Notas iniciais
Esse é nosso último capítulo! Boa leitura.

— Eu tenho más notícias. – Rosalie anunciou se deitando na cama de Jasper ao lado de Alice.

— Oh, não. – Alice arregalou os olhos. – Bella descobriu?

— Pior. – a loura balançou a cabeça. – Eu tenho sentido sentimentos pelo Emmett.

— Bem, não sei por que isso seria uma má notícia. – a baixinha revirou os olhos.

— Eu não sei o que fazer com isso. – Rosalie disse em tom melancólico.

— Que tal dar uma chance para isso, o que quer que esteja rolando entre vocês? – ela sugeriu enquanto se sentava.

— Não sei se isso é uma boa ideia. – a loura franziu o cenho enquanto abraçava o cobertor.

— Que tal talvez tentar dar uma chance a algum relacionamento, mesmo que não seja com o Emmett? – Alice tentou novamente.

— O que quer dizer? – Rosalie soou confusa.

— Quando você está namorando alguém você compartimentaliza seus relacionamentos. Por isso fica afetada assim quando “sente sentimentos” por alguém. – Alice fez aspas com as mãos. – Não estou brincando. Nós só conhecemos o James com muito esforço depois de quase cinco meses de namoro. Parece que nunca quer deixar que esses caras façam parte da sua vida, está sempre os deixando de escanteio.

— Eu não faço isso. – a loura se defendeu.

— Faz sim.

— Eu... – ela se calou, sem saber exatamente o que responder, e se levantou, ficando sentada como Alice.

— Quando se ama alguém você quer fazer parte da vida dessa pessoa e quer que ela faça parte da sua. Quer que seus amigos e sua família gostem dela também, quer que ela seja incluída. Você nunca pareceu querer isso. – Alice deu de ombros. – Nunca apresentava ninguém nem pras suas amigas e eu aposto que você consegue contar nos dedos o número de famílias de namorado que conheceu.

— Não é assim, eu sou ocupada. – Rosalie se defendeu e Alice a interrompeu.

— Ei, eu entendo. – ela ergueu as mãos. – Você é ocupada, decidida, com uma espécie de ira direcionada que pode ser charmosa para alguns caras que sobrevivam às suas ameaças, homens nunca foram sua prioridade e tudo mais.

— Eu não tenho certeza que gostei disso ou do seu tom. – a loura apontou gesticulando para o discurso da amiga. Alice sorriu.

— Só estou dizendo. – ela deu de ombros novamente. Rosalie mordeu a bochecha, pensativa.

— Eu não acho que já tenha realmente amado algum cara. – ela confessou. – Eu gostava muito dos meus namorados, mas amar... Ainda é um conceito abstrato. Eu leio sobre ele nos livros que edito e penso que o entendo, mas nunca senti aquilo.

— O amor não é como aquilo escrito nos livros adolescentes, Rose. – a morena balançou a cabeça.

— Não estou dizendo que é e nem todo livro retrata o amor de forma absurda, eu acho. O negócio é: eu vejo o amor, Alice. Vejo meus pais, vi meus avós, vejo você e Jasper, mas nunca me senti assim por nenhum dos caras com quem saí. Nunca tive vontade de me esforçar para fazer algo grandioso ou algo que tivesse um significado especial. – ela se encolheu.

— Exceto que você fez. – a baixinha pontuou, se referindo a Emmett.

— É diferente.

— É mesmo, porque você está apaixonada por ele. – respondeu em tom óbvio.

— Eu... – Rosalie mordeu os lábios, hesitando. – Eu acho que estou.

— Sem achismo, esse barco partiu há um tempo e você está nele, sem colete salva-vidas. – ela decretou.

— Eu não gosto disso, Ali. – Rosalie confessou temerosa.

— Você só não conhece isso. – a amiga a corrigiu. – Você nunca sentiu isso antes e é um pouco aterrorizante no início. – ela concedeu. – Mas ele parece gostar de você também, então isso é bom.

