Notas iniciais
Olá amorzinhos, como vocês estāo? Bom, quero me desculpar pelo atraso. Estou sem computador e tive que pegar o da minha irmã e isso não foi nada fácil AHAUHAUAH Mas enfim, aqui está! Estamos encerrando a primeira fic e isso me deixa um pouco triste, mas realizada. Sinto que meu dever foi cumprido e isso é incrível. Quero agradecer a todos vocês que acompanharam até aqui. Sério. Vocês foram o principal motivo de eu ter continuado. Obrigado por todos os comentários e recomendações. Isso me fez feliz demais!! O epílogo ficou meio grande e sinto muito por isso. É dedicado a todos vocês que continuaram aqui. Eu os adoro. Sempre. Espero vê-los na próxima fic, hein? Tomara que gostem e aguardo o último comentário de todos!!! Beijos e boa leitura Obrigada! Twitter: @poxamalec LINK DA NOVA FIC: http://fanfiction.com.br/historia/513756/Sem_rumo/

TRIS

10 ANOS DEPOIS

Estou caminhando. Os saltos baixos das minhas sandálias afundam na grama e no solo do Cemitério do Centro. Estou desviando dos túmulos de pessoas que foram sepultadas aqui. Não gosto de vir aqui, mas nem sempre fazemos o que gostamos. Algumas coisas nós fazemos porque apenas devem ser feitas. Esse lugar é triste, mas o dia hoje está ensolarado, o que pode amenizar as emoções.

Me agacho e me aproximo do túmulo onde há o sobrenome EATON gravado com uma fonte bonita. Passo meus dedos sobre as letras e suspiro. Não tem sido fácil vir aqui todos os anos. O vento sopra os meus cabelos e eu ponho uma mecha dele atrás da orelha. Continuo observando o túmulo, perdida em meus pensamentos. Eu perdi a consciência durante nossa batalha e não me lembro de nada do que aconteceu.

Não parece que já se passaram 10 anos desde nosso último pesadelo. Desde o ataque, é como se finalmente conseguíssemos viver em paz. Uma paz que é reconfortante. Muitas pessoas morreram naquela guerra, mas não penso isso como algo ruim e isso não é um pensamento egoísta. É uma atitude bonita de se ver. Morrer por aquilo que você acredita. Morrer por algo sabendo que tal ato valeu à pena. Sorrio ao pensar que aquelas vidas possam ter companhia umas das outras, em algum lugar.

Suspiro mais uma vez e me levanto. Abraço meus próprios braços. O vento aqui é forte.

– Obrigado por vir aqui comigo. – ele fala atrás de mim.

Sinto as mãos de Tobias em minha cintura e isso me relaxa. Desde o dia do ataque, há 10 anos, Tobias vem aqui visitar o túmulo do seu pai. Marcus Eaton. Ele nunca me disse o real motivo de fazer essa visita, mas eu não me atrevo a perguntar qual é. Sei que isso significa algo para ele e isso já basta.

Me viro para ele e beijo seus lábios quentes e macios. Ele suspira enquanto me beija e consigo entender o quanto significa que eu o acompanhe até aqui. No primeiro ano em que veio até aqui ele não me chamou, mas eu não deixei que enfrentasse isso sozinho. Apesar de seu porte forte, eu o conheço o bastante para saber o quanto ele é frágil.

– Mamãe, nós já podemos ir? — ouço a voz doce da minha filha e ela se coloca no meio de nós.

Tobias ri entre meus lábios e a pega no colo. Ela envolve seus braços no pescoço do pai e o beija na bochecha. Sinto como se minha vida estivesse completa. Vê-los assim só me prova o quanto a vida vale à pena. Cruzo meus braços e os observo por um tempo. Natalie é baixa e pequena. É nossa primeira filha. Ela é loira e tem os olhos azuis intensos do pai. Natalie tem o meu físico, mas sua personalidade determinada é completamente herança de Tobias.

