Um novo começo.
13 Volta a Chicago.
Notas iniciais
TRIS
Deu tempo de apenas tirar um rápido cochilo que Christina veio até nós com um sorriso no rosto. Ela estava com olheiras e seus olhos estavam cansados, porém repletos de animação.
– Vamos, já são 09:45... Vocês dois tem 15 minutos para se trocar e comer alguma coisa. Estamos voltando Chicago daqui a pouco. – sua voz estava repleta de entusiasmo. Sorri para ela e ela saiu do quarto.
Olhei para Tobias e ele estava deitado de bruços. Ele virou seu rosto para mim e um sorriso se formou em seus lábios.
– Bom dia. – sussurrei. Ele me envolveu em seus braços em forma que ficássemos em conchinha.
– Tris, você está pronta? – ele me perguntou. Podia sentir sua respiração sobre meus cabelos.
– Eu acho que sim. E você? – rebati.
– Eu acho que sim. – Nós dois rimos.
Virei meu rosto para poder vê-lo. Olhei em seus olhos e o beijei. Um beijo com gosto de manhã. Ele me envolveu com os braços e acabou ficando por cima de mim, ainda me beijando. Apoiei minhas pernas em sua cintura e ele conduzia todo o beijo.
– Eu gostaria de ter mais tempo. – ele sussurrou entre o beijo.
– Nós podemos terminar isso depois. – sorri para ele.
Caleb abriu a porta do quarto e parou, espantado. Tobias e eu rimos da situação, mas ele não pareceu achar graça. Caleb com certeza não tinha nenhum senso de humor.
– Só passei para avisar que sairemos em dez minutos. Sejam rápidos. – ele falou e fechou a porta.
Tobias me deu um beijo e se levantou. Foi para o banheiro, tomou um banho rápido e vestiu as roupas. Ele saiu do banheiro e abriu a porta para eu entrar. Estava lindo. O cabelo curto ainda molhado. A camisa preta destacando seus músculos. Sua calça e sapatos impecáveis. Ele era lindo.
– Seria mais rápido e produtivo se tivéssemos tomado banho juntos. – eu falei.
– Seria produtivo, rápido não. – ele sorriu para mim e beijou minha testa. – Não demore, estarei esperando por você no refeitório.
Assenti e entrei no banheiro. Liguei o chuveiro e permiti que a água lavasse meu corpo e meus pensamentos. Como estaria Chicago? Como estariam as pessoas que deixamos para trás? Johanna... Marcus... Peter... Evelyn...
– Tris, não demore! – ouvi Christina bater na porta.
Terminei meu banho em questão de segundos. Vesti minhas roupas e prendi meu cabelo. Me olhei no espelho e encarei meu reflexo. Não tem como ficar melhor.
Abri a porta e todos estavam no quarto.
– Vamos, estamos atrasados! – Zeke falou, abrindo a porta do quarto para que saíssemos.
Caminhamos em direção ao carro. Zeke e Cara liderando o grupo. Christina e Caleb no meio e eu e Tobias atrás deles.
– Trouxe isso para você. – ele me ofereceu um hambúrguer. Não contive o riso. Já fazia um tempo que eu não comia algum.
– Obrigada. – peguei o hambúrguer de sua mão e sorri para ele.
Comi enquanto ainda íamos em direção ao carro. Quando chegamos ao carro eu já tinha acabado meu hambúrguer e estava satisfeita. Amah estava lá nos esperando.
– Bem, aqui está o carro. A caminhonete cabe 5 pessoas, mas Tris é baixa e magra, então acho que podem aperta-la no banco de trás. – ele sorriu para mim.
Ele entregou as chaves do carro a Zeke e fomos entrando na caminhonete. Quando Tobias abriu a porta do passageiro da frente, Amah se voltou para ele, segurando seu braço.
– Tomem cuidado. – ele falou e seus olhos diziam o que carinho que ele ainda sentia por Tobias.
– Tomaremos. – Tobias falou e sentou, fechando a porta logo depois.
E assim seguimos até Chicago. Zeke dirigindo e Tobias no banco do passageiro ao seu lado. Atrás tínhamos Cara, eu, Christina e Caleb. Não demorou muito e chegamos até a cerca. Senti um frio na barriga quando a atravessamos.
Quando chegamos, eu quase não a reconheci. Chicago não era mais a cidade organizada, onde haviam grupos de determinadas roupas por toda parte. Ela agora era uma cidade movimentada, e tudo parecia estar bagunçado. Olhei para as pessoas e as mesmas sorriam com sua nova vida. Sorri ao ver a cena.
– Eu e Cara vamos até a minha casa pegar algumas fotografias e objetos para a recuperação de Uriah. – Zeke falou. – Vocês podem fazer o que quiser até lá. Estamos voltando para o departamento as quatro. Estarei esperando todos no edifício Hancock. Não demorem ou vou deixá-los aqui. – Zeke riu e saiu com Cara.
– Bem, eu vou visitar meus pais. – Christina falou.
