Um novo começo.

12 Eu causei tudo isso.


Notas iniciais
Olá pessoas maravilhosas que continuam acompanhando minha fic ♥ Como vocês estão? Bem, primeiro quero dedicar o capítulo a Jmcastro que foi a terceira pessoa a recomendar fic. Muito obrigada viu? As recomendações me deixam mais feliz e motivada a continuar. Dedico também a todos que estão acompanhando e comentando... Vocês estão me deixando muito feliz com tudo isso, e eu não sei como agradecer. Enfim, o capítulo ficou grande mas eu espero que vocês gostem. Ainda hoje posto mais um capítulo, por que assim como vocês, eu também fico ansiosa para o próximo HAUAHAUH Espero que fiquem satisfeitos com o capitulo. Boa leitura e não se esqueçam de comentar! Beijos ♥ Narrativa do Uriah; Narrativa do Tobias; Discussão entre Christina e Tobias; Momento curto de Fourtris.

URIAH

Eu estava deitado com as costas apoiadas em um travesseiro, num quarto da enfermaria. Eu não me lembro de nada que aconteceu ou como eu vim parar aqui. Para falar a verdade, a última coisa que eu me lembro foi de quando eu tinha 11 anos e Zeke corria comigo pela sede da Audácia. Depois disso, nada. Tudo é vago, e o que eu tenho são apenas flashbacks fracos que não consigo conclui-los.

Mamãe e Zeke me disseram que eu sofri um acidente e acabei perdendo minha memória. Por isso eu não conseguia me lembrar de nada que acontecera nos últimos 5 anos. Desde então, eu tentava forçar minha mente, mas as imagens passavam muito rápido e eu não conseguia focar direito.

A porta se abriu e um casal entrou. Ele era alto, com os braços musculosos e corpo definido. Seu cabelo era curto, castanho-escuro e ele tinha olhos azuis. Meu olhar cruzou com o dela. Pequena, loira, dos olhos verde-claros. De aparência frágil, como uma boneca de porcelana.

Eu tinha impressão de que já conhecia os dois. Principalmente ela.

Minha mente doeu e comecei a sentir uma forte dor de cabeça.

– Quem são eles? – perguntei para minha mãe.

Ela se virou e olhou para o casal. Eu os conhecia de algum lugar. Eu não sabia se os analgésicos que o médico me dera estavam me fazendo ter alucinações ou se eu realmente os conhecia.

Uma lágrima escorreu dos olhos da loira.

– Tris e Quatro. – minha mãe falou. – São seus amigos.

Quatro. Quando minha mãe pronunciou, rapidamente me veio uma voz feminina na mente. Quatro? Tipo, como um número? Minha cabeça doeu mais e eu tentava afastar a voz. Eu o conhecia de algum lugar. Eu sei disso. Não eram os analgésicos.

– Tobias. – Quatro ou agora Tobias, corrigiu minha mãe.

Amigos. Marlene e Lynn.

– Onde estão Marlene e Lynn? – perguntei, tentando afastar o latejar da minha cabeça.

Tris e Quatro se entreolharam e depois olharam para Zeke, que deu de ombros. Minha mãe olhou para Zeke que assentiu. Tive a impressão de que sabiam algo que eu não sabia.

– Não tivemos coragem de contar para ele ainda. – minha mãe falou para Tobias.

– Me contar o que? – perguntei, hesitando em ouvir a resposta.

Eles se olharam outra vez e Zeke se aproximou da cama.

– Descanse, campeão... Eu imagino que sua cabeça já esteja a ponto de explodir de tanta informação. – ele falou, apoiando sua mão em meu ombro.

E ele estava certo. Minha cabeça estava a ponto de explodir. Eu não sabia mais onde armazenar outra informação. Quando acordei, minha mãe e Zeke tentaram me explicar tudo. Eles falaram sobre o ataque da Erudição contra a Abnegação. Falaram sobre o envolvimento e apoio da Audácia. Falaram dos acordos que tentaram impor. Sobre a guerra dos sem-facção e a vitória dos mesmos. Sobre a Amizade e seus acordos de paz. E o mais importante: o sistema das facções destruído. Chicago não era mais uma cidade com as facções. Chicago era apenas Chicago.

– Você tem razão. – falei, dando de ombros e inclinei a cabeça para trás.

– Vocês podem me deixar a sós com ele? Eu prometo não demorar. – A loira pediu, com a voz abafada pelo nó que sentia na garganta.

Abri os olhos e vi que Zeke hesitou um pouco. Olhei para ele e assenti. Não tem problema, eu aguento. Ele pareceu entender e assentiu também.

