Notas iniciais
Olar! c: Gostaria começar pedindo desculpas pela demora, eu estou em época de provas e tentando desesperadamente arrumar um estágio, então está quase impossível almoçar ou lavar o cabelo. Gostaria de agradecer a todos os comentários que tenho recebido! Eu normalmente dou risada ou vomito arco-iris com a maioria deles e vocês não tem noção do quanto isso me fazem bem! Eu saio do site e vou pra aula falando: ‘E vocês achavam que eu estava na pior?’ HAUAHAUAHAUAHAUAHAUAHAUAHAU Mas vou parar de incomodar vocês! Boa leitura e até as notas finais! ♥

Camus foi o primeiro a chegar na lanchonete.

Sentado em um dos bancos altos, avistou uma figura loira andar encolhida em sua direção, atravessando o pátio com pressa. O sol se arriscava, lançando raios tímidos quando as nuvens cinzas se descuidavam. Apesar do vento estar mais ameno que no dia anterior, Milo parecia estar sempre com frio.

O ruivo deu um meio sorriso. Julgava-se um sádico por rir do aluno, mas este vestia tantas peças de roupas que era impossível não achar graça. Milo era adorável e andava de maneira desajeitada, como um filhote de urso.

— Senhor? – Ouviu uma voz feminina atrás de si. Ao se virar, viu uma moça segurando um copo de isopor com seu expresso.

— Oh, desculpe. Obrigado. – Levantou o braço para receber seu pedido – Você poderia trazer um com creme e chocolate, por favor?

— Claro. – A moça sorriu e passou pela porta que levava à cozinha.

Voltou a olhar para o grego, que agora se encontrava bem mais próximo, desviando de alguns outros alunos que por ali passavam.

— Oi, bom dia! – Sorriu encantadoramente.

— Bom dia, Milo.

— Nossa, hoje está frio, né? – Disse enquanto retirava o gorro cinza.

— Na verdade não. – Riu, sendo observado atentamente pelo grego – Que foi? – Perguntou, sentindo o peso dos olhos azuis escuros sobre si.

— Nada. Você só fica muito bem sorrindo.

— Obrigado. – Tomou um gole demorado de seu café para tentar disfarçar a timidez.

Camus sentiu o celular vibrar em sua calça. Ao pegá-lo, viu o nome de Shion na tela e franziu o cenho, pedindo licença ao aluno antes de atender.

— Olá, Shion, bom dia.

— Bom dia, Camus. – Disse o chefe de departamento do outro lado da linha – Gostaria de saber se podemos almoçar juntos hoje.

— Claro, algum problema? – Questionou o infrequente convite.

— Preciso conversar com você a respeito dos pais do Philippe.

A garçonete retornou e Camus apenas fez sinal para que o café fosse entregue ao loiro ao seu lado. Milo o recebeu de modo confuso.

— Tudo bem, nada fora do esperado. Na verdade, até tardou a chegar.

— Desculpe, amigo.

— Não se preocupe, eu quem lhe devo desculpas. Bom, conversaremos melhor no almoço.

— Até mais tarde, Camus.

— Até.

Desligaram.

— Obrigado! – Agradeceu levantando o copo.

— De nada. E sua alergia, como está?

— Ela vai bem, obrigado. – Riu da própria piada.

— Já ligou para alguém retirar o mofo?

— Saga ficou de resolver hoje pra mim.

Camus apenas maneou a cabeça.

— Não vou poder almoçar com você hoje, tenho que conversar com o Shion.

— Tudo bem, eu almoço com os meninos. – Desbloqueou o celular e escreveu algo para alguém.

O ruivo levantou uma sobrancelha. Meninos? Pensou.

Após o café, ambos rumaram para a sala pessoal de Camus e depois para a biblioteca, onde passaram a manhã revisando alguns tópicos e discutindo sobre os estudos.

No horário de almoço, foram surpreendidos por Afrodite na saída do prédio principal.

— Olá, meus amores! – Disse animado, depositando um beijo carinhoso na face de cada um.

— Oi, Dite! – Milo respondeu.

— Preciso ir, o Shion me espera. Nos encontramos mais tarde, Milo? Por volta de duas horas, pode ser?

— Sem problemas, duas horas está ótimo.

— O Dite tem a chave da minha sala, pode ir até lá deixar o material de estudo e buscar suas coisas. Aproveite e leve esses livros para mim, por favor.

— Claro. – Respondeu novamente enquanto estendia a mão para receber os pertences do ruivo.

— Até. – Beijou o topo da cabeça de Afrodite e seguiu apressado para o pátio.

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Já no refeitório, Milo não conseguia ignorar o fato de Afrodite ter a chave da sala do francês. Precisava perguntar, mas de uma maneira que não demonstrasse seu ciúme. Afinal, o sueco havia se mostrado um amigo em potencial.

— Você pode ter a chave da sala do Camus? – Brincou despretensiosamente com o garfo, tentando soar indiferente.

