Um namorado de natal
1 Antes do natal.
— Não posso chegar em casa para mais um natal sozinha. – Rosalie declarou em voz categórica enquanto sentava-se na frente da mesa da amiga. – Não vou aguentar mais um natal ouvindo sobre como a essa altura eu deveria estar casada e grávida e estou solteira porque sou uma workaholic sem vida amorosa. Minha mãe tem feito chantagem emocional falando sobre como eu vou matar a minha avó de desgosto e pior: a velha realmente tem uma condição cardíaca.
A baixinha de cabelos pretos ergueu os olhos do computador onde digitava furiosamente e encarou a amiga à sua frente. Permaneceu alguns segundos em silêncio, apenas a encarando, antes de por fim responder apenas uma palavra.
— James.
— Ew! É claro que não vou ligar para o James. Como se não fosse ruim o suficiente ligar para um ex, você acha que minha família acreditaria que eu voltei com ele? – ela ergueu as sobrancelhas. – Eu tenho padrões.
Alice fez um biquinho com os lábios e movimentou-o sem parar enquanto pensava. Bateu com a ponta de um lápis incansavelmente sobre a mesa de madeira até Rosalie colocar sua mão sobre a dela e pará-la.
— Eu posso te apresentar um amigo.
— Argh, não quero sair com ninguém, Alice. – Rosalie respondeu. A baixinha ergueu uma sobrancelha, exasperada.
— O que diabos você quer, então?! – perguntou em tom irritado.
— Quero que minha família me deixe em paz durante os cinco dias em que estarei com ela e não encha o meu saco sobre estar solteira mais um ano e não gerando um feto no meu útero!
— Por que se importa com isso, afinal de contas? – Alice franziu o cenho. – É só ignorar. Finja que eles não estão falando nada e continue bebendo, como sempre faz. – Rosalie suspirou.
— Bella está grávida e vai contar a todo mundo neste feriado. – Rosalie confessou. – Eu já posso ouvir os sermões que vão me dar quando ela der a notícia e eu queria muito evitar tudo isso. – Alice franziu os lábios.
— Isso soa, de fato, irritante e sua família realmente vai pirar quando descobrir que sua irmã mais nova está grávida. – ela concordou.
— Você nem imagina. – Rosalie frisou.
— Bom, você disse que tem padrões, mas sempre tem uma opção... – a baixinha deixou a voz morrer. Rosalie esperou, mas ela não completou a ideia.
— Que opção? – insistiu.
— Leve alguém para fingir que é seu namorado. – deu de ombros. – Sua família não vai saber e você pode terminar com ele depois.
— Isso... – Rosalie começou, o cenho franzido, mas se interrompeu enquanto pensava na possibilidade. – É uma ótima ideia. Eu posso falar que ele é meu namorado e matá-lo em um acidente de carro depois. E eles não vão poder falar nada sobre eu estar solteira novamente, porque estarei enlutada pelo meu namorado que morreu! Alice, isso é perfeito! – ela deu um sorriso imenso. – Você é um gênio!
— Acho que quando você disse que tinha padrões não falava tão sério assim. – ela observou com um sorriso de lado nos lábios.
— No mundo moderno precisamos ser flexíveis, especialmente quando se trata de família. – a loura deu de ombros. – Você sabe disso melhor que ninguém. – a morena sorriu de forma conspiratória. – Quem vou levar? Não posso levar ninguém que minha família tem contato aqui, porque se eu o matar e eles acidentalmente se encontrarem tudo vai de água abaixo.
— Verdade. – a baixinha concordou voltando a digitar. – Contrate um ator. – deu de ombros.
— Não sei se posso levar um completo estranho, eles sabem que eu não levaria para casa alguém sem que eles sequer conhecessem ou ouvissem falar da pessoa. – ela franziu o cenho.
— Você precisa começar a ter ideias você mesma, não posso resolver todos os seus problemas. – Alice ralhou e Rosalie fez uma expressão afetada.
— Claro que pode, você foi contratada para isso. – a loura rebateu e Alice sorriu de lado.
