Um estrangeiro em Paris
21 Rendição
Notas iniciais
Capítulo 20 –
— Mãe?!
Camus estava estupefato. A última coisa que esperava no mundo era que sua mãe o visitasse em uma quarta-feira sob tempestade.
— Oh, vejo que ainda se lembra de mim. – A senhora parada em frente a porta sorriu de modo irônico – Se dependesse dos meus filhos ingratos os encontros só aconteceriam em datas comemorativas.
— Nem vem, senhorita Natássia, você muda de país como troca de roupa! Como espera que eu a visite se nem notícias tenho?
Afrodite adentrou como um raio no apartamento do décimo primeiro andar, interrompendo completamente a conversa alheia.
— Nem acredito que cheguei. – Resmungou com o cenho franzido enquanto ia em direção ao irmão – Morri de saudades suas! – Jogou os braços sobre os ombros do ruivo, abraçando-o carinhosamente – Supus que estivesse com Milo, mas seu carro estava na garagem, então subi direto pra cá.
Camus retribuiu amavelmente o abraço do irmão, rodeando a cintura delicada e acariciando os cachos platinados.
— Na verdade...
— Olá! – Ouviram a senhora loira pronunciar o cumprimento em meio a um sorriso maravilhado.
Afrodite se soltou do peito protetor e seguiu curioso até a porta da cozinha. Foi positivamente surpreendido ao ver o melhor amigo adentrando na sala.
— Olá, boa tarde. – O grego retribuiu com certa timidez. Era a mãe de Camus!
— Miluxo! – Andou na direção do amigo, o abraçando em seguida – Como foi Amsterdam? Como foi tudo? Senti sua falta! – Segurou o rosto do grego entre as mãos delicadas e frias.
— Foi tudo ótimo, Dite. Como foi Londres?
— Profissionalmente foi ótimo, mas odeio aquela cidade. – Fechou a expressão novamente. Virou-se, levantando o braço direito na direção da senhora loira que observava tudo atentamente – Aquela é minha mãe, Natássia.
O grego fez um aceno cortês enquanto sorria.
— É um prazer enorme conhecê-la, senhora Natássia. Já ouvi muito ao seu respeito.
— O prazer é todo meu, Milo. – Caminhou em direção ao grego para abraça-lo – E pode me chamar de “senhorita”. – Sorriu.
O grego se assustou ao perceber os olhos claríssimos dos irmãos naquele rosto novo pra si. Então aquela era a origem.
— Tudo bem, senhorita será. – Riu encantadoramente.
Observando de longe as habilidades sedutoras do aluno, Camus revirou os olhos antes de voltar para a cozinha. Sua mãe já havia caído perante as garras do loiro, nada poderia fazer para salvá-la.
— Agora entendo por que meu primogênito esperou tanto por um aluno orientado. Meus filhos são mesmo exigentes. – Analisou Milo de cima a baixo – Você sem dúvidas é o grego mais bonito que já conheci em toda a minha vida. – Afirmou de forma convicta.
— E olha que ela já conheceu muitos gregos. – Afirmou Afrodite.
— Nesse caso eu me sinto lisonjeado, obrigado. – Milo sorriu, se sentindo mais à vontade.
— Vamos nos sentar para terminar a conversa, os fusos me deixam cansadíssima.
O olhar ansioso que Milo deu em direção a cozinha foi prontamente lido pelo sueco.
— Vou ver se meu irmão precisa de alguma coisa, podem começar sem mim.
Quando o sueco se aproximou do balcão, a porta foi aberta novamente.
— Dio mio! Che orribile tempesta!— Carlo xingou enquanto fechava a porta atrás de si.
— Amor, – Desviou seu caminho em direção ao amante – faça sala com Milo e minha mãe, já irei até lá.
— Tudo bem. – O italiano segurou o rosto pequeno a sua frente, depositando nos lábios rosados um selinho estalado antes de seguir em frente.
Reassumindo seu trajeto inicial, Afrodite parou ao lado do irmão que mexia atentamente uma panela no fogão.
— O que pensa que está fazendo? – Tinha o tom de voz baixo para que o restante não o escutasse da sala.
O ruivo virou-se, encarando os orbes iguais aos seus com uma sobrancelha erguida.
— Comida. – Disse como se fosse o óbvio, apontando para a panela com a colher de pau.
Recebeu em troca um tapa no ombro.
– Você deveria estar lá, imbecil! – Apontou em direção a sala.
— Mas vocês acabaram de chegar de uma viagem internacional, devem estar com fome.
— Você realmente vai deixar o Milo sozinho com a mamãe? – Ignorou a sentença do outro.
— Vou. Deixarei que ele conheça minha família sem que eu tenha que regular o que lhe será apresentado. Ele ouviu o pior de mim em Amsterdam, não tenho mais o que esconder.
O sueco levou a mão ao queixo, pensando a respeito. O irmão sempre havia sido sincero com seus relacionamentos, contudo, deixar que sua mãe falasse o que bem entendesse era um novo nível. Seria por que não se importava ou por que se importava demais?
Resolveu escolher a segunda opção, cogitando que talvez Camus quisesse que Milo o aceitasse como era, sem rodeios, sem sombras. Sorriu, contente, o irmão poderia mesmo estar amando.
Voltou para a sala em tempo de pegar o final do assunto que o trio travava.
— Então sua família composta inteiramente por advogados? – Natássia perguntou.
Milo não queria mais elogios direcionados a sua família nem tão perfeita assim.