Eu descobri que estava esperando uma criança no hospital, quando minha consciência voltou. Os médicos me falaram que eu sobreviveria, mas minha criança não. Eu havia perdido muito sangue e isso afetou a gravidez. Como eu também não sabia que estava grávida, a falta de cuidados de Natalie foi um desastre. O aborto seria inevitável. Eu perderia minha primeira filha e nada doía mais que isso. Enquanto eu dormia, sem que eu soubesse, Caleb doou sangue para mim. Muito sangue. Ele esteve sempre ao meu lado, e quando descobriu da gravidez foi como se o filho fosse dele. Caleb quase deu sua vida por Natalie.

Nesse tempo em que eu estive internada, Tobias estava em coma. A fumaça do incêndio fez com que seus pulmões não resistissem e ele quase morreu. Quase. Em uma recuperação milagrosa e duvidosa para os médicos, Tobias acordou chamando por meu nome. E pela minha filha. Como ele sabia, eu não sei. E então, em uma madrugada, ele fugiu do seu quarto e entrou no meu poucos minutos antes de ser pego. Me lembro de sua pele pálida, de suas mãos geladas e de sua pouca saúde. Mas os olhos eram os mesmos. Eu sorri quando o vi e ele pegou minha mão. Acariciou minha barriga e foi naquele tempo que eu soube que nossa filha ainda estava viva. Ela chutou minha barriga no momento em que ele a tocou.

Poucos meses depois, Tobias — quase recuperado — e eu recebíamos nossa primogênita. Natalie. A idéia do nome veio assim que ela nasceu. Foi como se eu sentisse a presença da minha mãe naquele momento. Eu e Tobias tínhamos o trato de escolher o nome apenas no segundo em que ela nascesse. Assim que ele a pegou em seus braços, a primeira palavra que saiu de sua boca fora "Natalie" e sorriu para mim. E naquele momento eu tive a certeza de nossa vida era boa. A vida é boa.

– Tris? — a voz de Tobias me traz a realidade. — Vamos? — ele me olha e Natalie faz o mesmo.

– Sim. Vamos. — eu sorrio.

Ele segura minha mão e saímos assim. Natalie ainda está em seus braços e brinca com a orelha do pai. Olho para trás uma última vez e vejo um corvo pousar em cima do túmulo de Marcus. Me viro e sorrio. Não sei porquê sorrio. Apenas sorrio.

– Para onde vamos agora? — Natalie pergunta enquanto estamos no carro.

– É surpresa, filha. — Tobias diz com um sorriso nos lábios. Ele mantém uma mão no volante e a outra entrelaçada na minha.

– Vai demorar? — ela pergunta e posso ver a ansiedade em sua voz.

– Já estamos chegando. — eu me viro para ela e lhe dou um sorriso gentil.

Ela me olha com os olhos doce e me manda um beijo. Eu retribuo e penso no quanto sou apaixonada por minha filha. Ela tem um coração bom. Tem traços da minha mãe e isso me deixa realizada. Sei que ela está orgulhosa de mim.

– Mamãe, o que significa essa tatuagem de pássaros? — ela me olha com os olhos atentos.

– São corvos. — eu continuo olhando para ela e sinto o riso de Tobias. — É especial. Eu fiz quando ainda tínhamos as facções. Simbolizavam as coisas que mais importantes para mim que eu deixei para trás.

– Quais coisas? — ela insiste e sei que está confusa.

– Pessoas, Natalie. — respondo gentilmente.

Ela olha para janela e sei que compreende muito bem. Natalie tem apenas 9 anos, mas é inteligente demais. Ela tem aprendido sobre as facções e sempre que há uma oportunidade, ela nos faz perguntas. É curiosa.

Nós atravessamos a margem e chegamos à Chicago antiga. Tobias e eu achamos que estava na hora de trazermos ela aqui. Se ainda existissem as facções, hoje seria o Dia da Escolha. Ele achou que seria a oportunidade perfeita e fez a proposta. Eu não pude recusar algo assim.