— Fui mesmo. – ela concordou com um risinho. – Bom, eu tenho uma ideia, mas você não vai gostar. – Rosalie cerrou os olhos.
— Eu não gostei disso e você ainda nem falou.
— Lembra quando sua família veio de surpresa te visitar e você estava saindo com aquele agente esportivo?
— Ugh, como esquecer aquela experiência trágica?
— Bom... – Alice deixou a ideia no ar.
— Não! – Rosalie esticou a palavra, a voz mortificada.
— Sua família já o conhece e, ei, depois de tudo você ainda pode mata-lo. Não é como se não quisesse fazer isso de toda forma!
— Jamais, eu repito, jamais vou falar com Emmett McCarthy novamente! – ela decretou.
— É perfeito. – Alice estabeleceu. – Sua família o viu no final do ano passado, o que dá um período de tempo sólido para um relacionamento sério que gere um luto importante e não é um total estranho.
— Apesar da sua lógica impecável, – Rosalie disse com humor ácido na voz. – o que te faz pensar que eu pediria ajuda a ele?
— Bom, acontece que eu sei, por fatos concretos, que Emmett se sente mal pelo que aconteceu-
— Rá! Como deveria! – Rosalie interrompeu.
— E tentou entrar em contato com você desde então para se desculpar. – a baixinha continuou como se Rosalie não tivesse falado. – Essa é a oportunidade perfeita para que você o perdoe e ele faça algo por você no processo.
— Eu tenho certeza que o McCarthy tem coisas mais interessantes para se envolver do que na minha vida amorosa no momento, assim como tinha durante aqueles dois meses que saímos. – ela resmungou. Alice franziu os lábios.
— Olha, sei que não gosta dele. Ei, eu mesma tenho minhas ressalvas às vezes. – ela ergueu as mãos em rendição. – Mas o Jasper me falou que ele se sente realmente mal pelo que aconteceu entre vocês e que tentou te ligar várias vezes nos meses seguintes para se desculpar, mas você não deu oportunidade alguma.
— É claro que não! – Rosalie se defendeu.
— Também sei – Alice continuou. – que ele não tem nenhum compromisso para o natal, pois ele comentou com o Jasper que ficaria pela cidade quando saíram juntos umas duas semanas atrás. Aliás, eu decidi que Jasper e eu vamos passar o natal com meus pais porque não quero aguentar o rojão da sua família esse ano. – ela deu um sorriso culpado. – Nada contra sua família, amo meus sogros, mas tudo tem limite. – ela reprimiu um sorriso. A loura gemeu.
— Eu não acho que seja uma boa ideia. – Rosalie discordou.
— É a melhor ideia. – Alice garantiu. – Ei, por que não fazemos assim: você vai jantar na minha casa hoje, chamamos o Emmett, você dá a chance dele se desculpar e vê como as coisas se desenrolam?
— Isso tem desastre escrito do início ao fim. – a mais alta decretou e Alice sorriu.
— Então você estará em casa. – ela terminou a conversa com um sorriso.
Naquela noite, Rosalie foi até a casa do irmão mais velho e de Alice, vestida em uma calça jeans e suéter verde escuro, se arrependendo a cada passo que dava. Repensou a decisão de estar ali a cada segundo, mas antes que mudasse de ideia tocou a campainha. O irmão foi quem a atendeu, recepcionando-a com um abraço apertado e deixando-a entrar.
— Alice já me deixou por dentro de tudo. – disse assim que fechou a porta atrás dela.
— O que?! – ela retorquiu.
— Um namorado de mentira para acalmar os ânimos da mamãe, genial! – ele sorriu. – Vão ficar desolados quando perderem o genro, mas ei, quem sabe você não arranja um novo e mata alguém daqui uns dois anos novamente?
— Eu odeio sua noiva. – ela reclamou e Jasper sorriu.
— Ela pode causar isso nas pessoas em alguns momentos. – deu de ombros. – É um dom natural. – Rosalie revirou os olhos.
— Acha que pode dar certo? – ela perguntou por fim.
