Um novo começo.

4 Por que não repreendi Nita?


Notas iniciais
Capítulo narrado por Tobias; Tobias + Nita = Tobita (Desculpem pelo atraso, acabei de chegar de viagem).

TOBIAS

– Nita. — Cumprimentei.

Não sei o motivo, mas ainda assim a cumprimentei. Da última vez que eu a vira, ela ainda usava cadeira de rodas. Apesar de ainda mancar um pouco e ter como apoio uma bengala, ela aparentava estar mais saudável e era verídico que havia se recuperado.

– Estou preocupada com você. — Ela sentou-se ao meu lado e continuou. — Você não aparece para dormir e nem frequenta mais o refeitório, sem falar que você não conversa com ninguém. Tobias, o que está acontecendo?

Fiquei em silêncio e voltei a observar a fonte. Eu tinha vários motivos para não conversar com Nita e o principal deles seria que Tris não gostaria. Sem contar que da última vez que eu não acreditei em Tris em relação a Nita, Uriah quase perdeu a vida.

– Tobias... — Sua voz era quase um sussuro. Percebi que ela me encarava. — Olhe para mim.

O fiz. Ela me olhava atentamente e analisava minha expressão. Eu conhecia aquele ato. Eu sabia o que Nita estava pensando. Não. Eu não podia me render.

Ficamos em silêncio. Desviei o olhar.

– Eu sinto muito pela Tris. — Ela falou, dessa vez observando a fonte. Sua voz era doce e havia sinceridade nas palavras.

Eu fiquei em silêncio. Nita não era amiga de Tris. Tris sequer gostava dela.

– Por que sente muito? — Perguntei. — Vocês duas nunca simpatizaram uma com a outra.

– Tem razão. Eu não sinto por ela. — Suas palavras doeram. — Eu sinto por você, Tobias.

Por mim? Como assim, Nita?

– Não deveria sentir. Não deveria nem se importar comigo — dei de ombros.

– Por que você gosta de sofrer?

– Não gosto. — pausei. — É só que...

– Você sente falta dela. — ela completou.

Eu estava impressionado com Nita. Ela falava com tanta paz e mansidão na voz que, agora que ela chegou, eu não queria mais que ela fosse embora. Era como se Nita estivesse entendendo minha dor.

Ninguém havia me procurado para conversar desde o acidente de Tris; exceto por Caleb. Sei que tenho demonstrado que prefiro ficar sozinho. Claro que quero ficar sozinho, porém ninguém gosta de se sentir sozinho. Dentre todos eles, Nita foi a única que veio conversar comigo, sem se importar com a rejeição. Por que não me permitir?

– Sabe, há um tempo eu perdi uma pessoa também. — Ela parou, respirou fundo, olhou para mim e continuou. — Ele era tão importante pra mim que quando partiu, a dor foi insuportável. Eu me sentia como você. Perdida e desamparada. Mas você não pode se concentrar apenas nos pontos negativos da situação. Você tem que olhar ao redor e enxergar que há pessoas que se importam com você e que estão dispostas a lhe ajudar. Eu estou disposta a lhe ajudar, Tobias. — Ela segurou minha mão.

Eu continuei em silêncio. Pensei em repreender o toque de Nita. Não. Ela estava só sendo gentil comigo.

– Você precisa superar a perda de Tris... — Ela acariciava minha mão.

– Ela não morreu... — Sibilei, quase um sussurro. Nita estava próxima o bastante para ouvir. As palavras doíam, e eu dizia aquilo para me convencer de que era verdade.

– Não, mas está morrendo. — ela disse calma. — Tobias, você precisa se permitir ser feliz com outra pessoa! Tris não durará uma semana, entenda isso. O médico não lhe fala nada, mas eu sei! Ela só respira através de aparelhos e os ferimentos foram graves o bastante. Você precisa se permitir.

Talvez tudo que Nita estivesse dizendo fosse verdade. Pensar na possibilidade de Tris morrer era doloroso. Senti as lágrimas nos meus olhos, mas não me permiti chorar. Não na frente de Nita. Eu precisava ser forte. Tris me ensinara isso.

Nita me abraçou. Eu a abracei e afundei minha cabeça em seu ombro. Era infantil. Eu parecia uma criança. Mas de fato, eu não me importava. Eu só precisava de carinho e atenção nesse momento difícil. Nita estava me oferecendo isso.

– Eu sei que dói. Eu entendo você estar chateado. Eu te deixo e até aceito você ficar chateado. Eu só não aceito ver você triste, deprimido e infeliz. Tobias... — ela pôs as mãos em meu rosto e olhou para mim.

Nita segurava meu rosto de forma que eu ficasse olhando para ela. Ela mantinha o olhar firme, porém sua respiração estava acelerada.

Mais uma vez, não repreendi seu toque.

Ficamos em silêncio e Nita acariciava minha bochecha. Ela mantinha os olhos nos meus e eu, por algum motivo, mantinha os olhos nos dela. Nita aproximou seu rosto do meu, de maneira que nossos narizes se tocaram.

Nita me beijou.

Fiquei tão surpreso que permaneci imóvel. Não correspondi o beijo, mas não repreendi seu toque.

– Eu só quero que você fique bem. — Ela disse se levantando. — E se precisar conversar, você pode me procurar.

E saiu.

Automaticamente, a imagem de Tris me veio à mente. Eu sabia o quanto ela reprovaria.

Me senti envergonhado.

Por que não repreendi Nita?

Olhei para a porta do departamento e vi Christina. Ela me olhava e balançava a cabeça negativamente. Caleb estava parado, mas seu olhar era de decepção. Zeke também estava com eles, entretanto, era inexpressível. Ficaram ali parados e depois saíram.

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– Tobias? — Amah falou atrás de mim. Me virei para ele. — Venha comigo. — ele pausou. — É sobre Tris.

Senti meu coração apertar. Minha Tris.

Notas finais
E AÍ??? QUEM ACHA A NITA UMA VADIA BATE AQUI O// AUHAUAHUAH Estão gostando da fic? Estou correndo demais? Por favor comentem o que estão achando... Recebi muitos comentários e isso me animou muito para continuar... Enfim, obrigada por lerem e próximo capítulo tem mais ♥