Um namorado de natal
4 Dia três.
Notas iniciais
— Vamos almoçar fora. – Bella avisou os irmãos. – Mamãe vai passar a manhã no hospital e papai vai almoçar com ela por lá. – explicou. – Podemos ir juntos a algum restaurante. O que acham?
— Não posso. – Jasper recusou. – Eu e Alice temos algumas compras de natal de última hora para fazer.
— Sério, Jas? – Bella resmungou. – Hoje? – o irmão deu de ombros. – Espero que não seja o meu presente, não vai ter nada bom nas lojas hoje. – avisou. O louro sorriu e jogou um beijo para a irmã mais nova. – Acho então que seremos apenas nós e os garotos. – ela disse para Rosalie.
— Na verdade, tenho que fazer compras de natal também. – inventou. Bella franziu o cenho.
— Mamãe disse que você já comprou tudo que precisava ontem. – acusou.
— Eu... – Rosalie buscou furiosamente por outra desculpa, mas o olhar acusatório de Bella não a deixava pensar. A morena ergueu uma sobrancelha. – Eu esqueci. Você está certa. – disse por fim. Bella balançou a cabeça em negação.
— Nos encontramos no restaurante meio dia e meia? – sugeriu, embora o tom não parecesse dar espaço para um não. – Eu te envio o nome quando fizer a reserva. – avisou enquanto saía do cômodo, sem dar espaço para Rosalie responder. A loura deu um gemido sofrido.
— Por que ela me deixa tão desconfortável? – lamentou – Eu sou a mais velha, eu que deveria deixa-la assim. – Jasper riu.
— Não sei se você tem o que é necessário para ser passivo-agressiva como ela. – ele ponderou e Rosalie suspirou.
— Tenho que preparar o Emmett para um novo tipo de interrogatório agora. – reclamou. – Essa história de casamento vai fazer Bella ficar muito mais agitada.
— Ele vai se sair bem. – Jasper assegurou a irmã, dando tapinhas consoladores em suas costas. – Não se preocupe. O máximo que vai acontecer é ela descobrir e contar pra mamãe e então dona Esme provavelmente vai fazer companhia pra vovó no hospital. – ele sorriu.
— Uau, obrigada. – ela disse em tom irônico. O sorriso de Jasper aumentou.
— Te vejo à noite. – se despediu enquanto saía e deixava Rosalie sozinha, afundando no sofá.
O almoço não ia tão mal quanto Rosalie esperava. Emmett era realmente um bom ator e era bem melhor do que ela em improvisar. Ele inventava histórias, reciclando informações que adquirira no tempo em que saíram juntos e inserindo coisas novas. Ela se surpreendia com o quanto ele se lembrava, coisas que ela sequer se recordava de ter contado a ele.
Ele também aproveitava o tempo para tocar nela: segurar suas mãos, colocar o braço sobre seu ombro, tirar seu cabelo do rosto, acariciar seu braço – contato físico definitivamente era algo usual para Emmett e aquilo dava credibilidade para a história. Embora no início ela estivesse irritada com todos aqueles toques, as coisas estavam começando a ficar mais confortáveis e agora, ao invés de reprimir caretas e se afastar na primeira oportunidade, Rosalie se deixava ficar e, às vezes, até retribuía os toques. Emmett sorria vitorioso cada vez que ela colocava a mão sobre seu braço ou direcionava a ele um sorriso genuíno.
Por sorte, ele também havia se dado muito bem com Edward, conversando sobre esportes com empolgação. Rosalie deixou aquele tópico se estender mais do que gostaria, contente com a situação que deixava Bella sem perguntas ou pontuações. Edward e Emmett comentavam animados sobre a temporada de futebol americano quando ouviram uma voz chamar pelo grandão.
— Emmett? – todos se viraram ao ouvir a voz feminina. Emmett, que estava com a mão sobre a de Rosalie, lentamente a deixou escorregar para debaixo da mesa.
— Madie... Oi. – ele respondeu claramente sem graça.
— O que você está fazendo aqui? – ela perguntou, o olhar sobre a mão, agora solitária, de Rosalie. – Pensei que você passaria o feriado na Irlanda.
— Pois é... – ele expeliu um riso sem graça. – Bem, você sabe, mudança de planos.
— Mad! – Edward exclamou, desviando a atenção ao perceber o clima tenso no recinto. – É bom ver você. – ele disse se levantando para cumprimentar a garota. Ela se virou para ele, parecendo vê-lo pela primeira vez.
— Edward, sim, oi! – ela sorriu. – Bom ver você também. Não sabia que você conhecia o Emmett. – ela disse apontando para o moreno.
— É, o conheci nessa semana. – ele aquiesceu. – Você se lembra da minha esposa, Bella?
— Não acho que já tenhamos nos conhecido. – Bella sorriu, estendendo a mão para a garota.
— Não, é verdade, mas já ouvi muito de você! – Madie sorriu. – É um prazer conhece-la, Bella.
— O prazer é meu. – a mulher sorriu de volta. – E essa é minha irmã, Rosalie. – a loura sorriu, bebendo um gole de sua bebida enquanto acenava, sentindo que havia algo errado ali, mas sem compreender exatamente o que. – E o noivo dela você já conhece, claro.
— O... O que dela? Noivo? – ela perguntou com o tom de voz chocado, virando-se para Emmett. – Você está noivo?
— Eu... – ele se engasgou, encolhendo os ombros. – Sim. É uma coisa bem recente.
— Está brincando comigo? – ela ergueu as sobrancelhas. – Três semanas atrás estávamos saindo e agora você está noivo de alguém?
— O que?! – Bella franziu as sobrancelhas enquanto Edward engasgou com o gole de cerveja. O queixo de Rosalie caiu, a expressão horrorizada.
— Não é o que parece! – Emmett tentou se explicar.
— Rosalie? – Bella incentivou. – Olá? Você está aqui? – perguntou como se a irmã falhasse em enxergar a problemática daquela situação.
— Eu... Emmett, o que está acontecendo? – ela perguntou, a voz mais calma do que deveria. Ao perceber o olhar horrorizado da irmã, deu um tapa no rosto do grandão ao seu lado.
— Ai! – ele grunhiu ao sentir a dor no rosto. Rosalie teria sorrido se a situação fosse menos tensa.
— Como você pode estar noivo de alguém? Saímos por um mês! – Madie soou ofendida.
— Eu... Já estava com a Rosalie antes de te conhecer. – ele explicou rapidamente.
— Você traiu a minha irmã? – Bella arqueou as sobrancelhas, a voz quase um guincho.
— Não! – ele foi rápido em responder. – Não mesmo! – ele garantiu olhando para Rosalie, como se precisasse reassegurar a ela sobre a verdade.
— Você nunca mencionou uma Rosalie! – Madie interveio.
— Eu... Não queria falar dela com você. – o homem justificou.
— Eu estou tão confuso agora. – Edward murmurou lentamente para a esposa.
— Sabe do que? Jéssica falou que você era um mulherengo, mas jamais imaginei que fosse um traidor! – Madie exclamou com a voz indignada. – Ainda bem que não estamos mais juntos e tenho pena de quem tem coragem de se comprometer com você! – disse enfurecida.