— Pois é. – Respondeu com indiferença.
— Minha nossa, eu sinto muito.
Todos olharam assustados para a senhora loira sentada no sofá. O grego e Carlo estavam sentados no carpete, apoiados na parede de vidro.
— Mamãe! – O sueco a repreendeu enquanto se sentava entre as pernas do namorado.
— Mas é verdade! Deve ser muito chato viver sem diversidade.
Ao contrário do que esperavam, Milo riu gostosamente, confirmando em seguida.
— Concordo plenamente, as vezes é sufocante.
— Mas você parece que faz o que gosta, então foi apenas uma infelicidade do destino, não obrigação.
— Não, eu e meus irmãos jamais faríamos algo por obrigação.
— Continue assim! Ninguém deve ceder a pressões sociais, ainda mais em algo que provavelmente durará sua vida inteira. – Disse de modo enfático e convicto.
— Por falar nos irmãos do Milo, você deveria conhecê-los. – Afrodite sorriu e piscou para a mãe, recebendo um beliscão do namorado por baixo da blusa.
— Aposto que a genética é boa. Vejam meus belos filhos, são a prova viva que genética existe.
Todos riram. A conversa animada e descontraída perdurou, dando ao grego a oportunidade de confirmar todas as suas suspeitas sobre a gentil senhora que o havia interrompido.
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Após findar o jantar, Camus foi em direção aos demais para perguntar onde eles desejavam comer. Parou na cabeceira do sofá secando as mãos em um pano de prato.
— Comeremos aqui? – A pergunta havia sido mais direcionada à Natássia que qualquer outro. Era sempre a matriarca que escolhia.
— Sim, querido. Estamos à vontade aqui.
— Milo, pode me ajudar a trazer as coisas para cá?
— Claro! – O grego se apoiou no tapete felpudo para desdobrar as pernas enquanto se levantava. Seguiu a figura ruiva até a cozinha.
Viu Camus mexendo no armário, de costas para si. Aproximou-se sorrateiramente e uniu as mexas de cabelo, jogando-as para frente para poder beijar a nuca do francês com delicadeza, sentindo os pelos ali se arrepiarem.
Os olhos claríssimos se abriram, assustados, para depois relaxarem ante ao contato.
— Sossegue, aqui não é hora nem lugar. – Sussurrou de forma gutural enquanto pegava uma pilha de pratos limpos. Virou-se, entregando-os ao aluno.
O grego apenas sorriu. Ele poderia estar mais feliz? Duvidava veementemente.
— Tudo bem, professor Sivan, como quiser. – Viu os lábios finos e rosados a sua frente se curvarem em um sorriso tranquilo. Milo quis beijá-lo naquele instante, mas, ao mesmo tempo, apenas estar ali era suficiente. O que estaria acontecendo? O que seriam essas novas sensações dentro de si? Voltou para a sala com a mente anuviada.
Soltando um suspiro profundo, o professor se pôs a ajudá-lo.
Após todos se servirem, espalharam-se novamente pelo enorme cômodo com os pratos nas mãos.
— Meus amores, este ano não terá escolha do local das festas de fim de ano. – Disse a matriarca, a voz abafada pelo som da chuva forte.
— Ah não! Por qual motivo? Está na minha vez! – O sueco reclamou com a voz chorosa.
Milo mastigava em silêncio. Sentado ao lado de Camus no carpete, o estrangeiro apenas observava.
— Eu sei, meu amor – Natássia respondeu com carinho – mas a família do Shun exige que ele fique no Japão este ano.
— Nada mais justo. – Camus se pronunciou, olhando para o prato entre suas pernas cruzadas antes de buscar outra garfada – Ano que vem eu te deixo escolher no meu lugar.
— Mas não é justo. Papai não vai querer ir para o Japão.
— Podemos tentar convencê-lo, mas a família Amamiya não vai mudar de ideia. – Disse a senhora no sofá.
O sueco bufou e cruzou os braços, porém não mais protestou.
Milo sorriu enquanto mastigava. Por mais que aquela família vivesse isoladamente, seus membros se esforçavam ao máximo para ainda se manterem unidos, mostrando que interesses contrários não eram desculpa para o afastamento. Sua própria família, por sinal, dificilmente se unia. Milo percebeu que os presentes nem cogitavam passar as festas separadamente, convite que seus pais quase sempre recusavam, sobrando apenas ele e os gêmeos.
— Já conhece o Japão, Milo? – Perguntou o amigo, tirando-o de seus devaneios.
— Na verdade não, nunca fui em nenhum país asiático.
— Dite, filho, ele provavelmente deve passar as festas com a família dele. – Censurou Natássia.
— Bom, eu sempre passo com meus irmãos mesmo.
— Aposto que Saga e Kanon não se importariam se você viesse com a gente. – Dessa vez o italiano se juntou à conversa.
— Sim! E você irá adorar a Ásia! É fantástica! Será super divertido.
Buscando apoio em Camus, Milo mirou os olhos claros ao seu lado.
— Concordo, você iria realmente adorar. – Disse o francês com um sorriso enigmático.
— Podemos ver isso depois. – Respondeu sem graça.
— Pense com carinho, querido. Seria um prazer ter você conosco. Pelo que Afrodite diz, você já é praticamente da família. Além disso seus irmãos podem nos acompanhar, quanto mais gente, melhor.
