Notas iniciais
Eu não estou chorando, você está!! T.T Gente, nem sei como começar essas “notas iniciais finais”. Chegamos ao último capítulo! Eu mal posso acreditar!! Vou deixar os agradecimentos sobre a história para as notas finais, ok? Sem condições de escrevê-los agora pois emocionadah. A você, leitora/leitor: Muito obrigada pelo prestígio de tê-la/o aqui! Do fundo do meu coração eu desejo que o final atenda todas as suas expectativas! Obs: Não vou marcar a história como concluída pois ainda temos o Epílogo dia 26/9! Boa leitura! ♥

— Você sabe que isso virou um jogo, não é?

— Que jogo?

— Aquele “Jenga”.

Camus, que contemplava a pilha de objetos emaranhados em seu banco traseiro, virou-se para fitar o namorado.

— Milo, do que é que você está falando?

As portas do Cadillac estavam abertas no estacionamento do prédio onde ambos moravam. Lado a lado, observavam o conteúdo da antiga sala da Sorbonne como se estivessem em frente a uma gigantesca ratoeira armada. O loiro suspirou, descruzando os braços e se virando para retribuir o olhar do francês.

— Aquele jogo em que a gente monta uma torre de bloquinhos e em cada rodada uma pessoa tem que tirar um deles sem deixar o resto desabar. – Gesticulou.

— Ah sim. – Camus ponderou a resposta, descruzando um dos braços e levando os dedos longos ao maxilar – Hm...

— Alguma sugestão de por onde começamos?

Como não houve resposta imediata, o silêncio deslizou por entre as pilastras como neblina espessa em madrugadas de inverno. Quase um minuto depois, em um rompante, o francês definiu os próximos passos.

— Quer saber? Não começamos. – Se moveu ao redor do veículo, fechando todas as portas e ligando o alarme – Vamos subir, depois pensamos nisso.

— Tem certeza? – O grego perguntou atônito enquanto o seguia em direção ao elevador.

— Sim, senhor. Nós temos coisas mais importantes para fazer agora.

— Tipo o que?

Camus parou e ofereceu a mão esquerda para que Milo a pegasse, antes que prosseguissem no trajeto que levava ao décimo primeiro andar.

— Comemorar!

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O choque provocado pelas novidades atingiu a todos, mas Afrodite foi o primeiro a se exaltar. Esquecendo-se das lesões que o irmão mais velho havia sofrido na noite anterior, não poupou esforços físicos no abraço eufórico e compressor enquanto gritava felicitações.

Os demais só conseguiram alcançar Camus quando o sueco o deixou para pular sobre Milo. Nátássia chorava sem decidir se abraçava o primogênito ou se se afastava para mirar o rosto alvo em suas mãos, indescritivelmente feliz. Na fila, Bengt e Hyoga ofereceram abraços orgulhosos e tímidos, porém não menos significativos. Carlo, por fim, enlaçou o cunhado efusivamente, exultante pelas boas notícias. Nem mesmo os gemidos e queixas do ruivo foram suficientes para libertá-lo dos braços fortes do italiano.

Afrodite propôs uma comemoração imediata e Camus sugeriu que ele e Milo preparassem o jantar enquanto detalhavam os últimos acontecimentos. O ruivo se sentiu confortável até mesmo em compartilhar as minúcias de sua briga na noite anterior, tendo apoio dos demais no relato sobre os confrontos que precederam a situação.

Quando todos portavam seus respectivos pratos, sentados espalhados pela sala de estar do décimo primeiro andar, Afrodite bateu três vezes com a ponta do garfo no copo repleto de suco de laranja.

— Eu quero propor um brinde antes do jantar. – Sorriu lindamente, aguardando o coro comemorativo que se instaurou no cômodo – Esse ano foi muito especial para mim. Eu finalizei a minha graduação, iniciei meu trajeto no mundo profissional, fiquei noivo do amor da minha vida...

Fitou Carlo com carinho e foi bombardeado por uma sequência de longos “Ah” dos demais presentes.

Continuando... – Elevou a voz, rindo – Prestem atenção!

Hyoga fez um “shiu” para os que não paravam de apontar o quão fofo o casal de noivos era. Camus e Milo trocaram uma divertida expressão de surpresa.

— Ele é sério, não é? – O grego sussurrou.

— Muito adulto. – Brincou, inclinando-se para roubar um beijo.

— Ei! Eu posso terminar o meu brinde?! – Afrodite ainda ria, tentando em vão aparentar incômodo com a interrupção. Prosseguiu pouco tempo depois, quando o ambiente foi novamente silenciado – Bom, como eu estava dizendo, além de todas essas coisas incríveis que eu não vou repetir para não causar alvoroço, eu também ganhei o melhor amigo que alguém poderia ter.

O grego sorriu e formou um coração com os dedos. Com a voz doce e emocionada, Afrodite continuou.

— Você, Milo, é o responsável pelo dia de hoje e por essa comemoração que estamos tendo. Por conta disso, eu quero fazer um agradecimento em nome de toda a minha família, a qual você faz parte agora. – Fez uma pausa e respirou fundo, tentando controlar as lágrimas que empoçavam em seus olhos claros – Há seis meses atrás você vinha para Paris, um ambiente completamente diferente do que você estava acostumado, com um clima horrível e cheio de pessoas pouco receptivas. E sabe, eu nunca te vi reclamar, Milo. Nunca. Pelo contrário, você estava sempre transbordando boa vontade, transbordando positividade... Não tinha como não gostar de você.

