Um namorado de natal
5 Dia quatro.
Notas iniciais
— Hora dos presentes! – Bella guinchou animada enquanto a família se reunia na sala de estar, os presentes ao redor da grande árvore decorada se amontoando. Emmett parou, observando uma garrafa de cerveja deixada perto da árvore, junto com biscoitos e leite, e sorriu de forma afetuosa.
— Eu sei que não é uma Guinness... Mas estamos em Forks, então dê um desconto. – Rosalie falou ao ver a direção na qual ele olhava. O sorriso de Emmett se alargou.
— Eu adorei. – garantiu e ela sorriu, batendo o ombro lentamente contra o dele.
— Legal! Biscoitos e cerveja. – Jasper comentou animado ao achar os itens, roubando um biscoito para si. – Esse natal está cada vez mais cheio de surpresas.
— Muito cedo para a cerveja? – Rosalie perguntou esperançosa.
— Eu acho que sim. – Emmett respondeu de forma pesarosa.
— Nós precisamos conversar sobre seu problema com álcool? – Edward provocou e Rosalie fez uma careta antes de mostrar a língua ao cunhado.
A família trocou presentes, abrindo embalagens e rasgando papeis coloridos por todos os lados. Sorrisos e abraços tomaram conta enquanto as pessoas viam as surpresas embrulhadas que haviam sido escolhidas a dedo. Todos estavam com o suéter de natal que Esme encomendara para a família – até Emmett, embora o dele se amontoasse em excesso ao redor de seu corpo; quando a matriarca perguntara a Rosalie o tamanho que o namorado vestia, tudo que ela soube responder foi ‘grande’, ignorando todas as outras tentativas da mãe de entender qual tamanho exatamente era grande.
— Vocês não vão trocar presentes? – Bella perguntou, apontando o dedo de Rosalie para Emmett e de volta para Rosalie.
— Não. – a loura se adiantou em responder. – Nós combinamos de não trocar presentes esse ano.
— Por quê? – ela franziu as sobrancelhas. Rosalie revirou os olhos.
— Há coisas mais importantes do que presentes, Bella. – apontou.
— Não no natal, não há. – a mais nova rebateu. Rosalie assentiu e deu de ombros, ignorando a irmã.
— Mas há mais um presente com seu nome aqui. – Alice observou, tirando uma caixa quadrada de perto da árvore decorada.
— O que? – Rosalie franziu as sobrancelhas, afinal já tinha ganhado os presentes da família.
Rosalie olhou intencionalmente para Alice, querendo descobrir se era alguma brincadeira ou se ela e Jasper haviam armado aquilo, mas Alice deu de ombros ao entregar a caixa à cunhada. Abriu a caixa com desconfiança, receosa do que encontraria ali, mas se surpreendeu ao encontrar uma coleção com três livros infanto-juvenis. Aquela havia sido sua primeira série literária, os livros que a tornaram uma leitora e que, depois, levaram-na a ter vontade de virar editora literária. As três histórias de Nancy Drew dentro da caixa eram três volumes antigos, faltantes em sua coleção, e ela observou surpresa o conteúdo da caixa.
— Eu sei que combinamos não trocar presentes, querida, mas decidi ignorar. – Emmett deu de ombros enquanto sorria suavemente. Rosalie virou-se para Emmett, a boca levemente partida em choque.
— Eu... – ela se engasgou.
— Gostou? – ele completou. Ela expirou uma risada e assentiu. A família observava de soslaio, Carlisle com um sorriso cuidadoso nos lábios e Esme olhando com aprovação para o homem grande.
— Amei. Obrigada. – disse com honestidade antes de abraça-lo.
— Feliz natal. – ele sussurrou em seu cabelo antes de depositar um beijo em sua têmpora.
— Estou me sentindo culpada. – ela fez um muxoxo. Emmett riu.
— Não se preocupe, aquela cerveja foi melhor que qualquer coisa que você compraria em uma loja em cima da hora. – ele assegurou. Rosalie abaixou os olhos para o presente novamente e sorriu.
