Um estranho em Seattle
3 Capitulo 3
Notas iniciais
Oi! Quero agradecer a linda da Bonnie pelos reviews fofos! E vocês, leitores fantasmas, podem dar o ar da graça, eu ficaria feliz!
Acordei no dia seguinte com os raios do sol entrando através das cortinas, Josh estava sentado em uma escrivaninha concentrado fazendo anotações, seus cabelos caiam sobre seus óculos, ele percebeu que me aproximava, parou o que estava fazendo e me olhou nos olhos. Suas orbitas escuras me diziam que ele era diferente de qualquer homem que já conheci, misterioso, porém calmo e sereno, ele sorria meio de lado e eu me perguntava porque esse homem me deixava tão curiosa.
_Bom dia Julie, como se sente?_Bem melhor, obrigada. O que você está fazendo? — Não pude deixar de perguntar, eu queria conhece-lo._Tentando terminar um livro, mas ultimamente não consigo inspiração nenhuma. -Ele me empurra uma caneca com café._Você é escritor? -Falo puxando uma cadeira e sentando ao seu lado._Sim._E sobre o que você escreve?_Tragédias, romances mal sucedidos... e sobre um garoto que visitava uma fábrica de doces que era comandada por um sádico que adorava crianças e escondia uma fera enorme no armazém da fábrica, entre outros....Sempre amei ler livros. Quando criança me apeguei em várias histórias, viajei pra vários lugares através dos livros que li, e sinceramente até hoje nunca conheci ninguém que era como eu, todos preferiam internet ou televisão. Ele pega um maço de cigarro e pergunta se eu me importo, eu demorei um segundo pra entender que ele se referia ao cigarro, faço que não com a cabeça, eu estava afundada nos seus olhos cor de chocolate._Então Julie, qual a sua história? O que faz aqui? -Ele sopra uma fumaça e me encara._É uma longa história. -Digo._Eu tenho algum tempo.Por mais que eu quisesse falar, era difícil se concentrar. Um cheiro de perfume masculino com café fresco e cigarro infestou a sala, e aquilo não me incomodou. Contei pra ele tudo que passei, era estranho como eu me sentia a vontade com esse homem, e passamos boa parte do tempo conversando. Ele ouvia e não opinava, apenas me olhava atento. Depois me contou sobre o que tinha vivido, os livros que escreveu, descobri que tínhamos o mesmo gosto pra leitura e discutimos um pouco sobre como Catherine em "O morro dos ventos uivantes" foi errada ao se casar com Edgard Linton. Quando percebemos que foi uma discussão engraçada, ele riu. Me contou também sobre seu inacabado "O homem sem sombra", um doente mental desaparecido após matar sua família toda por culpa de uma amante sedutora.Quando olhamos no relógio, já era hora do almoço, e eu me dei conta do quanto eu estava viciada em conversar com ele, quanto eu gostava daquele sorriso torto naqueles lábios perfeitos e daquela voz rouca. Ele disse que me levaria pra comer fora, mas estava chovendo muito como todos os dias em Seattle, então ele se levantou e preparou algo no micro-ondas. E assim passamos o resto dos dias, conversando, ele tentando escrever, eu cuidava da casa dele que estava bem bagunçada apesar do cheiro maravilhoso que tinha. Li dois de seus livros e fiquei encantada com suas palavras, eu elogiava dizendo que era bom, ele me dava seu melhor sorriso dizendo que eu estava puxando o saco dele, ríamos da situação, em seguida vinha aquela sensação de que os dois estavam sem graça um com o outro. Ele era bem tímido.Josh me deu liberdade pra ficar ou voltar pra casa de meus pais, apesar de sentir que não era certo ficar ali com ele pois ele era mais de dez anos mais velho que eu, meu pai morava em frente e com certeza ele iria arrumar confusão por eu estar ali, mas eu sentia que precisava ficar, precisava dele. Era muito estranho, pois em apenas uma semana eu percebi que não importava nada do que vivi nesse ultimo mês, dentre tantas conversas e afinidades surgiu uma amizade, porém eu estava irrevogalmente apaixonada por ele.Era sábado de manhã e Josh queria me levar a feira de livros que acontecia uma vez por ano na cidade, no domingo era dia de eleição, por esse motivo meu pai se mantinha longe e quieto, ele não queria se manchar, claro. Eu rezei pra que ele continuasse assim. Minha mãe veio me ver uma vez, disse que meu pai me deserdou e não queria mais ouvir meu nome, ótimo, pelo menos não veio querer arrumar encrenca. Levantei antes dele, o sofá cama da sala era confortável, ele ajeitou pra mim depois que recusei ficar com a cama, ele queria dormir no sofá, isso nem tem cabimento pois ele já me acolheu e isso já era o bastante. Preparei pão de queijo no forno e fiz café, percebi que logo ele acordou e veio na minha direção com aquele cabelo todo bagunçado, notei que vestia uma camiseta e pela primeira vez pude notar suas tatuagens nos braços._Bom dia Julie -Ele estava lindo com a cara amassada de sono._Bom dia Josh, dormiu bem? Que horas nós vamos na feira?
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