— Ei! – Rosalie proferiu enquanto a garota se virava e saía. Bella e Edward olhavam para o casal, rostos incompreensíveis.
— Alguém vai tentar explicar? – Edward sugeriu, vendo uma carranca desconfiada se formar no rosto da esposa.
— Ah... Emmett e eu tivemos uma briga e ficamos uns tempos separados. – Rosalie inventou.
— Sim! – Emmett concordou, esticando a palavra. – Sim. Ficamos uns tempos separados antes de eu me ajoelhar e implorar que ela me aceitasse de volta. – ele bateu na mesa. – Foi isso que aconteceu!
— Quando isso aconteceu? – Bella cerrou os olhos.
— Já faz um tempo... – Rosalie tentou desconversar
— Ela sabia os planos dele para o natal. – Bella pontuou com a voz ácida. – Disse que eles estavam juntos há três semanas.
— Não tanto tempo. – Rosalie murmurou.
— E por que ela não sabia sobre a Rosalie? E quanto tempo isso durou para que ele namorasse outra garota? E, meu Deus, como você o aceitou de volta depois de ele sair com outra pessoa?! – Bella a bombardeou de perguntas. – Como vocês estavam separados até três semanas atrás e ele decidiu te pedir em casamento?
— Bella. – Edward colocou uma das mãos nas costas da esposa. – Pega leve.
— Eu... – Rosalie engasgou, sentindo o olhar pressionador de Bella sobre si. – Eu... Eu preciso de ar! – disse se levantando. Virou as costas e deixou os três na mesa, dirigindo-se para o lado de fora do bar.
— Ah, eu deveria ir falar com ela. – Emmett disse apontando por onde a loura havia seguido e levantando-se em seguida.
— O que diabos foi aquilo? – Rosalie perguntou horrorizada quando ele a encontrou. – Ai, meu Deus.
— Me desculpe! – Emmett expirou. – Eu não sabia que Madie era daqui.
— Você saiu com a garota por um mês e não sabia a cidade natal dela? – seu tom era acusatório.
— Talvez eu só não tenha prestado atenção. – ele se encolheu. – Nunca pensei que ela estaria aqui ou que conheceria alguém da sua família.
— Ai, meu Deus. – ela repetiu com a voz miúda. – Bella está percebendo que tem algo errado. Ela vai descobrir e me dedurar. Aquela garota sente o cheiro das minhas mentiras de longe. – gemeu.
— Não, isso foi só um contratempo. – ele descartou, colocando as mãos no ombro da mulher para que ela parasse de se mexer tanto. – Ei! – disse em tom mais firme, fazendo Rosalie estacar. – Está tudo certo. Só precisamos acertar nossa história. – ele orientou.
— Certo. – ela balançou a cabeça antes de respirar fundo. – Certo.
— Nós terminamos e ficamos separados durante um mês. – ele constatou.
— Ficamos um mês separados e você achou uma nova namorada no dia seguinte ao término? – ela ergueu uma sobrancelha.
— Tudo bem, dois meses? – ele sugeriu.
— É humilhante que um mês seja suficiente para você me superar. – Emmett franziu os lábios.
— Rosalie! Foco. – pediu. – A nossa linha do tempo tem que ser plausível.
— Certo! – ela cedeu. – Ficamos dois meses separados, você foi um cafajeste e começou a namorar logo em seguida.
— E depois percebi que você era o amor da minha vida, terminei tudo com a Madie e reatamos. – ele completou.
— Literalmente se ajoelhou e implorou para que voltássemos. – ela ditou.
— Eu realmente preciso ter me humilhado? – os lábios de Emmett formaram uma linha reta.
— Você arranjou outra depois de um mês! Isso que é humilhação. – ele franziu a testa e ela ergueu uma sobrancelha. – E fui eu quem terminou com você.
— Tudo bem! – ele revirou os olhos. – Tudo certo então?
— Sim. – concordou e ele se virou, pronto para voltar para o bar. – Espere um segundo. – Rosalie pediu. – Quando exatamente você terminou com ela?
— Cerca de duas semanas atrás. – ele respondeu cutucando o chão com a ponta do seu sapato.
— Duas... – Rosalie se interrompeu. – Isso foi quando nos encontramos na casa de Jasper.
— Sim. – o homem concordou.
— Você tinha acabado de terminar com ela quando combinamos isso? – ela franziu as sobrancelhas.
— Não exatamente. – respondeu e Rosalie o encarou, esperando. Emmett suspirou. – Eu terminei com ela depois que combinamos isso.
— Espere, você está me dizendo que terminou um relacionamento para vir pra casa dos meus pais e fingir que era meu namorado? – as sobrancelhas da loura estavam altas, a voz chocada. Emmett deu de ombros.
— Você sabe como é. – foi tudo que ele respondeu. Rosalie balançou a cabeça.
— Eu definitivamente não sei. – respondeu. – Por que fez isso? Ela parece uma garota legal, fora todo o caos que causou.
— Ela é legal. – ele deu de ombros novamente. Rosalie continuou esperando, encarando-o enquanto aguardava. Emmett suspirou. – Eu realmente queria que você me perdoasse, tá bem? Agora vamos, sua irmã vai estranhar se passarmos mais tempo aqui. – ele disse, voltando para dentro do bar. Rosalie observou por alguns segundos o caminho que ele havia feito antes de segui-lo.
Eles sentaram-se à mesa novamente, o olhar de Bella desconfiado sobre Emmett durante todo o tempo. Após a refeição, Bella pediu a Rosalie que fosse com ela até o banheiro e os homens ficaram sozinhos na mesa.
— Então... – Edward começou, soprando o ar em seguida. – Essa foi por pouco. – disse com uma risada. Emmett expirou uma risada sem graça.
— Pois é... – disse enquanto passava a mão pelo cabelo. – As coisas foram meio conturbadas ultimamente.
— Mas ei, não se preocupe, a Madie é legal. – Edward garantiu. – Ela não vai falar nada mais.
— O que quer dizer? – ele pareceu confuso.
— Sobre seu caso. – Edward esclareceu.
— Meu- meu o que? – Emmett quase engasgou. – Eu não tenho um caso. – Edward riu.
— Qual é! – bateu seu copo no copo do cunhado, que franziu levemente as sobrancelhas. – Nós, homens, temos as nossas necessidades. – disse em tom conspiratório. – Ninguém é de ferro.
— Eu não sei se estou entendendo. – Emmett disse, dando um gole na cerveja. Edward riu de novo.
— Não se preocupe! Eu não vou falar nada. Nós temos que ficar juntos e nos proteger. – afirmou antes de levantar seu copo em menção a um brinde e beber um gole.
Enquanto isso, no banheiro, Bella colocava Rosalie contra a parede.
— Agora me conte exatamente o que está acontecendo. – exigiu com o dedo em riste quando Rosalie fechou a porta.
— Eu não sei do que você está falando. – Rosalie enrolou. Bella cerrou os olhos.
— O que exatamente aconteceu entre vocês? Se estavam separados, como trouxe ele pra casa? E ainda por cima aceitou se casar com ele! Ele estava com outra mulher no mês passado, Rosalie! – ela soou incrédula. – O que você está fazendo?
