Um namorado de natal
2 Dia um.
Notas iniciais
— Minha avó sofreu um acidente em casa e está internada. – Rosalie avisou enquanto dirigia para a casa dos pais. – Então vou visita-la quando chegarmos. Você vai comigo – não precisa ir para a visita, mas é melhor não deixar você sozinho em casa com minha família. A possibilidade de eles fazerem um inquérito e você falar algo errado é gigante.
— Ei! – ele soou ofendido. – Eu decorei todas aquelas fichas que você me deu. Sei a história de cabo a rabo.
— Há sempre espaço para erro, eles provavelmente vão perguntar coisas que não estão lá e não gosto de dar chance ao azar. – ela deu de ombros. – Você pode ir para um bar ou fazer qualquer outra coisa enquanto estou no hospital. – orientou.
— Não posso visitar a sua avó? – ele ergueu uma sobrancelha. Ela cerrou os olhos enquanto passava a marcha.
— Por quê? – ela perguntou.
— Por que o que? – ele soou confuso.
— Por que quer ir visitar a minha avó? – esclareceu.
— Bom, para início de conversa as senhorinhas me adoram. – ele disse levantando o dedo indicador. – Depois, ela não é uma das razões de você precisar de mim, de toda forma? – ele quis saber e Rosalie fez um bico.
— Ela só é moeda de chantagem da minha mãe, eu tenho quase certeza. – ela garantiu, mas não parecia totalmente segura quanto a isso. – Olha... Se atenha ao que coloquei nas fichas, tudo bem? Não saia por aí improvisando.
— Mas sou muito bom em improvisar. – ele argumentou com um sorriso brincalhão nos lábios. Rosalie não sorriu de volta.
— Minha família pode ser bastante meticulosa. E a Bella se graduou em competir comigo e vencer, então ela fareja minhas mentiras. – ela suspirou. – Falando nisso, vamos revisitar algumas coisas. Minha irmã está grávida, mas meus pais ainda não sabem. Eu descobri por conta de Jasper e Bella não sabe que eu sei.
— Ela contou para ele e não para você? – ele ergueu uma sobrancelha novamente.
— Sim. – Rosalie assentiu. – Bella gosta muito de Jasper.
— E não de você? – ele deu um sorriso debochado.
— Ela é um muito... competitiva. – repetiu. – Ela é a favorita da minha mãe e sempre faz tudo pra agradar dona Esme. – Rosalie se encolheu. – Não temos sempre o relacionamento mais tranquilo do mundo. Ela não costuma confidenciar as coisas para mim. – explicou.
— Certo.
— O marido dela, Edward, é professor na Universidade de Seattle. Ela também é professora, mas do jardim de infância. Minha mãe não trabalha hoje em dia e meu pai só atua no consultório particular. – continuou a informar.
— Sim, eu aprendi tudo isso nas fichas que você me deu. – ele garantiu. – Inclusive que seu irmão trabalha com esportes e que a Alice é assistente de uma editora literária. – ele sorriu enquanto revirava os olhos, como se precisasse daquelas fichas sobre um casal de amigos – Fique tranquila, não vim despreparado. Se me esquecer de algo, posso checar o seu material. – ele bateu uma mão sobre o bolso de sua mala de mão, sinalizando que as fichas estavam ali.
— E se lembre de que você está em um relacionamento sério, então me faça o favor de não sair dando em cima de outras mulheres. Sei que isso é difícil, mas são só cinco dias, sei que você consegue sobreviver. – ela cutucou com a voz levemente ressentida. Emmett franziu os lábios.
— Isso foi desnecessário. – apontou. – E injusto. – completou.
— Certo. – ela respirou fundo, estacionando o carro em frente à casa dos pais. Ela olhou a fachada conhecida por alguns segundos antes de respirar fundo novamente. – Certo. Emmett... Obrigada por fazer isso. – disse por fim antes de abrir a porta do motorista e sair, não dando tempo a ele para responder. O grandão sorriu e desceu do carro, acompanhando-a quando ela já estava em frente à porta.
— Você não vai tocar a campainha? – ele perguntou depois de alguns segundos enquanto ela ficava imóvel em frente à porta enfeitada.
— Sim. – respondeu, mas permaneceu parada. Emmett revirou os olhos e levou o dedo à campainha, apertando-a. – Não, espere! – ela disse levando a mão até a dele, mas não houve qualquer tempo, porque dois segundos depois Esme estava à porta. – Mãe! Oi! – Rosalie pregou um sorriso no rosto ao ver a figura mais velha.