— Não é não. – a loura rebateu.

— Por quê?

— Ele parecia gostar de mim antes também. E isso não o impediu de fazer merda, voltar com a ex e partir meu coração no processo.

— Eu não achei que você tinha ficado tão mal por isso na época. – ela observou.

— Tá brincando? Eu nunca fui ao pilates tantas vezes na semana quanto fui naquele mês. – Alice riu.

— Isso é verdade, acho que foi a primeira e única vez que te vi se exercitando cinco dias na semana. – recordou-se. A baixinha olhou para o rosto angustiado de Rosalie e tombou a cabeça. – Você realmente gostava dele. – a loura não respondeu nada. – Tipo, realmente estava apaixonada, caidinha pelo Emmett. – Rosalie fez uma careta, mas não contestou a amiga. – Eu tinha brincado sobre isso antes, mas não achei que era tão sério.

— Bem. – Rosalie deu de ombros.

— Ele sabe? – Alice quis saber.

— Eu não sei. Sim? – ela hesitou. – Não? Eu sou bem vocal sobre como o detesto.

— Exceto que você não o detesta.

— Você mesma disse, sou uma criança traumatizada! – ela se defendeu. Alice revirou os olhos.

— Por que não age como a adulta madura que eu sei que você é, em algum lugar claramente escondido agora, e diz a ele? – sugeriu. Rosalie mordeu os lábios, ansiosa.

— Não quero correr o risco de colocar meu coração na posição de ser rejeitado novamente. – ela se encolheu.

— Ele não te rejeitou. – Alice discordou.

— Pareceu bastante com uma rejeição quando ele me trocou pela ex. – a loura ergueu uma sobrancelha.

— Tudo bem, certo. Entendo seu ponto de vista, mas Victoria não está mais na jogada, então isso não é uma possibilidade. – decretou.

— Pode ser que ele não volte pra ela, mas quem garante que não vai fazer isso com outra mulher? – Rosalie pontuou. – Ele não é confiável.

— Você confiou nele o suficiente para coloca-lo embaixo do teto dos seus pais e apresenta-lo como noivo. – ela afirmou o óbvio. – Acho que você confia nele mais do que quer admitir.

Rosalie hesitou, tomada pela verdade nas palavras de Alice. Podia bradar que não confiava naquele homem, mas havia o levado para casa e o apresentado à sua família. Deixara que aquela farsa continuasse, ao invés de fingir um término quando as coisas escalaram – durante o pedido de noivado ou quando encontraram a ex de Emmett no restaurante. Havia tido oportunidades de interromper aquilo em vários momentos e em todos eles escolhera seguir com a mentira e mantê-lo por perto. Deixara que sua família se afeiçoasse a ele, que ele participasse de seus momentos vulneráveis e que fosse incluído em momentos dolorosos.

Ela decidira ficar ali mais um dia antes de se despedir da família e ele se oferecera para ficar com ela, mesmo não precisando, mesmo que ela tivesse lhe oferecido pouco durante aquela viagem além de respostas afiadas e olhares enviesados. Ele havia sido gentil e cuidadoso, mesmo quando ela não retribuíra a gentileza. Rosalie olhou angustiada para o teto, deitando-se novamente na cama antes de Alice deixá-la sozinha.

Durante aquele dia, acompanhou a família em casa. Todos ficaram reunidos, tentando se manter firmes e unidos naqueles últimos momentos em que todos estariam ali. No dia seguinte Jasper e Rosalie partiriam e a casa ficaria mais silenciosa e quieta, a ausência de Marjorie mais gritante. Esme se apegou àqueles momentos, feliz de ter os filhos ao seu lado como apoio e distração naquele momento.

— Você está bem? – Rosalie perguntou após o almoço, encontrando a mãe no balanço que habitualmente era seu esconderijo, e Esme assentiu.