– Não demore, por favor. – minha mãe pediu.

– Eu estarei na porta esperando por você. – Tobias falou, beijou a testa dela e saiu com os outros.

Estávamos apenas Tris e eu no quarto. Minha cabeça girava e eu tentava me livrar da dor. Tentei focar no seu olhar, que estava focado em mim. Ela me encarava com dor no olhar. Senti uma pontada no peito por ela.

Tente se lembrar dela, Uriah.

– Você está bem, Uriah? – ela me perguntou, se aproximando da cama.

– Para alguém que perdeu a memória eu pareço ótimo. – eu sorri.

Eu não gostava de ser derrotado pela tristeza. Ela sorriu também. Enxugou suas lágrimas e olhou novamente para mim. Ela era linda.

– Você não se lembra de mim, não é? – ela me perguntou e novamente uma lágrima desceu pelos seus olhos.

Eu poderia mentir e evitar todo esse sofrimento dela. Mas não. Eu seria honesto com ela. Ela parecia me provar que também seria no meu lugar.

– Eu tenho a impressão de que já te conheço, mas não. Eu não consigo me lembrar de você, Tris. – falei. – Mas eu vou tentar. Eu prometo a você que vou tentar me lembrar de você.

Ela assentiu e, em questão de segundos, me abraçou. Ela enterrou a cabeça em meu peito e chorava sem parar. A envolvi com o braço que estava sem o soro e a abracei.

Ela ficou ali, imóvel. E depois, se afastou aos poucos.

– Desculpa, eu não quis ter perdido o controle da situação. – ela falou, enxugando as lágrimas e me dando um sorriso.

– Não se preocupe com isso. – eu sorri para ela. – Pode demorar algum tempo, mas eu vou me lembrar de você.

Ela assentiu e Tobias abriu a porta.

Ele olhou para mim e o olhei. Sorri, mas não fui retribuído. Ele permaneceu com sua expressão séria. Aquilo me incomodou. Se ele era meu amigo, por que me olhava daquela forma?

– Tris, acho melhor deixá-lo descansar. – ele falou, olhando para ela.

– Tudo bem. Até mais, Uriah. Melhoras.

Tris se aproximou de mim e beijou minha bochecha. Sorri para ela e ela saiu com Tobias.

Minha mãe e Zeke não entraram no quarto. Supus que eu devesse descansar. Eu assim o fiz.

Eu estava conversando com uma garota. Morena. De cabelos curtos. Ríamos de alguma piada que ela havia contado. Estávamos na sede da Audácia. Ela era bonita. Não era alta, mas não era baixa. Era ideal. Os olhos castanhos, os lábios carnudos. Linda.

– A primeira vez que falei com ele foi quando ele disse seu nome. Eu era da Franqueza, então não consegui manter a boca fechada. Então eu falei: “Quatro? Tipo, como um número?” – ela falou e nós rimos.

Ela era engraçada tanto quanto eu. Nós compartilhávamos coisas que somente nós dois entendíamos. Nossa relação era boa. Era ótima. Ela preenchia o espaço vazio que Marlene e Lynn haviam deixado. Ela se dispôs a cuidar de mim. E eu queria cuidar dela.

Ela me abraçou e eu pude sentir seu cheiro. Era ótimo. Não era alguma colônia específica. Era só o cheiro dela. A envolvi em meus braços e caímos na gargalhada.

Abri os olhos. Eu ainda estava no quarto da enfermaria. Minha mãe estava dormindo na poltrona ao lado da cama. Olhei no relógio e marcava 03:40. Ótimo. Tudo não passou de um sonho.

Tentei voltar a dormir, mas não consegui. A morena do meu sonho não saía da minha cabeça. Se aquilo tivesse sido um sonho não teria tanta importância. Mas algo dentro de mim me dizia que não era. Eram sinais da recuperação da minha memória.

Então Marlene e Lynn haviam morrido. Senti as lágrimas descerem, e o nó na minha garganta se formou. Limpei os olhos e me livrei desse pensamento.

A garota do meu sonho era real.

Por que ela ainda não tinha vindo me ver?

Ou pior: por que eu sequer nem lembrava seu nome?

Exausto, consegui voltar a dormir.

TOBIAS

Dormi com Tris no quarto do departamento, e dessa vez nós só dormimos mesmo. Tris estava abalada demais com a estória de Uriah, e eu me sentia extremamente culpado por isso. Eu sequer conseguia olhar para ele e não sentir uma dor profunda no meu peito. Apesar do perdão de Zeke, do perdão de Tris e do perdão de todos, eu não conseguia me livrar da culpa.