— Por que não daria? – ele deu de ombros novamente e Rosalie suspirou. – Ei, eu sei o quanto odeia toda a cobrança dela. Se acredita que isso a fará sair um pouco do seu pé, faça. É sua vida, ela não deveria se meter tanto. É claro, novamente, é a sua vida e a opinião dela não deveria importar tanto... – ele parou ao ver a expressão da irmã e sorriu afetuosamente. – Acho que pode dar certo. – confirmou.
Alice estava terminando de cozinhar o jantar – amava fazer aulas de culinária e todas as ocasiões em que podia usar aqueles dotes –, então Rosalie foi guiada até a sala, onde Jasper a serviu com uma taça de vinho. Quando estava servindo a dele, ouviu a campainha tocar e se dirigiu até a porta.
Rosalie respirou fundo, questionando novamente a ideia de Alice e sua própria capacidade mental, já que decidira concordar com a cunhada. Aquilo claramente ia dar errado, nem sequer gostava de Emmett. A única parte boa disso era matar, mesmo que de mentira, aquele homem depois. Rosalie virou a taça, bebendo todo seu conteúdo, e estava a enchendo novamente quando Jasper entrou na sala com Emmett.
Ele estava lindo, como ela se lembrava dele ser. Ombros largos, olhos azuis brilhantes, barba bem feita, covinhas insuportavelmente charmosas na bochecha. Meu Deus, só de olhar para ele já sentia o rancor fervilhar em seu corpo; o rosto automaticamente se fechou em uma careta.
— Emmett, você se lembra da Rose. – Jasper disse em tom bem humorado e Rosalie o fuzilou com os olhos.
— Como poderia esquecer? – Emmett devolveu com um sorriso, caminhando hesitante na direção dela. Avaliou a reação dela com cautela antes de estender a mão para cumprimenta-la; Rosalie observou o convite como se fosse uma cobra traiçoeira, antes de por fim apertá-la. – É bom te ver de novo.
— Emmett. – foi tudo que ela respondeu.
— Aqui, por que não pega essa taça? – Jasper ofereceu ao amigo. – Vou buscar outra na cozinha e checar se Alice precisa de algo, volto logo. – avisou antes de sair do cômodo, a tensão gritante ali.
Os dois se olharam, Rosalie claramente descontente. Precisava se lembrar de que não podia continuar daquela forma, afinal, precisava que aquele homem concordasse com uma mentira e em passar a noite de natal com sua família. Ela precisava de algo dele, então era melhor colocar um sorriso no rosto e ficar tão bem comportada quanto possível.
— Então... Faz bastante tempo que não te vejo. – ele tentou, avaliando o terreno. Rosalie girou, ansiosa, um dos anéis de seu dedo.
— Você pode imaginar por que. – rebateu antes que conseguisse evitar. Emmett sorriu, sem graça, enquanto Rosalie se batia mentalmente, lembrando-se de que precisava se comportar, por Deus!
Sentaram-se em silêncio, a tensão ainda desconfortável entre eles, esperando Jasper retornar. Rosalie agarrava-se à taça de vinho como a um bote salva-vidas – girando-a nas mãos, bebericando seu conteúdo, analisando os tons de vermelho que carregava.
— Rosalie, eu... – Emmett começou, ponderando se um pedido de desculpas ajudaria o clima a melhorar.
— Não. – ela ergueu uma das mãos. – Só não. – ele ia voltar a falar quando ela o interrompeu. – Emmett. – disse com precisão.
— Oi! – Alice disse de bom humor entrando na sala. – Emmett, quanto tempo! É tão bom vê-lo. – continuou enquanto preenchia a sala com sorrisos e suavidade.
Rosalie respirou fundo mais uma vez, lembrando-se que precisava daquele homem, ela precisava dele, então era melhor que conseguisse lidar com a presença de Emmett. Já havia vasculhado a cabeça pensando em qualquer um que pudesse usar no lugar do amigo de Jasper, mas nada parecia viável – nem mesmo um ator, já que ela já buscara aquela alternativa. Não tinha como pagar alguém durante o feriado – todos eles queriam valores absurdos para trabalhar no natal, uma vez que a maioria queria estar com sua família. Sem mencionar aqueles que a olhavam como se ela fosse louca – o que àquela altura era um debate recorrente em sua cabeça.