— Estou. Só é estranho. – ela respondeu. – A essa hora eu já teria ido ao hospital e ouvido os resmungos da sua avó e reclamado com ela sobre esses resmungos e contado sobre a noite anterior. – ela deu um sorriso triste.

— Sinto muito, mamãe. – ela colocou as mãos sobre as da mãe.

— Eu também. – Esme deu um tapinha nas mãos da filha. – Mas estou feliz de vocês estarem aqui.

— Vou voltar mais vezes esse ano. – Rosalie prometeu e Esme sorriu.

— Cuidado, eu vou cobrar isso. – ela apontou um dedo para a filha, que sorriu. – E traga o Emmett. – pediu. – Eu gosto dele. Ele me lembra seu pai.

— O que? – Rosalie franziu as sobrancelhas. – Eles não têm nada a ver um com o outro.

— Eles têm sim. – Esme contradisse. – Eu gosto como ele está sempre se preocupando com você, tentando ajudar por todo lado. Ele até mesmo consertou um cano pra mim, acredita? – ela deu um risinho. – Estava quebrado desde a semana passada e eu havia pedido ao Edward para consertar, porque não queria que seu pai subisse no telhado para isso. Nem contei a ele porque sabia que ele iria se soubesse. – ela revirou os olhos. – Mas seu noivo me viu reclamando e consertou. Ele nem me falou. – ela sorriu novamente e balançou a cabeça. – Só foi lá e fez. – deu de ombros. – Ele é um daqueles para se manter por perto. – Rosalie mordeu os lábios, hesitante.

— Ele é um bom homem. – ela respondeu por fim, um nó na garganta.

— Eu sei que você tem dúvidas e... – a mãe disse, apertando a mão de Rosalie. – Bella me contou sobre o término. Eu não quero que se case com ele se tiver dúvidas.

— Seu sonho é que eu me case. – ela ergueu uma sobrancelha. – Você me cobra isso desde que fiz vinte e cinco anos.

— Eu ainda quero que se case. Odeio a ideia de que você talvez vá ficar sozinha o resto da vida como sua tia Sulpicia, morando longe da família e sem ninguém por perto. – ela tremeu minimamente. – Ela não tem ninguém com quem passar os feriados, ninguém para compartilhar sobre um dia ruim ou apoiá-la durante os maus momentos. Se ela tiver câncer um dia, não vai ter ninguém lá segurando a mão dela durante a quimioterapia. Eu sei, eu sei, – ela disse antes de Rosalie conseguir interrompê-la. – você é uma mulher independente que não precisa de ninguém, eu sei, você repete isso desde que saiu de casa. – Rosalie expirou uma risada fraca. – Mas ainda assim quero que você tenha. Não porque você precisa, sei que você é completamente capaz de cuidar de si mesma. Mas pra que no futuro, quando eu e seu pai não estivermos mais aqui, você não precise ficar sozinha.

— Mãe! Você e o papai estão jovens, não vão morrer logo.

— Nós vamos algum dia. – Esme rebateu e Rosalie balançou a cabeça.

— Você definitivamente é filha de dona Marjorie. – ela resmungou e Esme sorriu.

— Só quero que você tenha alguém com você, Rose. – ela reforçou. – Mas não quero que repense essa decisão. Quero que saiba com certeza, assim como eu tive certeza quando me casei com seu pai.

— Eu vou. – ela respondeu. – Mas seria bom se você pegasse leve nas cobranças. Você pode ser insistente de uma forma agressiva. – Esme sorriu de lado.

— Você não achou que tinha puxado isso do seu pai, não é? – ela rebateu e Rosalie reprimiu um sorriso.

Mais tarde a família estava se reunindo para o último jantar, a mesa já quase toda posta quando Emmett e Carlisle seguiram para a cozinha para pegar os últimos componentes.

— Senhor Hale, obrigado por me deixar fazer parte desses últimos dias com sua família. – Emmett disse, aproveitando a privacidade da cozinha vazia. – Especialmente com tudo que aconteceu.