— Mal posso esperar para coloca-los na minha estante. – ela murmurou e Carlisle sorriu, vendo a empolgação da filha. Ele assentiu, aprovando, ao ver o olhar de Emmett cruzar o seu e percebeu o grandão se encolher minimamente.
— Desculpe novamente pelo suéter, Emmett. – Esme comentou aproximando-se do casal. – Rosalie não fez um excelente trabalho ao me falar seu tamanho. – ele balançou a cabeça, desprezando as desculpas.
— Eu falei que ele era grande e ele é. – a loura resmungou e Esme franziu os lábios para a filha. Emmett expirou uma risada.
— De forma alguma, está perfeito. – ele garantiu. – Estou lisonjeado em ter um pra mim. Faz muito tempo que não tenho um natal assim. – ele sorriu. – É muito bom estar aqui.
— Ah, não se preocupe com isso, querido. – a mais velha sorriu. – Nós somos grandes fãs do natal aqui, então agora seus feriados serão sempre animados. – Rosalie tentou reprimir uma careta, algo semelhante à culpa começando a tingir sua felicidade. – Isso é, quando vocês decidirem passar o feriado com a gente. – Esme completou ao ver o rosto da filha, interpretando a expressão de forma equivocada.
— Sempre será um prazer. – ele garantiu, afagando a mão da mulher mais velha.
Esme sorriu e a família começou a se dispersar. A matriarca foi para a cozinha, enquanto Alice e Jasper subiam com caixas de presente. Bella acompanhou a mãe rumo à cozinha, ansiosa pelos seus tradicionais biscoitos natalinos. Rosalie trocou o pijama que ainda usava, mas manteve o suéter natalino da família – não era de todo ruim, só as cores habituais e alguns flocos de neve nos daquele ano. Todos se reuniram para o café da manhã, conversando sobre os últimos dias, sobre o réveillon que se aproximava e os planos para aquela data.
— Por que não leva o Emmett para patinar no gelo? – sugeriu Carlisle à filha após o café.
— Por quê? – ela franziu as sobrancelhas.
— Bom, é algo divertido a se fazer na cidade? – o pai disse hesitante e Rosalie mordeu a língua.
— É claro. – ela sorriu. – E eu quero que ele se divirta bastante aqui.
— Na verdade, eu adoraria. – Emmett falou.
— Ótimo. – Carlisle sorriu. – Vou checar como Marjorie está e ver se conseguimos trazê-la para casa hoje.
— Me dê notícias. – Rosalie pediu enquanto assentia.
— Traga fotos para sua mãe. – o pai deu uma piscada e sorriu enquanto Rosalie fez uma careta.
— Vamos? – Emmett chamou.
— Você realmente quer fazer isso?
— Óbvio. – ele disse firmemente. – Faz séculos que não patino.
Rosalie assentiu lentamente, não necessariamente animada, mas propensa a fazer um gesto gentil após seu presente de natal, então vestiu seu casaco mais grosso e guiou Emmett até o rinque da cidade. Decidiram ir a pé, mesmo com o frio, já que não era tão longe da casa dos Hale e aproveitaram para tomar um café no caminho.
— Eu jamais imaginei que Forks teria um rinque de patinação. – Emmett confessou maravilhado quando chegaram ao lugar.
— Nós temos um inverno brutal, acho que essa é a forma da cidade tentar torna-lo um pouco ameno. – ela deu de ombros.
— Essa cidadezinha continua a me surpreender. – ele disse com um sorriso e Rosalie expirou uma risada. – Dois pares. – Emmett pediu quando chegaram à tenda que alugava os patins. – Você usa trinta e seis?
— Ah, nenhum pra mim, obrigada. – ela jogou a ideia de lado.
— Por que não? – ele franziu as sobrancelhas.
— Eu não patino. – Rosalie respondeu.
— Por quê? – repetiu. Rosalie moveu os lábios, mas não respondeu. – Acidente ruim? – ele supôs.
— Sim. – ela concordou de forma desinteressada.