E, querendo ou não, a família descobrira que ela tinha saído com Emmett. Quando Esme e Bella visitaram de surpresa, ouviram sobre Emmett e haviam visto os dois saindo juntos de um restaurante. A família compraria a história facilmente. Depois Jasper só precisaria nunca mais deixar Emmett por perto de ninguém da família e esse era um preço que Rosalie estava mais do que contente em deixar o irmão pagar.
Rosalie tentou ficar menos desconfortável, se misturar à conversa que se desenrolava na sala, vendo os olhares de incentivo de Alice. Com muito esforço, respondeu às perguntas que Emmett a fazia de forma educada. Ao notar que Rosalie continuava tensa, Alice decidiu passar a reunião para a mesa, onde poderiam começar a refeição – é claro, enchendo a taça da amiga no processo, ciente de que álcool era algo que deixaria a loura menos irritada.
— Por que não se sentam? – Jasper ofereceu. – Vou ajudar a Alice a trazer a comida. – sorriu simpático antes de sair da sala. Emmett umedeceu os lábios, olhando a expressão amuada de Rosalie.
— Você está bem quieta hoje. – ele observou. Ela deu um longo gole antes de responder.
— Você devia aproveitar meu silêncio. Minhas palavras iriam acabar com você. – ele deu um sorriso de lado. Talvez o álcool não tivesse sido uma ideia tão boa assim.
— Sempre gostei do seu jeito gentil. – ele comentou. – Mas está especialmente afetuosa hoje. – Rosalie fechou os olhos e respirou fundo. Alice e Jasper voltaram com as travessas, então, e todos se serviram.
A refeição estava impecável, como tudo que Alice fazia na cozinha. Os quatro conversaram enquanto comiam, Jasper e Emmett falaram sobre o trabalho e sobre o casamento de um amigo próximo que aconteceria dali a dois meses – Rosalie quase grunhiu ao ouvir sobre o evento.
— Então, agora que já terminamos o jantar, devemos ir para os negócios? – a baixinha sugeriu animada depois que todos já haviam terminado de comer.
— O que? – Rosalie franziu as sobrancelhas.
— Oh, certo. – Emmett assentiu. – Jasper disse que você queria discutir algo comigo.
— Achei que era importante ele vir preparado. – o louro sorriu divertido. Rosalie mordeu o lábio para segurar um palavrão.
— Certo. – disse lentamente. Emmett a observou, aguardando. Rosalie permaneceu em silêncio, repensando tudo aquilo.
— Então? – ele incentivou. Rosalie virou o conteúdo de sua taça de vinho, passando a língua pelos lábios em seguida.
— Eu... – ela olhou insegura para Alice, que assentiu, a incentivando. Aquela era uma péssima ideia, era melhor desistir. – Eu... – pensou na família, na mãe a julgando por mais um feriado sem ninguém, por tanto tempo solteira enquanto seus irmãos já estavam em relacionamentos sérios e sua irmã mais nova estava prestes a dar o primeiro neto à família. Ela suspirou.
— A Rosalie precisa de um namorado de mentira! – Alice exasperou, impaciente com a cunhada.
— Alice! – Rosalie ralhou. Emmett franziu as sobrancelhas.
— O que? – ele perguntou, Jasper observava a cena em silêncio, um riso discreto no rosto enquanto dava goles no vinho.
— O que? Você precisa! – Alice respondeu para Rosalie antes de se virar para Emmett. – Rosalie precisa que alguém passe o natal com a família dela e finja ser seu namorado e você é perfeito para isso.
— Por quê? – ele soou confuso. Rosalie suspirou profundamente, metade humilhada, metade arrependida.
— Minha mãe é muito... crítica. – ela disse ao mesmo tempo em que Alice completava a frase com a palavra “irritante”. A loura revirou os olhos enquanto a baixinha sorria. – Ela vem implicando comigo por não ter um relacionamento sério e estou sem paciência para enfrentar os cinco dias na cidade ouvindo sobre como deveria estar com alguém. – ela revirou os olhos novamente.