— Não foi nada, Emmett. – Carlisle sorriu. – Eu fico grato que você tenha ficado com a Rosalie. Sei que foi importante para ela.

— Fico feliz de poder estar com ela. – ele garantiu. – E obrigado por não contar a ela sobre, bom, você sabe.

— Sobre isso... – o homem mais velho franziu os lábios. – Ela sabe.

— O que?

— Ela me contou e acabou descobrindo que eu já sabia. – ele deu de ombros.

— Ela te contou? – Emmett repetiu.

— Sim. Acho que depois dos últimos dias ela não conseguiu mais guardar pra si mesma.

— Ah. – ele soou temeroso e Carlisle sorriu.

— Não se preocupe, não acho que ela tenha ficado brava. – o mais velho confidenciou.

— Isso é bom. – ele respondeu hesitante e o louro sorriu mais.

— Fique firme, acho que você não está fora do jogo. – aconselhou o patriarca antes de dar um tapinha no ombro do mais novo e deixa-lo sozinho na cozinha. O grandão expirou uma risada antes de pegar uma travessa de comida e leva-la para a mesa de jantar.

— Bom, amanhã isso tudo acaba e você está livre. – Rosalie disse quando eles finalmente entraram no quarto após o jantar.

— Isso é uma droga, porque eu não quero que isso acabe. – ele confessou. Ela ergueu o rosto.

— O que? – a voz soou surpresa. Emmett engoliu em seco.

— Eu não quero que acabe. – ele repetiu. – Isso. – disse apontando dele para ela de forma repetida. – Eu não quero voltar para Nova York e não ver mais você. – Rosalie umedeceu a boca, partindo os lábios porque de repente era mais difícil respirar.

— Do que está falando? – perguntou incerta.

— Eu... – Emmett expirou uma risada baixa. – Eu me diverti muito com você durante essa semana. Isso não me surpreende, porque eu sabia que seria assim. Mas eu não esperava que, quando chegasse ao final desse feriado, eu me sentiria assim. – ele disse se aproximando dela. Rosalie engoliu em seco, se recostando contra a janela que estava na parede atrás de si e pela qual estava olhando segundos antes.

— Emmett... – ele parou.

— Eu tive a impressão de que talvez... Talvez você possa se sentir da mesma forma? – ele perguntou inseguro.

— Eu... – ela segurou a respiração quando ele se aproximou mais dela, fazendo-a sentir a respiração dele próximo de seu rosto.

Ele estava perto – perto demais. Rosalie sequer conseguia pensar, com aquele homem enorme tão perto de si, o perfume dele tomando conta de seus sentidos. Emmett umedeceu os lábios e ela olhou para aquela boca, certa de que seria tão macia quanto parecia.

— Rose? – ele incentivou, sem avançar enquanto ela não dava uma resposta. Rosalie engoliu em seco novamente e assentiu, sem saber se conseguiria falar. Emmett sorriu de lado. – Eu preciso que você fale, querida. – os olhos de Rosalie se enfureceram e um sorriso se espalhou pelo rosto de Emmett.

— Eu não vou- – ela começou a falar, mas se interrompeu quando o viu começando a se afastar. – Tá! – ele parou, erguendo uma sobrancelha. – Eu... – ela deixou a voz morrer, o orgulho a fazendo engasgar. – Droga, Emmett. – ela disse, colocando as mãos no rosto dele e o puxando para si.

O homem não resistiu, deixando-a beijá-lo, mas sem se esforçar em retorno. Deixou as mãos paradas, não devolveu o beijo na mesma intensidade do último. Rosalie se separou dele e o observou, a expressão do homem obstinada, os olhos faiscando.

— Droga, Emmett! – ela repetiu. – Me beije. Eu quero que você me beije! – ela disse por fim e Emmett mergulhou em sua direção, fazendo-a se encostar contra a janela, uma das mãos no rosto dela, guiando-o em direção ao seu.

