em encrenca por não ter avisado que traria visitas e pior, por tem esquecido os meus irmãos.
— Titia. — Angeline passou correndo por mim como um furacão e se jogando nas pernas da mulher parada na porta. — Em trouxe visitas.
— Oi meu amorzinho, Em trouxe o que?
— Oi tia, deixa eu te apresentar, essa é a Brett, a Allison, a Jenna e a Kimberly. — apontei as garotas que estavam paradas ao meu lado.
— Olá garotas. — ela sorriu amável, mas eu sabia que por trás daquele sorriso viria uma bronca.
— Essa é a sua tia? — Brett lançou um olhar incrédulo para ela. — Ela é diferente do que você falou, parece uma nerd ultrapassada. — apertei os olhos esperando pelos gritos de uma loira nervosa, mas tudo que ouvi foram gargalhadas. Do senhor Jonas.
Abri os olhos só para encarar uma Felicity vermelha de olhos fechados e punhos cerrados respirando fundo. Ela estava brava.
— Tia? — chamei com cautela.
— Não é que suas amigas são realmente observadoras, Emily. — senhor Jonas comentou tentando controlar a risada.
— Acredito que já esteja na hora das suas amigas irem embora, Emily. — seu sorriso de maxilar cerrado denunciando que ela estava muito brava.
— Que seja, vamos garotas. — elas saíram em bando e eu confesso que respirei aliviada por aquilo ter acabado. — Tchau senhor Jonas. — claro que elas não perderiam a oportunidade.
— Tchau meninas. — olhei a tia Felicity revirar os olhos.
— Onde está o Ben? — perguntou ao babá.
— Quarto. — apontou pro andar de cima. — Desculpe a pergunta, mas porque a senhorita está em casa às 15:37?
— Está tendo uma dedetização na empresa e todos foram liberados mais cedo. — jogou-se no sofá parecendo cansada. Aproveitei isso para sair de fininho antes que fosse notada.
— Não tão rápido, mocinha. — estanquei no pé da escada pronta para o sermão de um milhão de anos. — Emily, o que conversamos sobre trazer visitas sem avisar antes?
— Eu sei tia, mas foram elas que insistiram, alegando ser uma tradição das líderes de torcida novatas.
— Espera aí, você passou no teste? — abri o meu maior sorriso confirmando com a cabeça. — Emmy, parabéns. — ela se levantou me abraçando apertado.
— Obrigada.
— Mas eu não sei se gosto dessas suas novas amigas, elas são muito... Peculiares.
— Posso subir agora? — perguntei vendo que hoje o sermão seria menor.
— Tudo bem, pode ir.
Corri para o meu quarto antes que o babá resolvesse contar do meu esquecimento de mais cedo. Me joguei na cama lembrando do embaraço de Jenna falando sobre o Sr. Jonas ser um tal de Oliver Queen, a curiosidade de ver o rosto desse tal Oliver invadindo minha mente, mais pela reação do Sr. Jonas que qualquer coisa. Sem esperar, saltei em direção ao computador abrindo a aba de pesquisa e digitando o nome lá, demorou apenas alguns segundos para que aparecesse fotos de um loiro, alto e de olhos azuis. Ele era extremamente parecido com a nossa babá. Pulei para a aba de noticias e fui descendo algumas que falavam da empresa onde titia trabalha ou algo sobre leilões de caridade, até que encontrei uma noticia velha.
"Oliver Queen deixa Star City depois de se envolver em um racha de carros e quase acabar morto"
Cliquei no link que me levou até a pagina do jornal local, a noticia era de quase três anos atrás e dizia que esse tal Oliver Queen tinha aprontado mais uma de suas irresponsabilidades, dessa vez levando a quase óbito, e que o pai estava o mandando para uma temporada foto até que a poeira abaixasse. Na matéria ainda tinha imagens do que sobrou do carro e de um homem bastante machucado que deduzi ser o tal, não contive minha careta desgostosa com as imagens do acidente, isso me trazia más lembranças. Suspirei fechando aquela noticia e resolvi buscar pela família, talvez assim fosse mais fácil encontra algo mais que semelhança física.
— Pelo visto nossa babá esconde mais segredos do que realmente deve. — sorri assim que encarei a ficha a minha frente. Um plano brilhando em minha mente, enquanto o barulho da impressora era o único som no quarto.
