Um novo começo.

28 Fumaça e enxofre.


Notas iniciais
Olá amores, como vocês estão? Bom, quero me desculpar muito por não ter postado antes. Estive na minha semana de recuperação colegial e advinha só quem não é boa em geometria e álgebra? Isso mesmo, euzinha aqui HAUAHUAH Mas enfim, o que importa é que finalmente o ÚLTIMO capítulo da fic saiu!!! Pera, isso é bom ou ruim? KSPKAPKSPKA Ele é dedicado totalmente à Ana Paula Souza, Duncan Urban, Tris Everdeen Fairchild e Joseanejonas. MANO, EU FIQUEI TÃO FELIZ COM AS RECOMENDAÇŌES QUE JURO QUE PENSEI QUE TAVA SONHANDO. SÉRIO. Eu fiquei sem reação e nem consigo explicar o quanto tô feliz. Fiquei emocionada, não nego e só quero agradecer. Vocês me deixaram sem palavras com as recomendações e me senti feliz ao saber que fui reconhecida. Cara, não consigo explicar. Muito obrigada mesmo. Enfim, espero que todos gostem e tudo acaba no epílogo! Quem está ansioso?! Espero vocês nas notas finais e comentários. Boa leitura e adoro muito vocês Twitter: @poxamalec ATENÇÃO! O LINK DA NOVA FIC ESTARÁ DISPONÍVEL NAS NOTAS INICIAIS E FINAIS DO EPÍLOGO!! NÃO DEIXEM DE ACOMPANHAR! A HISTÓRIA SE PASSARÁ NA CHICAGO ATUAL E POSTAREI A SINOPSE NO EPÍLGO - ainda não postei porque não tive tempo de escrever ahauhauah sorry. Beijinhos! Até as notas finais!

TOBIAS


Depois de muito caminhar, nós finalmente chegamos ao prédio da margem. Ele é escuro, não muito alto – possui apenas dois andares – e também é pouco iluminado. Aliás, ele é muito escuro. Posso ver que está iluminado apenas a base de velas. É um prédio muito antigo.

– Cerquem o prédio. Não deixem que ninguém saia até eu ou Zeke voltar. Nós entraremos, mas se perceberem que há algo acontecendo lá dentro, ataquem. Ataquem, sem intenção de matar, apenas ferir. Fui claro? – pergunto lançando um olhar duro aos soldados.

Recebo um “sim”como resposta. Faço um sinal com a cabeça para Zeke e nós entramos no prédio. Ele é muito mais intimidador aqui dentro. Está cheio de poeira e há moveis velhos espalhados por todo lugar. É silencioso e sinto um mau estar assim que ponho os pés depois da porta. Sinto um frio na barriga e um calafrio percorre todo meu corpo ao imaginar que Tris está aqui. Não quero isso, mas ela precisa estar aqui.

Caminhamos lentamente pelo local, com as armas acima de queixo e nos comunicando apenas com linguagens de sinais. Caleb e Cara estão aqui, e um dá cobertura ao outro. Uriah está com Zeke e eu sou acompanhado por Christina. As poucas velas não conseguem ajudar na iluminação de todo local, então não conseguimos identificar ninguém. Está tudo silencioso.

– Acho que vamos ter… – começo, mas sou interrompido por um barulho.

Tiros. Estão atirando em nós. Olho para os lados e em questão de segundos, todos nos separamos. Procuramos algum móvel para fazer de escudo. Estou encostado a uma parede. Ponho a cabeça e a arma para frente da parede e suspiro. Faço um movimento rápido, miro e atiro. Atiro. Atiro. Atiro. Consigo acertar algumas pessoas e logo elas caem ao chão. Respiro e volto para minha posição. Repito o mesmo movimento e vejo que Cara está caída no chão, mas nós não podemos ajuda-la.

Corro para outro lugar e me abaixo, atrás de um sofá velho. O uso como escudo e estou mirando e atirando em pessoas. Não consigo dizer se o tiver vai ou não ser de raspão, apenas sei que atiro. Inclino um pouco a cabeça e observo a cena. Está lotado de rebeldes. Eles são rápidos e ágeis. Abaixo a cabeça e carrego outra arma. Minha munição acabou.
Mais tiros são disparados e os gritos das pessoas se tornam constantes. Suspiro e sinto a presença de alguém perto de mim. Aponto a arma em direção ao indivíduo e quase atiro. Zeke olha para mim ofegante.