— Rá! – eles se viraram ao ouvir Jasper bufar, vendo o louro e Alice chegando. – Acidente ruim é o novo nome de não conseguir se equilibrar durante mais que três segundos? – Alice deu uma risadinha e Rosalie corou. Emmett sorriu ao olhar para a loura.
— O que você está fazendo aqui?
— Seu pai nos disse que estavam aqui. – Alice explicou à amiga. – Coloquei Jasper para fazer o papel de bom namorado também e me levar para todos os passeios legais de casal. – ela ergueu um dos braços, empolgada.
— Não vi que vocês estavam atrás da gente. Teríamos esperado. – Emmett falou e Alice balançou a cabeça.
— Viemos de carro.
— Ótimo, agora você tem companhia para ir. – Rosalie disse. – Vou pegar um chocolate quente e achar um lugar quentinho.
— Não mesmo. – Emmett jogou a ideia de lado. – Um par trinta e seis. – ele pediu novamente ao responsável, antes de pegar um para ele também.
— Eu não quero ir, não gosto do gelo. – ela reclamou enquanto Emmett se ajoelhava em sua frente, já puxando um de seus pés. – Ei! Me solta.
— Quer mesmo que eu fale para a minha sogra que você não quis fazer uma atividade romântica comigo? Que eu te pedi com tanto carinho? Especialmente depois de não me dar um presente de natal? – provocou enquanto tirava a bota que ela usava e começava a substituí-la por um dos pés do par. – Aposto que ela ficaria desapontada com você.
— Você é absurdamente dramático. – ela disse derrotada enquanto ele tirava a segunda bota. – Dá pra ver porque se dá bem com a vovó.
— Vocês dois são adoráveis. – Alice murmurou, fazendo-os olhar na direção do outro casal. Rosalie fez uma careta ao ver o irmão apontando a câmera do celular para ela e Emmett.
— O que você está fazendo?
— Tirando fotos. – disse em tom óbvio. – Álbum de natal e tudo mais. Pedido da mamãe. – ele sorriu.
— Vem, vamos. – Emmett disse, estendendo suas mãos para que Rosalie pegasse. Ela viu que ele já estava de pé, patins nos pés, sorriso animado no rosto. A loura hesitou, olhando para o gelo ameaçador. – Vamos lá, não vou deixar você cair.
— Você não entendeu quando Jasper disse que eu fico três segundos em pé? Ele não estava brincando. – Emmett sorriu.
— Não se preocupe. – prometeu, balançando as mãos para que ela pegasse.
— Você é quem deveria se preocupar. – Jasper alertou. – Ela vai cair e te levar junto. – Rosalie fez uma careta para o irmão.
— Meu Deus, vamos. – ela disse colocando as mãos nas de Emmett. – Qualquer coisa para deixar o Jasper para trás.
— Rosalie e Emmett sentados em uma árvore. – Alice começou a cantarolar uma antiga cantiga infantil quando Emmett começou a ajudar a loura sobre os patins.
— Quantos anos você tem, cinco? – ela fez cara feia para a amiga, que continuou a música rindo.
— B-E-I-J-A-... – Rosalie forçou-se a ir mais rápido, deixando Alice e o irmão para trás.
— Devagar. – Emmett alertou quando eles alcançaram o gelo. – Sua pressa é o que te faz cair depois de três segundos.
— Sério? E eu achando que era meu péssimo equilíbrio. – respondeu em tom irônico. Ele balançou a cabeça e sorriu.
— Segure nos meus braços e comece devagar. – orientou. – Eu vou guiar e você só precisa seguir. Não precisa fazer força. – avisou quando sentiu o corpo dela endurecer e as mãos se tornarem pesadas em seu braço. – Relaxa e feche os olhos.
— O que? Não. – ela respondeu rapidamente, perdendo brevemente o equilíbrio. Ele a segurou, colocando-a novamente na posição correta.