Nome: Oliver Jonas Queen;
Data de nascimento: 1986;
Altura: 1,87m;
Derivado: Moira Dearden Queen/ Robert Queen;
Irmãos: Thea Dearden Queen;
Ocupação: playboy milionário, herdeiro das consolidações Queen;
Abaixo uma imagem do queridinho de Star City junto a sua família e uma ele sozinho estampando um sorriso convencido nos lábios, apesar da diferença que os anos trouxe, era óbvio que se tratava da minha babá, as sobrancelhas grossas e cheias, o nariz torto e grosseiro, os lábios finos e a pinta próxima a boca só não deixavam o fato mais em evidencia que o sorriso. Aquele sorriso era o mesmo que ele lançava para mim e meus irmãos.
— Te peguei, babá. — abanei o papel sorrindo antes de correr escada abaixo. Eu não podia esperar, precisava agir antes que ele contasse para a tia Felicity sobre o meu esquecimento, e para me esquivar de um castigo eu usaria munição pesada.
— A senhorita ainda vai precisar de mim? — a voz desleixada perguntou, eu podia ver sua silhueta próximo a escada. — Deixei uma lasanha cozinhando no forno, acredito que é só esquentar na hora do jantar.
— Por hoje está dispensado, Sr. Jonas. — ouvi a voz de titia e me apressei.
— Espere Sr. Jonas. — os olhares esbugalhados dos dois em minha direção me fez retomar a compostura. — Será que posso falar com o senhor? — tentei meu tom mais ameno. — Em particular?
— O que você tem de tão importante para falar com o Sr. Jonas que não possa esperar até amanhã? — titia me olhou desconfiada.
— Nada importante, é só sobre um trabalho da escola que envolve... — olhei ao redor tentando encontrar uma solução desesperadamente, meus olhos encontrando o balcão da cozinha. — Culinária. — sorri amarelo.
— Tudo bem, estou subindo para tomar um banho e rever algumas coisas do trabalho, daqui a pouco desço com as criança para o jantar. — tia Felicity deu de ombros acreditando na minha mentira.
— Eu sei que não tem trabalho nenhum, então diga logo o que quer pirralha. — fiz uma careta pela forma que ele me chamou.
— Primeiro que eu não sou pirralha, tenho quase quatorze, segundo que eu preciso que você não conte para a titia sobre mais cedo, eu esquecendo meus irmãos.
— Sobre isso não se preocupe, eu não sou dedo duro com quem sabe ser legal comigo. — piscou convencido.
— Que bom Sr. Jonas, ou devo dizer Sr. Queen. — o sorriso prepotente do mais velho foi murchando na medida que o meu se abria. — É esse o seu nome, certo?
— Meu nome não...
— Não adianta negar, Ollie, existe uma coisa chamada internet elá se descobre tudo. — debochei adorando encarar o espanto em seu rosto. — Inclusive a ficha do playboy queridinho da cidade. — escancarei mais meu sorriso, erguendo o papel em sua direção.
— Emily, Emmy, Emmyzinnha linda do meu coração — começou se aproximando com as duas mãos juntas em sinal de prece. — Se isso for algum tipo de chantagem para que eu não conte sobre mais cedo, não se preocupe, eu não vou contar. Agora me dê cá este papel.
— Claro que é uma chantagem, Ollie. — debochei adorando tudo aquilo. — Admito que no começo era por esse motivo, mas agora pensando bem... Você é rico, tem algumas vantagens, mora numa mansão e eu meio que posso gostar disso. — falei contente já imaginando o quanto de roupas descoladas ele poderia me dar, ou como seria andar num carro maneiro.
— E como você explicaria isso a sua tia? — cruzou os braços me fazendo quase babar por um segundo. — Como explicaria roupas caras? Em? — droga, ele me pegou.
— Não importa, nisso eu dou um jeito. — ergui o queixo convencida a não deixar ele me dobrar. — O que importa é que agora você está em minhas mãos, babá.
— Eu odeio Thomas Merlyn. — rangeu com os dentes cerrados, mas eu não entendi o motivo. Mas também não era como se me importasse, certo?
Oliver Queen.
Ótimo, eu estava sendo chantageado por uma pirralha cheirando a leite que mal tinha saído das fraudas, e tudo por seguir mais um dos conselhos idiotas de Tommy. Eu devia saber que aquele lá só me mete em furada, mas não, eu tinha que pagar pra ver.
— Inferno. — bati a porta do quarto assim que passei por ela recebendo um gritinho em resposta. — Maria, o que está fazendo aí?