— Rosalie, querida! – Esme sorriu, puxando a filha para um abraço. – É tão bom ver você.
— Você também. – a loura se separou da mãe, que ficou olhando para Emmett em expectativa. Quando Rosalie não disse nada, ambos olharam para ela, rostos confusos. – Ah, certo. Certo! – ela sorriu nervosa. – Mãe, esse é o Emmett. Emmett, essa é minha mãe, Esme.
— Senhora Hale, é um prazer conhece-la. – ele disse com um sorriso de covinhas e Esme sorriu.
— Emmett, que bom te ter aqui! – ela respondeu bem humorada. – Ah, onde estão meus modos? – balançou a cabeça. – Entre, entre. – disse puxando o homem pelo braço. – Todos estão loucos para conhecer você. – disse o guiando para dentro da casa.
Rosalie mordeu os lábios, parada na soleira da porta, e deu um longo suspiro. Agora não havia mais tempo para voltar atrás. Tinha perdido a conta de quantas vezes havia repensado aquele plano e, no fundo, não tinha certeza do motivo de tê-lo levado à frente. Mas agora estava ali e não havia mais a possibilidade de desistir – era entrar ou entrar.
Andando lentamente, seguiu na direção por onde a mãe havia guiado Emmett, as vozes lá dentro se misturando com sorrisos e apresentações. Viu a família reunida – os irmãos já estavam por lá e Alice deu um sorriso conspirador para a amiga quando a viu chegar. Todos os olhos estavam sobre Emmett, exceto os do pai, que brilharam ao ver a filha. Ele foi em direção a Rosalie, abraçando-a quando a alcançou.
— Querida, é tão bom vê-la. – ela apertou mais o pai no abraço.
— Você também. Senti sua falta! – o pai sorriu ao se separar da mulher, observando seu rosto com cuidado. – Como você está? Tudo bem em Nova York? Está precisando de algo? – Rosalie sorriu.
— Tudo está ótimo. – afirmou. – E vocês como estão? Como está a vovó?
— Ela ainda está internada, mas está se recuperando bem. – garantiu o mais velho.
— Isso é ótimo. – ela soou aliviada e voltou os olhos novamente para a comoção ao redor de Emmett. O pai seguiu o olhar da filha e sorriu.
— Eu não achei que você traria alguém para o natal esse ano. – ele confessou com um risinho. – Você não mencionou que estava namorando ninguém.
— Eu sei, me desculpe, papai. – ela se encolheu. – Eu... Queria que desse certo antes de, bom, levar a isso. – ela gesticulou para a família ao redor do grandão. Carlisle riu.
— Eu entendo. – ele afagou o cabelo da filha, tão louro quanto o seu próprio. – Você está feliz com ele? – quis saber e Rosalie engoliu em seco, descontente de mentir para o pai.
— Estou. – acenou enquanto respondia e o pai sorriu novamente.
— Isso é ótimo, querida. Ver você feliz é tudo o que quero. – garantiu com um sorriso enquanto entrelaçava o braço dela ao seu e a levava em direção aos outros familiares.
Rosalie se misturou aos outros então, as perguntas sobre Emmett ainda acontecendo – por que não falou que estava namorando, como pode deixar sua família no escuro sobre isso, Rosalie você é inacreditável!, escondendo esse relacionamento só pra você e me deixando preocupada, como pôde?! Ela sorriu e acenou, desculpando-se por não ter compartilhado antes. Depois dos abraços, apresentações, olhares enviesados e risadas, Edward e Emmett subiram com as malas dos recém-chegados, colocando-as no antigo quarto de Rosalie.
— Argh. – Rosalie gemeu desgostosa, deitando metade do corpo sobre a cama. – Como só pode ter passado meia hora desde que chegamos? Parece que aquilo durou um dia inteiro. – Emmett balançou a cabeça.
— Como você é exagerada. Nem foi tão ruim assim.
— Para você. – ela rebateu. – Porque como você é um querido, ah meu Deus, Emmett, nos conte mais sobre seu trabalho, é tão bom que você esteja aqui, achei que Rosalie morreria sozinha, mas ainda bem que você deu uma chance a ela. – a loura se pôs a imitar a mãe, repetindo frases que Esme havia dito mais cedo. Emmett riu.
— Você não estava brincando. – ele concordou, referindo-se a Esme. Rosalie quase gemeu novamente.
