Um estrangeiro em Paris
25 Inseguranças
Notas iniciais
– Onde estão aqueles dois?
— Calma, amore, logo logo eles aparecem. – Carlo abraçou o homem a sua frente com carinho, apoiando seus lábios na testa do amante.
Afrodite estava emburrado. Adorava participar da vida do irmão, mas era sempre difícil esperar. Se dependesse dele, iria com o casal só para ver a reação do cunhado ao ganhar a chave do apartamento do décimo primeiro andar.
Ouviram a porta se abrir e Camus entrar seguido por Milo.
— Até que enfim! – Correu até eles, fechando os dedos longos na palma da mão, ansioso – Pelos olhares eu acredito que deu tudo certo. – Mirou o grego, analisando-o.
O ruivo confirmou com a cabeça, sorrindo levemente. Afrodite deu um abraço apertado no cunhado, para depois repetir o ato em seu irmão.
— Eu estou tão feliz por vocês, tão feliz! Ah, Milo, tenho algo para você, aguarde um segundo. – Dizendo isso o sueco sumiu em direção ao quarto.
Carlo sorriu e desejou felicidades ao novo casal de vizinhos. Em pouco tempo Afrodite retornou, trazendo um chaveiro chamativo nas mãos.
— Agora somos mais que cunhados, somos sisters!
— O quê? – O grego girou o objeto em sua mão. Era um escorpião amarelo de pelúcia.
— Veja só! – Buscou por seu próprio chaveiro dentro da caixa de chaves ao lado da porta, mostrando-o todo sorridente.
— Um peixinho dourado? – Milo indagou, levantando a sobrancelha sem entender.
— Não, seu bobinho. – Disse pacientemente, como se conversasse com uma criança – O meu é um peixe e o seu um escorpião. Eu faço aniversário em março, você em novembro... – Esperou por uma compreensão do amigo, o que não aconteceu – São nossos signos!
— Ah sim. Então você acredita nessas coisas de astrologia? – Perguntou indiferente.
— Nessas-coisas-de-astrologia? – Afrodite repetiu a sentença pausadamente, incrédulo. Respirou fundo, tentando manter a calma e o amor que nutria pelo melhor amigo – Não sei lidar, gente, sinceramente eu não sei. – Saiu para evitar que possíveis ofensas saíssem de sua boca, indo se juntar a Saga, Shaka e Marin em uma conversa.
Camus e Carlo riram, apesar de Milo não entender direito o que havia acabado de acontecer.
— Toda pessoa tem uma amiga viciada em astrologia, certo? – O francês indagou ao namorado.
— Já conheci algumas pessoas que acreditam nessas coisas, mas não tenho nenhum amigo assim.
— Tem sim, só não sabia. O Dite é a louca dos signos daqui. – Completou sorrindo, olhando cumplice para Carlo.
— Pode até falar mal de astrologia, não tem problema, mas nunca na frente dele. – O italiano finalizou.
— Bom, vou tomar algo, acho que meu corpo esquentou com a caminhada, estou suando. – Camus passou as costas da mão na testa, indo em direção à cozinha.
— Você entende? – Milo, que ainda nem havia retirado as luvas de tanto frio que sentia, apontou com o indicador para o ruivo que os deixava.
— Não. – Carlo riu – Pelo menos agora eu não estou sozinho nessa família estranha. Você precisa conhecer o Hyoga, que é russo de verdade.
— Ele se parece com o Camus?
— Fisicamente ele se parece mais com o Dite e com a Natássia. Mas todos os três tem os mesmos olhos.
— Isso eu fiquei sabendo.
— Mas em questão de hábitos e seriedade ele definitivamente puxou o Camus. Em menor escala, mas é possível notar uma certa semelhança sem muito esforço. Ele é mais tímido também, pouco sociável.
O grego riu, imaginando o quanto seria legal fazer parte efetivamente daquela família tão peculiar.
Carlo sugeriu que ambos fossem para a varanda para se unirem aos demais convidados, contudo, o grego foi interpelado por Mu durante o trajeto.
— Milo, posso falar com você? – Mu se desvencilhou do grupo em que estava, indo em direção à dupla.
— Claro. – O grego se virou sorrindo.
— Já sei do que se trata, pode demorar. Vou buscar umas bebidas. – Carlo os deixou, rumando para a cozinha.
— Bom, queria dizer que eu estou a sua disposição para problemas com o seu apartamento.
— Todo mundo já sabia, menos eu? – Riu, fingindo-se de ofendido.
— Na verdade sabíamos eu, Shaka, Saori, Dite e Mask.
— Até a Saori?
A japonesa, ao ouvir seu nome, foi em direção aos homens.
— O que tem eu?
— Já sabia que o Camus não aguentava mais dormir sem ter o Milo ao lado.
— Ah sim, isso eu sabia mesmo. – Apoiou com dificuldade no ombro do engenheiro, já que era consideravelmente mais baixa, segurando uma taça de vinho quase vazia.
A naturalidade dos amigos ao falar de Camus fez com que o grego começasse a rir.
— É sério, ele não vive mais sem você. É todo suspiros no telefone.
— Verdade. – Mu concordou com a amiga – Mas enfim, se precisar de ajuda com contratos é só falar.