— Estava arrumando suas coisas, tentando deixar esse chiqueiro mais organizado. — explicou ainda se recuperando do susto. — E você, meu pequeno Ollie, o que aconteceu para entrar transtornado desse jeito?
— Aconteceu que mais uma vez eu fui na onda de Tommy e me ferrei. — confessei me jogando na cama.
— Quer dividir? — ela perguntou se aproximando. Ponderei por alguns segundos se deveria ou não contar a Maria, mas eu precisava desabafar com alguém ou ficaria louco.
— Acho que você não ficará muito orgulhosa de mim. — a olhei culpado. — Eu meio que virei babá. — soltei de uma vez.
— O que? Como assim menino? — ela sentou em minha frente ao pés da cama. — Oliver você andou usando aquelas porcarias de novo?
— Claro que não. — me adiantei antes que ela começasse a pensar errado. — Maria, é uma longa história.
— Eu tenho tempo. — olhou em seu relógio antes de volta sua atenção para mim. — Comece logo a contar.
— Tudo bem... — tomei o máximo de folego que consegui antes de lhe contar tudo desde o começo.
Contei para Maria desde a ligação do meu pai até a ideia de Tommy para que eu me tornasse babá dos três projetos de capeta. Ela ouviu atentamente cada palavra sem me interromper em nenhum momento, apenas deixando escapar um sorriso ou uma careta vez ou outra.
— Você deixou uma criança ir fantasiada para a escola sem ser dia da fantasia? — ela parecia perplexa, mas continuava rindo. — Oliver você é inacreditável.
— Maria, elas não vem com manual de como se deve usar. — me defendi. — Aliás, me lembre de nunca procriar.
— Oliver, por que diabos você escutou a ideia de girino do Tommy sendo que você não sabe nem cuidar de si mesmo?
— Porque eu sou idiota e estou desesperado para que papai acabe logo com esse maldito trato. — bufei cruzando os braços. — Ele não podia simplesmente me arrumar um emprego na empresa e então me deixar provar que não sou nenhum imprestável?
— No fundo você só quer agradá-lo não é meu menino? — ela me deu um olhar terno antes de suspirar. — Eu tive uma ideia. Eu vou te ajudar.
— Como? — perguntei confuso.
— Eu vou te ensinar tudo o que sei sobre cuidar de crianças e você vai provar para o seu pai que é mais que um rostinho bonito que cheira a álcool em 90℅ dos fins de semana.
— Você faria isso? — senti minhas esperanças em manter o trabalho crescerem. Maria criou Thea e eu, e ela foi uma boa mãe quando Moira Queen não pode ser. — Obrigado meu amor.
— Não me agradeça antes de ouvir o que eu tenho em mente para o seu fim de semana. — aquela frase fez meu sorriso murchar. — Leve Felicity e as crianças para um passeio no shopping, uma forma de agradecê-los a confiança e uma promessa de que vai dar o seu melhor.
— Precisa mesmo ser no fim de semana, Maria? — ela me lançou um olhar mortal. — Tudo bem, o que eu não faço para manter um emprego? — me levantei para tomar banho.
— Ollie? — ela chamou antes que eu tivesse a chance de entrar no cômodo. — Por que você simplesmente não pediu um emprego num cargo menor ao seu pai, ou em uma dessas lojas no shopping? — dei de ombros não sabendo exatamente o que responder. A bem da verdade nem eu sabia o porquê de ter aceitado essa proposta maluca do Tommy. — E por que não conta a verdade para essa família? Talvez eles até te ajudem ao invés de te chantagear. — riu com humor.
— Voltei não tem nem uma semana e tudo o que você sabe é me encher de perguntas difíceis? — a mais velha gargalhou.
— Você tem tanto o que aprender ainda, querido. — saiu me deixando com essa frase enigmática.
Depois de tomar banho, desci para jantar com minha família, não encontrando Thea a mesa que, segundo mamãe, está envolvida com as coisas para a estreia de sua nova boate. Comemos num silêncio estranho, papai parecia abatido, mas resolvi não perguntar nada, devia ser algo do trabalho. Já mamãe estava calada, recuada em seu próprio casulo, o que só acontecia quando tinha alguma coisa errada.
— O que está acontecendo? — perguntei por fim, repousando o garfo sob a mesa.
— Nada. — a resposta conjunta só confirmou que existia um problema.
— E eu sou o pato Donald. — respondi ácido por eles estarem me escondendo algo. — Olha, se eu vou mesmo voltar essa casa para conquistar meu espaço como sucessor ao trono, ao menos tenham um pouco mais de fé em mim, eu preciso da confiança de vocês para fazer isso dar certo.