Tobias dirige até o antigo Complexo da Audácia e fazemos o percurso em silêncio. Aqui é um lugar importante e significativo tanto para mim quanto para ele. Nós paramos e nos separamos. Tobias segue um caminho e Natalie e eu seguimos outro.

– Mamãe? — ela me pergunta quando olha que teremos que subir até o telhado.

– Não se preocupe. — falo segurando sua mão. — Eu não vou deixar você cair. — sorrio.

– Tenho medo de altura. — ela fala e automaticamente isso me faz lembrar Tobias.

– Esse é o objetivo, querida. Encarar seus medos. — eu falo.

Ela hesita alguns minutos, mas logo depois assente. Ela suspira e começa a subir a escada de ferro. Suas mãos pequenas estão suando, mas vejo que ela está se saindo bem. O espírito determinado já despertou dentro dela e eu fico orgulhosa. Subo bem atrás dela e logo chegamos.

Natalie suspira e caminha, mas para ao ver um buraco negro. Ela segura minha mão assustada e me olha.

– Você vai ter que pular. — eu confirmo e sorrio convincente para ela.

– O que há lá em baixo? — ela me pergunta e me lembro da Iniciação. Sorrio timidamente e me abaixo para ficar na sua altura.

– Você vai descobrir quando pular. — eu digo e beijo sua bochecha.

Natalie não entende o porquê de estarmos fazendo isso, mas ela não nos questiona. Ela caminha devagar até a uma certa distância do buraco. Ela olha para trás e dá um sorriso nervoso para mim. Então, ela salta e desaparece da minha vista.

Sorrio quando aquela pequena figura loira salta. Tão determinada. Tão corajosa. Ela pulou sem ao menos questionar e isso me surpreendeu. Suspiro e corro, me jogando dentro do buraco.

CALEB

Estou sentado à uma mesa de um pequeno café do Centro. Minha mochila contém apenas o necessário e está posta em uma outra cadeira. Tomo um chá gelado enquanto observo pela janela. O sol está brilhando e não há nenhuma nuvem no céu. O dia está lindo. Acho que está adequado para hoje.

Enquanto observo, vejo uma figura morena de cabelos curtos. Christina. Ela caminha com seus dois filhos — Marlene e William — e seu marido, Uriah. Confesso que no início, quando eu descobri a verdade, eu fiquei furioso. Furioso com Uriah e Christina. Depois que ele quase morreu no incêndio, eu vi o quanto ele era importante para ela e o quanto ela era importante para ele. Quando no desespero ele me pediu para que eu a tirasse dali, eu tive a certeza de que eram feitos um para o outro. Desde aquele dia, o sentimento que sinto por Uriah é respeito. O respeito como respeito Christina, e fico satisfeito ao saber que ele é a pessoa que cuida dela e a faz feliz. Eu continuo a amando e acho que isso não mudará. Sempre a amarei e gosto disso. Gosto de ser preenchido por esse sentimento. Entretanto, esse amor passou a ser o amor que sinto por Tris. É vontade de cuidar e proteger o tempo inteiro. É apenas o amor de irmão.

Christina me vê a observando e me dá um sorriso gentil. Ela cochicha ao ouvido de Uriah e ele acena com a cabeça para mim. Eu os cumprimento de onde estou e sorrio. Eles continuam caminhando e vejo que Christina não usa mais o colar que eu lhe dei. Ele agora está no pescoço de Marlene e isso a deixa angelical. Sinto um orgulho dentro de mim e sorrio para mim mesmo. Volto minha atenção para a mesa e vejo que alguém se sentou comigo.

Cara está olhando para mim e sorri, mas seus olhos são tristes.

– Vai mesmo fazer isso? — ela me pergunta.

