Um namorado de natal
3 Dia dois.
Notas iniciais
Quando Rosalie acordou na manhã seguinte, a casa ainda estava silenciosa. Ela sabia a razão de ter acordado tão cedo – o chão estava gelado e ela estava desconfortável, então havia sido impossível conseguir uma boa noite de sono. Ela olhou de cara feia para a cama, pronta para atirar todos os palavrões que conhecia em Emmett, mas ele não estava lá. Ela franziu as sobrancelhas e se enrolou em um roupão felpudo antes de sair do quarto.
— Papai. – ela murmurou ao chegar à cozinha e encontrar o louro. – Bom dia.
— Bom dia, querida. – ele sorriu e depositou um beijo no topo da cabeça da filha. – O que está fazendo de pé tão cedo? – ela deu de ombros e encheu uma xícara com o café que o pai havia acabado de fazer. – Emmett disse que fez o possível para não te acordar, mas avisei a ele que você tinha um sono leve.
— Onde ele está? – ela cerrou os olhos enquanto vagueava o olhar pelo cômodo.
— Foi correr. – disse em tom óbvio, como se Rosalie perdesse uma informação que deveria saber.
— Certo. – ela assentiu enquanto se sentava ao lado do pai no balcão. – Então, o que a mamãe achou?
— Sobre o que? – quis saber.
— O Emmett, é claro. – respondeu e Carlisle expirou um riso.
— Importa o que ela acha?
— Óbvio. – a filha respondeu prontamente e o pai sorriu.
— Ela adorou o Emmett, mas não acho que isso seja importante. – ele deu de ombros.
— E o que você achou dele?
— Ele parece um bom homem. – o pai assentiu lentamente. – Dá pra ver que se preocupa com você e não fugiu do interrogatório da sua mãe e da sua irmã, o que já é um grande feito. – ele sorriu e Rosalie revirou os olhos.
— Elas nem tentam esconder. – resmungou. – Mas pelo menos não estou ouvindo sem parar sobre como estou ficando velha e solteira.
— Espero que essa não tenha sido a razão pela qual você arrumou um namorado. – ele disse preocupado e Rosalie tomou um gole do café enquanto desviava o olhar. Mal sabia o pai que aquela havia sido exatamente a razão e a única função de Emmett ali.
— Não, é claro que não. – mentiu. – Estou feliz que vocês tenham gostado dele. – o pai sorriu.
— Estou feliz por você estar feliz, com namorado ou sem. – Carlisle afirmou. – Vou visitar a sua avó agora, gostaria de ir?
— Sim. – ela concordou, mas logo em seguida franziu as sobrancelhas. – Ela não vai gostar, pois foi bem incisiva quando disse ontem que queria que o Emmett voltasse para vê-la; não eu, o meu namorado. – esclareceu e Carlisle riu.
— Ele deve voltar logo. – comentou ao olhar para o relógio. – Já faz quase uma hora que ele saiu.
— Caramba, que cedo. – ela ergueu as sobrancelhas quando se deu conta do horário que ele devia ter acordado.
— Eu achei que ele tinha dito que sempre fazia isso. – o mais velho franziu as sobrancelhas ao olhar para a filha.
— Ele faz. – ela sorriu e levantou. – Mas não deixa de me surpreender. – deu um riso sem graça ao colocar a caneca na pia. – Vou me arrumar e vamos? – o pai assentiu pensativo e a observou subir as escadas.
Emmett chegou cerca de quinze minutos depois, quando Rosalie estava terminando de se arrumar.
— Se você ia ficar tão pouco tempo na cama você podia pelo menos tê-la deixado para mim. – ela resmungou quando ele entrou no quarto. Emmett sorriu.
— Bom dia, meu amor. – respondeu de bom humor. – Teve uma boa noite de sono? Você parecia particularmente confortável quando eu saí, toda torta e encolhida no chão. – Rosalie o fuzilou com os olhos.
— Vou com meu pai visitar a minha avó. – informou. – Quer vir com a gente?