Carlo e Camus acenaram em concordância, fazendo o rosto do grego queimar.

— E com o tempo você foi modificando todos a sua volta, porque é impossível não ser contagiado por essa liberdade de amar que você tem. E eu espero que você entenda que quando você transformou o meu irmão, consequentemente você transformou a vida de todos os presentes nessa sala. Isso é algo que nós nunca vamos esquecer. Por isso, meu amor, esse brinde é todo seu.

O ruivo foi o primeiro a erguer seu corpo de suco, fazendo com que o namorado se sobressaltasse ao seu lado. Em segundos, todos o imitavam com solenidade.

— Ao Milo! – Afrodite gritou e todos repetiram em uníssono.

Levemente envergonhado, o grego se encolheu sorrindo ao lado de Camus, que beijou os cachos macios com todo o carinho que conseguia externar.

— Seja bem-vindo a família, Milo. – Natássia lhe dedicou com um sorriso doce e carregado de emoções, compartilhado por Bengt ao seu lado.

Após o brinde, o jantar prosseguiu divertido e animado. Tempos depois, todos estavam satisfeitos com a comida, mas não com as comemorações. Por conseguinte, Camus sugeriu um pequeno restaurante nos arredores da Torre Eiffel, convidando os gêmeos e demais amigos da enorme família. Estava cedo, permitindo que eles conseguissem uma mesa longa e aconchegante na calçada ampla, capaz de abrigar a todos por boa parte da noite.

As pessoas que transitavam por aquelas ruas movimentadas eram incapazes de não contemplar o enorme grupo que compartilhava vinhos e risadas sob o ponto mais alto do crepúsculo, no coração da Cidade Luz.

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— Camus, onde está o meu moletom?

— Bem ali. – Sem interromper o que estava fazendo, o ruivo apontou para a base de uma pilha impecável de roupas limpas sobre a poltrona.

Em frente a cama do casal, Milo finalizou a dobra da camiseta que já estava em suas mãos, depositando-a sobre o colchão antes de ir buscar a peça desejada.

Os dois preparavam com cuidado as malas que levariam para a Grécia em dois dias. Carregariam o mínimo de roupas possível, reservando espaço para trazerem o restante dos pertences do loiro no retorno à França.

O fato que ambos morariam juntos em Paris havia sido oficializado, entretanto, o planejamento estava aberto a modificações. Devido ao novo desprendimento do francês, o futuro estava nas mãos de Milo e no caminho que este resolvesse trilhar.

Ouviram a porta do apartamento se abrir e, segundos depois, Afrodite adentrava como um raio na suíte, completamente eufórico.

— Gente, eu tive uma ideia! – Sentou-se na pequena parte ainda vazia sobre o colchão.

— Diga, Dite. – Diante da poltrona, Milo se abaixou para puxar o moletom recém encontrado. Se levantou de supetão ao sentir que o conjunto de roupas iria desmoronar e só retornou ao trabalho após se certificar sobre a estabilidade da pequena torre.

— O que vocês acham de nós irmos fazer compras? A formatura oficial do Uxo merece uns cortes novos e mais modernos... – Inclinando-se para a frente, correu as pontas dos dedos longos no terno que o irmão mais velho havia separado sobre o colchão.

— Sem indiretas, Dite. – O ruivo pontuou, sem desviar os olhos do trabalho de separar e dobrar.

Milo parou o que fazia, cogitando a sugestão.

— Quer saber? É uma ótima ideia. – Mordeu o lábio inferior, saboreando a proposta – Mas vou precisar de ajuda... – Fitou o melhor amigo em um pedido mudo.

— Não precisa nem pedir, Miluxo – Os lábios finos se delinearam em um sorriso doce – Se depender de mim, nesse evento você vai ser o próprio Adônis.

— Mas a deusa Afrodite não se apaixonou por Adônis?

— Hm... – O sueco cruzou os braços sobre o peitoral plano e levou o indicador ao queixo – Isso faz do Mask... Ares?

— Então isso significa que eu serei morto pelo Mask?!

— Pelos deuses, que conversa é essa? – Terminando de dobrar a última camisa e saindo do transe organizacional, o ruivo olhou para os mais novos com perplexidade.

— Nah, fomos longe demais. – Afrodite se aprumou na cama, dando de ombros – Camie, então você ouviu o que nós estávamos dizendo antes disso, não é?

— Claro que ouvi e apoio a sugestão. Vou com vocês, já que aparentemente eu preciso de um terno novo.

Milo apanhou a mão alva ao seu lado com um sorriso encorajador.

— Você não precisa ir se não quiser.

— Eu sei, meu amor. – Sorrindo de volta, Camus rompeu o contato para iniciar um abraço aconchegante – Mas eu realmente quero estar elegante na sua formatura. Eu vou estar cercado por gregos, preciso dar o meu melhor.

— Ah, que bonitinho!

Curiosos, ambos se viraram na direção do sueco.

— Você chamou ele de amor! – Sorriu bobamente antes de bater palmas de animação e mudar de posição, sentando-se sobre os joelhos – Bom, então agora chega de conversas paralelas, vamos planejar...

