Um novo começo.
10 Pelos céus, Tris!
Notas iniciais
Já passavam das duas da manhã. Christina e Caleb estavam no jardim do departamento. Ela estava sentada no banco em frente à fonte e Caleb estava ao seu lado. Eles estavam envolvidos num abraço acolhedor, e Christina chorava em seu ombro.
– Ele não se lembra de mim, Caleb... Ele não se lembra. – ela chorava no peito dele. Ele alisava o seu cabelo como uma forma de consolo.
– Chris, não fique assim. Você está me deixando louco. Eu nunca sei o que fazer quando uma garota começa a chorar. – Ele disse e ela riu. – Isso. Ótimo. Assim está perfeito. Você fica maravilhosa quando sorri. – Ela soltou uma risada.
– Eu não sei nem como te agradecer por estar comigo, Caleb. – ela o abraçou mais forte.
– Hm... Vejamos... Você pode voltar para cama e assim eu posso dormir tranquilo.
– Bem, eu não estou lhe obrigando a ficar aqui. – Ela enxugou as lágrimas e olhou para ele com uma expressão provocadora.
– Ah, Chris, você sabe que não precisa me obrigar ou pedir, não sabe? – ele segurou sua mão e assentiu. – Ótimo, a única coisa que você ainda não sabe é como parar de chorar, não é mesmo senhorita Christina? – ela riu, enxugou os olhos e o nariz e deu um empurrão de leve nele.
– E você não sabe como parar de ser irritante, certo Caleb? – ela sorria agora e as lágrimas haviam parado de cair.
– Nem um pouco, Chris.
Ele a puxou para um abraço. Ela enterrou a cabeça em seu ombro e eles ficaram assim por um momento curto. Depois, Christina olhou para o rosto de Caleb e os olhares dos dois se cruzaram.
Em questão de segundos, Caleb a beijou. Ela fora pega de surpresa.
Ela olhou para Caleb, ainda tentando entender o por que dele ter feito o que acabara de fazer. Ele estava surpreso com sua reação, provavelmente porque não esperava por ela. Ele andava de um lado para o outro, de forma nervosa.
– Por que você fez isso, Caleb? – ela disse, séria.
– Desculpa, Chris... Eu só achei... Eu... – ele procurava as palavras certas. — Eu acho.... – ele falava desesperado. Parou de andar e olhou para ela. Fez uma pausa, suspirou e continuou. – Eu acho que me apaixonei por você, Chris.
O quê? Christina pensou.
Eles ficaram em silêncio. Christina pôs a mão na cabeça e a inclinou para trás, ainda sentada no banco. Caleb a olhava arrependido do que havia dito.
– Desculpe, desculpe. É muito cedo para tirar conclusões e eu acho que fiz tudo tão errado que acabei de te assustando. Chris, me desculpe.
– Caleb, eu... – ela não conseguia falar.
Ele sentou ao seu lado e segurou sua mão.
– Não, Chris. Não fale nada. Eu não quero pressionar você. Eu te dou o tempo que você precisar, eu prometo. Mas eu só quero que você me diga uma coisa. – ela assentiu e ele continuou. – É possível, Chris? É possível que você possa sentir algo assim... Digo, por mim... É possível você...
Ele estava desesperado. Não queria assustar Christina, mas tampouco queria permanecer com a dúvida. Ele falava confuso, mas Christina havia entendido.
– Sim, Caleb. – ela o interrompeu. – É possível.
TOBIAS
Dormir numa cama de solteiro de hospital é algo totalmente desconfortável. A única coisa reconfortante ali era Tris. Olhei para ela e ainda dormia. Sua respiração calma; o seu cabelo completamente bagunçado; tudo nela era tão lindo.
Beijei sua testa. Em seguida a bochecha. E depois a boca.
– Tris, estou indo ver Uriah, quer vir comigo? – perguntei.
Ela abriu um dos olhos, olhou para mim, murmurou algo que eu não entendi e depois cobriu o rosto com as duas mãos. Sua risada era algo extraordinário.
– Vamos, levante! — falei.