— Na verdade não. – Sorriu – Tecnicamente os alunos não podem ter chaves de professores, mas eu tenho duas mesmo assim. – Parecia orgulhoso desse fato.

— Duas?

— Sim, a do Camus e a do Mask.

— Mentira! – Abriu boca em surpresa – Mask é um professor?

— Sim, não sabia até hoje?

— Não. – Sentiu a esperança crescer dentro de si – Então quer dizer que o relacionamento entre alunos e professores é permitido na Sorbonne?

Afrodite esboçou um sorriso enviesado.

— Infelizmente não. – Viu o grego murchar – Mas não há problemas se ninguém souber, certo? – Piscou, sugestivo.

— Mas ninguém nunca desconfiou? Quero dizer, você sempre procura pelo Mask aqui na universidade...

— A verdade é que todo mundo supõe, mas como eu sou de Artes e ele de História, nós nunca tivemos problemas com favoritismo. O importante é não deixar nenhum outro aluno sentir que está sendo prejudicado.

“Que ótimo, a minha profissão é competir. E competir pra ganhar. ” Pensou Milo.

— Mas me conta, seu irmão conseguiu marcar para retirarem o mofo do seu quarto?

— Sim, o Saga me mandou essa mensagem enquanto estávamos na fila do refeitório. – Apontou a tela do celular para o sueco – Farão a limpeza e uma dedetização amanhã à tarde.

— E você vai dormir na casa deles? – Perguntou enquanto prendia os fios loiríssimos em um coque alto.

— Dormir na casa deles? – Ecoou sem entender.

— É, normalmente após uma dedetização nós não podemos permanecer na casa, você teria que passar 24h fora.

— Sério isso? – Preocupou-se, espalmando as mãos na testa e emaranhando os dedos entre os fios aloirados.

— Calma, Milo... – O sueco esticou a mão por cima da longa mesa retangular, oferecendo-a ao amigo – Eu sei que você se sente incomodado em ficar com seus irmãos, então pode dormir lá em casa. – Sorriu de maneira doce.

O grego teve um vislumbre de felicidade, segurando a mão estendida de Afrodite entre as suas, inclinando o corpo para frente.

— Verdade? Faria isso por mim?

— É claro! – Riu da atitude do amigo – Será super divertido! E eu estou sozinho mesmo, bom que você me faz companhia!

— Nossa, Dite, muito obrigado! – Suspirou, tranquilizado.

— Primeiro a gente come algo bem gostoso no Camus, depois vemos algum filme! Vai ser ótimo!

— Comer no Camus? – Indagou.

— Sim! Ele cozinha maravilhosamente bem!

Milo se lembrou do almoço que o professor fez para eles na mudança. Sentiu-se levemente excitado ao imaginá-lo nu em uma cozinha e balançou a cabeça para afastar os pensamentos impuros.

— Concordo, vai ser divertido!

— Mas me diz, por que você evita dormir na casa dos seus irmãos? – Perguntou enquanto levava o garfo cheio de folhas à boca.

— Ah, Dite... O Saga e o Kanon tem a privacidade deles, sabe... É difícil explicar.

O sueco deu de ombros e ambos continuaram a comer.

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Com os olhos concentrados na tela do computador, viu somente o brilho de mechas douradas relancearem a sua frente. Virou a cabeça atento como um felino. A figura havia sumido.

Levantou-se sem se preocupar em vestir o paletó do terno que jazia no encosto da cadeira. Também não se deu ao trabalho de apertar o nó da gravata salmão, seguindo o vulto imediatamente, desviando habilmente das mesas e cadeiras espalhadas pelo grande salão do departamento de polícia.

Já no corredor, avistou seu alvo vestido todo de negro, com duas tiras do grosso cachecol caindo sobre as costas do sobretudo, misturando-se com os fios claros.

— Saga! – Apertou o passo.

Viu a figura se virar e parou ao se aproximar suficientemente.

— Está vestido para sair. – Observou enquanto levantava a mão para tocar a cintura do outro.

— Vou com os detetives à casa de um suspeito. Querem um promotor para forçar a barra em um acordo. – Mesmo sendo óbvio, sentiu-se no dever de prestar satisfação.

— Espero que dê tudo certo. Sei como você prefere diplomacia ao tribunal. – Segurando com mais força a cintura de seu gêmeo, Kanon ousou se aproximar mais.

Saga franziu o cenho ao olhar para a gravata frouxa. Com ambas as mãos, puxou e ajeitou o nó no pescoço do mais novo.

Ao levantar o olhar, se sentiu em frente a um espelho. Seu reflexo o olhava intensamente, de um modo selvagem.

— Kanon, andei pensando... acho que deveríamos nos manter mais afastados... – Viu o irmão dar um passo para trás enquanto inclinava uma sobrancelha.

— O que quer dizer com isso? – Sussurrou perigosamente.

— Só que nós podemos ser mais discretos. Talvez fingir um relacionamento com outras pessoas...

— Eu não seria capaz disso! – Trovejou irritado.

— Fale baixo! Só estou dizendo que poderíamos fingir! – Sussurrou com a voz grave e aveludada, dando ênfase na última palavra.