– Eu vou com Chris. – Caleb falou. Chris.
Eles dois saíram abraçados, se perdendo nas ruas de Chicago.
– Talvez eu tenha perdido algo. – falei para Tobias.
– Talvez. – ele riu. – Eu tenho uma reunião com Johann, você quer vir? – ele se voltou para mim.
– Reunião? Eu não me lembro de termos conversado sobre isso. – falei, tentando me lembrar se já havíamos falado sobre aquilo.
– Ela me informou hoje de manhã, quando você ainda estava no banho. Vamos nos encontrar no antigo prédio da Erudição para discutirmos sobre o governo. Ela é uma representante da cidade no governo e me quer como assistente.
– Uau. – não pude conter a surpresa no meu tom de voz.
Tentei me concentrar no fato de que Johanna estava interessada apenas no lado profissional do Tobias. Só por que eu era obcecada por ele, não significava que o resto do mundo também seria.
É tentador, eu sei. Ele é ainda mais bonito enquanto dorme. A voz de Christina ecoou na minha mente.
– Você vai comigo? – Tobias segurou minha mão.
– Não, acho que vou visitar minha antiga casa e dar uma volta por Chicago. Vou passar pela sede da Audácia também. – ele me olhou preocupado. – Eu vou ficar bem, Tobias. Eu sei me cuidar.
– Da última vez que eu a deixei sozinha você quase morreu. Tome cuidado, Tris. – ele falou e eu assenti. – Eu não vou demorar, prometo.
Me deu um beijo na testa e saiu.
Comecei a caminhar em direção ao antigo espaço que pertencia a Abnegação. Cheguei lá e vi a minha antiga rua. O local estava abandonado, mas parecia intacto. Corri em direção a minha antiga casa. Abri a porta e entrei. Tudo permanecia como no dia do ataque.
Rapidamente, as lembranças da minha vida começaram a passar em minha mente. Me lembrei da minha mãe. E do meu pai. E de Caleb. E do quanto éramos felizes, apesar de todas as restrições que a Abnegação tinha.
Meu coração se apertou e lutei contra as lágrimas que saíam dos meus olhos.
Eu sentia saudade deles.
CHRISTINA
Caleb me acompanhou até onde meus pais estavam morando. Desde que ele me falara sobre seus sentimentos, muita coisa havia mudado. Ele tinha mais afeto por mim, e eu estava começando a sentir por ele também. Eu não tinha certeza em relação a nada e ainda sentia muita saudade de Uriah, porém Caleb estava se tornando a minha única coisa fixa. Nós tínhamos nos aproximado mais, e ele até tinha me beijado. Foi engraçado, divertido e muito bom. Eu estava precisando de carinho.
Eu estava nervosa em apresentar ele para os meus pais, e eu nem sei o por quê.
– Chris, está tudo bem? – Caleb pôs a mão em minhas costas, em um gesto cortês.
– Sim. Só estou ansiosa. – dei de ombros.
Ele olhou para mim e voltou a andar. Caleb era bonito. Bonito não, lindo. Ele tinha os olhos castanhos. O cabelo sempre no penteado perfeito. Os lábios carnudos.
– Chris, por que está me observando? – ele riu, ainda caminhando. Eu o acompanhava.
– Nada. – sorri.
Por fim, chegamos na casa dos meus pais. Bati na porta e logo minha mãe atendeu. Seu queixo caiu quando me viu, e a surpresa em sua face era notável até demais.
TOBIAS
– Eu aceito. – falei, estendendo a mão para Johanna. Ela abriu um sorriso e apertou minha mão.
– Ótima escolha. – ela falou. – Agora eu preciso ir. Tenho uma reunião em dez minutos com o Conselho. Foi bom revê-lo.
– Igualmente. – falei.
– Vou me mudar dentro de dois dias para o Centro Eu falo com você em breve para podermos acertar tudo.
– Estarei esperando.
– Até mais, Quatro.
– Tobias. – corrigi e ela sorriu.
– Sim. – ela sorriu e saiu da sala.
Me levantei e deixei o prédio. Minha reunião com Johanna foi mais rápida do que eu esperava. Olhei no relógio e marcava 12:40. Eu ainda tinha três horas para visitar Chicago. Caminhei, indo em direção à antiga sede da Audácia. Algumas pessoas ainda moravam ali, porém eram poucas. Fui andando até a área que ficava a rede, onde os membros novatos da Audácia pulavam. Me lembrei da primeira vez que eu vira Tris.
E agora eu vi um borrão. Não um borrão cinza, como da primeira vez. Agora eu vi um borrão preto. Ela estava vestida de jeans preto e blusa preta. Se as facções ainda existissem, ela estava Audácia pura. Seu cabelo preso. Ela sorriu ao me ver, e eu segurei sua mão. Tão pequena. Tão quente. Tão acolhedora.
– Como nos velhos tempos. – ela falou sorrindo.
Seus olhos indo de encontro aos meus.
E eu me apaixonei por ela de novo.
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