— A Esme é um amor, mas acha que a Rosalie deveria estar casada com cinco filhos, o que é um pouco irritante. – Alice adicionou. – E Bella está grávida, vai anunciar no natal, o que implica em falatório dobrado sobre nossa querida solteirona aqui.
— Não sou uma solteirona. – Rosalie se defendeu fazendo uma careta para a amiga.
— Então por que precisa de um namorado de mentira? – a baixinha ergueu uma sobrancelha.
— Porque não tenho tempo ou paciência para me envolver com ninguém no momento. – a loura rebateu.
— Pois você deveria! Deveria procurar um homem para cuidar de você quando estiver velha e doente e te dar filhos que vão te dar netos!
— Você não deveria ser minha amiga? – perguntou ofendida. Alice deu um risinho e se virou para Emmett.
— Viu? É assim que a família dela age e é por isso que ela precisa de um namorado de mentira. – ela sorriu e tombou a cabeça. Jasper riu baixinho, afagando o ombro da noiva.
— Ela sempre foi muito boa em expor argumentos. – ele comentou com uma piscada de olho para a irmã. Rosalie suspirou. Emmett, que continuava em silêncio, se viu sendo observado por todos.
— Eu... Isso é muito estranho. – ele respondeu por fim. Rosalie quase se encolheu.
— Você está certo. Você não precisa fazer isso. – ela decretou, preparando-se para levantar e sair correndo daquela casa.
— Eu não disse isso. – ele rebateu. – Eu posso fazer isso.
— O que? – foi a vez dela perguntar e Alice sorriu, vitoriosa por sua ideia estar dando certo.
— Eu posso ser seu namorado de mentira. – ele assentiu.
— Por quê? – Rosalie franziu as sobrancelhas, a voz quase incrédula. Emmett expirou uma risada.
— Você me pediu isso. Não queria que eu aceitasse?
— Eu... – ela começou, mas se interrompeu.
— Você sabe do que? – Alice se virou para o noivo. – Talvez nós devêssemos passar o feriado com sua família. – Jasper sorriu.
— Mudando de ideia tão cedo? – ele perguntou de volta. Alice reprimiu um sorriso ao olhar para a expressão ambivalente de Rosalie enquanto encarava Emmett.
— Algo me diz que esse natal vai ser um natal e tanto. – ela confessou e Jasper balançou a cabeça enquanto ria baixinho, puxando a noiva para seus braços e beijando o topo de sua cabeça.
— Eu deveria te levar para casa? – Emmett ofereceu ao final do jantar, quando eles haviam se despedido do casal anfitrião e estavam saindo da casa destes. – Já que você é minha namorada e tudo. – ele sorriu. Rosalie franziu o cenho.
— O que? Não! – respondeu. – De jeito nenhum. Nós não temos que nos ver ou interagir, a não ser enquanto estivermos na casa dos meus pais. – decretou.
— Ouch. – ele respondeu, fingindo estar ofendido e seguindo-a enquanto ela se dirigia em direção a seu carro. – Eu não entendo porque você age como se me odiasse. – ele encolheu os ombros. Rosalie virou o rosto na direção dele, parando de uma vez, as sobrancelhas levemente arqueadas.
— Não entende? Você me deixou- – ela parou de súbito e expirou com força, antes de colocar um sorriso plástico em seu rosto. – Eu não te odeio. Eu simplesmente não me importo com você. – disse antes de voltar a caminhar. Ele engoliu um sorriso.
— Não devíamos conversar pelo menos para acertar os detalhes dessa mentira elaborada pra sua família? Não posso simplesmente chegar lá do nada sem qualquer informação. – justificou e ela parou na porta de seu carro. Ele estava certo, é claro.
— Tudo bem. – concordou por fim. Emmett sorriu.
— Nós podemos jantar e conversar sobre isso. – sugeriu.
— Não mesmo. – ela rebateu. – Podemos tomar um café e acordar todos os detalhes. Eu peço seu número ao Jasper e te aviso quando. – disse abrindo a porta do carro.
— Meu número ainda é o mesmo. – ele avisou.
— Eu não tenho o seu número. – respondeu enquanto batia a porta.