— Nós estávamos saindo desde o final do ano passado, como eu falei. Vocês o viram em novembro quando foram à Nova York. – ela constatou e Bella assentiu. – Ficamos juntos por alguns meses, porém acabei terminando com ele.
— Por quê? – ela se apressou em perguntar.
— Por que... Eu estava estressada, acabei brigando com ele por uma besteira e, você sabe, eu sou racional demais e achei que não daria certo e-
— Certo, certo. E depois? – Bella interrompeu impaciente.
— Nós ficamos cerca de dois meses separados, até que ele entrou em contato comigo de novo e me pediu para tentar novamente, disse que não conseguia viver sem mim e que estava infeliz, que queria um futuro comigo, você sabe. – ela jogou as mãos para os lados impaciente.
— Quando foi isso? – a mais nova checou.
— Cerca de um mês atrás.
— Mas a garota disse que eles estavam juntos há três semanas.
— Talvez ela esteja enganada. – o rosto de Bella fez Rosalie dar um passo para trás. – Talvez eu esteja enganada. – ela se corrigiu.
— Então você está dizendo que acabou de voltar com esse cara e acha que é uma boa ideia se casar com ele? – ela perguntou incrédula.
— Não é como se eu não o conhecesse... – a loura se justificou. – Nós só passamos alguns meses separados, não apaga o que vivemos antes.
— Sim, enquanto ele estava dormindo com outra! – Bella afirmou como se a irmã fosse cega.
— Ele estava tentando me esquecer! – ela justificou novamente e Bella permaneceu de boca aberta, praticamente sem palavras.
— Meu Deus, quem é você? – a morena soou horrorizada. – A Rosalie que eu conheço jamais aceitaria isso!
— Olha, eu não tenho que ficar aqui me justificando para você. – Rosalie exasperou em voz alta, fazendo Bella recuar em surpresa. – O meu namoro, noivado ou qualquer outra coisa não diz respeito a você. Você não me vê dando pitaco no seu relacionamento. – apontou. – Esqueça isso e me deixe em paz! E deixe o Emmett em paz também, se ficar encarando ele como um criminoso – ela apontou um dedo na direção de Bella. – vai se ver comigo.
— Rá! – Bella expirou uma risada incrédula enquanto Rosalie deixava o banheiro.
— Levanta, nós estamos indo embora. – a loura apontou para Emmett quando chegou à mesa, pegando a bolsa que havia ficado sobre a cadeira. O grandão franziu as sobrancelhas e Edward pareceu confuso.
— Está tudo bem? – ele quis saber e Rosalie franziu os lábios.
— Controle sua esposa. – pediu. – De preferência, me faça um grande favor e não deixe que ela fale sobre isso com minha mãe.
— Você está pedindo por um milagre. – ele bufou uma risada, mas se ajeitou na cadeira ao ver o olhar de Rosalie. – E eu vou fazer o possível para que ele aconteça. –disse lentamente, embora duvidasse que algo fosse deixar a boca de Bella fechada.
— Valeu. Vejo você de noite. – ela disse, praticamente arrastando Emmett pelo braço.
— O que diabos está acontecendo? – ele perguntou quando eles chegaram ao carro.
— A Bella é absurda. – ela disse irritada, batendo a porta do carro após entrar. Emmett franziu a boca e entrou também, a loura dando partida logo em seguida. O semblante dela seguia irritado e Emmett jogou uma nova pauta para distraí-la.
— Então, nós podemos ir agora à Reserva Quileute? – sugeriu.
— Que?
— Jasper disse que tem uma ótima praia lá.
— Por quê? – foi tudo que ela conseguiu perguntar enquanto fazia uma careta.
— Supostamente é bem bonita. E também aspectos culturais, oportunidade única de visitar...? – ele deixou a voz morrer.
— Está congelando. – Rosalie disse em tom óbvio.
— Sim! – ele sorriu animado.
— Está congelando lá também. – ela respondeu confusa.
— Tudo bem, eu posso ficar juntinho de você para te manter aquecida. – ele cedeu.
— Por quê? – ela perguntou novamente.
— Qual é, divirta-me. – ele pediu.
Rosalie não respondeu, mas ele a viu balançar a cabeça e desviar do caminho que seguia, indo em direção a uma parte da cidade que ele ainda não conhecia. Ele aproveitou para ligar o rádio do carro, sintonizando uma estação que tocava músicas natalinas e cantando, empolgado, as melodias que conhecia.
Rosalie estacionou depois de um tempo, saindo do carro com o homem. Ele se colocou a caminhar, adentrando na areia da praia e mais perto do mar. A loura não fez comentários, mas apertou o casaco ao redor do próprio corpo e seguiu Emmett. Ele contemplou, em silêncio, a visão do lugar – era, de fato, tão bonita quanto Jasper descrevera. Mas, tal como Rosalie dissera, estava congelando e ele quase se arrependeu, até ver a expressão pacífica no rosto de Rosalie enquanto observava o mar. O homem sorriu, contente que a distração havia sido suficiente.
— Você costumava vir aqui com frequência? – ele perguntou e a loura respondeu sem desviar o olhar da água.
— Quando eu era mais jovem. – assentiu. – Eu conhecia alguém que morava por aqui, então já passei muito tempo na reserva. Mas não devo ter vindo aqui desde que me mudei. – ela mordeu os lábios ao se dar conta.
— Você realmente renegou essa cidade, hein? – ele brincou e ela desviou o olhar.
— Não é isso. – negou. – Mas não me sinto necessariamente em casa aqui também. Não sei, é difícil de explicar. Forks sempre foi... limitada. – ela deu de ombros. – Sempre quis sair daqui. – ela expirou um riso e andou até um tronco caído que repousava sobre a areia por perto. Emmett a seguiu. – Como foi pra você sair da Irlanda e vir pra cá? – ele ponderou sobre a questão, observando o quebrar das ondas.
— Foi difícil. – disse por fim. – Foi um baque perder meus pais, minha casa e tudo que eu conhecia de uma vez. – Rosalie quase mordeu a língua.
— Desculpe. – Emmett sorriu e balançou a cabeça.
— Não se preocupe, entendi o que você quis dizer. Eu demorei a me adaptar, eu venho de uma cultura bem diferente. – ele deu de ombros. – Na Irlanda eu gosto de pensar que somos mais acolhedores. – ele sorriu de lado. – Mas eu era jovem, então tornou a transição um pouco mais maleável.
— Você não passa os feriados com seu tio? – ele negou com a cabeça.
— Ele voltou para a Irlanda depois que se aposentou. E não é a melhor hora pra viajar pra outro continente. – ele deu de ombros sorrindo. – A temporada de NFL está acontecendo e nem sempre é bom me afastar nesse momento. Uma viagem pra lá implica muito mais tempo do que um feriado nos Estados Unidos e é bem mais difícil de voltar caso precisem de mim.
— Você sente falta? – ela quis saber e, mesmo sem completar a perguntar, ele compreendeu. Emmett assentiu.
