— Emmett, você pode voltar para casa, sabe disso, não é? – Rosalie checou enquanto colocava um brinco pequeno na orelha, o vestido preto que usava destoando das cores alegres e vibrantes que costumava usar durante o feriado. – O combinado era você ficar por cinco dias, não precisa continuar aqui.

— Que espécie de noivo abandona a noiva no velório da avó? – ele soou ultrajado. – Eu nunca faria isso. – ele assegurou e o tom não era mais de brincadeira.

Ela deu um sorriso curto, quase aliviado, porque a presença dele durante aquele momento estava sendo reconfortante de uma forma que ela não esperava. Ele a mantivera por perto durante toda a noite anterior, deixando-a chorar quando finalmente conseguira e dando apoio quando precisara.

— Obrigada por ficar. – ela disse. – Mas você pode voltar para Nova York agora. – garantiu. – Vou falar para minha família que você tinha algum compromisso de trabalho agendado e não pode ficar.

— Está me expulsando daqui? – ele franziu o cenho.

— Não é isso. – ela respondeu com um mover leve de cabeça. – Mas as coisas escalaram de uma forma que ninguém esperava aqui. Você tinha se inscrito para um natal cheio de cobranças com uma família doida e um pouco disfuncional, mas não para um natal mórbido e um enterro. – ela se encolheu.

— Ainda é o dia cinco, está dentro do combinado. Você não pode me expulsar antes do combinado. – Emmett decretou enquanto dava de ombros e Rosalie reprimiu um sorriso. Ele sorriu também e a observou ficar sentada em frente à penteadeira, mesmo sem mais nada para fazer ali. – Você está pronta para descer?

— Sim. – ela disse, mas hesitou. – Não. – balançou a cabeça.

— Não precisa ter pressa. – ele garantiu. – Leve o tempo que precisar. – ela balançou a cabeça novamente.

— Não, estou pronta. – ela disse se levantando. – Vamos, não quero fazer ninguém esperar. Todos devem estar prontos.

Eles desceram juntos e encontraram a família toda vestida de preto e pronta para ir até o cemitério. O corpo seria enterrado junto ao do avô de Rosalie e tudo havia sido feito muito rápido – Marjorie já havia planejado e deixado instruções claras de como queria tudo para que a família fosse poupada das decisões que ela mesma queria tomar.

— É claro que ela escolheu tudo. – Jasper disse com um sorriso quando viu as flores no cemitério e a presença apenas da família.

— Ela era tão mandona. – Rosalie concordou, expirando um riso curto.

— Nem me fale. – Bella concordou. – E isso é porque você a via só uma vez por ano, imagine conviver com ela diariamente. – continuou, mas seu tom não era provocativo e sim afetuoso e melancólico, e Rosalie sorriu, assentindo.

— Imagino que vá ser uma grande mudança para você. – comentou com a irmã, que hesitou antes de assentir lentamente.

— Nem sei como é viver sem a vovó constantemente fazendo comentários inapropriados sobre jogadores de rugby no meio do jantar. – ela concordou.

— O que? – Rosalie ergueu as sobrancelhas. – Ela realmente assistia rugby?

— E não perdia a chance de falar sobre o traseiro dos jogadores. – a mais nova assentiu novamente.

— Ai, meu Deus. – Rosalie riu baixinho.

— Você jamais pensaria que aquele tipo de comentário poderia sair da boca de uma senhora de oitenta anos. – Edward concordou e Rosalie riu mais, os olhos enchendo-se de água.

Emmett sorriu ao ver a interação e o riso nos lábios dela, prostrado firmemente ao lado da falsa noiva durante todo o evento, segurando sua mão em um sinal silencioso de apoio. A família depositou flores sobre o caixão antes de este ser colocado sob a terra e eles observaram enquanto aquele era coberto de terra ao som de uma das músicas favoritas de Marjorie.