— Não, eu não estava. – ela garantiu e se levantou em um pulo. – Vou me trocar para ir para o hospital. Você está saindo comigo. – ela avisou enquanto tirava um jeans e uma blusa de mangas longas da mala.
— Tudo bem. – ele respondeu e a aguardou sair do banheiro. – Você só tem roupas vermelhas e verdes? – ele perguntou ao apontar para a blusa vermelha que ela usava. Rosalie franziu o cenho.
— É natal. – ela frisou.
— Você sabe que não quer dizer que você só pode usar essas duas cores, certo? – ele checou e ela fez uma careta.
— Acontece que eu fico muito bem nessas cores e eu gosto de me misturar com a decoração de natal, é uma ótima estratégia para passar despercebida durante os jantares do feriado. – ela respondeu e Emmett expirou uma risada.
— Você é meio louca. – ele comentou enquanto eles saíam juntos do quarto.
— Estou indo visitar a vovó. – ela avisou ao chegarem ao final das escadas. – Emmett está indo comigo.
— Tudo bem. – Esme respondeu. – Pode passar no mercado na volta? Preciso de algumas coisas para o jantar de hoje. – pediu já entregando uma lista para Rosalie. – Aproveite e leve seu namorado para conhecer Forks.
— Não tem nada para conhecer em Forks. É uma cidade com duas ruas e cinco lojas minúsculas. – ela franziu o cenho e Esme balançou a cabeça.
— Ela está brincando, Emmett. – garantiu a mulher de cabelos cor de bronze. – Forks é uma ótima cidade e há muito para fazer. – assegurou ao homem.
— Tenho certeza que é uma cidade incrível. – ele sorriu.
— Está bem. Nós estamos indo. – Rosalie avisou ao ouvir a voz de Bella se aproximando, seguindo rapidamente em direção à porta. – Até mais tarde!
Rosalie dirigiu até o hospital observando a antiga cidade. É verdade que não tinha apenas duas ruas e lojas minúsculas, mas para ela sempre parecera dessa forma – especialmente agora que morava em Nova York.
— Há quanto tempo saiu de Forks? – Emmett perguntou depois de um tempo, também observando a cidade.
— Hum... Uns quinze anos? Um pouco mais? – conjecturou. – Saí para ir para Yale e nunca voltei.
— Não sente falta daqui? – ele quis saber e Rosalie bufou uma risada.
— Definitivamente não. – balançou a cabeça. – Essa cidade é minúscula e tem quase nada a oferecer. – deu de ombros. – Sempre quis sair. – ele assentiu.
— Você pareceu bem próxima do seu pai. – ele comentou e Rosalie não conseguiu evitar um sorriso.
— Eu sou. Ele é o melhor. – a loura respondeu enquanto estacionava. – Eu vou ver minha avó, mas tem um bar ali onde você pode esperar. – ela apontou para uma esquina do outro lado do estacionamento.
— Eu não vou para um bar, vou visitar sua avó. – ele franziu as sobrancelhas. – O que sua família vai pensar se seu namorado tiver saído com você pra visitar sua avó e passar a visita em um bar?
— Que ele é um otário? – ela sorriu de forma simpática.
— Sim, exceto que eu não sou. – ele disse de forma incisiva. – Eu vou conhecer sua avó. – ele disse firme antes de sair do carro. Ela respirou fundo uma vez antes de abrir a porta do carro e também sair.
Marjorie havia caído em casa e quebrado a perna, por isso estava se recuperando de uma cirurgia no hospital. A senhora ficou deliciada em ver Rosalie, não via a neta desde o último natal, e conversou com ela e Emmett de forma animada após Rosalie apresenta-lo à idosa.
— Rose, por que não vai atrás da enfermeira para perguntar sobre o meu jantar? – Marjorie sugeriu. Rosalie franziu a testa.
— O que?
— Estou com fome. Veja com ela se já posso comer. – pediu.
— Vovó, ainda nem são cinco da tarde. – Rosalie explicou. – Normalmente as refeições no hospital tem horário. Por que não espera um pouco? Tenho certeza que logo vão trazer algo.
— Mas quero agora. – ela contradisse em tom firme.
— Emmett pode fazer isso. – Rosalie disse por fim.
— Não! – a avó respondeu. – Eu pedi a você. Não pode fazer isso pela sua avó? Eu estou em uma cama de hospital! Você está sempre distante, será que não pode fazer uma coisinha que sua avó pede? Quando eu morrer você vai ver só! – lamentou. Rosalie se levantou, erguendo as mãos.