Enrubescendo, Milo agradeceu. Questionou-se mentalmente sobre o que o amigo poderia ter confidenciado àquela senhora, percebendo pela expressão do professor que Camus pensava o mesmo.
— Ele só não vai entrar na escala de escolher o local das datas. – O sueco disse de forma irredutível.
— Para de reclamar, Dite. Todo mundo sempre faz o que você quer. Quando é minha vez eu escolho Suécia ou onde o seu pai quiser, a vez do Carlo também é sua, Hyoga não se importa desde que Shun possa ir. Só a mamãe resolve inovar nessa roda. – Camus disse sorrindo enquanto terminava seu jantar.
— Isso não significa que eu aceite tranquilamente novos membros para questionar minha autoridade. – Aprumou-se orgulhoso, tomando seu suco em seguida.
— Às vezes me questiono se foi realmente vantajoso para a humanidade você herdar meu temperamento. Talvez um pouco do Hillesheim em você não faria mal. – Filosofou Natássia.
Todos riram, incluindo o sueco.
— Mudando de assunto, como está sendo conviver com meus filhos, Milo? Muito ou pouco terrível?
— Nenhum dos dois, é bastante agradável na verdade. – Respondeu rindo.
— Aposto que sim. Qualquer coisa peça ajuda ao Carlo, ele tem se saído bem.
O italiano jogou as madeixas grisalhas para trás, presunçoso.
Conversaram por um longo tempo. Afrodite e Carlo contaram sobre a exposição em Londres e Natássia sobre os países que visitara nas últimas semanas devido à companhia de ballet que administrava. Milo e Camus se abstiveram dos detalhes sobre Amsterdam, contando apenas o básico.
Por volta das 20h o cansaço se abateu sobre os recém-chegados.
— Creio que esteja na hora de ir. – Natássia se pronunciou.
— Ainda está cedo. – Camus retorquiu.
— Eu particularmente estou exausto. Podemos conversar mais amanhã pela manhã. – Afrodite entrou na conversa.
— Acho uma ótima ideia. Nos vemos amanhã, meus queridos. – A russa deu um beijo em Milo e já se inclinava para beijar o filho mais velho quando este protestou.
— A senhora não irá dormir aqui? – Camus a segurou pelos ombros, olhando para baixo de forma a mirá-la.
— Na verdade, meu amor, eu sei que costumo dormir aqui todas as vezes, mas é melhor que você e Milo tenham espaço para estudaram ainda esta noite.
Então ela já sabia de tudo, pensou o francês. Estavam armando para ele.
— Não, por favor, eu já estou de saída. Eu e Camus não vamos mais estudar hoje. Por favor, fique à vontade. – O grego interveio.
— Milo, meu amor, não há condições de ninguém sair nesta chuva. Insisto que fique.
— O Camus pode me dar uma carona, assim eu não preciso pegar o metrô, não é mesmo? – Buscou ajuda do mais velho.
— Como diz aquele desenho antigo da TV, um cavaleiro não cai duas vezes no mesmo truque, Milo. Minha mãe tem razão, você fica. – Disse com a voz grave, lembrando-se de quando foi usado no jantar de boas-vindas no início do semestre.
A boca do grego se transformou em um “o” perfeito. Na verdade, este não foi um privilégio único de Milo, todos ficaram surpresos com a atitude de Camus.
— Ótimo, que bom que nos entendemos. – Bancando a diplomata, Natássia quebrou o clima, beijando o filho mais velho e se dirigindo para a saída – Nos vemos amanhã no café. Boa noite, garotos.
Houveram um coro de “boa noite” para então sobrar apenas Milo e Camus na sala de estar.
— Amanhã temos aula cedo, como vamos tomar café da manhã juntos? – Ainda pasmo, se lembrou do compromisso que teriam, olhando para a porta fechada como se não acreditasse.
— Minha mãe saberá por Afrodite, não se preocupe. – Virou-se, abrindo mais as pesadas cortinas, dando visibilidade para a chuva que chicoteava contra o vidro.
— Eu devo ir? – Perguntou receoso, virando-se para encarar o ruivo.
— De modo algum. – Abaixou-se e pegou algumas almofadas do chão, passando por Milo para depositá-las no sofá – Vou separar algumas roupas para você, depois do banho temos assuntos pendentes para resolver.
O grego concordou, engolindo em seco. Estava preparado para a repreensão. Mas o que mais deveria fazer? Estava com vontade, Camus também. Seria ele repreendido severamente por ter tomado a inciativa mais cedo? Ou por não ter tido o bom senso de ir embora antes e agora ser obrigado a ficar?
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Após pegar toalha e roupas com o francês, Milo seguiu amuado para o banheiro. Pensava desde já em como se defender de Camus com argumentos de que eram apenas beijos e que ele saberia separar as coisas, mesmo estando ciente que isso não era a verdade.
Ao terminar o banho, abriu a porta do banheiro e olhou de soslaio para a direita. Sorriu antes de afastar levemente a porta do quarto do professor com o indicador em riste. Viu a cama impecavelmente arrumada e a poltrona sem as roupas usadas durante dia. Franziu o cenho. Não havia barulho do chuveiro, onde estaria Camus? Virou-se a tempo de ver o objeto de seus pensamentos surgir no corredor com uma garrafa de água na mão.
Engolindo em seco, Milo observou a pouca vestimenta do professor. O francês trajava apenas um de seus shorts de treino na cor verde escuro. Era claro que não usava cueca por baixo do tecido fino e curto. O peitoral branco e firme estava desnudo.