Naquele beijo ele estava investido e Rosalie conseguia claramente sentir a diferença. O corpo dele estava grudado ao dela, uma das mãos na cintura da loura, aproximando-a ainda mais do corpo largo dele. A mão em seu rosto se moveu para o pescoço, que ele usava para guiar a direção que queria, mergulhando por vezes a mão nos fios louros e agarrando-os com precisão. Rosalie arfou quando ele puxou seu cabelo, fazendo seu rosto se erguer, e passou a beijar seu pescoço.

— Eu disse a você. – ele murmurou contra a pele dela, o sorriso claro na voz. – Você ia pedir.

— Cale a boca! – ela reclamou, balançando a cabeça e puxando o rosto dele de volta para o seu.

Emmett a pressionou contra seu corpo, sentindo Rosalie se agarrar a ele como a um bote salva-vidas. Ela não hesitou, as mãos buscando a barra da blusa dele para tirá-la do caminho; ele a guiou na direção da cama, auxiliando-a a chegar aonde queria. O olhar dela não deixava qualquer dúvida de que estava certa daquilo e Emmett não deu espaço para que ela tivesse a chance de reconsiderar sua decisão.

Algum tempo depois, quando a tensão havia diminuído e ambos estavam respirando de forma mais tranquila, deitados sobre a cama, Emmett observava Rosalie deitada de barriga para baixo, as costas perfeitamente lisas seguindo nuas, a curva do quadril coberta parcialmente por um lençol, os olhos fechados, mas um dos pés se movimentando sobre a cama em um círculo lento.

— Isso significa que está tudo bem entre a gente? – ele checou com a voz preguiçosa.

— O que quer dizer? – ela murmurou sem abrir os olhos.

— Quer dizer que não está mais brava comigo?

— Eu não estou brava com você. – confirmou e ele sorriu.

— Então quer dizer que tenho uma nova chance? – Emmett perguntou.

— Isso é tudo sobre o que você pensa?

— Sim. – respondeu prontamente e ela esboçou um sorriso enquanto balançava a cabeça. – Você nunca pensou sobre isso?

— Não. – mentiu.

— Bom, eu queria ter sua disciplina, porque tentei não pensar sobre isso, mas não sei como evitar. – ele balançou a cabeça. – Tenho pensado sobre isso desde que tudo aconteceu. – ele a viu desviar o olhar, fechando os olhos novamente, o rosto levemente desconfortável. – Eu realmente gostava de você, você não saía da minha cabeça. O fato de voltar com a Victoria não mudou isso. Quando terminamos, a primeira pessoa em quem pensei foi você. Pensei em você muito desde então.

— Isso não é tão lisonjeiro quanto você acha que é. – ela alertou.

— Quando as coisas com ela acabaram, perguntei ao Jasper sobre você e ele me disse que não era uma boa ideia, mas não consegui tirar você da minha cabeça. Sei que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, mas pensei que talvez eu tivesse sorte o suficiente. – ele deu de ombros. – E acho que você também pensou em mim e não entendo porque está evitando isso. – Rosalie suspirou, abrindo os olhos.

— Não importa. – ela disse por fim. – Eu não sou ótima em relacionamentos e talvez as coisas estejam como elas devem estar. – ela deu de ombros.

— E o que foi isso? – ele perguntou apontando de um para o outro.

— Isso foi sexo. – respondeu de forma prática. – Ótimo sexo, mas só sexo. – os olhos dele faiscaram.

— Eu acho que você gosta de mim. – ele decretou. – Gosta de mim de verdade e não sei se alguma vez você sentiu algo real por alguém e acho que isso te apavora. – continuou. – Essa é a razão pela qual você nunca traz ninguém para os feriados com sua família e essa é a razão pela qual está fugindo.