— Vai te ajudar a ganhar mais segurança. – ele prometeu. – Eu vou continuar te segurando. – ela hesitou e ele a encorajou mais uma vez. Rosalie cerrou os olhos e Emmett riu. – Eu estou vendo que seus olhos não estão fechados. – ela suspirou. – Qual é, você não confia em mim?
— É claro que não! – ela respondeu rapidamente e Emmett fez uma careta.
— Eu pedi por essa. – comentou em tom de derrota. – Ei, me dê um. – ele pediu para um patinador que estava distribuindo gorros vermelhos. O homem magro entregou, sorridente, um gorro ao maior, Rosalie se equilibrando com menos segurança agora que só tinha um braço de Emmett para se agarrar.
— O que está fazendo? – perguntou quando ele enfiou o gorro na cabeça dela, deixando-o mais baixo do que deveria, cobrindo os olhos dela. – Tire isso daí.
— Agora feche os olhos e confie em mim. – ele pediu, retornando o braço livre para ela.
— Não gosto disso. – ela reclamou, agarrando-se com mais força a Emmett.
— Você não gosta de muita coisa. – ele devolveu. – Precisa ser um pouco mais flexível ou vai virar uma chata.
Rosalie mordeu a língua, irritada. Com esforço, tentou relaxar e deixar Emmett guia-la. O problema não era necessariamente ele, ela só detestava gelo, especialmente patinar sobre ele. Emmett os movimentava lentamente, segurando-a com cautela e oferecendo palavras de incentivo. Orientava-a acerca dos movimentos que deveria fazer e ela notou que o fato de não ver nada ao redor, no final das contas, a ajudava.
— O que está fazendo? – ela perguntou em um tom levemente desesperado quando uma das mãos de Emmett sumiu das suas. Rosalie ouviu a risada de Jasper e Alice em seguida e se arrependeu instantaneamente.
— Apenas pegando o celular de Alice. – ela ouviu o sorriso na voz de Emmett. Ele puxou o gorro da cabeça dela, colocando-a da forma correta sobre o cabelo louro.
— Ele só vai tirar uma foto da gente, não se preocupe, ninguém está roubando seu homem. – a baixinha respondeu.
— Meu Deus, vocês dois se merecem. – ela reclamou ao apontar para Jasper e Alice.
— Obrigado, eu também acho. – o irmão respondeu, roubando um beijo da noiva.
— Vou precisar das minhas duas mãos, então é melhor você se agarrar na minha cintura. – Emmett orientou e Rosalie franziu as sobrancelhas.
— Eu não. – respondeu automaticamente.
— Bom, então você vai se equilibrar sozinha. – ele rebateu enquanto começava a tirar a mão da dela.
— Não, espere! – Rosalie interpelou rapidamente.
Emmett engoliu um riso enquanto a loura, muito lentamente e com medo de cair, levava os braços até sua cintura, agarrando-a como se sua vida dependesse daquilo. Alice e Jasper se posicionaram, a vista da floresta ao fundo muito bonita, e Emmett tirou algumas fotos do casal.
— Como fotógrafo você é um ótimo agente esportivo. – Alice reclamou ao ver as fotos na tela do celular.
— Desculpe, acho que acabei embelezando meu currículo mais do que devia. – ele respondeu com um sorriso nos lábios. – Mas ei, eu consegui o emprego.
— Vocês querem uma foto também? – ela ofereceu contente.
— Mamãe vai amar. – Jasper concordou. – Essa pose está ótima.
— Eu odeio vocês. – Rosalie disse desgostosa. Emmett sorriu.
— Acho que isso dá robustez à nossa história. – Emmett concordou enquanto tirava os braços dela de sua cintura para guia-los em outra direção.
— Não! – Rosalie arfou, preocupada que ele estivesse apenas lhe tirando o suporte. No desespero iminente e pouco lógico, o corpo desequilibrou-se e ela usou as mãos para proteger a cabeça, fechando os olhos com força, quase se jogando para frente.
— O que você está fazendo? – Emmett perguntou confuso, vendo o corpo de Rosalie cair em sua direção.