O olhar de Camus demonstrava ansiedade e ao mesmo tempo insegurança. Mas apesar de ainda não saber direito o que fazer, ele estava pronto.
Milo deu um passo à frente, tomando a insegurança do professor para si. Por que não conseguia avançar? Por que agia feito um adolescente em frente ao seu primeiro amor?
— Temos assuntos pendentes, não é mesmo? – A voz grave escapou dos lábios finos do francês.
— Temos. – Arrepiou-se, concordando sem certeza.
O professor se abaixou para depositar a garrafa de plástico ao lado do sofá e andou implacavelmente na direção de Milo.
Esperando um contato agressivo que não veio, Milo sentiu os braços alvos e fortes rodearem suas costelas, braços divididos entre o desejo e um carinho extremo. Um abraço apertado precedeu o beijo firme e cheio de expectativas.
Prensado delicadamente contra a parede, Milo recebeu a língua do francês ao arfar de surpresa. Soltou o ar enquanto seus lábios dançavam em um ritmo incerto como bater aleatório das asas de uma borboleta.
O grego sentiu a pressão confortável sobre seu corpo diminuir, sendo conduzido para o quarto em seguida. Quando a parte traseira de seus joelhos atingirem a cama de casal, Camus o liberou, fazendo com que seu corpo fosse perfeitamente acolhido pelo colchão macio. Virou o rosto para os lados, checando os lençóis suaves sob si. Quando tornou a olhar para frente, viu o olhar apaixonado do professor sobre si.
Nada precisava ser dito.
Apesar de olhar fixamente para o homem vindo em sua direção, não conseguiu crer que o momento era real até sentir a cama ceder sob o peso deste.
Os olhos de Milo se dilataram como safiras ao mesmo tempo em um sorriso tomava conta de seu rosto. Seria possível?
Engatinhando sobre o colchão, Camus parou acima do aluno, sentando em seus quadris e mantendo a cabeça do grego entre seus braços retesados de ansiedade. Os longos fios ruivos formavam uma cortina na distância que separava os dois homens. Miraram-se durante segundos, prendendo a respiração em expectativa, até o francês flexionar os braços e tomar os lábios do grego sob os seus. Estava feito, a partir dali nada os impediria.
Camus hesitava desde o momento em que sua mãe os havia deixado. Tencionava ceder-se à Milo, mas tinha dúvidas com relação ao seu próprio desempenho. O que deveria fazer? Teve receio de assistir “vídeos educativos” e eles serem tão falsos quanto as pornografias heterossexuais. O grego era experiente e ele ingênuo e desajeitado. O grego era jovem, bonito, extrovertido e ele um ruivo sardento e sem graça que tinha problemas familiares. Contudo, naquele momento, o francês jogou suas inseguranças para o alto. Resolveu que faria com Milo o que seus instintos lhe dissessem para fazer.
Os fios loiros e avermelhados se misturavam na cama de casal. Milo estava extasiado em ver o mais velho gerir a situação. Camus comandava com maestria. O corpo do grego estava preso sob o corpo forte e pesado do professor e sua ereção, há muito despontada, era deliciosamente esmagada.
O ruivo decidiu que era hora de se mover. Precisava de contato. Apartou o beijo e sentou-se ereto, analisando o belo homem sob si. Escorregou seu corpo pelo quadril do grego, que retesou ante o ato, até parar sobre as coxas grossas. Mostrou suas mãos ao nadador com o intento de ajudá-lo a se sentar. Contendo a vontade de rodear o corpo forte do ruivo, Milo aguardou os próximos passos de maneira obediente.
Camus fechou seus dedos na barra da camisa emprestada e a subiu, sendo ajudado pelo grego. O ruivo empurrou o corpo do aluno de volta para a cama com o seu próprio, colando os abdomes enquanto embrenhava o nariz pontudo nos cachos aloirados, aspirando fundo. Beijou atrás da orelha do mais novo e inspirou novamente. Seus sentidos aguçados permitiam que o tamborilar dos pingos de chuva o inserissem em uma espécie de torpor onde só Milo importava. Avançou com a distribuição de beijos, vendo a penujem loira se arrepiar sob seu toque. Ondulou os quadris para sentir melhor a ereção do outro, que gemeu baixinho. Seu próprio pênis pulsou com o som gutural que escapou dos lábios carnudos do homem sob si.
Segurou a cabeça do aluno entre os dedos longos, tomando sua boca novamente. Aqueles lábios o haviam aprisionado e agora ele não se imaginava livre novamente.
Milo, por sua vez, havia se abandonado naquela cama. Sua cabeça girava a cada movimento, sentia seu corpo se arrepiar, se excitar, sentia uma gota de suor escorregando por sua testa. Não suportando a intensidade de todas as sensações, decidiu se privar da visão, semicerrando suas pálpebras sobre os orbes claros. Mirava o teto quando seus lábios foram abandonados. Sentiu os dedos que antes lhe prendiam contornarem seu pescoço e ombros, apertando seus bíceps e descerem até seus dedos, entrelaçando-os. Sentiu os lábios finos do francês se fecharem sobre um de seus mamilos ao mesmo tempo em que as pernas fortes mudavam de posição, misturando-se com as suas próprias.