— Eu não estou fugindo. – ela rebateu ferozmente, mas mordeu os lábios em seguida, sabendo que era uma mentira. Ele ergueu uma sobrancelha, desafiando-a. Ela hesitou por um momento, suspirando, mas optou pela via da honestidade. Talvez devesse aquilo a ele, a ambos. – Sempre encarei isso de outra forma diante de toda a cobrança da minha mãe. Sempre pareceu uma amarra, algo obrigatório. – ela confessou desviando os olhos dele, referindo-se aos relacionamentos e sentimentos passados. – Sempre fugi desses relacionamentos porque sempre parecia que eu não estava ali por querer aquilo e sim pra cumprir uma tabela. Mas aquilo... Isso não parece. – ela voltou a olhar para ele. – Quando nos conhecemos... Acho que me apaixonei por você antes de sequer saber seu aniversário. – ela expirou uma risada horrorizada. – Fiquei apavorada e maravilhada. E então você me magoou. Tentei não pensar nisso tudo como algo trágico, mas não consigo. Eu não quero sentir aquilo de novo.

— Você não pode ficar brava para sempre. – ele se queixou.

— Eu não estou brava com você, Emmett, – ela repetiu. – eu estou assustada. – respondeu. – Aquela foi a primeira vez que me senti segura para me abrir para aquele tipo de sentimento e tomou proporções catastróficas em um tempo recorde.

Emmett se virou, observando a expressão magoada no rosto da mulher. Ele sentiu um aperto na garganta, não tinha ideia do impacto daquela ação em Rosalie. Sabia que a tinha magoado, é claro, mas não àquela extensão.

— Não posso voltar atrás e consertar aquilo, Rose, e não estou tentando fazer isso também. – ele disse depois de um momento de silêncio, a voz arrependida. – Me arrependo de ter te magoado, mas acho que seria injusto com aquela história não dar a ela uma última chance.

— Você ainda ama Victoria? – Rosalie questionou.

— Não. – ele expirou uma risada sem humor. – Eu precisava ter certeza de que não me arrependeria e tive. Não seria justo com qualquer outra pessoa estar em um relacionamento comigo se eu ainda tivesse alguma dúvida. – ele falou. – Mas não há nada que me ligue a ela agora, essa história está mais do que terminada. – Rosalie mordeu o lábio inferior, sentindo o enrolar em seu estômago. – Mas a nossa está em aberto, esperando você querer começar o próximo capítulo. – ela sorriu frente à menção do contexto de livros, mas o sorriso não durou.

— Sei que algum dia isso vai magoar de novo, Emmett, e não sei se esse é um livro que eu conseguiria deixar para trás facilmente. – ela meneou a cabeça.

— Você não sabe isso. – ele contradisse. – E eu não posso te prometer isso. Não quero ser irresponsável e fazer promessas que não sei se posso cumprir. – ele deu de ombros antes de se deitar mais perto dela, deixando seus rostos mais próximos. – O que posso prometer é dar o meu melhor nesse relacionamento e me esforçar para ser quem você precisa; respeitar você e te assegurar que vou trabalhar duro para que você não fique com medo de algo dar errado. – ela engoliu em seco.

— Talvez você não saiba, mas sou uma criança traumatizada fruto de uma família meio disfuncional. – ela sussurrou e Emmett sorriu.

— Estou bem ciente disso. – ele garantiu aproximando ainda mais os rostos. – E adoro sua família.

— É, aparentemente você e o meu pai se tornaram muito amigos há algumas noites. – ela cerrou os olhos e o sorriso dele se tornou levemente culpado. – Como você pôde esconder isso de mim?

— Fiquei com medo de você desistir da coisa toda e me mandar embora. – confessou ainda sorrindo. – Além do mais, acho que seu pai meio que estava torcendo por mim? – ele meio afirmou, meio perguntou. Rosalie expirou uma risada.

— Eu não sei como, mas também tenho a impressão de que ele estava? – ela respondeu no mesmo tom.

