Um novo começo.
5 O sinal de Tris.
Notas iniciais
TOBIAS
Segui Amah pelos corredores do departamento. A maioria das pessoas estava em uma reunião para definir o governador. David não estava em condições de governar. Boatos se espalharam de que ele estava afetado psicologicamente desde o ataque.
Entrei na enfermaria e observei Tris. Ela permanecia imóvel. Estava tão suada. Percebi que haviam trocado suas roupas. Ela já não usava mais as roupas do ataque. Ela agora vestia branco. Sua pele não estava mais roxa dos machucados. Estava lisa. Ela parecia um anjo.
Caleb, Christina e o médico estavam ao redor dela. Quando eu entrei, ambos olharam para mim e Amah. O médico chamou Amah para conversar e ficamos apenas eu, Caleb, Christina e Tris.
– O que houve? — perguntei preocupado, já imaginando o pior.
– Ela chama por você, Tobias. — Christina suspirou.
Congelei.
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TRIS
Estávamos eu e Tobias, escalando novamente a roda gigante. Ele não tinha mais medo de altura, e dessa vez, ele quem me conduzia a ir mais alto. Tobias escalava e olhava a todo segundo para mim, vendo se eu ainda o acompanhava. Ele sorria para mim toda vez que fazia isso. Eu amava o sorriso dele.
Chegamos ao topo e ficamos observando Chicago. Dessa vez eu estava na frente dele, e nossos rostos estavam próximos. Tal como foi a primeira vez que fizemos isso.
– O que você vê, Tris? — ele sussurrou.
– Eu vejo Chicago. — ironizei, sorrindo. Ele riu atrás de mim.
– Olhe de novo.
Olhei. Já não era mais a Chicago calma de sempre. Eu agora olhava para as casas da Abnegação sendo atacadas. O ataque que Jeanine provocara. O ataque que David sabia e sequer fez algo. O ataque em que meus pais morreram. Lágrimas começaram a embaçar minha visão e sentia todos meus músculos se contraírem e minhas mãos tremerem.
– Tobias, eu não quero mais olhar. — Comecei a chorar.
Ele segurou meu rosto de maneira agressiva, forçando-me a observar aquela cena. Por algum motivo, não estávamos mais no topo da roda gigante. Estávamos num lugar alto. Lutei e implorei para que ele me soltasse. Ele não o fez. Pelo contrário, segurou minhas mãos e conseguiu também segurar meu corpo, forçando-me a ficar olhando para aquilo novamente. Tobias soltava risadas atrás de mim.
– Tobias, pára, por favor! — eu chorei.
Ele me virou e eu pude olhar em seus olhos. Eles não eram mais os olhos do meu Tobias. Ela estava sob efeito da simulação. Não. Isso não pode estar acontecendo.
– Tobias, por favor acorde! Sou eu, Tris... Me escuta. — Ele me soltou e ficou imóvel. Seu olhar era doentio, mas ele não matinha os olhos sobre mim.
Comecei a me afastar de Tobias, caminhando devagar para trás e mantendo o olhar sobre ele. Ele sacou a arma e permaneci imóvel. Esse Tobias me assustava. De repente, Nita saiu de trás dele. Pôs a mão sobre seu ombro e olhou para mim, sorrindo maliciosamente.
– Mate-a. — ordenou.
– TOBIAS!!! — gritei.
Ele disparou.
Tudo escureceu.
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TOBIAS
– TOBIAS!!! — Tris gritou.
Ela estava suando, e já era a terceira vez que gritara meu nome. Tris ainda estava em coma, porém ela clamava por mim. Senti uma pontada no peito por não poder fazer nada. Apesar daquilo ser um sinal de que ela ainda estava viva, eu sabia que suas reações não eram boas para sua recuperação. O estado de saúde dela ainda continuava grave, e sua situação histérica só piorava tudo.
– Por favor, faça alguma coisa. — implorei ao médico.
– Eu lamento, mas não há nada que possamos fazer... Estamos fazendo o possível para que ela se recupere, mas devemos alertá-lo de que você deve se preparar para o pior...
Não consegui mais escutar nada do que ele estava falando. Pensar em perder Tris era a pior dor. Meu pior medo. O medo que eu jamais queria encarar. Tris era a melhor para de mim. Ela não podia me deixar. Eu precisava fazer alguma coisa para acalmá-la.
– Podem nos deixar a sós um pouco? — pedi, me sentando na cama de Tris. Segurei sua mão e comecei a acariciar.
– Tudo bem, só não demore. Precisamos ficar observando o estado dela. — O médico advertiu.
Concordei com a cabeça. Amah e o médico saíram. Voltei o olhar para Caleb e Christina que ainda estavam lá.
– Me referi a vocês também. — falei.
– Não sei se devemos. — Christina rebateu.