Kanon olhou atentamente para a figura máscula a sua frente. Observou as ondas loiras e repicadas descendo em cascatas pelo tronco largo. Observou também o rosto altivo, o nariz afilado, os olhos claros contrastando com o cachecol escuro. Permitiu que seus dedos soltassem o sobretudo negro e virou-se em direção ao salão do DP¹, indo embora sem dizer nenhuma palavra.

Saga suspirou longamente. Enfiou a mão direita em um dos bolsos, retirando um maço de cigarros e um isqueiro prateado.

Na rua, aguardando os detetives que acompanharia, dava longas tragadas enquanto mirava o dia cinza, obviamente pensando em Kanon.

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Sentaram-se embaixo de uma árvore no campus da Sorbonne. O frio havia aumentado, o que Milo lamentava. O grego havia criado muitas esperanças pela manhã sobre um tempo mais ameno durante o dia.

Puxou o capuz da blusa cinza que vestia por baixo da jaqueta grossa de Camus. Não havia nenhum raio de sol, todos se escondiam sobre as nuvens escuras.

— Era só o que me faltava.

— O que disse? – Perguntou Afrodite.

— Chover, era só o que me faltava. – Sentado, abraçava os joelhos levemente abertos. O sueco se encontrava ao seu lado, com as pernas esticadas uma sobre a outra, movendo as longas botas com cadarços no ritmo da música que cantarolava.

— Não vai chover. No máximo garoar.

— Será que neva? – Milo disse preocupado.

— Não, ainda não. Só no meio do mês que vem, provavelmente. Ou depois.

— Hum.

— Milo, posso te fazer uma pergunta? – Mirou o amigo de soslaio.

— Outra? Pode. – Sorriu.

— Você gosta do Camus? – Não disse de modo acusatório, nem curioso. Seu tom era tranquilo e muito despretensioso.

Milo tossiu.

— Por que a pergunta? – Tentou desconversar. Não sabia em que ponto a amizade do sueco com Camus terminava e a deles começava.

— Pois, como você já percebeu, o Camus é uma das pessoas mais importantes na minha vida. Eu o amo muito e quero que ele seja feliz. – Inspirou fundo, buscando ser bastante claro – Uxo, sendo sincero, eu notei que havia um certo interesse quando te conheci. Porém tudo indicava que era algo superficial, sabe?

O grego confirmou com um aceno.

— Mas talvez eu esteja enganado... – Prosseguiu – E qualquer coisa que afete o Camus é importante para mim. Então repito a pergunta: você gosta do dele?

— Bom, – Entrelaçou os dedos, torcendo-os inconscientemente – eu não sei exatamente como estou me sentindo, Dite.

— Quer conversar? Eu sou seu amigo, não contarei nada disso para ninguém, pode confiar.

— Tudo bem, vamos lá. – Inspirou fundo – No começo era realmente físico, como você disse, superficial. Mas... não sei, tudo está acontecendo tão rápido, sabe? Tem tão pouco tempo...

— Eu entendo. – Seu pensamento fluía para o ruivo. Percebia a mesma confusão em Camus.

— Acho que sim. – Abaixou a cabeça entre os joelhos – Acho que posso estar gostando dele. Na verdade, eu já havia assumido isso para mim mesmo e para os meus irmãos. Mas ao mesmo tempo eu não quero ser uma pessoa impetuosa ou descuidada, afinal é do Camus que estamos falando! Não quero começar errado ou que as coisas aconteçam de um jeito rápido e embaralhado. – Abaixou ainda mais a voz – Eu não quero que seja passageiro...

O sueco apenas confirmou com a cabeça e ambos voltaram a fitar o pátio vazio, já que a maioria dos alunos estava em aula. O outono reforçava o anúncio de sua chegada, impelindo as folhas avermelhadas contra vórtices furiosos, criados pelo vento irrefutável.

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— Não tem problema, Shion. Eu realmente estranhei a demora dessa repreensão. – Disse sério, retirando o guardanapo do colo.

— É claro que tem problema. Você é um dos meus melhores professores, é um desaforo usufruir do seu tempo para falar sobre aquele traste. – Fez cara de desgosto.

Camus riu.

— Não se preocupe, protocolo é protocolo. Eu vou tentar ser mais paciente com ele.

— Obrigado. – Disse visivelmente mais relaxado, apesar de ainda se sentir contrariado por repreender um funcionário de elite por conta de um aluno insignificante – E o Milo, como está se saindo?

— Ele é bastante inteligente e extremamente proativo. Não tenho dúvidas que vai ser um destaque independentemente de onde desejar trabalhar. Ele não vai precisar de mim ou dos irmãos para conseguir qualquer vaga que seja.

— Fico feliz que você tenha tido tanta sorte como orientador como eu.

Camus sorriu em resposta, lembrando-se do quanto importunou Shion enquanto ainda era um graduando.

— Confesso que estava esperando inúmeras reclamações suas. – O mais velho prosseguiu.