Os Hale voltaram para casa, onde o buffet estava pronto. A comunidade começou a chegar algum tempo depois, todos prestando condolências pela partida de Marjorie. A escolha de restringir o enterro à família havia sido levemente atípica e completamente respeitada, mas todos estavam na celebração posterior para manifestar seus pêsames. A família recebeu abraços e ouviu palavras de conforto enquanto a casa se enchia cada vez mais de pessoas e de vozes.

Rosalie fugiu para seu lugar favorito, seu antigo balanço no quintal, e ficou por lá com um copo de uísque nas mãos, movendo as pernas de forma a se balançar sem tirá-las do solo. Ela viu quando Emmett sentou-se a seu lado e estendeu um pequeno embrulho em sua direção.

— Coma. – ele instruiu quando ela pegou. — Você não comeu nada o dia todo. É seu favorito. – ele garantiu e ela abriu o guardanapo, encontrando um pequeno sanduíche.

— Obrigada. – ela murmurou e beliscou um pedaço da comida, sem muito apetite. Continuou se balançando, Emmett a seu lado em silêncio. – Vovó morreu e não viu meu casamento ou meus filhos. – ela lamentou olhando as pontas dos sapatos pretos.

— Não sabia que isso era importante para você. – ele observou com surpresa.

— Não é, mas era para ela. – Rosalie mordeu o lábio inferior.

— Sua avó não se importava de você estar solteira e não ter dado bisnetos a ela. – ele garantiu. Rosalie virou o rosto, encarando Emmett.

— Você não sabe disso. – ela discordou. – Minha mãe sempre falou que o sonho da vovó era ver o casamento dos netos. Ela devia estar desapontada comigo, todos os meus irmãos em algum ponto deram o que ela queria.

— Esse pode ser o sonho da sua mãe, mas não era da sua avó. – Emmett garantiu com um sorriso. Rosalie ergueu uma sobrancelha, confusa. – Quando ela te expulsou do quarto, quando a visitamos no hospital pela primeira vez, ela queria conversar sozinha comigo.

— É claro que queria. – Rosalie deu um sorriso afetuoso, voltando a olhar para os sapatos.

— Ela não me perguntou de casamento ou de netos ou nada disso. – ele deu um riso curto e guiou o olhar para o sol que estava se pondo. – Ela me perguntou coisas de você.

— Como assim? – Rosalie se virou novamente para ele, mas Emmett continuava a olhar para o céu alaranjado.

— Sobre seus gostos, sobre seu dia a dia. Acho que queria descobrir se eu realmente a conhecia? – ele conjecturou enquanto esboçava um sorriso de lado. – Depois perguntou se você estava feliz com a sua vida e eu disse que sim, que você estava muito realizada. – ele contou. – Ela disse que tinha muito orgulho de você e contou sobre ela ter te dado seus primeiros livros na infância, que ficava contente de ter contribuído para que você fosse quem é hoje. Ela não estava nada preocupada com nosso relacionamento, mas pareceu satisfeita de você estar com alguém que te conhecia bem o suficiente. – garantiu. – Ela só queria que você estivesse feliz. – ele deu de ombros e se virou para contemplar Rosalie. Os olhos da loura estavam marejados, os lábios comprimidos um contra o outro numa tentativa de evitar que lágrimas caíssem. – Ei. – ele se levantou, puxando-a com ele, e a trazendo para um abraço. – Ela não estava desapontada com você, Rose. Ela estava orgulhosa da mulher que você é. Ela até me contou que você era a neta favorita. – Rosalie soltou uma risada por entre as lágrimas e Emmett sorriu diante do som.

— Eu duvido disso. – ela respondeu, afastando-se dele para secar as lágrimas.

— É verdade. – ele garantiu com o sorriso ainda nos lábios. – Contou que você costumava ler para seu avô quando era pequena e ele estava doente, e que desde então sempre te deu livros de presente, para que você continuasse a ler para ele. – Rosalie sorriu.

