Josh Rainey

Esse Eddard sempre foi um idiota pra mim, mas a filha dele me pareceu ser uma boa pessoa, não pude deixar de notar como é bonita, mas que também aparenta ser uma pessoa triste, não sei o porque, mas tive essa impressão. Fui tentar algum diálogo com ela essa manhã, afinal somos vizinhos de frente e não pude deixar de notar ela me olhando da janela, mas infelizmente ela passou mal e eu senti que precisava ajuda-la.

Meu nome é Josh Rainey, sou escritor, tenho 37 anos, nasci aqui e vivi por 13 anos na França com minha ex esposa Evelyn, a conheci num evento literário em Nova York, eu estava lançando meu livro de maior sucesso e ela acompanhando sua família que era dona do espaço que a editora alugou para o evento. Nós éramos jovens e felizes, nos casamos menos de seis meses depois de nos conhecermos e por 13 anos vivemos em Paris, até ela simplesmente pegar suas coisas e ir embora sem me dar nenhuma explicação. Assinamos o divórcio sem maiores explicações, vendi tudo que me pertencia e voltei pra Seattle, desde então não consigo me concentrar pra escrever nada direito, a editora me cobra e já faz um ano que voltei e não acho nenhuma inspiração, não por Evelyn pois essa ferida pra mim já foi curada e acho que foi melhor pra nós dois, já que ela vivia reclamando que quando eu escrevo, eu mergulho em outro mundo e não lhe dava atenção e isso me irritava.

Voltando do hospital passei o dia no centro, comprei alguns livros e aproveitei pra fazer as compras da semana, ou seja, lanches rápidos e comida congelada. Briguei um pouco com as sacolas para pegar minha chave, quando ouço uns gritos vindo da casa da frente.

Julie Simons

Tive alta no mesmo dia, contei tudo pra minha mãe e ela disse que me apoiaria, apesar do fato que provavelmente meu pai vai me expulsar de casa assim que souber, e nem adianta tentar esconder pois aqui as noticias correm rápido.. Imagine só, as vésperas da eleição pra prefeito, ele ter uma filha mãe solteira? Me preparei psicologicamente pra o que viria acontecer em seguida. E realmente aconteceu. Meu pai gritou, minha mãe como sempre se encolheu de medo enquanto ele berrava e quebrava os móveis dizendo que eu estragaria a candidatura dele, que eu era uma vergonha. Ele me deu um tapa no rosto e eu revidei, porem como ele era mais forte que eu, me jogou longe, meu ventre ainda doía pela sensibilidade e minha visão ficou meio turva mas não o suficiente para que eu não veja o estranho homem rapidamente e se colocou em briga com meu pai. Em que momento será que ele entrou? Aquele rosto era familiar pra mim, quando me esforcei pra ver quem era, meu pai estava afastado, expulsando-o, e o estranho me ajudava a levantar me levando pra fora dali. Quando me dei conta eu estava em sua casa, ele me preparou um café e sentou-se perto de mim com um sorriso tímido.

_Você não precisa falar disso se não quiser, me desculpe, não pude deixar de ouvir seus gritos e logo imaginei o que estava acontecendo lá dentro. Seu nome é Julie não é?

_Sim, e você deve ser o Josh... Obrigada por isso, obrigada por me ajudar hoje cedo também.... Meu pai é muito temperamental. — Digo, sem graça.

_Eu sei disso, moro aqui faz um ano e já tive provas de que ele é assim. -Ele fala me entregando um cobertor azul.

_Desculpe por você estar envolvido nisso, ninguém tem nada a ver....

_Não se desculpe, fica tranquila, e pode ficar aqui se quiser, quando precisar.

Senti vontade de chorar, pela primeira vez desde que cheguei. Perdi um bebê de um homem que amei e tudo aconteceu tão rápido, aquilo parecia que não era real, eu queria ter forças pra falar com Josh sobre tudo, mas meu cansaço era tanto que tudo que precisei foi dormir um pouco.

O mais estranho daquilo tudo era que eu me senti segura como nunca tinha sentido antes, mesmo não conhecendo aquele homem, adormeci no sofá pensando em como eu conseguia confiar tanto nele.