— E eu confesso que as maquinei assim que soube que teria um aluno para orientar. Já tinha o discurso todo pronto.

— Não duvido disso.

Ambos riram.

— Mas a verdade é que o Milo me surpreendeu muito. – Disse apoiando o queixo sobre as mãos e pousando os cotovelos na mesa, olhando perdidamente através da janela do restaurante.

— Ótimo, o que não me falta são pais insistindo para que você aceite ser tutor de seus filhos.

Camus se virou imediatamente, assustado.

— Não, Shion. Por favor, que Milo seja o último! Ele é único, posso garantir. – Implorou de modo discreto.

— Estou brincando com você! – Riu, divertido – Eu o vi conversando com um grupo de alunos. Ele parece ser extrovertido e comunicativo.

A contragosto, Camus concordou.

— É, ele fez amizades bastante rapidamente.

— Veremos se continuará a ser um aluno aplicado depois que as namoradas aparecerem.

O francês voltou a fitar a janela, balançando levemente a cabeça para afastar a franja ruiva que lhe cobria os olhos.

— É, vamos ver...

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Saga voltou pós almoço, acompanhando os detetives até a sala da tenente encarregada dessa subdivisão. Kanon, apesar de perceber sua presença, optou por ignorar o fato.

O mais novo continuou rolando o scroll do mouse, interessadíssimo no conteúdo da tela. Com sua visão periférica sempre afiada, visualizou Nicole, uma estagiária da corregedoria que já estava há duas semanas no DP. Também viu que seu gêmeo mais velho o observava através das persianas abertas.

Com um sorriso de satisfação, levantou-se e andou até a estagiária, puxando conversa.

— Com licença, você se chama Nicole, não é?

Viu a menina corar. Ela já demonstrara alguns sinais de interesse em si, sendo perfeita para cumprir seus propósitos.

— Olá! Sim, senhor.

— Por favor, me chame apenas de Kanon, formalidades não são necessárias. Tudo bem com você, Nicole?

— Tudo bem comigo, e com você? – Mal respondeu e seus olhos se voltaram para o teclado em cima de sua mesa. Sua timidez aflorava.

O gêmeo mais novo sorriu encantadoramente, mesmo que a estagiária não estivesse olhando para si, tinha a certeza de que Saga estaria.

— Comigo está tudo ótimo, obrigado. Gostaria de saber se você poderia me acompanhar até a cozinha por um momento.

— Claro. – Levantou-se com leveza, seguindo o homem alto a sua frente.

Saga apertou os dedos contra a palma da mão, não percebendo que era chamado pelos detetives.

— Com licença, preciso resolver algo rapidamente. – Ignorou, abrindo a porta e saindo em rompante, fazendo a tenente rolar os olhos.

Na cozinha, Kanon pegou dois copos descartáveis e serviu água para ambos.

— Você é da Bélgica, certo? – Encostou-se à bancada da pia, apoiando uma perna dobrada no armário.

— Na verdade minha família é. – Disse prontamente, solicita.

— Ah sim. Eu tenho uma dúvida sobre o sistema belga, meu próximo acusado tem potencial de se exilar para lá, desse modo eu gostaria de estar informado. Sua mãe é uma promotora famosa, não é?

— Oh, entendo. Sim, ela é. Se quiser me mandar a dúvida eu posso perguntá-la para você.

— Seria ótimo, muito obrigado.

— Disponha. – Levantou a cabeça, sentindo-se mais confiante. Mirava o gêmeo mais novo desde que colocou os pés no DP e finalmente conseguiu sua chance de interagir com ele.

Saga parou ao chegar na porta da cozinha e encostou-se no corredor. Não era uma pessoa de espionar, mas seu irmão era vingativo e gostaria de estar preparado para os movimentos que seriam lançados contra si.

— Então, Kanon, queria saber se você estaria disponível sexta à noite, talvez depois do expediente... – Cruzou os braços e trocou o peso de uma perna para a outra.

Saga bufou silenciosamente, voltando apressado e irritado para a sala da tenente. Já havia espionado o necessário.

— Nicole, eu agradeço o convite... – Disse lentamente.

— Mas? – A moça completou, sorrindo docemente.

— Mas eu sou homossexual. O “hétero” da família é o Saga. – Sorriu com ar de divertimento, tentando deixar a estagiária mais à vontade – Talvez se você o chamasse para sair ele aceitaria.

— Ah não... – A moça riu – O Saga é muito sério.

Kanon riu gostosamente.

— Contra fatos não há argumentos. – Levantou as mãos em sinal de rendição.

— Bom, pelo menos tirei isso da minha cabeça!

Os dois conversaram mais um pouco, talvez se tornariam bons amigos.

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Apesar de ter compromissos no atelier das Belas Artes, Afrodite desejava fazer companhia ao amigo até que Camus retornasse. Engatados em uma conversa animada sobre outros alunos, ambos não perceberam a aproximação do grupo masculino e mal-intencionado.

— Ora ora, vejamos quem está aqui.

O grego se virou rapidamente na direção da voz.