— É verdade. – ela assentiu. – Meu avô adorava ler e ele começou a perder a visão quando adoeceu, então eu ia para a casa deles e passava horas lendo para ele. – o sorriso se alargou. – Lemos todos os favoritos dele e ela sempre fazia biscoitos de chocolate para gente. – lembrou com a voz afetuosa.

— Acho que foi aí que você virou a favorita. – ele decretou e ela riu novamente.

— Avós não têm favoritos. – ela afirmou.

— É claro que eles têm. – ele a contradisse, começando a se direcionar para a porta ao ver o quintal começar a tomar um tom mais escuro. – Você sabe que têm. Você mesma disse que Bella é a da sua mãe. – ele implicou enquanto estendia a mão para ela. Ela cerrou os olhos e fez um biquinho, colocando sua mão na dele e dando uma mordida no sanduíche que ele levara. – Mas você não precisa se importar com isso, porque ganhar o favoritismo das avós é muito mais importante. – ele assegurou. – Eu sei por que eu era o favorito da minha avó.

— Você é filho único! – ela apontou com uma risada.

— Eu não vejo porque isso torna meu feito menos impressionante. – ele disse com ultraje.

Retornaram para a multidão, pequenos grupos se reunindo em diferentes cômodos, comentando sobre Marjorie e relembrando suas histórias, perpassando por outros assuntos também, a família se misturando em diferentes espaços. Emmett ficou perto de Rosalie servindo como apoio moral e oferecendo a ela comida quando percebia algo que ela particularmente gostava. Em certo ponto, ele foi até a cozinha na intenção de conseguir uma garrafa de água e encontrou Esme sentada sozinha sobre um dos bancos que ficava perto do balcão. Ela olhava para uma caixa com pequenos pãezinhos sem se movimentar.

— Senhora Hale? – Emmett chamou suavemente ao se aproximar. – Você precisa de alguma ajuda? – a mulher se virou lentamente para ele.

— Não.

— Há alguma coisa que possa fazer por você agora? – ele se certificou preocupado.

— Não, querido, obrigada. – ela negou novamente. – Eu só... Eu sei que deveria estar preparada para isso, mas não estou. – as sobrancelhas se franziram. Emmett sentou ao lado dela, empático.

— Ninguém nunca está preparado para perder uma mãe. – ele discordou e Esme deu um sorriso triste, lembrando-se que ele também já passara por aquilo. Ela assentiu enquanto Emmett cobria as mãos dela com as suas.

— Mas fica mais fácil, não é? – ela disse, imaginando o próximo comentário que ele faria. Emmett balançou a cabeça lentamente.

— Desculpe, não. – ele se encolheu e Esme se virou para ele, parcialmente surpresa com a resposta. – A gente nunca esquece ou preenche essa ausência. – ele confessou e os olhos de Esme ficaram marejados, tanto por ela, quanto pelo homem em sua frente. – Mas a gente preenche outros espaços com ajuda de outras pessoas e a dor dessa ausência vai perdendo o protagonismo. – ele explicou. – E a vida continua e as coisas continuam acontecendo e alguns dias doem mais. – ele deu de ombros, franzindo os lábios. – Mas em outros a dor dá espaço a outros sentimentos e você vai conseguir se lembrar dela só com sentimentos bons e saudade. – a mais velha fungou, usando uma das mãos para limpar uma lágrima.

— Obrigada, Emmett. – ela murmurou e usou a mão úmida para dar um tapinha nas mãos juntas. – Você é um bom homem. Estou contente que você vai se tornar parte de nossa família. – ela sorriu.

Rosalie, que observava a cena da entrada do cômodo, mordeu os lábios e se afastou, dando lentamente passos para trás. Seu coração se retorceu – como se não bastasse a tragédia daquele natal, ainda tinha essa mentira enorme nas mãos. Emmett tinha feito um trabalho bem melhor do que ela imaginara e agora a família estava apaixonada por ele e, embora reticente em admitir, ela sentia que podia estar se apaixonando também, todos aqueles sentimentos de um ano atrás reaparecendo de forma vívida em seu corpo.