– Vá atrás dela! — ele grita. Sua respiração está dificultada.

– Ela não está aqui. — falo e atiro.

– Você acha?! — ele me pergunta sarcasticamente. — Tá vendo o rebelde de vermelho? — ele inclina a cabeça apontando para o homem. — Atrás dele, consegue ver uma escada? — assinto. — Corra até lá e procure dentro dos quartos. Amah e George já estão a caminho com suas tropas, mas eles levarão tempo para chegar até nós.

– No três? — pergunto olhando e atirando nos rebeldes.

– No quatro. — Zeke sorri para mim. Fico feliz que, mesmo em situações assim, ele nunca perde a oportunidade. — Estarei sempre atrás de você.

– Um! — conto. Miro e atiro.

– Dois! — ele grita e faz a mesma coisa.

– Três! — eu grito e atiro.

– Quatro! — ele sai de atrás do sofá e corre. Atira e limpa o caminho até a escada para mim.

Corro até a escada e atiro em vários rebeldes. Com essa confusão, não consigo mais pensar em quem atirar. Apenas atiro em qualquer um que esteja na minha frente. Mais disparos. Gritos. Alguns dos nossos soldados entraram para ajudar, mas ainda assim estamos em menor número. Dor. Sinto dor. Olho para meu braço e ele está sangrando. Respiro fundo e há dois rebeldes parados na entrada da escada. Um é atingido por um disparo e o outro, antes que se dê conta, é atingindo por um tiro meu.

Subo as escadas e aqui é ainda mais escuro. Apesar de muitas velas, o local ainda não é claro. Sinto um mau pressentimento e engulo em seco. As cortinas das janelas estão empoeiradas e luto contra o instinto de espirrar.

Chego a um corredor e há três portas.

Sigo a minha direita e abro a primeira porta.

Há uma cama velha e um armário de madeira muito antigo. O quarto está cheio de teias de aranha. Me aproximo e na cama há facas e armas. Checo o banheiro, sempre mantendo a arma acima do meu queixo e atento a qualquer movimento.

Apesar de saber que fora usado a pouco tempo, o quarto está vazio. Pego algumas facas e mais uma arma. Guardo as facas no meu cinto de armas e encaixo a arma no cós da minha calça, nas costas.

Saio do quarto e sigo pelo corredor. Abro a segunda porta e entro. O quarto é vazio e tem apenas uma cadeira. Há marcas de sangue no chão e também há um pequeno canivete jogado. Sua ponta está suja de sangue.

Me aproximo do banheiro, mas não há nada.

Escuto uma batida de porta e corro para o quarto.

Paraliso.

Há um homem próximo a porta, com uma arma na mão e um sorriso maléfico no rosto. Ele me encara e seu sorriso fica maior ainda. Olho nos seus olhos e enxergo o inferno dentro deles.

– Olá, filho. — Marcus diz.

CHRISTINA

Gritos. Tiros. Correria. Tiros. Dor. Mais tiros. Tudo está um caos e acontece muito rápido. Já consigo ver a quantidade de corpos que temos no chão. Há muitas pessoas e o pior disso é que nem todos são rebeldes. Estou atirando com lágrimas nos olhos. Tento manter os olhos em Uriah. Meu coração ainda está partido e sei que o dele também. Eu causei isso nele. Suspiro e tento me concentrar na guerra.

A porta se abre e Amah e George chegam, com suas tropas. Eles gritam os comandos e mais tiros são disparados. Os rebeldes estão em menor número agora. Eles estão atirando sem parar e percebo que estou apenas observando tudo isso. Está tudo uma verdadeira bagunça. Meu olhar se volta para Uriah e nossos olhares se cruzam. E então tudo acontece muito devagar.

Ele corre em direção a mim e se joga na minha frente. Zeke grita e atira no rebelde. Uriah está caído. Sua camisa está começando a ficar ensangüentada. Sinto meus olhos queimarem e minha vista embaça. Tento gritar, mas não consigo ouvir som algum. Caio de joelhos e me aproximo dele.

– Droga, Uriah… — tento limpar o sangue da camisa, mas minhas mãos estão tremendo e estou chorando.

