Notas iniciais
Ahhh é difícil criar romances, mas é divertido passar os sentimentos como autor pro personagem.

–Você guardou a sua não foi? — Sua voz sai atrás de mim enquanto me perdia em memórias nostálgicas.

–É... guardei. — Respondo rápido sem tirar os olhos da fotografia.

–Kiilua... sobre o que aconteceu na chuva — Ele fala do nada sobre o assunto, não pensando duas vezes sobre tocar na ferida. Quer dizer, não é uma ferida o que houve na chuva, mas na minha cabeça tudo está conectado aos meus erros e aos dele e tudo se embaralha mais e mais — Eu falei sério Killua!

Ao dizer isso, Gon se aproxima e fica a pouco menos de um passo de mim, me encarando. Posso sentir novamente... o cheiro que quase havia esquecido, mas continuava em minha memória. O cheiro de gramado pela manhã, de orvalho agradável da natureza. Pode soar algo clichê ou forçadamente romântico, justo eu fazer esta ligação. Mas quando o assunto é Gon, não consigo negar. Não mais... Ele me traz sensações e sentimentos que meu coração já não aguenta negar. E suas palavras agora me dão a certeza que eu precisava sobre tudo. Chega de fugir, de sofrer ou de desistir.

–O que era sério afin... — Outro beijo me pega de surpresa, desta vez intenso e desesperado, Gon me segura os braços com força e me beija de uma maneira que eu jamais imaginaria presenciar... muito menos imaginar sentir tal beijo. Com muito esforço me separo dele, empurrando seu peito pra trás e o encaro tomando ar.

–Killua... — Ele demonstra estar desapontado e surpreso, não quero demonstrar não ter gostado ou evitá-lo, mas neste momento por mais que eu o deseje mais que tudo em minha vida, eu preciso tirar minhas duvidas. Ou me torturarão futuramente, me tirarão a segurança e determinação que tenho agora pra enfrentar isso tudo.

–Gon, eu também. Eu também... EU TAMBÉM...

Quando dou por mim já gritei isso sem conseguir terminar a frase. Por que é tão difícil ser como Gon? Dizer as palavras que penso? Soltar os sentimentos que sinto? Com o rosto vermelho e, sem perceber estou chorando enquanto o encaro com os punhos cerrados. Alguns poucos mas demorados segundos se passam, e Gon esboça um sorriso.

–Eu não sou surdo Killua. — Gon não parece ter o repentino rosto de insegurança que lhe dei ao separar nosso beijo. Parece ter recuperado a situação.

–Foi minha culpa, eu... — Outro beijo, agora rápido e delicado, aparentemente pra me calar. Suas mãos passam pelo meu rosto, como que numa carícia, pra limpar minhas lágrimas que caem sem que eu possa sentir nada.

–Killua, eu já sabia. De tudo, o motivo de você estar no hospital, porque você chorou ontem e porque fugiu hoje ao ver que eu estava com seu diário. — Tento mexer a boca pra falar mas Gon me interrompe de novo — Não li seu diário, eu juro. Respeitei e sempre vou respeitar sua privacidade. Porém eu deduzi que era algo assim... Killua, eu sou a pessoa que melhor te conhece.

Não posso me conter, ouço meus soluços chegarem a atrapalhar suas palavras enquanto choro, tento segurar mas agora não caem lágrimas de desabafo ou tristeza. Eu estou feliz. O rumo que tudo está tomando me da insegurança e uma vergonha tão grande que jamais senti antes, mas apesar de não entender porque, não paro de chorar.

– Não achei que precisava dizer ou demonstrar já que parecíamos estar bem, mas isso causou problemas. Eu deveria ter dito antes, não fui sincero com você Kill. Me desculpe.

– Não se desculpe... a culpa é minha... — Minha voz sai num tom baixo e vai diminuindo, estou sem forças. Tamanha é minha euforia agora. Dentre todas as palavras agradáveis e consoláveis que Gon poderia me oferecer, pude ouvir tudo o que sequer sonhei, por medo de me iludir. Gon... me ama!

– Então estamos quites. Que tal assim? Agora estamos resolvidos certo?

Ele fica me encarando fazendo um leve sorriso. Penso em perguntar-lhe mais coisas, mas todas as respostas me foram dadas automaticamente em seu sorriso, e o fim da conversa é oferecido com sua mão estendida a mim.

– Chega de fugir. Vamos comer pizza Killua?

Ele é assim, Gon é simples. E logo eu, que julguei tudo tão complicado, fugindo e me fechando em tristeza e escuridão, fui liberto novamente por ele. Tudo foi resolvido da sua maneira, com um sorriso e palavras sinceras.

Suspiro fundo, enxugo as lágrimas e encaro de relance seus olhos confiantes. Dou um pequeno e sutil tapa na mão estendida e passo por ele com a cabeça baixa. Ele logo me acompanha, sorrindo e logo puxando assunto aleatório.

Sei que essa é a forma dele contornar a própria vergonha sobre a situação. Mudar o assunto com simplicidade. Assim como ele sabe que passar por ele negando estender-lhe a mão, é o meu modo de lidar com isso. Nos conhecemos, e ao contrário de tudo que pensei, nunca deixamos de nos conhecer.

Cerca de duas horas se passam, Gon e eu já comemos e estamos novamente no sofá nos preparando pra mais partidas no vídeo game.

– A pizza estava boa, tem certeza que não quer provar cebola algum dia?

– Você sabe que cebola e pimenta são meus inimigos gastronômicos.

– Você foge os padrões de um assassino, com certeza se tivesse continuado morreria de fome no trabalho.

– Claro, afinal é preciso comer cebolas pra matar pessoas. Só se for com o bafo.

Rimos muito sobre trivialidades, até que Gon joga o controle pro lado e deita colocando a cabeça no meu colo. Não chego a me assustar, porém ainda é novidade pra mim isso tudo...

– Killua. Nós somos namorados agora?

– O que está dizendo? Isso é vergonhoso idiota — Viro o rosto pro lado sem saber o que dizer perante sua simplicidade.

– Mas nós nos amamos não é? Então... você não quer ser meu namorado? — Ele parece me provocar com sua pergunta, mas não consigo fugir da situação.

– S-sim... quero.

– Então somos namorados agora.

Ele simplesmente se levanta sentando com o controle, e grita dizendo sobre o próximo jogo que jogaremos. Seu jeito chega a ser ridículo de tão imprevisível nesses momentos. Ajeito a perna pra me levantar e pegar algo pra bebermos, mas Gon me segura pelo braço. Sua mão me puxa fazendo com que eu perca o equilíbrio e caio sentado ao seu lado. Ele se aproxima me encarando, rente aos meus olhos.

– Pra selar tudo — Gon me da um selinho e sorri ainda próximo a mim.

Novamente tento dizer algo e a voz trava, porém desta vez consigo sorrir de volta, no que acabamos por nos beijar com mais calma agora. Depois de um tempo trocando carícias e beijos, separamos os lábios ofegantes e junto forças pra lhe dizer o que escondi em meu peito desde que nos conhecemos.

–Eu te amo Gon.

Notas finais
Este não é um final... penso em fazer um cap a parte com lemon ou talvez apenas mais romance meloso. Comente opinando o que querem ver.