Ao ver os demais engatados em uma conversa agitada, Camus se lembrou de levar alguns romances para ler durante a viagem. Tendo em mente dois volumes específicos, saiu em direção à biblioteca sem ser notado.

Pés descalços pararam na linha que demarcava o cômodo enquanto olhos atentos perscrutavam o ambiente. Um dos livros almejados descansava nas prateleiras brancas, ocupando a ponta da fila de novos romances. Já o segundo daria mais trabalho, pois como o ruivo já havia dado início à leitura, este poderia estar em qualquer lugar.

Camus revirou sem sucesso os papeis e livros em sua mesa de estudos. Ele ainda não havia organizado todos os documentos produzidos ao longo do semestre, o que dificultava demasiadamente o trabalho de busca.

Após muitas tentativas, decidiu por dar uma olhada na pilha de documentos largada no piso sob o divã. Sentou-se no móvel e trouxe o conteúdo para seu colo, revolvendo com dedos ágeis a enorme coluna de papel, como um pianista experiente que toca sua música favorita. Pouco tempo depois esboçava um sorriso vitorioso ao encontrar o romance desejado. Entretanto, ao remover o volume da pilha, foi subjugado por um deleite imensurável ao se deparar com um dos cadernos antigos de Milo.

Sem conseguir se conter, Camus sucumbiu ao recente sentimento de nostalgia, folheando o espiral com carinho. O impressionava constatar que a opinião que formou ao receber o primeiro manuscrito do grego não havia mudado: Milo era impecavelmente coeso e didático. Como pesquisador profissional, o francês tinha profundidade, o que certamente o namorado adquiriria ao longo do tempo se optasse pela área acadêmica. Porém ele sabia que jamais teria a organização e a primorosa capacidade de síntese que o grego possuía. Milo escrevia muito, muito bem.

De repente, os olhos claros se abriram amplamente, banhados por uma epifania. As letras do caderno se embaralharam e Camus o fechou com brusquidão, respirando fundo antes de se levantar do divã com ambos os romances em mãos. Rumou de volta para o quarto, onde amadureceria sua mais nova ideia em silêncio enquanto Milo e Afrodite se mantinham ocupados com o planejamento da pré-viagem.

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O dia estava majestosamente azul na enorme Thessaloniki. Todos os cantos da cidade portuária exalavam sal, fato que causava uma pequena confusão no peito de Milo. Ele havia esperado muito tempo para se sentir em casa, rodeado pelo barulho do mar e banhado em sol. Porém, só se deu conta do quanto estava habituado ao ar sisudo de Paris ao deixar a capital francesa.

Lembranças distantes o invadiram quando pisou novamente na Universidade Aristóteles. Camus o acompanhava ao longo dos corredores, dedos ternamente entrelaçados.

— Sabe, eu passei mais de um ano tentando convencer o meu orientador a conseguir um semestre com você.

O ruivo lhe sorriu em resposta. Estava maravilhado em finalmente conhecer um pouco do antigo ambiente do grego, em fazer parte do que era importante para o homem que amava.

— Ele com certeza já sabe que estamos juntos, Shion deve ter contado.

— Sem dúvidas. – Camus concordou brevemente. Não estava disposto a ocupar o precioso tempo falando, queria deixar o espaço em branco para que Milo o preenchesse compartilhando consigo tudo o que quisesse.

— Olha, aqui ficavam as minhas antigas salas de aula! – Apontou animado para um extenso corredor após entrarem na enorme e antiga edificação.

Finalmente conseguindo desviar o olhar para frente, Camus observou com cuidado o novo cenário. Imaginou Milo andando pelos pisos claros, carregando livros, sorrindo e jogando conversa fora, iluminado pelos cristalinos raios de sol que atravessavam as janelas compridas. Deixou um suspiro apaixonado escapar antes de ter seus dedos puxados para que avançassem no trajeto.

Subiram algumas escadas e pararam diante uma pesada porta de madeira. Após algumas batidas, um homem sorridente surgiu, rodeando o corpo do grego com um abraçado apertado.

— Ah, garoto, é tão bom te ver de novo! Não é que você conseguiu mesmo?

Milo retribuiu com um aperto cheio de carinho.

— Consegui, não foi? Tudo graças a você, que brigou tanto por mim. – Afastou-se sorrindo e se virou na direção do observador francês – Bom, quero te apresentar o meu segundo orientador, o Professor Doutor Camus Sivan.

Apesar de sentir sua timidez subitamente aflorar, o ruivo estendeu a mão direita em cordialidade.

— É um prazer enorme finalmente conhecê-lo, Dr. Wang.

— Por favor, me chame de Dohko. O prazer é todo meu, Camus. – Retribuiu o aperto com estima.

O francês sorriu, sentindo uma gota de suor escorrer por sua têmpora. Conhecer o antigo orientador do namorado era como conhecer um sogro. Ele queria se mostrar digno e ser aprovado no julgamento do homem tão importante para Milo.

— Estou curioso, o meu aluno te deu muito trabalho?

— Bastante. – Foi a única coisa que sua timidez lhe permitiu falar. Sabia que estava corando.

— Desculpe por ter terceirizado o último semestre, mas, sabe como é, eu precisava de uma folga desse aqui. – Se virou sorrindo e apoiou a mão esquerda no ombro do grego.