— De vez em quando. Aqui as pessoas deixam leite e biscoitos para o Papai Noel, mas quando eu era pequeno meu pai costumava deixar uma Guinness para o bom velhinho. – ele riu e Rosalie sorriu. – É comum por lá. Também é tradição passar por doze pubs, bebendo e fazendo brincadeiras com a família e os amigos e nadar nas praias locais na manhã de natal. – ele sorriu saudoso. – Nunca fiz isso com meus pais, mas fiz com alguns amigos depois que retornei para visitar.
— Parece divertido. – ela comentou e ele assentiu.
— É mesmo. – confirmou.
— Mas como vocês não congelam durante a natação? – ela franziu o cenho e ele riu.
— Uísque normalmente faz você se sentir bem quente. – ele murmurou lentamente e a loura riu. – E vocês, tem alguma tradição de natal?
— Nada fora do comum. – ela disse depois de ponderar. – Meias nas escadas, presentes sob a árvore, perguntas invasivas e suéteres natalinos. – deu de ombros.
— Suéteres? Sério? – ele soou animado. – Tem fotos? Eu devo esperar um? – Rosalie sorriu.
— Provavelmente. – assentiu.
Eles permaneceram sentados, comentando sobre tradições natalinas e Ação de Graças – data que havia sido difícil para Emmett assimilar, tanto em significado, quanto em empolgação da comunidade estadunidense. Ele contou mais sobre as tradições que se lembrava de seu país natal, tão diferente do que vivia agora na América, e Rosalie gostou de vê-lo falar com carinho sobre sua pátria, relembrando memórias tão antigas quanto conseguia puxar.
Quando a temperatura começou a cair, Emmett se encostou a Rosalie, passando os braços sobre seus ombros de forma a esquentá-la.
— Não vá colocando segundas intenções em sua cabeça, hein? – ele alertou. – Estou apenas sendo cavalheiro caso alguém passe por aqui. Vai que alguém vê você se tremendo tal qual uma vara e conta pra sua família que seu noivo te deixa passar frio? – ponderou. – Inaceitável.
Rosalie revirou os olhos, mas se aconchegou nos braços do grandão, aproveitando tanto o calor, quanto o conforto que vinha dele. Permaneceram conversando por mais algum tempo, até o sol começar a se pôr e eles observarem a miríade de cores que passava pelo horizonte das ondas. Levantaram-se então, cientes que era hora de retornar para casa.
— Ei, Bella e Edward estão juntos há muito tempo? – Emmett perguntou quando eles estavam no carro.
— Sim. – ela assentiu enquanto dirigia. – Acho que ela está com ele desde a faculdade. Quase uns dez anos.
— E eles têm um bom relacionamento? – checou.
— Sim. – ela franziu as sobrancelhas. – Por quê?
— Ele implicou algumas coisas hoje... Eu não sei como você se sente sobre isso, mas acho que sua irmã pode estar sendo traída.
— O que? – Rosalie ergueu as sobrancelhas antes de rir. – Sem chance.
— Na verdade, acho que várias chances. – Emmett discordou. – Edward achou que eu tinha um caso com a Madie, disse que ela não falaria nada sobre o caso e que homens têm suas fraquezas, que deveríamos nos proteger... – Rosalie franziu o cenho e olhou rapidamente para ele. – Se eu fosse sua irmã manteria os olhos abertos.
— Não. – Rosalie respondeu com a voz chocada, estirando a palavra. – Sério? Não! – ela deixou os lábios se abrirem. – Edward?
— Nunca passou pela sua cabeça? – Emmett perguntou.
— Não! Acho que pela de ninguém. – ela negou. – Ele parece um ótimo marido. Minha mãe idolatra aquele homem. Ele e o meu pai tem compromissos de pesca agendados todo mês.
— Eu não sei. – ele deu de ombros. – Talvez eu esteja enganado, mas pareceu estranho.
— Pobre Bella. – Rosalie lamentou, parecendo não se lembrar da fúria contra a mais nova que a tomara poucas horas antes. É claro que, apesar de tudo, não queria que a irmã fosse traída.
— Onde os pombinhos estavam? – Alice provocou quando viu o casal chegar. Ela estava com a cabeça sobre o colo de Jasper, o corpo pequeno estirado no tapete da sala enquanto o louro acariciava o cabelo preto curto.
— Pensei que não iam aparecer para o jantar. – Esme disse. – Liguei várias vezes e você não atendeu.
— Ligou? – Rosalie tombou a cabeça. – Devo ter perdido as ligações, desculpe. – embora tivesse visto todas e deliberadamente ignorado. Emmett sorriu.
— Desculpe, Esme, foi minha culpa. – ele disse em tom apologético. – Pedi a Rose que me mostrasse a Reserva e acabamos ficando por lá até agora.
— Ah! E o que achou? – ela sorriu, contente com o passeio.
— É um lugar lindo. – ele afirmou e Esme assentiu em concordância.
— Faz séculos que não vamos lá. – Alice fez um beicinho. – Só porque não sou novidade você não me leva mais para fazer passeios aqui. – acusou Jasper. – Você devia ser mais com a Rosalie, empolgada e apaixonada!
— Ela deve mesmo amar o Emmett. – ele expirou uma risada. – Ela não pisa na Reserva desde que- – ele se interrompeu ao ver o olhar da mãe e mudou a frase. – Há séculos. – Emmett ergueu uma sobrancelha, olhando para os rostos das pessoas na sala, mas ninguém acrescentou nada.
— Eu vou tomar um banho. – Rosalie falou para mitigar o silêncio.
— Eu vou subir com você. – Alice se prontificou, levantando-se.
— Por que você não vem comigo pegar madeira para a lareira? – Jasper sugeriu ao amigo. – Está no quintal.
— Claro. – Emmett respondeu após franzir as sobrancelhas e foi carregado por Jasper para fora da casa enquanto as garotas subiam.
— Então... – Alice disse, jogando-se sobre a cama de Rosalie. – Como foi seu passeio?
— Bom. – ela de ombros enquanto ia em direção à mala.
— Só isso? Bom? – Alice fez uma careta.
— O que quer dizer?
— Quer dizer que não aconteceu nada? Uma troca de olhar apaixonado? Um beijo ardente na praia? – ela ergueu os olhos. – Um mergulho sem roupa no mar?
— Alice, está fazendo quase cinco graus lá fora. – Rosalie franziu o cenho.
— E?
— Perder um dedo congelado não está nos meus planos natalinos. – a loura respondeu jogando algumas roupas da mala na cama.
— Tedioso. – a baixinha resmungou.
— Foi pra isso que você decidiu subir? – questionou. – Me importunar?
— Não. – ela modulou a voz ao responder. – Só achei que, sei lá, você e o Emmett talvez estivessem ficando mais, eu não sei, íntimos. – ela comentou enquanto mexia nas peças de roupa que a amiga jogara sobre a cama. – Sério, nem um pijaminha de seda? Uma camisola com renda? Algo mais sexy?
— Alice? O que exatamente você acha que está acontecendo? – ela ergueu as sobrancelhas. A amiga a olhou de forma inocente.
— Eu não sei... – respondeu casualmente. – Você e o Emmett, a noite toda nesse quarto...