— Claro. – assentiu. – Só me dê quinze minutos para tomar um banho. – pediu e ela assentiu.
— Quem em sã consciência acorda cinco da manhã para correr? – resmungou para si mesma quando ele foi em direção ao banheiro.
Foram juntos ao hospital, Marjorie contente pela visita no início do dia. Estava quase a ponto de receber alta, Carlisle informou após conversar com os médicos, e disse que Esme estaria ali dali a algumas horas. Carlisle ia para seu consultório, tinha alguns atendimentos naquele dia, e depois retornaria para casa. Rosalie e Emmett acompanharam a senhora enquanto ela tomava o café da manhã e ela observou a facilidade com a qual Emmett e a avó conversavam, como se o homem no auge dos trinta anos tivesse muito em comum com a senhora de quase oitenta.
Ele era galanteador e divertido, ouvindo com atenção as histórias que a idosa contava e engajando nelas, fazendo perguntas e querendo saber mais, como se estivesse genuinamente interessado. Parecia preferir as histórias sobre a Rosalie criança e apontava parte engraçadas para zombar da mais jovem enquanto a avó contava. Depois de cerca de uma hora, Rosalie avisou que precisariam ir – logo a mãe estaria ali e ela ainda tinha algumas coisas para resolver na cidade.
— Você não fez as compras de natal em casa? – Emmett perguntou horrorizado quando eles desceram no centro da cidade.
— Bom, não todas. – ela se encolheu. – Eu não tive tempo! Eu sou uma pessoa ocupada.
— Mas você trouxe presentes. – ele soou confuso.
— Sim, mas só o do meu pai e da vovó. – Rosalie explicou.
— Pelo visto não é só sua mãe que têm favoritos. – o grandão sorriu.
— Não é isso. – ela se empertigou. – É só que eu sabia o que dar a eles, mas minha mãe e Bella são mais difíceis de presentear.
— Não tem problema ter seus favoritos. – ele garantiu.
— Não tenho favoritos! – a loura discordou fazendo beicinho. – Agora anda, preciso achar algo para minha mãe.
— Já comprou o meu presente? – ele quis saber. Ela ergueu uma sobrancelha.
— Não vou te dar presente.
— Isso é absurdo. Como não vai dar um presente para seu namorado? O que sua família vai pensar? – ele perguntou enquanto entravam em uma loja de departamento.
— Que nós combinamos de não trocar presentes. – ela pontuou enquanto olhava ao redor.
— Isso é terrível. – ele fingiu estar magoado, colocando uma mão sobre o peito. Rosalie revirou os olhos.
— Você é tão dramático quanto minha avó. – ela murmurou.
— Isso é bonito. – ele comentou puxando um amontoado de pano. – Por que não compra pra sua mãe? – Rosalie se aproximou para averiguar, identificando uma echarpe de tecido fino.
— Na verdade não é nada mal. – ela anuiu. – Vou levar. – Emmett sorriu.
— Eu sou ótimo com presentes. – deu de ombros.
— Ótimo, ache um pra Bella. – ela ditou com um sorriso simpático.
— Do que ela gosta? – ele quis saber andando ao lado da loura.
— De fazer comentários infelizes sobre minha vida. – Rose respondeu prontamente. Emmett reprimiu um sorriso e balançou a cabeça.
— Não pode ser tão ruim assim. – ele contradisse.
— Mas é. – a mulher garantiu, parando para olhar uma corrente dourada com pedras coloridas exposta numa bancada de vidro. – Eu quero esse. – apontou, pedindo para a atendente atrás do balcão.
— Isso é uma gracinha. A Bella vai gostar. – ele espiou e aprovou.
— Rá! – Rosalie bufou com uma risada. – Bella ia odiar isso. É para a Alice.
— Por que ela ia odiar? – Emmett franziu o cenho.