— Fico feliz que tenha feito isso. – Mirou o namorado com esmero, sendo imediatamente correspondido.

— Olha o que eu trouxe para você! – Milo mudou de assunto, se lembrando das obrigações. Balançou no ar o documento impresso de sua monografia, sorrindo de maneira quase infantil – Preciso da sua assinatura, eu vou me formar amanhã!

— Por que vocês não entram um pouco? – Virou o corpo contra a porta, deixando desimpedido o espaço para o interior da sala – Eu gostaria muito de ouvir a história que vocês certamente têm para me contar.

O casal passou o restante da tarde inteirando o antigo orientador sobre os estudos e acontecimentos de Paris. O pouco tempo que tiveram juntos foi suficiente para que o francês compartilhasse o carinho que Shion sentia por Dohko. Era claro como o céu acima deles o quanto o acadêmico torcia genuinamente pelo sucesso de Milo e, para Camus, isso era o suficiente para que se tornassem grandes amigos.

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A formatura ocorreu de forma nada similar ao mesmo evento protagonizado pela rígida Sorbonne. O cenário por si só era o completo oposto, o céu soberbamente azulado era colorido pouco a pouco em belíssimos tons de laranja pelo sol que se punha.

Até mesmo os trajes eram diferentes, menos formais e mais joviais. O caçula dos Halkias vestia um terno listrado na cor azul, com os tornozelos a mostra. Camus, vestido de modo mais sóbrio em um conjunto cinza escuro, rotulou o namorado como “contemporâneo e absolutamente irresistível”. Afrodite, por sua vez, usava um longo vestido prateado, brilhante, justo e com as costas expostas. Já Carlo possuía um visual demasiadamente italiano, misturando tons terrosos com a camisa branca semiaberta, exposta pela ausência da gravata.

Antes da cerimônia começar, os quatro conversavam animadamente com os gêmeos, que anunciavam a eminente e definitiva mudança. Saori havia ganhado o processo e eles retornariam aos antigos cargos na promotoria grega. Saga ressaltou que ambos os casais seriam muito bem-vindos na casa a beira mar que ambos planejavam comprar. Ele sabia que Kanon estava entusiasmado com a possibilidade de ter uma praia como quintal e que adoraria partilhar essa conquista com todos que amava.

Quando os pais da família Halkias surgiram, Camus ficou surpreso com a falta do excesso de afeto. Tudo havia sido demasiadamente ordinário, sem gosto, e o fato do ruivo ser o ex-orientador do caçula pareceu passar desapercebido.

Quando Milo teve seu nome reverberado no enorme auditório, Camus foi o primeiro a se levantar, puxando com veemência o coro de palmas que se seguiu. O francês teve seu olhar capturado pelo namorado sobre o palco, que segundos depois se abaixava para assinar o livro de formandos.

A comemoração ao anoitecer ocorreu em um restaurante caprichosamente iluminado em frente à praia. Os irmãos Halkias dividiram várias histórias sobre a vida na Grécia e Milo se despediu de seus tempos universitários compartilhando os melhores momentos vividos nos últimos anos.

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Um dia depois o grupo estava em Santorini. Foi acordado que os casais teriam até o fim da tarde para programas a dois, mas que todos se reencontrariam no jantar.

Durante o almoço, Milo fez questão de levar o namorado em um dos restaurantes mais singulares do mirante da ilha. Sabia que o Camus consideraria o local fascinante, tanto pela comida, tanto pela possibilidade de contemplar longos quilômetros do horizonte a frente.

O mar se dividia em extensas manchas verdes e azuis e a transparência hipnotizava o observador francês. Os olhos claros fitavam com perplexidade as sombras desenhadas na areia branca, possuindo exatamente a mesma forma dos barcos que flutuavam preguiçosamente acima delas.

— Camus, gostaria de mais uma garrafa de vinho?

Tirado de seu devaneio pela voz familiar, o ruivo se deparou com o olhar paciente do garçom.

— Claro, por favor. – Disse em um grego correto, porém carregado de sotaque.

— Eu sei que caprichei na escolha, mas também quero um pouquinho da sua atenção. – Milo sorriu, desdobrando o braço desnudo sobre a mesa em um pedido silencioso.

— Me desculpe. – Camus fez com que sua mão escorregasse sobre os dedos já bronzeados do grego que não saía do sol por um segundo sequer.

— Estou brincando com você, pode namorar o meu país o quanto quiser, ele também é seu agora.

Ambos trocaram um olhar cúmplice e sorriram serenamente.

— Sabe, já tem algum tempo que eu tenho algo para te perguntar.

— Sim, Camus, eu aceito me casar com você. – Milo suspirou pesadamente, fazendo graça logo em seguida. O francês se inclinou para a frente com o intuito de retrucar, porém foi subitamente interrompido pelo jovem garçom que retornava com uma nova garrafa de vinho. Aguardou até que ambas as taças fossem servidas e observou com atenção desnecessária o rapaz que se afastava. Estava devolvendo a provocação, pois sabia que o grego estaria ansioso para saber qual pergunta seria.

— Anda logo, ele já está distante! – Trovejou, fazendo com que o ruivo deixasse um sorriso indesejado escapar. Pretendia manter a pose séria por mais tempo.