O sensorial de Camus estava a mil por hora, a mistura de pelos, cabelos, músculos e ereções era uma novidade absolutamente agradável. Não conseguia identificar onde ele começava e Milo terminava. Após pressionar um mamilo com seus lábios e morder levemente o outro, pôs a língua para fora e traçou uma trajetória pelos quadrados do abdome de Milo, sentindo a ereção deste roçar em sua barriga à medida que descia seu próprio corpo cada vez mais. Não sabia se suas mãos seguravam as de Milo com confiança ou se eram as dele que lhe transmitiam incentivo.
Contornou cada músculo com esmero e quis rir de si mesmo. Heterossexual em que mundo? Sorriu e terminou de descer roçando a ponta do nariz na pele morena. Ao alcançar o cós do short, respirou fundo, vendo a sombra da monstruosa ereção que ali se escondia. Desviou seus olhos claro para cima, fazendo o caminho reverso. Viu os pequenos e finos pelos loiros espalhados pelo abdome e peito, e, por fim, encontrou o rosto do grego, agora mirando o seu com um carinho indiscutível.
Apertou mais os dedos entre os seus antes de abandoná-los, subindo de uma vez sobre o corpo moreno e alcançando os lábios carnudos novamente. Após um beijo intenso, deitou-se colado a lateral do grego, que virou a face de forma a manter o contato visual. Ambos sustentavam uma expressão de súplica no rosto corado. Estavam nessa juntos.
Deslizando a mão do pescoço até o cós do short, Camus invadiu a vestimenta do aluno, cobrindo a ereção com seus dedos alvos. Foi gratificado com um suspiro e um breve fechar dos olhos cor de mar.
Curioso, o francês explorou toda a região da virilha com toques suaves, sentindo os pelos finos da parte interna da coxa, a lateral dos quadris, os testículos redondos e o pênis duro e viril. Institivamente umedeceu os próprios lábios. Presenciando o gesto, Milo inclinou a cabeça de forma a beijá-lo superficialmente. Não tinha concentração suficiente estando a mercê do ruivo. Seu corpo ardia em expectativa.
Descendo o short fino até metade das coxas grossas, Camus segurou o falo duro com precisão, sentindo sua respiração falhar junto com a de Milo. Em movimentos suaves, porém com pressão adequada, o francês começou uma masturbação lenta. Ainda inseguro, observava as reações do aluno, apesar de estar fazendo algo fez em si mesmo a vida toda. E este parecia estar gostando.
Aumentou a velocidade, puxando o prepúcio até cobrir toda a glande, pressionando-a entre o polegar e o indicador, para depois descer delicadamente até onde o freio permitisse. O fato de Milo não ser circuncidado, como ele mesmo era, facilitava muito seu trabalho.
Já Milo sentia que jamais havia sido tocado com tamanha maestria. O fato de estar perdidamente apaixonado pela pessoa que o tocava deixava tudo muito melhor. Buscava por ar com força, sentindo as primeiras pontadas de um futuro orgasmo.
— Camus... – Sussurrou com rouquidão. Viu os olhos hipnotizados saírem do transe – Eu não vou aguentar...
Instantaneamente os movimentos cessaram.
Rendido, o loiro inspirou profundamente. Mal teve tempo de cogitar o próximo passo do francês. Quando viu, este já estava novamente sobre si, puxando vários travesseiros espalhados sobre a cama.
— Esse me parece bom. – O francês murmurou para si mesmo, segurando um travesseiro grosso e macio – Levante a cabeça, Milo. – Imperou e foi obedecido por um grego curioso.
Ajeitando cuidadosamente o travesseiro sob os cachos loiros, Camus afastou o corpo, se certificando que o aluno teria plena visão do que viria a seguir.
— Está confortável? – Perguntou, ajoelhando-se de forma a estar próximo o suficiente para um beijo.
Ao confirmar com um aceno de cabeça que fez os narizes se roçarem, Milo ganhou um beijo rápido e carinhoso, tendo os pensamentos desviados novamente.
Camus desceu sobre o corpo bronzeado em beijos delicados. Terminou de retirar o short das pernas do aluno e se acomodou entre elas, abraçando as coxas torneadas. Milo o mirava com espanto. Camus estava em processo de confirmação de sua sexualidade e já iria fazer aquilo? Desviou o olhar para o teto, atônito.
— Milo, olhe para mim. – A ordem vinda da voz grave o fez voltar imediatamente, quase assustado – Quero me ajude, ok? – Confirmou bobamente com a cabeça – Me ensine a fazer como você gosta.
Sem perceber, Camus mordeu o lábio inferior após a última sentença, ainda estava inseguro. Abaixou a cabeça para lamber despudoradamente a extensão do pênis do aluno. Será que estava fazendo isso corretamente?
— Aaaaahm... – O grego jogou a cabeça para trás, sentindo seu corpo quase explodir de tesão ao ver a língua do professor deslizar sobre si.
— Se não olhar para mim eu não vou continuar. – Sussurrou.
— Camus... – Gemeu em agonia, voltando a mirar o professor.
Fazendo a voz do aluno como combustível, o francês segurou a base do falo rijo com uma mão, descendo o prepúcio suavemente com a ponta dos dedos. Em seguida, umedeceu seus próprios lábios, deslizando-os delicadamente sobre a extensão até a glande bater no fundo de sua garganta e subindo com sucção para depois recomeçar.
Pela primeira vez na vida, Milo não filtrava seus próprios sons. Apenas deixava acontecer. Não que fosse um amante frígido, mas não queria aparentar um ator de pornô gay. Porém, com Camus era diferente, tudo era diferente. Estava sendo extremamente complicado não fechar os olhos. Apenas a sensação dos lábios franceses como ventosas sobre seu pênis, além da boca quente, muito quente, já o enlouquecia, ser obrigado a VER esses movimentos era demais. Não aguentaria por muito tempo. Começou a tremer e sentiu seus testículos serem deliciosamente acariciados.