— Ela ia reclamar do excesso de cores, que pedras coloridas misturadas não são elegantes, que ela não usa gargantilhas, afinal ela não é um cachorro para usar coleira e eu poderia continuar. – assegurou enquanto revirava os olhos. – Por outro lado, é a cara da Alice e tenho certeza que ela vai gostar.
— Mas é mesmo uma gracinha. – ele deu de ombros enquanto ela recebia um pequeno pacote e sorria para a atendente.
— Vou precisar comprar a coisa mais genérica possível para a Bella. – ela bateu o martelo e pegou um par de luvas natalinas. Emmett franziu o cenho.
— Elas são horríveis. – ele apontou e um sorriso tomou o rosto de Rosalie.
— Elas realmente são. – respondeu contente e seguiu em frente, sem trocar o presente escolhido. Emmett riu baixinho e a seguiu.
— Cuidado, desse jeito Papai Noel vai deixar só carvão pra você. – ele ameaçou. – O que sua irmã fez para merecer isso? – ele questionou genuinamente curioso.
— Crescer com a Bella foi irritante. – Rosalie franziu os lábios. – Eu e meus irmãos só temos um ano de diferença. Meus pais realmente não queriam intervalos entre os filhos. – ela apontou enquanto meneava a cabeça. Emmett riu. – Então sempre frequentamos a escola praticamente juntos durante todo o tempo e a Bella sempre contava para minha mãe caso eu fizesse qualquer coisa errada. Depois de um tempo, ela começou a participar de tudo que eu participava e fazia questão de ser melhor que eu. Se eu participasse de um clube de literatura, ela também ia e movia montanhas para fazer mais do que eu estava fazendo, trabalhos melhores, notas melhores, papeis melhores em peças, tudo. Era insuportável. – ela suspirou. – Quando era criança e minha mãe me dava algo, tinha que comprar algo igualzinho para a Bella, caso contrário ela fazia birras enormes. Se eu escolhia um tema de aniversário, o dela seria o mesmo, porém maior. – Rosalie suspirou. – Crescer com aquela pirralha foi um saco. – Emmett sorriu.
— Não soou mesmo divertido. – ele concordou.
— Depois que crescemos, quando finalmente saí daqui e fui pra faculdade foi libertador. Ela sempre quis Yale e eu, apesar de não ter a mesma paixão, queria irritá-la e mostrar que eu era capaz, então decidi me aplicar pra lá e fui aceita. – Rosalie maneou a cabeça. – O que foi estupidez, porque me dei conta tarde demais que quando ela fosse para a faculdade estaríamos de novo juntas. – a loura quase gemeu e Emmett riu. – A minha sorte é que ela não foi aceita, então não precisei morar com ela durante aquele período. Ela acabou estudando na Berkeley e foi onde conheceu o Edward, mas ela nunca me perdoou por eu ter entrado em Yale e ela não. Depois dali ela fez o dobro de esforço para alcançar todas as expectativas da minha mãe e parece ainda melhor quando ela consegue e eu não.
— Quais são as expectativas da sua mãe?
— Acho que minha mãe não tem grandes aspirações para os filhos além de que nós tenhamos uma grande família. – ela pensou. – Ela não se interessa realmente pelo nosso trabalho. O fato de eu ser uma das editoras mais jovens da empresa que estou não diz nada a ela, mas o fato de Bella ter uma aliança no dedo diz bastante, porque para ela o sucesso está ali: arrumar um marido e colocar novos pequenos Hale no mundo. – Rosalie revirou os olhos. – Eu gosto de pensar que ela vem de uma família conservadora. – Emmett ergueu uma sobrancelha.
— Eu não pensaria isso depois de conversar com sua avó. – comentou com surpresa. Rosalie olhou intrigada, mas ele não explicou. – Então sua mãe só se importa com anéis e bebês. E o seu pai? – a loura sorriu instintivamente.
— Meu pai não parece se importar realmente se eu namoro alguém ou fico sozinha pra sempre. – ela expirou uma risada enquanto eles entravam na parte de roupas da loja. – Acho que ele só quer me ver feliz.