Desejando secretamente que o namorado tivesse acertado a pergunta, Camus se endireitou na cadeira para ganhar tempo. Precisava manter o foco na situação que era real.

— Bom, em primeiro lugar, eu gostaria de saber o que você planeja daqui pra frente. – Provou o conteúdo de sua taça, tingindo de vermelho vivo o centro dos lábios finos.

— Como assim? – Milo pendeu a cabeça para o lado, as sobrancelhas unidas em uma expressão confusa.

— Você sabe que eu vou te apoiar em absolutamente qualquer coisa, não sabe? – Disse com afeto e viu o outro acenar positivamente – Pois então, eu gostaria de saber se você já tem algo em mente, para o ano que vem ou para os demais.

Milo revirou seus pensamentos por alguns segundos antes de responder.

— Para ser honesto eu não tenho muita certeza. Sei que eu não gostaria de tentar a área criminal, pelo menos não por enquanto. Nem qualquer coisa relacionada ao sistema de segurança pública, isso também não me agrada.

— Você tem alguma ideia do que poderia gostar de fazer? – Em um carinho inconsciente, deslizou o polegar sobre a palma macia da mão que descansava sob a sua.

— Bom, tudo o que eu fiz durante a minha graduação foi pesquisar e escrever. – Mordeu o lábio inferior, pensativo – Acho que eu nunca me interessei por outra coisa até então, essa rotina nunca me esgotou.

— Por que não tenta a área acadêmica? – Camus sugeriu despretensiosamente, mas com as verdadeiras intenções da conversa na ponta da língua.

— Porque eu não sei se eu quero dar aula. Nunca tive esse interesse antes e agora que me formei não me parece uma opção muito agradável. – Levou a mão livre ao queixo – Eu só queria continuar com as minhas pesquisas, sabe?

— Você pode fazer uma pós-graduação. – Disse com um aceno encorajador.

— E depois o que? O conteúdo que eu gosto de estudar dificilmente me colocaria em alguma empresa. Eu acabaria em uma sala de aula, é adiar o inevitável. – Suspirou – Eu sei que é um pensamento imaturo, mas eu só queria poder ganhar dinheiro estudando, fazendo exatamente o nós que fizemos no semestre passado.

O momento havia chegado.

— Então... Eu tive uma ideia em Paris, logo antes de virmos para cá... – Viu o grego lhe fitar com curiosidade – Eu pensei sobre isso a viagem inteira e agora que sei quais são as suas reais intenções eu acredito que é hora de dividir essa possibilidade.

Camus notou em Milo um olhar afiado e indescritivelmente característico. Ele havia aprendido a identificar aquele semblante ao longo dos últimos meses e sabia que, naquele momento, o namorado depositava em si toda a atenção que possuía. Inspirou fundo antes de prosseguir.

— Durante a sua orientação eu observei que você tem muito talento para a pesquisa. Você é inteligente, paciente, curioso... Além disso possui um excelente senso crítico e uma habilidade de escrita excepcional. – Fez uma pausa, saboreando a expectativa aparente que o grego exalava – Por isso, eu pensei que talvez nós dois pudéssemos trabalhar juntos.

Os lábios grossos e bem desenhados do loiro se entreabriram, mas nenhum som os abandonava. O silêncio fez crescer uma muda de insegurança em Camus, que se apressou em esclarecer a proposta.

— Eu pensei que nós poderíamos tentar investir na confecção de material acadêmico. Poderíamos tentar um contrato com alguma editora e, não sei, escrevermos algo juntos... O que acha?

Houve alguns segundos de pura contemplação, nos quais o grego provou lentamente, letra por letra, a oportunidade mapeada pelo namorado. Em pouco tempo um sorriso selvagem se espalhava como labaredas no rosto dourado.

— Camus Sivan! – Disse com uma animação impossível de ser amenizada, muito menos contida – Você é uma das pessoas mais geniais que eu tive o prazer de conhecer, essa ideia é brilhante!

O ruivo apanhou a taça de vinho novamente, sorrindo contra o vidro antes de sorver o conteúdo espesso.

— Então isso é um sim?

— Mas é claro que é um sim! – Fez um movimento eufórico com as mãos, enfatizando a afirmação.

Camus serviu-se de vinho novamente, radiante perante o gesto efusivo do grego.

— Sabe, – Um pensamento súbito o fez interromper o curso da taça em suas mãos e devolvê-la à mesa – isso não é uma prisão eterna. Você pode começar trabalhando comigo e se não gostar, se perceber que quer fazer outra coisa, se...

Milo o interrompeu, levantando-se e erguendo sua cadeira no ar. Com passos largos, depositou o móvel ao lado do namorado e se sentou novamente. Segurou a face alva com ambas as mãos, sem nunca deixar de mirar os olhos claros sobre a pele salpicada de sardas.

— Eu amo você. E não tenho nenhuma dúvida que respeito, liberdade, honestidade e o desejo mútuo pelo sucesso do outro são os pilares do nosso relacionamento. – Sorriu ternamente – Tendo tudo isso em mente, eu quero que você saiba que ter a chance de continuar trabalhando com você vai me tornar uma das pessoas mais felizes desse mundo.

A expressão preocupada de Camus foi suavizada e um beijo embaralhado por sorrisos selou o novo começo que ambos estavam prestes a compartilhar.