– Sim. — respondo com um sorriso pequeno. — É algo que eu sempre tive vontade, entende? Sou curioso, Cara. — ela assente e sorri. — Quero conhecer todos os lugares possíveis. Sair sem rumo, tendo companhia apenas um livro. Sempre um livro. — eu pisco para ela e ela sorri mais uma vez. Ela fica bonita desse jeito.

– Você pretende voltar? — vejo o quanto está tensa. Ela morde o lábio inferior e bate a ponta dos dedos na mesa. Estendo a mão e seguro a sua.

– Não sei. Ainda não pensei nisso. — suspiro. — Talvez. Eu virei aqui para visitar Tris e os outros, mas não pretendo continuar aqui para sempre.

Ficamos em silêncio e eu faço carinho em sua mão. Por anos, Cara tem sido minha melhor companhia. Ela é minha parceira nas pesquisas científicas e nós trabalhos juntos desde que viemos para o Centro. Ela tem sido minha amiga e me confortou quando eu me vi perdido. Ela não sabe, mas sem Cara eu não teria lidado com as coisas com tanta sabedoria. Ela é essencial na minha vida e dói partir, sabendo que a saudade que sentirei dela me machucará.

– Vou sentir sua falta. — ela me fala e há lágrimas nos olhos.

Suspiro e beijo sua mão. Movo a outra e enxugo a lágrima que escorreu do seu olho. Ela suspira e vejo o quanto há tensão em seus ombros.

– Promete que não vai me substituir? — ela me pergunta e não consigo não rir. Como ela pode pensar que conseguirei a substituir algum dia?

– Prometo. — sorrio.

Ela me encara e suspira. Vejo que está pensando no que vai fazer. Desvio o olhar dela e olho para a janela. Volto meu olhar para o seu, mas quando me dou conta, Cara está com seus lábios colados aos meus. Ela me dá um único beijo simples nos lábios e logo se afasta.

– Desculpe… — ela começa. — Eu não queria que você partisse sem isso. Sei você não esperava por isso e eu sinto muito. É que eu tenho estado tão confusa que eu não sei o que está acontecendo comigo. Está tudo misturado, Caleb, e eu…

Eu a interrompo quando seguro seu rosto e a beijo. Ela me beija suave e suas mãos acariciam minha bochecha. A beijo lentamente, de modo que minha língua conheça a dela. Não me importo se há pessoas olhando para nós. Só consigo pensar no quanto ela é importante para mim. Sei que é loucura o que estou prestes a pedir, mas não deixarei que essa oportunidade passe.

Me afasto dela e encosto minha testa na sua, de modo que nossos narizes se encostem.

– Vem comigo? — eu digo sussurrando.

Ela suspira e sorri entre meus lábios.

– Era só ter feito o pedido.

E com sua resposta, eu a beijo. A beijo de forma intensa. Não posso negar que tenho medo de ser quebrado novamente, mas eu não me importo. Pelo contrário. Eu ficaria totalmente honrado em ser quebrado por Cara.

TOBIAS

Elas estão demorando e isso já me preocupa. Estou na rede, esperando por minha mulher e minha filha. A base de tudo em minha vida. Fico nervoso por pensar que algo pode ter acontecido com elas quando eu as deixei. Estou ficando paranóico. Desde o incêndio, eu me sinto preocupado com relação a segurança de Tris, e depois que tivemos Natalie eu fiquei maluco. Quando eu estava no fogo e vi o que poderia acontecer a minha garota, eu entrei em pânico. A sensação de desespero é inesquecível, e mesmo depois de 10 anos, isso tem se tornado meu pior pesadelo.

Ando de um lado para o outro, a espera de ver alguma figura loira aterrissando aqui. Penso em Natalie e imagino o quanto deve estar assustada e empolgada ao mesmo tempo. Ela tem meu jeito forte, mas tenho certeza de que a personalidade é a de Tris. Natalie é corajosa e inteligente. É bondosa e gentil. Sorrio bobo quando estou perto dela e Zeke me fala que ajo como um marica. Ele não é diferente de mim.