— Meu Deus, vovó, que drama. Tudo bem, eu vou conversar com a enfermeira. – concordou antes de ir em direção à porta. – Eu volto logo. – avisou olhando de forma cuidadosa para Emmett.
Rosalie seguiu até a ilha das enfermeiras, buscando informações sobre o jantar – que só seria servido dali a uma hora e meia. Assentiu e seguiu até a lanchonete do hospital, comprando um suco e retornando ao quarto da avó. Antes de cruzar a porta ouviu risos da avó e de Emmett e os observou enquanto conversavam, ele agora sentado ao lado da cabeceira dela, conversando como se fossem velhos amigos.
— O jantar vai chegar logo, mas te trouxe um suco enquanto isso. – ela entrou no quarto enquanto avisava e deu o suco para a avó, que sorriu e agradeceu.
— Você não falou que sua avó era fã de rugby. – Emmett disse em tom acusatório ao ver Rosalie chegar. A loura franziu o cenho.
— Ela é? – perguntou surpresa. Marjorie sorriu.
— Seu pai tem muitos canais de esporte na televisão. – ela deu de ombros. – Eu não tenho saído tanto, então tenho muito tempo livre enquanto faço tricô.
— Rugby? Sério, vovó? – ela ergueu uma sobrancelha.
— Você já assistiu a alguma jogo de rugby? – a senhora perguntou e Rosalie franziu as sobrancelhas e negou com a cabeça. – Bom, talvez você devesse. – ela sugeriu com um sorriso. Emmett riu.
— É divertido. – ele concordou.
— Seu namorado aqui parece que daria um ótimo jogador. – Marjorie apontou com o dedão para o homem ao seu lado. – Jamais achei que você terminaria com um cara do mundo dos esportes. Você sempre teve o nariz enfiado nos livros, achei que terminaria com algum intelectual metido a besta.
— Vovó! – Rosalie ralhou e Emmett riu novamente.
— A senhora não tem ideia do quanto foi difícil fazê-la concordar em sair comigo. – ele confidenciou à senhora. – Eu levei meses para que o Jasper concordasse em só nos apresentar. – Rosalie revirou os olhos diante da mentira.
— Não dê ouvidos a ele. – Rosalie pediu à avó.
— Não estou mentindo. – jurou o homem.
— Eu gosto dele. – a avó sorriu. – Parece um bom equilíbrio para você.
— O que você quer dizer? – ela ergueu uma sobrancelha e Emmett sorriu.
— Que você precisa de alguém divertido como eu na sua vida para tirar seu nariz de dentro dos livros uma vez ou outra. – ele explicou e Marjorie sorriu.
— Eu sou divertida o suficiente. – ela corrigiu e a avó tombou a cabeça.
— Mais ou menos. – a idosa corrigiu e Rosalie abriu a boca enquanto Emmett ria.
— Vovó! – ela repetiu indignada. – Você nem ficou dez minutos sozinha com esse homem. – resmungou. – Não dê tanta moral para ele, pelo amor de Deus.
— Eu disse que as avós me adoram. – ele deu de ombros e sorriu para Marjorie, que sorriu de volta.
— Já deu desse complôzinho aí. – a loura estabeleceu enquanto apontava de um para outro. – Vovó, nós temos que ir. Temos que passar no mercado para pegar algumas coisas que mamãe pediu.
— Noite de jogos hoje? – ela assumiu e Rosalie assentiu.
— Você sabe que sim.
— Ela sempre ganha quando jogamos Detetive. – Marjorie cochichou para Emmett. – Eu odeio. – Rosalie sorriu.
— Eu prometo te deixar ganhar na próxima. – prometeu.
— Vem me ver novamente amanhã? – a avó se certificou.
— Claro. – Rosalie respondeu.
— Você não, estou falando com o seu namorado. – a senhora clarificou. Rosalie tombou a cabeça, indignada, enquanto Emmett sorria.
— É claro que sim! – ele garantiu enquanto se levantava. – Foi um prazer conhece-la. – ele disse, beijando as costas da mão da senhora.
— Você também, Emmett. – ela sorriu. – Cuide bem de minha neta, hein? – ela disse em tom sério, o dedo em riste. Emmett sorriu e bateu uma continência. Rosalie revirou os olhos e foi dar um beijo de despedida na avó, que afagou o cabelo louro da neta e sorriu mais afetuosamente. – Foi bom ver você, Rose. Não deixe sua mãe te perturbar muito. – ralhou e Rosalie sorriu de volta.
