Um novo começo.
14 Nós somos como pássaros.
Notas iniciais
TOBIAS
– O que você está fazendo aqui? – Tris me perguntou enquanto eu ainda a puxava para fora.
– Minha reunião foi mais rápido do que eu pensei. Acabei chegando aqui justamente no momento que você pulou. – falei, pondo ela no chão.
Ficamos em silêncio. Imaginei que Tris fosse perguntar como havia sido a reunião. Sobre o que havíamos conversado e qual fora a minha decisão. Mas não. Ela não perguntou.
– Parece que já faz anos que eu não vinha aqui. – ela falou olhando ao redor. Seus olhos tinham um brilho sensacional. – Eu senti falta daqui. De como tudo era normal no início.
– Sente falta de Jeanine te caçando? – eu perguntei e nós rimos.
– Não, claro que não. É que eu gostava daqui.
– Eu também. — dei de ombros.
Caminhamos juntos em direção ao fosso. Quando chegamos lá, Tris apertou forte minha mão. Fiquei confuso com o gesto e olhei para ela. Os seus olhos já estavam marejados.
– Tris? Está tudo bem? – perguntei, acariciando sua bochecha.
– Esse lugar me trás lembranças ruins. – ela falou, limpando a lágrima que caía do seu olho e não se permitindo chorar.
Eu sabia o que ela queria dizer. Ela estava se lembrando de Al, seu amigo da iniciação, que a atacou e depois se matou. Tris se sentia culpada por isso, igual como eu me sentia em relação à Uriah. E agora ela estava relembrando tudo.
A abracei e saímos dali, indo em direção ao meu antigo quarto. Chegando lá, me surpreendi ao ver que tudo estava no lugar. Ninguém havia entrado ali e confesso que fiquei contente por isso. Apesar de não morar mais ali, ainda era o meu quarto. Sempre seria.
Fechei a porta e Tris se dirigiu ao banheiro. Lavou o rosto, respirou fundo e saiu, deitando-se na cama. Ele ainda tinha a expressão triste. Me deitei de frente para ela e a fiquei observando.
– No que você está pensando? – perguntei, olhando fixamente nos olhos dela.
– Em tudo. Nas facções. Na iniciação. Na morte de Al. No ataque contra a Abnegação. Na morte de Will. Na morte dos meus pais. – vi uma lágrima descer até sua bochecha. – Eu sinto falta deles. – ela chorou.
Segurei seu rosto e enxuguei as lágrimas. Ela olhava para mim. Seus olhos e nariz vermelhos. Eu não conseguia vê-la sofrendo desse jeito. Eu tinha que fazer algo. Tinha que fazê-la esquecer de tudo isso, nem que fosse por um segundo.
Comecei a beijá-la. Ela correspondia o beijo na mesma intensidade; na mesma paixão. As lágrimas continuavam a escorrer, mas ela não estava mais triste. Ela sorria enquanto me beijava, e eu sussurrava que a amava em todas as curtas pausas que fazíamos.
Tris me puxou para perto dela, fazendo com que meu corpo ficasse junto ao seu. Fiquei por cima dela de modo que meu peso não ficasse sobre ela e ela cruzou suas pernas sobre minha cintura. Nessa posição eu podia observar ela. Seus olhos cravados em mim. Sua boca se formando em um leve sorriso. O cabelo bagunçado.
Linda.
– Concentre-se apenas em mim agora, Tris. – falei e ela assentiu com a cabeça.
Em seguida, comecei a beijar seu pescoço. O cheiro dela era tão fantástico. Ela acariciava meu cabelo e alisava minhas costas por baixo da camisa. Se toque fazia com que eu sentisse mais desejo por ela. Comecei a beijá-la novamente e seus lábios se encaixavam perfeitamente no meu.
Tris me empurrou e começou a tirar minha camisa. Talvez ela já estivesse mais impaciente que eu. Ela sorriu e jogou minha camisa no chão. Me puxou para mais perto de si e começou a me beijar. Enquanto nos envolvíamos no beijo, eu tirei sua blusa. E depois sua calça. Ela ficou apenas de sutiã e calcinha.
Por Deus, como era linda!
Ela tirou meu cinto e eu a ajudei a tirar minha calça. Fazíamos tudo em silêncio e sem pressa. Não íamos fazer sexo. Estávamos nos amando. Ela se virou de costas para mim e colocou seu cabelo pro lado, para que eu pudesse tirar o sutiã.
– Droga, Tris! Isso não sai. – falei, já perdendo a paciência com aquilo.
Ela soltou uma risada e com um único movimento conseguiu tirá-lo. Incrível. Ela se virou para mim e eu pude ver seus pequenos seios lindos. Sorri para ela e deitei por cima dela. Agarrei sua cintura e comecei a beijá-la. Sem pressa. Apenas sentindo o momento. Ela segurou minha mão e guiou até a alça da sua calcinha, indicando que eu podia tirá-la. Não hesitei e tirei cuidadosamente.
– Eu não me canso de dizer o quanto você é linda. – sussurrei em seu ouvido. Ela estremeceu e eu sabia que já estava na hora.
Abaixei minha cueca e pude sentir minha ereção.
– Tris, me diga se eu te machucar. – falei.
– Uhum... – foi tudo que ela conseguiu dizer.
Sorri e entrei dentro dela devagar. Ela se contorceu e me apertou contra ela. Entrei de novo e ela gemeu. Comecei a repetir o movimento devagar e ela parecia gostar daquilo. Não estava doendo.
– Tris, eu preciso... – falei, quase num gemido. Eu precisava ir com mais força.
– Por favor... – ela falava quase num sussurro, parecendo me entender.
Entrei nela com mais força. Ela fechou os olhos e mordeu os lábios, fazendo uma expressão de dor.