— Ele realmente quer. – Emmett concordou com um sorriso.
— Vocês conversaram muito hoje pela manhã? Ele disse que te viu antes de você sair.
— Não muito. – negou com a cabeça. – Mas pareceu contente com o fato de eu me importar com minha saúde o suficiente para fazer corridas diárias e me pediu para incentivá-la a fazer exercícios, porque acha que você é sedentária e não se cuida o bastante e isso o preocupa. – Rosalie revirou os olhos.
— Eu faço pilates. – ela se defendeu e ele ergueu uma sobrancelha. – Às vezes. – resmungou em voz baixa enquanto olhava alguns casacos.
Terminou as compras natalinas e, ao chegar a casa, colocou os presentes sob a árvore decorada. Durante a tarde, saíram com Jasper e Alice enquanto Esme ficava com a mãe no hospital. Visitaram alguns locais, apresentando Emmett às pequenas atrações de Forks.
— Bella está ficando descontente. – Alice comentou com a amiga em certo ponto enquanto Emmett e Jasper olhavam bebidas para levar para o jantar.
— É claro que está. Ela adora ser o centro das atenções e todos os olhos estão voltados para o Emmett. – ela respondeu em tom ácido e a baixinha riu.
— Fala sério, não é nem um pouco reconfortante estar nessa posição? – ela quis saber. – Ser o centro das atenções sob bons olhos e não pra receber as críticas da sua mãe?
— Vai soar infantil, mas deixar a Bella irritada é uma das melhores partes disso. – Rosalie confessou e Alice riu novamente. – Mas... meio que é. Não estou acostumada a isso partindo da minha mãe. É legal vê-la feliz com algo que fiz, mesmo que seja idiota e falso. – ela deu de ombros.
— Caramba, você é mesmo uma criança traumatizada. – Alice disse em tom afetado para a amiga, que revirou os olhos. A baixinha sorriu. – Estou brincando.
— Está mesmo? – Rosalie cerrou os olhos e o sorriso de Alice aumentou.
— Talvez só um pouco. – respondeu e deu dois passos para se esconder sob os braços de Jasper.
Rosalie viu Emmett olhando para ela e, quando ele notou que tinha sua atenção, ergueu uma garrafa de vinho, em uma interrogação silenciosa se aquela era uma boa opção. A mulher assentiu, refletindo sobre a pontuação de Alice.
Enquanto crescia, o pai sempre expressara orgulho por suas conquistas acadêmicas e profissionais, mas a mãe sempre se importou mais com outro tipo de conquistas e Rosalie nem sempre havia tido sucesso naqueles aspectos. Havia, provavelmente, apenas um ex do qual sua mãe gostava e Esme nunca a havia perdoado por ter terminado com o garoto para se mudar para Nova York – mesmo que a mudança fosse para ingressar na universidade. Sempre que aparecia solteira a mãe fazia comentários sobre ele e sobre como ela deveria pedir uma segunda chance. Rosalie balançou a cabeça e revirou os olhos. Sua mãe claramente tinha padrões difíceis de alcançar.
Na volta para casa, abastecidos com o álcool daquela noite e algumas compras de última hora, buscaram Esme no hospital – aproveitando para dar um alô rápido para a avó – e retornaram para casa. O jantar havia sido pedido no restaurante favorito de Jasper naquela noite e Rosalie e o irmão colocaram a mesa enquanto Carlisle buscava a comida.
Durante o jantar daquela noite mais uma vez a conversa se voltou para o novo casal. Apesar de outros tópicos, mudanças sutis de assunto, Esme estava interessada no genro e naquele relacionamento, consequentemente, estava interessada em Rosalie. Era novo, era desejado e era empolgante – era tudo o que ela queria da filha. Entretanto, Alice estava certa e Bella não estava contente em ficar de escanteio durante o feriado.