Com habilidade, ele tentou mantê-la de pé e equilibrada, mas nenhuma habilidade foi suficiente para evitar que eles caíssem juntos no gelo. O homem se moveu de forma que o corpo dela caísse sobre o seu, o que diminuiria o impacto na loura, e sentiu uma pontada afiada no ombro ao atingir o chão.
— O que foi isso? – Alice perguntou horrorizada ao ver a cena.
Os olhos de Rosalie ainda estavam fechados quando ela sentiu seu corpo se chocar contra o de Emmett, amortecendo sua queda e tirando o desconforto que ela antecipara. Ela abriu então os olhos, sua cabeça protegida pelo peitoral largo, e olhou surpresa o homem no chão com ela. O rosto dele estava em uma careta de desconforto e ela automaticamente se encolheu.
— Emmett? Ai, Deus, me desculpe! – ela pediu automaticamente. Ele abriu os olhos e meneou a cabeça.
— Está tudo bem. Você está bem? – checou. Rosalie assentiu rapidamente. – Você não estava brincando quando disse que não conseguia se equilibrar. – Rosalie corou, constrangida.
— Certeza que não foi uma desculpa pra se jogar nos seus braços? – Jasper observou. – Porque de fora meio que pareceu. – Rosalie sentiu o rosto esquentar mais e sentiu os braços de Emmett se apertarem ao redor dela.
— Acho que ela só é muito desequilibrada. – o grandão discordou, tentando deixa-la menos desconfortável. Não foi o suficiente, Rosalie sentiu que poderia sair dali engatinhando no gelo se achasse que conseguiria.
Ele começou a se levantar então, se erguendo primeiro e depois a ajudando a ficar de pé também. Com uma piada e bom humor, Emmett despachou Jasper e Alice, que foram patinar enquanto o casal saía do rinque.
— Eu sinto muito. – Rosalie pediu novamente enquanto eles tiravam os patins. Emmett sorriu e balançou a cabeça.
— Não foi nada. – garantiu ao colocar seus sapatos. – O que é uma ida ao rinque sem uma queda?
— Você se machucou? – ela perguntou parcialmente culpada.
— Não. – ele garantiu.
— Há algo que eu possa fazer? – Emmett riu.
— Parar de fazer essas perguntas. – ele afirmou. Rosalie fechou a boca em um movimento audível.
Como Rosalie se recusara a ficar no gelo depois da queda, eles decidiram voltar para casa, a loura comprando um chocolate quente de desculpas antes de partirem.
— Você é mesmo muito ruim patinando. – ele brincou com um sorriso enquanto caminhavam. – Seria uma péssima jogadora de hóquei.
— Eu disse que era! – ela resmungou. – Eu avisei. Você é quem não quis ouvir.
— Não estou reclamando, é meramente uma observação. – ele se defendeu.
— O gelo não proporciona qualquer tipo de confiança, é inseguro e perigoso e eu não consigo ficar em pé. – ela reclamou.
— Você estava indo bem antes da queda. – ele discordou.
— Sim, porque você esta lá. – ela rebateu e ele sorriu. – Me segurando, eu quero dizer.
— Se quiser tentar de novo, basta avisar. – ele propôs. – Podemos vir sem que o Jasper saiba dessa vez. – o sorriso dele aumentou.
Retornaram para casa e foram se aquecer na sala, o fogo da lareira crepitando baixinho. Sentaram-se lado a lado no sofá, braços se tocando, e Rosalie viu os livros que Emmett a dera sobre a estante, onde os deixara antes de sair.
— Você não precisava ter me dado nada. – ela apontou para os livros, mordendo o lábio. Ele balançou a mão, como se não importasse.
— Não foi nada. – garantiu.
— Definitivamente foi algo. – ela assegurou com um riso curto escapando de seus lábios. – Como sabia desses livros? – quis saber.
— Você me falou quando saímos sobre como gostava da série. – ele contou dando de ombros. – E me lembro de não ter visto esses na sua estante.
— Isso já faz mais de um ano. – ela observou surpresa.
— Eu tenho uma boa memória. – ele sorriu e ela assentiu com um sorriso pequeno nos lábios.