— Ah, é só você. – Voltou seu olhar para Afrodite, ignorando completamente seu interlocutor.

— Já aprendeu francês, intruso? – Philippe insistiu, sendo motivado por seus amigos.

— Sabe como é, algumas coisas são mais difíceis, já que não aprendemos quando crianças. – Olhou confiante para o francês a sua frente – E você, como está indo com a educação, cortesia e bom senso? É difícil, eu sei, mas não desista!

Afrodite riu discretamente.

— Está rindo do que, mocinha? – Philippe retrucou de maneira nervosa.

— O que está acontecendo aqui?

Todos se viraram na direção da voz grave e perigosamente baixa.

— Nada, Camie. Milo e eu estávamos apenas ressaltando que o bom senso para uns nunca se apresenta.

O ruivo levantou uma sobrancelha. Franziu o cenho e andou em direção a Milo, ajudando-o a se levantar, sem tirar os olhos de Philippe. Depois ajudou Afrodite, desviando o olhar para os orbes tão claros quanto os seus.

— Está tudo bem com você? – Perguntou em sueco, tencionando não ser entendido.

O loiro apenas maneou a cabeça, encobrindo uma tristeza que Camus sabia estar lá.

— Eu ouvi a última frase desse idiota, deixa comigo. – Trocou o idioma, prosseguindo em francês – Vamos, Milo? Temos muito trabalho na biblioteca. Dite, pode nos ajudar?

Camus temia pelo irmão. Por ser seu protegido declarado na universidade, além da personalidade afeminada, Afrodite era alvo de preconceitos. Dessa maneira, o ruivo não apreciava deixá-lo sozinho com um grupo de alunos sem discernimento.

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Após se despedirem do sueco, Milo e Camus passaram a tarde desenvolvendo ramos de pesquisa na retórica que poderiam investir nos próximos seis meses. Miravam um ótimo trabalho de conclusão de curso, artigos e uma indicação generosa do francês.

Já no fim da tarde, Milo informou que havia combinado de jantar na casa dos gêmeos, precisando interromper os estudos mais cedo.

Enquanto observava o aluno guardar seus materiais, Camus tentou uma aproximação sutil que acalmasse seus próprios sentimentos. Não havia passado tempo suficiente com ele durante o dia para saciar o que quer que estivesse sentindo.

— Posso te deixar lá, é caminho.

Mentira.

— Seria ótimo, obrigado!

O grego reclamou do frio durante todo o caminho até o estacionamento. A iluminação noturna da cidade começava a despontar, destacando ainda mais o arroxeado do crepúsculo.

— Milo, estava pensando na sua carta de recomendação. Depois temos que conversar melhor sobre ela. – Disse enquanto destrancava o carro.

— Mas nem começamos a trabalhar direito, você ainda não viu se eu sou bom de serviço. – Respondeu sorrindo, parando ao abrir a porta do passageiro. Um vento forte lançou as mechas loiras sobre seu rosto, roubando um suspiro discreto do admirador francês.

— Na verdade, eu sou muito observador. – Camus entrou no carro, sendo seguido pelo aluno.

— Ah é? E o que você observou em mim? – Fechou a porta, brindando o mais velho com outro sorriso iluminado. Um jogo de sombras e luzes transformavam Milo em uma verdadeira perfeição.

— A sua proatividade, por exemplo. Só não vejo uma linha bem traçada sobre o que você deseja para o futuro.

— Na verdade, acredito que mudarei meus planos. Talvez eu resolva ficar na França mesmo.

— Eu não entendo. – Ligou o Cadillac, ouvindo o ronronar do motor – Você possui um currículo acadêmico impecável e tem mil oportunidades à disposição, por que escolheria a menos entusiástica?

— O que posso fazer, eu estou gostando daqui. – Deu de ombros teatralmente, sorrindo – Acho que ficar na França talvez seja um bom plano.

Camus ligou o rádio e deu partida, ganhando rapidamente as ruas de uma sempre iluminada e movimentada Paris. O barulho dos carros e pessoas era abafado pela música dentro do Cadillac, apesar de não completamente isolado.

— E o que te fez gostar tanto da minha terra?

Milo pensou a respeito. Não poderia simplesmente dizer “você”. Era cedo demais.

— Os franceses, talvez. – Desconversou, sorrindo de canto enquanto olhava o movimento através da janela do passageiro. Tamborilava os dedos no apoio da porta ao som de Stay with me, de Sam Smith.

— Os franceses ou as francesas? – Camus sorriu, tentando não deixar sua ansiedade pela resposta transparecer.

— Os franceses, definitivamente. – Disse voltando-se para o professor. De modo instintivo, Camus também se virou, cruzando os olhares por frações de segundos até que sua atenção se voltasse para a pista.

Estava novamente desconfortável. Não de um jeito ruim, claro, mas como deveria proceder?

O grego sorriu satisfeito, achando que havia sido bastante incisivo dessa vez.