— Muito obrigado, Mu, é muita gentileza. Eu lembro que aluguei por todo o tempo em que eu estaria na França, pagando uma multa em caso da rescisão do contrato.
— Você tem a opção de mantê-lo também. Mas pagar aluguel sem morar no local é pior que a multa.
— Com certeza.
— Se quiser pode ir lá em casa para a gente olhar esse contrato em busca de brechas. Eu posso ajudar com as regras do setor imobiliário e a Saori pode ajudar no quesito jurídico.
— Posso mesmo, que dia? – Disse a moça que aparentava estar levemente embriagada, mas ainda aguentaria bastante álcool.
Os amigos de longa data miraram Milo, aguardando uma resposta.
— Amanhã? – Sentiu-se pressionado, falando o primeiro dia que lhe veio à cabeça.
— Ótimo. – Responderam em uníssono.
— Muito obrigado mesmo, gente. – Sorriu. Só havia pessoas maravilhosas naquela festa. Percebeu que Camus sabia muito bem como escolher seus amigos.
— Agora nos conte, o que quer saber do Camie e ele não conta? – Saori instigou, sendo acompanhada por um Mu sorridente.
— Boa, Sao!
— Hum, não sei. Vocês têm alguma história boa pra contar?
— Temos um monte. Deixa só eu chamar ajuda. – A morena se virou gritando pelo sueco, que veio imediatamente.
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Todos se divertiram muito e a festa durou até o meio da madrugada. Antes de irem, Mu e Saori se ofereceram para ajudar na bagunça, hábito que mantinham desde a faculdade. Nessa época os encontros cumpriam uma escala, acontecendo cada dia na casa de um deles e todos organizavam o espaço após a reunião.
Levados pela dupla, os demais convidados também se ofereceram, reduzindo bastante o tempo da arrumação e tornando-a mais divertida.
Quando todos se foram, Milo demonstrou sua gratidão aos anfitriões da festa e ao namorado. Ambos apresentavam um estado decadente quando alcançaram o apartamento do décimo primeiro andar.
Ao abrir a porta Camus se inclinou, fazendo uma leve reverência.
— Seja bem-vindo ao seu novo lar, milorde. – Mantinha a pose séria de sempre, tornando tudo mais engraçado aos olhos do grego, que gargalhou.
— Eu agradeço a recepção, caro comparsa, mas ambos sabemos que ela está errada. – Riu da expressão perdida do ruivo – Estamos em um relacionamento sério agora. Você deveria me carregar no colo antes de entrarmos para dar sorte.
— Seu desejo é uma ordem, milorde. – Camus sorriu de modo maldoso ao ver o desespero do grego. Rápido como conseguia ser, jogou o corpo do grego sobre os ombros, mas Milo se rebatia, terminando em uma confusão de pernas, braços e corpos curvados. O esforço do francês foi grande para manter o namorado suspenso durante o cruzar da porta, afinal o loiro era alto e forte, o que o tornava bastante pesado. Fechou a porta com o pé e soltou o grego com um suspiro de alívio.
O casal riu da situação e ambos seguiram para o quarto que agora era compartilhado. Enquanto um tomou banho, o outro escovou os dentes e fez xixi. Inverteram os papeis depois, conversando a todo momento. Milo simplesmente adorava aquele grau de intimidade que eles agora possuíam. Enquanto escovava os dentes, olhava para o namorado através do box, pensando como era engraçado o fato de Camus ter sido primeiro a dar espaço. O francês sisudo reclamara de “ser babá” do aluno orientado desde o primeiro dia de aula, mas nada fez a respeito. Pelo contrário, o ruivo poderia ter mantido as relações estritamente acadêmicas, mas decidiu realmente ser o responsável pelo estrangeiro. Para Milo, seus planos de manter a relação valiam a pena, mesmo que o namorado não o assumisse publicamente.
O grego se jogou no lado esquerdo da cama, sorrindo ao lembrar que aquela seria sua cama até o final daquele ano e, se dependesse dele, seria sua para sempre. Ouviu Camus deixar o quarto, como fazia toda noite, indo trancar a porta da frente, regular o aquecedor e apagar as luzes. A última etapa da rotina era cobrir Milo. O francês sabia que o namorado sempre saía do banho com calor e no meio da noite sentia frio, enroscando-se em seu corpo e reclamando de sua pele fria. Aí Camus xingava, dizendo que estava quieto em seu lado e Milo que se aproximara, que assumisse as consequências, mas abraçava-o mesmo assim.
Dessa vez, o ruivo deitou-se abaixo da linha dos travesseiros, arrastando-se até alcançar o peito do grego. Deitou de bruços sobre o corpo forte, sentindo um braço peludo passar por seus ombros em sinal de carinho. Sorriu, aspirando o cheiro que emanava do pijama já usado duas noites atrás. O que Camus não havia contado é que dessa vez havia regulado o aquecedor de modo diferente, deixando a casa um pouco mais fria. Devido à temperatura, dormiram abraçados a noite toda.