— Eu venho amanhã de novo. – ela avisou. – Sim, vou trazer o Emmett. – completou quando viu que a avó estava prestes a falar. Marjorie sorriu. – O que diabos fez com minha avó durante os dez minutos que eu não estava no quarto? – Rosalie perguntou, assombrada, ao sair do quarto e Emmett sorriu.
— Só você não percebe meu charme imediato, aparentemente. – ele deu de ombros. – Eu te falei que era bom com senhorinhas.
— Eu não sabia que era tão fácil se dar bem com idosos. – ela meneou a cabeça enquanto seguiam em direção ao estacionamento. – Ela perguntou algo? Desconfiou?
— Não, não de verdade. Ninguém vai desconfiar de nada, fique tranquila. – ele revirou os olhos. – Agora vamos comprar as coisas que minha sogra pediu, para que ela também siga encantada comigo. – Rosalie revirou os olhos.
— Você não precisa se esforçar tanto. Só vai vê-los por cinco dias e depois nunca mais. – ela resmungou.
— Bom, nesses cinco dias vou me certificar de ser o melhor namorado possível. – ele assegurou. – Se algum dia você apresentar outra pessoa para a sua família ele estará um degrau abaixo do antigo genro Emmett.
— Quando eu apresentar outra pessoa para minha família, – ela corrigiu – vou garantir que ele seja a única pessoa em quem minha família vai pensar. – ele sorriu.
— Você adora sair por cima, não é? – ele meneou a cabeça enquanto entravam no carro.
Retornaram para a casa dos pais de Rosalie depois de comprar o que Esme havia pedido e foram se preparar para o jantar. Bella e Edward não estavam por lá, mas logo deveriam chegar. Esme estava preparando o jantar com a ajuda de Alice e o pai e Jasper estavam fora. A matriarca instruiu que o casal fosse se preparar para o jantar, orientando que já havia deixado toalhas limpas no quarto e abastecido o banheiro com tudo o que eles fossem precisar. Rosalie subiu com Emmett para a suíte e, enquanto o homem se banhava, ela observava o quarto antigo.
Tudo ainda estava do mesmo jeito – assim como o quarto de Jasper e Bella, ela assumia. Fotos do ensino médio, com amigos com quem não falava há anos, estavam sobre a escrivaninha, onde passara horas a fio estudando quando mais jovem. Abriu uma das gavetas, encontrando canetas coloridas com pompons nas pontas e sorriu. Alguns livros antigos estavam na prateleira de madeira e ela observou os títulos com nostalgia. Era sempre nostálgico quando voltava para casa no natal.
— Tudo pronto por aqui. – ela ouviu a voz de Emmett e saiu do mundo das memórias por onde perambulava.
Rosalie se virou na direção do som e assentiu. Emmett já estava vestido, uma blusa azul escura cobrindo o tronco e uma calça preta. A blusa realçava o azul dos olhos dele e Rosalie assentiu novamente. Foi para o banheiro e, após terminar, vestiu um grande tricô vermelho e dourado.
— Então, noite de jogos? – ele perguntou quando Rosalie abriu a porta do banheiro, embora permanecesse lá dentro.
— Sim. – ela confirmou. – Minha família pode ser bastante competitiva, então tente não levar para o coração.
— Você não estava mesmo brincando quando disse que gostava de se misturar com a decoração natalina, não é? – Emmett provocou quando a viu sair do banheiro. Rosalie mostrou a língua para o homem, tal qual uma criança, e abriu a porta para descer. – Ei! Espere por mim. – ele pediu enquanto se levantava da cama na qual estava estirado.
Toda a família se reuniu ao redor da mesa para o jantar, os pratos que Esme e Alice haviam preparado se espalhando pela mesa longa. Carlisle parecia contente por ter toda a família ali e Esme parecia contente por Rosalie não estar sozinha – fazendo questão de colocar ela e Emmett sentados lado a lado e de frente para ela, onde podia conversar com o novo genro sem parar.
— Emmett, como você e Rosalie se conheceram? – Carlisle perguntou a certa altura do jantar.
— Jasper nos apresentou. – ele respondeu.
— O Emmett é agente esportivo, então estou sempre esbarrando com ele no trabalho. Quando tomamos a primeira cerveja juntos pensei: esse cara é perfeito para a Rose. – o louro disse com um sorriso de lado, como se fosse um grande feito. A família sorriu e Emmett deu um sorriso para Rosalie, que revirou os olhos.