– Não, Chris. — ele segura minha mão e com a outra segura meu rosto. Olho para ele e seus olhos estão brilhando. Apesar de sentir dor, ele sorri. — Eu amo você. Eu amo muito você. — ele respira com dificuldade. — Me perdoa…

– Shhh… — peço. — Não faça isso…

– Não quero morrer sem que você saiba disso. — ele sorri e acaricia minha bochecha. Uma lágrima cai e ele a enxuga. — Você foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido e eu estraguei tudo. Te amei muito nessa vida, Chris. — sua respiração sai cortada. — Se houver vida depois disso, eu tenho certeza de que vou te amar também.

Sinto Caleb se aproximar e ele se ajoelha também. Uriah segura a borda da camisa e olha fixamente em seus olhos.

– Tire ela daqui. — seu olhar é uma mistura de súplica e ordem. — Tire ela daqui agora. Ela tem que sobreviver, entendeu? — ele lhe lança um olhar duro.

Caleb assente e me puxa para longe de Uriah. Luto contra seus braços, mas percebo que ele está determinado para me tirar dali.

– Me solte… — estou chorando desesperadamente.

– Não, Chris. Eu sinto muito. — ele fala sincero.

E então, sou colocada para fora. Vejo que muitas pessoas que estao aqui feridas, já estão sendo colocadas em carros e sendo levadas para os hospitais. Vamos para um local onde não há pessoas. Um beco escuro, que está perto dos carros. Caio no chão e abraço meus joelhos. Os braços de Caleb me envolvem em um abraço gentil e eu choro em seu ombro.

Não posso perdê-lo mais uma vez.

TOBIAS

– Marcus. — respondo, mantendo minha postura rígida. Ele me devolve um olhar severo. Reconheço esse olhar. Ele me olha da mesma forma que quando me batia.

– Nos encontramos novamente. — ele sorri e se aproxima. Dou um passo para trás.

– Onde ela está? — pergunto, mantendo o olhar fixo no dele. Continuo com a arma apontada para ele.

– Sempre tão previsível, Tobias. — ele solta uma pequena risada. — Abaixe essa arma. — ele ordena. — Não vou atirar em você.

– Vou perguntar de novo: onde está ela? — grito. Minhas mãos tremem e não consigo disfarçar. Não terei coragem de atirar nele. Ele é meu pai.

– Ela esteve aqui há pouco tempo atrás. — ele sorri. — Está vendo aquele sangue fresco ali? — ele aponta com a cabeça. Não desvio o olhar dele. — É o sangue dela, você acredita? — sei que não é uma pergunta, ele está afirmando.

Sinto um nó na garganta se formar e a dor do meu braço só aumenta. O sangue não para de escorrer.

– Se não me disser onde ela está, eu atiro em você. — grito ríspido. Estou lutando contra mim mesmo.

– Nós dois sabemos que não irá. — ele sorri.

Aperto, mas o tiro não saiu. Aperto novamente e não acredito que fiquei sem munição. Marcus ri e engatilha sua arma. Ele se aproxima mais de mim e eu recuo.

– Não é pessoal, filho. Aliás, você é meu sangue. Entretanto, nós temos um lema, não é? Facção antes do sangue. — meu olhar é confuso. — Apesar de não termos mais facções, eu ainda desejo a liderança e para isso o sangue ficará em segundo lugar. — seus olhos ardem em chamas. Ele me encara e encosta a arma em minha testa. Não consigo me mover. Estou assustado demais para isso. — Suas últimas palavras?

– Nunca me chame de filho. — cuspo elas em seu rosto.

Disparos. Em questão de segundos, Marcus cai ao chão. Seus olhos passam de ódio para surpresa. Seu corpo sangra e o vejo perder a vida. Encaro a porta e ela está aberta. Zeke está com a arma acima do queixo e seus olhos estão em mim. Ele sorri e diz:

– Sempre atrás de você. — ele me recorda com um alívio no olhar.

Suspiro e meus joelhos fraquejam. Pego a arma de Marcus e o olho. Seus olhos estão abertos, mas sua respiração não é mais visível.

– Sinto muito. Eu não tive escolha. — Zeke diz, se aproximando de mim.