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Quando preocupado ou ansioso, Camus dormia excessivamente, como se conseguisse afastar os pensamentos estando imerso em outra realidade. Por volta das 8h da manhã, foi acordado bruscamente pelo despertador e teve uma dificuldade extraordinária para se levantar. Após deixar Milo em casa na noite de quinta, o francês havia pedido conselhos ao irmão. Queria mostrar ao namorado que estava pronto para um compromisso, que estava pronto para ele. Ao descer para seu apartamento naquela noite, ficou um bom tempo descobrindo o próprio corpo.
Camus se levantou com cuidado e seguiu para o banheiro. Tomaria um banho e se prepararia para Milo. Apesar de se mexer ao sentir a pressão do francês sobre si desaparecer, o mais novo estava desmaiado o suficiente para continuar dormindo.
Retornando à cama completamente nu e com certa dose de nervosismo, Camus mordeu o lábio inferior de modo instintivo, caminhando com cuidado sobre o piso frio. Estava bastante tenso. Deitou de frente para o namorado, mirando o perfil desenhado. Achou graça no fato de Milo compor perfeitamente o estereótipo grego. Tinha o nariz forte, os lábios grossos e lindamente moldados. O maxilar masculino e proeminente funcionava como um ímã para si, fazendo-o sentir um desejo incontrolável de contornar aquelas linhas com beijos todas as vezes. Um exemplo: em aulas que o ruivo tinha que dissertar para os alunos sobre algum tema, buscava olhar para todos, menos para Milo. Seria muito difícil se lembrar do conteúdo da disciplina com seus olhos claros sobre o grego.
Levantou o braço esquerdo de modo a tocar a face à sua frente. Os pelos dourados da barba sem fazer arranhavam a palma da sua mão, uma sensação que o agradava muito. Em pouco tempo as safiras azuis se abriram em sua direção, iluminando o dia. Um belo sorriso foi desenhado nos lábios que havia admirado a pouco tempo.
— Eu levantei, tomei banho, me deitei de novo e, mesmo assim, você não acordou. – Perguntou levantando uma sobrancelha, devolvendo o olhar.
— Sua mão é fria. Não gosto de frio. – Respondeu rouco, mantendo o sorriso.
— Desculpe. – Tencionou romper o toque, mas teve os dedos alvos retidos com força.
— Por que você acordou tão cedo? – Fez uma careta.
— Tenho planos.
— Para de ser curto e grosso comigo. – Riu – Quais planos?
Sem responder com palavras, Camus se aproximou, depositando um beijo suave no queixo altivo. Aproveitando o momento de surpresa, o francês subiu sobre o namorado, colando os corpos. Houve uma rápida troca de olhares; Camus confiante e Milo confuso. O francês esboçou um sorriso safado antes de mergulhar rumo aos lábios do amante novamente.
Mesmo sem entender, o loiro escorregou as mãos sobre a lateral do corpo alvo, até espalmá-las na bunda empinada. De imediato seu próprio corpo reclamou, a ereção formando uma tenda no short largo.
Liberando os lábios carnudos, Camus percorreu o maxilar com beijos molhados, subindo até alcançar a base da orelha do grego. Encostou a ponta do nariz gelado na curva do pescoço, vendo os pelos que ali descansavam se arrepiarem. Sorriu, antes de fechar os dentes sobre a carne macia. Ouviu um gemido de dor e se desculpou pelo impulso, rindo.
O ruivo se levantou o suficiente para obter um contato visual antes de cavalgar, pressionando o pênis ereto do namorado contra o seu. Ambos ofegaram, as faces já coradas ardiam ainda mais.
Milo olhou para baixo, admirando o corpo nu do namorado. Teve uma ideia. Remexeu-se no colchão macio, até estar em uma posição entre sentado e deitado. Camus não entendia, apenas aguardava.
— Vem cá. – Milo esboçou seu sorrido mais sedutor, abrindo os braços.
— Como assim? – O ruivo levantou uma sobrancelha.
Inclinando o corpo para frente, o grego segurou a parte de trás de ambas as coxas grossas do namorado, trazendo-o para mais perto, até que o quadril de Camus estivesse em frente ao seu rosto.
— Me fode, Camus. – Dizendo isso, abriu a boca e olhou para cima, esperando.
Sentindo o corpo se contrair, o francês ofegou. Milo era tão quente! Tão irresistível! Hoje teria que dar tudo de si para compensar todo o prazer que o namorado já havia lhe proporcionado.
Colocando-se com cuidado na boca quente do homem sob si, Camus teria que se segurar. Não poderia deixar que tudo acabasse ali. Em pouco tempo estava estocando delicadamente enquanto segurava os cachos loiros e jogava a cabeça para trás.
Apesar de não estar sendo estimulado fisicamente, ouvir os gemidos baixos e roucos do namorado tirava o grego do sério. As palavras sussurradas em um francês perfeito e tão diferente do seu, de maneira quase ininteligível reverberavam em seu ouvido, fazendo-o torcer os dedos dos pés sem perceber, tomado por uma excitação inacreditável.
Percebendo que o orgasmo se aproximava sorrateiramente, Camus cessou o movimento, não sem certa dificuldade. Puxou todo o ar que conseguia para manter o cérebro funcionando. Andando sobre os joelhos, afastou-se do rosto do grego e desabou sobre o peito forte. Ele precisava de um tempo para se recuperar. Milo aproveitou a comodidade para acariciar os fios ruivos, que já estavam suados. Camus estava quente.