— Eu disse a você, sou muito bom com famílias. – o sorriso se tornou orgulhoso e ele piscou um dos olhos. Ela riu novamente.

— Você é muito convencido, isso não deve ser saudável. – ela apontou.

— Bom, se você me der uma chance eu prometo não mudar, especialmente nesses detalhes que você mais detesta. – ele combinou e ela negou com a cabeça.

— Você é impossível. – ela decretou com uma sobrancelha erguida. Emmett sorriu novamente, levando seus lábios até os dela. Rosalie o beijou com delicadeza, lentamente. Quando se separaram, ele tirou uma mecha do cabelo louro do rosto dela e ela se recostou na direção do toque, fazendo com que ele deixasse a mão ali. – Não sei se isso é viável. – ela disse por fim. – Caso ficássemos juntos teríamos que contar para a minha família sobre todo esse esquema e tenho certeza que eles vão julgar e considerar me internar em uma clínica psiquiátrica.

— Bom, metade da sua família já sabe disso. – ele rebateu. – E nós não precisamos contar ao resto.

— O que?

— Sua mãe me adora e não quero que esse status mude. – ele disse com a expressão séria. – E não precisamos dar esse gostinho à sua irmã.

— Eles pensam que estamos noivos. – ela disse lentamente.

— Sim. – ele concordou de forma simples.

— Eles estão esperando um casamento. – ela clarificou.

— Sim. – Emmett repetiu.

— Você está me pedindo em casamento? – ela franziu as sobrancelhas e ele ergueu as dele.

— O que? Não! – ele riu. – Bem, ainda não. – ela cerrou os olhos. – Por que não deixamos que eles continuem pensando o que estão pensando? – ele explicou. – Nós moramos do outro lado do país, você mal os vê e, caso eles apareçam por Nova York, nós podemos só fingir, tal qual fizemos aqui. – ele deu de ombros. Os olhos de Rosalie se arregalaram levemente.

— Meu Deus, você realmente não quer sair das boas graças da minha mãe. – ela disse chocada. Emmett se encolheu.

— Isso é ruim? – rebateu. – Eu disse a você, vou ser o melhor genro daquela mulher, de forma que você jamais consiga apresentar outra pessoa para ela. Se algum dia você decidir me chutar, ela nunca vai te perdoar e vai te encher tanto que você será obrigada a me receber de volta. – ele garantiu.

— Você está basicamente dizendo que quer se comprometer pra vida inteira. – ela esclareceu e Emmett assentiu.

— Estou.

— É melhor ter cuidado, McCarthy. – ela alertou, movendo-se lentamente até ficar sobre o corpo forte dele. Ele subiu as mãos pelas costas dela, fazendo-a se abaixar, deixando seus rostos mais próximos. – Posso começar a acreditar em você.

— Querida, é melhor que acredite. – ele respondeu dando um beijo lento nos lábios dela. – Agora que sei como se sente não há a menor possibilidade de eu te deixar em paz.

Os olhos de Rosalie faiscaram, ela reprimiu um sorriso enquanto balançava a cabeça e se movia para mais perto dele.

- Então acho que é hora de levar essa ficção para a vida real. – ela disse por fim antes de levar seus lábios aos de Emmett mais uma vez.

Notas finais
Oi, oi! Essa foi minha fanfic natalina (com final atrasado) para vocês! Espero que tenham gostado. Quando comecei a escrever queria realmente algo mais levinho e estava vendo vários filmes natalinos, então realmente tem vários clichês e adultos agindo como adolescentes, pois essa é a essência de filmes de natal kakakaka. Obrigada a quem leu, acompanhou e deixou reviews! Fiquei muito feliz de ter gente por aqui (genuinamente não esperava). Fiquei com o coração quentinho de ver reviews e foi muito bom retornar à escrita. Quem sabe não apareço mais por aqui? Um 2025 cheio de coisas boas e bênçãos para nós! Beijo grande, Lana.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!