Tratou de se juntar à família, mantendo-se afastada dele para ter mais clareza. Ele ainda demorou algum tempo para voltar da cozinha, acompanhando Esme quando ela saiu de lá. A movimentação na casa continuou por algumas horas e no final, quando poucas pessoas ainda estavam por lá, a família se reuniu para fazer as últimas despedidas. Bella e Edward foram embora em seguida, a mulher exausta depois do dia longo e emotivo. Esme subiu em seguida após receber abraços dos filhos e Carlisle a acompanhou. Jasper fez menção de subir, mas Alice o impediu, olhando algumas coisas ainda espalhadas pela sala.

— Podem ir. – Rosalie incentivou. – Eu dou um jeito aqui.

— Tem certeza? – a baixinha checou e Rosalie assentiu.

— Tenho. – assentiu. – Eu posso usar o tempo sozinha.

— Chame se precisar. – avisou Jasper. – Mas, por favor, não precise. – ele pediu, a expressão cansada.

Rosalie esboçou um sorriso mínimo enquanto Alice rolava os olhos e seguia com o noivo na direção da escada. A casa agora estava vazia e silenciosa, uma diferença gritante de algumas horas mais cedo. Ela pegou algumas vasilhas deixadas pela sala, embora esperasse uma bagunça maior depois daquele dia. Caminhou cautelosamente até a cozinha, tentando evitar acidentes e um barulho que alarmasse a casa. Estacou na porta do cômodo ao ver Emmett com um pano de prato sobre o ombro, observando a lavadora de louças enquanto guardava alguns copos.

— Emmett. – ela disse e ele se virou na direção da voz dela.

— Oh, ei. – respondeu tirando o pano do ombro e colocando-o sobre a mesa. – Está tudo bem?

— Está. Todo mundo já foi, achei que você tinha subido também. – ela disse levando as vasilhas para a pia. Ele checou mais uma vez a lava-louças, averiguando se a nova louça caberia ali. – O que você está fazendo? – ele se voltou para ela novamente e encolheu levemente o corpo.

— Eu sei que esse é um momento difícil. – ele deu de ombros. – E não há muito que dizer para ajudar, mas eu posso fazer. – ele apontou para a cozinha.

— Você não precisa. – Rosalie garantiu.

— Eu sei. – ele assentiu. – Eu não me importo, não se preocupe.

— Eu me importo. – foi a vez dela se encolher. O genro de verdade não estava fazendo aquilo, nem sequer o irmão estava, sentia-se mal de Emmett estar naquela posição.

— Bom, não se importe. – ele sorriu. – Isso não é nada, sério. É só ocupar as mãos. Sei que vocês devem estar exaustos depois de tudo hoje. É um dia que exige muito da cabeça de qualquer um. – ela mordeu a bochecha.

— Obrigada. – ela disse por fim. – Mas, por favor, pare. Estou me sentindo culpada. – ele expirou uma risada.

— Tudo bem. – ele ergueu as mãos em derrota. – Então vamos subir e descansar. – ele orientou enquanto a guiava pelos ombros. Ela ensaiou discordar, mas a verdade é que estava cansada, então seguiu silenciosamente as instruções dele.

Mais tarde naquela noite Rosalie estava sentada no sofá, um copo de café nas mãos, o olhar travado na árvore de natal apagada. Não havia conseguido dormir, mesmo com todo o cansaço daquele dia, então decidira descer e beber alguma coisa – café era a única coisa fácil de fazer. Não conseguia parar de pensar e todos os sentimentos possíveis cruzavam sua mente. Estava angustiada com toda a farsa e com as iminentes consequências dela, tanto para sua família, quanto para seu coração. Carlisle desceu as escadas, surpreso de encontra-la acordada depois do dia longo.

— Querida, está tudo bem? – perguntou ao se aproximar. Rosalie desviou os olhos para o pai e hesitou antes de falar.

— Eu menti, papai. – ela confessou abruptamente. – Me desculpe, eu não queria mentir. Não queria mentir para você. – prometeu. O olhar de Carlisle estava confuso. – Começou como uma ideia louca e de repente... As coisas saíram do controle. Eu sinto tanto. – lamentou.