— Aparentemente não foi amor à primeira vista para a Rose. – Edward brincou ao ver a reação da cunhada. Ela sorriu.
— Definitivamente não. – ela concordou, levando a família a rir.
— E para você, Emmett? – Bella quis saber. – Foi amor à primeira vista? – o grandão se virou para Rosalie, um sorriso de lado na boca.
— Definitivamente foi. – respondeu voltando a olhar para Bella. – A primeira vez que a vi pensei que ela era a mulher mais bonita que eu já havia conhecido. – confessou e Rosalie desviou os olhos, bebendo um gole de seu vinho. – Depois do nosso primeiro encontro, decidi que ia me casar com ela. – a loura engasgou, chamando a atenção da família. Jasper reprimiu uma risada enquanto dava um tapinha nas costas da irmã.
— Hummm... – Bella entoou com um sorriso nos lábios.
— Engraçado, eu não vejo um anel. – Esme brincou olhando para a mão da filha do meio.
— Mãe! – Rosalie ralhou desgostosa. Emmett sorriu, passando um dos braços pelas costas da loura, que ficou levemente tensa.
— Não se preocupe, senhora Hale. Eu não pretendo perder tempo algum. – garantiu antes de piscar para a sogra. O sorriso de Esme iluminou o cômodo.
— É melhor você parar de gracinha. – Rosalie cochichou no ouvido de Emmett. – Caso contrário vou precisar te matar antes do previsto.
— Querida, onde estão seus modos? Isso não é jeito de falar à mesa. – ele brincou, um sorriso de covinhas no rosto. Rosalie fez uma careta para o grandão, que beijou sua testa, aproveitando, pois sabia o quanto ela se irritaria.
— Então, Emmett nos fale mais de você. – Esme pediu. Ele voltou o olhar para a mulher mais velha.
— Eu sou filho único, meus pais faleceram quando eu era adolescente. – contou.
— Sinto muito. – ela fez uma expressão sentida. Emmett sorriu.
— Obrigado. Depois da morte deles vim morar nos Estados Unidos com um irmão do meu pai. – terminou.
— Você não é daqui? – Edward quis saber.
— Sou irlandês. – ele explicou.
— Belos castelos. – Carlisle comentou e Emmett assentiu.
— Belos uísques. – Rosalie acrescentou, bebericando de sua taça novamente. Jasper sorriu.
— Ambas as afirmações verdadeiras. – Emmett concedeu com um sorriso.
— Mais vinho? – Edward ofereceu ao ver a taça da cunhada vazia. Ela assentiu.
— Por favor.
— Rose, não está bebendo demais? – Esme perguntou com uma falsa suavidade na voz. Bella reprimiu um sorriso e balançou a cabeça. Rosalie suspirou.
— É só vinho.
— Não se preocupe, Esme. – Alice garantiu, afagando a mão da sogra. – Para derrubar a sua filha só uma destilaria, poucas taças sequer fazem cócegas nela a essa altura.
— Obrigada, Alice! – Rosalie fez uma careta para a amiga, que sorriu divertida.
— Há quanto tempo vocês estão juntos mesmo? – Esme quis saber, voltando-se ao novo genro.
— Cerca de um ano. – ele respondeu.
— Você chegou a me ver com o Emmett quando me visitou em novembro com a Bella. – Rosalie falou.
— Sim, eu me lembro de um homem se esgueirando pela saída de incêndio do seu apartamento quando nós chegamos. – Bella disse com um risinho.
— Ah! – Emmett disse levemente constrangido. Suas bochechas coraram e ele deu um sorriso sem graça.
— Isso nunca aconteceu. – Rosalie disse categoricamente, embora fosse mentira. – Eu quis dizer quando vocês estavam como stalkers me caçando pela cidade e me tiraram de um encontro.
— E não quando elas chegaram de surpresa pela manhã na sua casa? – Alice supôs. Bella riu.
— Devia ter nos apresentado naquela época já que ia durar tanto! – Esme choramingou. – Ia me poupar um ano de preocupação.
— Até porque você estava praticamente ignorando o assunto de relacionamentos, como se estivesse sozinha. – Bella completou.
— Talvez porque Rose sabe como vocês são. – Carlisle pontuou com delicadeza e a filha o lançou um olhar agradecido. O pai piscou para ela e deu um sorriso enquanto Esme torcia o nariz.
— Era muito cedo para apresentações. – Rosalie disse por fim. – E eu não sabia se ia durar ou não. Era muito recente, algo casual, ninguém precisava saber de nada.
