Um novo começo.
6 Só amiga, Nita.
Notas iniciais
TOBIAS
– Quem não merecia o quê? – perguntei, olhando para ela.
– Ora, não se faça de sonso. Tris não merecia que você a apagasse tão rápido. Ela o amou. Ela o ama! Como você pôde?
– Você sabe que eu não fiz nada, Christina.
– Mas é justamente por isso. Você não fez nada, Tobias! Você simplesmente aceitou que ela o beijasse.
– Não foi isso que aconteceu. – rebati, sabendo que, em partes, ela estava certa.
– Então o que aconteceu?
– Eu só fiquei surpreso; em choque. E não consegui reagir.
– Não. Eu não acho que tenha sido isso que aconteceu. Sabe o que eu acho? – balancei a cabeça negativamente. Ela continuou – Você estava desesperado por carinho. Desesperado por atenção. E Nita aproveitou a oportunidade.
As palavras de Christina eram como navalhas e cortava toda minha estrutura por dentro. Eu não conseguia mais encará-la.
– Desculpa, Christina. Eu sinto muito. Eu só estou confuso em relação a tudo. Tris era a minha certeza, e agora ela está quase morrendo. Eu sinto falta dela, Chris. Eu sinto muito a falta dela. – lutei contra a vontade de chorar.
– Você não está sabendo lidar com a perda, não é? Mas acredite, você não precisa lidar com isso. Tris vai sobreviver. Não acredito que você está duvidando da sua força. Não é justo com ela, Tobias.
Concordei balançando a cabeça, querendo logo encerrar o assunto. Falar de Tris doía. Falar sobre perder Tris era insuportável. Apesar do sinal de hoje, eu sabia que seu estado de saúde não era bom.
Respirei fundo e observei o chão. De repente, Christina me abraçou. Eu nunca havia abraço Christina. Os primeiros segundos foram estranhos, mas logo depois eu cedi. A sensação era acolhedora. Christina estava me consolando.
– Quem diria que aquela garota da Franqueza que não sabia calar a boca estaria aqui, consolando seu instrutor durão, que não é mais durão. – Ela falou sorrindo.
Sorri também com seu comentário. Realmente, a situação era um tanto engraçada. Eu jamais imaginaria isso no período da iniciação.
– Tobias, em primeiro lugar, você não deve pedir desculpas a mim. Depois, Tris não está morrendo. Ela está lutando para viver. E, aliás, tenho um pressentimento de que ela está se esforçando por você. – Ela fez uma pausa. – Eu entendo sua tristeza, sua raiva. Eu estou sofrendo com tudo isso também. Assim como Caleb. Mas olhe para nós. Olhe como estamos lidando com isso. Caleb se apoia em mim. Eu me apoio nele. Tobias, eu não estou pedindo para virarmos melhor amigos. Não. Estou dizendo que eu posso ser sua amiga. Você pode se apoiar em mim, está bem? Sei que você se sente só sem Tris, mas se quiser conversar sobre ela, ou qualquer outra coisa, conte comigo.
Concordei com a cabeça e Christina me soltou do abraço. Confesso que todo esse caos com a Tris me afetou emocionalmente e talvez eu não fosse mais “Quatro, o durão”. Talvez eu agora fosse “Tobias, a garota chorona”. Eric me chamaria assim. Ou talvez esse fosse o meu verdadeiro eu. Talvez eu fosse apenas o Tobias.
Me levantei e caminhei até a porta do dormitório. Segurei a maçaneta e hesitei.
– Christina?
– Sim.
– Obrigado.
Pude sentir que ela sorriu.
– Seja corajoso. – ela disse.
Abri a porta e saí. Andei pelos corredores a procura do quarto dos funcionários. Depois do ataque, Nita fora solta da cadeia e recontratada para ajudar a organizar todo o departamento e os projetos para o novo governo. Cheguei ao quarto de Nita e bati na porta.
– Nita? Sou eu. Tobias.
– Pode entrar. – Sua voz atravessou a porta.
Abri a porta e entrei.
Assim que entrei, Nita me puxou pelo colarinho da camisa e me beijou. Assim que o fez, eu repreendi. Não cometeria o mesmo erro.
– O que você tá fazendo? – perguntei, afastando-a de mim.
Ela ficou surpresa e envergonhada. Supus que não esperasse rejeição.
– Como assim? Achei que estivesse vindo aqui para isso. – Ela falou, sentando-se na cama. Estava constrangida.
– Não. Claro que não! Nita, não sei o que você pensa de mim, mas eu tenho certeza que sabe que sou apaixonado por Tris...
– Eu sei, Tobias. – Ela me interrompeu. – Mas é que quando você me beijou eu achei que...
– Eu não beijei você! – disse, elevando o tom de voz. – Você quem me beijou! E não, você achou tudo errado. Mesmo se Tris não sobrevivesse, – as palavras saíam amargamente – eu sei que jamais poderia nutrir algum sentimento por você, Nita. Eu sinto muito.
– Se não sente a mesma coisa, o que veio fazer aqui?
– Você disse que eu podia contar com você. Disse que se eu quisesse conversar, eu poderia lhe procurar. Pois bem, foi por isso que vim. Vim para conversar.
– Tudo bem então. Pode sentar, se quiser.
Sentei-me na cama, ao seu lado; já que a única cadeira do seu quarto estava ocupada por uma pilha de livros. Ela olhava para mim e eu a olhava também, enquanto começamos a conversar.
– Eu queria pedir para você não fazer mais o que fez.
Ela me olhou com uma expressão confusa.
– Ó, por Deus Nita, estou falando do beijo. Sim, você não deve mais fazer isso. Você não deve sequer tentar. Foi errado e eu devia ter dito algo, porém era algo que eu não esperava. Tenho certeza de que o que sente por mim seja algo passageiro e logo logo você encontrará alguém certo para você. Você é uma garota bonita e inteligente, terá facilidade. Enquanto isso, quero dizer que posso ser seu amigo, contanto que você também seja minha amiga. Só amiga, Nita. – pausei, esperando que ela respondesse algo. Ela ficou em silêncio. – Temos um acordo?
– Sim, Tobias. Qualquer coisa que me pedir sabe que eu não terei coragem de negar. – ela falou mansa.
– Obrigado. – me levantei e fui até a porta. – Ah, e só mais uma coisa: quando Tris acordar, não comente sobre o beijo.
– Nunca aconteceu. – Ela me falou.
Abri e a porta.
– Tobias?
– Sim.
– Tris é uma garota de sorte.
Sorri para ela e saí pelos corredores.
Fui para o dormitório, me deitei e caí no sono. Estava exausto.
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Ouvi gritos. E algo quebrando. Me levantei rapidamente para ver o que estava acontecendo. Saí pelos corredores, e quanto mais me aproximava da enfermaria, mais alto ficavam os sons.
Eles vinham do quarto de Tris.
Comecei a correr, e quando abri a porta, me assustei.
Christina e Nita rolavam pelo chão, às tapas e socos.
Meu Deus.
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