— Do que está falando, Rose? – ele franziu as sobrancelhas.

— Emmett não é meu namorado. – ela disse rapidamente e os olhos de Carlisle faiscaram. – Ele não é meu noivo. Isso tudo foi uma mentira. Eu sabia que Bella estava grávida e ia contar no natal, pedi a ele que viesse e mentisse, fingisse ser meu namorado, para que a mamãe não... bom, fizesse o que ela sempre faz, especialmente com a gravidez de Bella. – contou em um só fôlego e suspirou. – Eu não queria te enganar, me senti muito mal mentindo para você. Eu não imaginei que tudo isso aconteceria durante esse feriado, a vovó e, bom, um noivado e tudo. – ela limpou a rasa umidade dos olhos. – Me desculpe. – pediu enquanto observava o rosto do pai, que assentia, mas não parecia surpreso com seu relato. Ela tombou a cabeça, esperando uma reação. Carlisle pigarreou antes de acenar e se sentar ao lado dela.

— Eu fico feliz que tenha me contado isso, querida.

— Você não parece surpreso. – ela constatou. Carlisle desviou os olhos e Rosalie cerrou os dela. – Espere, você já sabia? – o pai olhou de volta para ela e Rosalie ergueu as sobrancelhas. – Como? Quem? – quis saber. – Meu Deus, vou matar o Jasper. Ele não é nada confiável! – declarou e Carlisle sorriu, colocando uma mão sobre o ombro da filha.

— Seu irmão não me disse nada. – assegurou.

— Então quem disse? – a loura rebateu.

— Na verdade, foi o Emmett quem me contou. – Carlisle respondeu após hesitar brevemente.

— O que?! – os olhos da mulher se alargaram. – Por que ele faria isso?

— Eu fiz uma pergunta capciosa a ele. – Carlisle confessou com um sorriso. – Ele fez um bom trabalho, tentou se sair bem, mas acabou cometendo um deslize. Quando ele viu que eu notei que algo estava errado, ele contou a verdade. – o pai disse. – Bom, na verdade ele me contou toda a história de vocês dois.

— Ai, meu Deus. – ela soou chocada. – Quando isso aconteceu?

— No dia seguinte ao pedido de casamento.

— Espere, espere! – ela ergueu as mãos. – Você está me dizendo que sabia que eu estava mentindo pelos últimos três dias? – ele assentiu com um sorriso nos lábios. – Papai! Por que não me falou nada?

— Achei que seria melhor deixar você lidar com isso da forma que decidiu. – ele deu de ombros. – Sempre deixei você lidar com suas escolhas, não pareceu correto adotar outra postura logo agora.

— Eu não acredito nisso. – Carlisle sorriu para a filha.

— E, pra ser honesto, foi divertido ver esse teatro. – ele confessou de forma conspiratória. – Você parecia genuinamente... estar contente, em alguns momentos. Achei que talvez você pudesse gostar dele. – o mais velho deu de ombros. – Eu acho que ele esperava isso também? – sugeriu.

— O que quer dizer?

— Ele claramente gosta de você. – Carlisle sorriu. – Ele não mediu esforços para agradar sua mãe e deixar uma boa impressão. Até comigo, mesmo eu já sabendo de tudo. – ele deu de ombros. – E ele foi atencioso e cuidadoso com você. Eu gostei disso.

— Pai, ele veio pra cá e mentiu pra todo mundo, inclusive para você. – ela reforçou. – Como assim você gostou dele? Pelo amor de Deus, o que esse homem faz com a cabeça de todo mundo? – perguntou horrorizada e Carlisle sorriu.

— Bom, você veio para cá e mentiu para todo mundo, inclusive para mim. – ele consertou a afirmação e Rosalie desviou os olhos.

— Eu sou da família, vocês tem que me amar apesar dos meus erros. – ela interviu e o pai riu.