— Bom, obrigada mesmo. É... Perfeito. – o sorriso de Emmett aumentou.
— Fico feliz que tenha gostado. – ele murmurou e Rosalie o observou com cautela, se tornando mais atenta à parte de seu corpo que se encostava ao dele à medida que os olhares um sobre o outro se tornavam mais intensos.
— Mamãe está de alta! – Esme anunciou feliz, aparecendo na sala onde o casal estava. Rosalie se virou rapidamente para a mãe, desviando o olhar de Emmett.
— Mãe, isso é ótimo! – ela respondeu.
— Sim! Marcus estava com ela e estão finalizando os papeis de alta. Vou me organizar para busca-la e hoje à noite faremos um jantar para comemorar o noivado de vocês!
— O que? – Rosalie engasgou, levantando-se.
— É claro! Agora que mamãe estará em casa, podemos reunir a família e comemorar. – ela explicou. – Você não se importa, não é, Emmett? Não quero que pareça uma emboscada, jogar a família toda de uma vez em cima de você. – ela checou, embora a voz não desse muito espaço para ele discordar da sugestão.
— Ahn... Eu... – ele engasgou.
— Mãe, não! Vovó acabou de ter alta do hospital, como assim quer fazer um jantar aqui em casa? Ainda mais com a família toda! Não! Vovó precisa de calma, paz e silêncio. – a loura garantiu.
— Bobagem! – Esme jogou a mão. – Ela está ansiosa para passar algum tempo com o Emmett e estaremos cuidado dela. Ela não precisa ficar muito tempo fora da poltrona e sei que ela está animada por vocês e adoraria comemorar, já que perdeu o pedido e não estava na ceia de natal.
— Mãe... Isso é muito. – Rosalie decretou. – Eu trouxe o Emmett pra cá pra conhecer você e o papai, não pra conhecer a família toda e ser colocado sob um holofote.
— Bobagem! – repetiu Esme. – Ou você se incomodaria, Emmett? – Esme encarou o genro, olhos afiados sobre ele.
— Eu... – ele hesitou.
— Mãe... – Rosalie começou, mas a mãe a cortou.
— Estou perguntando ao Emmett! – disse em tom férreo à filha antes de voltar os olhos para o grandão. – Você se importaria de ter um jantar com a vovó para comemorar o noivado de vocês?
— Não? – ele disse depois de alguns segundos, enquanto Esme balançava a cabeça de forma negativa, dando a ele uma dica do que era uma resposta aceitável.
— Maravilha! – ela disse animada. – Vou preparar tudo!
— Mãe, nós temos planos hoje! – Rosalie interpelou em uma última tentativa de se livrar daquilo.
— Fique à vontade, querida, o jantar é só à noite e ainda não é nem meio dia. – Esme disse com um sorriso simpático. – Resolva todos os seus planos durante o dia e esteja de volta às sete horas, vestida para o jantar. – avisou enquanto saia da sala. – E use um vestido bonito! – gritou já do outro cômodo.
— Ai, meu Deus. – Rosalie afundou no sofá, Emmett bem quieto ao seu lado.
— A cada nova interação com sua mãe começa a ficar mais claro porque você decidiu fazer o que fez. – ele observou por fim. Ela gemeu depois de enfiar uma almofada na cara.
— Isso é tudo que eu precisava. – ela murmurou, ainda com o objeto cobrindo o rosto. – Isso é tudo culpa sua. – ela disse irritada, retirando a almofada do rosto. Emmett franziu as sobrancelhas.
— Minha culpa?!
— Sim! – ela respondeu ferozmente. – Se não tivesse feito essa palhaçada de pedido nada disso teria acontecido!
— Se eu não tivesse feito o pedido, sua mãe ainda estaria falando de você como se você fosse uma pobre coitada que vai morrer solteira numa casa cheia de gatos enquanto a sua irmã mais nova está procriando! – ele rebateu e os olhos de Rosalie se arregalaram. Ela abriu a boca várias vezes, em tentativas falhas de rebater a resposta de Emmett, mas por fim fechou-a com força, engolindo um palavrão e se erguendo irritada do sofá, subindo as escadas com passos duros.