— Eu não vou ficar com o Emmett. – ela pontuou encarando a menor. – Não foi para isso que eu o trouxe para cá. – Alice suspirou.
— Eu sei. – ela frisou. – Mas ele está aqui, você está aqui, sua mãe já está amando o homem, vocês já saíram antes, então você sabe que é bom... – ela sorriu e mordeu a língua, fazendo Rosalie desviar os olhos. – Achei que, sei lá, talvez ainda existisse algo entre vocês.
— Não existe nada entre nós. Emmett é o último cara com quem eu me relacionaria.
— Você não tem se relacionado muito recentemente, então não vejo como essa seria uma má opção.
— Você se esqueceu do que ele fez?
— Não, você não deixa ninguém esquecer. – ela sorriu de forma forçada. – Você só tem tanta raiva disso porque estava completamente apaixonada por ele.
— Eu não estava não! – respondeu com o rosto corando.
— Estava sim. – Alice sorriu. – Senão nem se lembraria disso, mas até hoje guarda mágoa daquela situação e, ei, eu entendo. – ela ergueu as mãos. – Se estivesse apaixonada por um cara e ele fizesse aquilo eu também ficaria magoada.
— Eu não estou apaixonada por ele. – Rosalie decretou. Alice ergueu uma sobrancelha.
— Eu não falei que está. – Rosalie mordeu a língua.
— Olha, vou tomar banho e me arrumar para o jantar. – a loura disse apressadamente. – Você deveria ir também. – Alice abriu um sorriso largo.
— Vá mesmo, você precisa acalmar esses ânimos. – a mais baixa incentivou enquanto Rosalie corria para o banheiro.
— Vocês ficam com a louça. – Jasper apontou para Rosalie e Emmett após o jantar, quando só restavam os quatro na mesa. Ela franziu o cenho.
— Por quê? – perguntou descontente.
— Emmett é a adição mais recente da família e precisa ser iniciado de forma adequada. – ele estabeleceu. – E, claro, como uma boa noiva você não vai deixa-lo sozinho nessa tarefa.
— É claro. – Alice respondeu com um sorriso.
— Justo. – o grandão disse com um sorriso fácil ao se levantar da mesa e começar a recolher a louça.
— Eu espero que você saiba que em alguns dias nós estaremos de volta à Nova York e eu pretendo descontar durante o trabalho na sua noiva tudo o que você está me fazendo passar aqui. – ela alertou apontando para o irmão mais velho enquanto levantava.
Ela e Emmett levaram a louça para a cozinha, jogando fora restos de comida dos pratos e colocando os utensílios no lava-louças de forma organizada. Rosalie se recostou contra o balcão enquanto Emmett terminava de guardar as garrafas de vinho vazias e fez uma careta. Aquilo era tudo culpa dele; ela quase grunhiu. O grandão se levantou e demorou os olhos em Rosalie.
— O que foi? – perguntou quando os olhos dele não se desviaram. O olhar dele faiscou e ele se aproximou lentamente dela. – O que está fazendo? – a loura perguntou hesitante quando ele ergueu uma mão.
— Tem molho de cranberry na sua bochecha. – ele disse com um sorriso enquanto passava o dedão pelo rosto dela e depois o levava a boca. O coração de Rosalie pulou uma batida. – Já ouviu falar em guardanapo? – ela franziu os olhos.
— Vai se- ela foi interrompida quando os lábios de Emmett se chocaram contra os dela, ficando ali parados.
Foi tão inesperado que no início ela nem reagiu, demorando a distinguir o que estava acontecendo. Os braços dele se enrolaram ao redor de sua cintura, juntando seus corpos, e quando Rosalie começou a se movimentar para empurrá-lo para longe ela sentiu os lábios dele se arrastarem até sua orelha.
— Sua irmã está aqui. – avisou em um murmúrio e Rosalie ficou tensa automaticamente. – Relaxe! – pediu e voltou a levar seus lábios aos dela.
Daquela vez, ele a beijou de verdade, sabendo que aquilo a desarmaria, e ela, não mais pega de surpresa, foi preenchida por outros sentimentos, mesmo sabendo que a irmã estava assistindo. Seus braços subiram pelos braços fortes de Emmett até se enlaçarem em seu pescoço, suspirando sem querer quando ele a trouxe para ainda mais perto. Ele sorriu enquanto a beijava, satisfeito com a reação. Rosalie sequer conseguiu se irritar, perdida nos lábios e nas mãos que a acariciavam. Bella deu um pigarro forçado depois de alguns segundos e Rosalie ouviu a voz da mãe em seguida.
— Bella! – Esme soou descontente com a interrupção.
Emmett se afastou da loura e olhou para as outras duas mulheres do outro lado da bancada com uma cara genuinamente surpresa que gradualmente se tornou constrangida. Rosalie abriu a boca em um ‘o’, surpresa com a facilidade daquele homem em fingir reações. Ele estava perdendo tempo nos esportes, deveria estar atuando na frente das câmeras.
— Desculpe! – ele passou a mão pela cabeça, parecendo sem graça. – Eu achei que estávamos sozinhos.
— Bobagem, querido! – Esme balançou a mão, como se aquilo não fosse nada. – Não se preocupe com isso. – Rosalie engoliu em seco, desviando os olhos, ainda um pouco balançada pelo beijo.
— Mas vocês podem fazer isso em algum lugar mais adequado, como no quarto. – Bella implicou. Rosalie revirou os olhos e se virou para a irmã mais nova.
— Desculpe, não sabia que apenas você e o Edward podiam se beijar pela casa. – respondeu em tom irônico. Emmett reprimiu um sorriso e deu um leve tapa no quadril da loura. Ela olhou de soslaio para ele. Bella fez uma careta.
— Eu estou grávida. – ela frisou. – Você não deveria me deixar estressada.
— Ah, meu erro. – ela ergueu as mãos. – A partir de agora vou tomar mais cuidado para não irritar a rainha Isabella.
— Vocês duas- Esme começou e Rosalie revirou os olhos, pegando o braço de Emmett e o puxando na direção da sala.
— Não se incomode, mãe. – a loura a interrompeu. – Eu não tenho nenhum interesse em fazer um cabo de guerra com a preciosa. – afirmou enquanto fazia uma reverencia fingida ao passar pela irmã.
— Você está sendo muito respondona desde o restaurante. – Emmett comentou enquanto eles alcançavam as outras pessoas, reunidas na sala. – Estou gostando muito dessa sua versão. – Rosalie parou de pronto, fazendo Emmett estacar, e o empurrou para um cômodo vazio no caminho para a sala.
— É melhor parar com isso. – avisou. – Se passar dos limites de novo vou arrancar sua cabeça. – ele sorriu diante da ameaça.
— Qual é, improvisação é a melhor parte da atuação. – ele justificou. – E, fala sério, foi divertido. – o sorriso dele aumentou.
— Vê esse rosto? – ela disse apontando para a própria expressão. – Nada divertido. Eu não estou contente, muito pelo contrário! Mantenha essas mãos e essa boca longe de mim! – exasperou enquanto apontava o dedo para ele.
— É melhor tomar cuidado, porque se continuar assim só beijarei você novamente quando me pedir. – ele alertou com um sorriso divertido.