— Eu tenho algo a contar. – Bella disse em certo ponto da noite, interrompendo a mãe quando esta estava prestes a perguntar algo novo do relacionamento da irmã. A morena sorriu e olhou para o marido, contente. – Eu estou... – olhou ao redor, fazendo um falso suspense. – Grávida. – anunciou enquanto colocava uma mão sobre a barriga.
— O que? – Esme se voltou para a filha, as sobrancelhas tão arqueadas quanto possível. – Bella! – ela sorriu. – Ah, querida! – Bella sorriu enquanto a cacofonia tomou conta da mesa de jantar.
As pessoas se levantaram, sorrindo e parabenizando o casal. Perguntas sobre a gravidez jorravam – quantos meses, quando descobriu, menino ou menina, ah um chá de bebê!, o enxoval, e em nomes já pensaram?!
Rosalie suspirou, sorrindo aliviada enquanto meneava a cabeça e bebia seu vinho. Bella havia sido bastante paciente, aguentando tempo suficiente do encontro sem bradar sobre a novidade antes. Ela se sentia a salvo agora – havia apresentado um namorado, as perguntas haviam sido feitas e agora o foco estaria sob Bella, sem cobranças e julgamentos.
Ou assim ela esperava.
— Rosalie, você não está ficando mais nova. – Esme apontou depois que todos voltaram a se sentar e começavam a servir a sobremesa. A loura quase engasgou com a bebida.
— O que?
— Você já está no final dos trinta, vai ficar mais difícil engravidar. – a matriarca falou e Rosalie se encolheu.
— Eu nem completei trinta e cinco ainda. – respondeu, a voz quase insultada. – E eu não estou tentando. – Rosalie esclareceu.
— Bom, talvez você devesse estar. – ela apontou. – Caso contrário, no futuro, quem vai estar com você? Aposto que Emmett quer filhos, não quer? – ela olhou para o grandão.
— Eu... Ah, eu acho? – ele respondeu.
— Esme. – Carlisle colocou a mão sobre a da esposa.
— Só estou dizendo. – ela ergueu as mãos. Rosalie mordeu os lábios, descontente. Claramente estava enganada quando pensou que tinha se saído bem naquela noite.
Os comentários continuaram, Esme deixando claro o quanto estava contente pela gravidez de Bella, mas sem deixar de apontar o quanto Rosalie estava atrasada no processo. A cada passo daqueles, Rosalie afundava um pouco mais na cadeira – ela se sentia, fisicamente, diminuir. Sua estratégia não havia sido tão eficaz quanto imaginara inicialmente e parecia que todo o trabalho não havia valido de muito.
— Eu tenho uma coisa pra dizer. – Emmett disse a certa altura, chamando a atenção para si após Esme fazer outro comentário incisivo sobre a filha. A família Hale voltou a atenção para ele, interrompendo os comentários e os olhares atravessados da mãe e da irmã para Rosalie. A loura encarou o namorado falso, em dúvida acerca do que ele pretendia com aquilo. Esme ergueu uma das sobrancelhas quando o homem seguiu em silêncio e ele pigarreou. – Eu... É... – ele levantou-se da cadeira e puxou Rosalie por uma das mãos, fazendo com que a loura também se erguesse.
— O que está fazendo? – ela murmurou confusa.
— Eu tenho pensado muito sobre isso, amor, e não quero mais adiar. – ele enunciou enquanto se colocava em um joelho.
— Oh, meu Deus. – Esme entoou sem conseguir segurar. Carlisle ergueu as sobrancelhas e apertou a mão da esposa para silenciá-la.
— Emmett, o que diabos está fazendo? – Rosalie sussurrou rapidamente, o rosto repleto de desespero.
— Rosalie, eu amo você. E quero passar o resto dos meus dias com você. – disse segurando uma das mãos da mulher à sua frente. – Você quer se casar comigo?
— Oh, meu Deus. – Rosalie ecoou as palavras da mãe.
A sala toda ficou em silêncio por um segundo antes de Esme sorrir e bater palmas de forma rápida, como uma criança.
