Um novo começo.
9 Eu amo você, sabia?
Notas iniciais
TRIS
– O que tem Uriah? – perguntei, me levantando com cuidado para não acordar Tobias. Tirei sua mão que estava sobre mim e me sentei na cama.
– Eu ainda não sei, só que o médico mandou chamar todos para nos dizer algo. – ela falou.
– Tudo bem. – falei me ajeitando da cama, tentando me levantar. Meu corpo ainda doía. – Chris, pegue aquela cadeira por favor. – apontei para cadeira de rodas no canto do quarto.
Dei um beijo na testa de Tobias. Ele ainda dormia. Observei seu rosto. Tão calmo; tão manso. Eu não conseguia mais enxergar seu olhar cansado ou preocupado. Eu via agora um Tobias calmo e relaxado. Sua boca sorriu, indicando que ele estava sonhando. Lindo.
– Tris. – Christina chamou me olhando.
– Desculpe. – sorri, e ela também.
– É tentador, eu sei. Ele é ainda mais bonito enquanto dorme. – eu a olhei, e fiz uma expressão confusa, tentando me convencer de que ela não estava flertando com meu namorado. – O quê, Tris? Eu continuo sendo garota tá? — ela deu de ombros, e percebi que corou.
Não contive o riso. Ela riu também e depois eu peço para fazer silêncio, para não acordar Tobias.
– Me ajude a subir na cadeira, Chris. – falei.
Ela pôs meu braço em seu ombro, de modo que ela me servisse como apoio. Me apoiei nela e fiz esforço para me levantar. Senti dor no corpo, mas não muito forte. Sentei na cadeira e Christina começou a me empurrar.
O quarto de Uriah não ficava muito distante do meu, já que ambos estávamos em situações parecidas. Mas ele era o último do corredor, então eu teria que fazer um esforço grande para andar, e meu médico me dissera que eu precisava descansar.
Chegamos ao quarto de Uriah, Christina bate na porta e entra, sem que antes venham atendê-la. Estão todos lá. Caleb, Zeke, Hana, Cara, Amah e o médico. E agora Christina e eu.
Olhei para cama de Uriah e ele estava dormindo. Estranho. Se ele ainda dormia, por quê estavam todos aqui?
– Ok, doutor. Já estamos todos aqui. Pode nos explicar o que está acontecendo? – Christina falou atrás de mim.
– Bem, eu tenho uma boa e uma má notícia. A boa notícia é que Uriah acordou. – Hana suspira em alívio e Zeke a abraça. A felicidade está estampada em seus rostos. Christina solta um suspiro de alívio atrás de mim. Caleb e Cara só assistem a tudo sorrindo.
– E a má notícia? – pergunto, não conseguindo conter minha curiosidade.
– Bem, a má notícia é que Uriah não se lembra de nada que aconteceu nos últimos cinco anos. O impacto da bomba atingiu uma área de risco em seu cérebro. A memória. Por sorte, ele não foi muito forte e o que ele possui é apenas amnésia anterógrada. Nós ofereceremos tratamento psicológico e um neurologista para acompanhar o caso dele, porém vocês terão que ser pacientes. Ah, e seria legal se todos vocês colaborassem na recuperação dele. Fotografias, vídeos, objetos de alguma lembrança... Toda ajuda será bem-vinda.
Todos assentiram com a cabeça. Hana e Zeke pareceram não se abalar muito com a má notícia. Era visível que eles estavam felizes por Uriah ter acordado. Cara e Caleb falaram algo um para o outro, sorrindo. Amah e o médico conversavam. Christina estava em estado de choque.
Claro! Uriah a conhecera depois da iniciação, e isso só fazia alguns meses. Essa não. Ele não se lembrava dela. Nem de mim.
– Me avisem quando ele acordar. – falei, Caleb assentiu e Christina me empurrou na cadeira de rodas para fora.
Ela me acompanhou até meu quarto em silêncio. Eu não sabia se devia falar com ela, consolá-la ou qualquer coisa. Aliás, eu não sabia nada. Eu também estava surpresa. Uriah não lembraria de mim.
Subitamente, a imagem da primeira vez que vi Uriah me veio à mente. Ele me chamando para descer na tirolesa. Com aquele sorriso cativante, sempre conversando comigo nos corredores, mesmo quando Lynn contestava. As imagens dos poucos momentos que tive com meu amigo começaram a passar como um filme. Doeu saber que ele não lembraria de nada daquilo.