Emmett reprimiu um sorriso enquanto via o carro dela partir com velocidade. Rosalie realmente o odiava e ela tinha todo direito, é claro, mas ainda assim havia gostado de vê-la depois de tanto tempo – gostava muito daquela mulher, queria amenizar as coisas com ela há séculos e estava animado com a possibilidade de, com sorte, resgatar algum vínculo entre eles.
Eles se encontraram em uma cafeteria na semana seguinte, três dias antes da viagem. A decoração do local era toda em verde e vermelho e Rosalie combinava com as cores, usando um casaco verde escuro e cachecol vermelho. Estava em uma mesa em um canto quando Emmett chegou e ele pediu um café antes de ir encontra-la.
— Rose, ei. – ele sorriu ao se sentar.
Ela estava com um notebook em sua frente, digitando furiosamente. Ergueu um dedo rapidamente e o abaixou, continuando a digitar rápido e sem olhar para ele. Emmett aguardou pacientemente, observando-a terminar o que quer que estivesse fazendo. Ela demorou cerca de dois minutos e então ergueu os olhos, tirando os óculos que usava e os colocando sobre a mesa, ao lado de seu chocolate quente.
— Desculpe, oi. E-mail urgente. – explicou apontando para o notebook.
— Sem problema. – ele respondeu e recebeu seu café, agradecendo à atendente.
— Então, eu fiz algumas fichas para que você possa decorar algumas coisas. – ela disse, colocando na frente de Emmett uma pilha de papeis coloridos. Ele ergueu levemente a sobrancelha. – Todos os dados aí são importantes, então, por favor, se dê ao trabalho de ler.
— Isso é... bastante coisa. – ele disse, folheando superficialmente os papeis.
— São detalhes importantes – ela frisou. Ele balançou a cabeça, preferindo deixa-la de bom humor.
— Ei, você não me deu muito espaço para isso na semana passada, então eu só queria dizer que sinto muito. – ele começou e Rosalie revirou os olhos, já pronta para interrompê-lo. – Não, de verdade! – ele ergueu uma mão em um pedido silencioso para que ela o deixasse continuar. – Eu não queria te magoar, o que aconteceu foi-
— Está brincando comigo? – ela interrompeu. – Você me convidou para um casamento fora da cidade e quando cheguei ao lugar você estava lá com sua ex. – ela disse. – Eu nunca fui tão humilhada.
— E eu sinto tanto por isso. – ele respondeu. – Eu sei que fui horrível, eu só...
— Esqueceu que tinha convidado outra pessoa? Esqueceu que estava saindo com outra mulher? – ela ergueu uma sobrancelha. – Estava tão inebriado de amor que não conseguiu pegar o celular e mandar uma mensagem? – o tom de deboche era claro e Emmett se encolheu.
— Não foi assim que aconteceu. – garantiu.
— Me poupe, Emmett. – ela suspirou.
— Sério, não foi isso! – ele garantiu. – Tentei falar com você, te explicar as coisas, mas você se recusou a atender minhas ligações. – se justificou.
— Sim, achei que isso fosse explicação suficiente de que eu não queria ver você nem pintado de ouro. – ela tombou a cabeça com uma expressão incisiva.
— Eu não planejei aquilo. – ele disse. – Nada era pra ter sido como aconteceu. Eu-
— Voltou com sua namorada naquele fim de semana. – ela completou.
— Não! Quer dizer, sim, mas isso não foi planejado. – ele prometeu. – Eu posso explicar.
— Eu não quero ouvir. Não quero explicações, Emmett, não quero falar sobre isso. – decretou. – Quero encerrar esse assunto, falar estritamente sobre o que precisamos falar e sair daqui o mais rápido possível. Já basta ter que enfrentar o feriado com você, não preciso fazer hora extra aqui. – resmungou irritada e Emmett fechou a boca, conformado.
Ele sabia que ela havia ficado magoada, mais do que aquilo; sabia que precisaria de paciência, então engoliu as explicações e deixou que ela guiasse a conversa para o que queria, de fato, falar e Rosalie se pôs a contar a história de amor do casal que viajaria junto dali a três dias.
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