— Filho... — Robert suspirou parecendo cansado. — Confie em mim quando digo que não passa de exaustão, nós tivemos um dia longo. — olhei para a minha mãe que abaixou a cabeça apenas confirmando com um aceno. Ela estava mentindo.
— Eu estou muito cansada, vou me deitar mais cedo. — soltou o guardanapo na mesa se levantando em seguida. — Você vem, Robert?
— Vá na frente querida, eu já lhe alcanço. — observamos a mulher seguir com sua postura elegante até ela sumir de nossas vistas. — Agora somos só nós dois. — se virou para mim. — O que anda fazendo Oliver? O que quis dizer com aquela história de estar criando responsabilidades?
— Eu... — ponderei as próximas palavras, não sabendo se queria envolver minha família nesse assunto, por outro lado eu só estava nessa confusão toda por causa do maldito acordo dele. — Eu não vejo o porquê deva dizer, vocês não confiam em mim para contar o problema que está lhes tirando o sossego, então por que eu deveria?
— Faça como quiser filho, só tenha em mente que sua mãe e eu amamos demais você é sua irmã, e tudo o que fizemos até hoje foi pensando exclusivamente no bem estar de vocês. — se levantou ficando ao meu lado. — Você sempre será o meu campeão e eu vejo potencial em você Ollie, mas quem precisa ter um pouco mais de fé aqui é você. — tocou meu ombro antes de se recolher.
[...]
— Quer morrer agora ou prefere me oferecer uma bebida antes? — perguntei assim que o homem abriu a porta para mim.
— Boa noite para você também, Ollie. — sorriu amarelo abrindo espaço para que eu entrasse. — Como vai meu melhor amigo?
— Tommy, por que diabos eu te escuto? — perguntei me sentando em seu sofá.
— Porque você é tão idiota quanto ele. — me assustei com a voz de Sara invadindo o espaço.
— Você me chamou sabendo que a sua mulher estaria em casa? — sussurrei para o idiota que deu de ombros.
— Oliver, esse apartamento pode até ser grande, mas eu ainda posso te ouvir. — ela se materializou na minha frente com toda a sua barriga. — Eu que mandei o Thomas te chamar.
— Sara, olá. — abri meu melhor sorriso. — Está diferente.
— Eu estou grávida, idiota. — revirou os olhos. — Mas não foi para falar de como Tommy me arrastou para o altar me engravidou em dois anos que eu te chamei aqui.
— E o que você deseja comigo? — perguntei mais curioso.
— Eu quero saber por que você ainda não contou para a Felicity que você é você?
— Mas isso é meio óbvio amor, ele é ele. — Tommy apontou para mim com uma cara de "duh". — A Lis nunca contrataria com o currículo de merdas feitas tão cheio.
— E por isso os gênios resolveram roubar um currículo na QC? Sim, ele me contou. — lancei meu olhar mais assassino na direção de Tommy.
— Ela me ameaçou a dois meses sem sexo. — ergueu as mãos como se fosse óbvio.
— Sara, eu não posso contar para Felicity que sou Oliver Queen, ela nunca confiará em mim e eu preciso desse emprego. — suspirei irritado.
— Você acha que uma hora ela não vai descobrir? Qual é, ela trabalha na empresa do seu pai e é especialista em internet. — contou. — Uma hora essa bomba vai explodir e aí eu quero ver como você vai fazer.
— Tem mais uma coisa. — fiz careta antes de continuar. — Eu preciso que você fale com a Emily.
— E por que eu faria isso? — ergue uma sobrancelha.
— Porque ela descobriu quem eu sou e está me chantageando. — soltei esperando por sua reação, mas tudo que consegui foi fazer a loira cair na gargalhada. Sara riu, riu mesmo, riu alto e eu vislumbrei lágrimas saindo no canto de seus olhos.
— Essa é a minha garota. — respirou fundo tentando controlar a respiração, enquanto o imbecil do meu melhor amigo controlava sua própria risada.
— Os pombinhos já podem parar de debochar as minhas custas. — mostrei minha carranca. — Eu preciso de uma solução.
— Eu não vou falar com ninguém. — a olhei incrédulo. — Oliver, aproveite esse gancho para contar a verdade a Felicity.
— Sara...
— Você precisa contar enquanto tem a situação sob controle, não seja babaca.
— Ela tem razão, Ollie. — sério Thomas? Você me mete nessa confusão e nem pra ficar do meu lado? Ótimo.
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