Desde o nascimento do seu filho mais velho Luke, e da pequena Cecily, Zeke endeusa Shauna e trata Cecily como uma princesa. Luke tem personalidade forte e é uma cópia de Zeke, até mesmos nas brincadeiras e atos agressivos. Suponho que Zeke não seja o melhor exemplo de pai. Shauna o chama de irresponsável e eles quase sempre brigam pelas atitudes arriscadas e perigosas de Zeke. Com apenas seis anos, Cecily já desceu na tirolesa três vezes. Luke tem 10 anos e vive pulando do Fosso. Ele descobriu a pouco tempo que há uma área que não há pedra e é fundo o bastante para um mergulho inesquecível.

Só de pensar nas duas atitudes um calafrio me percorre. Natalie jamais fará algo assim. Exceto pela tirolesa, que é algo que Tris quer que ela faça quando completar seus 16 anos. Não discordo. Apesar do medo de altura que eu sei que Natalie tem, isso é algo que ela terá que fazer para que se sinta como eu me senti. Livre. Como um pássaro.

Sou arrancado dos meus pensamentos quando vejo uma pequena figura loira aterrissar na rede. Me aproximo dela e seguro sua mão. É o mesmo toque. O mesmo toque acolhedor e quente que sua mãe possui. Seus olhos analisam rapidamente o local e param em mim assustados. Seu olhar se suaviza quando ela reconhece meus olhos. O azul intenso só a deixa mais angelical.

– Qual seu nome, bela moça de olhos azuis? — pergunto em um tom brincalhão.

– Nate. — ela sorri e me pega de surpresa. Ela diz seu apelido, assim como Tris dissera na primeira vez que eu a segurei.

Eu a puxo e a coloco gentilmente no chão. Ela olha ao redor, girando seu corpo para que possa observa-lo todo. Ele é o mesmo desde a minha Iniciação e nós pretendemos deixa-lo assim.

– É incrível. — Natalie suspira e me olha maravilhada. Não resisto a esse olhar.

– Onde está a mamãe? — pergunto.

Ela me olha e seus olhos caem para rede. Ela sorri e eu olho também. Estou vendo um borrão preto. Tris ainda prefere as roupas pretas e isso a deixa mais linda. Ela aterrissa e estende sua mão para mim. A pego e ela continua com o mesmo toque. Me lembro da vez em que a peguei. Seus olhos continuam persistentes e me encaram com um sorriso no rosto. Sua mão pequena e acolhedora se encaixa perfeitamente nas minhas e sinto a mesma coisa que senti há mais de dez anos. Sorrio para ela e a pego, colocando gentilmente no chão. Seus olhos caem para Natalie, que nos observa maravilhada.

– O que achou, querida? — Tris se abaixa e fica na altura de Natalie. Sua voz é doce e ela põe uma mecha do cabelo da filha atrás da orelha.

– Não sei explicar. — ela pula nos braços da mãe e a abraça. Tris devolve o abraço e acaricia seus cabelos. — Foi incrível. Eu não senti medo. Quer dizer, só no início. — nós três rimos. — Mas aí o papai estava aqui e ele… — os olhos das duas agora estão em mim. — Ele me ajudou. Eu caí, mas ele me pegou. Isso foi… — seus olhinhos brilham de emoção. — Eu te amo, papai.

E então ela corre para meus braços e eu a pego no colo. A abraço e sinto um nó na garganta. Eu passei segurança para minha filha. Eu consegui fazer isso. Ela se sentiu segura quando eu a peguei e nada me faz me sentir mais realizado. Suspiro e a coloco no chão. Tris me dá um sorriso gentil e há lágrimas em seus olhos. Isso foi tão importante para mim quanto para ela. Ela segura a mão de Natalie e as duas começam a caminhar. Não há ninguém aqui fora nós.