Não falo nada, apenas encaro o corpo do meu pai. Não consigo sentir nada. Tristeza. Ódio. Compaixão. Nada. Não sinto nada e as coisas são melhores assim. Suspiro e fecho seus olhos. Por um ato de respeito a uma pessoa que é meu sangue.

Me levanto e a dor no meu braço se torna mais forte. Está queimando. Tento ignorar e sigo. Zeke vem atrás de mim e seguimos pelo corredor. Há apenas uma última porta. Paramos. Os gritos se tornaram mais altos. Olho para Zeke e ele corre para a ponta da escada. Há fumaça e cheiro de enxofre.

– Está pegando fogo! — ele grita desesperado. — Temos que sair daqui agora, Quatro! — posso ver o horror em seu olhar.

– Vá. — ordeno. — Não vou sair sem ela. — digo determinado.

Ele me olha com lágrimas nos olhos e posso ver o desespero em todo seu corpo. Ele corre até mim e me abraça. Me abraça forte e dá alguns tapas nas minhas costas. Engulo o nó da minha garganta. Vejo que o fogo está se espalhando muito rápido. Ele chega até as cortinas com facilidade, o que só torna a situação ainda mais complicada. Zeke está se despedindo de mim.

– Não faça besteira, Quatro! — ele me lança um olhar duro. — Vejo você lá fora. — ele afirma e sinto que está afirmando para si mesmo.

– Obrigado, Zeke. — agradeço com sinceridade. Não apenas por ter salvo minha vida, mas por todas as coisas que ele têm feito por mim. Não vou admitir isso agora, não temos tempo, mas eu sei que ele entende. Zeke sempre me entende.

– Nada de despedidas, cara. — seus olhos estão lacrimejados. Não me lembro da última vez em que vi meu amigo chorar.

– Nos vemos lá fora. — minto. Algo dentro de mim diz que não conseguirei sair a tempo.

Ele olha para mim uma última vez e faz um gesto de capitão com a mão na testa. Sorrio e ele desce os degraus correndo. Sei que ele vai conseguir sair.

Corro para a última porta e a abro. Tenho uma faca em minha mão e a arma na outra. Estou com ela engatilhada. Entro no quarto e Nita está parada com os braços cruzados.

– Tobias, eu posso… — ela soluça se aproximando.

– Mais uma palavra e eu acabo com você. — digo duro. Ela para e me olha assustado. O cheiro de fumaça e enxofre está ficando mais forte. — Onde ela está? — apesar da dor em meu braço e do sangramento, eu mantenho minha postura rígida.

– Eu não sei do que você está….

– Chega de mentira! — grito. Minha arma ainda está mirando nela. — Chega de mentira, Nita! — repito.

Sinto-me enojado por ter acreditado nela todo esse tempo. Eu devia ter desconfiado. Eu devia ter ouvido Tris e acreditado nela. Não consigo aceitar como pude ser tão cego.

– Tobias, por favor… — ela choraminga.

– Cale a boca! — grito mais uma vez. Minha voz e meu olhar estão carregados de ódio. — Eu devia ter te matado quando tive a chance. — cuspo as palavras nela.

– Mas você não matou, e sabe porquê? — sua postura muda e ela está determinada e com um sorriso no rosto. — Porque você é um covarde. — ela cospe em mim dessa vez.

Sem paciência, eu atiro em sua perna. Ela geme e cai no chão. Com um movimento rápido, ela saca uma arma e engatilha. Imagino que ela não esperava que eu atirasse nela. Ela mira em mim segurando a arma com apenas uma mão e a outra está sob a ferida em sua perna.

– Onde está ela?! — grito.

Minhas mãos continuam tremendo, mas mantenho o olhar duro. Meu braço está queimando mais, mas posso ignorar a dor. De repente, o olhar de Nita sai de mim e ela encara a porta. O fogo se espalha rapidamente pela madeira e cortinas.

Ignoro e volto meu olhar para ela. Não vou matá-la até que ela me diga onde está Tris.

– Me diga onde está Tris! — grito e o desespero é visível em minha voz.

– Tobias, saia daqui. — ela me olha com súplica e compaixão. Seu olhar me dá nojo. — O prédio é velho e não vai aguentar. Saia daqui ou vamos morrer. — seus olhos se enchem de lágrimas e ela joga a arma longe. — Saia…

– Não vou sair sem Tris. — encosto a arma em sua testa e digo mais uma vez. — Onde está ela? — minha voz é abafada por um nó em minha garganta, mas sei que ela entendeu.