Tirei suas duas mãos do rosto e ela agarrou meu pescoço. Sua expressão era brincalhona. Em seguida, ela me puxou para um beijo. Ficou claro que nenhum de nós havia escovado os dentes, mas ela não parecia se importar. Ela conduzia o beijo, e só interrompeu quando nos faltou fôlego.
– Posso saber o motivo desse bom humor todo? – perguntei, sorrindo.
– Você. – ela sorriu para mim.
Ficamos nos olhando e depois começamos a nos beijar. Interrompi o beijo.
– Tris, eu amo você, sério, mas nós precisamos escovar os dentes. – falei e ela soltou uma risada.
– Tudo bem, Sr. Que não me ama o bastante para me beijar antes da minha higiene matinal. – ela me empurrou de leve e sorriu.
Se levantou e quase se esqueceu do soro que estava usando.
– Tris, você precisa de ajuda? – perguntei.
– Não, eu acho que consigo me virar. Só não sei por quanto tempo vou precisar mais usar isso. – ela falou pegando o suporte do soro com rodas e se dirigindo até o banheiro.
– Não vai mais precisar usar. — O médico falou, entrando no quarto sem bater. – Sr. Eaton, gostaria de informa-lo que apesar de Tris estar ótima e seu estado de saúde comprovar isso, eu sugeria a vocês que não tivessem relações sex...
– Só dormimos juntos, doutor. – interrompi, antes que ele pudesse terminar a frase. Tris soltou uma risadinha e entrou no banheiro. Me levantei enquanto o doutor se aproximava.
– Se você me garante isso. – o doutor sorriu e analisou os exames dela que estavam postos na mesa. – Sugiro que vá pegar algumas roupas dela enquanto chamo uma enfermeira para ajuda-la a remover o soro. Ela não vai mais precisar dormir aqui, poderá voltar para seu antigo quarto hoje mesmo.
– E os exames dela apontaram algo? – perguntei sério.
– Não, ela está ótima, ficará em observação por precaução, já que foi baleada e recebeu o soro da morte. Mas você não tem com o que se preocupar, eu garanto.
Assenti e saí dali. Fui ao dormitório e peguei uma roupa para Tris e uma para mim. Quando voltei ela estava saindo do banho, sem o soro; com apenas uma toalha curta cobrindo quase nada do seu corpo. Analisei seu corpo de baixo para cima em um tempo curto, para não ser pego. Engoli em seco.
– Você voltou rápido. – ela sorriu para mim e pegou suas roupas.
– Sim. – Sorri e me dirigi ao banheiro.
Tirei minhas roupas e liguei o chuveiro.
TRIS
Na noite passada eu havia sonhado com Tobias. Um sonho muito bom, tanto é que acordei com um humor maravilhoso. Era tentador saber que ele estava tomando banho e eu estava tão perto. Quando saí do banho, eu vi que ele me analisou, só não quis demonstrar. Eu não sei o que ele tanto viu em meu corpo para ficar tão maravilhado; seus olhos haviam ganhado um brilho surreal enquanto me observava. Desde o dia que havíamos tirado as roupas um do outro e ele me falou que era lindo, eu me sentia mais segura.
Abri a porta do banheiro e entrei. Tobias estava de costas para mim, enxaguando seu cabelo. Admirei suas costas. A tatuagem se destacava em sua pele, e eu não imaginaria Tobias sem ela. Ela era ele. Ou melhor, ele era ela. As facções podem não existir mais em Chicago, e eu fico feliz por isso. Porém elas sempre estarão dentro de nós. E eu também fico feliz por isso.
Tobias se virou e me pegou olhando para ele.
– Pelos céus, Tris! – ele falou alto.
– Shhh!!! – falei, colocando o dedo indicador nos meus lábios. – Eu não quero ser pega.
Tirei minha toalha e o queixo de Tobias caiu. Dessa vez ele não disfarçou nem um pouco sua análise. Estava tão claro que ele estava maravilhado. Eu adorava surpreender Tobias. Ele olhou nos meus olhos e sorriu. Eu sorri também.
Abri o box e entrei. Tobias não esperou um segundo para começar a me beijar. Fomos para debaixo do chuveiro e permitimos que a água nos molhássemos enquanto apreciávamos o beijo. Um beijo lento e apaixonante.
– Linda. — ele sussurrava entre os beijos.
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