Apesar do nosso governo agora ser democrático — o projeto de Tris que foi aprovado, ele ainda permanece intacto. Johanna continua como representante e eu como assistente. Gosto do que faço e não pretendo mudar de cargo. Pouco tempo depois do ataque, quando eu ainda estava me recuperando, Johanna me fez a proposta para que eu liderasse. Eu recusei. Ninguém é tão qualificado quanto ela para isso. Ela interditou todos os complexos da facções, mas sempre tenho permissão para vir aqui.

Tris e Natalie caminham em direção para fora dessa área e eu as observo. Elas são tão lindas. Eu as amo como nunca amei nada ou ninguém. Cruzo os braços e as encaro sair. Eu me sinto completo. Me sinto preenchido de uma forma absurda. Me sinto feliz. Me sinto novo. Penso que, se fosse necessário fazer tudo novamente para ter um final assim, eu faria sem pensar duas vezes. Sinto como se minha vida tivesse valido a pena e nada me conforta mais que isso. Quando eu as olho, eu vejo a paz. Vejo doçura. Vejo simplicidade e fidelidade. E principalmente, eu vejo amor.

Elas param de caminhar quando percebem que não as estou acompanhando. Se viram e Natalie me pergunta:

– Você não vem? — seus olhos brilham de curiosidade.

Sorrio e caminho até elas. Nós saímos da área da rede e paramos frente ao Fosso. Olho para Tris e Natalie encara maravilhada.

Por minha família ser mal estruturada, eu sempre tive a certeza de que eu seria incapaz de ser feliz e ser amado. Mas eu estava enganado. Quando Evelyn me escolheu e eu a acolhi de volta, eu pensei ter entendido o que era ter uma família de verdade. Não que eu não ame minha mãe e não a considere família o bastante. Não é isso. Mas eu só entendi o que era família quando passamos a conviver somente eu, Tris e Natalie. Nós somos uma família de verdade. Há amor em tudo que fazemos e somos inseparáveis. Jamais terei uma atitude rude quanto a do meu pai e não abandonarei nenhuma das duas como minha mãe. Para estruturar minha família, eu tenho um lema de seguir apenas cinco pontos essenciais: coragem, altruísmo, inteligência, sinceridade e gentileza. Tem dado certo.

Pensar me Evelyn me faz ficar nervoso. Antes de sair de casa, ela me fez prometer que viria comigo quando fosse a hora de Natalie conhecer a Audácia. Fui um pouco egoísta por querer que esse fosse um momento meu. Ela me perdoará. Eu sei que fará isso. Ela está feliz com seu segundo casamento e isso me deixa feliz. Fico satisfeito que Evelyn finalmente tenha encontrado algo pelo qual valha a pena lutar.

A voz de Natalie me tira dos pensamentos mais uma vez.

– Onde estamos? — ela me pergunta.

Eu encaro aqueles olhos azuis repletos de expectativas. O brilho dele permanece intacto. Meus olhos encontram os de Tris e ela me lança um sorriso gentil. Volto meu olhar para minha filha e seguro sua mão. Tris segura a outra e nesse momento eu percebo o quanto a vida é boa.

Encaro a imagem do fosso a minha frente e do Complexo da Audácia. Não me traz sensação ruim. Me sinto em paz aqui. Suspiro e volto a encarar Natalie. Com um sorriso nos lábios, eu digo:

– Bem-vinda a Audácia.

Notas finais
E ENTÃO???? MEREÇO UM ÚLTIMO COMENTÁRIO??!!! O QUE ACHARAM??? COMENTEM COMENTEM COMENTEM!!! Gente, tô chorosa, eu confesso. Saber que consegui terminar uma fic e ter o apoio de vocês foi uma das melhores experiências que eu já tive! Sério. Vocês conquistaram meu carinho e me fizeram feliz sempre que comentaram e eu sou muito grata por isso. Espero ve-los em minha nova fic, que divulgarei o link logo mais. Beijos e não esqueçam o último comentário! Até a próxima! Twitter: @poxamalec LINK DA NOVA FIC: http://fanfiction.com.br/historia/513756/Sem_rumo/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!