– No porão… — ela sussurra quase sem forças. — Não pode ir lá… Você vai morrer. — ela chora.

– Você também.

Disparo e saio sem olhar para o corpo. Não sinto culpa ou compaixão. Nita é responsável por tudo isso e não vejo outra saída para ela. Está tudo em chamas e sinto a fumaça nos meus pulmões. Tusso repetidas vezes. Tiro minha camisa e cubro meu rosto. Sinto o calor por todo meu corpo. Estou correndo e passo pelo salão principal, onde fomos atacados. Os corpos. As chamas. Tudo está em número maior agora.

Quando vou descer para o porão, escuto algumas tosses. Tosses fracas. Sei que alguém ainda está vivo aqui. Meu cérebro manda descer para o porão, mas algo me diz para seguir a tosse. Me aproximo, tentando o caminho onde há menos chamas e encontro um corpo deitado. Reconheço a figura morena. Uriah.

Corro, passando pelo fogo e lutando contra meus pulmões, que clamam por ar. Olho para ele e ele está sangrando e tossindo. Sua expressão é de dor, mas ele ainda está vivo, embora que respire com muita dificuldade.

A culpa sobre te-lo feito perder a memória atinge meu peito de uma forma brutal. Meus olhos se enchem de lágrimas e eu respiro fundo. Meus pulmões se recusam a aceitar o enxofre neles e então eu tusso novamente.

Sem pensar duas vezes, me agacho e apoio todo seu peso em mim. Ele geme quando o levanto e vejo que está quase inconsciente. Caminho em direção a saída o mais rápido que consigo, tentando evitar as chamas mais fortes. Posso sentir meu corpo queimando, mas estou determinado a tirar Uriah daqui.

Quando atravessamos o fogo, eu começo a tossir desesperadamente. O ar de fora é como água no deserto para meus pulmões. Respiro fundo e caminho até um grupo de pessoas. Zeke está com as mãos no rosto, observando o prédio com horror. Ele me olha e corre em minha direção. Deixo que pegue Uriah e vejo o quanto a tensão de seus ombros diminui.

– Ele está vivo… — digo com dificuldade.

Zeke me agradece com o olhar e caminha com Uriah nos braços. Ele chega ao carro de George e entra depressa. O carro sai em alta velocidade e meu pensamento agora está em Tris. Ela ainda está lá dentro.

Observo o prédio e ele está completamente dominado pelas chamas. Se eu entrar aí, há minha possibilidade de morrer é alta. Não vou conseguir sair. Mas ela ainda está lá dentro. Eu sei disso. Corro para o prédio, mas quando estou prestes a entrar, sinto alguém me segurar pela camisa. O toque faz com que meu braço lateje mais forte.

– Você não pode entrar! — Amah grita desesperado.

– Ela ainda está lá dentro. — meus olhos lacrimejam e o nó em minha garganta está muito mais difícil de se engolir.

– Espere que cheguem e apaguem o fogo e depois nós entramos para resgata-la…

– Eu não tenho tempo. — interrompo-o com um tom de voz duro. — E ela também não.

Digo isso e atravesso as chamas. Ouço os gritos de Amah atrás de mim, mas não penso em sair daqui sem Tris. Meu corpo queima e meu braço piora, mas estou determinado a salva-la. A fumaça toma conta dos meus pulmões e sinto meu coração em chamas. Entretanto, lá no fundo, há uma brasa. Uma brasa forte que luta para viver. Uma brasa que a alimento com o nome de Tris.

Com determinação, ignoro toda tosse, dor e chama. Corro até o porão e chuto a porta. O fogo ainda não chegou aqui, mas a fumaça está forte. Observo o local e encontro uma figura pequena jogada ao chão. Reconheço seu cabelo loiro e seu corpo pequeno. Corro até ela e me agacho. Seguro sua mão e ela está fria.

– Tris? — pergunto e sinto as lágrimas caírem. Ela não responde. — Tris! — grito. Silêncio e sinto uma dor no meu coração.