— Rá! – ela bufou. – Isso não vai acontecer! – ela garantiu enquanto saía do cômodo, deixando Emmett balançando a cabeça, seguindo-a em seguida.
Os irmãos decidiram ir a um bar, enquanto Carlisle e Esme preferiram se recolher cedo e aproveitar a noite sozinhos. Os seis saíram e foram até o maior bar da cidade – que, sendo em Forks, não era tão grande –, que reunia uma grande quantidade de cidadãos, bebendo e ouvindo música enquanto conversavam e reviam quem estava visitando a cidade.
Pegaram uma mesa, Rosalie fazendo o possível para ignorar a irmã mais nova e focar nas outras pessoas. A conversa era fácil, Emmett se integrava naturalmente ao grupo e nem mesmo Bella conseguia resistir totalmente ao charme do grandão, que conseguia seguir os passos que ela desejava – elogiar a gravidez, o marido, as conquistas, ouvir com atenção enquanto se gabava de coisas de cidade do interior. Emmett só não compactuava com os comentários eventuais sobre Rosalie, rebatendo-os com graciosidade e apontando as conquistas da falsa noiva. A loura observava de soslaio enquanto ele a defendia, sorrindo disfarçadamente ao vê-lo apontar para Bella suas conquistas profissionais contra as conquistas familiares.
— Bom, construir uma família ainda é mais importante. – Bella mencionou a certa altura, quando Alice havia puxado Jasper para dançar com ela em um canto do bar. Eram os únicos dançando e Rosalie sorriu de forma afetuosa os observando. – Trabalho, viagens, prêmios, nada disso importa se você não tem um parceiro do seu lado, filhos para quem deixar seu legado.
— Bom, felizmente Rosalie tem tudo. – Emmett sorriu e passou um dos braços ao redor do ombro dela, puxando-a para mais perto. Ela olhou para o homem e revirou os olhos, mas um sorriso discreto tomou seus lábios. – É a melhor no trabalho dela, ganhou um prêmio de editora destaque nesse ano e está prestes a ter o melhor casamento que essa cidade já viu. E depois, quem sabe, quatro filhos? – ele perguntou a ela, a sobrancelha de Rosalie erguida, perguntando-se como ele sabia do prêmio. – Cinco? – ele perguntou assombrado. Edward deu um riso discreto, o rosto de Bella em uma careta descontente.
— Talvez você devesse ficar um pouco menos empolgado. – Rosalie respondeu, tirando o braço dele de seu ombro. – Vou pegar outra bebida. – ela avisou e ele entrelaçou suas mãos, levantando-se também.
— Eu vou com você. – prontificou-se.
— Quatro filhos, sério? – ela revirou os olhos quando chegaram ao bar.
— Demais? – ele tombou a cabeça.
— Bem mais que demais. – ela garantiu.
— Três? – ele tentou. – Dois? – tentou novamente. – Não me diga que não quer ter filhos. Você vai matar sua mãe. – Rosalie riu.
— Pare de inventar uma vida que não vai acontecer. – ela pediu. – Não preciso que minha mãe crie ainda mais expectativas e você está tornando isso muito difícil.
— Achei que o objetivo fosse deixa-la feliz. – ele deu de ombros.
— Não. – ela ditou erguendo uma sobrancelha. – O objetivo era tirar o centro das atenções do fato de eu estar solteira, mas você chegou querendo agradar todo mundo e transformou isso em um circo muito maior do que o previsto. – ela reclamou em um sussurro.
— Essa é a razão pela qual sua família me ama. – ele sorriu divertido ao responder.
— E a razão pela qual te detesto. – ela rebateu. Emmett riu.
— É impossível que você me odeie tanto quanto acha que me odeia. – ele decretou. – Eu sou adorável. – ele frisou a última palavra, gesticulando no ar. Rosalie revirou os olhos e balançou a cabeça.
— Não é. E nem é tão engraçado quanto acha que é. – completou.
— Claro que sou. – ele falou ofendido. – Além do mais, você acha que Jasper, seu próprio irmão, andaria com um cara que não fosse legal? Está dizendo que Alice, sua melhor amiga Alice, não sabe distinguir um idiota de um cara bacana?
— O que te faz pensar que Alice não te acha um idiota? – ela ergueu uma sobrancelha.
— O que? – ele soou ofendido. – Isso é impossível. Alice me adora. – ele a corrigiu e Rosalie deu de ombros.
— Se você acha que sim. – ele cerrou os olhos e gritou pelo nome da baixinha, buscando-a com os olhos pelo lugar. Quando a encontrou saindo da direção do banheiro marchou decidido até ela. Rosalie balançou a cabeça novamente enquanto dava um gole em sua cerveja recém-recebida.
— Então, isso não se tornou um desastre total ainda. – Jasper comentou ao se aproximar da irmã. – Isso é uma surpresa. – a loura suspirou.
— Quase. – ela corrigiu. – Hoje mais cedo uma ex do Emmett cruzou com a gente quando estávamos almoçando com a Bella e o Edward. Foi simplesmente tenebroso. – ela gemeu em desagrado. – A Bella está sentindo que existe algo errado, eu sei que está. – Jasper riu.
— Você é muito paranoica. – ele meneou a cabeça. – Eu devo admitir, estou surpreso do Emmett ter embarcado nisso de cabeça. Ele está realmente fazendo um bom trabalho, mamãe está apaixonada pelo cara. – ele riu novamente e Rosalie olhou para o grandão que ainda conversava com Alice.
— Ele não é de todo mal. – ela confessou ao irmão, mesmo que relutasse em admitir aquilo a Emmett. – Acho que há anos ela não me tratava tão bem em casa. – Rosalie revirou os olhos. – Ela fez os meus biscoitos favoritos hoje, acredita? Não só os de Bella, fez os meus também. Eu quase caí para trás quando vi. – Jasper riu.
— Você a faz parecer um monstro. – o mais velho comentou. – Ela não é de todo mal também. – Rosalie olhou para o irmão e balançou a cabeça.
— Eu sei. – concordou por fim. – Eu só... Eu queria que fosse mais fácil alcançar as expectativas dela. – ela se encolheu e Jasper assentiu, batendo levemente no ombro da irmã. Rosalie permaneceu no bar, sozinha, mais alguns minutos, antes de decidir fazer o caminho de volta para a mesa onde a família estava.
— Rose! – ela se virou ao ouvir seu nome. – Oi! – ela ergueu as sobrancelhas quando viu o homem em sua frente.
— Jacob, oi! – ela sorriu, recebendo um abraço do homem alto. – Uau, oi. Eu não sabia que você estava por aqui.
— Cheguei ontem para passar o feriado. – ele sorriu. – Há quanto tempo.
— Eu sei! – ela concordou sorrindo. – Faz o que, dois anos?
— Mais para cinco. – ele corrigiu com um sorriso.
— Nossa. – ela ergueu as sobrancelhas. – Eles não estavam mentindo quando disseram que o tempo voa. – Jacob riu.
— Não. – ele concordou.
— Veio visitar seu pai no feriado também? – ele assentiu.
— Sempre. – Jacob deu um sorriso de lado.