— Finalmente! – ela entoou colocando uma das mãos sobre o peito. – Os três já foram! – todos ainda encaravam Rosalie, que persistia olhando para Emmett horrorizada.
— Querida? – Emmett chamou, erguendo uma sobrancelha e apertando a mão dela.
— Ah... Eu... – ela olhou ao redor, a família a encarando expectativa, a expressão nos rostos de Jasper e Alice uma mistura de choque e diversão. A mãe a olhava de forma firme, quase a desafiando a dizer não. – Sim. – respondeu por fim.
O ambiente se encheu de felicitações e risadas enquanto Emmett se levantava e trazia a esposa para perto de si em um abraço apertado. Rosalie sentiu que poderia chorar de desespero. A família abraçava o casal, sorrisos e desejos por todos os lados.
— Eu estou tão feliz por vocês! – Jasper anunciou com uma mão sobre o ombro de Emmett e outra sobre o de Rosalie. – Tão, tão feliz. – frisou com uma risada. – Minha irmã e meu amigo, quem diria! – Alice riu enquanto Rosalie engolia a resposta que queria dar ao irmão mais velho.
— Cadê o anel? – perguntou Bella observando curiosamente o casal, os braços cruzados.
— O que? – Rosalie perguntou enquanto Emmett olhava de soslaio para a, agora, noiva.
— O anel. – a mais nova reforçou. – Ele disse que estava pensando nisso há muito tempo. Quem faz o pedido sem um anel? – ela ergueu uma sobrancelha. Edward olhou feio para a esposa.
— É minha culpa. – Jasper ergueu as mãos, desculpando-se. – Emmett me deu a caixa com o anel, porque estava com medo de que Rosalie o encontrasse nas coisas dele, e eu esqueci. – ele franziu a testa.
— Não por isso. – Alice se intrometeu indo até o casal. – Aqui. – disse entregando o seu próprio anel de noivado a Emmett. – Você pode usar de forma simbólica até receber o seu. – a baixinha sorriu e Bella fez uma careta.
— Obrigado. – Emmett disse antes de pegar a mão de Rosalie e tentar colocar o anel no dedo correto. Entretanto, os dedos de Alice eram muito menores, então o anel ficou empacado antes de chegar à altura correta. Emmett rapidamente o tirou e o colocou no dedo mindinho de Rosalie, por onde deslizou com maestria. – Me desculpe, querida. O seu anel cabe direitinho no seu dedo, eu prometo. – ele disse em tom divertido e Rosalie franziu os lábios.
— Venham, deixe-me tirar uma foto. – chamou Esme.
— Mãe, não... – Rosalie negou, já balançando a cabeça.
— Não estou pedindo. – Esme sorriu em tom apaziguador. – Preciso de uma foto para mostrar à sua avó. Ela não pôde estar aqui, mas tenho certeza que vai querer ver os registros. Você não quer que sua avó se sinta parte desse momento? – perguntou com a voz melancólica. Rosalie suspirou e Esme sorriu. – Venham, aqui, em frente à árvore. – indicou.
Emmett e Rosalie se posicionaram em frente à árvore, Esme indicando como eles deveriam ficar – a loura na frente do noivo, a mão com o anel levantada e sorrindo, pelo amor de Deus, Rosalie! – e batendo várias fotos em seguida.
— Eu vou matar você. – Rosalie sussurrou para o homem, que acariciou os cabelos louros dela enquanto a sogra dava outras instruções.
— Você deveria estar me agradecendo. – ele a corrigiu.
— Vou te sufocar enquanto dorme. – avisou antes de tombar a cabeça para o lado, um novo sorriso nos lábios seguindo as orientações da mãe.
— Você é sempre aventureira na cama, hein? – ele brincou e Rosalie o fuzilou com o olhar.
— Que tal abrir um champanhe agora? – Carlisle sugeriu, puxando a esposa ao ver a expressão da filha. Rosalie respirou aliviada, mas quase gemeu de desgosto ao compreender o tamanho que aquela mentira havia tomado.