Não disposto a deixar que o namorado esfriasse, o grego o agarrou e rolou na cama, invertendo as posições e ficando sobre o corpo alvo. Tomou os lábios finos e rosados para si, beijando-o lentamente, mas com intensidade, com vontade. Interrompeu o contato apenas para poder retirar a camisa do pijama, retomando o beijo logo em seguida. Segurava o rosto alvo com ambas as mãos, domando os movimentos. Sentia os dedos do amante deslizando em um carinho suave por suas costas. Por todos os deuses, como o amava! Era um sentimento tão grande que chegava a machucar!
— Milo... – Sussurrou entre o beijo, chamando atenção do loiro.
— O que houve? – Separou-se por poucos centímetros, apenas o suficiente para ouvir o que o outro tinha para falar.
— Hoje faremos diferente. – Desviou o olhar, envergonhado. Ambos mantinham os lábios avermelhados pelo beijo.
— Como assim?
Por que o grego tinha que ser tão bobo? Ele poderia simplesmente entender e poupar Camus de ter que dizer com todas as letras. Mas não, ele não entenderia. Agora ele olhava para si como um filhote de pastor alemão quando não entendia algum comando, virando a cabeça de modo curioso.
— Eu conversei com o Afrodite... – Camus corou mais ainda, cobrindo os olhos com a mão direita. Não estava sendo fácil. Olhar para o grego parecia algo impossível no momento.
— Ainda estamos falando de sexo? – Com medo de ter perdido algo importante, Milo se esforçou para entender o que estava deixando o namorado tão constrangido.
— Vamos inverter hoje, você fará em mim. – Correu os dedos pelos fios ruivos abruptamente em um sinal de extrema timidez, corando até a base do pescoço.
Mirando a certeza nos olhos claros como piscinas do ruivo a sua frente, Milo ficou imobilizado. Quando achava que as coisas poderiam acabar, Camus o convidava para dividir o apartamento e, no dia seguinte, confiava nele a tal ponto! Sabia o quanto era uma decisão difícil e importante. Sorriu de modo a mostrar quase todos os dentes, estava muito feliz.
— Nesse caso, – Beijou a ponta do nariz afilado – Vire-se!
Ansioso, Camus obedeceu. O peso da cama foi redistribuído, Milo se movimentava. De bruços o francês pouco via o que acontecia atrás de si.
— Levante os quadris, ruivo. – Milo passou um travesseiro macio sobre o ventre do namorado, deixando-o com os quadris empinados.
— Milo... – Sussurrou, tímido.
— O que foi? – Abaixou-se até encostar os lábios nos fios avermelhados.
— Não é nada.
— O que foi? – Repetiu, beijando-lhe o topo da cabeça, incentivando.
— Estou muito exposto. – Disse a contragosto. Sabia que teria que ser assim, mas estava desconfortável. Ouviu o namorado rir em resposta, retornando aos afazeres.
Milo retirou seu short. Estava excitado, porém também estava nervoso. A primeira vez não costumava ser memorável por ser agradável. Ele sabia que iria doer.
Tentou se concentrar no parceiro, afinal, era tudo que importava. Hoje todas as atenções seriam para ele. Reparou na curva que o corpo forte e alvo formava. Era descendente até a base da coluna, mudando para ascendente e fazendo o contorno da pele macia.
Hipnotizado, o grego resolveu tocar aquele objeto de desejo. Inclinou-se de modo a distribuir beijos sobre o homem a sua frente, descendo seus lábios cada vez mais, delicadamente.
Sentindo o contato inesperado, o francês se esquivou, virando-se em chamas.
— O que pensa que está fazendo?! – Vociferou.
— Estou beijando você. – Olhava sem entender. O que havia feito de errado?
— Não beije aí!
— Por que não? É só um beijo! – Indignou-se, mas percebeu a timidez do outro e sua cólera se desfez – Camus, – Disse com mais calma – confie em mim? Ok?
Grunhindo, o ruivo se virou novamente para a cabeceira da cama, afundando a face no travesseiro. Sentiu os toques íntimos em seu corpo recomeçarem e se esforçou para se manter calmo. De repente, algo morno e agradável tocou sua pele. A sensação era muito melhor do que pudera imaginar! A língua do loiro parecia contornar uma parte completamente desconhecida de seu corpo, projetando um prazer diferente do que sentia usualmente, mas igualmente potente. Sem avisar, o atrevimento foi mais forte. Milo havia pressionado a língua para depois contornar e pressionar novamente.
Camus não era de fazer barulho, mas estava impossível se manter imparcial às novas sensações. Grunhiu, afundando ainda mais o rosto contra a fronha macia.
Enquanto movimentava sua língua em uma pressão firme e intermitente, astutamente o grego iniciou uma massagem no períneo, sabendo que era possível atingir parte da próstata por ali, ocasionando um prazer ainda maior. Ouviu Camus arfar e parou para sorrir. Seu nervosismo estava se esvaindo junto com o nervosismo do namorado.