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Todos tiveram pouco tempo para se ajeitarem após o retorno da Grécia. Dentro de alguns dias seria natal e tudo deveria estar pronto para a viagem ao Japão.

A notícia que Camus e Milo trabalhariam juntos rapidamente se espalhou por entre os amigos e familiares do casal, que os cobriram com desejos legítimos de sucesso. Afrodite se prontificou em ajudar o irmão na busca por possíveis editoras enquanto Milo organizava um portfólio de apresentação. As duas semanas seguintes consistiram na organização do conteúdo da biblioteca e na discussão sobre a relevância de documentos ainda não publicados.

Carlo não participou dos primeiros passos dos novos autores pois estava em uma rápida viagem à Itália. Ele detinha a responsabilidade de resolver a burocracia de seu futuro doutorado enquanto visitava casas afastadas do centro de Amalfi. Ele e Afrodite iriam se mudar para sul do país pelo intervalo inicial de um ano e ambos haviam preparado uma lista com as moradias mais deslumbrantes que conseguiram encontrar online. Carlo se comprometera a visitar uma por uma e decidir por aquela que seria indiscutivelmente perfeita para a vida de recém-casados.

— Camie... – O sueco desviou os olhos cansados do computador, mirando o irmão no sofá a sua frente. Ambos estavam na sala de estar do apartamento do décimo segundo andar.

— Hm. – Deitado, murmurou enquanto lia a tela do notebook em seu peito.

— Estava pensando nos termos da minha mudança. – Espreguiçou-se jogando o torso e os braços para trás, apoiado no encosto do sofá claro. Tomou cuidado para que o computador se mantivesse equilibrado sobre a manta que escondia suas pernas dobradas.

— Finalmente? – Saindo da inércia, Camus se sentou de frente para o irmão mais novo. Iria aproveitar a oportunidade para uma pausa que julgava merecida.

— Acho que o mínimo de uma vez por mês é um bom acordo.

— Só uma? Eu achei que os termos seriam mais rigorosos. – Depositou o notebook ao seu lado e se levantou para preparar canecas de chocolate quente. Paris estava fria, como de costume.

— É lógico que eu quero que vocês passem mais tempo conosco, mas acho que você e o Milo farão muitas viagens ao longo do próximo ano, não é?

— Bom, não serão tantas assim. – Aumentou o tom de voz enquanto se afastava – Combinamos de terminar o inverno por aqui, porém na primavera vamos passar umas duas semanas em Amsterdam e depois mais umas duas em Londres, dessa vez a passeio. Eu prometi a ele que tiraríamos uma foto em frente a 221B Baker Street.

Afrodite riu gostosamente.

— E no verão? Vocês vão passar pelo menos um mês com a gente, não quero nem saber.

— É claro que vamos! Nós também prometemos ir visitar o papai e passar um tempo na praia com os gêmeos.

O sueco sorriu ao ouvir a palavra “papai”, podendo jurar que seu coração derreteu por alguns segundos.

— Sabia que a mamãe está cogitando ir morar com ele por um tempo? – Se levantou para seguir o mais velho, era hora da fofoca.

— Isso é sério?! – Virou o corpo, surpreso, expandindo os brilhantes olhos azuis e parando de mexer o conteúdo da panela vermelha.

— Seríssimo. – Riu enquanto buscava por duas xícaras no armário – Tenho um pressentimento que eles vão dar certo dessa vez.

— Nossa, eu espero que sim. Pensar no papai sozinho naquele casarão me deixa desolado.

— Nem me fale, eu fico tristíssimo pensando no que ele deve passar vendo nossos antigos quartos, os balanços no quintal, o trampolim na piscina...

— Ele amava ter a casa cheia de gente... Ainda mais quando éramos crianças.

— Sim! Ele sempre se deu bem com crianças, não é? Lembra de como ele adorava cozinhar quando eu chamava as minhas amigas pra festas na piscina? Ou nas festas dos solstícios?

— É claro que eu lembro, ele sempre me tirava da biblioteca para ajudar na cozinha. – Camus sorriu, nostálgico – E eu amava.

— Outra coisa que me divertia muito era ele servir de modelo quando eu e as meninas queríamos testar alguma maquiagem nova e estávamos em número ímpar.

Os irmãos se entreolharam antes de dividirem uma risada contagiante.

— Eu não era modelo de maquiagem por conta da alergia, mas nunca falhei como modelo de penteados.

— Como eu amava e odiava a atenção que você recebia, todo mundo queria trançar a Jean Grey, ó Fênix Negra. – Revirou os olhos, fazendo o outro rir.

— Por que você e o Mask não vão com a gente? – Retirou a panela do fogo, o chocolate estava pronto.

— Quer saber, é uma ótima ideia! – Acenou em concordância – É bom que posso forçar ele e a mamãe a me visitarem em Amalfi com uma frequência maior.

— Você só não pode se esquecer que nós temos a liberdade de trabalhar em qualquer lugar, eles não.

— Ah é, empregos formais. – Fez uma careta antes de assoprar a caneca que lhe foi entregue.

Camus sorriu, bebericando o chocolate enquanto se apoiava na aresta da pia. Afrodite prosseguiu com a conversa.