– Não pare. – ela falou.
Penetrei com mais força. E mais força. O movimento estava se tornando constante. Ela cravou as unhas nas minhas costas e arranhava com força, mordendo os próprios lábios. Ela se movimentava e nos sincronizávamos. Nossos gemidos ficarão altos e chegamos ao auge. Ela parecia satisfeita e cansada. Eu também estava satisfeito. Finalizei com um único movimento e a beijei por fim.
Olhei para ela e ela sorriu, satisfeita.
– Precisamos tomar um banho e voltar para os outros. – ela falou.
– Sim. – assenti com a cabeça e fomos ao meu banheiro.
Tomamos banho. Parecíamos crianças brincando com a espuma e a água. Vestimos as mesmas roupas e saímos do banheiro. Segurei a mão de Tris e caminhei até a porta do quarto.
– É uma lembrança boa. – falei, num suspiro.
– Eu sei. – Tris me respondeu com um sorriso.
Saímos dali e fomos em direção ao edifício Hancock. Chegamos lá e encontramos todos a nossa espera.
– Eu achei que tivesse sido bem claro em relação ao horário. – Zeke falou sério.
– Pega leve, Zeke, só estamos dez minutos atrasados.
Ele caiu na gargalhada.
– Nunca pensei que você fosse acreditar em mim. – ele falou, ainda rindo.
Todos nós rimos.
– Então... Vamos voltar agora? – Caleb interrompeu o momento. Ele estava de mãos dadas com Christina.
– Vamos, mas antes eu quero fazer algo... – Zeke esboçou um sorriso malicioso para Cara, que o retribuiu.
Eu entendi o que eles iriam fazer. Eles sempre faziam isso quando tinham a oportunidade. Engoli em seco só de imaginar subindo no topo do prédio. Minhas mãos já estavam suando e Tris sentiu a tensão do meu corpo.
– Eu fico com você, se quiser. – ela me falou, mas pude ver que era apenas um gesto cortês, e não o que ela realmente queria.
O elevador chegou e todos entraram, exceto Tris e eu. Zeke segurou a porta do elevador e me olhou impaciente.
– Vocês vêm ou não?
Olhei para Tris e seus olhos brilhavam de entusiasmo. Eu não podia privá-la da adrenalina que pulsava em seu sangue. E também não queria deixá-la ir sozinha. Sem contar que eu sabia que ela gostaria que eu fizesse isso algum dia.
Entrei no elevador e ela apertou minha mão. Não era um gesto cortês. Ela estava tentando me dizer que estava ali comigo.
Conforme o elevador subia, eu sentia meu coração palpitar e meus ombros se contraírem. Estávamos alto o bastante e a qualquer momento eu poderia entrar em pânico. Permaneci imóvel, tentando não deixar transparecer o meu pavor. O elevador se abriu e estávamos no topo do edifício. Eu conseguia enxergar Chicago toda. Era uma cidade fantástica.
– Eu vou primeiro. – Cara se ofereceu.
Zeke sorriu para ela e segurou o equipamento da tirolesa. Amarrou em sua cintura e quando sentiu que estava firme, fez um sinal positivo para Cara. Ele sorriu e logo em seguida desceu. A velocidade daquela coisa era incrível. Comecei a observá-los. Minha cabeça doía só em pensar em descer naquilo. Quando me dei conta, havíamos restado apenas eu, Tris e Zeke.
– Tobias, quero que desça comigo. – Tris falou me olhando.
Zeke olhou espantado, e reforçou a corda.
– Nós nunca descemos em dois, mas Tris é leve e pode aguentar. Enfim, vai ou não?
Ambos estavam me olhando. Senti um aperto no estômago, como se tivesse levado um soco. Engoli em seco e concordei num gesto com a cabeça. Tris sorriu e fomos até as cordas. Minhas mãos suavam e meus ombros ficarão ainda mais tenso.
– De cabeça, Tris? – Zeke perguntou com um sorriso.
– De cabeça. – ela assentiu, com um sorriso nos lábios e os olhos brilhando de emoção.
Zeke me prendeu e prendeu Tris na corda e a reforçou. Sorriu por fim e assentiu, indicando que já deveríamos descer.
O arrependimento bateu. De repente, eu estava indo de encontro ao chão, numa velocidade extremamente impressionante. Tris abriu os braços e gritava de emoção. Eu gritava de medo. Gritava tão alto que queria cobrir meus próprios ouvidos.
O vento batia em meus olhos, fazendo-o com que eu os fechasse. Forcei-os a ficarem abertos. E então eu entendi. Eu entendi o por quê de Tris escolher descer assim. Com os braços abertos, parecíamos que estávamos voando; nós éramos como pássaros.
O momento de pânico não conseguiu fazer com que eu perdesse esse momento.
Percebo que paramos de nos mover. Estamos a poucos metros do chão, numa altura que dá para pular. Todos já estão lá em baixo nos esperando; fizeram um tipo de rede com mãos e braços para que possamos pular. Tris se solta e pula primeiro. Em seguida, eu faço a mesma coisa.
Caleb e Christina sorriem para mim. Cara está sorrindo também, mas há tristeza em seus olhos.
– Olhem, Zeke está vindo!
Olhamos. A princípio ele parece um ponto, em seguida, uma bolha, e depois uma pessoa envolta em preto. Ele está gritando de alegria. Seguro o antebraço de Cara e depois o de Christina.
O ombro de Zeke nos atinge com força e ele sorri loucamente. Ficamos em silêncio e todos olharam para mim.
– Isso foi demais! Quer ir de novo, Quatro? – Zeke me perguntou.
Não hesito em responder.
– Absolutamente não.
Tris segura minha mão e sorri.
Fale com o autor