— E nós amamos. – ele confirmou. – Apenas fico triste que você pensou que precisava disso para se sentir amada. – ele confessou e Rosalie se ajeitou no sofá.

— Não foi por isso. – ela contestou e o pai sorriu de forma melancólica.

— Você é uma filha incrível, Rose, e todos nós temos muito orgulho de você. – ele garantiu. – Talvez isso não tenha ficado claro para você até aqui, mas espero que fique. Eu, sua mãe e sua avó, todos nós temos muito orgulho da mulher que você se tornou. – assegurou. – Sua mãe só quer que você tenha alguém para estar ao seu lado para o que quer que aconteça, como nós temos um ao outro. Ela pode ter problemas em expressar isso, – ele sorriu – mas ela só quer que você tenha um porto seguro como esse no futuro.

— Então ela quer que eu tenha um Carlisle para a minha Esme? – ela conjecturou e o pai sorriu.

— E uma Rosalie também. – completou.

— Eu não tenho certeza que quero uma Bella. – ela fez uma careta e o pai exasperou uma risada.

— Você pode ter um Jasper. – ele cedeu e Rosalie sorriu, deixando o sorriso lentamente se desfazer.

— Eu não sei como contar a verdade a ela. – Rosalie confidenciou se encolhendo. – Ela vai morrer de desgosto. Não, ela vai me matar e depois morrer de desgosto. – o pai sorriu.

— Tenho certeza que você vai achar a melhor maneira de resolver isso. – ele garantiu e deu um beijo na têmpora da filha antes de se levantar. – Agora sem café antes de dormir. – ele reclamou tirando a xícara das mãos dela. – Quantas vezes já te falei que isso atrapalha o sono? – ralhou e Rosalie expirou uma risada. – Vá para a cama, querida.

— Certo. – ela também se levantou. – Boa noite, papai. – depositou um beijo no rosto do pai. – Obrigada. – o mais velho sorriu e a observou subir as escadas.

Ela entrou de forma silenciosa no quarto, Emmett estava sobre a cama de olhos fechados. Ela o observou no escuro, a única luminosidade vinha da janela e era escassa, não sendo suficiente para delimitar com propriedade as linhas do rosto dele. Ela sentou lentamente sobre o colchão, observando-o em silêncio e tentando entender até que ponto podia confiar naquele homem.

Por que não contara que o seu pai sabia da mentira? Por que era tão gentil com sua família quando sabia que não precisava? Por que era tão gentil com ela, uma vez que ela constantemente tentava afastá-lo? Ela sabia que ele queria alguma coisa com ela, mas não confiava nos sentimentos dele. Sequer sabia se confiava em seus próprios sentimentos. O que sabia com certeza era que ao longo daqueles cinco dias algo que ela tentara firmemente manter afogado havia subido para a superfície de seus sentimentos e estava causando estrago o suficiente para que seu coração ficasse acelerado só de observá-lo dormindo.

— Droga. – ela lamentou em um murmúrio.

— O que? – ele respondeu prontamente, fazendo os olhos de Rosalie se arregalarem e ela rapidamente se levantar.

— Deus, eu achei que você estivesse dormindo. – ela sussurrou assustada.

— Não, eu estava esperando você voltar. – respondeu. – Está tudo bem?

— Sim. – ela respondeu rapidamente, erguendo o cobertor para se colocar sob ele. – Eu estava tomando um café.

— Não é uma escolha boa antes da cama. – ele balançou a cabeça e Rosalie revirou os olhos.

— Argh, você parece meu pai. – reclamou e Emmett deu de ombros.

— Bom, nós dois somos homens inteligentes.

— Rá! – ela bufou, aconchegando-se sob o edredom, e ele sorriu antes de fechar os olhos novamente.

Notas finais
Aí está mais um capítulo fresquinho! Espero que tenham gostado! Obrigada a quem tem lido e acreditado que eu vou terminar (essa eu vou mesmo, falta só um capítulo pra postar, eu acho kakaka). Beijo grande!