Um lugar chamado liberdade
2 Apenas um dia normal.
Notas iniciais
Esta é uma manha bem fria, pelo menos é o que meu irmão diz, os termômetros marcam -17ºc e já estão considerando como o dia mais frio em 20 anos. Caminho lentamente para a parada de ônibus, enquanto caminho as pessoas olham pra mim como se eu fosse algum tipo criatura estranha. (não sou nada normal confesso, mas isso todo dia irrita). Com o grande acumulo de neve nas ruas os carros que ainda transita derrapam e por hora ou outra causam um acidente, os responsáveis pela limpeza dizem que não tem verba o suficiente mas todos sabem que esse dinheiro é desviado.
O ônibus chega e pelo horário esta praticamente vazio, me sento próximo a porta do fundo, me sento na janela e coloco minha mochila no banco ao meu lado. Meu nome é Nathanael Lukarovch von Wolfran, tenho 22 anos e 1,92 de altura, sou quase albino e por quase digo que não tenho problemas com apele, mas meu cabelo é prateado e possuo heterocromia (porque ser anormal é pra poucos), onde meu olho esquerdo é castanho claro e do direito é azul.
Fico olhando pela janela até pararmos na rodoviária. "Quem é que vem pra esse fim de mundo?". A pessoa que sobe me chama a atenção, ele é pequeno com 1,67 no máximo, tens o cabelo castanho com um leve tom de vermelho, os olhos são tão vermelho como o mais puro sangue e a pele tão alva como a mais imaculada neve. " Parece até a branca de neve". Ele vem até a minha direção e com pequeno sorriso ele " ganha o seu coração e o torce com as pequenas mãos ainda com esse doce sorriso"
—Posso me sentar?
—Claro.- Eu retiro a minha bolça do assento, ele se senta e coloca uma mala sobre seus pés. Eu viro o rosto e continuo olhando para o caminho que o ônibus faz até a faculdade, percebo pelo reflexo do vidro que o garoto continua olhando pra mim ainda com o sorriso.
Pouco tempo depois me levanto e aperto o botão de aviso, fico esperando em frente a porta. Ela se abre e um vento cortante passa por mim, eu desço e meus pé afundam em quase 30cm de neve. Com apenas três passos de distancia sinto meu estomago embrulhar e um forte gosto de sangue invade minha boca, sinto o tempo ficar mais lento, olho para os lados procurando a causa e ao me virar de costas vejo o jovem de olhos vermelhos indo pela direção oposta a minha.
Seus passos são lentos que parecem de morar minutos, percebo pelo cheiro que o vento trás o queimado de borracha e como um impulso sinto o meu corpo se mover sozinho, sinto o meu coração pulando no peito tão forte e tão rápido que chega a doer, meus movimentos são difíceis pela gosma do tempo que parece me segurar no lugar mas que não me impedem de tentar salvar o garoto da possível morte. Eu seguro o seu braço e o puxo pra mim. o tempo volta ao normal e em um piscar uma caminhonete atravessa o ônibus que por centímetros não nos acerta.
Fico alguns poucos minutos parado, eu pego a mala do outro de sua mão e o puxo para sairmos do local, pessoas passam por nos, algumas para tentar ajudar outras pela curiosidade.
Arrasto o garoto até a frete da faculdade (perdi até o animo pra estudar) e paro próximo a um ponto de táxi. Me viro para ver o jovem que mantem sua cabeça baixa, passo a mão pelo seu rosto erguendo-o. Seu rosto esta vermelho, seus olhos estão opacos e sem vida alem de lagrimas que escorrem pelo seu canto.(Droga, estão olhando pra gente) Eu passo a manga da minha blusa pelo seu rosto para secar suas lagrimas "que intimidade é essa?" (boa pergunta, eu também não sei).
—Qual o seu nome?- Tento mudar o clima. Tem algo nele que me faz querer abraça-lo, colocar num potinho e depois num cofre. " talvez seja os olhos" (talvez seja).
—Alexander
Ele fala tão baixo que se eu ouvisse normalmente não escultaria.
—Muito bem. Que tal irmos beber algo quente?
—M-mas eu . . .
—Vamos, você paga como agradecimento.- Volto a puxa-lo, sinalizo para um táxi que para na nossa frente, abro a porta e ajudo Sasha com a mala. Falo o endereço pro motorista, passamos todo o trajeto em silencio, ouvido o radio do carro que toca uma musica antiga. Em poucos minutos entramos no centro comercial. O carro para e descemos, entro no restaurante logo em frente e o garçom nos leva ate uma mesa mais ao fundo.