— E como está o Billy? – a loura perguntou.
— Tão forte quanto nunca. – ele sorriu mais, antes de deixar o sorriso sumir. – Ele me falou que sua avó está no hospital. Espero que esteja tudo bem com ela agora.
— Ela caiu e quebrou um osso. – Rosalie meneou a cabeça. – Está se recuperando bem, deve ter alta logo.
— Isso é ótimo.
— Jake! – eles ouviram a voz de Bella. – Olá.
— Bella, ei. – ele sorriu para a mais nova.
— É claro que vocês já se esbarraram. – ela comentou com um sorriso. – Nunca falha.
— Bella. – Rosalie alertou com um tom defensivo e Jacob sorriu.
— Como você está Bella? – ele quis saber.
— Estou ótima, estou grávida! – ela contou contente.
— Uau, essa é uma ótima notícia. Parabéns para você e o Edward. – ele sorriu novamente.
— Sim, nossa família está cheia de boas notícias nesse natal, não é, Rose? – ela olhou para a irmã. Jacob assentiu, sem entender completamente.
— Sim. – a loura concordou com um sorriso forçado.
— Você já conheceu o Emmett? – a morena perguntou ao homem.
— Emmett? – ele soou confuso.
— Sim, o noivo de Rosalie. – ela explicou. – Ela não te contou? Ela vai se casar. Ficou noiva ontem à noite. Finalmente. – completou com um risinho.
— Ah! Eu não sabia disso. – ele respondeu, voltando a sorrir para a loura, embora dessa vez um sorriso levemente decepcionado. – Parabéns pelo noivado, Rose. – ela quase se encolheu.
— Obrigada. É... – Bella ergueu uma sobrancelha. – Bem recente. – ele assentiu, parecendo pego de surpresa.
— Foi ótimo ver vocês, mas estou com alguns amigos. – Jacob disse por fim, apontando para um grupo de homens no canto oposto do bar. – Feliz natal e, por favor, mandem meus cumprimentos pra sua família. Espero que Marjorie saia do hospital logo.
— Obrigada, Jake, pra você também. – Rosalie sorriu. – Diga ao Billy que mandei um olá.
— Tchau. – Bella estendeu a palavra. – Feliz natal! – disse enquanto o moreno se distanciava.
— O que foi isso? – Rosalie ergueu as sobrancelhas ao questionar a irmã.
— O que foi o que? – perguntou de forma inocente.
— Essa emboscada passivo-agressiva. – a mais velha pontuou.
— Não foi uma emboscada. Achei que você tinha contado a ele. – ela tombou a cabeça. – Ou não queria que seu primeiro amor soubesse que vai se casar?
— Não tem nada a ver com isso. – ela rebateu.
— Ah, as notícias aqui voam, você sabe. Ele ia saber de qualquer jeito e qual o problema? Você vai se casar, afinal de contas, não vai? – ela sorriu mais uma vez, erguendo a sobrancelha. Rosalie encarou a irmã mais nova em silêncio antes de se virar e deixa-la sozinha e sem resposta.
— Não ultrapasse essa linha. – Rosalie decretou mais tarde naquela noite com o olhar desconfiado, passando o dedo por uma linha imaginária no colchão. Emmett sorriu.
— Sim, senhor. – ele respondeu batendo continência. Rosalie se estirou na cama e deu um gemido de prazer ao sentir o colchão macio receber seu corpo ainda dolorido da noite que passara no chão. Emmett estava certo, eles estavam muito velhos para dormir em qualquer lugar que não fosse uma cama. – Cuidado, vão achar que nem estamos esperando ninguém dormir para começar a noite.
— Vá para o inferno. – ela disse em tom gentil enquanto apagava o abajur ao lado de sua cama. Emmett riu baixinho enquanto também se acomodava para dormir.
— Então, aquele cara era a razão pela qual você ia sempre à Reserva? – ele perguntou casualmente.
— Quem?
— O que você e Bella estavam conversando no bar mais cedo. Moreno, alto, quase tão forte quanto eu. – explicou. – Você tem mesmo uma queda pelos atléticos, Marjorie não sabe de nada. – brincou com um sorriso. Rosalie se moveu na cama, desconcertada.
— Quando minha avó o conheceu ele não era tão forte. – ela murmurou e Emmett se moveu na cama. – Ele é um velho amigo.
— É mesmo? – ele se certificou. – O jeito que ele te olhou deu a entender outra coisa. – Rosalie expirou uma risada baixa.
— Nós namoramos durante o todo o ensino. – confessou.
— Ah, o primeiro amor. – ele assobiou. – O que aconteceu?
— Eu queria sair daqui o mais rápido possível, conhecer o mundo, estar em outros lugares e ele queria... – ela hesitou. – Um menino e uma menina e cria-los na Reserva onde ele cresceu. – contou e mordeu os lábios, relembrando. – Eu terminei com ele quando fui aceita em Yale.
— Ah, nenhuma dúvida agora da razão dele ter aquele olhar afetado. – Emmett assentiu e Rosalie expirou uma risada.
— O engraçado é que ele também acabou saindo daqui um tempo depois. – ela contou. – Acabou se mudando por uma oportunidade de emprego e hoje vive em Boston.
— Você se arrepende de ter terminado? – o homem sondou. – Quer dizer, já que ele saiu daqui e esse parecia o grande empecilho.
— Hum... – ponderou por um segundo. – Não me arrependo. Nós não somos os mesmos do ensino médio. Dizer adeus foi o certo a se fazer e era inevitável. – ela deu de ombros. – Não que minha mãe concorde ou me deixe esquecer isso. – Emmett expirou uma risada.
— Não se preocupe, ela nunca vai se lembrar dele depois de mim. – garantiu. – Eu aposto que ele não trouxe o vinho preferido dela ou fez tanta amizade com sua avó quanto eu.
— Cuidado, desse jeito vai parecer que está com ciúmes. – Rosalie provocou. – E, se eu me lembro bem, você disse que ciúmes é algo em que você não acredita.
— E não acredito mesmo. – ele concordou com um sorriso. – Mas é sempre bom estar ciente da competição.
— Não tem competição alguma. – ela respondeu. Emmett olhou para ela, virando-se para ficar de frente para a loura, embora no escuro não conseguisse distinguir as formas de seu rosto de forma adequada. – Não tem uma situação na qual você seria considerado se houvesse. – ele expirou uma risada e balançou a cabeça.
— Sabe do que, Rose... – ele murmurou, se aproximando dela de forma rápida. Rosalie não se mexeu, parcialmente surpresa, parcialmente inebriada pelo corpo quente e forte repentinamente próximo do seu. – Eventualmente vai ter que assumir que gosta de mim. – continuou em voz baixa, a voz quase no ouvido dela. – Se não gostasse, não teria saído comigo para início de conversa. Depois, não teria me chamado para fazer isso com você, me trazer pra cá e ficar cinco dias praticamente colada comigo. – provocou e sorriu. – Além do mais, aquele beijo? Você pode até dizer que não gosta de mim, mas aquele beijo fala outra coisa. – concluiu.