Nesse momento, é como se não existissem chamas. O desespero toma conta de todo meu ser e eu puxo seu corpo contra o meu. O envolvo em um abraço apertado e choro. Choro como nunca tinha chorado antes. Choro porquê o sentimento de perda é doloroso demais.

Quando sue corpo está junto ao meu eu sinto seu coração. Ele está batendo. Uma pitada de esperança toma conta do meu peito e permaneço imóvel, para me convencer de que não foi uma ilusão. Sinto o palpitar do seu coração em compasso com o meu, sendo diferenciado apenas pela sua fraqueza. Ponho os dedos em seu punho e ele pulsa.

Ela está viva.

Levanto rapidamente e a ponho em meus braços. Noto que em seu pescoço há um corte profundo e seu corpo está cheio de hematomas. Tris perdera muito sangue. Corro até a escada, mas ela já foi tomada pelas chamas. O porão está pegando fogo e ele se espalha rapidamente.

Com Tris em meus braços, caminho depressa até a janela mais próxima. Coloco Tris em uma cadeira cuidadosamente e soco a janela. O vidro é resistente. Começo a tossir e minha vista escurece. Me mantenho de olhos abertos e forço minha visão. Sinto a morte em meu ombro, me puxando cada vez mais. Não vou morrer. Não até tirar Tris.

Soco a janela com uma força que não sabia que tinha e o vidro se estilhaça aos meus pés. Ergo Tris nos braços e o teto de madeira começa a cair. Coloco o corpo de Tris para fora e a atravesso pela janela. Ergo meu corpo — a janela é alta — e tusso sem parar. Consigo sair e coloco Tris sobre meus braços. Caminho até a parte da frente do prédio. Os nós dos meus dedos estão com a carne exposta e sinto dor por todo meu corpo.

Sinto-me fraco e vejo que perdi muito sangue também. Minha vista começa ficar escura novamente, mas eu luto contra ela. A morte não me vencerá agora.

Com os joelhos fracos e o equilíbrio afetado, eu consigo me aproximar o bastante para que Caleb me veja e corra até mim. Estou arfando e quase não consigo respirar. O prédio desaba, mas vejo que há algumas pessoas tentando apagar o fogo.

Caleb pega Tris nos braços e com a única força que me resta, eu digo:

– Cuide dela por mim. — minha voz sai baixa e então eu caio no chão.

Fecho os olhos, mas antes de perder completamente todos os sentidos, eu escuto:

– Rápido! — alguém grita. — É uma grávida!

Não consigo evitar o sorriso. Sei que pode ser a morte brincando comigo ou apenas um delírio. Mas ao ouvir isso, sinto como se tudo tivesse valido a pena. Uma paz domina meu corpo e consigo esquecer todas as dores que sinto.

Suspiro e me entrego.

Um pedaço de mim sempre estará com Tris.

– Quatro? — a voz soa distante e já não consigo mais manter os olhos abertos. Minha respiração está difícil e pesada. — Aguente firme, irmão.

Notas finais
QUEM ACERTOU NOS PALPITES LEVANTA A MÃO O// QUEM ESTÁ ANSIOSO PRO EPÍLOGO LEVANTA A MÃO O// QUEM ACHA QUE TODOS OS PERSONAGENS TIVERAM O QUE MERECERAM LEVANTA A MÃO O// COMENTEM COMENTEM COMENTEM AHAUAHUAHHA O que acharam do capítulo, amores? Ele ficou um pouco confuso, não é? Como foi o último capítulo da fic, eu fiquei nervosa e posso ter me atrapalhado em vários pontos, então me perdoem tá? Li todos os comentários e pretendo responde-los muito em breve. Fiquei feliz ao ver que vocês comentaram tudo que sentiam e espero que me perdoem pelo atraso. Sério, eu não fiz por mal. No epílogo tudo finalmente se resolve! Saberemos quem morreu e quem não morreu. Também saberemos o que aconteceu com Johanna, Evelyn e os demais que não estavam no local da guerra. Enfim, tudo ficará mais claro. Quanto maior o número de comentários, mais rápido sairá o epilogo! Comentem o que acharam e digam se correspondeu as expectativas. Espero não ter decepcionado ninguém! Beijos e até os comentários! Twitter: @poxamalec PS.: TEREMOS O LINK DA NOVA FIC NO EPÍLOGO!! FIQUEM ATENTOS!