— Entendo. – Disse simplesmente, sem realmente compreender. Havia sido uma indireta? Resolveu pôr em prática o que fazia de melhor: mudar de assunto quando fora de sua zona de conforto – Bom, sobre amanhã, te encontro que horas?

— Eu tenho treino pela manhã. Podemos nos encontrar depois do almoço?

— Claro. Quer que eu te busque para almoçarmos?

— Na verdade eu combinei de almoçar com o Dite. Mas está convidado a se juntar a nós.

Camus pensou por um segundo. Lembrou-se que havia uma gigantesca piscina olímpica na academia que o sueco frequentava.

— Você treina no mesmo lugar que o Dite? – Perguntou o óbvio.

— Sim, senhor.

Olhando de relance, Camus pode ver o enorme sorriso esbanjado pelo outro.

— Eu adoraria me juntar a vocês, bom que fico de motorista. Vou combinar com o Dite para que ele deixe Porsche em casa.

Mal terminou de falar e estacionou calmamente em frente a edificação onde os gêmeos moravam. Camus não pode deixar de repreender Milo mentalmente por desperdiçar a chance de morar tão próximo à universidade.

— Muito obrigado pela carona, Camus, nos vemos amanhã!

— Tenha uma boa noite, Milo. – Esboçou um meio sorriso.

O francês observou o aluno descer do carro e cumprimentar o porteiro antes de sumir pelo hall. Seguiu para seu próprio apartamento pensando em como seria satisfatório poder deixá-lo ali todos os dias, ao invés de largá-lo na periferia.

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Milo subiu sem precisar ser anunciado. Bateu no apartamento dos irmãos e esperou. Após certo tempo de espera, conferiu no relógio que já havia se passado dois minutos. Franziu o cenho em dúvida. Deslizou o dedo pelo celular até encontrar as mensagens de Saga. O horário estava correto. Guardou o aparelho no bolso e bateu novamente, mais forte dessa vez.

Kanon apareceu um minuto depois. Vestia um roupão de modo desleixado, indicando pressa. Além disso, os longos cabelos estavam atrapalhados e os pés estavam descalços. Selvagem, como sempre.

— Entra aí, maninho. – Deixou a porta aberta, andando em direção ao único quarto do apartamento – Já já aparecemos, cinco minutinhos.

Milo entrou e deixou a mochila encostada ao lado da porta. Desviou-se de uma maleta abandonada no meio da sala e jogou o corpo sobre o sofá, tirando os sapatos e ligando a TV. Há quanto tempo não assistia televisão? Não se lembrava.

Algumas horas antes

O fim do expediente finalmente chegara no DP. Apesar de muitos detetives e até mesmo a própria tenente emendarem os turnos, Saga estava cansado e só queria ir para casa. Defender a província administrativa demandava trabalho e, além disso, ainda tinha que controlar a instabilidade de seu gêmeo mais novo. Kanon se mostrava impertinente quando queria, provando que Saga só pensava estar no controle.

Aliviado, despediu-se dos colegas de trabalho e andou apressadamente pelo corredor que terminava no hall do DP. Franziu o cenho, Kanon não se encontrava ali. Buscou o isqueiro no bolso do sobretudo, abrindo e fechando a tampa prateada inconscientemente.

Ao alcançar a mesa do mais novo, viu que o computador ainda estava ligado, mantendo aberta uma conversa com a estagiária da corregedoria na intranet² do departamento.

Kanon o observava de longe, aguardando o momento exato para retornar a sua mesa, Saga era extremamente previsível aos seus olhos.

Sorrindo de modo felino, aproximou-se por trás do mais velho até unir os dois corpos. Repousou suavemente sua mão sobre a de Saga e guiou o mouse de forma a fechar todas as janelas e desligar o computador.

O mais velho apenas virou o rosto, focando no sorriso enviesado e nos curtos pelos loiros que cobriam a face semelhante à sua.

Quando o computador desligou, Kanon aspirou fortemente atrás da orelha do irmão, beijando o local em seguida.

Saga lutou contra si mesmo para manter a postura pública, esquivando-se rapidamente.

— Porra, Kanon! – Grunhiu.

— O que foi? – Disse rindo.

O mais velho suspirou, levando os dedos às têmporas.

— Junte suas coisas. Vamos indo.

— Como quiser. – Guardou seus pertences pessoais no bolso da calça e recolheu o paletó do terno no encosto da cadeira. Procurando fazer um charme, jogou a vestimenta sobre as costas e a sustentou displicentemente com o indicador, sabendo que Saga reparava em si.

O mais velho, por sua vez, estancou. Ciente que estava sob provocação, irritou-se por ter sido tão facilmente derrotado. Observou que o irmão havia ajeitado a blusa branca pela primeira vez ao dia, ressaltando os ombros de nadador. A calça social lhe vestia perfeitamente bem, exibindo os glúteos malhados. Kanon virou o tronco para trás, copiando a pose de um modelo masculino. A gravata salmão estava perfeitamente ajustada, para seu agrado.

— Vamos? – Manteve o sorriso travesso.

— Maldito. – Praguejou baixo antes de segui-lo.