Chegamos ao meu quarto e Christina me ajudou a deitar na cama. Tobias ainda dormia. Me deitei ao seu lado e ele sequer se mexeu. Olhei pra Christina que estava colocando a cadeira de rodas de volta no lugar. Ela olhou pra mim e pude ver que seus olhos estavam cheios de lágrimas. Não, Chris. Seja forte. Eu estou com você.
– Eu... eu preciso... – ela parecia escolher as palavras certas. – Eu preciso esfriar a cabeça.
Assenti. Entendendo o que ela queria dizer. Ela se aproximou de mim e segurou minha mão.
– Você vai ficar bem? Se precisar de algo, ou sentir que está piorando, você me chama, Tris? – ela parecia nervosa e as lágrimas caiam dos seus olhos repentinamente.
– Não se preocupe comigo, Chris. Eu vou ficar bem. – eu falei apertando sua mão.
– Por favor, prometa pra mim. Prometa. Eu não suportaria perder você. Eu só tenho você agora, Tris. – ela caiu de joelhos, ainda segurando minha mão.
Me ajeitei na cama, de modo que eu não ficasse mais deitada. Apertei a mão de Christina e a puxei para um abraço. Abracei-a e ela afundou seu rosto em meu ombro, ensopando de lágrimas.
Tobias abriu um dos olhos e olhou para nós. Rapidamente ele se sentou na cama e ia falar algo, mas eu fiz que não com a cabeça. Ele fez uma expressão confusa, depois assentiu, mas me olhou como quem diz “você vai ter que me explicar isso depois”.
Christina me soltou do abraço e enxugou seus olhos e nariz.
– Desculpe, eu não quis acordar você. Já estou de saída. – ela falou olhando para Tobias e depois se dirigiu a porta.
– Fique bem, amiga. – falei as palavras que ela me dissera há pouco tempo. Ela se lembrou, virou pra mim e sorriu.
– Você também. Por mim. – ela disse e por fim saiu.
Quando Christina saiu, percebi que estava com um nó na garganta. Assim que a porta se fechou, desabei nos braços de Tobias. Chorava e soluçava, e ele me abraçava sem saber ao certo o que dizer.
– Tris, acalme-se por favor, você está me deixando preocupado. – ele falou alisando meu cabelo.
– Uriah, Tobias... Uriah. – eu só conseguia pronunciar seu nome.
Ele me abraçou forte. Essa não. Tobias entendeu tudo errado.
– Me perdoa Tris, por favor, me perdoa... – ele começava a falar desesperado, lutando contra o nó na garganta.
Olhei pra ele e vi em seu olhar a culpa, o desespero e o arrependimento. Depois o olhar dele se transformou em pura dor. Ele me abraçava e tentava afastar as lágrimas dos seus olhos.
Parei de chorar para poder explicar o que realmente havia acontecido. Enxuguei minhas lágrimas e segurei o rosto de Tobias. Ele mantinha seu olhar no meu.
– Tobias, ele não morreu... – falei, tentando me acalmar e acalmar ele também. Pude ver o alívio na sua expressão. – Ele só ficou com uma sequela. Talvez você deva conversar com Zeke.
– Amanhã eu vou, prometo. Mas agora eu só quero passar o resto da noite com você, Tris, tudo bem? – ele me pedia desesperadamente.
Acariciei seu rosto e beijei seus lábios. Ele me deitou de lado na cama sem interromper nosso beijo. Quando nos beijávamos, eu tinha a sensação de que tudo ao meu redor estava bem. Ele me beijava com calma e lentamente, aproveitando o momento de todas as formas possíveis. Ele finalizou o beijo puxando meu lábio inferior de forma carinhosa.
Recuperei o fôlego e pus minhas mãos em volta do seu pescoço.
– Eu amo você, sabia? – falei, por que era verdade.
– Eu sei. – ele sorriu. Não um sorriso convencido, ou algo assim. Só um sorriso.
Ficamos ali, deitados abraçados. Podia sentir a respiração de Tobias na minha nuca, e a sensação era reconfortante. Ele esticou o braço e apagou o abajur. Continuou a alisar meu cabelo e o peso sobre meus olhos fora chegando.
– Tris? – ele falou com a voz rouca.
– Sim?
– Eu amo você também. – ele falou.
Sorri e me permitir cair no sono. Lidar com as coisas com Tobias por perto era sempre mais fácil. Amanhã seria um dia difícil, porém era bom saber que eu podia contar com seu apoio.
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