Todos encheram suas taças, exceto Bella, Esme deliciada com as novidades da noite. Estava em paz, repetia em todo momento que podia. Brindes foram feitos, mais fotos tiradas, “registros para a memória” a matriarca frisava. As piadas de Jasper e Alice aumentaram profusamente depois do pedido de casamento e Rosalie estava dividida entre arrancar os cabelos de cada um deles ou sair dali correndo e fingir que aqueles dois dias nunca tinham existido.
No meio das conversas e do movimento, a loura esgueirou-se para o quintal de forma silenciosa com sua taça cheia de vinho. Sentou-se em um dos velhos balanços que havia lá e respirou fundo antes de virar metade da taça de uma vez. Gemeu desgostosa e encarou os arbustos quase pretos na escuridão.
— Rose? – ela ouviu a voz do pai e se virou, vendo-o se aproximar dela. – Tomando um ar fresco?
— Sim. – ela assentiu. – A última meia hora foi... demais. – ela respirou fundo e o pai sorriu.
— Não sabia que ele te pediria em casamento?
— Não. – ela estendeu a palavra e terminou com um riso quase de desespero.
— Não está feliz com o pedido? – o pai pareceu preocupado e Rosalie balançou a cabeça lentamente.
— Não é isso, eu só... Eu não estava esperando isso. Isso definitivamente não era o plano quando eu vim pra cá. – ela frisou e Carlisle riu.
— Aparentemente era o dele. – contradisse. – É um momento adequado para o pedido, eu suponho, afinal, toda sua família está aqui.
— Eu não acho que essa seria a forma que eu gostaria de ser pedida em casamento. – ela corrigiu com uma virada de cabeça e um sorriso de desculpas. O pai riu novamente.
— Talvez ele tenha considerado demais sua família. – o patriarca sorriu e Rosalie assentiu lentamente. – Querida, você tem certeza de que quer isso?
— O que quer dizer?
— Estou preocupado que você tenha dito sim por se sentir pressionada e por seu namorado estar aqui e ter te colado nessa situação... – ele deixou a voz sumir. – Você não precisa se casar com ele se não quiser. – Rosalie riu levemente.
— Obrigada, papai. – disse com sinceridade.
— E não leve a sério o que sua mãe fala. – ele pediu. – Ela quer o seu bem, mas, às vezes, pode ser um pouco incisiva.
— Isso é um eufemismo. – ela apontou e Carlisle sorriu afetuosamente.
— Ela te ama e quer o melhor pra você. – ele prometeu. – Por mais que a visão dela do que é melhor nem sempre esteja alinhada com a sua.
— Eu sei. – ela concordou e deu um gole na bebida em suas mãos.
— E quero que se lembre que estou aqui para te apoiar, tudo bem? Em tudo. – ele a lembrou. – Se não quiser continuar com isso, – ele apontou para a casa atrás deles, se referindo a Emmett e o noivado – basta falar. Nós damos um jeito de levá-lo para o aeroporto durante a noite sem que sua mãe perceba. – conspirou e Rosalie riu.
— Vou manter isso em mente. – ela afirmou. – Não se esqueça de que foi sua sugestão, hein? – ela sorriu ao se levantar. Carlisle afagou o cabelo da filha e beijou sua têmpora antes de seguirem juntos de volta para a casa.
— Devemos sair para comer sushi amanhã? Como você se sente sobre hot holls? – Emmett brincou ao ver Rosalie se deitar na cama após apagar a luz do quarto e ela fez uma careta. – Achei que sua persistência ia durar mais. – ele confessou fingindo estar desapontado.
— Precisei tomar quatro relaxantes musculares hoje. – ela resmungou com um suspiro. Rosalie congelou quando sentiu o corpo quente de Emmett se aproximar do dela, um dos braços dele cobrindo sua cintura. – Que diabos você pensa que está fazendo? – ela rosnou. Emmett sorriu.
— Dormindo de conchinha com minha noiva. – ele disse em tom óbvio.
