Um estudo em Flores
1 O primeiro erro
Notas iniciais
Se não quiser esperar tanto (não sei se vou demorar ok?) é só salvar e olhar apenas quando estiver finalizado.
Espero que gostem, boa leitura.
AVISO: Capítulo menor porque é apenas uma introdução, acalmem-se.
Sherlock Holmes tentou ter cuidado em cada passo, a rua estava praticamente imersa na escuridão e o chão podia enganá-lo com as varias pedras que estavam espalhadas pelo caminho, mas não queria tropeçar e chamar a atenção de qualquer ser humano solitário que estivesse se aventurando na escuridão. Não estava muito longe de seu destino e isso lhe dava um breve tempo para pensar antes de fazer qualquer besteira que o fizesse se sentir um idiota depois.
A carta de Moriarty fora inesperada, não a carta em si, mas o conteúdo explicito e direto. Venha até mim. Era, resumidamente, o que pedido que A Mulher fazia, estendendo-o em mais de vinte linhas. Inicialmente Sherlock pensou em queimar a carta antes mesmo de ler e sabia que era uma decisão perfeitamente lógica, mas algo o fez parar diante da lareira, o mesmo instinto que o impedia de ser precipitado. E odiando cada vez a própria mente cometeu o erro de ler cada palavra com extrema atenção.
Agora estava ali, no meio da noite, em uma rua deserta e quase desconhecida seguindo as instruções de uma mulher que deveria odiar e que deveria estar presa.
Como ela sempre conseguia se livrar?
Suspirou quando encontrou o terreno indicado na carta. No mapa era apenas um terreno vazio, mas diante dele estava um alçapão com uma única porta e janelas pintadas. Com certeza era ali. Aproximou-se sem qualquer cautela e encarou o painel de tamanho médio bem ao lado da porta, os números do teclado iluminados, destacando-se na escuridão.
23931
Eram os números citados na carta com senha e Sherlock os digitou sem nem pensar antes, aquela sequência estava rondando sua mente desde o momento em que saíra do Sobrado. Em resposta a porta se abriu, revelando uma sala iluminada e uma outra porta a poucos metros dele. Sherlock hesitou, do lado de fora viu, quase perfeitamente, o tamanho do lugar e podia concluir que atrás daquela porta não podia haver um lugar grande o suficiente para uma conversa agradável. Mesmo assim a abriu.
Franziu o cenho com a visão. Realmente não havia um lugar grande, apenas uma escada criando uma descida para o que podia ser um porão ou uma prisão.
— Desça logo Sherlock — ouviu Moriarty apressar suavemente.
Comprimiu os lábios em desgosto e desceu, já havia chegado até ali de qualquer forma.
O lugar era amplo e preparado para visitas, qualquer que fosse. Havia poltronas organizadas em um canto e um sofá entre elas, por perto uma geladeira e uma mesa. Mas como poderia ignorar a parte mais importante como as correntes presas à parede?
— Noto que está bem preparada — ele comentou se aproximando e indicando uma mesa de utensílios para tortura.
Moriarty sorriu levemente, caminhando até ele:
— Estou tendo alguns problemas com lealdade e respeito — então o beijou suavemente nos lábios e se afastou indo até as poltronas, sentando-se em uma delas — Quem bom que veio Sherlock.
— A curiosidade não me permitiu negar o convite — Sherlock respondeu tentando soar indiferente.
— Sente-se comigo.
Não hesitou, mesmo que sua mente gritasse para permanecer exatamente onde estava. Moriarty o estava testando e o analisando, tentando descobrir se ainda tinha algum poder sobre ele. O problema é que isso realmente acontecia. Sherlock ainda não havia superado completamente Irene Adler e no fundo esperava tê-la de volta... um dia talvez. Sua mente estava com certas dificuldades em aceitar que Adler era, por completo, uma personagem criada por Moriarty e não o contrário.
Mas ninguém precisava saber disso, então se sentou ao lado dela mantendo uma distância aceitável.
— Soube da sua viagem até Londres — Moriarty comentou indiferente — Estava fugindo de alguém?
— Estava trabalhando — Sherlock respondeu sem vontade.
A loira sorriu brevemente e virou-se para ele, fazendo um leve carinho em seu braço em seguida:
— Dois anos parece tempo demais para um trabalho comum.
— Eu não sou comum, portanto o meu trabalho também não é.
— Não seja tão cheio de si — Moriarty advertiu, seu sorriso sumindo aos poucos — Não deveria ter ido, não por tanto tempo.
— Arrisco dizer que não sentiu minha falta — Sherlock comentou tentando ignorar o toque dela em seu braço — Então porque meu tempo em Londres é importante agora?
— Importante? Não, sua viagem é apenas o motivo para termos essa conversa.
— Como?
— Foi trabalhar com o MI6, certo? Com certeza encontrou e fez muitos inimigos no caminho. Não soube lidar tão bem com eles?