— Mas agora não é, certo? – Esme checou, olhando da filha para o homem grande ao lado dela. – Esse relacionamento é sério, não é?
— Como um ataque cardíaco. – Emmett assegurou e a mais velha sorriu enquanto Edward surgia com uma nova garrafa, enchendo a taça de Rosalie, que se agarrou a ela, vertendo o primeiro gole de forma longa e sôfrega.
A conversa continuou, em alguns momentos soando quase como um interrogatório, mas Emmett seguia sendo agradável e divertido e Esme parecia cada vez mais encantada com o homem. Jasper e Alice faziam alguns comentários com duplos sentidos, fazendo Rosalie quase pular em seus pescoços, mas Emmett ria, colaborando com as provocações. Depois do final da refeição, passaram para o desfile de jogos de tabuleiro selecionados pela família. Cada um tinha seu preferido e era uma questão de honra obter o maior número de vitórias da noite.
— Certa vez Rosalie e eu fomos comemorar um contrato do trabalho em um sushi bar ótimo, lá tem um sashimi de matar, e conhecemos esse cara que se vestia como Elvis... – Emmett estava contando, mas deixou a voz morrer quando viu todos ao redor da mesa o encarando com expressões confusas, a irmã mais nova da loura com um peão do jogo parando subitamente no ar. Rosalie fechou os olhos e segurou um suspiro. O homem tinha que parar de inventar histórias para dar credibilidade àquela mentira!
— Rosalie não come comida japonesa. – Bella franziu as sobrancelhas.
— Também tem álcool no sushi bar. – Jasper pontuou.
— E todos nós sabemos o quanto Rose adora álcool. – Alice completou com um risinho, que fez a família rir.
— Engraçadinha, Alice. – Rosalie cerrou os olhos para a amiga, que a lançou um beijo no ar.
— Falando em comida oriental, alguém já experimentou aquele restaurante indiano que abriu aqui? – Alice emendou, mudando sutilmente de assunto. – Jamais achei que essa cidadezinha faria algo tão ousado! Nós vimos quando estávamos vindo do aeroporto e achei o máximo!
— Forks não é tão pequena assim. – Bella defendeu sua cidade enquanto fazia um beicinho e continuava sua jogada e a família riu de forma afetuosa. Rosalie respirou aliviada e deu mais um gole, torcendo para aquela noite acabar.
— Estou muito feliz de ver que você está finalmente namorando sério! – Esme disse com o tom de voz contente enquanto abraçava a filha na cozinha, após os jogos, onde Rosalie colocava dentro da pia a louça do jantar. – Eu sabia que esse momento ia chegar!
— Obrigada, mãe. – Rosalie forçou um sorriso.
— Emmett parece estar realmente apaixonado por você. – ela observou e Rosalie assentiu. – Estava sempre segurando sua mão ou com os braços ao seu redor. Como é fofo! – ela deu um largo sorriso. Rosalie quase gemeu, pois sabia que Emmett estava fazendo aquilo para irritá-la, porque sabia que ela não gostava e não podia impedi-lo na frente da família.
— Sim. – murmurou contra a sua vontade. Esme tombou o rosto.
— O que é isso? – perguntou.
— O que? – a loura perguntou, confusa, e Esme ergueu uma sobrancelha.
— Você está envolvida como ele, não está? – se assegurou com o tom cauteloso.
— Sim. – a filha garantiu.
— Rosalie, se você terminar com esse homem vai me causar um infarto! O homem disse que quer se casar com você! – Esme esbravejou.
— Eu não vou terminar com ele.
— Então por que não parece animada? – a mais velha a olhou incisivamente.
— Eu... estou? – Rosalie respondeu confusa. – Não sei o que você está procurando exatamente.
— Está apaixonada por ele? – a mãe quis saber.
— Sim. – respondeu categoricamente. – Sim! Estou tão apaixonada por ele. – frisou ao ver o olhar insistente da mãe sobre si. – Quer dizer, como poderia não estar? Olhe para aquele homem. – disse como se fosse óbvio e Esme sorriu, aliviada.
— Isso foi muito doce, querida. – a voz de Emmett soou na cozinha, Rosalie e Esme desviando os olhares na direção dele, que estava parado na entrada, um sorriso de covinhas no rosto e duas garrafas vazias na mão. – Eu só estava trazendo. – ele as levantou, explicando a aparição inesperada.