— Se você ainda quiser ter um braço amanhã, é melhor tirá-lo neste momento do meu corpo. – ela ameaçou.
— Ora, você já foi mais simpática. – ele resmungou, mas o sorriso seguia na voz. Ele retirou o braço da cintura da loura e a sentiu o empurrar para mais distante dela. – Que tipo de comemoração de noivado é essa? – ele fingiu uma reclamação e Rosalie bufou.
— Você tem sorte de eu não ter te chutado lá mesmo no jantar, é melhor não exagerar aqui também. – ela disse.
— Ah, qual é! Não foi nada demais. – ele deu de ombros. – Sua mãe está nas nuvens e é muito melhor do que um namorado.
— É verdade, – concordou. – agora quando eu te matar vai ser muito mais fácil me esquivar das perguntas, porque a justificativa é que meu noivo morreu.
— É o que? – ele soou confuso. Rosalie sorriu.
— Não te falei? Depois desse natal você vai morrer em um trágico acidente. – ela ditou. – Mas pensando melhor, sempre pode ser um caso de homicídio. – ponderou com um sorriso.
— Do que está falando? – ele franziu as sobrancelhas.
— Depois desse feriado, para todos os efeitos para a minha família, você estará morto. – Rosalie explicou. – Eu estarei de luto e vou me poupar de muita cobrança por algum tempo.
— Você está brincando. – ele disse sem qualquer humor.
— Não mesmo. – ela negou enquanto balançava a cabeça.
— Como você acha que isso vai funcionar? – ele ergueu uma sobrancelha.
— Vamos dar um jeito. – ela garantiu.
— E o que você acha que vai acontecer quando eu esbarrar com sua família no casamento do Jasper e da Alice? – ele perguntou como se ela esquecesse uma coisa óbvia.
— Isso não vai acontecer. – ela jogou a ideia de lado. – Você não vai.
— O que? – Emmett ergueu as sobrancelhas. – Jasper disse isso?
— Não tenho certeza, mas é um preço que ele vai ter que pagar. – ela deu de ombros novamente.
— Isso é ridículo. Você não precisa me matar. – ele se defendeu.
— Bom, não preciso, é verdade, mas vou adorar e tenho certeza que muitas pessoas acham que você meio que merece.
— Ah, qual é! Uma hora você vai ter que superar aquele casamento. – ele reclamou. Rosalie fez uma careta e o encarou no escuro.
— Não tenho nada para superar, nem sequer me lembro daquele casamento. – rebateu. – Só não gosto de você, não gosto de cafajestes e não gosto de traidores.
— Você criou uma ideia equivocada com base em um acontecimento isolado. – ele resmungou. – Não sou esse monstro que você desenhou na sua cabeça.
— Mas meio que é. – Rosalie discordou.
— Fala sério! – ele exasperou. – Se eu fosse essa pessoa horrível, por que você teria saído comigo por mais de dois meses?
— Porque eu não sabia que era um traidor! – ela exclamou e Emmett bufou impaciente.
— Você é tão teimosa!
— E você é irritante! – ela devolveu. – Argh!
— Está tão ocupada em manter esse ódio infundado ardendo em você que sequer percebe que não existe razão para ele. – Emmett revirou os olhos. – Se eu fosse esse babaca que você pinta eu não estaria aqui, fazendo o que estou fazendo só para te ajudar.
— Deve estar aqui por culpa. – ela sugeriu.
— Droga, que culpa faria um cara passar cinco dias com a família de uma garota com quem ele sequer está dormindo?
— O que você está querendo insinuar? – ela cerrou os olhos e Emmett revirou os seus e suspirou.
— Nada. – disse antes de virar de costas para ela. – Boa noite, Rosalie.
— Ei, o que você quer dizer? – ela insistiu, mas Emmett não respondeu nada. – Emmett! – reclamou, mas ele seguiu em silêncio. – Meu Deus, você é tão irritante! – ela bufou antes de se virar, irritada, e fechar os olhos com força.
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