Mais tarde, a família estava reunida na sala, a refeição para a comemoração encomendada e Esme dava instruções sobre o jantar de mais tarde. Iria usar um jogo de mesa novo especialmente para aquela ocasião, estava tão animada! Preparou o quarto de Marjorie e colocou suas almofadas mais bonitas na poltrona que era a favorita da mãe na sala.
A mulher não parava – havia muito a ser feito. A família a observava zanzando de um lado para o outro, empolgada, enquanto conversava. Esme ouviu o toque do celular e foi atendê-lo no cômodo ao lado, deixando que Alice e Jasper terminassem de contar sobre a ida ao rinque de mais cedo.
— Mãe? – Jasper chamou quando Esme retornou à sala lentamente. – O que aconteceu? – perguntou ao ver a expressão no rosto da mulher.
— Minha mãe... Ela... Ela voltou para a UTI. – a voz de Esme soou automática enquanto tirava o celular da mão.
— O que?
— Mãe, como assim? – Bella perguntou.
— Esme? – Carlisle perguntou, levantando-se ao ver a imobilidade e falta de resposta da esposa.
— Eu... Era Marcus no telefone. – ela disse olhando para o marido. – Minha mãe teve um infarto. Eu preciso... Tenho que ir para o hospital. – disse indo em direção à porta.
— Espere. – Carlisle disse, seguindo-a e pegando o casaco de ambos no caminho da porta.
— Mãe, nós vamos com você. – Bella disse, intencionada a segui-la.
— Não. – o patriarca respondeu a ela, erguendo uma das mãos. – Não precisamos de uma multidão agora. – garantiu. – Fiquem aqui. Vou com ela ao hospital entender o que aconteceu.
O clima antes animado havia ficado tenso, ninguém ativamente conversando e todos esperando que algum celular tocasse com notícias. Bella estava encolhida sob os braços do marido no menor sofá da sala, Alice e Jasper conversavam baixinho no outro.
Rosalie estava na cozinha, guardando a louça que Esme já havia começado a tirar dos armários.
— Ei. – Emmett se aproximou. – Posso fazer algo para ajudar?
— Não. – ela negou balançando a cabeça. – Obrigada.
— Você está bem? – ele checou ao parar ao lado dela. Rosalie hesitou com um prato nas mãos.
— Eu não sei. – respondeu por fim. – Saber que vovó teve um ataque cardíaco é... Ela só tinha uma perna quebrada, sabe? – Emmett franziu os lábios, assentindo. – Ela estava de alta, como foi que isso aconteceu? – perguntou horrorizada, os olhos umedecendo. Emmett tirou o prato das mãos da loura e trouxe-a para mais perto de si, abraçando-a. Rosalie não colocou obstáculos, agradecida pelo gesto. Deixou-se estar ali, em silêncio, contemplando como aquela noite havia tido uma mudança brusca.
O entregador do restaurante chegou pouco tempo depois, trazendo o jantar que ninguém comeu. A família, que inicialmente estava programada para chegar ao início da noite, nunca apareceu. Os pais não ligaram para dar notícias e a espera estava deixando todos tensos. Carlisle entrou em contato algumas horas depois, avisando que Marjorie precisaria passar por uma cirurgia e que ele e Esme ficariam no hospital. Recusou a proposta de qualquer um deles ir para lá, com os filhos de Marjorie a comoção já era grande o suficiente e ele estava cuidando da esposa. Sugeriu que os filhos jantassem e fossem para cama e ele daria notícias novas assim que possível.