O grego estava em êxtase. Sentia a língua rodear sua glande, para depois bater-se na garganta estreita.
— Camus, por favor... – Murmurou entre as inspirações entrecortadas.
A resposta não veio em frases, mas sim em um aumento de velocidade e pressão. A franja ruiva já havia grudado sobre a testa do francês devido ao suor, impedindo que Milo visse boa parte do rosto alvo. Agora já viciado em acompanhar os movimentos do outro, o grego levou uma de suas mãos até o rosto do professor, retirando a franja. Quando deu por si, boa parte das mechas ruivas já se encontravam entre seus dedos e ele mesmo guiava os movimentos do professor. Além disso, pronunciava o quadril na direção dos lábios finos, estocando a boca apertada.
Ao mesmo tempo que Camus pensava que engasgaria com todo aquele volume impedindo o ar de entrar em seus pulmões, sentia-se pleno com os grunhidos que eram lançados. Milo estar gostando era o sinal que precisava para ter a certeza que estava fazendo corretamente.
— Camus... Camus... Aaaah... Camus...
O desespero de Milo fazia com que seu próprio pênis pulsasse literalmente de forma dolorosa dentro de seu próprio short. Queria levar uma mão até lá para poder satisfazer a si próprio, mas se soltasse as coxas grossas perderia o equilíbrio. Os movimentos estavam intensos demais.
— Camus... pare, eu vou gozar... – Apesar de pedir com voz chorosa, Milo não queria que este parasse.
O grego sentiu seu pulso ser envolto por uma mão firme, impedindo de continuar controlando os movimentos. O antebraço do francês afundou suas pernas no colchão com uma força monstruosa, imobilizando-o.
Camus aumentou a velocidade e intensidade dos movimentos de uma forma absurda, apoiando-se apenas no próprio abdome e girando levemente a cabeça junto com os movimentos de subida e descida. Sentiu o corpo sobre si tremer em longos espasmos e o gozo quente lhe invadir a boca.
Milo jogou a cabeça para trás e deixou que um longo gemido enchesse o quarto, contorceu-se até que os espasmos parassem e sua frequência cardíaca normalizasse.
Camus se levantou, sentindo o corpo dolorido pelo esforço e o pênis pela excitação não saciada. Mas não importava, tudo o que queria era tocar Milo, vê-lo, ouvi-lo, senti-lo e isso ele havia cumprido com êxito. Foi até o banheiro, passando uma toalha pelo rosto e dorso, ambos molhados de suor. Lavou as mãos meladas do esperma do outro e quando voltou para o quarto, viu o aluno deitado como uma estrela, ocupando toda a cama. Percebeu o peito largo que subia e descia com lentidão.
Deitou-se de bruços ao lado do aluno, de modo que sua própria ereção não fosse vista. Não queria que Milo se sentisse obrigado a fazer algo, mesmo por que a intenção era conhecer o corpo do aluno, não satisfazer a si mesmo.
Puxou um travesseiro, passando um braço por baixo dele para depois apoiar sua cabeça, virando a face ainda corada na direção do aluno.
O grego o mirou de volta, com expressões sonolentas e relaxadas.
— Camus...
— Você gostou? – Interrompeu, achando graça do aluno lutar contra o próprio cansaço.
— Falar que eu apenas “gostei” seria de uma injúria sem tamanho. – Bocejou – Acho que nunca senti um prazer tão grande em toda a minha vida.
Camus sorriu docemente, ficando ainda mais avermelhado em seguida.
— Bom, – pigarreou – fico feliz que você tenha gostado, eu fiquei com medo de não saber fazer direito e... – Disse de forma séria como se estivesse falando de artigos e planilhas, modo de camuflar sua timidez. Contudo, foi interrompido ao sentir a mão do grego sobre seu queixo.
Escorregando-se pela cama, Milo também se virou de lado, passando uma perna por sobre a bunda do francês e um braço por suas costas. Ouviram um barulho vindo da varanda.
— É só o vento arrastando as cadeiras lá fora. – Camus acalmou o outro. A chuva açoitava a porta de vidro.
— Eu nunca fui lá. Posso ir depois?
— Quando quiser. – Desistiu de permanecer de bruços, virando o corpo. Fechou uma mão sobre a perna em sua bunda, puxando o grego para si. Abraçou a cintura do nadador e afundou o rosto na dobra de seu pescoço.
— Camus?
— Hum...
— Você está excitado.
— Está passando... Shiu. – O francês já se rendia ao sono contagiante do aluno.
— Mas...
— Shiu! – O ruivo se ajeitou, colando ainda mais os corpos.
Vencido pelo sono, Milo bocejou mais uma vez. Tendo Camus deitado um pouco abaixo de si, passou o braço pelo pescoço deste e sentiu o descanso vir enquanto aspirava o cheiro emanado dos fios avermelhados.
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Camus abriu os olhos com dificuldade. Passou a mão pela cama para confirmar que Milo não estava ali. Levantou uma sobrancelha. O colchão estava frio. Teria sido um sonho?
Sobressaltou-se ao ouvir o barulho abafado da torneira de seu banheiro e virou o corpo de modo a fitar a porta, tranquilizando-se pela realidade dos fatos.