Colocou o próprio mindinho entre seus lábios e a pele de Camus, lambendo-o com gosto enquanto distribuía bastante saliva. Mordeu os próprios lábios antes de começar a introduzir o dedo lubrificado.
Camus não sentiu absolutamente nenhuma dor. Era algo pequeno e muito bem lubrificado. A mão livre do grego agora lhe massageava as coxas grossas com carinho, fazendo-o se sentir confortável e amado.
Milo sabia que lubrificação só perdia em importância para a tranquilidade do namorado, então lubrificaria muito bem! Ousou fazer movimentos com o mindinho, ato que funcionou com sucesso. Camus parecia tranquilo e à vontade. Retirou o dedo, planejava introduzir o indicador dessa vez. Para isso, levantou-se da cama e deslizou as portas do guarda roupa, buscando o lubrificante que eles usavam, além de um pacote avermelhado de camisinha.
O ruivo não se mexia. Ainda estava extasiado pelo prazer inédito que sentira. Em pouco tempo, algo maior foi introduzido com facilidade dentro de si. Apesar de perceber a diferença de diâmetro, também não sentiu dor. Ao ver a boa reação do amante, Milo retirou o dedo com uma rapidez controlada, provocando outro grunhido. Havia pedido passagem com calma, mas, agora que o corpo de Camus o havia aceitado, iria potencializar as sensações oferecidas. Mantendo a delicadeza, introduziu com mais velocidade o indicador, retirando-o logo em seguida.
O corpo do francês subia e descia devido à respiração pesada. Milo resolveu usar o dedo médio em conjunto com o indicador como próximo passo. Apesar da lubrificação perfeita, não permitindo que a pele se repuxasse durante a tentativa, um leve incomodo pode ser sentido dessa vez. Sempre atento, o grego questionou se estava tudo bem e se Camus se sentia confortável para continuar.
— Tudo bem, continue. – Não era dor, era incômodo. Mas estava preparado, não iria desistir.
Milo lubrificou e inseriu um terceiro dedo. Se o namorado continuasse a partir dali o pior teria passado. Camus trincou os dentes, contudo aguentou firme. Agora havia sentido dor, mas não chegava a ser algo insuportável. Ele esperava com todas as forças que tudo melhorasse, pois, apesar de suportar aquela pequena invasão, não sentia qualquer vestígio de prazer.
Após muito remexer, sempre com bastante cuidado, Milo retirou os dedos. Internamente o francês comemorou de alívio.
— Camus, meu amor, quer continuar? – Perguntou com a voz doce. Se sentia mais ansioso que excitado, mas se o namorado gostasse, a situação poderia ser revertida.
— Sim, Milo. É lógico que sim. – O ruivo havia virado a cabeça, sorrindo com confiança.
Com lubrificação extra e camisinha, o grego foi pedindo espaço aos poucos. Camus era a primeira pessoa que Milo tirava a virgindade e isso o deixava extremamente tenso. O francês, por sua vez, achou que seria pior. Talvez uma dor lancinante ou uma sensação de ser mortalmente empalado. Contudo estava tranquilo e, apesar da dor natural advinda da virgindade, nada o restringia. Confiava e amava Milo de uma maneira que o assustava, se o grego conseguia se doar para ele, por que ele não faria o mesmo?
Após estar dentro do mais velho, Milo ofegou. Tentou em vão controlar a voz ao perguntar como o outro se sentia. Apesar de receber uma confirmação de que estava tudo certo, sabia que não estava. Se mexeu com cuidado, controlando o próprio prazer. Apoiou as mãos nas nádegas alvas, segurando-as firmemente quando percebeu que Camus parecia mais à vontade com sua presença, o que o incentivou a ir apenas um pouco mais rápido. Ainda controlando minuciosamente os movimentos, Milo usou uma das mãos para levantar ainda mais o quadril do francês de modo a ter espaço para tocá-lo e viu a marca avermelhada de seus dedos na pele clara. Sorriu vitorioso.
Sabia que a primeira estocada era a que mais doía quando o assunto era somente físico. Se o ruivo estivesse nervoso, a dor não passaria tão cedo. Após um tempo, retornou com as mãos nos quadris do namorado e percebeu uma maior liberdade ao se movimentar, deslizando sob o corpo quente. Virava o próprio quadril, tentando acertar um ponto específico em Camus.
Com as tentativas do amante, o ruivo começava a sentir os efeitos de ser estimulado. O prazer delicado que sentira com a língua do loiro não era nada comparado àquilo. E a sensação ia somente crescendo à medida que a resistência física que seu corpo virgem insistia em manter.
Após um tempo e muita paciência de ambos os lados, Milo estocava sem medo. Os cachos loiros grudavam no rosto bronzeado e as gotas de suor escorriam por seus músculos retesados. A franja ruiva de Camus também havia se aderido ao rosto corado, cobrindo os olhos claros e nublados. Os dedos longos do mais velho se fecharam sobre a colcha, apertando-a com força enquanto seu corpo era levado para frente e para trás.
Ambos suspiravam com o prazer crescente. Camus se inclinava para frente de modo que Milo se afundasse com ainda mais força na volta. Quando sua próstata foi atingida, achou que iria desmaiar. A sensação era muito, muito agradável. Não conseguiu conter um rosnado, fazendo com que as pernas do grego fraquejassem.