O jantar, do restaurante que Rosalie mais gostava dali, parecia não ter muito gosto. Bella e Edward pularam o jantar com a família e voltaram para sua casa enquanto os quatro restantes comiam em silêncio. Alice e Jasper foram para o quarto depois de jantar, mas Rosalie e Emmett se demoraram um pouco mais na sala. Sentaram-se no sofá, observando o fogo crepitar na lareira, e depois de um longo período de silêncio Rosalie adormeceu. Emmett a moveu de forma que sua cabeça repousasse em seu colo, o resto do corpo meio estendido no sofá claro. Acariciou levemente o cabelo louro dela, observando a feição pacífica enquanto ela dormia. Ele suspirou, descontente que o feriado daquela família enfrentasse uma situação daquelas naquele momento.
Emmett viu quando, já de madrugada, o carro de Carlisle lançou feixes de luz pela janela. Observou o médico entrar com a esposa quase em um transe, Esme não parecia sequer se dar conta do que acontecia a seu redor. O mais velho viu Rosalie dormindo e observou Emmett o olhando com expectativa; ele balançou a cabeça, os olhos temerosos e o mais jovem suspirou em desapontamento. Carlisle seguiu com Esme escadas acima e Emmett acordou Rosalie suavemente, avisando que seus pais haviam retornado. Carlisle retornou para o andar debaixo alguns minutos depois, Jasper o acompanhando enquanto descia.
— Marjorie morreu. – ele disse em tom soturno. – Ela teve um novo ataque cardíaco durante a cirurgia e mesmo estando no hospital não sobreviveu. Depois de tantos procedimentos e da hospitalização recente, o corpo estava fraco e o coração já estava desgastado. – ele franziu os lábios. – Mesmo socorrendo rapidamente ela não sobreviveu.
— Ai, meu Deus. – Rosalie murmurou.
— Onde está minha mãe? – Jasper quis saber.
— Eu dei a ela um remédio para dormir e a coloquei na cama. – informou. – Ela estava muito nervosa, precisou de um calmante no hospital. Eu vou me encontrar com o Marcus agora para arrumar tudo para o velório.
— Você precisa de ajuda? – Rosalie se ofereceu, mas o pai negou com a cabeça.
— Não. Fique aqui e descanse. Teremos um longo dia amanhã. – ele respondeu. A loura assentiu, mas se aproximou do pai, o abraçando.
— Sinto muito, papai. – ela murmurou e Carlisle aconchegou a filha aos braços.
— Eu também, querida. – ele sussurrou de volta.
Emmett observou, tentando se tornar invisível naquela sala, sem se intrometer em um momento que sabia ser tão pessoal para aquela família. Viu Jasper abraçar a irmã e murmurar algo junto a ela, Rosalie soluçou e assentiu furiosamente. O filho não deixou que Carlisle fosse sozinho, acompanhando-o quando saiu da casa. Rosalie pairou por um momento na sala, parecendo levemente desnorteada, e Emmett a guiou escadas acima até seu quarto.
— Ei, você está bem? – Emmett perguntou, preocupado, em tom soturno quando alcançaram o cômodo.
— Eu... Sim. – ela aquiesceu. – Acho que sim.
— Eu sinto muito mesmo pela sua avó. – ele franziu os lábios. – Ela era uma pessoa incrível. – Rosalie exasperou um riso.
— Ela era mesmo. – concordou, mas logo as pontas da boca voltaram-se para baixo, o sorriso sumindo.
— Você quer dormir sozinha hoje? – ele perguntou. – Posso dormir na sala se quiser. – Rosalie olhou para Emmett.
— Não. – balançou a cabeça. – Não quero ficar sozinha. – confessou, hesitante, em voz miúda.
A boca de Emmett se transformou em uma linha reta, angustiada. Ele se aproximou dela, enlaçando-a em seus braços. Ela se deixou se perder entre os braços fortes, sentindo-se acolhida e segura naquele abraço. Ficou quieta, em silêncio, apenas sendo confortada.
— Está tudo bem chorar, Rose. – ele disse em um sussurro ao notar que ela engasgava com as lágrimas que não derramava, lembrando-se do quanto ela detestava chorar, especialmente na frente de outras pessoas. – Ninguém está assistindo. – garantiu.
Emmett esperou, paciente e silenciosamente, até que ela estivesse pronta para sair dali.
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