— Já parou para pensar que esse ano não poderia ter tido um final melhor? Olha só pra você, está em um relacionamento sério, emprego novo não-tóxico, programando várias viagens... – Esbarrou seu quadril no do irmão em uma provocação infantil.

Camus não deixaria barato.

— Olhe só pra você! Maridão, casa de campo no Sul, todo o espaço que quiser pra cultivar suas flores, pra pintar... Aliás! Eu estava vendo as fotos que o Mask mandou de manhã, ele estava olhando uma casa de madeira linda com uma estufa no jardim de trás. Uma estufa! Se isso não é a definição de sucesso eu não sei o que é.

O sueco levantou uma sobrancelha, sorrindo perversamente.

Falando nisso, quando é que você e o Milo vão se casar? Vocês sabem que vão acabar casados, todo mundo sabe, então por que esperar?

Camus se engasgou enquanto sorvia o chocolate de sua caneca. Tossiu, fazendo o irmão rir.

— E quando é que eu serei titio? – Devolveu, roubando outro riso cristalino de Afrodite. Não se daria por vencido.

— Muito bem, vai escapar dessa vez, mas não pense que esse assunto será esquecido.

— Digo o mesmo. – Sorriu em desafio.

— Quer saber, eu quero mesmo aproveitar para falar sobre o meu casamento. Como você já sabe, vai ser na primavera do ano que vem, então eu vou ter tempo para montar o cenário no quintal e cultivar as flores certas para usar na decoração.

— Hm, preciso achar meu “A linguagem das Flores”. – O interrompeu, distraindo-se momentaneamente ao pensar em onde o livro poderia estar.

— Não se preocupe com isso, eu sei de cabeça. Mas a questão é que eu quero muito a sua opinião e a do Milo em alguns desses tópicos. Eu vou ser a líder da organização da cerimônia, é claro, mas conto muito com vocês como meus principais consultores.

— Claro, Dite, quando quiser.

— Obrigada. – Segurou a mão do irmão com carinho, sorrindo em agradecimento.

— Não por isso. – Camus retribuiu.

— Ah! Eu também preciso conversar com vocês sobre o namorado do Hyoga, o Shun, antes de irmos conhecer a família dele. Acho melhor a gente mandar uma mensagem pro Uxo subir e vir fofocar com a gente.

— Boa ideia. Tadinho, a última vez que eu o vi ele estava atrás de um muro bem sólido de papel, não conseguia lembrar o próprio nome.

Ambos voltaram para a sala enquanto o francês ligava para o namorado preso na biblioteca do andar de baixo. A presença do grego encerrou o trabalho naquele dia e em pouco tempo os três conversaram e trocavam risadas sob o sol poente, optando por um filme ao anoitecer enquanto comiam uma refeição quente preparada por Camus.

Um ano depois

— Acha que vamos rodar livrarias em eventos de autógrafos? – Milo perguntou finalizando sua tigela de frutas picadas. Estava sentado em um dos bancos altos, apoiado no balcão enquanto observava o francês na cozinha.

Camus finalizava as louças minuciosamente, pretendendo deixar tudo em ordem antes que ambos se ausentassem do apartamento pela última vez no ano.

— Acho que não. – Virou-se com uma expressão de consolo.

— Eu queria dar autógrafos. – Lambeu a colher antes de depositá-la dentro da tigela e esticar o corpo sobre o balcão, entregando o conjunto ao namorado.

— Quem sabe um dia.

O casal havia se dedicado ao longo dos últimos meses à produção do primeiro livro, que possuía data de lançamento para o início do ano seguinte. Além disso, trabalharam em paralelo na elaboração de diversos artigos para revistas de renome como publicidade. Por terem sido aceitos em uma boa editora e por saber que haviam feito um excelente e cuidadoso trabalho, Camus estava confiante.

— Você não vai comer nada mesmo?

— Eu como no caminho. – Deu de ombros.

— Isso é mentira e você sabe. Vai ficar reclamando que nenhum restaurante de aeroporto presta ou que o custo-benefício não vale a pena.

— Pode ser que você tenha razão. – Ainda de costas, o francês sorriu enquanto terminava de secar a tigela recém-lavada.

— Ou seja, está deliberadamente me enrolando e só vai comer quando chegarmos na casa do Dite. – Franziu as sobrancelhas, ligeiramente zangado.

— Mas qual é o problema de comer quando chegarmos lá? Eu gosto da comida do Mask e eu sei que ele terá preparado algo. Será uma desfeita se eu não comer nada.

— Então por que me preparou essa salada de frutas antes de irmos?

— Porque não é saudável sair com a barriga vazia. Tem mais de três horas que almoçamos, Milo. – Guardava as louças pacientemente.

— Pelos deuses, Camus! Você consegue se ouvir?! – Exasperou-se, vendo o francês fechar o armário e andar em sua direção com um sorriso petulante.

Pouco tempo depois o ruivo enlaçava o torso do namorado, inclinando as costas largas do nadador para trás, contra seu próprio peito. Em resposta, Milo permitiu que seu corpo se desfizesse no abraço acolhedor.

— Me deixa cuidar de você.

— Como se eu pudesse dizer não. – Retorquiu a contragosto – É só isso que você faz.

— Eu faço isso porque amo você.

— Hm. – Resmungou com as sobrancelhas franzidas, girando o corpo no banco alto e aconchegando Camus entre suas pernas abertas.