Então Sherlock compreendeu que havia algo muito errado por detrás das palavras simplórias de Moriarty e finalmente a olhou, imediatamente esquecendo o mundo ao seu redor e focando sua atenção ali.
— Vá direto ao ponto.
— Suponho que ninguém contou o que aconteceu enquanto esteve fora.
Sherlock franziu o cenho, internamente concordando. Ligara mais cedo para o Capitão Gregson informando sua volta e notara um tom estranho em sua voz, algo entre temor e hesitação que ele realmente não prestou atenção. Mas havia Watson. Desde o momento em que entrara no avião em Londres, Sherlock vinha se preparando para encontra-la, preparando-se física e psicologicamente porque sabia que ouviria duras palavras e que havia um risco enorme de levar ao menos dois tapas no rosto. Mas nada acontecera, Watson apenas se virou e fora embora em silêncio.
— O que eu deveria saber?
— Algo bem forte sobre sua querida e tão amada Watson.
Ele imediatamente ficou em alerta, nem se importando com as insinuações de Moriarty. Watson era sua prioridade desde o momento em que notara que era importante demais tê-la em sua vida e isso não mudou mesmo com a longa distância os separando.
— O que aconteceu com ela? Diga!
— Algo que ela nunca vai esquecer, tenha certeza disso — Moriarty revelou antes de se levantar e ir lentamente até a mesa, sutilmente pegando uma pasta que estava sobre ela e jogando para Sherlock que a pegou sem dificuldade — Há sete meses Joan Watson estava saindo de seu apartamento quando foi sequestrada por três homens que a jogaram dentro de um carro e sumiram em direção ao Norte. Ela passou quase um mês nas mãos deles antes de matar dois e finalmente conseguir fugir. Não há, de fato, um documento oficial sobre o que aconteceu, o que está em suas mãos foi tudo o que consegui colher.
A respiração de Sherlock falhou e por breves segundos imaginou que não a teria de volta diante do que tinha em mãos. Não se ateve tanto aos detalhes descritos, mesmo que sua razão o forçasse a analisar cada palavra havia uma parte desconhecida do seu cérebro que não o permitia desviar o olhar das fotos, imagens que faziam seu estomago revirar com a mais pura raiva.
— Por que não há documento oficial? — exigiu saber entre dentes.
— Foi um pedido da vitima.
A primeira foto mostrava uma Joan com o rosto bastante machucado e manchado de sangue, olhos inchados e marcas de dedos ao redor do pescoço dela; nas seguintes só conseguiu ver cortes e mais hematomas, espalhados por quase todo o corpo dela, em uma quantidade que ele considerava extremamente absurda e ultrajante. Fechou a pasta com força desejando rasga-la em centenas de pedaços.
— Quem fez isso?
— Quem a machucou dessa maneira tão... direta? Eles já estão mortos. A única pergunta que importa é quem os pagou para fazer isso.
— Então tem certeza que alguém os pagou... para isso. Como?
Moriarty riu suavemente.
— Sabe Sherlock... o seu maior erro foi esquecer que ainda tinha uma vida em Nova York. Se tivesse tido o mínimo trabalho de atender as ligações desesperadas e lido os e-mails antes de apaga-los, Joan não tinha passado por tudo isso.
— Está dizendo que a culpa é minha?
— Completamente — ela deu de ombros, pouco se importando — Quem a sequestrou não foi discreto. Pegaram-na a luz do dia e mandaram mensagens deixando claro que o sequestro era uma resposta direta ao trabalho que Sherlock Holmes estava fazendo e garantindo que só a entregariam quando o mesmo se entregasse a eles.
Sherlock arregalou os olhos, sentindo um gosto amargo em sua boca. Se Moriarty estivesse certa – e ele sabia que estava – a culpa era, indubitavelmente, sua. E não havia brechas para pensar o contrário.
— Quero saber o nome do responsável.
— Tudo o que tenho está nessa pasta, é toda sua. Mas garanto que o nome do responsável não está aí, pode tentar a sorte com a policia ou com a vitima.
Subitamente ele se levantou e respirou com força, fechando a mão com violência. Não era o que queria quando decidiu ir embora, nem passou por sua cabeça agitada que algo daquele tamanho poderia acontecer. Entrementes Moriarty riu, tão suavemente quanto seu sarcasmo permitia.
— Do que está rindo? — Sherlock questionou entre dentes.
— De você, na verdade — ela respondeu, seus olhos brilhando com uma diversão contida — Fugiu de Nova York porque não conseguia entender a própria mente, estou certa? Você sempre esteve um passo adiante de qualquer um, pronto para qualquer situação e de repente se viu imerso em um sentimento intruso, confuso e indesejável — levantou-se e ficou diante dele — Poderia ser seu fim, mas se quer compreendia o que estava acontecendo. Precisava de um tempo para pensar e o teve, mas nada mudou, não é? Apenas... complicou.
— O que você...
— Estou falando de você, meu caro Holmes... e de como perdeu sua Watson.
Notas finais
Qualquer erro é só mencionar.
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