Ela me olhava com amargura e Caleb mantinha seu olhar decepcionado. Eu sei por quê eles agiam dessa forma.
– Por favor... — fui sincero. — Eu só preciso conversar a sós com ela. Não vou demorar.
Christina olhou para Caleb, que deu de ombros. Assentiram e beijaram a testa de Tris. Por fim, saíram.
Lutei contra a vontade de chorar. Estávamos sozinhos, mas não queria me permitir chorar na frente dela. Tris era forte. Eu deveria ser também. Não aguentei e caí de joelhos no chão. O choro veio logo em seguida. Segurei suas mãos e afundei minha cabeça em sua cintura. Era doloroso.
– Meu amor, eu preciso de você aqui. — disse em meio ao choro.
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TRIS
– Meu amor, eu preciso de você aqui. — a voz dele estava repleta de desespero, e ele chorava.
Mas ainda assim era a voz dele. Do meu Tobias. Queria gritar e dizer que eu estava aqui, que eu podia ouvi-lo. Que tudo ficaria bem e que eu estava lutando por ele.
"Tobias, por favor, me escute."
– Eu não sei mais o que fazer sem você, Tris. Minha vida está um caos. Nada faz mais sentido agora. Eu preciso tanto de você aqui, meu amor. Volte pra mim. — Ele implorava, e seu choro ficava cada vez mais incontrolável. — Tris, por favor, volte pra mim.
A dor de não conseguir fazer nada a respeito era imensa. Tobias estava sofrendo por mim.
– Por favor, Tris.... Por favor... Por que você me deixou, Tris? Por que você não acorda? Eu sei que você está aí! — ele continuava a chorar. — EU SEI QUE VOCÊ ESTÁ AÍ!!!
Ele pausou. Dava para sentir que Tobias estava enfrentando uma luta consigo mesmo. Eu podia sentir isso. Eu não conseguia enxergá-lo. Nem falar para ele que eu estava bem; que tudo ficaria bem.
Não ouvi mais o choro de Tobias. Ele controlava sua respiração e estava achando a calmaria.
– Volta pra mim. — ele sussurou.
Eu precisava fazer algum esforço.
Tentei abrir os olhos. Foi em vão.
Tentei falar. Impossível.
Não estava mais conseguindo me concentrar. Ainda podia ouvir a respiração de Tobias. Ele ainda estava comigo. Procurei manter a calma e concentrei toda minha força em um só ponto. Continuei me esforçando. O fiz.
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TOBIAS
Tris mexera o dedo indicador. Por um momento, achei que fosse ilusão. Mas ela mexeu de novo. E de novo. Pude ver seu esforço. Eu ainda não acreditava.
– Tris, meu amor... Você pode me ouvir? — perguntei. Não obtive resposta.
– Tá, vou ser mais objetivo. Tris, se você consegue me ouvir, mexa seu dedo. — Implorei.
Eu estava esperançoso. Nada aconteceu. Subitamente, o dedo indicador se mexeu. Uma chama dentro de mim se ascendeu. Eu quis abraçá-la e beijá-la, mas ela ainda permanecia imóvel. Exceto por seu dedo, que ela havia acabado de mexer. Essa era a minha garota. Sua força estava presente até nos últimos casos. Que orgulho, Tris!
– Eu te amo, Tris... — abracei-a.
Beijei seus lábios e não fui correspondido. Não me importei. Tris estava viva., e o melhor: ela me ouvia. Não pude conter meu sorriso e continue-a beijando. Beijos curtos, e eu falei que a amava em todos os intervalos entre eles.
– Você vai se recuperar, Tris. Você é forte, não se esqueça disso. Estou tão orgulhoso de você. Estou tão apaixonado por você... — eu beijei suas mãos.
Amah bateu na janela, indicando que meu tempo com Tris já havia acabado.
– Eu preciso ir agora, mas eu volto assim que puder, está bem? Continue se esforçando, Tris. Estou muito feliz e orgulhoso. Prometo que volto.
Me levantei, fiz carinho no seu cabelo, beijei sua testa e depois sua boca. Saí tão animado da enfermaria que não me dei conta que não contei ao médico sobre o que Tris fizera. Enfim, de certo modo, ele já devia estar sabendo.
Fui para o dormitório e sentei na minha cama. Cruzei minhas mãos, pus meus cotovelos sobre o joelho e fiquei pensando em Tris. Eu estava louco por ela. Tudo que ela fazia, tudo que ela demonstrava, cada qualidade e defeito... Só me faziam ficar mais apaixonado por ela. Comecei a relembrar de todos os nossos momentos. Desde o dia em que eu a puxei da rede, até o dia do ataque.
– Ela não merecia, Tobias. — Christina falou, sentando-se ao meu lado.
Interrompeu totalmente meus pensamentos.
Eu sabia do que ela estava falando.
Ela estava falando do beijo.
Nita.
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