— Ah, obrigada! Pode deixar comigo. – Esme sorriu simpática, pegando as garrafas da mão do homem. – Vão vão, podem voltar para a sala. – orientou dando tapinhas gentis no braço do genro e guiando Rosalie para o lado dele.
— Sorte sua por estar com esse homem, huh? – ele quase riu enquanto caminhavam para a sala e Rosalie cutucou-o com o cotovelo.
— É melhor parar com as improvisações. – ela disse séria enquanto ele dava um leve resmungo de dor.
A família estendeu a noite por mais algum tempo, até que Rosalie começou a dar bocejos e comentar sobre como estava cansada depois da longa viagem e do dia corrido. Subiu para seu quarto com Emmett e, após entrar, fechou a porta com sofreguidão e deu um suspiro profundo.
— Um dia a menos. – disse com alívio. – Quatro mais por vir. – murmurou em tom choroso. Emmett sorriu.
— Forças! – ele incentivou e ela o olhou com os olhos cerrados.
— Pare de inventar histórias. – ela pediu se afastando da porta. – Eu te imploro.
— Minhas histórias tornaram o jantar muito mais divertido e toda essa história muito mais crível. – ele apontou enquanto buscava por roupas para dormir na sua mala.
— Mas elas não aconteceram. – ela rebateu. – E se eles perguntarem sobre elas depois e nenhum de nós souber responder? – questionou.
— Eles não vão. – ele despachou a possibilidade.
— Você não está entendendo como a minha irmã é. – Rosalie suspirou.
— Ela pareceu mais tranquila do que você deu a entender. – ele disse enquanto tirava a blusa escura e a substituía por uma blusa fina para dormir.
— Para os outros talvez, mas não se deixe enganar pelo rosto inocente e os olhos sofridos! – a loura alertou e Emmett maneou a cabeça.
— Quando você disse que sua família era competitiva eu jamais imaginei que estava falando de você e do seu pai. – ele comentou com um sorriso. Rosalie quase encolheu.
— Pois é. – ela deu um riso quase constrangido. – É o único momento on qual eu me permito gritar com a Bella e eu amo. – Emmett riu.
— Eu genuinamente pensei que você fosse pular nela quando estava acusando o Senhor Mostarda de ter matado com o castiçal. – Rosalie sorriu.
— Aprendi tudo com o meu pai. – ela deu de ombros contente. – Sempre amamos as noites de jogo, particularmente porque somos muito bons em ganhar.
Rosalie pegou seu pijama da mala e foi até o banheiro se trocar. Quando retornou, apontou para um espaço vazio no centro do quarto e avisou a Emmett:
— Você pode dormir aqui. – Rosalie apontou. Ele ergueu uma sobrancelha.
— Eu não vou dormir no chão. – Emmett respondeu.
— Vai, sim. – ela contradisse.
— Eu tenho mais de 30 anos, não tenho mais idade para isso. – ele discordou. – Você pode dormir no chão, se quiser, mas acho que não vai ser saudável para suas costas.
— Essa casa é minha e a cama é minha. – Rosalie apontou erguendo um dedo para cada informação.
— E eu estou aqui te fazendo um favor. – ele esclareceu como se ela perdesse uma informação óbvia. Rosalie mordeu o lábio para evitar que um palavrão saísse, porque, claramente, ele estava certo. – Agora, você tem três opções: dormir no chão, dormir na cama comigo ou dormir no sofá e explicar para sua mãe porque você não quer dormir com seu namorado, por quem você está claramente tão apaixonada. – ele disse em tom debochado.
— Eu te odeio. – ela grunhiu e ele sorriu.
— Não odeia, não. – ele sorriu, jogando-se na cama e colocando os braços atrás da cabeça. – Está tão apaixonada por mim.
— Eu te odeio e espero que você tenha a pior noite de sono da sua vida. – ela praguejou.
— Impossível, querida. – ele garantiu. – Nunca é uma noite ruim com você. – ele piscou. Rosalie jogou uma almofada com força no rosto de Emmett, que facilmente se desviou. Ele sorriu novamente, dando tapinhas no espaço vazio da cama de casal a seu lado. Rosalie caminhou até a cama, puxando o cobertor grosso e o travesseiro e estendendo-o no chão. – Você tá brincando. – ele olhou incrédulo enquanto ela arrumava o lugar para dormir.
— Prefiro comer comida japonesa a dormir na mesma cama que você. – ela garantiu e ele ergueu uma sobrancelha enquanto a observava se enrolar no cobertor no chão.
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