—Você ta bem?
—Uhum, q-qual o seu n-nome?
—Nathanael. Você me preocupou quando começou a chorar.
—Obrigado.
—Pelo que?-" a resposta não é meio obvia?" (quero ouvir da boca dele, não sei se vamos nos ver tão fácil, essa pode ser uma oportunidade unica)
—Por salvar minha vida.
A garçonete que nos atende é minha amiga de infância.
—Bom dia Lobo, matando aula?
—É quase isso. Estou cobrando um favor.
—Mm, entendi, sorte sua- ela se aproxima do meu ouvido e fala bem baixo -Onde você conseguiu esse, que vou buscar um pra mim?
—Na rodoviária.
—Não brinca.
—Sera que da pra anotar os pedidos Mika?
—Certo, que stress. o seu é o de sempre, e você o que vai ser?-ela pergunta olhando para o pequeno a minha frente.
— um café com creme, por favor.
—Certo, eu já volto com os pedidos.- Ela sai deixando um silencio entre nos dois.
—Porque ela te chamou de lobo?
—É um apelido de infância
—Entendo
Mikhail volta com os pedidos e passa a conversar com o Sasha, pelo menos até chegar ao seu nome.
—Por que Sasha se meu nome é Alexander?
—Sasha é apelido comum pro seu nome, por aqui tem muitas pessoas com o mesmo nome que o seu e talvez alguma mãe queria uma menina e não conseguiu então passou a chamar de Sasha.- Explico antes de um possível ciclo de reclamação.
—Bom, sobre o apelido é verdade agora sobre a mãe é apena historia pra dormir.- Mika fala em um tom brincalhão.
Ela tem 17 anos, olhos castanhos e cabelos da mesma cor com algumas mechas mais claras, com toda certeza ela é mais alta que ele, com 1,74 e um corpo desejável é de dar inveja alem de uma personalidade muito forte. Ela se despede e sai pra atender outras pessoas, bebo meu chocolate com menta enquanto Sasha fica com o café. Não demora pra que ele comece a chorar de novo.
—Onde você vai ficar? não posso te deixar pela cidade desse jeito.- Falo calmo, do mesmo modo que se fala com uma criança perdida.
—Na pensão da senhora Might.
—É caminho de casa então fica mais fácil.- me levanto e ele me segue — você paga a conta- ele concorda com um aceno.
Andamos pelo centro, pelo menos até a metade dele antes de virarmos, sigo em frente depois viro em mais algumas esquinas eté eu parar em frente a pensão, Alexander bete nas minhas costas por ficar olhando para o chão. Me viro e fico olhando para ele.
—Aconteceu mesmo não foi? digo, o acidente?- Ele aparenta estar meio abalado ainda.
—. . .- Fico olhando para o seu rosto confuso.
—Como... por que você me salvou?
—Tambem não sei, agi por impulso.
—Eu não sei como agradecer, eu te devo minha vida.
—Não precisa exagerar, e alem do mais, você precisa da sua vida mais do que eu, então não desperdice ela. bom, nos vemos por ai.
Saio andando sem dar tempo dele fazer mais perguntas, continuo o meu caminho virando em mais algumas esquinas. Sinto um ar gélido passar pela minha nuca arrepiando todo o meu corpo,meu estomago volta a embrulha e o tão conhecido sabor volta a ficar em minha boca. Paro os meu passos e o tempo começa a congelar como o próprio clima. Ouço o som de derrapagem e sinto o cheiro de borracha queimada, um carro passa por mim girando quando bate na guia da calçada e vira de ponta-cabeça, quando finalmente resolve parar em um poste que o deixa envergado ao meio. Abaixo desse monte de ferro retorcido óleo, gasolina e sangue se misturam formado uma poça de destruição e horror, ouço os fios da rede elétrica se romperem, eles chicoteiam tanto o ar quanto o chão e como se não bastasse um dos fios acerta a poça com mistura fazendo tudo arder em chamas. Ainda com a lentidão do tempo ouço o grito estridente de uma mulher em meio as chamas.
O tempo volta ao normal, eu dou a volta nos destroços em chamas e continuo o meu caminho, pessoas surgem para ver o ocorrido, algumas usam seu telefones para chamar ajuda de bombeiros ou da policia.(acho que deveriam ligar para o necrotério)Continuo caminhando pra casa e um doce sorriso se forma em meus lábios. "como é doce o sabor do sangue, mas é ainda mais doce quando esse sangue esta em nossas mãos". É assustador mas tão belo.
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