Eu causei tudo isso.

Olhei no relógio e eram 04:50 da madrugada. Eu não conseguia dormir. Me levantei e fui para o jardim, afim de esfriar a cabeça. Cheguei lá e me sentei próximo à fonte. Me surpreendi ao ver Christina sentada no chão, abraçando os próprios joelhos e perdida nos pensamentos.

– O que você está fazendo aqui? – eu a perguntei. Ela olhou para cima e sua expressão era de surpresa.

– Provavelmente o mesmo que você. – ela falou, voltando seu olhar para fonte.

Ficamos em silêncio e me sentei ao seu lado. Ela continuou em silêncio e eu comecei a o observá-la. Ela estava com olheiras e seu cabelo estava despenteado. Ela parecia não se importar mais com maquiagem. Sua expressão era cansada, e os sinais de que ela havia chorado estavam visíveis em seu rosto.

– Uau, você está acabada. – eu falei, cortando o silêncio.

– Você também já esteve melhor, Quatro. – ela falou.

Eu sorri e ela me olhou. Haviam lágrimas nos seus olhos.

– Perdão, eu não quis ofendê-la. – falei, tentando amenizar a tensão.

– Não seja idiota, estou não chorando por isso. – ela deu um empurrão de leve em meu ombro.

Quando Tris estava em coma e eu estava no meu pior estado, Christina foi quem me deu total apoio, até mesmo quando eu tentei afastar todo mundo. Havíamos criado um laço a partir dali. Mesmo que não fossemos totalmente amigos, eu havia começado a criar afeto por ela, e vê-la assim fazia com que eu me sentisse mal.

Mais uma vez um silêncio se formou e voltamos a observar a fonte.

– Você quer conversar? – eu perguntei. Estava disposto a ouvir tudo que ela dissesse.

– Está falando sério? – ela me olhou e não conteve o riso. – Desculpe, eu não consegui. Quando você não está com Tris eu só consigo enxergar o meu instrutor, e você me chamando para conversar é algo extremamente engraçado.

Dei de ombros e sorri.

– Mas sim, eu quero conversar. – ela falou. Olhei para ela e assenti. Ela continuou. – É Uriah. Eu ainda não fui visita-lo; não tive coragem. Depois que perdi Will, ele foi quem se dispôs a me ajudar. Nós compartilhávamos a mesma dor, entende? – assenti a cabeça, entendendo nada. – Ele perdeu Marlene e Lynn. As duas em um curto período de tempo. Ele me entendia. E eu não aceito ele não se lembrar de mim. Sei que quando for vê-lo eu vou desabar.

Ela começou a chorar e eu a abracei. Ela afundou a cabeça em meu peito e o encharcou com lágrimas. Todo aquele sofrimento de Christina só fez com que eu me sentisse ainda mais culpado. Lutei contra o nó que se formou em minha garganta. Eu não podia chorar na frente dela.

– Eu odeio tudo isso, Tobias. Eu odeio tudo. É revoltante saber que a única pessoa esteve com você no pior momento não se lembre de nada. É tudo muito injusto! – ela gritou as últimas palavras.

– Eu sei. – falei, a culpa dominando tudo dentro de mim.

– Por que as coisas tinham que ter acontecido assim? Por que? Por que Nita não explodiu aquela bomba em outro lugar? Por que você... – ela parou, sentindo o peso de suas palavras.

Christina havia me atingindo em cheio. Ela se levantou e ficou de costas para mim. Suspirou e olhou para cima. Eu ainda estava no chão, derrotado por tudo que ela havia acabado de dizer. Ela não precisou terminar a frase para eu entender.

Eu causei tudo isso.

– Por que, Tobias? – ela me olhou com os olhos marejados. Fiquei em silêncio. – Por que você deixou isso acontecer? – ela gritou.

Suspirei e procurei manter a calma. Me levantei e fiquei de frente para ela.

– Acha que eu não me sinto culpado? – gritei, explodindo. — Acha que tá sendo fácil para eu conviver com a culpa de causar a perda de memória no irmão do meu melhor amigo, que também era meu amigo? Christina, se não tá fácil para você, imagine para mim! – suspirei. – VOCÊ NÃO PRECISA ME CULPAR! EU JÁ CONSIGO ME SENTIR CULPADO DESDE O MOMENTO QUE EXPLODI AQUELA MALDITA BOMBA! SATISFEITA?

Ela ficou em silêncio, ainda com lágrimas nos olhos. Eu estava com muita raiva. Raiva de mim, por ter sido idiota o bastante para confiar em Nita. Raiva de Christina por ter deixado claro que a culpa fora toda minha. Raiva de tudo.