— Eu prometo que vou passar a comer antes de viajarmos. – Girou os olhos, cedendo.

— Vamos comer no aeroporto e você não vai reclamar. – Apontou o indicador para o maxilar afiado a sua frente.

— Tudo bem.

— E quando formos de trem vamos levar algo de casa.

— Sim, senhor. Como você desejar.

— Camus, você está sendo irônico comigo? – Encostou o dedo em riste na pele alva em uma ameaça silenciosa.

— Lógico que não! – Inflamou-se – Eu estou cedendo e apreciaria certo reconhecimento.

Fitaram-se em desafio por alguns segundos, antes de se desmancharem em sorrisos.

— Pegou tudo? – O ruivo perguntou enquanto puxava o grego pelas mãos. De pé, o Milo varreu os olhos pelo apartamento em uma última conferência.

— Acredito que sim.

— Nada de computadores? – Certificou-se com uma sobrancelha erguida.

— Nada de computadores.

— Férias até o natal?

— Férias até o natal! – Animado, balançou o namorado pelas mãos, fazendo-o rir da comemoração contida.

Eles haviam trabalhado incessantemente em todas as viagens que fizeram nos últimos meses. Descobriram que nem tudo eram flores quando se trabalhava por conta própria, porém, ainda assim, conseguiram se divertir. Haviam partido incontáveis vezes para Amalfi, passearam por todos os lugares prometidos e estreitaram ainda mais os laços com os demais familiares e amigos.

— Vamos, então? – Camus perguntou enquanto checava se todo o apartamento estava em condições de ser deixado vazio por pelo menos um mês. De Amalfi eles comemorariam o natal em família e depois ainda haveria as festas da virada do ano.

— Vamos. – Milo se prontificou em buscar as malas no canto da sala – Ah, esqueci de te falar, desmarquei sua consulta de sexta com a Dra. Frontin, já que adiantamos o voo pra hoje.

Os longos dedos do francês conferiram a maçaneta da porta que separava a suíte da varanda. Camus fitou a Torre Eiffel antes de fechar a cortina, incapaz de conter um novo sorriso. Milo também cuidava de si. Ele jamais se permitiu imaginar a possibilidade de ser tão feliz, tão completo em todos os sentidos de sua vida.

— Devemos checar o apartamento de cima? Dite e Mask ficaram muito tempo da última vez, podem ter esquecido de trancar algo. – O grego disse enquanto levava as malas até a porta.

— Fiz isso ontem. – Camus surgiu pela sala com uma expressão inviolável de paz. Ele havia se esforçado muito ao longo do ano, mantendo consultas regulares com a Dra. Frontin e obedecendo o tratamento à risca. Ter Milo ao seu lado potencializou qualquer avanço que tivera, pois sabia que se fosse uma pessoa melhor para si mesmo, também seria uma pessoa melhor para o homem que amava.

— O presente do Dite e do Mask, guardado na mala?

Afrodite e Carlo haviam tido sucesso em todos os projetos que se dedicaram ao longo do ano e eles não poderiam deixar de comemorar. O vinho favorito de ambos era parisiense e Camus fez questão de garantir espaço para duas garrafas em sua mala.

— Perfeitamente.

— Então vamos?

— Vamos. – O francês pegou as chaves sobre o balcão e abriu a porta, dando espaço para que o namorado passasse com as pesadas bagagens.

Quando tencionou fechá-la, contudo, assustou-se com uma mão espalmada na superfície escura.

— Espera! – Milo entrou como um raio, pegando a única garrafa de iogurte que sobrara na geladeira vazia. Correu de volta, sumindo no interior do elevador que os aguardava.

Camus sorriu, não hesitando em fechar o apartamento atrás de si. Não haviam mais despedidas.

FIM

Notas finais
Como começar as notas finais? Acho que a história consumiu todas as minhas palavras, não restando nenhuma letrinha no teclado. Ou então, talvez (só talvez), eu não quero me despedir de vocês. Afinal, tem tantos anos que estamos juntos, ninguém pode me culpar por não querer dizer tchau. Acho que eu nunca vou conseguir expressar direito o quanto essa fanfic mudou a minha vida, em todos os sentidos. Acho que sempre começa com uma leitora insatisfeita, procurando uma fanfic muito específica, que fale disso ou daquilo e tenha personagens assim ou assado. Daí essa leitora não encontra o que procura e fala “quer saber, eu mesma vou escrever esse trem”, e quando a gente assusta passou dos 100k. Como assim eu tinha tanta coisa pra falar? Eu espero do fundo do meu coração que vocês tenham se divertido tanto quando eu ao longo da história e que tenham percebido pelo menos um pouquinho o quanto vocês valem a pena. É sério! Cada um de vocês, vocês valem MUITO a pena! Além disso, espero que vocês tenham aprendido junto comigo que por mais que as coisas pareçam impossíveis, elas não são. Eu garanto pra vocês que não são. Muito obrigada pela sua atenção, muito obrigada pela sua presença em cada capítulo e muito obrigada por ouvir a história que eu tinha pra contar. Um beijo cheio de amor e, se você puder, me dê seu feedback. Eu quero ser uma autora de verdade um dia e críticas são muito bem-vindas. Mas caso você não possa, nos despedimos por aqui. A todos vocês: meu muito, muito obrigada! ♥