Milo saiu nu do banheiro, sorrindo ao ver seu objeto de desejo acordado.
Confuso, Camus sentou-se e esfregou os olhos.
— Que horas são? – Perguntou com a voz rouca pelo sono.
— Quase meia noite. – O loiro subiu na cama e sentou-se sobre as coxas grossas do professor.
— Você deve estar com frio. Está gelado. – Disse com a feição fechada. As sobrancelhas cor de cobre unidas.
— E você sempre acorda mal-humorado? – Milo provocou, arrastando-se mais sobre o colo do francês.
“Você pode ficar pra sempre e descobrir.”
— Temos aula amanhã. – Respondeu secamente, mas abraçou a cintura do aluno.
— Sabe o que eu estava fazendo no banheiro? – Sorriu, beijando o canto da boca de Camus.
— Eu tenho mesmo que adivinhar? – Capturou os lábios do grego em um beijo rápido a antes que este se afastasse.
— Estava ficando limpinho. Você me cansou mais cedo, minha vez de cansar você.
Apesar de sentir o corpo começar a responder ao ouvir a voz grave, Camus se esforçou para manter-se sério.
— Na verdade é hora de dormir já que amanhã tem aula! – Frisou as últimas palavras – Eu sou o professor, Milo, não posso me atrasar como certas pessoas.
— Sabe o que isso me lembra? O primeiro dia de aula. – Resolveu brincar com a ironia do outro, fazendo uma cara de surpresa – Talvez esteja na hora de eu fazer com você o que eu quis desde aquele dia.
Camus definitivamente estava se excitando novamente. Recriminou-se pela falta de autocontrole.
— Parece que talvez você esteja interessado. – O grego sorriu lindamente.
— Milo... – Teve os lábios tomados em um ímpeto grego. Rendeu-se, descendo as mãos da cintura para a bunda redonda e firme, puxando o aluno para o mais perto possível.
Em poucos segundos já estava completamente excitado. Foi forçado a se deitar pelo aluno, ouvindo uma risada gostosa em seguida. Viu seu pênis formar uma verdadeira cabana do tecido maleável do short e corou, desviando o olhar.
O constrangimento pouco durou. Sentiu mãos grandes se espalmarem por seu dorso, percorrendo cada um de seus músculos com esmero. Fechou os olhos, decidindo apenas sentir.
Milo, por sua vez, estava hipnotizado. O corpo de Camus era perfeito. Tão alvo que desejava marca-lo por inteiro. Os ombros largos, os mamilos mais rosados que os seus, os bíceps bem trabalhados, o abdome rígido, o ventre plano... pelos deuses, o queria para sempre!
Sentiu sua boca secar enquanto descia o short de treino verde. Embasbacado, não conseguiu terminar de retirar a vestimenta, deixando que Camus terminasse o serviço, conseguindo soltar apenas uma perna.
Ainda sentado entre as coxas do francês, Milo inclinou-se para beijá-lo. Seu coração batia descompassadamente. Estendeu os beijos molhados pelo queixo, pomo de adão, arrastando os lábios até chegar ao pescoço, resolvendo macular a pele alva. Chupou com força até ouvir a reclamação francesa. Riu, extasiado, e inspirou forte o cheiro de suor do outro. Levantou-se e uniu as duas ereções sobre o olhar atento do professor.
Iniciou uma masturbação conjunta, mordendo os lábios ao ver o rosto excessivamente corado mirar o seu. Como Camus era circuncidado, segurou o corpo de ambos os pênis do modo mais firme que conseguiu e com a outra mão fechou a palma sobre a glande exposta do homem sob si, que gemeu levemente em resposta.
Subia e descia com precisão, fazendo com que ambos arfassem. Ao ver o líquido transparente de pré-gozo molhar a ponta do pênis de Camus, Milo expos seu prepúcio o máximo que pode e, com o polegar da mão livre, espalhou ambos os fluidos com o indicador, deslizando de uma glande para a outra com delicadeza, sem cessar o bombeamento.
— Ahhhn... Milo...
Lambeu o dedo úmido, sentindo a mistura de gostos, ato que pareceu extremamente sexy à visão do professor.
Terminando a “limpeza”, Milo abocanhou o indicador e o dedo médio, levando os dedos lubrificados até sua própria entrada. Sentiu o pênis de Camus pulsar entre seus dedos e aumentou o ritmo da masturbação conjunta, mal controlando sua respiração arfada.
Começou a própria invasão, acostumando-se ao que prentendia fazer em seguida. Mal cabia em si de expectativa. Interrompeu o toque, ouvindo a respiração do outro desregular por alguns segundos.
— Tem camisinha? – Perguntou com rouquidão.
Após alguns segundos de delay, Camus apontou para a porta do meio do guarda roupa, perplexo.
Em poucos segundos Milo sentava-se novamente na cama, fazendo o plástico deslizar sobre o membro intumescido sob o olhar atento do ruivo.
Mudou de posição de modo a manter seu rosto de frente ao falo inchado do outro. Por mais que quisesse retribuir o maravilhoso sexo oral que recebeu mais cedo, percebeu que talvez o mais velho não aguentasse, o que atrapalharia seus planos. Deixou o máximo de saliva que pôde sobre a camisinha.
Após lubrificar o falo duro do francês, Milo se posicionou sobre o quadril do outro, vendo a feição de surpresa deste.
— Milo, isso pode te machucar? – Perguntou baixinho, sem saber direito o que deveria fazer.