Por fim, ambos entraram em ressonância, atingindo movimentos fortes e bruscos. Milo jogou a cabeça para trás, olhando hipnótico para o teto. Ele não suportaria aquilo por mais tempo. Os braços duros como mármore do francês fraquejaram e uma gota de suor abandonou a ponta do nariz afilado, molhando o lençol claro. Nenhum dos dois aguentava mais.
— Milo... – Grunhiu com a voz muito rouca. Estava quase. Seria possível que chegaria ao clímax daquela maneira? Para ocorrer, a estimulação precisava de ambos trabalhando e, no frenesi, às vezes Milo errava aquele ponto tão específico, o que era delicioso pois que mantinha por mais um pouco aquela sensação de “quase”. O francês tremia e seu corpo ameaçava se contrair a qualquer momento.
Após mais algumas estocadas, Camus desfaleceu. Uma onda começou pequena, tornando-se enorme e engolindo todo o seu ar. Inúmeras contrações varreram seu corpo enquanto sugavam Milo, que não demorou a compartilhar as mesmas sensações.
Ambos caíram na cama sem qualquer vestígio energia. O grego precisou manter um esforço absurdo para retirar a camisinha, dando um nó apertado e largando-a sobre o colchão.
Deitaram-se de bruços, com as faces frente a frente. Camus fechara os olhos e concentrava-se em retomar seu ritmo respiratório. Já Milo o olhava e sorria bobamente. O francês corou ao abrir os orbes claros e notar que era observado.
— Como foi? – Milo questionou.
— Foi muito bom. – Controlou a vontade de desviar o olhar, sorrindo levemente.
— Que bom... – Expandiu ainda mais o sorriso, que logo deu lugar a uma expressão perturbada – Eu machuquei você em algum momento?
— De modo algum.
— Jura?
— Juro.
— Que bom... – Sorriu de novo.
Camus riu.
— Precisamos tomar banho.
— Ah, Camus, você é muito certinho. Não podemos dormir um pouco?
— Não. Temos que separar as roupas sujas para o Mask levar, incluindo esse lençol, buscar coisas no seu ANTIGO APARTAMENTO e depois visitar o Mu.
— Precisa frisar tanto assim?
— Precisa. Agora você mora comigo. – Sorriu satisfeito. Seu coração bateu mais rápido e ele sentiu um leve desespero. Pelos deuses, ele estava amando.
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Após tomarem um banho sob a supervisão de Camus, fizeram um café rápido, separaram as roupas para Carlo e lhe deixaram um bilhete, caso ele resolvesse ir à lavanderia pela manhã. Milo questionou o porquê do italiano ser o responsável pelas roupas e o mais velho não soube responder.
— Acho que ele levou algumas vezes seguidas e virou obrigação. – Deu de ombros.
— Tipo você trancar a casa toda noite? – Andavam em direção ao Cadillac negro na garagem do prédio, cada um segurando uma mala vazia em cada mão.
— Isso. E você arrumar as coisas na biblioteca lá de casa quando acabamos de estudar. – Apertou o botão do alarme em seu bolso, ouvindo as fechaduras destravarem. Ambos jogaram as malas nos bancos de trás, entrando no carro em seguida.
Milo maneou a cabeça, pensativo.
— No que está pensando? – Colocou o cinto de segurança.
— Acho que vou oferecer ajuda ao Mask. – Segurava o próprio queixo – Ele é tipo eu, mas do andar de cima. Entende?
— Não. – Camus ligou o carro com uma das sobrancelhas arqueadas. Milo estava andando muito com seu irmão.
— Ah, apenas ignore. – Colocou o cinto de segurança – Está decido, irei ajudar o italiano.
— Fique à vontade. Eu já tenho a comida como obrigação, o problema é todo seu. – Saindo do prédio, rumou para o subúrbio. Era hora do namorado lhe dar a paz que ele desejava desde o início do semestre letivo.
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Após estacionarem em frente a edificação antiga, Milo cumprimentou gentilmente Jean, que estava sentado em um dos sofás velhos lendo o jornal do dia. O casal seguiu direto para as escadarias já conhecidas, portando as malas vazias em mãos. Camus lembrou-se do dia da mudança do grego, quando subiu por aqueles mesmos degraus, esbarrando em um homem loiro, forte, sujo e molhado que carregava um fogão inteiro nas costas. Sorriu triste. O semestre estava acabando, ele deveria ter aproveitado mais.
Ao alcançarem o apartamento 302, Milo retirou a chave pouco usada da carteira. Camus, que frequentemente se recusava a estimular o grego comparecendo ao local, impressionou-se com a mudança. Ainda havia mofo, mas era possível notar um certo esforço para retirá-lo. O ambiente estava limpo e o cheiro era agradável. Sentiu todos os pelos de seu corpo se arrepiarem ao adentrarem no antigo quarto do grego. A cama era muito precária, assim como o restante dos móveis. Não havia calefação e roupas secavam nos canos que levavam água quente ao chuveiro.
— O que foi? – Milo sorriu irônico – Não é bom o suficiente para você?
— Não, – Camus olhava de um lado para o outro com expressão neutra – não é bom o suficiente para você.