Olhei para ela e seus olhos estavam cheios de arrependimento. Instantaneamente, me senti culpado por ter gritado com ela.

– Desculpa, Tobias. – ela falou se aproximando de mim. – A culpa não é sua. Eu só estou chateada e acabei descontando em você. Sinto muito. Eu não quis ter dito aquilo. – ela falou e vi que era sincero.

Não diminuiu o sentimento de culpa. Me senti ainda pior.

– Eu mereci. – falei, me voltando para o banco.

– Não, não mereceu. – ela se aproximou de mim e sentou ao meu lado. – É que aconteceram muitas coisas, todas de uma vez só. Eu não sei como lidar com tudo isso. Desculpe pela explosão.

– Não se preocupe comigo. – dei de ombros.

– Claro que sim! Você veio aqui e me ofereceu consolo, e eu só fiz magoar você. Eu sinto muito mesmo.

– Christina, se continuar se desculpando eu vou socar seu adorável rosto. – falei e ela riu. Acabei rindo também.

Ficamos em silêncio e voltei minha atenção para fonte. Senti que Christina estava com o olhar fixado em mim e eu não queria saber o que ela estaria pensando. Me senti desconfortável sendo observado daquela maneira. Por fim, ela cortou o silêncio.

– Vamos a Chicago hoje... Você vem conosco? – ela me perguntou.

Não sei se eu realmente queria ir, mas qualquer coisa para ficar longe do palácio era válida.

Fiz que sim com a cabeça.

– Ótimo. – ela falou se levantando. – Vou voltar para cama, o sol já está nascendo e meus olhos estão pesando. Sairemos as dez, tudo bem?

– Sim. – falei e ela saiu.

Fiquei observando a fonte por um tempo e senti o sono voltar. Me levantei para ir ao dormitório e vi Tris chegando, ainda com as vestes de dormir.

– O que está fazendo aqui? – perguntei.

– Eu imaginei que você estivesse aqui. – ela falou se aproximando do banco. – Está tudo bem?

Neguei, balançando a cabeça. Ela se sentou ao meu lado e segurou minha mão. Sempre que ela fazia esse gesto eu me lembrava da vez em que segurei sua mão pela primeira vez. Tão quente. Acolhedora. Exatamente como estava agora.

Ficamos em silêncio e eu fui vencido pelo sentimento de culpa por Uriah. Não conseguia parar de pensar nisso nem por um segundo.

– A culpa não foi sua. – Tris disse, parecendo ler meus pensamentos.

– Não? E de quem foi então? – perguntei, sentindo dor.

– De ninguém, Tobias. Todos nós sabemos que você não teve a intenção de machucar Uriah. Conhecemos você. E já o perdoamos. Você deveria se perdoar também. – ela olhou nos meus olhos.

– Não é tão fácil quanto parece. – evitei seu olhar. Baixei a cabeça. – Eu me sinto perdido, Tris.

– Eu estou aqui com você. – ela segurou meu rosto e me beijou.

Não importa quantas vezes já havíamos nos beijado, sempre parecia a primeira vez. Repleto de paixão, ela conduzia todo o beijo. Senti os olhos arderem e uma lágrima caiu. Não me permiti abrir os olhos até que o beijo acabasse.

– Eu amo muito você. – ela sussurrou, finalizando o beijo.

– Você é a única certeza da minha vida. Sabe disso, não sabe? – perguntei, desesperado.

– Sim, Tobias. Eu sei. – ela sorriu para mim e me envolveu num abraço.

– Vou voltar a Chicago hoje. Quero que venha comigo. – falei.

– Como será que ela está? – ela perguntou, franzindo a testa para mim em uma expressão confusa.

– Nós iremos descobrir hoje. – falei.

Notas finais
GOSTARAM?? COMENTEM COMENTEM COMENTEM ♥ Bem, eu ainda vou responder o restante dos comentários... Enfim, tenham paciência HAUAHAU Ainda hoje postarei mais um capítulo, se vocês forem gentis e comentarem o que estão achando. No próximo capítulo eles voltarão a Chicago e eu revelarei detalhes sobre a nova forma de governo. Evelyn e Marcus provavelmente aparecerão nos próximos capítulos, e também teremos cenas de Caleb e Christina HAUAHUAH e também um flashback de Uriah com a garota morena do seu sonho... Enfim, aguardem e fiquem de olho!! Obrigada por continuarem acompanhando e me motivando, vocês são demais ♥ (Ah, e meu twitter é: @poxamalec)