Já no estacionamento, Saga apressou o passo. Alcançou um satisfeito Kanon e enfiou a mão em seu bolso, tomando-lhe a chave do carro.

— Hoje eu dirijo.

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Não trocaram nenhuma palavra durante a viagem. Dentro do prédio, Saga estacionou com violência e subiu sem esperar pelo irmão. Guardou a porta até que este passasse, trancando-a em seguida.

Kanon parou no centro da sala, sorrindo com insolência. Ao terminar de checar a porta, Saga virou-se com o olhar em fúria contida e calculada, abandonando a pasta em qualquer canto enquanto andava como um felino em busca de sua presa.

— Quem você pensa que é para ficar se engraçando com aquela estagiária, hein? – Pronunciou perigosamente baixo enquanto o segurava pelo queixo.

— Meu querido Saga, só estou seguindo ordens. Devemos fingir relacionamento com outras pessoas, não? Além do mais, a estagiária tem nome, é Nickie.

— Nickie? – Disse mais alto, fazendo o mais novo se encolher, apesar de ainda sustentar o sorriso atrevido – Agora vocês até trocam apelidos, que maravilha!

Afastou-se, correndo os dedos pelos fios aloirados em sinal de nervosismo, jogando-os para trás

— Você é burro ou o que, Kanon? – Prosseguiu – Nunca percebeu que ela te olha desde que começou a estagiar?

— Claro que percebi, assim fica mais convincente, não acha? – Aproximou-se lentamente, espalmando as mãos nas laterais do corpo igual ao seu.

Saga perdeu o controle, avançando sobre o mais novo. Agarrou um punhado de fios loiros sob seus dedos e uniu firmemente os dois corpos. Andando em sincronia, guiou Kanon até o quarto.

— Seu safado! – Grunhiu.

O primogênito usou o corpo do irmão para abrir a porta da suíte. Ouviu um baixo gemido de dor, mas não se importou. O fez cair sobre a enorme cama de casal e sorriu.

— Agora você vai aprender a quem pertence, puto. – Sorriu enquanto retirava o cinto.

Um tempo depois

Kanon acordou com o som distante de batidas na porta. Esfregou os olhos para espantar o sono e sentou-se, fazendo com que o lençol branco escorregasse até seu colo.

— Saga... – Empalmou a mão no ombro do gêmeo, balançando-o levemente.

O mais velho estava coberto até o meio do tórax. Dormia de bruços, com um braço embaixo do travesseiro e o outro dobrado a sua frente.

— Hm... – Resmungou.

Kanon manteve a mão em seu ombro enquanto buscava pelo celular sobre do móvel ao lado da cama. Abriu a boca em surpresa ao verificar as horas e a quantidade de mensagens deixadas pelo caçula.

— Puta que pariu...

Largou o aparelho e balançou o irmão freneticamente com ambas as mãos.

— Saga, cacete, acorda! O Milo chegou!

O mais velho abriu os olhos azuis de imediato.

— Que?!

— Vou abrir para ele. – Ao se levantar, Kanon teve seu pulso contido por dedos firmes.

— Você está doido? Vai ficar óbvio!

— Saga, meu amor, o Milo sabe. Nós só temos um quarto e uma cama, sendo esta de casal. – Bateu levemente no colchão – Acredite, ele sabe. – Soltou-se e, segurando a face do irmão com ambas as mãos, deu-lhe um selinho. Desceu da cama, vestindo um roupão claro sobre o corpo nu.

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Após um breve período de solidão, Milo recebeu a companhia do irmão mais velho. Por um segundo se deixou enganar, Saga estava desleixado como Kanon. Vestia uma camiseta cinza e puída, bastante justa nos braços fortes. O longo e volumoso cabelo dos Halkias cobria a vestimenta em ondas indisciplinadas.

A relação entre os irmãos era óbvia, mas o caçula não os amava menos por isso. Afinal, quem era ele para julgar? Pelo contrário, desejava para si ter alguém para dividir a vida, assim como eles tinham um ao outro.

— Boa noite, Milo. – Estava levemente corado enquanto remexia o balcão da cozinha.

— Boa noite, Sa! Obrigado por resolver o problema do meu quarto. – Virou o corpo no sofá de modo a mirá-lo através do balcão.

— De nada. Você vai dormir aqui amanhã, certo? – Começou a preparar o jantar.

— Vou não, o Afrodite me convidou para dormir na casa dele.

— Por que prefere ficar lá? Você nem decidiu ainda se esse tal de Afrodite é seu amigo ou seu rival!

— Ah, não quero atrapalhar a rotina de vocês. Aqui não têm quarto de hóspedes e me sinto ocupando todo o espaço. Além disso, vai ser bom por que eu devo conhecer a casa do Camus! Eu tive uma conversa bem séria com o Dite hoje, parece que eu e ele somos amigos, afinal.

Kanon apareceu de regata azul e short curto na cor preta. Não havia penteado o cabelo, mantendo uma semelhança ainda mais absurda com Saga. Andou descalço até o mais velho e o abraçou por trás, fazendo-o corar novamente.