Camus abriu o guarda roupa com rispidez e começou a jogar as peças de roupas que ali repousavam dentro de uma mala aberta. Ele havia sido negligente, deveria ter tirado o grego dali bem antes.
Milo revirou os olhos, se empenhando em ajudar o namorado. Conseguiram guardar rapidamente todas as peças e rumaram para a cozinha em seguida. Não conseguiram aproveitar nada, havia pouca coisa ali já que o grego frequentemente comia fora. Juntaram algumas sacolas de lixo e desceram com tudo antes de conversarem com a senhora que gerenciava os apartamentos.
Esme preferiu que os o casal não retornasse com os móveis para o porão coletivo, pois poderia alugar o 302 com preço de apartamento mobiliado. Milo não se importava com o trabalho que tivera, se poderia evitar que outra pessoa passasse pelo mesmo, ótimo. Resolveu deixar o colchão velho que comprara com Kanon, não faria falta.
Ambos combinaram de retornar futuramente para conversarem sobre os termos do contrato e partiram em seguida, deixando para trás o motivo de tantas brigas e preocupações.
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O dia prosseguia frio, obrigando Milo a se despir de quatro peças de roupa toda vez que entrava em um lugar com aquecedor. Sentou-se confortavelmente no balcão para tomar seu iogurte enquanto Camus preparava o almoço.
— Isso são horas? – O ruivo questionou enquanto remexia o conteúdo de uma das panelas.
— Sempre é hora de tomar iogurte. – Deu um gole em sua garrafinha, fazendo o outro rolar os olhos.
— Hoje à tarde tenho uma audiência com os pais do Philippe mediada pelo Shion. Quer que eu te deixe no Mu ou nos seus irmãos antes de ir?
— Não acredito que terá outra audiência com os pais desse infeliz. Que garoto mimado! Vai reprovar ele? – Lambeu despretensiosamente a tampinha de alumínio.
— Espero que sim. Vamos ver como vocês se saem na prova. – Deu de ombros.
— Prova?! Eu vou ter que fazer também?
— Mas é claro que vai. Por que não faria? – Disse como se fosse o óbvio.
— Porque sou seu namorado, oras!
— E também é meu aluno, as coisas funcionam assim.
Milo bufou irritado.
— Vai querer a carona ou não?
— Vou, me deixa no Mu para resolvermos os assuntos sobre meu contrato. Meus irmãos nos convidaram no fim da tarde pra estender a festa de ontem. – Apesar de estar com raiva, não dispensaria uma carona nesse dia frio.
De costas, Camus sorriu.
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Após almoçarem com Afrodite e Carlo, o casal buscou Saori no hotel. Seiya havia ido visitar uns amigos que optaram por fazer faculdade em Paris, aproveitando o compromisso e ausência da namorada. O ruivo combinou de se juntar ao trio antes que todos rumassem para a casa dos gêmeos, mas achava que a audiência seria um pouco mais demorada que a análise do contrato do namorado.
Mu abriu seus melhores destilados artesanais para tornar a discussão do contrato “menos exaustiva”. A experiência do engenheiro no campo imobiliário e a ajuda de Saori em termos puramente jurídicos permitiram ao grego encontrar uma brecha no contrato, fazendo com que a rescisão fosse gratuita.
— Eu nem sei como agradecer vocês.
O trio estava na sala do apartamento de Mu e Shaka, sentados em dois sofás grandes e confortáveis. Os móveis, assim como o sistema de iluminação eram extremamente modernos e harmoniosos.
— Não precisa agradecer, meu querido. – Disse Saori, virando o conteúdo inteiro de seu copo de uma vez – Continue mantendo o Camus bem-humorado e já consta como agradecimento suficiente.
— Ele está realmente mais bem-humorado?
— Você não faz ideia, Milo, não faz ideia... – O engenheiro riu, entrando na conversa.
— O namoro de vocês definitivamente foi a melhor notícia desse semestre. – Saori assentiu para si mesma, pensativa.
— Eu diria até que foi a melhor notícia do ano.
— Sim, tem razão. – A morena concordou.
— E como você está com toda essa história, Milo? – Mu se permitiu perguntar. Gostava do grego e sabia o quanto seu melhor amigo poderia magoar as pessoas. Saori era a prova viva disso.
Sentindo a confiança de que todos ali gostavam verdadeiramente de si, Milo se sentiu confortável para falar sobre seus sentimentos. Saori e Mu eram pessoas muito abertas e tranquilas. Apesar de não ter um grande contato com ambos, sabia que eram pessoas pacientes e amorosas.
— Bom, eu gosto muito do Camus e entendo a relação dele com a Sorbonne. Sei dos problemas internos que o assombram e já ouvi muito sobre o Raul. Mas ele assumiu nosso relacionamento, o que eu não esperava que fosse feito. – Mirou o copo entre suas mãos – Acho que não me importo que tenhamos que esconder da comunidade acadêmica sendo que todas as pessoas que amamos saibam. Só não consigo saber como as coisas serão ao fim do semestre, está tudo imprevisível.
A dupla de amigos concordou e o silêncio dominou o ambiente por alguns segundos.