— Não, – Sorriu, transmitindo confiança – eu me preparei enquanto você estava dormindo, só precisamos ir devagar.
— O que eu devo fazer? – O francês sentiu-se corar com a pergunta, mas realmente não sabia.
— Aproveite! – Sussurrou enquanto guiava o pênis do mais velho para sua entrada.
Sentiu a velha e conhecida dor inicial. Contudo estava tranquilo e relaxado, era o homem que gostava, afinal!
Camus não acreditava que caberia em Milo. Era extremamente apertado e completamente diferente de fazer sexo com mulheres. Sentia vários anéis se fechando sobre seu membro, esmagando-o. Contudo, ele se dividia entre realmente aproveitar e a preocupação com o aluno.
Após se apoiar no ventre do professor, o grego subiu e desceu lentamente, em cada investida ia mais fundo, fazendo com que a saliva usada como lubrificante se espalhasse, tornando o trabalho mais fácil.
Por fim, seu corpo tranquilo se acostumou ao invasor, lhe devolvendo prazer ao invés de dor.
Ao ver as novas reações do aluno, Camus julgou que poderia também aproveitar, agora que as sensações eram recíprocas. Mais por vontade própria do que por querer agradar, segurou o falo do aluno e começou a estoca-lo na mesma velocidade com que era cavalgado.
O grego se ajeitou até conseguir mirar a própria próstata, sentindo as sensações que o assolavam aumentarem exponencialmente.
— Camus... hmmm... pare de me tocar! – Imperou com dificuldade, com a respiração entrecortada.
— Por que? – Assustou-se.
— Eu não vou aguentar muito desse jeito... – Gemeu com rouquidão.
O francês segurou os quadris de Milo, enfiando os dedos com força na pele bronzeada. Nunca em toda a sua vida havia se concentrado com tanto esmero, não poderia gozar! As pernas alvas e grossas estavam rígidas, assim como o abdome e músculos dos braços completamente contraídos. Apesar disso estava vibrando com a alta frequência que o loiro impingia enquanto se movia sobre si.
O colchão oscilava junto ao grego, que parecia incansável. Este respirava através dos lábios entreabertos, os cachos formavam uma cascata loira e úmida sobre si. Mirava a face corada de Camus, tendo certeza que a sua estava em igual estado. Seu pênis latejava, mas tinha certeza que conseguiria terminar sem qualquer estímulo nele. O abdome do francês servia de apoio para que tomasse impulso durante seus movimentos.
— Ah, ah, ah... Milo... e-eu não...
Era demais para o grego, que grunhiu ao sentir Camus pulsar dentro de si.
Gozou em um jato forte que quase atingiu o rosto do mais velho.
O ruivo sentiu as contrações em seu membro inchado servirem de faísca para o próprio orgasmo. Enquanto Milo inclinava sobre si em quase desfalecimento, seu corpo se retesou ainda mais. Virou a cabeça para trás, os olhos claros muito abertos. Uma serpente de fogo se formou em seus testículos, deslizou até a ponta de seu pênis e dali espalhou-se, trespassando seu corpo e saindo em forma de um gemido lânguido. A visão foi perdendo o foco e as pálpebras se fechando aos poucos.
Milo levantou-se com dificuldade. Estava extremamente cansado. Deitou ao lado do corpo inerte do professor, sentindo o suor de suas costas ser seco pelo lençol macio. Tinha os lábios e face vermelhos, os olhos azuis escuros ainda mais brilhantes.
Lutando contra o cansaço, Camus retirou a camisinha e sentou-se para dar um nó sem que o líquido que ela continha se espalhasse pela cama. Viu seu dorso coberto por vestígios do homem ao seu lado e sorriu levemente.
Virou-se para melhor observar o momento de ócio do mais novo. Tocou em sua perna, chamando atenção.
— Hum? – Resmungou.
— Vou me limpar e já volto. Você está com frio? – A voz aveludada tomou conta do quarto, fazendo os pelos do grego se arrepiarem.
— Não, senhor. – Respondeu sorrindo, sem abrir os olhos. Achou que seria expulso para a sala, mas até que o coração de Camus não era tão gelado assim.
— Tudo bem. – Disse mais para si mesmo que para o loiro estendido em sua cama.
Camus caminhou com dificuldade até o banheiro. Jogou a camisinha usada no lixo ao lado da torneira¹ e mirou-se no espelho. As cores de sua pele e de seu cabelo estavam idênticas. Jogou a franja para trás com ambas as mãos e viu uma marca roxa em seu pescoço.
Praguejou em francês, vendo que só conseguiria esconder com um cachecol.
Rolou os olhos e sorriu para seu reflexo.
Estava amando, não estava?
Voltou para o quarto após se limpar, indo em direção ao guarda roupa. Deslizou as portas de madeira em busca de um cobertor adequado para o grego friento. Tinha certeza que em breve ele sentiria frio e a colcha em sua cama não seria suficiente.
Após fazer sua escolha, parou ao lado do aluno, que já havia adormecido do lado esquerdo da cama. Cobriu o corpo nu e andou pela casa, apagando as luzes acesas desde o jantar.
Vestiu uma cueca samba canção curta e macia e deitou-se no lado direito, virando-se para admirar o perfil forte do grego ao seu lado. Resistiu o roubo de um beijo de boa noite, corando com a ideia.
Fechou os olhos, desistindo de conter um sorriso enquanto imaginava que todos os dias dali para frente poderiam ser assim.
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