— Oi de novo, Kan! Desculpe se atrapalhei vocês. – Deu de ombros, mostrando compreensão e despreocupação.

Kanon apoiou seu queixo no ombro do irmão, circundando a cintura a sua frente.

— Não se preocupe, confesso que esquecemos de você. – Riu.

— Uau, que novidade. Meus irmãos mais velhos esquecendo que são apenas 2/3 da ninhada. Por que não estou surpreso?

Durante a refeição, Milo dissertou sobre os acontecimentos do dia, decidindo que passaria a enxergar Afrodite como um aliado. O sueco havia sido bastante veemente ao externar seu amor por Camus, sendo este quase que fraternal...

Por volta das 22h, os três já demonstravam sinais de esgotamento, havia sido um dia cansativo para todos. Milo despediu-se e Kanon se ofereceu para levá-lo até em casa.

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Sozinho em casa, o loiro tomou banho e conferiu se suas coisas estavam em ordem para o dia seguinte. Embrulhou tudo o que lhe foi recomendado pela companhia de dedetização e juntou algumas roupas em sua mochila para a estadia no apartamento do amigo. Será que Afrodite e Camus moravam próximos? Ele iria jantar no ruivo descaradamente como lhe foi informado?

Ao pensar no professor, uma ideia surgiu. Terminou a arrumação o mais rápido que pode e se deitou com o celular em mãos, procurando pelo número do ruivo. Sem pensar duas vezes, apertou para chamar.

Em seu apartamento, Camus enxugou as mãos no avental florido e andou até o balcão da cozinha, onde seu celular vibrava insistentemente. Assustou-se ao ver o nome do grego na tela, estava tarde.

— Alô, Milo? – Atendeu preocupado.

— Oi, Camus, boa noite! Liguei em um horário ruim? – Soava animado, o que tranquilizou o mais velho.

— De modo algum, eu estava cozinhando.

— Cozinhando? A essa hora?

O francês contornou o balcão, sentando-se de frente para o fogão.

— Sim, o Dite me informou que vocês irão jantar aqui amanhã, então estou deixando algumas coisas adiantadas.

— Ah sim. – Milo mordeu o lábio inferior. Deveria ter planejado melhor o que iria falar – Está dando muito trabalho? Espero que não esteja sendo um problema para você.

— Claro que não, eu gosto de cozinhar. Além disso, eu moro sozinho e não recebo muitas visitas, será um prazer tem companhia.

— Será um prazer pra mim também, você cozinha muito bem.

— Obrigado. – Sem jeito, Camus mudou de assunto – Mas me diga, por que ligou? Está com algum problema?

— Ah é! – Bateu levemente na testa, distraía-se com facilidade ao conversar com o ruivo – Eu te liguei para saber se você gostaria de ir mais cedo amanhã, sabe... assistir meu treino.

Camus ficou mudo por alguns segundos. O que deveria dizer? Treinos de nado tinham algo em especial ou o aluno apenas desejava estar mais tempo em sua companhia?

— Claro, posso ir sim.

Milo se recriminou do outro lado, havia sido um convite estúpido. Tencionava se exibir em trajes de banho, mas não poderia informá-lo disso. Mordeu a ponta do dedão, pensando em uma desculpa.

— Sabe, eu quero ter a chance de te provar que não sou friento e que você me subestima. – Ainda estava ruim, porém mais aceitável.

— Nesse caso é melhor não fazer feio. Se você falhar, vou me sentir no direito de importuná-lo para sempre e te expor negativamente em uma roda de amigos. – Sorriu, mesmo sabendo que o outro não veria.

— Isso é uma ameaça, Camus?

— Pode apostar.

Milo gargalhou gostosamente do outro lado da linha.

—Tentarei chegar um pouco antes do almoço, tudo bem por você? – Camus sorriu.

— Tudo ótimo! – Estava eufórico, iria incorporar o próprio Adônis naquela academia.

— Então nos vemos amanhã.

— Combinado! Boa noite, Camus!

— Ah, Milo! – Chamou a atenção do outro, impedindo que este desligasse.

— Sim?

— Pode me ligar quando quiser. Sabe... pra qualquer coisa. – Cobriu os próprios olhos com a mão livre, sentindo vergonha de si mesmo.

— Bom, só te digo uma coisa: agora você está ferrado, vou te importunar pra sempre!

Camus sorriu.

— Mas então, – Milo continuou – o que está cozinhando?

E conversaram por horas a fio. Agora nenhum dos dois estava sozinho mais.

Notas finais
1 - Departamento de polícia 2 - Uma intranet trata-se de uma rede privada dentro de uma organização, acessível apenas para membros, empregados ou terceiros com autorização de acesso. Ei, gente! ♥ Eu sei que esse capítulo demorou e nem foi grande coisa assim, mas o próximo vai vir rapidasso com os planos do Dite em ação! Prometo! Obrigada por lerem até aqui! Beijo na ponta do nariz e bom feriado!