— Você tem algum plano? – Mu prosseguiu – Eu não sei nada sobre o Camus... Mesmo sendo meu melhor amigo ele sempre foi bastante fechado.
— Isso é verdade. Ele só externa o que sente quando consegue controlar a situação, o que nem sempre é possível. – Interviu Saori – Ai ele sofre em silêncio quando seria muito mais fácil conversar com alguém.
— Já percebi isso... – Milo respondeu tristemente – Por mim eu planejo ir à Grécia, pegar meu diploma e voltar para a França. Penso em atuar como advogado por uns anos até que meu relacionamento com o Camus possa se tornar público.
— Tipo uma fatalidade do destino? – Saori sorriu, montando o roteiro de um belo romance em sua cabeça.
— Isso. – Milo riu com gosto – Algo como “reencontrar” meu professor orientador daqui há alguns anos e ver que na verdade éramos almas gêmeas e não sabíamos.
— Mas o Camus está com a carga reduzida neste semestre por sua causa, Milo. Ano que vem tudo voltará ao normal e vocês não passarão mais tanto tempo juntos. Não acha que ser impedido de ser visto almoçando com ele, por exemplo, poderia ser algo cansativo?
— Já pensei nisso... Mas ele jamais irá abdicar da universidade, sei disso. Logo eu terei que ceder. – Sorriu triste – Farei o que tiver que ser feito, só espero que dê certo.
— Eu também espero. – O engenheiro sorriu solidário – Torço por vocês.
Percebendo o clima pesado que se instaurou, Saori decidiu mudar o rumo da conversa.
— E qual ramo da advocacia você pretende trilhar? Acho que indicações não faltarão, mas dependendo do caminho, talvez eu possa ajudar. – A morena piscou, sorrindo lindamente.
— Na verdade ainda não sei. – O grego correu os dedos pelos fios loiros, sentindo um desespero tomar conta de si. Ele estava se formando e ainda não fazia ideia do que iria querer da vida e isso o assustava – Eu gosto dessa área de retórica, afinal fiz minha graduação inteira baseada nela.
— Então tribunais! Yes! – Saori vibrou. Era competitiva até em situações como essa – Milo, se você não quiser alguma promotoria, estamos aqui. – Virou as mãos pequenas em direção ao seu próprio tronco.
— Obrigado. – O grego sorriu, estava gostando mesmo da japonesa – Mas então, vamos ligar para o Dite?
— Vamos sim. Aproveito e ligo pro Shaka e vejo como estão as coisas na promotoria. – Mu buscou pelo celular nos cantos do enorme sofá.
— Mesmo que ele ainda esteja na promotoria com o Aiolia e o Kanon, o Saga já está esperando a gente, ele saiu mais cedo hoje. – Milo mexia em seu próprio smartphone.
— Ótimo! Então vamos conhecer a Harley do Milo! – Comemorou Saori.
Como os três haviam bebido e, apesar da proximidade do apartamento dos gêmeos, o frio que assolava Paris se mostrava cada vez mais intenso, obrigando-os a chamar um taxi ao invés de seguirem a pé¹. Ligaram para Shaka, que confirmou estar quase terminando os afazeres na promotoria com Kanon. Aiolia iria buscar Marin e Afrodite e Carlo já estavam a caminho.
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Apesar de pequeno, o apartamento dos gêmeos Halkias era confortável e aconchegante. Em pouco tempo todos chegaram, menos Camus. Como o espaço era reduzido, todos conversaram juntos, o que foi bastante agradável.
O fim do ano se aproximava e com ele a formatura de Afrodite e Milo. Ambos estavam ansiosos e cheios de expectativas. O sueco havia sido convidado para fazer algumas viagens, onde iria expor suas melhores obras. Com um jeito único, Afrodite unia a pintura à sua paixão por rosas, criando um cenário que se já se tornava a assinatura do artista. Milo, por sua vez, recebeu um bombardeio de todos os advogados presentes, cada um querendo trazer o futuro bacharel para uma área específica.
Camus chegou no início da noite, cansado e contando a todos sobre a advertência injusta que a Sorbonne lhe deu sobre o caso de Philippe. Shion o segurava pela coleira enquanto ele queria voar nos pais do aluno e estapear Philippe enquanto o obrigava a agir feito um ser humano adulto. Milo e Marin reclamaram, explicando toda a história antiga aos presentes. Quando terminaram, o ruivo indagou sobre a moto e Milo lembrou-se, animado, que só estava esperando que o namorado chegasse para que todos descessem.
Já na garagem do prédio, Saga guiava o grupo em direção a uma enorme lona preta. Ao sentir o celular vibrar, Camus deslizou o dedo sobre a tela para verificar o conteúdo da mensagem. Andou mais lentamente, ficando para trás enquanto todos comemoravam, animados. O sueco percebeu, puxando-o com delicadeza para que o grupo se unisse novamente.
Kanon retirou a lona, mostrando uma belíssima Harley-Davidson Iron 883, preta. Milo vibrou de alegria, despejando inúmeros elogios de uma vez só. O grego agradeceu aos irmãos mais velhos e correu na direção do namorado, querendo que este participasse da comemoração. Camus manifestou-se feliz, mas algo estava errado.
Era uma mensagem de Raul.
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