Rosalie ficou em silêncio, sem conseguir formular qualquer resposta e internamente torcendo para que ele encurtasse a distância já mínima que os separava. Entretanto, ele não o fez – ao contrário, expirou uma risada curta, sentindo a tensão que emanava entre eles, e deitou-se de costas novamente. Rosalie respirou fundo, grata e decepcionada, porque sabia que, no fundo, ele e Alice não estavam errados.
Alice não mentira quando dissera que ela estava completamente apaixonada por Emmett quando saíram pela primeira vez. Era fácil gostar dele: era atencioso e carinhoso, sabia conversar sobre uma variedade de coisas, era cavalheiro, constantemente a surpreendia com flores ou mensagens, sem falar que era facilmente um dos homens mais bonitos com que Rosalie já se relacionara.
Quando ela chegara para o maldito casamento e o vira com a ex, seu mundo caíra. Sim, eles só estavam saindo há dois meses e ela sabia que era recente, mas ainda assim. Também era verdade que ele havia tentado entrar em contato com ela, ido até sua casa e até tentando intercepta-la na saída do trabalho para conversar, mas aquilo não importava porque ela estava magoada e sentia que podia empurrá-lo na frente de um carro se ouvisse aquela voz grossa se desculpando.
Mais uma vez, ela sabia que Emmett também estava certo. Ela só estava fazendo aquilo, trazendo-o para casa e o apresentando para a família, porque era ele. Não que aquilo fosse uma ideia boa em qualquer aspecto, mas não acreditava que traria um completo estranho até ali para enganar sua família. Não que houvesse um motivo interior escondido para trazê-lo até ali também – não havia planejado aquilo na esperança de algo acontecer. Ainda estava magoada, ainda se sentia humilhada e preterida depois daquele casamento, mas alguma coisa sobre a perspectiva de estar perto dele de novo a deixava inquieta e ansiosa, mesmo que em uma situação parcialmente humilhante também.
Não sabia dizer em qual momento decidira entrar de fato naquela mentira, mas sabia que a visão de Emmett na casa de Jasper a ajudara a esquecer parcialmente sua sanidade e pensar que aquilo podia acontecer. Sabia que havia quase desistido de tudo e cancelado toda a encenação, até vê-lo no café antes da viagem e lembrar como aquele sorriso de covinhas tinha o potencial de fazer seu coração errar as batidas. Ela expirou com força, tentando afastar todos aqueles pensamentos e a tensão exacerbada do corpo.
Após alguns minutos em silêncio, sem conseguir dormir, Emmett tentou enxergar se Rosalie estava dormindo. A respiração dela parecia calma, mas talvez ainda estivesse acordada. Aquela era a hora ideal para que ele explicasse tudo – ela não podia fugir, gritar ou impedi-lo de falar e, de alguma forma, ele sentia que ela parecia mais receptiva.
— Rose? – ele sussurrou.
— Hm? – ela murmurou.
— Eu não a convidei. – ele falou.
— O que? – ela soou confusa, ainda deitada de bruços, sem conseguir distinguir a expressão de Emmett no escuro.
— Eu não convidei a Victoria para o casamento. Eu sequer sabia que ela estaria lá. – ele garantiu.
— Emmett... – Rosalie começou, pronta para virar o rosto e ignorá-lo.
— Não, é sério. – ele prometeu. – Me deixe falar. Sei que você não quer ouvir, mas sou egoísta, desculpe, preciso dizer. Eu estava te esperando e ela apareceu, decidiu ir de última hora. Quando me encontrou, começou a falar que estava arrependida do término e que queria tentar de novo. Não tínhamos terminado há tanto tempo. – ele confessou. – Mas eu não tinha qualquer intenção de ficar com ela ali, eu estava te esperando. Falei a ela que conversaríamos quando voltássemos para Nova York, mas ela não gostou de ser dispensada assim, então insistiu e me beijou; foi quando você chegou, é claro. – ele quase gemeu de desagrado.
— E você a beijou de volta. – Rosalie murmurou.
— Eu... – ele hesitou. – Sim. Eu a beijei de volta.
— E depois voltou com ela. – a loura continuou. Emmett hesitou, é claro que ela sabia, ele se lembrava dela ter apontado isso no café.
— Sim. – concordou. A loura engoliu em seco, sentindo o estômago se revirar ao se lembrar da cena.
— Guarde suas desculpas, Emmett. – Rosalie aconselhou e lembrou a si mesma porque todos aqueles pensamentos eram inúteis. Ele não era digno de confiança e havia partido seu coração, e se conseguia pular de mulher em mulher daquele jeito naquela época, provavelmente não mudara nada desde então.
— Olhe, sei que foi uma droga isso tudo e me desculpe! Mas eu não sou um idiota sem coração que queria te magoar. – ele explicou. – Jamais convidaria a minha ex depois de te chamar para um casamento, jamais deixaria você ver aquilo! – ele engoliu em seco. – Eu tenho muitos defeitos, Rose, mas não sou o homem sem coração que você acha que sou. – murmurou. Rosalie umedeceu a boca e mordeu o lábio inferior. – Eu voltei com ela por que... Eu precisava me certificar de que não poderíamos fazer dar certo. Eu e Victoria ficamos juntos por anos antes daquilo e eu precisava ter certeza. – ele lamentou. – E eu sinto muito por você ter se magoado nesse processo, eu nunca quis isso.
— Você me colocou no meio daquilo. – ela apontou. – Se ainda queria checar se as coisas poderiam dar certo com sua ex, não deveria ter se envolvido comigo.
— Eu sei e me desculpe! – ele concordou. – Mas era você, como eu poderia não me envolver? – ele sussurrou e balançou a cabeça. – Quando começamos a sair eu estava completamente investido no nosso relacionamento, mas eu e ela ficamos juntos por quatro anos, Rose. – ele explicou, encolhendo-se. – Quando ela me abordou, fez parecer que o término havia sido apressado e inconsequente e que devíamos a nós mesmos uma última tentativa depois de tanto tempo.
Rosalie mordeu os lábios, descontente. Aquilo não melhorava as coisas, mas ela conseguia entender, mesmo que pouco, a sensação de não querer desperdiçar tudo o que haviam construídos juntos. Quatro anos implicava o tipo de relacionamento sólido que ela nunca havia conseguido manter, mas sabia que aquele tempo significava muito. Em quatro anos se construía uma vida ao lado de outra pessoa, se construíam planos e memórias e abrir mão de tudo aquilo não era fácil, especialmente quando já se havia considerado entrelaçar aquelas vidas de forma permanente.
Ela sabia que ele já havia considerado pedir Victoria em casamento, Alice a contara; entendia que aquela mulher devia ter um significado importante na vida de Emmett, especialmente pouco tempo após o término. Sabia também que eles não haviam conseguido manter o relacionamento depois daquilo, ficando juntos por cerca de três meses antes de se separarem novamente. Rosalie suspirou, mesclas de dor e empatia preenchendo seu corpo. Ela se incomodou, era mais fácil quando era só dor.
— Vá dormir, Emmett. – orientou. – Nós temos um dia longo amanhã. – disse antes de se virar de costas para ele. Emmett umedeceu os lábios, derrotado, e assentiu.
— Boa noite, Rose.
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